A SUBIDA DA SERPENTE SATÂNICA
Padre Luan Guidoni

Contam-nos os antigos desde nossa pequenez sobre os monstros que habitam nos abismos do mar. Eles confundem, por sua simplicidade nas coisas teológicas, os grandes peixes criados por Deus, como o que atacou Tobias ou aquele maior que engoliu Jonas, com os verdadeiros monstros que de lá dos infernos querem emergir para retomar seus lugares perdidos no céu estrelado. Das profundezas buscam escapar e subir mais uma vez para a terra em direção ao azul celestial, e naquele dia da terrível libertação descerão os anjos para terminar o que foi iniciado nas alturas.
A queda do dragão está narrada em Apocalipse 12,9, e em Gênesis 3 foi descrita a vingança da antiga serpente. Satanás reinava sobre a terra e buscava engolir toda a criação de Deus. Que divindade adoravam os filhos de Caim e a humanidade decadente? Algumas perguntas não devem ser respondidas e providencialmente desconhecemos as abominações daquele tempo, porém conhecemos as águas do dilúvio que regenerou a obra divina. Descidos da arca, caíram novamente em pecado, e os filhos de Cam construíram a Torre de Babel, o templo que quis subir até os céus. Foram confundidos e espalhados, mas conjecturamos que alguns daqueles malditos tentaram reviver o sonho de Ninrode.
Lemos em Jó 3,8 que os cultuadores de Leviatã estão sempre prontos para suscitar a serpente. Um dos suscitadores de Leviatã foi aquele oráculo que aconselhou o pai da princesa Andrômeda. Quem é este dragão que está no mar? É o dragão vermelho, a antiga serpente, o próprio Satã. A grande batalha contra o caos cósmico ocorre quando Deus destrói com sua espada a diabólica serpente, tal como está escrito em São Mateus 10,34 e também pelo profeta em Isaías 27,1. O velho só é compreendido à luz do novo, e é no apocalipse que entendemos a luta contra a serpente desde gênesis. A queda do dragão, a mulher perseguida, o surgimento da besta do mar e da besta da terra, a derrota e o selamento da trindade satânica e a sua libertação final para o armagedom são os pontos centrais da luta celeste contra a antiga serpente.
Estamos com os olhos voltados para a supra-história e não para a história. Independentemente de qualquer interpretação tradicional, piedosa, moderna, modernista ou meramente histórica dos textos sagrados, o fato permanece o mesmo. Satanás almeja libertar-se das cadeias abissais e subir novamente para a terra e desafiar os céus.
A história das religiões é a história do homem contra a serpente e da serpente contra o homem. Se Píton foi derrotada na Grécia, no novo mundo ela foi adorada da forma mais sangrenta nos altares de Quetzalcóatl. Se no tempo de Jó encontramos aqueles que buscavam suscitare Leviathan, o que podemos concluir sobre aquelas eras antediluvianas e também sobre o nosso tempo moderno? Os dentes da serpente mordem as correntes constantemente e seus adoradores buscam suscitar a subida do dragão infernal para a superfície. Nosso dever é impedir o retorno daquele que vive nas profundezas, mas se ele for suscitado à terra novamente, maldito é o homem que não tiver espada naquele dia.
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Padre Luan Guidoni
3 de Novembro de 2025
