A “SOLUÇÃO FINAL”
Norberto Toedter, 22 de setembro de 2007
A mais citada prova de que teria havido um programado assassinato em massa de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, explicitamente ordenado pelo alto comando alemão, é um documento que acabou sendo denominado de “Protocolo de Wannsee”. Wannsee é um lago próximo a Berlim, em cuja margem está situada uma mansão, que hoje serve de memorial do Holocausto, abrigando exposições e seminários sobre o tema. Em 20 de janeiro de 1942, essa vila, então sede da Interpol, foi palco de uma reunião de altos representantes ministeriais e da SS, onde, segundo participantes sobreviventes, foi analisado um plano de evacuar judeus para o leste europeu. Na verdade não teria se chegado a uma decisão e, muito menos, a um protocolo da reunião, que durara menos de duas horas. Entretanto, em 14 de abril de 1947, no processo contra o ex-ministro alemão do Exterior, Ernst von Weizsäcker, a acusação, representada por Robert W. M. Kempner, apresentou um documento que seria a 16ª via, de um total de trinta, daquilo que constituiria a ata daquela reunião. Segundo o documento, os participantes, cumprindo ordem de Hitler, ali decidiram a criação de campos de extermínio na Europa Oriental para dar uma solução final ao problema judaico.
Existem inúmeros motivos para se acreditar que se trata de falsificação. Citarei alguns:
- Entre os documentos devolvidos pelos americanos depois de 1949 ao Ministério do Exterior alemão havia uma segunda “16ª via” do mesmo documento, com os mesmos dizeres, porém datilografado em outra máquina de escrever, com outros tipos.
- Tratava-se de Geheime Reichssache (segredo de Estado). Então, por que tal proliferação de cópias? Trinta cópias para quinze participantes? A 16ª em duplicata?
- Até hoje nenhuma das pretensas 29 cópias restantes apareceu onde quer que seja, muito menos o seu original.
- As repartições e órgãos oficiais da Alemanha têm normas definidas que devem ser observadas na elaboração de documentos, as quais estão ausentes nessas cópias.
- O texto usa expressões incomuns no idioma alemão, como se nós disséssemos “profissões livres”, em vez de autônomos ou profissionais liberais.
- Vários participantes da reunião, tais como G. Leibrandt, G. Klopper, W. Stuckart, Hoffmann, Neumann, Adolf Eichmann, que sobreviveram ao final da guerra, não foram processados pelo fato, nem inquiridos como testemunhas.
Para uma boa avaliação da questão, existe uma nota de arquivo registrada por Franz Schlegelberger em março de 1942, dois meses depois da reunião citada, enviada a lideranças do Estado e com o seguinte teor:
“O senhor Ministro do Reich Lammers [chefe da chancelaria] me comunicou que, por repetidas vezes, o Führer lhe declarou que deseja que seja postergada para após a guerra a solução da questão judaica. Consequentemente, o que se discute atualmente, segundo o senhor Ministro, só tem valor teórico. De qualquer forma ele cuidará para que de outra parte não seja tomada qualquer decisão fundamental surpreendente.”
A seguir está reproduzida a primeira página da 16ª cópia do tal “Protocolo de Wansee”: à esquerda, a versão de 1947; à direita, a que apareceu depois de 1949.

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Retirado de: O que é a verdade. O outro lado da história. Curitiba: Editora e Livraria do Chain, 2009, p. 76–79.
