CUM NIMIS ABSURDUM

Como por demais absurdo e inconveniente se apresenta que judeus, a quem a própria culpa submeteu à perpétua servidão, sob o pretexto de que a piedade cristã os receba e tolere coabitar com eles, sejam a tal ponto ingratos para com os cristãos, que lhes devolvam contumélia por graça e tratem de reivindicar um domínio sobre aqueles, em lugar da servidão que lhes devem; nós, a cujo conhecimento chegou recentemente que os mesmos judeus, na alma Urbe[1] e nalgumas cidades, terras e lugares da santa Igreja Romana, prorromperam numa insolência tal que não apenas coabitam misturadamente com cristãos e perto das igrejas deles, sem que haja qualquer distinção de vestidos, mas também alugam casas nos bairros e praças mais nobres[2] das cidades, terras e lugares em que vivem, comprando e possuindo bens estáveis, e ainda mantêm amas de leite e escravas, além de outros serventes cristãos que trabalham a soldo, atrevendo-se a perpetrar diversas outras coisas para ignomínia e desprezo do nome cristão, ao considerarmos que a Igreja Romana tolera os mesmos judeus para testemunho da verdadeira fé cristã e para que eles próprios, uma vez recebidos pela piedade e benignidade da Sé apostólica, reconheçam por fim os seus erros e se apressem em achegar-se à verdadeira luz da fé católica; e que, por causa disso, convém que, enquanto persistem nos seus erros, como resultado de seu ato, eles se reconheçam escravos e [aceitem] que os cristãos foram tornados livres por nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, e que algo iníquo é que os filhos da mulher livre sirvam aos filhos da escrava.


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