AJOELHANDO PARA OS JUDEUS
Dom Donald J. Sanborn, março de 2008
Fonte: https://traditionalmass.org/wp-content/uploads/2025/04/GenJews.pdf
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: O texto apresenta uma crítica à decisão de Joseph Ratzinger (vulgo “Bento XVI”) de alterar, em 2008, a oração da Sexta-feira Santa pelos judeus no Missal de 1962, em resposta a pressões ecumênicas. Monsenhor Sanborn reconstrói historicamente as sucessivas modificações dessa oração desde 1955, interpretando-as como concessões progressivas ao ecumenismo e ao modernismo. Argumenta que a nova fórmula rompe com a doutrina tradicional sobre a necessidade da conversão dos judeus, contradizendo São Paulo, a Tradição e o Magistério. Sustenta que catolicismo e ecumenismo são incompatíveis e que tais mudanças corroem a integridade da liturgia e da fé. Por fim, acusa Ratzinger de usar adereços tradicionais para preservar o projeto do Vaticano II, comparando sua estratégia à de revoluções históricas camufladas sob formas conservadoras.
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Em julho de 2007, Joseph Ratzinger autorizou o uso amplo da forma modificada da Missa tradicional contida no Missal de 1962 de João XXIII. Uma das reações negativas mais vociferadas à sua iniciativa veio dos judeus, que se opuseram à oração por sua conversão que o Missal prescrevia para o serviço litúrgico da Sexta-feira Santa. Na Quarta-feira de Cinzas de 2008, em resposta a uma campanha bastante agressiva de vários grupos de pressão judaicos, Ratzinger finalmente substituiu a oração por um texto inteiramente novo.
Essa foi a quarta mudança feita em relação à oração dos judeus. A versão tradicional é extremamente antiga (um dos textos mais antigos do Missal) e era usada na Missa dos Pré-santificados na Sexta-feira Santa:
“Oremos também pelos pérfidos judeus: para que Deus Onipotente remova o véu de seus corações, a fim de que também eles reconheçam Jesus Cristo Nosso Senhor.
“Oremos.
“Deus onipotente e eterno, que não excluís de vossa misericórdia nem mesmo a perfídia judaica: ouvi as nossas orações, que vos oferecemos pela cegueira daquele povo; para que, reconhecendo a luz da vossa verdade, que é o Cristo, sejam libertados das suas trevas. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.”
A referência ao véu em seus corações provém diretamente de São Paulo (II Cor 3,13-16):
“E não como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem fixamente para a face daquilo que se desvanece. Mas os seus sentidos foram entorpecidos. Pois, até o dia de hoje, esse mesmo véu, na leitura do Antigo Testamento, permanece sem ser retirado (porque em Cristo ele é desfeito). Mas, até o dia de hoje, quando Moisés é lido, o véu está posto sobre o coração deles. Mas, quando se converterem ao Senhor, o véu será retirado.”
Deve-se notar também que, no rito tradicional, o sacerdote e a congregação não fazem a genuflexão após o padre dizer oremus (“oremos”). A razão é que a Igreja considerava inapropriado usar, neste ponto em que se faz referência à infidelidade dos judeus, o mesmo gesto — a genuflexão — que os soldados judeus usaram para zombar de Jesus. O mesmo princípio se aplica no Sábado Santo, quando não há o flectamus genua (“ajoelhemo-nos”) após a décima segunda lição, na qual se comemora a recusa dos três jovens em se ajoelharem, como ato de idolatria, diante da estátua de Nabucodonosor.
MUDANÇAS NA ORAÇÃO
(1) 1955: Introdução da genuflexão. Em 1955, houve uma grande revisão dos ritos da Semana Santa, arquitetada e projetada por ninguém menos que o autor da Missa Nova, Annibale Bugnini (1912–1982).
Entre outras coisas, uma genuflexão foi inserida na oração pela conversão dos judeus. Essa foi provavelmente a primeira vez, em toda a história da Igreja, que um rito da Igreja foi influenciado por uma “sensibilidade” para com os não católicos.
(2) 1959: Remoção de “pérfidos”. Em 1959, a palavra pérfidos foi removida da oração por João XXIII.
Em latim, a palavra é perfidis, que se translitera, mas não se traduz, como “pérfidos”. Enfatizo o fato de que ela apenas translitera, o que significa que se parece muito com a palavra inglesa perfidious, mas que o latim não carrega o significado da palavra em vernáculo. O Papa Pio XII havia sido instado por Eugênio Maria Zolli — anteriormente Israel Zolli e rabino-chefe de Roma antes de se converter ao catolicismo em 1945 — a remover a palavra “perfidis” da oração da Sexta-feira Santa pelos judeus:
“Durante algum tempo, o ex-rabino-chefe e o Papa reinante falaram em particular. Zolli disse mais tarde a Dezza [o padre, mais tarde Cardeal, que o batizou] que havia implorado ao pontífice que removesse as referências na liturgia solene da Sexta-feira Santa aos “pérfidos judeus”. Pio recusou-se a fazê-lo e explicou a Zolli que o adjetivo “pérfido”, que ordinariamente é definido como “deliberadamente infiel” ou “traiçoeiro” ou “enganoso”, na verdade significava “incrédulo” no contexto das orações católicas.”[1]
Esta é a oração de João XXIII, contida no Missal de 1962:
“Oremos também pelos judeus: para que Deus Onipotente remova o véu de seus corações; para que também eles reconheçam Jesus Cristo nosso Senhor.
“Oremos. Ajoelhemo-nos. Levantai-vos.
“Deus onipotente e eterno, que também não excluís da vossa misericórdia os judeus: ouvi as nossas orações, que vos oferecemos pela cegueira daquele povo; para que, reconhecendo a luz da vossa verdade, que é o Cristo, sejam libertados das suas trevas. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.”
(3) 1970: A “conversão” desaparece. Em 1970, Paulo VI aboliu inteiramente a oração tradicional e a substituiu por esta oração, que aparece no Missal Novus Ordo de 1970:
“Oremos pelo povo judeu, o primeiro a ouvir a palavra de Deus, para que continue a crescer no amor ao seu nome e na fidelidade à sua aliança.
“(Oração em silêncio.) Então o sacerdote diz:
“Deus onipotente e eterno, que há muito tempo destes a vossa promessa a Abraão e à sua posteridade, ouvi a vossa Igreja enquanto rezamos para que o povo que primeiro fizestes vosso possa chegar à plenitude da redenção. Pedimos isto por Cristo nosso Senhor. Amém.”
Deve-se notar que no Missal de 1970 toda referência à conversão dos judeus é removida. A oração afirma claramente que eles podem alcançar a “plenitude da redenção” simplesmente continuando “a crescer no amor ao seu nome e na fidelidade à sua aliança”. Assim, apesar de negarem a Cristo, são descritos como amando o nome de Deus e sendo fiéis à sua aliança. Tais afirmações contradizem flagrantemente os santos Evangelhos e as epístolas de São Paulo. De fato, é pura blasfêmia.
(4) 2008: Uma criação bizarra. Em 7 de julho de 2007, Ratzinger emitiu um documento, um Motu Proprio intitulado Summorum Pontificum, no qual permitia liberalmente o uso do Missal de 1962, que é substancialmente, embora longe de ser perfeitamente, a Missa tradicional. Os ritos da Semana Santa nele contidos, porém, não são nada tradicionais, mas são produto do modernista e reputado maçom Bugnini.
Pouco depois dessa dramática e aguardada permissão do Missal de 1962, a Liga Antidifamação (ADL), o grupo de vigilância judaico que denuncia tudo o que percebe como anti-judaico, referiu-se à permissão do Missal de 1962 como um “golpe mortal” para as relações católico-judaicas. Comovido por tal acusação, Ratzinger alterou recentemente a oração do Missal de 1962 para que fosse lida desta forma:
“Oremos também pelos judeus: para que o nosso Deus e Senhor ilumine os seus corações, para que reconheçam que Jesus Cristo é o Salvador de todos os homens.
“Oremos. Ajoelhemo-nos. Levantai-vos.
“Deus onipotente e eterno, que quereis que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade, concedei propiciamente que, ao entrar a plenitude dos povos na vossa Igreja, todo o Israel seja salvo. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.”
Antes de dizermos qualquer coisa, deve-se afirmar que esta oração ganha o primeiro prêmio como a oração mais bizarra já formulada por alguém.
Pela admissão dos habitantes modernistas do Vaticano, a oração é uma referência a Romanos 11,25-26: “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais sábios em vossos próprios conceitos): que o endurecimento em parte aconteceu a Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades”.
SÃO PAULO SOBRE OS JUDEUS
São Paulo salva a oração de Ratzinger? Não. Pois a oração de Ratzinger não faz menção à necessidade de os judeus abandonarem a sua descrença (perfidia), as suas trevas, a sua cegueira e o véu sobre os seus olhos. Pois São Paulo menciona todas essas coisas.
- Em Gálatas 5,4, ele diz que os judeus caíram da graça: “Esvaziastes-vos de Cristo, vós que vos justificais pela lei; decaístesda graça”.
- Em Romanos 9,32–33, ele diz que eles tropeçaram na rejeição de Cristo: “Porque tropeçaram na pedra de tropeço. Como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo; e todo aquele que nela crer não será confundido”.
- Em Romanos 11,7–8, São Paulo diz que os judeus estão cegos e têm o espírito de insensibilidade: “Que pois? O que Israel buscava, não o alcançou; mas a eleição o alcançou; e os demais foram cegados. Como está escrito: Deus lhes deu espírito de insensibilidade; olhos para não verem e ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje”.
- Em Romanos 11,27–30, São Paulo diz que o cumprimento da sua aliança com os judeus será a remoção da sua impiedade, que é o seu pecado, e que eles são inimigos do Evangelho, e que são culpados de incredulidade: “De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. E esta será para eles a minha aliança: quando eu tirar os seus pecados. Quanto ao evangelho, são, na verdade, inimigos por vossa causa; mas quanto à eleição, são amadíssimos por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento. Pois assim como vós também em outro tempo não crestes em Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela sua incredulidade”.
- Em II Coríntios 3,13–15, São Paulo diz que há um véu nos seus corações, e que o Antigo Testamento está aniquilado: “E não como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem fixamente para a face daquilo que se desvanece. Mas os seus sentidos foram entorpecidos. Pois, até o dia de hoje, esse mesmo véu, na leitura do antigo testamento, permanece sem ser retirado (porque em Cristo ele é desfeito). Mas até hoje, quando Moisés é lido, o véu está sobre o coração deles”.
Segundo o raciocínio que anima a mudança na oração da Sexta-feira Santa, seria necessário arrancar essas páginas de São Paulo.
Na verdade, está claro que nada havia na oração da Sexta-feira Santa que não estivesse primeiro em São Paulo. Ratzinger não pode invocar a autoridade de São Paulo para a sua oração e, ao mesmo tempo, repudiar o que o Apóstolo diz nesses versículos. De fato, a sua referência a São Paulo convida o leitor a consultar esses textos, apenas para encontrar afirmações que a ADL consideraria ultrajantes. Nunca se deve esquecer de que o próprio São Paulo era judeu, aliás, um ex-fariseu.
JUDEUS QUE VIVERÃO NO FIM DOS TEMPOS?
O quadro pintado pela oração de Ratzinger é o de todos os povos — entenda-se apenas os gentios, pois esse é o sentido da sua oração no latim original — entrando na Igreja (Igreja-Frankenstein, a igreja ecumênica mundial) e, ao mesmo tempo, a salvação de todo o Israel. Isso implica que a Igreja é necessária apenas para os gentios, uma vez que os judeus têm a sua própria aliança com Deus, que lhes dá a salvação.
Por que, por exemplo, não houve referência à impiedade dos judeus que São Paulo menciona no mesmo versículo de onde foi tirada essa oração? Pode-se apenas imaginar como seria a oração se São Paulo a tivesse escrito.
A seção da Epístola aos Romanos, à qual a oração de Ratzinger se refere, diz respeito ao retorno dos judeus como um todo (mas não absolutamente todos) à Igreja Católica no fim dos tempos. Refere-se, portanto, a um ponto específico da história em que os judeus então vivos se converterão em massa ao catolicismo. Vários exegetas especulam que isso coincidirá, de algum modo, com a perda da fé por parte dos gentios, no tempo da Grande Apostasia. Isso parece ajustar-se ao sentido de São Paulo, se lermos todo o capítulo onze de Romanos e o compararmos com II Tessalonicenses, onde ele fala da Grande Apostasia. Em outras palavras, pareceria apropriado que os judeus obtivessem a fé quando os gentios a perdessem, tal como os gentios obtiveram a fé ao mesmo tempo que os judeus a perderam.
Além disso, São Paulo não prevê uma adesão geral à Igreja Católica perto do fim dos tempos. Na verdade, ele prevê o contrário, assim como o próprio Nosso Senhor. A visão de que a Igreja será reduzida a um número muito pequeno é sustentada por muitos comentadores. A referência de São Paulo à entrada dos gentios na Igreja refere-se ao fato de que o Evangelho terá sido pregado a todos os povos, e que pelo menos alguns de cada povo na terra terão abraçado o catolicismo; portanto, é restrita apenas a alguns judeus em um tempo específico no futuro. Não é uma oração geral pela conversão de todos os judeus infiéis que vivem atualmente.
O “Cardeal” Walter Kasper, o ultra-arquimodernista no Vaticano responsável pelas relações com os judeus, confirmou este fato: “(…) trata-se de uma invocação que deve ser entendida de acordo com a fonte das palavras usadas para formular a oração: é um texto de Paulo Apóstolo e exprime a esperança escatológica — isto é, refere-se aos últimos tempos, ao fim da história — de que o povo de Israel entre na Igreja quando todos os outros povos entrarem. Quero dizer que exprime uma esperança final e não uma intenção de tentar convertê-los”.
De fato, não é uma oração pela conversão de nenhum judeu, uma vez que não fala do abandono da incredulidade e da entrada na Igreja. Não se deve esquecer de que na teologia do Novus Ordo, os judeus têm sua própria aliança com Deus, ainda válida apesar da rejeição de Cristo, aliança essa que lhes trará a salvação.
Assim, uma oração pela conversão dos judeus, isto é, daqueles que existem aqui e agora no mundo, não é compatível com a teologia do Novus Ordo a respeito deles. Apesar desse fato, a oração de Ratzinger ainda é intitulada “Pela conversão dos judeus”, como era no Missal de 1962. Estranhamente, ainda pede a “iluminação” de seus corações, implicando obviamente que os judeus têm corações obscurecidos.
INSULTANDO A RELIGIÃO JUDAICA?
Ratzinger tentou agradar a ambos os lados, tradicionalistas e judeus, e não conseguiu agradar a nenhum. Ele jogou um osso aos tradicionalistas ao manter o título que pede a conversão dos judeus, o que enfureceu os judeus, e jogou um osso aos judeus ao remover a referência ao véu sobre seus corações, que, como vimos, provém também de São Paulo. Mas isso não foi suficiente para os judeus, pois eles sentem que um apelo à sua conversão do judaísmo é um insulto à sua religião.
De fato, é. Mas a religião deles é falsa, e é dever da Igreja Católica insultar a falsidade, tanto quanto é seu dever proclamar a verdade. Nosso Senhor disse: “Para isso nasci e para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (João 18,37). Pois a falsidade, qualquer que seja a sua forma, é produto do demônio, proveniente da ignorância e do orgulho, ambos efeitos do pecado original.
Que necessidade temos da Igreja Católica se ela não distingue claramente para todo o mundo qual é a religião verdadeira e qual é a falsa? Que necessidade temos da Igreja Católica se ela não cumpre o mandamento de Cristo de pregar o Evangelho a todos os povos, incluindo os judeus, com a intenção de convertê-los? Nosso Senhor disse aos Apóstolos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Marcos 16,16). Essa é uma ordem inequívoca de Deus para converter o mundo inteiro ao catolicismo. Que necessidade temos de uma igreja que não é fiel aos mandamentos do seu Divino Fundador?
Mas os judeus, agressivos como é de seu costume, insistem que a Igreja Católica abandone os mandamentos de seu Divino Fundador, a quem consideram um farsante. Eles não ficarão satisfeitos até que a palavra “conversão” desapareça e até que seja substituída por uma oração que proclame sua aliança independente e eternamente válida com Deus, permitindo-lhes ignorar Cristo e a sua Igreja.
Ratzinger, ao mudar a oração da Sexta-feira Santa, fez essencialmente o que Pôncio Pilatos fez na Sexta-feira Santa: para apaziguar uma multidão de judeus que pedia a morte de Cristo, mandou açoitá-lo e coroá-lo de espinhos, na esperança de que essa meia-medida tivesse o efeito completo de satisfazer a turba que exigia a morte. Mas tudo o que recebeu em troca desse ato covarde e vil foram gritos ainda mais altos de “Cruclifica-o! Crucifica-o!”. Ele também mereceu um lugar permanente de vergonha no Credo Niceno.
A Assembleia Rabínica Italiana, logo no dia seguinte à publicação da nova oração, suspendeu seu diálogo com Ratzinger, dizendo que a modificação da oração é “um abandono das próprias condições para o diálogo”. Outros grupos judeus também montaram protestos. O USA Today relata:
“‘Estamos decepcionados. Esperávamos uma linguagem que abrisse espaço para a integridade da fé judaica por direito próprio. Evidentemente, Bento não é capaz de fazer isso em termos de sua visão teológica — ao contrário de seus antecessores’, disse o rabino David Rosen, diretor de assuntos inter-religiosos do Comitê Judaico Americano e chefe do Comitê Judaico Internacional para Consultas Inter-religiosas, engajado em diálogo contínuo com o Vaticano.
“‘Quanto mais pudermos obter declarações positivas construtivas da Igreja em relação à validade do judaísmo e ao respeito pelo judaísmo, melhor poderemos neutralizar tal linguagem exclusivista’, disse Rosen.
“Abraham Foxman, diretor nacional da Liga Antidifamação baseada em Nova York, disse estar ‘profundamente perturbado’ pelo fato de a intenção de pedir a Deus que os judeus aceitem Jesus como Senhor ter sido mantida intacta.”[2]
A FRATERNIDADE DE SÃO PIO X (FSSPX)
A Fraternidade de São Pio X também está profundamente perturbada. O Pe. Peter R. Scott disse: “Essa oração, consequentemente, favorece o ecumenismo e não é aceitável para os católicos tradicionais, nem será usada. Os católicos tradicionais não aceitarão que o Missal tradicional seja adulterado, nem que Bento XVI tenha êxito em seu plano de trazer uma influência da forma ‘ordinária’, modificando a ‘forma extraordinária’ do rito romano, como ele a chama. Assim como os sacerdotes tradicionais mantêm as palavras ‘pérfidos’ e ‘perfídia’ que João XXIII tentou remover, do mesmo modo manterão a oração tradicional pela conversão dos judeus”.[3]
Se o Pe. Scott expressa o pensamento da liderança da FSSPX, isso significa que essa organização retrocedeu cerca de trinta anos em suas negociações com os modernistas. Outros na FSSPX, entretanto, expressaram uma visão favorável à oração, indicando um campo dividido nesse grupo. Mas isso sempre foi assim. Até o momento em que este texto foi escrito, o Bispo Bernard Fellay permanece em silêncio. De fato, ele está diante de um dilema. Se recusar a oração, será acusado de desobedecer ao “Santo Padre” e provavelmente encerrará qualquer negociação futura com o Vaticano para a reabsorção da FSSPX na religião modernista. Se a aceitar, alienará a ala conservadora do seu grupo e também cederá ao princípio de que a Missa tradicional está sujeita a ainda mais mudanças.
Convém recordar que o que motivou a nossa ruptura de 1983 com eles foi a Missa de João XXIII, ou seja, o Missal de 1962. A razão pela qual o Arcebispo Marcel Lefebvre insistiu que todos adotassem esse missal, revertendo sua posição anterior de permitir as rubricas pré-1955, foi que ele estava em negociações muito sérias com Ratzinger para que a sua Fraternidade fosse absorvida pela religião modernista. Ele próprio me disse pessoalmente que o Vaticano jamais aceitaria que usássemos as rubricas pré-1955, e eu mesmo vi os documentos relativos ao diálogo entre ele e Ratzinger, nos quais o Missal de 1962 estava sobre a mesa como o missal que seria aprovado para uso pela Fraternidade.
A música parou, porém, nessa dança de trinta anos com os modernistas. Agora o Missal de 1962 não está mais em vigor; o Missal de 2008 o substituiu. Alguém apontou corretamente que o Missal de 1962 teve apenas dois anos de existência na década de 1960, tendo sido substituído pelas reformas de 1964, e depois uma curta existência de cinco meses em 2007 e 2008, apenas para ser substituído agora pelo Missal Judaico.
Então, para onde vai a FSSPX agora? Ratzinger não pode voltar à oração de 1962. Se a FSSPX não aceitar a nova oração, terá de permanecer exatamente onde está, numa terra de ninguém de absurdidade teológica, na qual estão “com o papa”, mas ele não está com eles. Na verdade, creio que eles realmente querem estar nessa posição de qualquer maneira. Acredito que vejam essa oração com um suspiro de alívio, pois ela lhes dá uma desculpa perfeita para recusar o convite de reconciliação de Ratzinger.
A SABEDORIA DE RESISTIR EM 1983
Em 1983, quando os nove padres se posicionaram pela manutenção das rubricas de São Pio X no missal, calendário e breviário, poucos leigos compreenderam a importância disso. O leigo comum não consegue distinguir a Missa tradicional de 1962 da Missa tradicional pré-1955, que é a que usamos. Mas existem diferenças significativas.
A liturgia diz muito através de gestos e simbolismos. Portanto, o que parece ser um pequeno gesto ou palavra pode ter um grande peso simbólico. É pecado mortal, por exemplo, omitir deliberadamente a gota de água no cálice no Ofertório, ou rezar a Missa sem duas velas acesas. O leigo pode pensar que se trata de trivialidades, mas o sacerdote compreende sua importância litúrgica.
Pois, uma vez que se admite a omissão de um desses atos simbólicos, ou de uma palavra muito importante, abre-se o caminho para tudo o que a mudança implica. Ao adicionar a genuflexão na oração pela conversão dos judeus, por exemplo, abre-se a porta para alterar a liturgia católica conforme qualquer pessoa possa se sentir ofendida por ela. De fato, o que diremos de todo o Evangelho de São João, que os judeus consideram antissemita? Deverá ele também passar por uma limpeza e branqueamento de acordo com os padrões da ADL?
Nossa dolorosa posição em 1983 foi, portanto, necessária para manter fora da sagrada liturgia todas as mudanças fabricadas por Bugnini em 1955, que levaram logicamente à liturgia Novus Ordo fabricada por Bugnini em 1969. A FSSPX encontra-se num dilema neste momento pela mesma razão que aceitou, no Missal de 1962, as reformas iniciais de Bugnini. Como então dizer “não” ao velho modernista agora, quando ele exige essa concessão aos judeus, se eles já aceitaram a concessão de João XXIII aos judeus no Missal de 1962?
ONDE ISSO TERMINA?
Uma consideração adicional na oração ratzingeriana é: onde isso termina? Se as orações da Missa Católica devem ser alteradas conforme cada religião falsa as considere ofensivas, o que restará da Missa Católica? E quanto às referências a “esmagar os inimigos da Igreja”, uma referência evidente tanto a protestantes quanto a muçulmanos, na coleta de São Pio V? Ou a oração na Missa pela Propagação da Fé, que reza para que todos os povos reconheçam Jesus Cristo como o Filho de Deus? Não é isso ofensivo para os judeus? Se o apaziguamento de judeus e não católicos por parte de Ratzinger for levado à sua conclusão lógica, a liturgia católica poderia ser comparada à carcaça de um búfalo africano sendo devorada por um bando de hienas.
ISSO JÁ FOI TENTADO ANTES…
Esse exato ponto foi percebido em 1928. Havia um grande grupo de clérigos chamado Amici Israel (Amigos de Israel) na década de 1920, que pedia a remoção da palavra perfidis da oração da Sexta-feira Santa. Esse grupo era composto por nada menos que 2.000 padres, 328 bispos e 19 cardeais, entre eles o famoso Cardeal de Munique, Michael von Faulhaber (1869–1952). O grupo foi formado em Roma em 1926. Seu objetivo era o aprofundamento da reconciliação entre cristãos e judeus. Não se deve esquecer de que a década de 1920 foi um período de febril atividade ecumênica. Isso encontrou uma condenação muito forte pelo Papa Pio XI em 1928, em sua encíclica Mortalium animos, que condenou o movimento até suas raízes e princípios fundamentais.
[Nota d’O Recolhedor: Convém citar aqui este trecho do verbete da enciclopédia Britannica sobre Von Faulhaber, bastante revelador: “Repelido pelo totalitarismo nazista, pelo neopaganismo e pelo racismo, Faulhaber contribuiu para o fracasso do Putsch de Munique de Hitler (1923), uma tentativa de oposição à República de Weimar por meio de uma revolução nacional. Durante o regime nazista, ele proferiu seus famosos sermões intitulados ‘Judaísmo, Cristianismo e Alemanha’ (traduzidos em 1934), que enfatizavam as raízes judaicas do cristianismo e apontavam que os ensinamentos do Novo Testamento seguiam logicamente os do Antigo. Ele enfatizou, ainda, que as tribos germânicas só haviam se tornado civilizadas após a cristianização e afirmou que os valores cristãos eram fundamentais para a cultura alemã. Ao longo de seus sermões até o colapso do Terceiro Reich (1945), Faulhaber criticou vigorosamente o nazismo, apesar da oposição governamental. Atentados contra sua vida foram realizados em 1934 e 1938. Ele trabalhou com as forças de ocupação americanas após a guerra e recebeu a maior condecoração da República da Alemanha Ocidental, a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.”]
Os Amici Israel pediram a Pio XI em 1928 que a palavra perfidis fosse removida da oração pela conversão dos judeus na Sexta-feira Santa. Pio XI encaminhou o assunto à Congregação dos Ritos. Um de seus consultores, o conhecido beneditino Ildefonso Schuster (1880–1954), mais tarde Cardeal-Arcebispo de Milão, defendeu a mudança, afirmando que perfidis havia mudado de significado nas línguas modernas. Ele argumentou que é facilmente entendido como significando pérfido no sentido moderno, isto é, “perverso”, “iníquo”. Nisso ele estava perfeitamente correto; o termo moderno “pérfido” em quase todas as línguas modernas significa algo diferente do latim perfidus, e especialmente no contexto da oração da Igreja na Sexta-feira Santa.
Como vimos acima, a perfídia judaica, na visão da Igreja, é o termo apropriado para sua forma de infidelidade. Eles não podem ser chamados de hereges, pois não são batizados. Porém, distinguem-se de outros infiéis, como muçulmanos, budistas, etc., que nunca conheceram a Revelação.
Assim, o termo “perfídia” é atribuído à sua infidelidade, com o significado de que são infiéis à sua própria Lei e aliança ao não aceitarem o verdadeiro Messias. A relação dos judeus com Deus é de aliança ou pacto. Em latim, a palavra perfidus é usada em relação a alguém que é infiel ao seu acordo ou contrato.
O leitor faria bem em consultar Levítico 26,14–45 para compreender a ira de Deus sobre os judeus caso quebrassem a Lei e a aliança. É ensinamento da Igreja Católica que a Lei e a aliança se cumprem em Cristo e na sua Igreja, a Igreja Católica Romana. O prolongamento do judaísmo, que é a rejeição de Cristo como o verdadeiro Messias, consiste numa infidelidade a Deus como a outra parte no contrato solene e sagrado da aliança, posteriormente ratificado pela Lei Mosaica.
REJEITADO POR PIO XI
A Sagrada Congregação dos Ritos aprovou em 1928 a proposta de reforma, isto é, a remoção de perfidis da oração pela conversão dos judeus. O assunto foi então encaminhado ao Santo Ofício.
O Teólogo da Corte Papal, Marco Sales, O.P. (1877–1936), respondeu que a oração é tão antiga que não deveria ser alterada. Ele também disse que se trata de um poço sem fundo, ou seja, que se essa mudança fosse feita, muitas outras seriam exigidas com base no mesmo princípio.
Mas o Cardeal Merry del Val (1865–1930), a quem São Pio X considerava um santo vivo e que era então Secretário do Santo Ofício, respondeu com uma negatividade ainda maior. Ele disse que o que os Amici Israel queriam já não era a conversão dos judeus, mas a passagem dos judeus do reino do Pai para o reino do Filho. Em outras palavras, em tal esquema, não seria necessário que os judeus repudiassem o judaísmo para serem considerados cristãos. O Cardeal declarou que tal posição era inaceitável. Afirmou que a oração pelos judeus na Missa dos Pré-santificados era venerável por sua antiguidade e que era algo que não poderia ser reformado.
O Cardeal acrescentou ainda que o termo perfidus no rito antigo expressa a “abominação pela rebelião e traição” dos judeus. O julgamento do Santo Ofício foi: nihil esse innovandum (“nada deve ser mudado”).
O decreto que suprimiu os Amici Israel afirmava que o judaísmo era “o depositário das promessas divinas até Jesus Cristo”, e que não o é mais desde Jesus Cristo. Afirmava ainda que os judeus eram “o povo outrora eleito de Deus”. A implicação evidente é que, uma vez que essa eleição se tornou inválida, também a Aliança, na qual a eleição de Deus se manifesta, foi encerrada e revogada.
O Papa Pio XI aprovou a decisão do Santo Ofício e foi além. Exigiu que os peticionários dos Amici Israel abandonassem toda a idéia, e a organização foi dissolvida.
Esse gesto de Ratzinger para com os judeus, que fracassou retumbantemente, é um indício da disposição dos modernistas de continuar a brincar com a Missa Católica em nome do ecumenismo. Se assim for, então para que ter a Missa tradicional? Como alguns já disseram, essa mudança na oração prova que a Missa tradicional é incompatível com o Vaticano II.
O BREVIÁRIO É O PRÓXIMO?
O Motu Proprio de Ratzinger permite explicitamente o uso do breviário de João XXIII de 1962. Nele, as referências aos judeus fazem a oração da Sexta-feira Santa no Missal parecer muito branda em comparação.
As leituras da Sexta-feira Santa em Tenebrae (Trevas), extraídas das obras de Santo Agostinho, acusam os judeus que crucificaram Cristo de serem “malfeitores” e “obstinados”. O santo Doutor acusa os judeus de serem culpados pela morte de Cristo, matando-o não com espadas, mas com suas línguas: “Mas ó vós, seu próprio povo judeu, vós em plena verdade o matastes. E como o matastes? Com a espada da língua. Pois como uma espada afiastes a vossa língua. E quando desferistes o golpe, senão quando gritastes: Crucifica-o, crucifica-o?”.
Muitas outras partes da Sagrada Escritura e dos comentários dos Padres falam negativamente da infidelidade judaica e sua participação na morte de Cristo. Será que elas também terão de desaparecer?
Heinrich Heine, o famoso escritor judeu pró-comunista na Alemanha do século XIX, disse: “Onde quer que queimem livros, acabarão também, no final, por queimar seres humanos”.
MODERNISMO E CATOLICISMO: INCOMPATÍVEIS
A mudança feita por Ratzinger significa que estamos de volta aos anos 1960. Quem viveu naquela década lembrará de sua Missa sendo recortada, diluída, alterada e truncada pouco a pouco, mês após mês, ano após ano. Os tradicionalistas que clamaram pelo Missal de 1962 querem algo que não mude. O gesto de Ratzinger aos judeus, contudo, estabelece o princípio de que tudo o que houver no Missal de 1962 — ou no breviário — que não seja conforme ao Vaticano II deve ser eliminado. O caso também mostra que o catolicismo e o ecumenismo — que é o modernismo — são absolutamente antitéticos, e que qualquer tentativa de juntá-los fracassará tão miseravelmente quanto essa oração. Será que a Fraternidade de São Pio X algum dia entenderá isso?
Além disso, deve-se notar que, apesar das empolgantes mitras barrocas de Ratzinger e das deslumbrantes capas pluviais floridas completas com arabescos bordados à mão — ambas usadas por ele no Natal — ele não deu um único passo atrás em relação ao verdadeiro problema que infecta nossas instituições católicas: o ecumenismo. O velho modernista está tão determinado como sempre a enfiar o ecumenismo goela abaixo dos católicos, mesmo que tenha de administrar o veneno usando uma imponente mitra barroca e uma capa esplêndida. No entanto, tantos católicos tradicionais olham para essas vestes, que não passam de figurinos teatrais se não estiverem revestindo a verdade, e sentem arrepios por causa da ilusão de que, com Ratzinger, o fim do Vaticano II e do modernismo estaria próximo.
ADEREÇOS DA TRADIÇÃO PARA SALVAR A REVOLUÇÃO
Os estudiosos da história sabem que todos os grandes revolucionários que tiveram sucesso em estabelecer suas revoluções não foram os radicais como Robespierre e Júlio César, mas os moderados como Napoleão e Augusto, que respeitaram cuidadosamente as instituições, tradições e adereços existentes, mas usaram inteligentemente essas coisas como lubrificante para deixar passar a substância de sua reforma.
O mesmo pode ser dito de Cromwell, cujo regime radical não durou, mas cujos princípios perduraram porque foram camuflados na monarquia pela restauração dos Stuarts na pessoa de Carlos II em 1661. Os puritanos radicais haviam cortado a cabeça do seu rei Carlos I em 1649, estabelecido a supremacia do Parlamento sob o seu controle e, pouco depois da morte de Cromwell em 1658, convidaram de volta um rei, Carlos II, que se tornou o que os monarcas britânicos têm sido desde então: criaturas impotentes do Parlamento que desfilam fantasiadas de tempos em tempos, ocupando seus dias, em muitos casos, com imoralidade e passatempos luxuosos. A revolução estabeleceu-se sob a cobertura dos mantos barrocos de renda e veludo de Carlos II. A prova disso é que quando Jaime II, sucessor de Carlos, tentou desfazer o que os puritanos tinham feito, foi expulso do trono no que é dubiamente intitulado a “Revolução Gloriosa” de 1688.
A revolução de Ratzinger foi o Vaticano II. Ele foi um de seus principais arquitetos e mentores. Ele foi seu parteiro. Sua revolução está agora em apuros, à medida que seus efeitos são sentidos: deserção generalizada da juventude de qualquer religião, a “apostasia silenciosa” da Europa, o desaparecimento das vocações. Ele está tentando salvar sua revolução pelos métodos testados e comprovados dos antigos revolucionários. Como a história também prova, a maioria dos conservadores cai nessa.
GENUFLEXÃO DIANTE DOS JUDEUS
Todo esse descalabro começou com um único gesto ecumênico em 1955: a adição da genuflexão na oração pela conversão dos judeus. Os apologistas das reformas de Bugnini de 1955, como a FSSPX, argumentam que não se está fazendo genuflexão aos judeus, mas a Deus. Embora se possa argumentar corretamente que a genuflexão é dirigida a Deus e não aos judeus, e que não há necessidade intrínseca de omitir essa genuflexão, e que não ofende a fé inseri-la, também se pode argumentar corretamente que foi a primeira vez em que a liturgia católica foi submetida às exigências do ecumenismo. Foi a primeira vez que uma falsa religião conseguiu se afirmar no santuário católico. Não seria, ao menos simbolicamente, uma genuflexão diante dos judeus?
A força da Igreja Católica, no entanto, reside precisamente no fato de não permitir que qualquer consideração temporal afete sua doutrina, sua liturgia ou suas disciplinas essenciais, sejam elas políticas, falsas religiões ou guerras. A Igreja navega através das tempestades humanas e das vicissitudes de pensamento e moda como se elas não existissem. O propósito da Igreja Católica é dar testemunho da verdade, como disse seu Divino Mestre e Fundador, prestes a ser crucificado por aqueles que não eram da verdade, ninguém menos que os próprios judeus no pátio de Pilatos gritando “Crucifica-o!”.
Não serve nem ao testemunho da verdade nem à caridade que a Igreja deve aos judeus chamar a sua rejeição de Cristo de uma religião verdadeira, ou dizer ou mesmo insinuar que eles não têm necessidade de conversão ao catolicismo romano. Não querer essa conversão, não rezar por ela, não lutar por ela, é o maior insulto que podemos oferecer aos judeus, a maior falta de caridade para com eles, bem como uma blasfêmia fulminante contra a dignidade messiânica, a realeza e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
(MHT Seminary Newsletter, Março de 2008)
[1] Robert G. Weisbord e Wallace P. Sillanpoa, The Chief Rabbi, the Pope, and the Holocaust: An Era in Vatican-Jewish Relations, Transaction Publishers, 1992, p. 171.
[2] 6 de fevereiro de 2008.
[3] Na época de nossa expulsão da Fraternidade de São Pio X em 1983, fomos acusados de não sermos obedientes ao papa, ou seja, a João XXIII, porque não aceitávamos o seu missal. No entanto, o Padre Scott elogia claramente aqueles padres que rejeitam as mudanças que João XXIII fez em 1959. Observe o uso do termo “tentou remover”. Tentou? Se ele era o Santo Padre, então ele de fato removeu essas palavras. Como o seu ato poderia ser uma mera tentativa, a menos que, por alguma razão, ele não fosse o Santo Padre? Como os tempos mudam!
