CRIMINOSOS DE GUERRA
Seleção de artigos (2009–2010)
Norberto Toedter
1. EDVARD BENEŠ

Edvard Beneš assumiu em 1935 a presidência da Tchecoslováquia, e acabou sendo um dos mais odientos e abomináveis criminosos da Segunda Guerra, responsável direto por uma limpeza étnica das mais cruéis da história. Mas antes de falar dele, precisamos abordar a questão da Tchecoslováquia, considerada por muitos um dos motivos desencadeadores da Segunda Guerra.
Vemos abaixo mapas de como a região da Tchecoslováquia ficou após o Tratado de Saint-Germain-en-Laye, de 10 de setembro de 1919. O que vemos como sendo a Tchecoslováquia era antes uma região que fazia parte do Império Austro-Húngaro. Era habitada por tchecos (42%), alemães (23%), eslovacos (22%), magiares (5%), judeus (4%) e outros (4%).




Já durante a Primeira Guerra (1914–1918), os tchecos haviam demonstrado tendências separatistas, constituindo até contingentes que lutaram ao lado da Rússia. Com o fim daquela guerra e da dupla monarquia, eles ocuparam militarmente toda a região alemã e expulsaram o recém-formado governo da Boêmia Alemã. Assim, portanto, criou-se vinte anos antes da Segunda Guerra uma nação que até então não existira. Tudo ratificado pela Entente aliada.
Quando Edvard Beneš assumiu a presidência do país em 1935, já era evidente o sucesso popular do novo governo nacional-socialista alemão, com influências políticas não só na própria Áustria, mas também nas áreas perdidas por esta poucos anos antes. Beneš proibiu o partido nacional-socialista que já se formara na Tchecoslováquia — que, entretanto, se transformou no Partido dos Alemães Sudetos e, em pouco tempo, tornou-se majoritário. Isso obviamente provocou crises políticas no país, que acabaram resultando na reunião em Munique de Chamberlain, Daladier, Mussolini e Hitler, representando respectivamente Grã-Bretanha, França, Itália e Alemanha. Ali, em 29 de dezembro de 1938, firmou-se o chamado Acordo de Munique, através do qual, respeitando a prometida autodeterminação dos povos, as áreas de população alemã foram incorporadas à Alemanha. Com isso, Beneš renunciou e foi para Londres, onde constituiu um governo paralelo. Três meses depois, a Eslováquia declarou-se independente, e a região tcheca restante, através do seu governo provisório, pediu a Hitler que assumisse o protetorado dela.
Beneš não deu trégua. Em 1944, perante a Câmara em Londres, declarou: “A revolta deverá ser violenta, um poderoso acerto de contas com os alemães… Deverá ser uma luta sangrenta e sem clemência”. Na BBC, no mesmo ano: “Em nosso país, o fim da guerra será sangrento”. Em maio de 1945, voltou a Praga como presidente e decretou, entre outras medidas:
- Confisco de bens na agricultura;
- Congelamento dos bens financeiros dos alemães, inclusive poupanças e contas correntes;
- Liquidação da Universidade Alemã de Praga (fundada em 1348);
- Liquidação da Igreja Evangélica, com confisco dos seus bens.
Em 3 de junho de 1945, proclamou em discurso em Tabor: “Arranquem os alemães de suas casas, arrumem lugar para nossa gente — deveríamos ter feito isto em 1918”.
Beneš foi o responsável pela expulsão de mais de três milhões de alemães de seus lares e de suas terras colonizadas há centenas de anos pelos seus antepassados. Cerca de 250.000 foram assassinados, muitos deles a pauladas. O mais tristemente famoso dos seus decretos foi o de nº 115, de 8 de maio de 1946, que declarava legais e impunes todos os bárbaros crimes praticados em relação e por conta da limpeza étnica, da expulsão dos alemães. Os decretos de Beneš continuam em vigor até hoje. Ninguém foi indenizado, e ninguém conseguiu retomar suas posses. Mas o Estado tchecoslovaco ganhou muito dinheiro com isso. Apenas o valor das posses agrícolas confiscadas foi estimado em 100 bilhões de coroas tchecas. Para comparar: o orçamento anual do país em 1934 foi de 7,6 bilhões de coroas.
A Eslováquia, então independente, aliou-se ao Eixo em 1940, voltou a fazer parte da Tchecoslováquia em 1945 e novamente se separou da hoje República Tcheca em 1º de janeiro de 1993. Os tchecos permaneceram neutros sob o protetorado alemão, com exceção dos 5.000 voluntários que se alistaram na SS.
Como é que Edvard Beneš conseguiu mobilizar tanto ódio?
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2. FRANKLIN DELANO ROOSEVELT

Já sei por que o número de mortos no bombardeio de Dresden em 1945 baixou agora de 250.000 para parcos 25.000 (segundo a TV alemã). É a conclusão à qual chegou recentemente uma comissão de historiadores instalada pela prefeitura daquela cidade. Sem entrar no seu mérito, cabe perguntar: esse “revisionismo” pode? Não é crime, como o quer nosso deputado Itagiba?
Mas as revisões honestas, objetivas, justificadas continuam a pipocar, deixando os falsificadores da história da Segunda Guerra desnorteados. A verdade dos fatos começa a despontar por todos os lados. Por mais que os arquivos oficiais sejam mantidos sob sete chaves, outras fontes são exploradas e informações espantosas são encontradas.
Franklin D. Roosevelt, por exemplo, tinha um genro, Curtis B. Dall. Este genro escreveu um livro, F.D.R., my exploited father-in-law (“F.D.R., meu sogro explorado”), publicado em Tübingen pela Grabert em 1975 sob o título alemão Amerikas Kriegspolitik.

Conta Dall (o genro) que, em 1932, durante a campanha eleitoral, Roosevelt recebeu a constante visita de Felix Frankfurter, Henry Morgenthau Jr. e Bernard Baruch. Eram exatamente os homens que escolhiam os candidatos à presidência e vice-presidência, tanto para os Republicanos quanto para os Democratas. Para não ter erro. Como presidente, passou logo a ser personalidade de destaque na política global, influenciada e dirigida por seus conselheiros e pelos representantes do poder financeiro. Seu genro o caracteriza como “escravo”. Quem cria o “estadista” são os homens por atrás dos bastidores, que exercem o verdadeiro poder, fortemente apoiados pela imprensa. Entre os conselheiros de Roosevelt, Bernard Baruch (antes da Primeira Guerra possuía um milhão de dólares e, quando terminou, tinha duzentos milhões) ocupava o primeiro lugar. Financiava as despesas iniciais. O segundo em importância era o Prof. Felix Frankfurter, que se preocupava com o preenchimento dos principais cargos no governo. Foi ele próprio Secretário das Finanças.
Teria sido Baruch também quem tratou e desenvolveu os preparativos para a guerra. Desde 1934 insistia que fossem elaboradas leis para a mobilização do país. Fez com que as forças armadas fossem aumentadas, modernizadas e mecanizadas; criada uma frota para dois oceanos e que se construíssem mais e mais aviões.
Consta que Roosevelt era totalmente despreparado em política internacional e descrito como egoísta, convencido, ambicioso e arrogante. Sob influência dos seus conselheiros, conduziu seu país para a guerra.
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3. WINSTON CHURCHILL

Vimos as “eminências pardas” dos Estados Unidos, os homens que naqueles tempos comandavam o país por trás dos bastidores. Os candidatos à presidência e vice eram (eram?) escolhidos antes da eleições, para ambos os partidos.
Agora quero falar de uma figura do outro lado do Atlântico, talvez mais conhecida, que por causa da guerra se tornou emblemática até. O homem do “sangue, suor e lágrimas”. Lembram? Seu nome era Winston Churchill.
Churchill nascera em 1874, filho de lorde inglês com mãe norte-americana. Entrou para a política, mudou várias vezes de partido, ocupou vários cargos, pintou quadros sob pseudônimo, acabou escrevendo livros importantes. De 1929 a 1939, ficou sem cargo. Era meio que considerado um brilhante fracassado. Mas foi surpreendentemente resgatado desse ostracismo no início da Segunda Guerra, sendo nomeado Primeiro Lorde do Almirantado, e assumindo poucos meses depois, em maio, o comando geral britânico como Primeiro Ministro.
Essa volta ao cenário talvez tenha explicação. Já durante a Primeira Guerra começara a desenvolver uma amizade com Bernard Baruch (mais tarde conselheiro de Roosevelt). Quando Churchill se ligou à organização chamada “Focus” (fazia na Inglaterra propaganda anti-nacional-socialista), Baruch e seu colega Frankfurter passaram a lhe dar atenção especial. Churchill já havia sido socorrido financeiramente por Baruch na crise de 1929. Em 1938 voltou a deparar com a insolvência, quando despencou o valor de ações americanas que possuía. Devia 18.000 libras ao seu corretor. No desespero, colocou sua casa de campo à venda. Aí surgiu um dos ricaços da City londrina, Henry Strakosch, natural da Morávia, emprestando-lhe o necessário para resgate em três anos. Ninguém sabe a que condições. Teria sido um ato de generosidade, ou teria sido algo mais? Ajudou a cooptar Churchill para as fileiras daqueles que queriam a todo custo uma nova guerra contra a Alemanha?
No verão europeu de 1939 se iniciou uma grande campanha pró-Churchill, com a participação de quase toda a imprensa. Pouco antes do início da guerra, Churchill recebeu provavelmente a visita do conselheiro presidencial americano Felix Frankfurter. Este esteve em Londres no mês de julho, em visita mantida sob extraordinário sigilo. Tudo indica que já esta oportunidade marcou o início de movimentada correspondência entre o presidente dos Estados Unidos e o ainda pouco expressivo deputado ao parlamento britânico.
Com mais essa breve descrição se descortina o entorno dos verdadeiros promotores da Segunda Guerra. Mas reservei para o próximo capítulo desta breve série o personagem mais interessante e surpreendente. São aspectos novos que vêm sendo revelados. Aumentam a convicção, mas todos confirmam que a Alemanha não tinha como escapar. Se correr o bicho pega, se ficar…
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4. JOSEF STALIN

Da “frente ocidental” pulamos agora para a “oriental” (ou será que era tudo uma panela só?). Temos ali a figura em evidência: Jossif Wissarionowitsch Stalin — na verdade, Dschugaschwili.
Que o seu governo foi cruel e sanguinolento não é novidade para ninguém. Também já tem sido bastante comentado que a União Soviética, por ele dirigida, não foi aquela pobre e indefesa vítima de uma agressão perpetrada por Hitler em 22 de junho de 1941. Era Stalin quem já vinha concentrando enorme força de ataque ao longo da fronteira, quando foi surpreendido pela reação preventiva alemã.[1] Bem menos divulgado é o fato denunciado pelo pesquisador americano Antony C. Sutton em seu livro National Suicide: Military Aid to the Soviet Union (“Suicídio Nacional: Ajuda Militar à União Soviética”) (Arlington House, 1973). Ali ele comprova a existência de um contrato secreto entre Stalin e Roosevelt acordado em 1938, através do qual este se comprometia a suprir a União Soviética com uma longa lista de recursos estratégicos. O fornecimento começou em janeiro de 1939, portanto bem antes do início da Segunda Guerra. O acordo foi feito sem o consentimento do congresso americano e deixa claro que houve uma parceria planejada nos bastidores.

Mas quem era este poderoso líder soviético? Boris Baschanow, em Ich war Stalins Sekretär (“Eu fui secretário de Stalin”) (Ullstein, 1977), o descreveu como carente de educação e cultura, mau orador, avesso à leitura e de poucos interesses. Então como se explicaria que um homem de tão parcos recursos tivesse atingido poderes tão absolutos?

A resposta vem através de um livro de B. Uschkujnik, Paradoxe der Geschichte (“Paradoxo da História”) (Lühe-Verlag, 1986). Ao tempo do Czar, os judeus eram oprimidos na Rússia e, por consequência, quando da revolução comunista em 1917, engajaram-se em massa no movimento. A intelligentsia judaica se colocou logo na condução do levante. A adesão imediata da massa de 1,5 milhão de colaboradores judeus foi até mesmo uma surpresa para os próprios líderes bolchevistas. Na direção do partido eles assumiram papel preponderante. Segundo Baschanow, de 500 funcionários da alta administração soviética, 83% eram judeus.
O mais interessante nessas revelações (Uschkujnik) é que esse povo nada tem de semita: não era oriundo da Palestina, e sim de uma região hoje chamada de Cazaquistão, ao norte do Mar Negro e do Mar Cáspio. Eram os khazars (não achei uma grafia correta em português). Por volta de 740 d.C., eles adotaram a religião judaica. Fugindo de Genghis Kahn, assentaram-se mais a oeste (Rússia, Ucrânia, Polônia). Quem quiser maiores informações pode procurar também no Google por Arthur Koestler.[2]
Voltando ao personagem deste artigo. O povo dos khazars tem o costume de entronizar dois reis, um rei superior, kagan, com poderes ilimitados, e um bek, vice-rei e executivo. Quando os descendentes dos khazars assumiram o poder na Rússia, eles seguiram a mesma prática. Um dos poucos que nunca mudou seu nome foi Lazar Kaganowitsch (kagan = vide acima / -owitsch = descendente). Foi escolhido secretário do partido e detinha o poder total — era kagan. Ele fez de Dschugaschwili, vulgo Stalin, o seu bek. Colocou ainda três irmãos em altas funções, e o seu primo Lawrentij Berija no comando da famosa polícia secreta soviética. Os russos só reassumiram o poder com Chruschtschow, que derrubou o todo poderoso Kaganowitsch. O “ditador” Stalin, que se casara com uma filha de Kaganowitsch, já havia tentado se revoltar, mas foi neutralizado por Berija, acabando por sofrer morte suspeita.
[1] Cf. Viktor Suvorov, O Grande Culpado: O Plano de Stálin para Iniciar a Segunda Guerra Mundial (Amarilys Editora, 2010).
[2] Toedter se refere em particular ao seu livro Os Kharazes: A 13ª Tribo e as Origens do Judaísmo Moderno (Relume Dumará, 2005). (N.E.)
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Retirado de: A paz que não houve. O outro lado da história. Curitiba: Editora e Livraria do Chain, 2010, p. 78–81, e 111–117.
