APELO AO MEU AMADO CARECA
Wladimir Caetano de Sousa, 14 de novembro de 2023 (versão final: 11 de maio de 2025)
A Renan Martins dos Santos
Por tudo o que é mais sagrado, imploro-te: grava estas palavras a ferro e fogo em teu coração.
A Igreja é a pomba branca do Cântico dos Cânticos — pura, santa, imaculada, perfeita. Ela não é uma prostituta esquizofrênica, errante, desfigurada pela heresia e pela confusão. Não. A verdadeira Igreja é a Esposa de Cristo, e nela não há lugar para facções nem invenções humanas. Trata-se de uma Igreja de pecadores, sim, mas não de hereges. Fora dela, não há — e não pode haver — absolutamente nenhuma salvação.
Assim ensina o Papa Inocêncio III, em sua carta Eius exemplo, de 18 de dezembro de 1208:
“Também cremos com o coração e com a boca confessamos uma só Igreja, não de hereges, mas a santa, romana, católica e apostólica, fora da qual cremos que ninguém se salva.” (Denzinger, 423).
Não te deixes enganar pela ilusão besta da chamada “ignorância invencível”. Ao contrário da infeliz blasfêmia proferida por Paulo Ricardo — que a considera uma espécie de “oitavo sacramento” — a ignorância, conforme o ensinamento de Santo Tomás, não é um privilégio, mas uma pena infligida pelo pecado. Com efeito, os pagãos foram instruídos pelos Apóstolos — diz-nos o livro dos Atos que a pregação se estendeu até os confins da Terra. Há mesmo tradições veneráveis que associam a missão de São Tomé às terras brasileiras. Os indígenas, portanto, são descendentes daqueles que outrora rejeitaram a boa nova — e, por isso, foram entregues às trevas do erro por gerações sucessivas. E mesmo assim, a misericórdia divina lhes concedeu mais uma chance, com a chegada dos missionários, especialmente os jesuítas.
Não tenhas receio de crer, pois “a vida eterna consiste em conhecer-te a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17,3). E “quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado” (Mc 16,16). É absolutamente impossível a salvação sem o conhecimento de Jesus Cristo, que implica o ato de fé e o batismo na água. Este ato de crer procede da graça — é Deus quem move o homem em sua direção. Se alguém permanece na ignorância, é porque amou mais as trevas do que a luz. O Concílio Vaticano I declarou anátema todo aquele que ousar afirmar que Deus não possa ser conhecido pela luz natural da razão. Logo, a ignorância não é desculpa, mas rejeição.
Se essa é a lógica que rege a condenação dos pagãos, há ainda uma segunda lógica, mais rigorosa, para os batizados: não basta crer e receber o batismo; é necessário perseverar na fé íntegra e inviolável, dentro da Igreja. Eis por que não se salvam os protestantes nem os falsos católicos de nossos dias — pois inventaram para si religiões espúrias ou se conformaram à falsa religião da big seita pós-concilar.
Sem a fé, é absolutamente impossível agradar a Deus. O que resta, fora dela, são apenas simulacros: ilusões piedosas, racionalizações morais, e uma prosperidade exterior que, se existe, deriva dos bens espirituais da verdadeira religião, sem nela estar enraizada. Um pastor protestante ou um católico continuísta, ainda que “de boa estirpe” e boas intenções, são tão desagradáveis aos olhos de Deus quanto um pagão. Dom Rodrigo está certo ao afirmar que é mais fácil converter um drogado abandonado nas ruas do que um neopentecostal convicto: os demônios que dominam o primeiro são mais fracos que os que deturpam o espírito do segundo. E da mesma forma, cada seita pós-conciliar tem o seu próprio demônio: um para o Opus Judei, outro para os Arautos, outro para a TFP, outro para a RCC, e assim por diante.
Não tenhas receio de crer. Suplica todos os dias a Deus essa virtude teologal, que reside no intelecto — e bem sabes qual é a operação própria da inteligência. Se os nossos amigos são capazes de ouvir os inimigos da Igreja confessarem abertamente sua heresia, verem-nos cometer atos notórios de apostasia — e ainda assim nada fazem, nada dizem, a nada reagem — é evidente que lhes falta a virtude que atua justamente na esfera própria da apreensão da verdade. E a ausência da fé embrutece até mesmo o mais nobre dos homens.
Cuidado, pois, com a armadilha da piedade aparente. A piedade é um elemento da virtude natural da religião, e como tal, é inferior às virtudes teologais. Mil Donatos piedosos não equivalem, diante de Deus, a um só pecador rude, iletrado, mas possuidor da verdadeira fé.
Chega de padrecos domesticados e sentimentalóides: os Paulos Ricardos da vida, os Victor Sequeiros, os Gabriéis Vila Verde. Homens que destronaram a fé em suas almas, substituindo-a por um ídolo: a deusa “obediência”, à qual sacrificaram suas consciências. O que Deus quer são homens de fé. A mesma fé de São Pedro e seus sucessores legítimos. A fé de São Paulo e seus companheiros. A fé de Eugênio IV, Paulo IV, São Pio V, São Pio X, e tantos outros gigantes da ortodoxia. Essa fé pela qual incontáveis mártires derramaram o próprio sangue.
Cristo é o caminho, a verdade e a vida. Os céus e a terra passarão, mas sua palavra — sua palavra, Renan — jamais passará.
