DESCLASSIFICADO: DOCUMENTO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO AMERICANO REVELA QUE EUGENIO PACELLI (PIO XII) FOI ELEITO PAPA FORA DO CONCLAVE
The Pacelli Archive
Fontes: (a) https://pacelliarchive.blogspot.com/2025/03/declassified-state-department-document.html; (b) https://radtradthomist.chojnowski.me/2021/11/us-friendly-contact-within-vatican.html
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
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Tradução do telegrama:
Fonte: Departamento de Estado
De: Roma
Para: Secretário de Estado
Nº: 1166 — 11 de outubro, 14h
Distribuição restrita
Durante uma conversa com um funcionário da embaixada, uma fonte do Vaticano expressou sua visão pessoal de que o próximo papa será “eleito” fora do conclave, por meio de um acordo entre cardeais. A fonte afirmou que Pio XII foi eleito dessa forma, e recordou que, quando os cardeais estavam entrando no conclave de 1939, o cardeal Pizzardo o chamara de lado e lhe pedira que preparasse um perfil biográfico de Pacelli. Acrescentou que consultou Monsenhor Montini, e que ambos decidiram, por razões óbvias, não dar prosseguimento ao pedido de Pizzardo.
Especulando sobre o sucessor de Pio XII, a fonte declarou que o Colégio de Cardeais poderia muito bem escolher um cardeal idoso, cujo curto pontificado fosse inteiramente dedicado à reorganização da Cúria Romana, deixada pelo papa falecido em “estado deplorável”. A fonte indicou que a eleição de Siri, Ruffini ou Ottaviani seria uma “desgraça para a Igreja”, visto que esses três cardeais têm uma visão irrealista dos grandes problemas que o mundo enfrenta hoje. A fonte afirmou ainda que a eleição de qualquer um dos três poderia depender da influência dos cardeais americanos e sugeriu espontaneamente que as autoridades dos Estados Unidos fariam bem em exercer, de modo discreto, “sua própria influência sobre certos cardeais americanos”.
Zellerbach
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Comentário de Peter Chojnowski
Esse telegrama do embaixador Zellerbach (embaixador dos Estados Unidos na Itália) e do Secretário de Estado norte-americano durante o governo Eisenhower, John Foster Dulles, é um marco evidente que nos indica o que devemos observar a respeito dos acontecimentos no conclave papal de 1958, que se reuniu de 25 a 28 de outubro, exatamente duas semanas depois que esse telegrama foi redigido e enviado ao Secretário de Estado dos EUA.
O que lemos neste telegrama e por que isso importa em nossa investigação sobre o destino da Irmã Lúcia dos Santos, de Fátima? Ainda não temos um “telegrama fumegante” — a prova definitiva —, mas essa é claramente uma comunicação de espingarda de cano duplo: carregada, engatilhada, com a trava de segurança desativada, apontada e com o dedo no gatilho. O governo dos EUA aparece como uma “ameaça” iminente e pronto para agir — note-se que, no canto superior direito do telegrama, há uma marca, provavelmente feita no Departamento de Estado, indicando que aquela cópia é a “Action Copy” (“Cópia de Ação”). Algo precisa claramente ser feito pelo Secretário de Estado ou pelo Presidente dos Estados Unidos, caso contrário haverá grave infortúnio para os EUA e seus interesses no mundo da Guerra Fria.
E qual seria tal ameaça? A ameaça consiste naqueles cardeais que têm uma “abordagem irrealista dos problemas que o mundo enfrenta hoje”. “Abordagem irrealista”? Cardeais Siri, Ruffini e Ottaviani? Por que os alarmes não soam em relação aos cardeais “pró-comunistas”, que poderiam tornar-se instrumentos do governo soviético, ou em relação a cardeais de países neutros, que talvez não estivessem de acordo com a ideologia e as políticas do governo republicano de 1958? Nada disso. Aqueles que devem ser vetados são precisamente os três cardeais que mantêm uma “abordagem irrealista” dos assuntos mundiais da Guerra Fria de 1958.
Como poderiam os mais militantes anticomunistas entre os cardeais — repare-se que o cardeal Mindszenty não está presente porque está refugiado numa embaixada norte-americana — possuir uma “abordagem irrealista” que entrasse em conflito com a política externa do governo dos EUA, supostamente anticomunista? O quê? A menos que a doutrina católica tradicional, em matéria de fé, moral, ensino social e político da Igreja, fosse antitética ao “mundo livre” que os Estados Unidos tentavam criar no pós-Segunda Guerra Mundial.
Esses três cardeais só poderiam representar uma ameaça grave aos interesses norte-americanos, a ponto de requerer intervenção direta no conclave, se a doutrina católica tradicional fosse em si mesma uma grave ameaça à ideologia dos Estados Unidos e ao “Novo Mundo” que este procurava instaurar sob o pretexto de estabelecer a “paz”. Note-se: não há no telegrama do embaixador americano, enviado em caráter de urgência ao Secretário de Estado John Foster Dulles, a menor menção a uma possível interferência soviética no conclave. Em plena Guerra Fria, seria natural esperar algo assim, mas não há absolutamente nada.
Em resumo: a ameaça aos Estados Unidos são os cardeais católicos ortodoxos, que provavelmente aplicariam os ensinamentos tradicionais da Igreja em seu governo da Igreja. O governo americano vê isso claramente como algo mau, ou, dito de modo eufemístico, “irrealista”.
Então, o que Zellerbach recomenda que os altos funcionários do governo dos EUA façam? Certificar-se de que os “cardeais americanos” — e apenas três chegaram a Roma —, digamos assim, vetem a eleição de quaisquer desses candidatos “irrealistas” (isto é, católicos) e garantam a escolha de alguém que tenha uma “abordagem realista” dos assuntos contemporâneos. Ou seja, alguém que baseie suas ações no “Espírito de 1776” [da Revolução Americana] em vez do Espírito de Deus. Avançando para 28 de outubro [eleição de Angelo Roncalli] — e exatamente isso acontece!
É claro que ainda faltam muitas peças no quebra-cabeça. A reunião discutida em minha última publicação mostra claramente que Eisenhower e Dulles conseguiram eleger um homem muito “realista” em relação aos assuntos mundiais e muito favorável à política do governo americano. Conseguiram também um que falaria com Eisenhower como se toda a experiência americana fosse idêntica à missão e à intenção da Igreja Católica, com os “novos católicos” buscando ser como o Povo Eleito que os americanos já se consideravam. Ou estarei interpretando mal?
Uma nota curiosa, mencionada no artigo da Wikipédia linkado, é que três cardeais americanos chegaram a Roma para participar do conclave: o cardeal Spellman, de Nova York; o cardeal McIntyre, de Los Angeles; e o cardeal Mooney, de Detroit. Desses três, apenas dois efetivamente entraram no conclave, porque um dos três cardeais nos quais o governo dos EUA contava para impedir a eleição de Siri, Ruffini ou Ottaviani morreu três horas antes do início do conclave. Só estou dizendo… Pode ter sido algo perfeitamente natural e inocente. Mas quais são as probabilidades de que um cardeal que:
- Sentia-se suficientemente bem para viajar de Detroit a Roma de avião;
- Fez a viagem em outubro de 1958 sem emergência médica;
- Participou, se foi convidado, da “reunião pré-conclave”, provavelmente semelhante à descrita por Zellerbach sobre o conclave de 1939; e então
- Sofre um derrame ou ataque cardíaco três horas antes de o conclave começar, sem qualquer indício prévio de problema de saúde?
Será que ele discordou, nas “reuniões prévias”, de apoiar, com os dois outros cardeais americanos, o golpe ou manipulação eleitoral que ocorreria naquele mesmo dia? Teria o pobre cardeal Mooney pensado em tudo isso enquanto morria no dia empolgante em que entraria num conclave para eleger um novo papa?
Este é um dos eventos não contados em nossa visão muito estreita (isto é, oficialmente permitida) da história e, especialmente, da história da nossa Santa Mãe Igreja.
