AS FALSAS DIREITAS
Padre Joaquín Sáenz y Arriaga, S.J.
O presente trabalho do Presbítero Dr. Joaquín Sáenz y Arriaga, prestigioso teólogo e esclarecido patriota mexicano, foi publicado pela primeira vez em Cruzado Español, nº 272–274, Ano XII. Sua publicação em nosso país, embora prematura, é uma nova contribuição para a árdua tarefa de esclarecimento na qual estamos empenhados, enfrentando a vasta manobra confusa desencadeada por “distintos pensadores católicos”, cujas intenções não julgamos, mas cuja conduta leva inevitavelmente à abolição dos princípios fundamentais da Tradição heleno-cristã, à destruição da Igreja e à entrega da Nação aos poderes judaicos do mundo.
Mar del Plata, 14 de dezembro de 1969, Festa de Santa Bárbara, Padroeira da Artilharia, excluída do calendário de santos graças à heresia conciliar.
Editorial Montonera
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I
Um dos fenômenos mais impressionantes, na angustiosa crise que aflige o mundo em nossos dias, é, sem dúvida, a falsidade, a dissimulação, a simulação e a hipocrisia com que o mal atualmente se oculta, se disfarça e se apodera progressivamente das instituições mais sãs e refratárias ao influxo do erro e do vício. São infiltrações silenciosas, imperceptíveis, que, depois de entrarem sem serem notadas, se expandem, se impõem, dominam, corrompem e associam os incautos aos ataques demolidores dos adversários; são as falsas direitas que pululam hoje em toda parte, para destruir desde dentro, enganar os bons e paralisar, ao menos, as legítimas defesas daqueles que lutamos ou queremos lutar pela conservação e defesa de nosso patrimônio espiritual.
Também na Igreja ou, para dizê-lo com mais precisão, nos homens e organizações da Igreja, abundam nestes tempos calamitosos as falsas direitas, os emboscadores, os que aparentam defender a Fé e a moral, quando na verdade as combatem, deturpam e destroem. Esta tem sido a arma eficacíssima da conspiração secular judaico-maçônico-comunista para realizar aquilo que o Sumo Pontífice chamou de autodemolição do catolicismo.
Os inimigos estão dentro; aparentam defender nossa causa, falam de progresso, de uma nova primavera, de acomodação, de um período difícil de transição; mas, na realidade, dirigem com afinco seus golpes certeiros e demolidoras ao mesmo alvo que perseguem nossos inimigos mais raivosos. As infiltrações na Igreja são o perigo mais grave, a ameaça mais aterradora para o catolicismo contemporâneo.
Uma perseguição sangrenta não teria sido mais funesta para a Igreja.
E essas infiltrações abarcam todo o organismo vivo da Igreja. Infiltrações judaicas, infiltrações maçônicas, infiltrações comunistas — que, no fundo, são todas a mesma coisa. Por isso, a linguagem do progressismo assemelha-se tanto à linguagem da Cabala, do Talmude, das lojas e seitas esotéricas, do comunismo internacional.
Não devemos nos surpreender com essa espantosa confusão. O próprio Divino Mestre já nos havia advertido: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós vestidos de peles de ovelha, mas por dentro são lobos vorazes”. O redil encontra-se agora infestado desses lobos vestidos de ovelhas, que são muitas vezes recebidos com honras e lisonjas pelos próprios pastores encarregados da defesa, conservação e bem-estar do rebanho.
Charles Davis (ex-sacerdote inglês), considerado um dos peritos conciliares de maior relevo e tido como o maior teólogo britânico antes de abandonar a Igreja Católica, afirma: “Sem titubear, admito como um fato evidente que há forças, dentro da Igreja Católica Romana, contrárias à sua estrutura atual, que tendem à dissolução ou eliminação das instituições existentes (...) A presente estrutura institucional da Igreja Romana implica um conceito particular de verdade. Se a nova concepção da verdade cristã triunfar em seu esforço por se tornar dominante, isso provocará, a meu ver, a dissolução dessa estrutura. Por esse motivo, creio que os temores dos conservadores são bem fundamentados”.
Essa é uma confissão feita por um infiltrado que soube e pôde ascender aos altos postos da Igreja, até ser considerado um dos peritos do Concílio. Não há dúvida: a Igreja está cheia de infiltrados que procuram fazer o jogo do inimigo e reformar ou reestruturar a obra divina ao seu gosto e capricho. Com razão escreve o próprio Davis: “Capítulo após capítulo dos volumes pós-conciliares e dos discursos de Rahner, Küng, Schillebeeckx e outros peritos demonstram claramente seus pontos de vista completamente anticatólicos e sua inconformidade com os resultados atuais do Concílio Vaticano II, para não mencionar outras crenças oficiais católicas”.
Essas infiltrações não são fruto de geração espontânea. Alguém as fez. Foram planejadas com antecedência, com paciência, com experimentações, com dinheiro. Foram realizadas com suma habilidade, com tato refinado, com inteligência diabólica. Ao observador consciente, que estuda, que compara, que associa traços semelhantes e comuns, não pode passar despercebida a presença de uma conspiração universal que ostenta os caracteres inconfundíveis do mecanicismo materialista do judaísmo internacional, que hoje, como ontem, se empenha em eliminar Cristo, em destruir a Igreja.
As palavras de São Pio X, em sua encíclica dogmática Pascendi Dominici Gregis, parecem adquirir um sentido profético: “Falamos (...) de grande número de católicos leigos e, o que é ainda mais deplorável, de sacerdotes, que, sob pretexto de amor à Igreja, completamente destituídos de conhecimentos sérios em Filosofia e Teologia, e impregnados, pelo contrário, até à medula dos ossos com erros venenosos bebidos nos escritos dos adversários do catolicismo, apresentam-se, com desprezo de toda modéstia, como ‘restauradores’ da Igreja, e em falange cerrada assaltam com audácia tudo o que há de mais sagrado na obra de Jesus Cristo, sem respeitar nem mesmo a própria pessoa do Divino Redentor, a quem, com sacrílega temeridade, rebaixam à categoria de simples homem”.
E as palavras seguintes da encíclica respondem ao sofisma com que hoje se pretendem encobrir as heresias e os inauditos desmandos desses inovadores: “Esses homens se admiram de que os coloquemos entre os inimigos da Igreja. Mas disso não se admirará ninguém que, prescindindo das intenções, reservadas ao juízo de Deus, conheça suas doutrinas, sua maneira de falar e de agir. São, com efeito, inimigos da Igreja, e não errará quem afirmar que esta (a Igreja) jamais os teve piores. Pois, como já dissemos, tramam a ruína da Igreja, não de fora, mas de dentro; em nossos dias o perigo se encontra quase nas próprias entranhas da Igreja e em suas veias; e o dano produzido por tais inimigos é tanto mais inevitável, quanto mais profundamente conhecem a Igreja”.
Assim fala um Papa e um santo, que não apenas tinha a assistência do Espírito Santo, mas que, em sua virtude heroica, em seu infatigável zelo pela Igreja e em sua entrega total a Deus, soube corresponder às graças e carismas recebidos para cumprir fidelissimamente sua altíssima missão. Por isso não teme denunciar os infiltrados nem chamar os inimigos de Deus e da Igreja pelo seu próprio nome.
E continua o Santo Pontífice: “Acresce que eles aplicaram o machado não aos ramos, nem aos brotos frágeis, mas à raiz da vida imortal; empenham-se em fazer com que o vírus circule por toda a árvore, e em tais proporções que não há parte alguma da fé católica onde não ponham suas mãos, nenhuma que não procurem corromper”.
Não creio que se possa expressar com maior energia, com mais clareza e com mais luz divina a situação pavorosa e indescritível pela qual está passando, em sua agonia e calvário, a Igreja fundada por Cristo.
Com razão Teilhard de Chardin preferia permanecer dentro da velha estirpe romana, para realizar desde dentro sua reforma diabólica, não apenas nas instituições, mas na própria Fé: uma reforma total e radical, levada a cabo por inimigos infiltrados no seio da Igreja, com hábitos, com sotanas, com títulos, com prelazias — talvez com as mais altas dignidades.
II
Mas a audácia dos inimigos tem sido ainda maior. Para impedir a reação salutar, para frustrar toda defesa legítima, organizaram diabolicamente as falsas direitas, que, simulando estar com a Tradição, com os grupos que querem defender a Igreja, na realidade infiltram as partes sãs do organismo e, secretamente, seguem as consignas e apoiam as táticas calculadas do inimigo. As falsas direitas são mais perigosas, talvez, do que os inimigos abertos e descarados.
Essa é também uma tática eminentemente judaica. Quando, nos Estados Unidos, organizou-se uma resistência saudável contra a corrupção e a desordem reinantes, um judeu se dispôs a encabeçar esse movimento. [Barry] Goldwater, antes de sua eleição como candidato do Partido Republicano, realizou uma das campanhas mais espetaculares da história do povo americano, denunciando com energia inaudita os males gravíssimos que estavam destruindo a integridade da Nação. Mas, uma vez escolhido candidato, sua campanha foi tão desajeitada, tão absurda, que precipitou inevitavelmente a derrota dos republicanos e a trágica paralisação daquela reação salutar e necessária.
É um caso nas Américas, como poderíamos citar outros casos semelhantes na Europa. Que é a Democracia Cristã? Fachada cristã e conteúdo comunista — um partido que comprometeu os interesses nacionais, a paz interna dos povos onde domina, e que, cautelosamente, foi preparando o advento do socialismo comunizante. O prefeito de Florença, Giorgio La Pira, com suas inexplicáveis conexões no Kremlin e no Vaticano, soube preparar o triunfo cada vez mais iminente do comunismo na Itália — e talvez no mundo.
Outra falsa direita encontramos na França. Quase não ouso nomeá-la, porque sei muito bem que, com seu dinheiro, conseguiu recrutar muita gente. No entanto, calar seria covardia. Trata-se da obra de Jean Ousset. É inegável que sua atividade editorial e publicitária foi — e é — grandiosa. Mas não há uma luta franca; não há confronto aberto; há um esmero extremo em jamais nomear o inimigo. Falei diversas vezes com Jean Ousset; ele admitiu que minhas observações eram corretas. Mas suas explicações ou os argumentos com que defende sua posição, aparentemente inexpugnável, não me convenceram. Não quero ofender nem ferir a personalidade deste escritor católico. Se o associo entre as falsas direitas, é porque seus atos assim o proclamam. De suas intenções internas não julgo; só Deus é juiz das consciências.
Na Espanha também há falsas direitas. Ali, o problema é mais espinhoso para emitir um juízo categórico. No entanto, é preciso dizer algo do muito que poderíamos dizer. Lembro-me, em tempos já passados, daquele grupo fundado pelo Padre Ángel Ayala, S.J., chamado grupo dos Propagandistas Católicos. A ideia era magnífica: preparar defensores da Verdade. Porém, nem tudo se passou como havia sido planejado. Durante a República, Gil Robles, Propagandista Católico, quis salvar a Pátria e a Igreja aliando-se ao inimigo e jogando com ele o jogo democrático. Dos Propagandistas saiu também Don Joaquín Ruiz Giménez, que conhecemos no México e cujos Cuadernos para el diálogo foram e são escândalo permanente, pois, simulando catolicismo, falam de marxismo.
No México, também tivemos muitas falsas direitas. Desde os tempos da perseguição religiosa, não faltaram inimigos disfarçados que, afirmando defender a Igreja, faziam pactos secretos com seus perseguidores. Não falo dos traidores, dos Judas que venderam o Mestre. Refiro-me aos infiltrados nas organizações autenticamente católicas, aos que falavam de luta e de defesa, mas pareciam fazer greves de braços cruzados; falo dos que sempre estavam insatisfeitos com o que outros faziam, dos que eram “longos em contá-las e curtos em realizá-las”; falo dos que encontravam dificuldades e imprudência em toda iniciativa; dos prudentes secundum carnem (“segundo a carne”).
Os dias amargos da sangrenta perseguição religiosa, que deveriam ter unido estreitamente todos os católicos do México — ou seja, todo o povo mexicano — foram, na realidade, motivo de divisões, ressentimentos e amargas inconformidades. Aqueles que verdadeiramente haviam dado a batalha, os heroicos Cristeros, os membros da Liga Nacional Defensora de la Libertad Religiosa (LNDLR), a gloriosa Asociación Católica de la Juventud Mexicana (ACJM), fundada pelo Padre Bernardo Bergöend, foram postergados, traídos e esquecidos pelos defensores de última hora, pelos oportunistas que cautelosamente haviam pactuado com os perseguidores. Assim é o mundo.
Para eliminar as defesas do povo mexicano, surgiu então um partido político e uma organização popular apolítica: os primeiros lutando no campo político, jogando o jogo da democracia; os outros, sofrendo resignadamente as prisões, os golpes, a própria morte. PAN e SINARQUISMO, dois grupos antagônicos que, no entanto, estavam cumprindo sua missão histórica: salvar a revolução e permitir que seguisse adiante a progressiva socialização do México.
Agora, no campo estudantil — onde se travam as mais fortes e impressionantes batalhas — surge uma falsa direita que é traição à sua origem, é compromisso consciente com os inimigos, é ataque insidioso, calúnia e mentira organizada. Refiro-me ao Movimiento Universitario de Renovadora Orientación (MURO) e todas suas ramificações secretas, dirigidas das sombras pela mão hebraica do engenheiro Ramón Plata Moreno. Saúdo respeitosamente tantos jovens enganados, animados pelos mais nobres anseios de servir à Igreja e à Pátria, e que foram ludibriados pelos dirigentes do MURO. Mas com igual sinceridade, condeno os traidores, os dirigentes dessa falsa direita, os que não têm escrúpulos para empregar procedimentos imorais, publicamente conhecidos em todo o México, e próprios dos mais vis inimigos da Igreja e da Pátria.
“Guardai-vos dos falsos profetas”, é o conselho do Mestre.
“Pelos seus frutos os conhecereis”. Temos o critério para julgá-los e para desmascará-los.
Hoje, mais do que nunca, é preciso estar alerta e evitar essas infiltrações nos organismos sãos e sinceros.
