A QUESTÃO JUDAICA NA EUROPA: INTRODUÇÃO
E. Michael Jones
1. Introdução à primeira edição
Cruzar a ponte do Brooklyn em direção a Manhattan num dia ensolarado de outono é um dos grandes prazeres da vida que só pode ser desfrutado na cidade de Nova York. A visão do porto inclui a Estátua da Liberdade, a Ilha Ellis e os arranha-céus do distrito financeiro. A ponte do Brooklyn é uma das poucas pontes nova-iorquinas que foram construídas tendo os pedestres em mente, e naquele domingo ensolarado toda a calçada era um fluxo contínuo de pessoas que se estendia sem falhas do Brooklyn a Manhattan.
Aquilo parecia uma marcha de protesto, possivelmente porque, uma semana antes, cerca de 700 a 800 pessoas que participavam do movimento Occupy Wall Street (OWS) tinham sido presas após serem atraídas para a ponte pela polícia, sendo então atacadas pelas mesmas pessoas que lhes disseram que poderiam protestar ali.
Na primavera de 1970, quando terminei minha graduação, eu, assim como muitos outros universitários, participei dos protestos contra a incursão do Presidente Nixon no Camboja. Quatro pessoas faleceram na Universidade Estadual de Kent em Ohio durante uma dessas demonstrações, abatidos pelos tiros da guarda nacional. As armas utilizadas foram rifles M1, que, diferentemente dos M16 que os substituíram, tinham precisão de longa distância. Assistir a soldados disparando armas feito essa contra uma multidão de estudantes desarmados foi um dos traumas inesquecíveis da minha geração.
Nada de tão dramático aconteceu na marcha da Filadélfia, que nem por isso deixou de ser instrutiva. Enquanto marchávamos pelo planalto Belmonte em nossa rota para o centro da cidade, um série de manifestantes emergiu dos arbustos portando bandeiras vietcongues e se posicionando à frente do cortejo. Eu conhecia alguns deles. Eram meus vizinhos em nosso alojamento universitário hippie. Eram membros do Partido Comunista. Vários deles estiveram em Cuba na Brigada Venceremos. Eram os típicos comunistas judeus impossíveis de se evitar nos círculos universitários daqueles dias, e sempre lideravam as manifestações com suas bandeiras vietcongues, de forma a dar a impressão de que o resto da marcha era composta de seus seguidores.
Foi uma lição que nunca esqueci. Durante os próximos quarenta anos, em todos os movimentos, sempre havia alguém na frente de uma manifestação a carregar uma bandeira, sempre disposto a alegar que todos o seguiam. O finado Richard John Neuhaus sempre me pareceu ser um exemplo clássico desse mesmo fenômeno. Depois de ouvir o Reverendo Neuhaus perorar por horas sem fim sobre a visita do Papa à EWTN, subitamente disse a mim mesmo: “Quem o indicou como nosso líder?”. A resposta a essa questão era clara. Foram dois neoconservadores — Norman Podhoretz e Midge Decter — que canalizaram 250.000 dólares para que Neuhaus fundasse a revista First Things. Isso era o equivalente neocon do que meus amigos comunistas faziam na década de 70. Os judeus tinham aprendido como criar grupos de fachada durante os dias em que Irving Kristol e seus camaradas trotskistas ocupavam a mesa número dois na cafeteria do City College de Nova York, e nunca perderam a habilidade de colocar um espantalho goy à frente de qualquer manifestação que desejassem cooptar. Os católicos têm marchado atrás de “líderes” autodesignados (ou melhor, designados pelos judeus) como Richard John Neuhaus por toda a minha vida adulta.
Tenho de admitir que, apesar do tempo glorioso e da visão ainda mais gloriosa da ponte, estava a me dirigir para a manifestação Occupy Wall Street no parque Zuccotti com esses mesmos pensamentos em mente. Quando é que os comunistas sairiam dos arbustos e correriam para a frente da marcha? F. William Engdahl, um homem que conheci na Suíça e sempre tem algo inteligente a dizer sobre uma série de assuntos, das finanças às sementes geneticamente modificadas, alegou recentemente que George Soros (como agente dos Rothschilds) estava por trás das manifestações Occupy Wall Street.
Isso não era manifesto para um observador casual como eu. Na verdade, a única coisa clara nessas manifestações era a ausência de foco, que é o maior sinal de que estamos a lidar com um movimento genuinamente popular. Também é um sinal de que os protestos dos anos 70 contra a incursão no Camboja talvez não sejam o melhor paradigma para explicar o que estava a ocorrer no parque Zuccotti. O melhor paradigma pode ser a marcha dos zumbis de South Bend, que me pegou desprevenido um mês antes de vir a Nova York. No final de uma tarde de verão, centenas de zumbis estavam a marchar pela ponte da rua Colfax com sangue a escorrer de suas bocas, e miolos e outros órgãos pendurados em seus corpos. Foi uma visão inspiradora. Finalmente, pensei eu, um número significante de residentes de South Bend percebeu o que a cultura dominante vinha tentando fazer conosco em todos esses anos, ou, a julgar da idade dos participantes, por toda a sua vida. A emergência do zumbi, ou do apocalipse zumbi, é um sinal de que o capitalismo finalmente conseguiu transformar a todos em consumidores estúpidos. O apocalipse zumbi acontece quando a mente americana é destruída pela adoção do consumismo desmiolado, algo que George Romero, criador do gênero moderno de zumbi no cinema, trouxe à tona ao ambientar o filme Madrugada dos Mortos, a sequência de seu clássico dos anos 60, A Noite dos Mortos-Vivos, num shopping center. S. Peter Davis afirma:
“No rescaldo da crise do teto da dívida, o comentador esquerdista Thom Hartmann avisou que os zumbis do Tea Party estavam soltos em Washington e que sua missão secreta consistia em dizimar a América e criar uma ‘segunda grande depressão’, já que isso faz muito sentido, ao menos se você for um vilão de desenho animado. Paul Krugman, o colunista de esquerda do The New York Times, chama as teorias econômicas conservadoras de economia zumbi.”
Em um artigo brilhante sobre zumbis e vampiros,[1] S. Peter Davis alegou que podia correlacionar sua aparição com a presença de um republicano ou um democrata na Casa Branca, ou, como ele diz: “Quando um republicano está no cargo, os zumbis imperam. Quando é um democrata, abundam os vampiros”. O vampiro articula os medos mais profundos dos conservadores:
“Os vampiros representam uma combinação de tudo que a direita teme na esquerda — a quebra da moralidade e da sexualidade tradicional, a rejeição da religião (é por isso que se pode afugentar um vampiro com uma cruz) e a sedução e corrupção dos inocentes. É tudo que mamãe e papai temem quando sua garotinha vai para a universidade… Drácula reinventou o vampiro como alguém cujos ossos o levariam a pisar no túmulo de sua mãe. Funcionou então pela mesma razão que funciona hoje — era a inversão absoluta dos ideais conservadores vitorianos. Senhoritas inglesas empertigadas e decentes, após serem mordidas pelo Conde, se tornavam vadias sensuais que abandonavam seus deveres maternos para se refastelarem na depravação. O tema da invasão dos vampiros era a transformação da Inglaterra no reality show Jersey Shore… Quando Rush Limbaugh disse que ‘o individualismo, para um esquerdista, é como a cruz para o Conde Drácula’, não estava apenas fazendo uma analogia aleatória. Ele poderia facilmente ter dito que é como mostrar a criptonita ao Super-Homem, ou como mostrar um sabonete a Ke$ha. Comentadores do seu tipo amam a analogia do vampiro. Ele freqüentemente diz que ‘vampiro’ é outro nome para democrata – um parasita que ‘suga o sangue do capitalismo’.”
Davis acerta o alvo quando alega que o vampiro é quase sempre um estrangeiro. Praticamente todas as representações de Drácula, de Bela Lugosi, ao “Conde” da Vila Sésamo, o mostram falando com um forte sotaque do leste europeu. Segundo Davis, quando Drácula “chega à Inglaterra, ele passa ‘a converter’ as pessoas no monstro que ele é. O que realmente leva os heróis à ação é o fato dessa nova legião de ex-humanos ser agressivamente leal a Drácula, e não à Grã-Bretanha.”
Davis leva então sua observação perspicaz para a direção errada, quando escreve que “caso Drácula tivesse sido escrito hoje, ele usaria um turbante”. No entanto, se Drácula tivesse sido escrito na era dos protestos Occupy Wall Street, ele usaria um quipá. Davis poderia ter fortalecido seu argumento consideravelmente se tivesse citado as freqüentes referências de Hitler a vampiros em Mein Kampf, mas para fazê-lo também precisaria apontar que Hitler identificava vampiros com judeus. Eram os judeus — em particular os financistas judeus — que estavam a sangrar a Alemanha nos anos 20, e os mesmos temas estão a emergir agora nos protestos Occupy Wall Street. Em um vídeo do YouTube que viralizou, Patricia McAllister, uma professora de escola pública negra de Los Angeles, que viera ao parque Zuccotti para se juntar aos protestos, afirmou que os “judeus sionistas que controlam os bancos (…) precisam ser expulsos deste país”.[2] Uma organização de frente dos republicanos tentou descartar os protestos OWS alegando que eram comandados por antissemitas, o que levou a rápidas negativas no canal Russia Today (RT) feitas por Arun Gupta, um egípcio que viera a Nova York para criar o The Occupied Wall Street Journal.[3]
O apocalipse zumbi, isto é, pessoas fantasiadas em lugares como South Bend para uma marcha de zumbis, não é um sinal do triunfo do capitalismo, mas de seu fracasso. Os zumbis marcham por não mais acreditarem no capitalismo. O consumismo não pôde satisfazer a alma humana. Nada, nem mesmo a morte, pode extinguir a alma humana, destinada à imortalidade no céu ou no inferno. A morte em vida simbolizada pelo zumbi é uma metáfora do pecado. A alma sobrecarregada pelo pecado sem esperança de um redentor (o estado da maioria das pessoas na América pós-cristã) pode ser comparada à morte em vida. O zumbi não está vivo; é um morto-vivo, e esse é o exato estado da maioria daqueles que sucumbiram ao sonho capitalista de um paraíso consumista na terra. Acrescente o pecado sexual ao banquete de itens de consumo que o capitalismo nos oferece como sedução, e terá a fonte de todas as imagens macabras mostradas na marcha zumbi. Havia várias jovens na marcha com braços e pernas de fetos protuberantes em seus abdômens. Não conhecia nenhuma dessas mulheres, mas sei que muitas mulheres de sua geração abortaram seus filhos, e suspeito que a marcha zumbi era uma forma críptica de referência a esse fato. Já que essas mulheres não podem confessar seus pecados a sacerdotes e receber a absolvição que só pode ser dada pela confissão sacramental, praticam o melhor que lhes é possível. Anunciam o aborto em uma série de gestos dissimulados, como Dimmesdale em A Letra Escarlate, ao abrir sua camisa e expor a letra A em seu peito à meia-noite, quando ninguém podia ver.
Em sua maioria, a multidão no parque Zuccotti era o tipo de multidão esperada em um protesto nova-iorquino, como os que ocorriam na praça Washington na década de 60. Havia bateristas a tocar tambor, hippies dançando e tatuados deitados em sacos de lixo num estado semicomatoso. Havia uma mulher nua a ter seu corpo pintado de vermelho e negro, e havia pessoas na casa dos seus vinte anos a erguer cartazes, e não cartazes fabricados em massa, mas sim os feitos à própria mão. Todos os quatro lados do quarteirão que abarcava o parque Zuccotti estavam cheios de pessoas a erguer cartazes artesanais, a maioria fazendo referência a problemas econômicos. “A dívida é escravidão” era um tema comum, com ênfase especial na dívida estudantil. “Fodam-se os estágios não-remunerados” era outro. A maioria das pessoas ali era dessa faixa etária; pareciam ter acabado de sair da universidade, e agora não tinham empregos e enfrentavam a possibilidade de que seus empréstimos estudantis aumentassem ao modo exponencial, garantido pelos juros compostos, produzindo um fardo que certamente drenaria toda sua renda — caso conseguissem empregos — num buraco negro que perduraria por toda a vida. Pouco antes do começo dos protestos, uma história circulou na mídia sobre uma mulher que saíra da faculdade de medicina com 300.000 dólares em dívidas. Dez anos após a formatura, ou seja, dez anos recebendo um dos maiores salários deste país, sua dívida era agora de 500.000 dólares — e se era assim com alguém que recebia um salário de médico, quais eram as perspectivas de um programador desempregado?
Era a usura que estava em jogo no parque Zuccotti. Não é preciso dizer que a letra “U” não aparecia nos cartazes. Sempre que mencionava a palavra “U”, recebia olhares vazios de quase todos. Quando ali cheguei, um grupo de pastores e estudantes do Union Theological Seminary tinha se reunido no topo da escadaria que levava à entrada leste do parque Zuccotti. Era o que de mais próximo havia em termos de foco intelectual no protesto, e na medida em que eu pude julgar, a tentativa, embora muito entusiasmada, era um fracasso. O orador usava um colarinho clerical, e explicava como o sistema atual contradizia o evangelho. Não era um padre católico. Seu nome era reverendo Mike Ellick, e ele era um pastor na Igreja Memorial Judson. Ele foi seguido por outro clérigo de colarinho, o reverendo Stephen Phelps da Igreja Riverside, que disse mais do mesmo, com apoio entusiasmado dos estudantes do Union Theological Seminary. Os discursos eram inicialmente desconcertantes, pois a multidão repetia cada frase assim que saíam da boca do orador, às vezes com resultados involuntariamente cômicos. Os estudantes do Union Theological Seminary agiam como uma espécie de coro grego, mas diferentemente do coro que alertou Édipo, esse podia apenas repetir as palavras do orador.
A boa notícia era que os comunistas não estavam à frente da marcha. Parecia muito mais um despertar religioso. Os clérigos tinham assumido um papel de liderança e viam a crise sob uma luz cristã. A má notícia era que os clérigos que discursavam pareciam ter uma verdadeira alergia à idéia de fornecer algum foco ao movimento. Na verdade, se orgulhavam em não assumir uma real liderança.
Posteriormente pude conversar por um longo tempo com o Reverendo Phelps. Ele disse que o papel da Igreja era apoiar “isto”. Pressionei-o então sobre o que era “isto”, mas ele não conseguia ser específico. Disse que nos primeiros séculos de existência da Igreja havia muitas controvérsias sem que ninguém fosse excomungado. Que o próprio povo deveria dar um foco para esse movimento e que isso poderia demorar. Quando lhe perguntei se o “isto” era o capitalismo, ele se recusou a concordar. Não sabia o que significava capitalismo. Alguns dizem que é uma coisa; outros dizem que é outra coisa completamente diferente. Claramente seriam necessários séculos para chegar a uma resposta; era algo fora de questão sem um direcionamento. Quando observei que o poder estava nas ruas, citando Lênin, ele deu de ombros.
“Eu costumava ser professor de redação”, disse ao reverendo Phelps, “e usualmente pedíamos ao aluno que focasse seu ensaio por meio de uma frase tópica. Se pudesse inventar um slogan que encapsularia o sentido do protesto, qual seria?”. O reverendo Phelps ponderou a questão por um momento e então disse: “Seria: ‘Nós queremos.’”. Partiu depois disso, deixando-me a ponderar o sentido de seu slogan. “Nós queremos”? Queremos o quê?
Nesse momento a multidão que ouvira o discurso do reverendo Phelps se reuniu atrás do que parecia ser um cruzamento entre o bezerro de ouro e a logomarca de touro do Merrill Lynch, e começamos a marchar ao sul rumo a Wall Street. Um dos manifestantes era outro clérigo de colarinho, um sacerdote episcopaliano chamado John Denaro, pastor-chefe da Igreja São Marco em Bowery. O Reverendo Denaro nascera na Itália e fôra criado como católico, mas tinha pulado da barca por algum motivo e se tornara um episcopaliano. Ele não podia focar a discussão mais do que o reverendo Phelps, o que se tornou claro durante a conversa que tivemos enquanto marchávamos rumo a Wall Street atrás do bezerro de ouro. De fato, após conversar com todos que pude achar com um colarinho clerical, tornou-se claro que a indisposição de impor uma visão, seja algum dia ou prematuramente, era uma das marcas registradas do envolvimento pastoral nos protestos. Estavam ali para dar apoio — a qualquer coisa. Ponto final. Tudo que tivesse maior poder normativo e formativo era visto como impróprio, uma espécie de fascismo.
A libertação sexual
Quando questionado se os católicos tinham se envolvido nos esforços dos clérigos, o reverendo Denaro pensou por um momento e então mencionou algumas pessoas do movimento de trabalhadores católicos, sem que conseguisse lembrar de outros católicos. Foi nesse ponto que mencionou que os cardeais Egan e Dolan eram contrários ao casamento gay, implicando que isso destruía a credibilidade deles entre clérigos do seu tipo.
“Quer dizer então que a libertação sexual cooptou as questões econômicas?”, propus. O reverendo Denaro se incomodou com o termo libertação sexual. “Ninguém está preocupado com a libertação sexual,” disse ele, rejeitando o termo como algo irremediavelmente antiquado. “Mas se duas pessoas querem casar-se e são do mesmo sexo, não deveriam ter esse direito?”.
É desnecessário dizer que eu não queria entrar numa discussão sobre casamento gay. Era igualmente evidente em todas as conversas que tive que o clero progressista e pró-homossexual das denominações protestantes tradicionais tinha resolvido essas questões a seu contento muito antes que eu chegasse ao palco. O notável sobre as manifestações OWS é que deixaram de lado todos os direitos sexuais da nova esquerda que esses clérigos vinham defendendo por décadas, trocando-os por todo um novo conjunto de imperativos, do tipo que poderiam ter sido expressos nos anos 30, e não nos anos 60.
Assim como Joan Baez estaria deslocada caso cantasse The Ballad of Joe Hill em Woodstock em 1969, agora o inverso era verdadeiro. Os clérigos sexualmente liberados estariam deslocados caso falassem de casamento gay a um programador desempregado e com 100.000 dólares em dívidas. O clero fez o melhor para mostrar que seu coração estava no lugar certo, mas suas mentes já eram, infelizmente, território ocupado, sendo, consequentemente, incapazes de lidar com a situação que se desenvolvia à sua frente. A história tinha superado as categorias de todos e as tornara completamente irrelevantes. A economia era terra incognita para um grupo de pessoas que crescera em meio à prosperidade sem precedentes e tendo apenas suas compulsões sexuais como preocupação. Dizer, como Dante, que a sodomia e a usura eram igualmente más, e que seus praticantes mereciam terminar no mesmo círculo do inferno, pois um deles (o sodomita) tornava estéril o que deveria ser fértil, ou seja, o sexo, enquanto o outro (o usurário) tornava fértil o que deveria ser estéril, isto é, o dinheiro, seria impensável. Daí veio a ausência de foco, liderança e qualquer chance de sucesso. Daí também o impasse. Ninguém correrá para a frente dessa marcha por muito tempo ainda.
Geraldo
A mídia tradicional não estava muito melhor nessas questões do que as denominações tradicionais. Geraldo Rivera apareceu no parque Zuccotti pouco antes de mim e tentou se dirigir à multidão, que respondeu às suas investidas cantando em uníssono: “A Fox News mente”. Sentindo que esse não era o melhor acompanhamento de fundo para sua reportagem, Geraldo passou a uma entrevista em estúdio com Tavis Smiley e Cornell West, mas a negritude do movimento dos direitos civis era tão irrelevante para a situação no parque Zuccotti quanto as platitudes pró-homossexuais do clero tradicional afeminado. O canto de “Fox News mente” se tornou finalmente tão alto que abafou tudo que Geraldo tinha a dizer, levando-o a uma retirada apressada. Tentando chegar ao fundo dos protestos, a repórter itinerante da CNN, Erin Burnett, espreitava todo o parque Zuccotti, procurando alguém que pudesse explicar tudo para ela. Encontrou um programador desempregado e, indo direto ao ponto, lhe perguntou se sabia que o “pagador de impostos na verdade tinha ganhado com os pacotes de resgate a Wall Street”? O programador desempregado “desconhecia o fato”. E Erin usou a oportunidade para demonstrar que os manifestantes não tinham a mínima idéia e que ela, como representante dos gigantes da mídia controlados por capitalistas, era confiável para reestabelecer a narrativa convencional.
Isso não quer dizer que os protestos careciam de coerência. Comparados ao que os muçulmanos fizeram na Primavera Árabe em lugares como o Egito e a Tunísia, realmente careciam de coerência. Contudo, se assim for, tudo carece de coerência na América moderna, inclusive a Igreja Católica, a fonte de toda a coerência deste mundo. Os protestos foram chamados de “Outono Americano”, como forma de explicar sua conexão com a “Primavera Árabe”. Mas a conexão entre eles, que não seja a preferência pelo uso de aparelhos eletrônicos, não é clara para os gênios da mídia tradicional. Tanto o Outono Americano quanto a Primavera Árabe são protestos contra o fracasso do capitalismo e o custo humano inevitável desse fracasso. Como eu disse meses atrás:
“Como indicação de que a turbulência que varria o mundo árabe na primavera de 2011 era um repúdio ao capitalismo ainda mais geral que o repúdio do comunismo que varreu o leste europeu a partir de 1989, um dos manifestantes no Cairo ergueu um cartaz amarelo no qual estava escrito: ‘O Egito apóia os trabalhadores de Wisconsin: um só mundo, uma só dor’. A única coisa em comum entre o Egito e Wisconsin é o capitalismo, visto como um fracasso em ambos os lugares.”
Ao percorrer a atmosfera de apocalipse zumbi ao redor do parque Zuccotti, estava sempre à espreita de Erin, de forma que lhe pudesse dar a explicação do que estava a ocorrer que ela fracassara em obter do engenheiro de software desempregado. O capitalismo é a usura promovida pelo Estado. Assim que o Estado admite a natureza lícita dos contratos usurários, a usura bancada pelo Estado assegura que todos no Estado capitalista, inclusive o próprio Estado, eventualmente carregarão o fardo de uma dívida impagável. Nesse ponto, com o fim de toda liquidez, o Estado permite que os usurários (e os legisladores que eles colocaram no cargo) saqueiem o trabalho como forma de pagar pelo fardo da usura. Isso significa demissões, salários reduzidos e todos os métodos que geraram a fúria e frustração que levou aos protestos no parque Zuccotti. Também significa que o capitalismo irá aumentar o estoque monetário como forma de sustentar o fardo da dívida, o que implica em uma contínua desvalorização da moeda e dificuldades para todos, mas especialmente para os que têm uma renda fixa.
Todo esse saque, é claro, de nada vale, já que nenhuma força na terra pode acompanhar os juros compostos, o coração da usura. Se alguém ainda precisa de provas desse fato, só precisa estudar a relação entre os Függer, os usurários alemães e católicos que sucederam os Médici como família mais rica da Europa, e os Habsburgos, a casa que reinava no Sacro Império Romano-Germânico. Os Függer fizeram seu primeiro empréstimo aos Habsburgos em 1494, por volta da época em que Savonarola estava a protestar contra a sodomia e a usura em Florença. Em 1557, o rei Habsburgo da Espanha, Filipe II, declarou bancarrota. Durante esse período, os Habsburgos eram proprietários de todas as minas de ouro e prata do Novo Mundo. Começando em 1530, esse tesouro de metal precioso começou a fluir para os cofres dos Habsburgos num rio de riquezas que o mundo nunca antes vira, e, em termos de volume de metal precioso, nunca voltaria a ver. Ainda assim, nem todo o ouro e prata do Novo Mundo pôde acompanhar apenas os 60 anos de juros compostos sobre dinheiro que os Függer emprestaram aos Habsburgos, os quais, deve-se notar, se orgulhavam de nunca cobrar mais do que 6% ao ano.
Se desejasse saber do que tratavam os protestos, Erin deveria entrevistar os financistas que almoçavam no boteco local, e não os manifestantes do parque. A julgar pelos preços nos menu, pude ver que era um local no qual apenas altos financistas poderiam comer. A julgar pelos quipás nas cabeças que comiam, concluí que o restaurante era um boteco das finanças judaicas. Caso fosse um restaurante chinês, teria pedido sum dum goy, mas claramente não era um restaurante chinês. Então o que eu — nem financista nem judeu — estava fazendo ali?
Remoí a questão em minha mente enquanto contemplava um aquário na entrada do local. Era claramente um aquário de água salgada, pois no fundo do tanque estava — não, não era o que os jesuítas de La Civiltà Cattolica chamavam de “polvo voraz do judaísmo” — o melhor símbolo do mundo financeiro nova-iorquino, isto é, um tubarão. O tubarão agitou suas guelras e me fitou com um olho inexpressivo reminiscente de uma força impessoal, uma força que poderia nos comer vivos, mas ao mesmo tempo não tinha qualquer intenção maléfica.
A esse respeito o tubarão era diferente das finanças judaicas, impregnadas de uma malevolência racial fundamentada em conflitos reprimidos de dois milênios. Em março de 1866, Alphonse Rothschild, herdeiro da famosa casa bancária judaica dos guetos de Frankfurt, foi questionado por um amigo após um jantar: “Por que, sendo tão rico, ele continuava a trabalhar como um negro para ganhar ainda mais? ‘Ah!’, respondeu ele, ‘Você não conhece o prazer de sentir as pilhas de cristãos sob nossas botas’”.[4] Esse é o âmago do que aprendi no almoço em um restaurante judaico não muito distante dos protestos Wall Street. A questão, soubessem ou não os manifestantes, eram as finanças judaicas predatórias.
Quanto mais olhava o aquário, mais mesmerizante o olho do tubarão se tornava, até que finalmente percebi que ele desejava se comunicar comigo. O tubarão fez uma última volta ao redor do tanque e então, depois de desaparecer por trás de um monte de corais, reapareceu com um quipá.
Sidônia, o Tubarão
“Meu nome é Sidônia”, disse o tubarão.
Por algum motivo eu não estava surpreso. Se você acredita que um tubarão pode falar, então não é implausível acreditar que também pode ler, e se um tubarão num restaurante judaico pode ler, então por que não poderia ler os romances de Benjamin Disraeli? E se pudesse ler esses romances, ele certamente teria lido Coningsby. Sidônia, o misterioso estranho que diz a Coningsby “Eu adoro o Senhor dos Exércitos”, é baseado em Lionel Rothschild, o modelo que Disraeli tinha em mente quando escreveu Coningsby. Diversamente de Sidônia, Lionel, filho de Nathan, que fundou a Casa Rothschild na Inglaterra na alvorada da guerra com Napoleão, adorava o dinheiro, que Karl Marx chamou de deus judaico. Os descendentes ingleses dos lordes que saquearam as propriedades da Igreja no século XVI, agora conhecidos como whigs, adoravam esse mesmo deus, que os judeus lhes emprestou a taxas usurárias por todo o século XIX. A ascensão dos Rothschilds aconteceu em direta proporção ao dinheiro que emprestaram à aristocracia inglesa. O Conde de Shaftesbury considerou “estranho, atemorizante e humilhante” que “os destinos desta nação sejam um joguete nas mãos de um judeu infiel”.[5]
O que se seguiu foram infinitos debates sobre a possibilidade de os judeus serem cidadãos ingleses com plenos direitos, assim como muita autocomiseração e antissemitismo, mas o resultado, numa sociedade capitalista como a Inglaterra, era previsível. O controle político judaico se seguiu inexoravelmente à prática do financismo predatório.
E a história hoje se repete. Em maio do último ano, o Congresso dos Estados Unidos recebeu o potentado estrangeiro Benjamin Netanyahu com 29 aclamações efusivas, num exercício de lisonja tão repugnante quanto sem precedentes. Aqueles congressistas se humilharam dessa forma por uma razão: queriam o dinheiro judeu, em particular o tipo de generosidade que a American Israel Public Affairs Committee (AIPAC), a organização que lhes ordenou que levantassem e aplaudissem, pode fornecer.
Um Congresso endividado nesse grau ao dinheiro judeu não está em débito com a vontade popular. Isso significa que a causa dos protestos em Wall Street são as finanças judaicas predatórias. O principal instrumento das finanças predatórias sempre foi a usura. Os judeus emprestadores de dinheiro sempre compreenderam a natureza predatória do que faziam. Como disse Mayer Amschel Rothschild sobre Amschel Moses Rothschild, seu pai e fundador da dinastia bancária: “Nosso finado pai nos ensinou que se um figurão inicia uma relação [financeira] com um judeu, ele pertence a esse judeu”.[6] Disraeli tentou apresentar Sidônia sob a luz mais favorável possível, o que não impediu que transparecesse a natureza predatória de suas atividades:
“Sidônia se tornara uma das maiores personalidades européias. Estabelecera um irmão, ou parente próximo, no qual podia confiar, em quase todas as principais capitais. Era senhor e mestre do mercado de moeda mundial, e, é claro, virtualmente senhor e mestre de tudo mais. Tinha literalmente em penhora as receitas de todo o sul da Itália, e os monarcas e ministros de todos os países cortejavam seu conselho e eram guiados por suas sugestões.”[7]
A Questão Judaica
Disraeli acreditava poder neutralizar a questão judaica, mas estava errado. Menos de cinquenta anos após a publicação de Coningsby, as questões judaicas estavam a ser debatidas tão fervorosamente por toda a Europa que o Vaticano acreditou que precisava se envolver. Durante o outono de 1890, La Civiltà Cattolica fez uma série em três partes sobre as finanças predatórias judaicas que permanece até hoje com uma das melhores análises da questão, uma análise que é diretamente relevante para o espectro econômico que assombra Wall Street. A série de La Civiltà sobre a questão judaica ainda fornece a melhor análise do ânimo étnico e religioso que era a força-motriz por trás das finanças judaicas, que eram, por sua vez, a força-motriz por trás dos protestos não muito longe do local onde comíamos. A causa dos protestos era o capitalismo. Isso estava claro para todos que não fossem sacerdotes episcopalianos. O capitalismo sempre fôra o sistema operacional da cultura americana, embora em alguns períodos esse sistema tenha funcionado de forma relativamente benigna.
Esse sistema fez uma virada para a malignidade que é sua principal característica atual quando judeus como Milton Friedman e os garotos de Chicago derrubaram os keynesianos na década de 70, e criaram um regime econômico que promoveu uma cepa da usura mais virulenta do que tudo conhecido pelo capitalismo americano no passado. Em uma das notas (essas notas estão no final do livro) no apêndice da tradução inglesa da série de La Civiltà Cattolica, o editor inglês escreveu:
“Os assim chamados economistas políticos como David Ricardo ou Milton Friedman são essencialmente apologetas talmúdicos de doutrinas econômicas de competição selvagem usadas numa contração econômica para consolidar e monopolizar a indústria sobre o controle privado de banqueiros judeus. Essas doutrinas econômicas foram aplicadas por Charles Darwin na sobrevivência do mais apto e na seleção natural. Os jornais judeus promoveram o darwinismo talmúdico como uma forma de destruir as bases bíblicas da civilização cristã. A perversa idéia de que o homem emergiu de um animal nunca foi testemunhada pelo olho humano, contudo foi usada para destruir o relato divino sobre Adão e Eva. Os judeus ficaram confusos quando, em nosso século, Adolf Hitler virou a mesa e os caracterizou como a espécie inferior incapaz de sobreviver, destinando-os à mesma aniquilação que bolcheviques judeus como Kaganovich infligiram a 10 milhões de famílias cristãs ucranianas nos massacres dos kulaks; e assim os judeus foram punidos medida por medida. É importante notar que, assim como a sexologia talmúdica é contrária às escrituras, a razão e a lei natural, a ‘Descendência do Homem’ de Darwin contraria as escrituras e a evidência empírica natural (isto é, aquilo que podemos ver).”
Pouco mais de mais 20 anos após a ascensão de Friedman e dos garotos de Chicago, o financismo predatório judaico atingiu seu apogeu quando Alan Greenspan, Larry Summers e Robert Rubin estamparam a capa da revista Time de 1999 para anunciar a revogação da legislação Glass-Steagel. Os goyim que se preocupavam com a segurança de seus investimentos ou com suas contas bancárias agora não mais precisavam da proteção de regulações ultrapassadas da época da Grande Depressão, especialmente agora que três gênios judeus planejavam a economia. Essas garantias agora parecem vazias em lugares como o parque Zuccotti, onde ninguém estava disposto a lançar a culpa aos pés dos responsáveis. É por isso que a série de La Civiltà é tão importante. Leva a discussão de volta ao ponto onde ela parou. Restaura os termos reais do argumento. Elimina o boxe às escuras. Muito do seu conteúdo parece inimaginável em nosso contexto atual, mas nosso contexto atual muda diariamente de formas que os mestres do universo não podem controlar.
O que aprendi no restaurante judeu é aquilo que a revista Time não contou aos goyim em 1999. O financismo judaico é predatório por natureza. O capitalismo é maligno por ser baseado na usura, e os judeus sempre souberam que a usura era de fato predatória. Era um dos motivos pelos quais eram ávidos por praticá-la.
Agora e então, a principal causa do antissemitismo é o comportamento dos judeus. Em 1880 uma onda de antissemitismo estava a varrer a França. Sua principal causa, no centésimo aniversário da Revolução Francesa em toda a Europa e na véspera da publicação dos artigos sobre a questão judaica em La Civiltà Cattolica, era a prática judaica do financismo predatório. E o eixo do comportamento financeiro dos judeus é o ódio ao cristianismo, e não a ambição.
Sidônia, o Tubarão, tem observado o mundo das altas finanças judaicas por décadas de seu aquário. Ele testemunhou a bancarrota de outubro de 1987 e pleiteou com os judeus das principais firmas que revertessem suas posições de venda, de forma a que a economia não colapsasse em todo o mundo. Foi tudo em vão. Os esquemas judaicos enfim saíram do controle, mas ainda assim eles apenas se retiraram do mercado para assistir ao caos que haviam causado. Disseram ao meu amigo que os cristãos os tinham tratado com ódio por dois mil anos e que agora era a hora da vingança. “A questão moral”, continuou Sidônia, chamando minha atenção para o apoio judeu ao aborto e ao casamento gay,
“são os frutos do resgate financeiro daquele dia. Se tudo tivesse ido à bancarrota, teríamos hoje o casamento homossexual? Será que apenas permitimos que os maus ficassem ilesos por sua maldade, quando poderiam ter sido derrubados por ela? Acreditamos ter mantido o emprego do povo e que isso era a coisa certa a ser feita. De qualquer modo, o ódio que hoje vi dizia respeito ao padrão que sempre tenho visto. Veja como expulsaram os católicos de seus bairros, simplesmente ameaçando-os com a migração dos negros para suas regiões. Quanto tentei persuadir os judeus a um recuo, eles não me odiaram, mas falaram com ódio dos católicos e do tratamento que deram aos judeus durante sua história. E agora estavam se vingando. Você não sabe o quanto está certo.”
O cerne do problema
O cerne do problema do financismo predatório judaico é a usura. Sidônia considera o livro The Mystical Body of Christ and the Reorganization of Society (“O Corpo Místico de Cristo e a Reorganização Social”), do Padre Denis Fahey, como “extraordinário”, sobretudo devido à “profunda observação de Aristóteles” de que “o pagamento de juros sobre o dinheiro criado como dívida (o sistema bancário de reserva fracionária) implica o pagamento de mais moeda do que é criada. Isso só pode acontecer com ainda mais empréstimos e mais endividamento, e por isso o processo exige um acúmulo exponencial do endividamento de toda a sociedade”.

“Isso está correto”, continua Sidônia,
“mas Fahey não tem o amplo alcance de Aristóteles, já que é possível criar papel-moeda mesmo sem a reserva fracionária, que ele cita em outro lugar no contexto da analogia dos recibos de um armazém, como se dava no princípio com a hipoteca fraudulenta de ouro com vistas ao pagamento de juros. Seu erro principal foi seguir os economistas na tese de que o dinheiro é um meio de troca, e que por isso não exigia um valor intrínseco como o do ouro. Aristóteles, acima de tudo, não via o dinheiro como mero meio de pagamento, mas como um valor real capaz de pagar por algo. Há o ouro e o objeto a ser comprado, e nada no meio. A concessão de um valor inexistente ao papel é o uso de um instrumento sem valor para pagar por algo de valor, numa espécie de fraude. Isso remete aos judeus, prussianos e maçons criando a Revolução Francesa para destruir a aliança entre austríacos e franceses, cimentada pelo casamento de Maria Antonieta e do herdeiro do trono francês. O trono francês tinha Cagliostro e o russo tinha seu Rasputin, assim como a Revolução Russa teve seu Parvus.”
Peguei-me a refletir sobre o que os outros clientes do restaurante teriam pensado sobre a conversa tão franca do tubarão comigo, um goy. O tubarão, que parecia apreciar sobretudo o pensamento do século XIX, era intimamente familiar com o conteúdo da série de La Civiltà. Citou então de cor uma passagem que considerava ser a essência do que era então dito e que se aplicava à situação atual:
“A predominância a que a atual lei revolucionária os promoveu (isto é, os judeus) está a cavar um abismo sob seus pés, cuja profundidade corresponde à altura à qual foram alçados. E no primeiro estouro da tempestade que estão a provocar por seu presente domínio, sofrerão uma enorme ruína que anunciará um evento tão único em sua história quanto é única sua moderna audácia, com a qual pisaram as nações que loucamente os exaltaram.”
Sidônia, o Tubarão, acredita que essa é uma passagem incrivelmente presciente. Previu a ascensão de Hitler como flagelo de Deus para os pecados dos judeus quarenta anos antes do fato. E agora o tubarão acredita ser novamente presciente de outra punição, que logo chegará ao judeus devido a seu apoio à sodomia, à usura e ao aborto, uma punição que fará Hitler parecer benigno. O pensamento era tão poderoso que os editores jesuítas de La Civiltà Cattolica repetiram virtualmente a mesma passagem oito anos depois, em 1898:
“O poder excessivo a que a lei revolucionária os ergueu hoje está a cavar um abismo sobre seus pés de profundidade igual à altura a que foram erguidos. E há agora um furacão a ser gestado na França, Alemanha, Áustria, Romênia e Itália, o qual, provocado por sua arrogância, os lançará num precipício tal que o mundo nunca viu.”[8]
É desnecessário dizer que a explicação do tubarão sobre a série de La Civiltà está longe da visão convencional. Basta consultar um livro como La segregazione amichevole, cujos autores se referem à passagem como “sinistra e diabolicamente profética”. Segundo Riccardo Di Segni, que escreveu o prefácio a esse livro, “La Civiltà Cattolica vinha avisando os judeus de forma ‘amigável’ por um longo tempo”. Então, numa referência velada ao holocausto, acrescentou ele: “Não foi culpa deles que os judeus tenham morrido antes [de poderem dar atenção ao aviso]”.[9] Segni prossegue elogiando os autores de La segregazione amichevole, vendo sua obra como uma vindicação dos esforços do Vaticano II em retificar o antissemitismo da Igreja como ficava tão claramente manifesto na política editorial de La Civiltà Cattolica. Além disso, sua obra “é um estímulo à continuação de todos os pensamentos e ações positivos que o mundo católico realizou por meio de seus maiores representantes — infelizmente já era tarde — nos anos recentes”.[10]

A explicação de Riccardo Di Segni ignora o fato de que os jesuítas de La Civiltà Cattolica, como Georg Ratzinger, tio-avô de Joseph Ratzinger, os quais citam aprovativamente, denunciaram o antissemitismo como incompatível com a fé católica. Mas ela tem a vantagem de ser convencional e simples. É também o mais puro modernismo. A Igreja estava errada então; era antissemita, porém o Vaticano II tudo corrigiu. Depois de 1960 anos de promoção do ódio aos judeus, a Igreja subitamente acertou. Sua visão pode ser simplória, mas está em perfeita harmonia com o Iluminismo. Devido a esse fato, seria vista como estando em rota de colisão com a Igreja, especialmente a Igreja que existia na época da fundação de La Civiltà Cattolica.
Agora, em troca da admissão à sinagoga das idéias iluministas aceitáveis, a Igreja comprara para si um problema de continuidade. A interpretação modernista de Nostra Aetate causou devastação na Igreja ao erigir uma muralha da China que separou os católicos de sua própria tradição e os transformou em traidores teológicos, prontos para denunciar seus próprios santos — São João Crisóstomo vem à mente — como antissemitas.
La Civiltà Cattolica publicou seu primeiro número em 6 de abril de 1850. O fundador da revista foi um jovem jesuíta chamado Carlo Maria Curci, que justificou sua criação alegando que o jornalismo europeu era “o filho da Revolução Francesa, decidido a propagar idéias blasfemas anticristãs embebidas de um racionalismo agnóstico e ateu”.[11]
Os jesuítas que fundaram La Civiltà Cattolica não agiam sozinhos. A nova revista foi criada sob os auspícios do Papa Pio IX, e era por ele vista como a aplicação de suas teorias antimodernistas, como expressas no Sílabo dos Erros, à situação política de seu tempo. La Civiltà viria a ser um baluarte contra o pensamento modernista. Permitiria à Igreja combater seus inimigos com suas próprias armas. Ela enfrentou “a avareza e o orgulho de um horrendo monge na Alemanha, a libido insaciável de um rei tirano na Inglaterra e o culto da unidade e da independência nacionais promovido por todo tipo de demagogo na Itália”,[12] e o fez com a aprovação do papa. La Civiltà Cattolica foi concebida como um instrumento do apostolado intelectual da Igreja, e seu escopo era essencialmente apologético e polêmico. Distinguiu-se desde sua concepção numa série de batalhas contra o pensamento revolucionário, acima de tudo contra o liberalismo, o laicismo e contra os princípios inspiradores da Revolução Francesa.[13]
O apoio do papa era espiritual e financeiro. Em fevereiro de 1850, Pio IX, ainda residindo em Nápoles, ordenou ao Cardeal Antonelli que transferisse 1250 ducados da conta do papa no banco Rothschild[14] em Nápoles para os jesuítas e declarou sua disposição de assumir quaisquer encargos financeiros necessários ao sucesso do lançamento da revista.[15] O grande cuidado que o papa teve em lançar a revista deu frutos em 20 de março, quando as assinaturas chegaram a 3.000. Durante os primeiros três meses de publicação esse número tinha saltado a 6.307.[16]
Os elos entre La Civiltà e o papa se estreitaram ainda mais quando Pio IX retornou a Roma. Daí por diante, “La Civiltà Cattolica foi considerada uma expressão da voz do Vaticano, assim com uma fiel intérprete do pensamento do papa, bem pesquisada e intelectualmente superior”.[17] Em 12 de fevereiro de 1866, o papa, agradado pelo sucesso da revista, concedeu status canônico à equipe editorial de La Civiltà, estabelecendo o Collegium Societatis Iesu Scriptorum Ephemeridi vulgo La Civiltà Cattolica e concedendo-lhe os privilégios de outros capítulos da sociedade. Daí em diante, apenas o papa poderia intervir em seus assuntos.
A aprovação papal
Como resultado dessa aprovação, La Civiltà Cattolica logo se tornou o órgão oficial mais autoritativo do papado, um status que nem mesmo a fundação do L’Osservatore Romano em 1861 poderia solapar.[18] Tanto Pio IX quanto Leão XIII depositaram uma confiança muito especial (“una fiducia tutta particolare”) nos jesuítas responsáveis pela revista, e eles a corresponderam com uma lealdade que era absoluta e deferente (“con una fedelta assolute e deferente”).[19]
O nascimento de La Civiltà coincidiu com a restauração do gueto sob Pio IX, mas nos seus primeiros anos a revista não devotou qualquer atenção particular ao “problema judeu”.[20] Em 1869, Pio IX elogiou e abençoou o livro de Gougenot des Mosseaux, Le Juif, le judaïsme et la judaïsation des peuples chrétiens (“O judeu, o judaísmo e a judaização dos povos cristãos”), que descrevia o Talmude como “um código selvagem no qual os preceitos do ódio e da rapacidade se misturam com as doutrinas mágicas da cabala, um livro que professa a maior idolatria imaginável”.[21]

O Papa Pio IX faleceu em 7 de fevereiro de 1878, assim que a onda de sentimento antijudaico começava a rebentar por toda a Europa, começando pela França. Uma das causas da onda de sentimento antijudaico (ou uma de suas manifestações) eram os julgamentos de libelo de sangue que eclodiram em lugares como a Hungria e mais tarde na Rússia. Os autores consideram La Civiltà como de algum modo responsável por esse fenômeno pelo próprio fato de que o relataram. Taradel e Raggi deixam claro que, de seu ponto de vista, qualquer um que levasse a sério as acusações era culpado de antissemitismo.
Uma visão similar foi expressa pelo Cardeal Vaughn e Lorde Russell quando escreveram ao chefe do Santo Ofício em 1900, pedindo-lhe que proibisse aos católicos qualquer menção aos libelos de sangue. A resposta mordaz do Santo Ofício deixou claro que esse pedido era equivalente a proibir os católicos de falarem sobre o julgamento de O. J. Simpson, já que o libelo de sangue era parte da história jurídica de países como a Polônia e a Boêmia, e o Santo Ofício não tinha o poder de expurgar esses casos do registro legal. “Dado tudo isso, o Santo Ofício não pode realizar a declaração pedida, pois, mesmo que satisfizesse alguns ingleses iludidos, faria surgir protestos e escândalos por todos os lados”.[22]
Taradal e Raggi alegam que “o triunfo da linha de La Civiltà Cattolica não poderia ser mais completa… A resolução do Santo Ofício, sob esse ponto de vista, não deveria surpreender: é inconcebível que ele condenasse publicamente todas as acusações de libelo de sangue que tinham sido promovidas pelo secretário de Estado e pelo próprio papa Leão XIII”.[23]
A indignação dos autores soa vazia hoje. Nos onze anos que se passaram desde a publicação de La segregazione amichevole, vimos a publicação do livro de Peter Schäfer sobre Jesus e o Talmude, assim como a publicação (subseqüentemente cancelada por pressão judaica) de Pasque di sangue: Ebrei d’Europa e omicidi rituali (“Páscoas Sangrentas: Judeus Europeus e Assassinatos Rituais”), um livro que fundamenta a autenticidade das acusações de libelo de sangue, escrito por Ariel Toaff, filho do antigo rabino-mor de Roma. À luz de publicações como essa, La Civiltà Cattolica parece mais relevante para nossa era do que a indignação dos defensores do Iluminismo, os quais negam fatos legais com bases a priori.

La Civiltà Cattolica postulou uma cadeia de premissas conectadas de forma lógica. Os princípios da Revolução Francesa tiveram uma série de efeitos negativos, o mais pernicioso deles sendo a emancipação dos judeus, que lhes permitiu prejudicar o povo que tão irrefletidamente lhes concedeu direitos iguais, sobretudo porque o judaísmo do passado e o judaísmo do presente são duas coisas completamente diferentes.[24] O judaísmo como existe hoje é satânico em seu ódio a Cristo e à Igreja. Taradel e Raggi culpam La Civiltà Cattolica por representar o judaísmo como “o antítipo demoníaco do cristianismo… Se o fundamento do cristianismo é o amor ao próximo, o fundamento do judaísmo só pode ser o ódio elevado a supremo preceito religioso”.[25] A indignação da parte dos autores é palpável, mas deslocada. Desde a publicação de La segregazione amichevole, um rabino publicou um artigo na revista neoconservadora americana First Things, explicando que o ódio era uma virtude judaica.
A preocupação de La Civiltà Cattolica com a questão judaica atingiu seu apogeu durante o reinado do Papa Leão XIII. Em 1890, um ano após o centésimo aniversário da Revolução Francesa, o Padre Raffaele Ballerini escreveu uma série anônima de três partes sobre a questão judaica. Essa situação mudaria sob o reinado do Papa Leão XIII. Por trás da Revolução Francesa, Pio IX viu a Maçonaria; agora, por trás da Maçonaria, Leão XIII viu os judeus. Em certo sentido, a situação tinha de mudar, pois durante a década de 1880 toda a Europa ficara obcecada pela questão judaica. Se La Civiltà fôra criada para lidar com as questões políticas atuais, não poderia deixar de lidar com a questão judaica.
O Papa Leão XIII
Como já indicamos, Leão XIII enxergou essa série de artigos como um antídoto ao fanatismo antissemita que estava a eclodir no L’Osservatore Romano em Milão. Esquecidos de sua própria explicação do antissemitismo de Leão XIII, Taradel e Raggi prosseguem alegando que os artigos de 1890 de La Civiltà sobre a questão judaica “não constituem, como normalmente se pensou, o começo da campanha antissemita, mas sim seu ponto de chegada”.[26] Segundo a visão judaica da história, a Igreja foi infectada pelo antissemitismo desde sua concepção. Porém, após 1900 anos de perseguição aos judeus, Deus subiu pela chaminé de Auschwitz, e o Holocausto substituiu a crucificação como centro da história humana. Dizer que amplas partes do mundo católico foram infectadas por essa hermenêutica não seria um exagero. Em sua crítica de La Civiltà Cattolica, Taradel e Raggi chegam a dizer que qualquer um que acreditasse que os judeus eram praticantes do financismo predatório ou apoiadores da revolução era um doente mental: “A obsessão com um plano bolchevique judeu, que foi definida por Norman Cohn como uma verdadeira psicopatologia coletiva, tornou-se [em La Civiltà Cattolica] a chave para a compreensão dos eventos políticos na Europa… O mito da conspiração judaica é o motor e a lente ideológica pela qual La Civiltà Cattolica explicou a seus leitores o desenrolar da história”.[27]
O mito de uma conspiração judaica? A idéia de que os judeus tinha conspirado para derrubar o Czar está longe de ser um mito conspiratório. O próprio Lênin louvou os judeus pelo papel que tiveram na revolução e depois suprimiu esse discurso para que os Brancos não pudessem usá-lo como parte de sua propaganda contra os bolcheviques. As piedosas alegações sobre “o mito da conspiração judaica” podem ser um dogma fundamental do Iluminismo, mas não são mais intelectualmente plausíveis. Foram destruídas pelo livro Two Hundred Years Together (“Duzentos Anos Juntos”) de Solzhenitsyn e Erich Haberer, onde é contado o papel dos judeus no movimento revolucionário russo, e, ouso dizer, pelo meu livro, The Jewish Revolutionary Spirit (“O Espírito Revolucionário Judaico”). Os judeus poderosos em lugares como a ADL gostam de falar das “falsas notícias” antissemitas, porém a maior de todas as notícias falsas é “o mito da conspiração judaica”.

Sidônia, o Tubarão, só tem desprezo pela ADL e respeito pela série sobre a questão judaica publicada em 1890 em La Civiltà Cattolica e agora na Culture Wars, pois nela reconhece o apelo da verdade. Isso vale a fortiori para o aviso mencionado sobre o abismo que vem se formando sob os pés judaicos.
“Os judeus”, pergunta incredulamente Sidônia, “podem matar 500 milhões de bebês no útero e então alegarem que dizer que a maioria dos judeus e suas organizações são a favor do aborto é antissemitismo? Esse truque não funcionará por muito tempo. Não devemos sequer nos preocupar com isso. Caso você seja um bom cristão ou um judeu mosaico, você é mau. O Talmude exige o mesmo tratamento dado aos cristãos para os judeus mosaicos. Isso está nas notas de rodapé do ensaio de La Civiltà. Eles conseguiram sair livres do crime de assassinato. Mas não por muito tempo. O libelo de sangue, seja verdadeiro ou não, não é nada comparado ao derramamento de sangue que a ADL causou com a promoção do aborto. A ADL tem o sangue de 500 milhões de bebês em suas mãos”.
O Tubarão pausou por um momento como uma enguia a escorregar de um coral, e então continuou:
“Li a maioria dos livros do Padre Fahey, e foi ali que descobri a citação mais profética da revista La Civiltà Cattolica em 1890, a qual previu que as alturas a que os judeus se erguiam por sua perfídia apenas criaria uma queda maior no século XX. É certo que tudo isso se realizou em 1933 em Berlim.”
O tubarão foi ficando subitamente pensativo:
“Eu costumava ler os livros dos comunistas. Um deles era um imenso volume de algo como a Quarta Internacional, e nele diziam que certo comunista observara os soldados nazistas marchando nas ruas de Paris, a cantar canções de ódio à usura. Essa seria uma boa referência em sua obra, caso consiga documentá-la em uma nota de rodapé. O Barão Edmond de Rothschild, o ditador mundial, e o seu filho, Guy, tiveram de fugir de seu trono. Os Rothschilds franceses foram incapazes de reivindicar o mesmo poder após a guerra, sendo Guy um degenerado que foi filmado pela televisão comendo na cama enquanto seu garçom cortava a carne e colocava o garfo em sua boca. Essa é a nova aristocracia que faz lembrar a cena do chocolate quente no quarto do marquês francês, em ‘Um Conto de Duas Cidades’, de Charles Dickens.”
Sidônia teme que o aviso de La Civiltà Cattolica sobre o abismo que tem se aberto sob os judeus seja duplamente profético. Ele previu a ascensão de Hitler com quarenta anos de antecipação, e indica um outro flagelo no futuro próximo. “Goebbels”, explica Sidônia, “disse que a causa secreta da ascensão do nazismo foi o ódio judaico à família, e sua promoção do aborto, do amor livre, da homossexualidade, do controle de natalidade, etc.”.
“Quanto aos fariseus, quando li o Novo Testamento e as denúncias dos rabinos judeus por Jesus, vi a mesma coisa que hoje vejo com meus próprios olhos. Jesus disse que os rabinos estavam a se rebelar contra a lei mosaica, e que, portanto, sua rebelião prevalecia sobre seu nascimento. É daí que emana o espírito revolucionário judaico. Por isso, por quase dois mil anos o judeu talmudista foi denunciado no Novo Testamento por sua rebelião contra as Sagradas Escrituras, sem nunca deixar de resmungar que a perseguição era injusta. No entanto, ela vem de Deus, que tenta lhes fazer compreender que tinham se revoltado contra Ele, contra a Bíblia e contra suas Leis. Isso abriu meus olhos de forma maravilhosa”.
Sidônia espera que, assim como os caraítas, isto é, os judeus que seguem a Torá, foram livrados da perseguição na Segunda Guerra Mundial, por terem rejeitado o farisaísmo, um outro remanescente de judeus fiéis seja livrado do apocalipse vindouro. Só o tempo dirá. A publicação da série de La Civiltà sobre a questão judaica é nossa forma de ter esperança em um final feliz nos difíceis tempos que virão.
E. Michael Jones, South Bend, Indiana, fevereiro de 2012.
2. Introdução à segunda edição
No fim da peça As Bacantes, de Eurípides,[28] Cadmo pergunta à sua filha Agave: “O que vês?”. Agave está sentada no centro do palco com a cabeça (decepada) de seu filho Penteu em seu colo. Penteu, rei de Tebas, foi despedaçado pelas mulheres de Tebas enquanto dançavam nuas na montanha a adorar o deus asiático Dionísio. Ainda intoxicada pela loucura que levou à morte de seu filho, Agave diz: “É uma cabeça de leão, um troféu para o palácio”. E então Cadmo diz: “Olhe bem agora. Observe, reconheça-a melhor”. À medida que a intoxicação passa, Agave reconhece o que fez e responde: “Vejo o horror. Vejo o sofrimento. Vejo a tristeza”. “Ainda te parece que se assemelha a um leão?”, pergunta Cadmo. “Não, é a cabeça de Penteu que seguro, ó desgraçada!”. “Louca foi”, diz Cadmo à sua filha. “O delírio báquico vos tomou, a vós e à cidade toda”. Em seguida, Agave desperta para as consequências de suas ações. “Compreendo agora”, diz ela, “Dionísio nos destruiu”.
Os Estados Unidos passaram por seu próprio surto de intoxicação dionisíaca nos dias seguintes ao 25 de maio de 2020, quando um policial de Mineápolis de nome Derek Chauvin ajoelhou-se no pescoço de um homem negro de 46 anos de idade chamado George Floyd, causando sua morte.[29] Corrompido por uma péssima educação por mais de sessenta anos, o lumpemproletariado negro americano irrompeu numa orgia de tumultos que pôs termo ao Estado de direito em muitas das grandes cidades americanas.[30]
O tumulto foi baseado em um incidente, e o incidente foi capturado em uma imagem. O que viram os americanos nas imagens do policial Chauvin ajoelhado no pescoço de George Floyd? Viram racismo.[31]
Os palestinos que assistiram ao mesmo vídeo, no entanto, viram outra coisa. Reconheceram a joelhada que o policial Chauvin infligiu a Floyd como a mesma técnica que a polícia israelense rotineiramente usa nos palestinos. Ausente do relato da grande mídia sobre a morte de Floyd estava qualquer menção do papel que a Liga Antidifamação (ADL) teve no armamento do departamento de polícia de Mineápolis.[32] Há anos a ADL vinha pressionando os departamentos de polícia de todo o país[33] para que treinassem com instrutores israelitas, a fim de aprenderem técnicas de submissão como a joelhada na garganta.[34] E ainda mais importante: os policiais que são submetidos ao modelo israelita de forças policiais locais aprendem mais do que técnicas: aprendem atitudes, e a atitude principal que aprendem é que devem tratar os seus concidadãos — ou seja as pessoas que, com seus impostos, financiam as polícias locais — da mesma forma que os israelitas tratam os palestinos.
Se a imagem do policial Chauvin ajoelhado no pescoço de um homem negro simbolizava o racismo branco, então a imagem de George Floyd simbolizava o homem negro como vítima desse racismo, e o Black Lives Matter como seu defensor. Mas aqui as aparências enganam, pois, por trás do BLM estão os judeus. No período anterior aos tumultos em Ferguson, Missouri, George Soros deu US $33 milhões de dólares para esse movimento.[35]
A ADL também está envolvida nesse lado do conflito. Com a anexação iminente da Cisjordânia por Israel, ela se preocupa com a reação que a anexação certamente causará, a qual pode se espalhar para suas marionetes do BLM, como de fato aconteceu na Inglaterra.[36] O “memorando de análise das partes interessadas”, emitido pelo Departamento de Relações Governamentais, Advocacia e Envolvimento Comunitário da ADL e marcado como um rascunho, adverte que o grupo terá de encontrar uma maneira de defender Israel de críticas sem afastar outras organizações de direitos civis, funcionários, eleitores de cor, ativistas e apoiadores do BLM. O memorando sugere que o grupo evite parecer abertamente hostil à crítica pública da anexação, enquanto trabalha para bloquear uma legislação que censure duramente Israel ou leve a consequências materiais, como o condicionamento do apoio militar americano.[37]
A ADL não foi a única organização judaica que apoiou o BLM. Segundo um relatório da Agência de Imprensa Judaica: “Mais de 400 organizações e sinagogas judaicas nos Estados Unidos assinaram uma carta que afirma claramente: vidas negras importam”.[38] Esses grupos representavam um amplo espectro “de identidades religiosas, políticas, de gênero e raciais”. A lista de signatários — de pequenas congregações a grandes organizações judaicas — representa milhões de judeus nos Estados Unidos, os “organizadores”, segundo a declaração.
Que nome damos a esse envolvimento? Nos Estados Unidos, era conhecido como a aliança entre negros e judeus. Nos setenta anos seguintes ao linchamento de Leo Frank,[39] organizações judaicas como a Liga Antidifamação (ADL) e a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) tentaram fomentar a guerra racial nos Estados Unidos. O ápice dessa campanha se deu na década de 1960 com a criação do Movimento dos Direitos Civis.
Porém, o espírito revolucionário judaico é bem mais antigo. Remonta ao pé da cruz, quando os sumos sacerdotes judeus Anás e Caifás disseram a Jesus que o aceitariam como seu Messias se Ele descesse da cruz e criasse o reino terreno por eles desejado. Ele se recusou, e os judeus escolheram Barrabás. Ao rejeitarem Cristo como seu Messias, os judeus rejeitaram o Logos Encarnado, e, quando rejeitaram o Logos, rejeitaram a ordem que Deus criou para este universo, e assim se tornaram revolucionários, o que são até hoje em cidades como St. Louis.
St. Louis, Missouri, foi fundada em 1764 por dois comerciantes de peles franceses, Pierre Laclede e Auguste Chouteau, e recebeu seu nome em homenagem ao rei Luís IX de França. Ao longo do século XIX, tornou-se o lar de muitos imigrantes católicos da Irlanda e da Alemanha.[40]
Muitos franceses lutaram contra a revolução. Eram conhecidos como Les Chouans e sua revolta foi conhecida como a Vendéia. Outros franceses deixaram seu país para escapar da revolução. Muitos deles vieram para os Estados Unidos e para cidades como Québec e Montreal no Canadá, mas também para cidades como Nova Orleans e St. Louis na América. Buscavam escapar da revolução, mas a revolução encontrou seus descendentes em lugares como St. Louis. Um certo Umar Lee deseja derrubar a estátua de São Luís IX e renomear a cidade para Confluência.[41] Como em Mineápolis, as aparências enganam. Lee diz ser muçulmano.[42] Ele também afirma ter o apoio do BLM. Mas por que o rancor contra um rei francês do século XIII? Luís IX possuía escravos negros? Ele tinha plantações secretas de algodão em Paris? Não, o crime de Luís IX foi ter queimado o Talmude.
Preocupam-se os negros com o Talmude? Sabem do que se trata? Sabem sobre as blasfêmias que ele contém, a verdadeira razão pela qual foi queimado? Provavelmente não. Como em Mineápolis, o grupo por trás do protesto é invisível. Por trás dos protestos em ambas as cidades está o espírito revolucionário judaico. A batalha em St. Louis se dá entre católicos e judeus, mas Umar Lee, como testa de ferro dos judeus,[43] deve disfarçar esse fato, e transformar o conflito em uma batalha entre negros e brancos.[44] É uma forma de roubo de identidade, que também conduz à violência, pois, uma vez que a identidade branca é imposta a um grupo, ele perde o direito à liberdade de expressão e reunião. Foi precisamente o que ocorreu em St. Louis. Depois que Umar Lee transmutou um grupo de católicos, que se reuniu para rezar o Rosário em defesa da estátua, em supremacistas brancos, o BLM entrou em jogo e se sentiu no direito de espancar um católico de sessenta anos que estava a rezar o Rosário, já que os “brancos” não têm direitos.
A Revolução de 2020 na América é semelhante à Revolução Francesa. Quando esta eclodiu na França, não havia a mínima clareza sobre o envolvimento judaico. O padre Agustin Barruel suprimiu a carta de Simonini, que provava o envolvimento judaico, quando escreveu as suas Mémoires pour servir à l’histoire du jacobinisme (“Memórias a Serviço da História do Jacobinismo”).[45] Assim exonerou os whigs que usaram as lojas maçônicas como armas para derrubar a monarquia Bourbon e desencadear a anarquia e a tirania na França. O envolvimento judaico só se tornou claro quando Napoleão emancipou os judeus em 1806.
Em 1890, La Civiltà Cattolica, a revista oficial do Vaticano, fez uma série de três partes sobre a questão judaica na França um século após a Revolução Francesa. Sua conclusão foi simples, mas impressionante. Qualquer país que se afaste das leis criadas pelos reis cristãos, como os franceses fizeram em 1789, acabará governado por judeus. La Civiltà Cattolica publicou sua primeira edição em 6 de abril de 1850. O fundador da revista foi um jovem jesuíta de nome Carlo Maria Curci, que justificou a criação de uma nova revista ao “descrever o jornalismo europeu como um rebento da revolução francesa, ávido por difundir idéias blasfemas e anticristãs embebidas de racionalismo agnóstico e ateu”.[46]
Os jesuítas que fundaram La Civiltà Cattolica não agiam por conta própria. A nova revista foi criada sob os auspícios do Papa Pio IX e era vista por ele como a aplicação de suas teses antimodernistas, como expressas no Sílabo dos Erros, à situação política contemporânea. La Civiltà Cattolica seria um baluarte contra o pensamento modernista. Permitiria à Igreja combater os inimigos da Igreja com suas próprias armas. La Civiltà Cattolica enfrentaria “a avareza e o orgulho de um desprezível monge na Alemanha, a libido insaciável de um rei tirano na Inglaterra e o culto da unidade nacional e da independência como promovido pelos demagogos na Itália”, e faria tudo isso com a aprovação papal.[47] “La Civiltà Cattolica foi concebida como um instrumento do apostolado intelectual da Igreja, e seu escopo era essencialmente apologético e polêmico. La Civiltà Cattolica se destacou desde o momento de sua criação em uma série de batalhas contra o pensamento revolucionário, sobretudo contra o liberalismo, o laicismo e os princípios que inspiraram a Revolução Francesa”.[48]
O apoio do papa foi espiritual e financeiro. Em fevereiro de 1850, Pio IX, ainda residindo em Nápoles, ordenou que fossem transferidos 1.250 ducados da conta do papa no banco Rothschild de Nápoles para os jesuítas e declarou sua disponibilidade em arcar com todos os encargos financeiros necessários à garantia do lançamento bem-sucedido da revista.[49] O grande cuidado que o papa teve no lançamento da revista foi recompensado quando, em 20 de março, as assinaturas chegaram a 3.000. Durante os primeiros três meses de publicação esse número saltaria para 6.307.[50] Os laços entre La Civiltà Cattolica e o papa se estreitaram ainda mais quando Pio IX retornou a Roma. Daquele ponto em diante, “La Civiltà Cattolica foi considerada como uma expressão da voz do Vaticano, bem como uma fiel intérprete do Papa, de nível intelectual superior e pesquisa exata”.[51] Em 12 de fevereiro de 1866, o papa, satisfeito com o sucesso da revista, concedeu-lhe status canônico, estabelecendo o Collegium Societatis Iesu Scriptorum Ephemeridi, vulgo La Civiltà Cattolica, que incluía os privilégios de outros capítulos da sociedade. A partir daquele momento, só o papa poderia intervir em seus assuntos. Como resultado dessa aprovação, a revista logo se tornou o órgão oficial mais autoritativo do papado, um status que nem mesmo a fundação da L’Osservatore Romano em 1861 poderia debilitar.[52]
Tanto Pio IX quanto Leão XIII depositaram uma confiança particularíssima (“una fiducia tutta particolare”) nos jesuítas responsáveis pela revista, e eles retribuíram essa confiança com uma fidelidade absoluta e deferente (“con una fedelta assolute e deferente”).[53] O nascimento de La Civiltà Cattolica coincidiu com a restauração do gueto sob Pio IX, mas a revista não dedicou qualquer atenção especial à “questão judaica” em seus primeiros anos.[54]
Em 1869, Pio IX elogiou e abençoou o livro de Gougenot des Mosseaux, Le Juif, le judaïsme et la judaïsation des peuples chrétiens (“O judeu, o judaísmo e a judaização dos povos cristãos”), que descrevia o Talmude como “um código selvagem no qual os preceitos do ódio e da rapacidade se misturam com as doutrinas mágicas da cabala, um livro que professa a maior idolatria imaginável”.[55]
O Papa Pio IX morreu em 7 de fevereiro de 1878, quando começava a irromper uma onda de sentimento antijudaico por toda a Europa, principiando pela França. Uma das causas dessa onda de sentimento antijudaico (ou uma das suas manifestações) foram os julgamentos por libelo de sangue que surgiram em lugares como a Hungria e mais tarde na Rússia. Taradel e Raggi consideram La Civiltà Cattolica de alguma forma responsável por esse fenômeno, pelo simples fato de o ter narrado. Deixam claro que, de seu ponto de vista, qualquer um que levasse a sério as acusações de libelo de sangue era um antissemita.
Opinião semelhante foi expressa pelo Cardeal Vaughn e Lorde Russell quando escreveram ao prefeito do Santo Ofício em 1900 pedindo-lhe que proibisse a menção do libelo de sangue pelos católico. A resposta mordaz do Santo Ofício deixa claro que esse pedido era o equivalente a proibir os católicos de falar sobre o julgamento de O. J. Simpson, já que o libelo de sangue fazia parte da história legal de países como a Polônia e a Boêmia, e o Santo Ofício não tinha o poder de expurgar esses casos do registro legal. “Diante disso, a Santa Sé não pode dar a declaração solicitada, pois mesmo que satisfizesse alguns ingleses iludidos, provocaria protestos e escândalos por todos os lados”.[56] Taradel e Raggi afirmam que “o triunfo da linha de La Civiltà Cattolica não poderia ter sido mais completo. A resolução do Santo Ofício, sob esse ponto de vista, não deve surpreender: é inconcebível que pudessem condenar publicamente, junto com todas as acusações de libelo de sangue, a campanha promovida por La Civiltà Cattolica com o apoio tácito, mas evidente, do secretário de Estado e do próprio Leão XIII”.[57]
A indignação dos autores soa oca hoje. Nos onze anos que se passaram desde a publicação de La segregazione amichevole, assistimos à publicação do livro de Peter Schäfer sobre Jesus e o Talmude, bem como a publicação (posteriormente censurada sob pressão judaica) de Pasque di sangue: Ebrei d’Europa e omicidi rituali (“Páscoas Sangrentas: Judeus Europeus e Assassinatos Rituais”), um livro que comprova a autenticidade das acusações de libelo de sangue, escrito por Ariel Toaff, filho do antigo rabino-mor de Roma. À luz de publicações como essa, La Civiltà Cattolica parece mais relevante para a nossa época do que a indignação dos defensores do Iluminismo, defensores que negam a priori simples fatos jurídicos.
La Civiltà Cattolica postulou uma série de premissas logicamente encadeadas. Os princípios da Revolução Francesa tiveram uma série de efeitos negativos, o mais pernicioso dos quais foi a emancipação dos judeus, que lhes permitiu fazer mal às pessoas que tão imprudentemente lhes concediam direitos iguais. Isso se deve principalmente ao fato de que o judaísmo do passado e o judaísmo do presente são como água e vinho.[58] O judaísmo tal como existe agora é satânico no seu ódio a Cristo e à Igreja. Taradel e Raggi acusam La Civiltà Cattolica de representar o judaísmo como o “antítipo demoníaco do cristianismo… Se o fundamento do cristianismo é o amor ao próximo, o fundamento do judaísmo só pode ser o ódio elevado a supremo preceito religioso”.[59] A indignação dos autores é palpável, mas extraviada. Após a publicação de La segregazione amichevole, um rabino publicou um artigo na revista americana neoconservadora First Things, explicando o ódio como virtude judaica.
A preocupação de La Civiltà Cattolica com a questão judaica atingiu seu ponto culminante durante o reinado do papa Leão XIII. Em 1890, um ano após o centésimo aniversário da Revolução Francesa, o padre Raffaele Ballerini escreveu anonimamente uma série de três partes sobre a questão judaica. A situação havia mudado sob o reinado do papa Leão XIII. Por trás da Revolução Francesa, Pio IX viu a Maçonaria; agora, por trás da Maçonaria, Leão XIII viu os judeus. Em certo sentido, a situação teve que mudar, já que na década de 1880 toda a Europa ficou obcecada pela questão judaica. Se La Civiltà Cattolica fôra criada para lidar com as questões políticas atuais, não poderia se eximir de lidar com a questão judaica.
Como já indicamos, Leão XIII viu essa série como um antídoto para o fanatismo antissemita que estava a emergir no L’Osservatore Romano em Milão. Alheios à sua própria explicação da oposição de Leão XIII ao antissemitismo, Taradel e Raggi afirmam que os artigos de La Civiltà Cattolica sobre a questão judaica em 1890, “não constituem, como é comumente pensado, o começo da campanha antissemita, mas sim seu fim”.[60] De acordo com a visão judaica da história, a Igreja foi infectada pelo antissemitismo desde sua criação. Mas, após 1900 anos de perseguição aos judeus, Deus subiu pela chaminé de Auschwitz, e o Holocausto substituiu a crucificação como o centro da história humana. Não seria um exagero dizer que a maior parte do mundo católico foi infectado por essa hermenêutica. Em sua crítica à La Civiltà Cattolica, Taradel e Raggi chegam mesmo a dizer que qualquer um que acreditasse que os judeus eram predadores financeiros ou apoiadores da revolução era um doente mental: “A obsessão com uma conspiração judaico-bolchevique, definida por Norman Cohn como uma verdadeira psicopatologia coletiva, tornou-se [em La Civiltà Cattolica] a chave para a compreensão de todos os eventos políticos na Europa… O mito de uma conspiração judaica foi o motor, bem como a lente ideológica através da qual La Civiltà Cattolica explicou aos seus leitores o desenrolar da história”.[61]
Como La Civiltà Cattolica, Georg Ratzinger, tio-avô de Joseph Ratzinger, traçou a hegemonia judaica nas finanças à Revolução Francesa. Após sua emancipação por Napoleão, os judeus dominaram economia de nação após nação européia, armados com suas práticas comerciais desonestas. O que Ratzinger chama de Jüdisches Erwerbsleben (“Vida profissional judaica”) permitiu-lhes enganar os cristãos, que tinham recebido o ensinamento do trabalho duro, da confiança mútua e do amor ao próximo. A imoralidade judaica nas finanças, em outras palavras, deu aos judeus uma vantagem econômica injusta em países católicos:
“A emancipação dos judeus, cujas visões e conceitos contradiziam as leis e costumes das nações cristãs, não podia deixar de ter um efeito destrutivo e corruptor sobre toda a sociedade cristã. (…) Esse fato explica por si só por que os judeus são capazes de acumular riquezas tão rapidamente. (…) O exemplo da corrupção moral tem um efeito contagioso, o que explica o efeito corruptor da influência judaica sobre o comércio.”[62]
Ratzinger afirmou que a suspensão das proteções necessárias à ordem social nos anos seguintes a 1789 foi uma suprema tolice. Depois disso, era apenas uma questão de tempo até que os judeus tivessem o domínio econômico, já que a ética comercial que derivaram de seu estudo do Talmude ensinara-lhes ser uma virtude enganar os gentios. Esse foi particularmente o caso entre os povos benevolentes que constituíam a população das nações católicas, que tinham sido orientados a trabalhar duro e a confiar na autoridade civil como protetora de seus interesses. Assim que essas pessoas caíram nas mãos dos usurários, descobriram que não poderiam se libertar de seus tentáculos, mesmo com toda a frugalidade do mundo. Devido à aceitação generalizada da usura no período que se seguiu à Revolução Francesa, quase todos empobreceram enquanto os judeus se enriqueciam.
O livro de Ratzinger foi publicado em 1892, pouco depois da publicação da Rerum Novarum, a encíclica do Papa Leão XIII sobre a condição das classes trabalhadoras, e a série de três partes em La Civiltà Cattolica que alertou os católicos sobre “o polvo voraz do judaísmo”. A fúria contra as práticas comerciais judaicas tinha atingido o ponto de ebulição, pois os envolvidos nas “profissões lucrativas” enriqueciam rapidamente às custas do próximo.[63]
Esta é nossa presente situação. A América está a passar por uma revolução. Como na Rússia em 1917, onde a revolução foi bem-sucedida, e na Alemanha em 1919, onde foi frustrada, e até mesmo na China, onde a Revolução Cultural de 1966 foi liderada por judeus como Sidney Rittenberg,[64] os judeus desempenham o papel principal na revolução cultural americana de 2020. Um desses judeus é George Soros. Depois de ajudar a criar revoluções coloridas em praticamente todos os países que se separaram da União Soviética, Soros está a criar uma revolução “colorida” nos Estados Unidos, com a ajuda de grupos como o Antifa,[65] de raízes judaicas[66] que remontam à Alemanha na década de 1930, e o BLM.
Soros também se apossou de muitos cargos políticos locais, financiando candidatos por via da Open Society Foundation. Uma das candidatas vitoriosas foi a Procuradora Kim Gardner. Gardner coibiu as autoridades em St. Louis, ao fazer cumprir as leis com base na cor do cidadãos. Após um ano no cargo, Gardner deixou claro que não processaria crimes relativos à maconha.[67] De fato, em 2019, Gardner processou apenas 1.000 dos mais de 7.000 casos que o Departamento de Polícia de St. Louis lhe apresentou para acusação.[68] Expeliu então o governador de seu cargo e apresentou acusações contra o Departamento de Polícia de St. Louis sob o ato da Ku Klux Klan de 1965, acusando-os de conspiração racista.[69] A conexão Gardner-Soros é um dos melhores exemplos do renascimento da aliança de negros e judeus após seu fim em 1967.
Gardner também ameaçou acusar Mark e Patricia Mcclocksey, que defenderam seu lar com armas de fogo, após a polícia se recusar a agir contra uma invasão de negros num condomínio fechado.[70]
O resultado da atual revolução ainda é incerto. Uma das principais razões para o pessimismo é a atitude da Igreja Católica para com seus próprios santos e seu próprio povo. O antigo bispo, Robert Carlson, defendeu a estátua,[71] mas seu sucessor, Mitchell Rozansky, de Springfield, Massachusetts, ainda não tomou uma posição sobre a questão.[72] Já que Rozansky é conhecido como defensor do diálogo católico-judaico[73] e um protegido do notório cardeal Keeler de Baltimore, de simpatias judaicas,[74] as perspectivas de confrontação do grupo responsável pelo vandalismo revolucionário em St. Louis parecem pequenas na melhor das hipóteses. Encontramo-nos agora numa situação semelhante à que prevaleceu em meados dos anos 70, quando país após país caiu sob as garras do comunismo.
Essa situação mudou no ano de 1979, quando o aiatolá Khomeini liderou a derrubada do materialismo americano no Irã em fevereiro e o Papa João Paulo II liderou uma revolta semelhante contra o materialismo marxista na Polônia quatro meses depois.[75] O mesmo tipo de revolução espiritual pode salvar a situação agora, mas apenas se a Igreja abandonar o fracassado experimento conhecido como diálogo judaico-católico, retornando a seu ensino tradicional sobre os judeus.[76]
Os judeus precisam ser confrontados com seus pecados, como São Pedro fez nos Atos dos Apóstolos, quando lhes disse que eram os assassinos de Cristo. A versão contemporânea dessa acusação incluiria a participação judaica em revoluções políticas e sexuais que levaram a mortes incontáveis sob o marxismo[77] e a corrupção moral sem precedentes sob Wilhelm Reich, o judeu que criou o termo revolução sexual.[78]
O sucesso nas guerras culturais depende de que nos esforcemos pela conversão dos judeus, em vez de implorar em vão por sua amizade e aprovação. Isso inclui perguntar aos judeus de St. Louis se concordam com o programa revolucionário[79] endossado pela “rabina” Susan Talve.[80]
A alternativa a isso é a violência.
Como a série de La Civiltà Cattolica sobre a questão judaica, Ratzinger terminou seu livro com um aviso do que se seguiria se não fosse atendido seu apelo à reforma. Como a advertência de La Civiltà Cattolica, a de Ratzinger encontrou uma realização extraordinária em menos de cinquenta anos:
“Uma reação contra a judaização de nossa cultura está agora a ganhar ímpeto entre o homens comuns. Esse movimento é de difícil percepção hoje, mas crescerá como uma avalanche. Se não lhe faltasse um líder, esse movimento já seria hoje irresistível.”[81]
Caso não saibam, a palavra alemã para líder é Führer.
E. Michael Jones, South Bend, Indiana, setembro de 2021.
[1] “6 Mind Blowing Ways Zombies and Vampires Explain America”. Cracked, 6 set. 2011. Disponível em: <https://www.cracked.com/article_19402_6-mind-blowing-ways-zombies-vampires-explain-america.html#ixzz1b32IuFO82>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[2] “Anti-Semitic Protester at Occupy Wall Street – LA”. YouTube, 14 out. 2011. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=IMjm4LxFa1c>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[3] Julia Ott, “Occupied Wall Street Journal”. Museum of the City of New York, 7 nov. 2016. Disponível em: <https://www.mcny.org/story/occupied-wall-street-journal>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[4] Niall Ferguson, The House of Rothschild: Money’s Prophets, 1798–1848 (Nova York: Viking, 1998), p. 228.
[5] Ferguson, p. 20.
[6] Ferguson, p. 77.
[7] Disraeli, Coningsby, p. 198.
[8] Ruggero Taradel e Barbara Raggi, La segregazione amichevole: “La Civiltà Cattolica” e la questione ebraica 1850–1945 (Riuniti, 1999), p. xiii.
[9] Ibid., p. xiii.
[10] Ibid., p. xiv.
[11] Ibid., p. 3.
[12] Ibid., p. 3.
[13] Ibid., p. 3.
[14] Que irônico! (Nota d’O Recolhedor)
[15] Ibid., p. 4.
[16] Ibid., p. 4.
[17] Ibid., p. 4.
[18] Ibid., p. 6.
[19] Ibid., p. 7.
[20] Ibid., p. 10.
[21] Ibid., p. 11.
[22] Ibid., p. 40.
[23] Ibid., p. 44.
[24] Ibid., p. 20.
[25] Ibid., p. 21.
[26] Ibid., p. 28.
[27] Ibid., p. 52.
[28] https://www.gutenberg.org/files/35173/35173-h/35173-h.htm
[29] “Prosecutors in Georg Floyd case say ex-cop charged in his had used excessive force before”. CBS News, 11 set. 2020. Disponível em: <https://archive.is/0vQMP>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[30] “Violence erupts as outrage over George Floyd death spills into a new week”. NPR, 1 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/Ls0qA>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[31] Christine Vestal, “Racism is a public health crisis, say cities and counties”. The Pew Trusts, 15 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/D0vpy>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[32] “Partnering with Law Enforcement”. ADL, 11 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/nLGxT>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[33] “US Police regularly trained by Israeli Military: Amnesty Report”. Telesur, 31 mai. 2020. Disponível em: <https://archive.is/k14rA>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[34] Steve Sweeney, “Minnesota cops ‘trained by Israeli forces in restraint techniques’”. Morning Star, 1 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/rtFhU>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[35] “Hacked Soros memo: $650,000 to Black Lives Matter”. Breitbart, 16 ago. 2016. Disponível em: <https://archive.is/ZnIYJ>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[36] Bill Gardner e Craig Simpson, “Controversial Black Lives Matter leader remains defiant as support ebbs away”. The Telegraph, 1 jul. 2020. Disponível em: <https://archive.is/qrUuQ>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[37] Joshua Leifer, “Leaked memo details ADL’s annexation response”. Jewish Currents, 26 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/7FtVI>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[38] “Over 400 Jewish groups and synagogues sign on to letter supporting Black Lives Matter”. Jewish Telegraphic Agency, 29 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/c36la>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[39] Cf. E. Michael Jones, The Jewish Revolutionary Spirit (Fidelity Press, 2020), Volume 2, p. 177–200.
[40] “St. Louis”. Wikipédia. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/St._Louis>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[41] Lahav Harkov, “Muslims, Jews petition to remove statue of St. Louis’ crusader namesake”. The Jerusalem Post, 21 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/mhgdL>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[42] Ibid.
[43] Ibid.
[44] “Catholics and alt-right clashed with protestors in Forest Park as activists called for removal of Louis IX statue”. The St. Louis American, 27 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/ufrt0>. Acesso em: 17 jul. 2025.
[45] Cf. E. Michael Jones, Barren Metal: A History of Capitalism as the Conflict Between Labour and Usury (Fidelity Press, 2014), p. 1171.
[46] Ruggero Taradel e Barbara Raggi, La segregazione amichevole: “La Civiltà Cattolica” e la questione ebraica 1850–1945 (Riuniti, 1999), p. 3.
[47] Ibid., p. 3.
[48] Ibid., p. 3.
[49] Ibid., p. 4.
[50] Ibid., p. 4.
[51] Ibid., p. 4.
[52] Ibid., p. 6.
[53] Ibid., p. 7.
[54] Ibid., p. 10.
[55] Ibid., p. 11.
[56] Ibid., p. 40.
[57] Ibid., p. 44.
[58] Ibid., p. 20.
[59] Ibid., p. 21.
[60] Ibid., p. 28.
[61] Ibid., p. 21.
[62] Robert Waldhausen (Georg Ratzinger), Jüdisches Erwerbsleben: Skizzen aus dem sozialen Leben der Gegenwart (Verlag von Rudolf Abt, 1892), p. 2.
[63] Ibid., p. 3.
[64] Cf. David Martin, “Sidney Rittenberg: The Jew Behind Communist China”. Culture Wars, Nov. 2019 (Vol. 38 #11).
[65] Ari Paul, “Trump’s attacks on Antifa are attacks on Jews”. Haaretz, 7 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/1QyAJ>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[66] Seth Rogovoy, “Your top 9 Yiddish antifa anthems: a revolutionary playlist”. Forward, 5 jun. 2020. Disponível em: <https://web.archive.org/web/20250718093438/https://forward.com/culture/448163/your-top-9-yiddish-antifa-anthems-a-revolutionary-playlist/>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[67] Rachel Rice, “St. Louis circuit attorney’s office will dismiss some smaller marijuana possession cases”. St. Louis Today, 13 jun. 2018. Disponível em: <https://bit.ly/2EKHIBp>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[68] Lauren Trager, “Records show trial conviction rate for Circuit Attorney’s Office has fallen nearly 20% in 2 years”. KMOV, 26 fev. 2020. Disponível em: <https://archive.is/gsFsw>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[69] Antonia Noori Farzan, “St. Louis’s top prosecutor, claiming a racist conspiracy, is suing the city under a law created to fight the Ku Klux Klan”. The Washington Post, 14 jan. 2020. Disponível em: <https://archive.is/LhTj8>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[70] “Trump retweets coverage of couple who drew guns at crowd in St. Louis”. The Times of Israel, 30 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/hu92h>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[71] Kelsi Anderson, “‘We should not seek to erase history’ | St. Louis Archdiocese responds to calls to remove King Louis IX statue”. KSDK, 28 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/uOJt4>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[72] Tom Franklin, “St. Louis Archbishop Robert Carlson is retiring”. KMOX, 10 jun. 2020. Disponível em: <https://archive.is/eR5fj>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[73] “Bishop Rozanski: ‘Soul-searching’ needed after ‘horrific shootings’ at synagogue”. Mass Live, 29 jan. 2019. Disponível em: <https://archive.is/BnqCA>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[74] “Interfaith pioneer Cardinal Keeler dies at 86”. The Times of Israel, 23 mar. 2017. Disponível em: <https://archive.is/WP6Za>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[75] Cf. E. Michael Jones, Logos Rising (Fidelity Press, 2020), p. 657s.
[76] Israel Jacob Yuval, “‘We curse Christianity three times a day’: Can Jews and Christians truly reconcile?”. Haaretz, 14 ago. 2020. Disponível em: <https://archive.is/z2mEE>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[77] Cf. E. Michael Jones, The Jewish Revolutionary Spirit (Fidelity Press, 2020).
[78] Cf. E. Michael Jones, Libido Dominandi: Libertação Sexual e Controle Político (Vide Editorial, 2019).
[79] “St. Louis synagogue opens doors to protesters against police shooting”. Jewish Telegraphic Agency, 17 set. 2017. Disponível em: <https://archive.is/ZasHM>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[80] Hannah Dreyfus, “Ferguson protesters find sanctuary in synagogue”. The New York Jewish Week, 25 nov. 2014. Disponível em: <https://archive.is/pQr7P>. Acesso em: 18 jul. 2025.
[81] Ratzinger, Jüdisches Erwerbsleben, p. 84.
