OS LIMITES DOS MANUAIS ESCOLÁSTICOS

Wladimir Caetano de Sousa, 3 de maio de 2025

Ao Rev.º Pe. Luan Guidoni

As limitações intelectuais observáveis no clero guardam correspondência direta com os limites temáticos das matérias contempladas nos manuais escolásticos adotados nos seminários ao longo dos tempos. Considere-se, por exemplo, fenômenos como a usura, a natureza do crédito ou da moeda — temas fundamentais da Economia. Em qual setor da divisão tradicional das ciências escolásticas encontram-se adequadamente contemplados estes e outros tópicos correlatos? Na Ética? Um exame simples revela sua ausência quase completa. Quando muito, tais temas aparecem brevemente na seção de moral social, com menções superficiais à doutrina social da Igreja que, por sua própria natureza, não aborda essas questões com a profundidade necessária.

Ademais, as deficiências não se limitam à omissão de certos temas: manifestam-se também na estrutura interna das disciplinas. A título de ilustração, a obra magna de Joseph Gredt O.S.B., Elementos de lógica aristotélico-tomista, não contempla os tópicos fundamentais de lógica material expostos no compêndio de Dom Thiago Sinibaldi, Elementos de filosofia — conteúdos de suma importância, particularmente nos anos formativos do seminário. Sabemos bem que o demônio se vale indiscriminadamente de todos os meios disponíveis para empreender sua fúria destrutiva, inclusive de elementos intrinsecamente positivos, frequentemente com o intuito de privá-los de sua perfeição.

Quando não é esse o caso, seu modus operandi é a pura mistificação.

Com efeito, a ciência perfeita, ou sabedoria, que não apenas mostra que a coisa é, mas mostra, por sua causa própria, por que a coisa é, e que é um conhecimento pelas causas e, de fato, pelas causas últimas, é apriorística (ciência estritamente dita). Dela se distingue a ciência imperfeita (ciência não estritamente dita) — meramente experimental, a posteriori, que ou enumera os fatos de acordo com a sua conexão entre si (ex. história), ou mostra os tipos das coisas naturais (ex. história natural), ou prova a posteriori as leis da natureza por indução a partir das coisas singulares (ex. física experimental).

Ora, a subversão verificada em nossa civilização operou-se sobretudo mediante as ciências a-posteriorísticas (física experimental, biologia, história e crítica, linguística, entre outras). Mais ainda: a pretensa legitimidade da civilização moderna, erigida sobre os escombros da Cristandade, fundamenta-se sobremaneira na autoridade arrogante delas. É precisamente neste ponto cego cognoscitivo que o adversário atua incessantemente contra a Igreja.

Diante do avanço agressivo dessas ciências a-posteriorísticas, potencialmente subversivas, e de seu prestígio cultural, que poderá fazer uma mente adestrada tão-somente nas ciências apriorísticas? Levantar tímidas objeções, alegando que certos resultados dessas ciências contradizem os dados da Revelação — e nada além disso.

A atitude de desqualificação: “Bobagem! Não percamos tempo com Física, Química, Biologia, História, Linguística, Ciências da Literatura, Psicologia experimental, entre outras. Já estamos em posse da Filosofia, a Sabedoria, o conhecimento metafísico imutável…” — revela-se contraproducente. Pois, enquanto isso, o diabo fixa em bilhões de anos a idade da Terra e a põe a girar ao redor do Sol, eleva o macaco à condição de ancestral humano, fabrica um conceito esotérico chamado “gravidade” (que até o presente momento nem os mais dedicados gurus da Ciência conseguem explicar satisfatoriamente ou integrar em suas complexas teorias), relativiza o espaço e o tempo, destrói todo o edifício matemático erigido pelos gregos antigos e se impõe triunfalmente como senhor de todas as narrativas.

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