DOSTOIÉVSKI E OS JUDEUS
William Pierce, National Vanguard, issue n. 72, 1979
Fiódor Dostoiévski (1821–1881) foi um dos maiores escritores da Rússia. Filho de um médico de recursos modestos, teve a oportunidade de receber uma educação e foi formado como engenheiro. Permaneceu, no entanto, próximo do povo comum da Rússia, tanto em sua vida quanto em seus escritos.
Dostoiévski era um patriota fervoroso, mas sua associação com um círculo de escritores radicais levou à sua prisão aos 27 anos. Posteriormente, foi sentenciado à morte, perdoado no último momento, e deportado para a Sibéria, onde passou quatro anos em um campo de trabalhos forçados. Seguiram-se vários anos como soldado raso em uma unidade do exército russo na Sibéria.
Após seu retorno da Sibéria, Dostoiévski escreveu diversos romances, incluindo Crime e Castigo (1866), O Idiota (1868), Os Demônios (1871) e Os Irmãos Karamázov (1880), todos imensamente populares. Foi, porém, seu Diário de um Escritor, publicado em várias partes entre 1873 e 1881, que expressou de forma mais explícita seu sentimento por seu povo e por sua pátria.
O Diário de um Escritor tratava de inúmeras questões candentes para seus compatriotas, demonstrando com clareza a sensibilidade e o discernimento que o tornaram um dos escritores mais amados de toda a literatura russa. Boris Brasol, tradutor do Diário para o inglês, descreveu assim a reação do povo russo à morte de Dostoiévski em 9 de fevereiro de 1881:
“A notícia do falecimento de Dostoiévski espalhou-se instantaneamente, como uma corrente elétrica, até as regiões mais remotas da Rússia, e uma onda de luto varreu os corações de seu povo entristecido… Enormes multidões compareceram ao seu funeral: homens e mulheres de todas as classes — estadistas de alto escalão e prostitutas abatidas; camponeses analfabetos e ilustres literatos; oficiais do exército e cientistas eruditos; padres crédulos e estudantes incrédulos — todos estavam lá.
A quem a Rússia sepultava com tamanha reverência? Seria apenas um de seus homens de letras célebres? De modo algum: naquele caixão jazia um homem nobre e elevado, um mestre prudente, um profeta inspirado cujos pensamentos, como picos de montanhas, sempre se voltavam ao céu, e que sondara as profundezas do coração humano em toda a sua luta, pecado e tormento; seus enigmas, dores e sofrimentos; suas lágrimas ocultas e paixões ardentes.”
Tanto quanto o povo o amava, Dostoiévski também os amava — e desprezava seus inimigos e exploradores. Entre estes últimos, destacavam-se os judeus da Rússia. No tempo de Dostoiévski havia cerca de três milhões deles, alguns descendentes dos khazares, tribo asiática do sul da Rússia que se convertera ao judaísmo mil anos antes, e outros que haviam migrado do Ocidente durante a Idade Média, quando foram expulsos à força de todos os países da Europa ocidental e central.
Desdenhando o trabalho honesto, os judeus haviam-se agarrado aos camponeses e artesãos russos como um exército de sanguessugas. Usura, comércio de bebidas alcoólicas e escravidão branca eram seus meios preferidos de sustento — e de destruição do povo russo.
Tão grande era o ódio dos russos por seus atormentadores judeus, que os governantes russos se viram obrigados a instituir legislação especial, tanto para proteger os judeus quanto para limitar suas depredações contra o povo russo. Uma dessas medidas era a proibição do assentamento judeu no centro da Rússia; eles estavam restritos às regiões ocidental e sudoeste, a chamada Pale of Settlement (“Zona de Assentamento”), onde já se encontravam mais concentrados desde o édito de Catarina, a Grande, no século XVIII.



Naturalmente, os judeus consideravam isso uma “perseguição”, e foi seu choro incessante por não poderem se fixar no coração da Rússia que primeiro moveu Dostoiévski a escrever sobre a questão judaica. Em uma seção de seu Diário, publicada em março de 1877, o escritor observou:
“Sei que no mundo inteiro não há outro povo que se queixe tanto de sua sorte, incessantemente, após cada passo e cada palavra seus — sobre sua humilhação, seu sofrimento, seu martírio. Alguém poderia pensar que não são eles que governam a Europa, que não dirigem ao menos as bolsas de valores e, portanto, a política, os assuntos internos, a moralidade dos Estados.”
Dostoiévski, que conhecera de perto os judeus e suas atitudes pessoais em relação aos russos — ainda jovem, na pequena propriedade de seus pais, ao observar suas negociações com os camponeses locais; mais tarde, na prisão, ao notar o comportamento reservado dos prisioneiros judeus para com os russos —, passou a especular sobre o que ocorreria se os judeus um dia dominassem os russos:
“E se na Rússia não houvesse três milhões de judeus, mas três milhões de russos, e oitenta milhões de judeus — o que fariam com os russos? Permitiriam que adquirissem direitos iguais? Permitiriam que professassem livremente sua fé em seu meio? Não os converteriam em escravos? Pior que isso: não os esfolariam completamente? Não os exterminariam até o último homem, à semelhança do que faziam com os estrangeiros nos tempos antigos, em sua antiga história?”
Essa especulação revelou-se tragicamente profética: pouco mais de quatro décadas depois, comissários bolcheviques sanguinários, em sua maioria judeus, supervisionavam o massacre de milhões de russos.
Dostoiévski identificava corretamente o segredo da força dos judeus — e mesmo de sua sobrevivência por quarenta séculos — como sua exclusividade: uma mentalidade profundamente enraizada de considerar o mundo não-judeu como algo estranho, inferior e hostil. Essa atitude fazia com que os judeus se vissem sempre como um povo à parte. Mesmo quando tentavam convencer os não-judeus de que eram "como todos os outros", mantinham interiormente a crença de constituírem uma comunidade distinta no seio da sociedade gentílica. Dostoiévski escreveu:
“É possível esboçar, ao menos, certos sintomas desse status in statu — ainda que apenas externamente. Esses sintomas são: alienação e separação no que toca ao dogma religioso; impossibilidade de fusão; crença de que no mundo só existe uma entidade nacional — o judeu —, e que, embora existam outras, presume-se que sejam praticamente inexistentes. ‘Sai da família das nações e forma tua própria entidade, e saberás que, doravante, serás o único diante de Deus; extermina os demais, ou escraviza-os. Crê na conquista do mundo inteiro; adere à crença de que tudo te será submetido. Abomina rigorosamente tudo o mais, e não tenhas comércio com ninguém em teu modo de viver. E mesmo que percas a terra, tua individualidade política, mesmo disperso pelo mundo, entre todas as nações — não importa, crê no que te foi prometido uma vez por todas; crê que tudo se cumprirá, e, enquanto isso, vive, abomina, une-te e explora — e espera, espera…’”
Não é de se estranhar, então, que, embora praticamente todo americano com educação secundária tenha lido Crime e Castigo ou Os Irmãos Karamázov (ou ambos), o Diário de um Escritor de Dostoiévski tenha sido silenciosamente relegado ao esquecimento pelo sistema educacional e editorial controlado deste país. A única edição listada atualmente no Books in Print é publicada por uma editora especializada de pequeno porte (Octagon Books), destinada a bibliotecas e com o preço proibitivo de US$ 47,50 — o suficiente para mantê-la longe das mãos de leitores americanos curiosos!
Aqueles suficientemente afortunados para conseguir emprestar um exemplar poderão ler muitos outros comentários penetrantes de Dostoiévski sobre o comportamento e a atitude dos judeus na Rússia em relação ao povo russo durante o século XIX. Dostoiévski condenava especialmente a exploração dos camponeses pobres, ignorantes e indefesos pelos judeus vorazmente gananciosos e absolutamente impiedosos. Por exemplo:
“Pois é exatamente onde o povo ainda é ignorante, ou não é livre, ou é economicamente atrasado, que o judaísmo prospera. É ali que ele tem campo livre. E, em vez de elevar, por sua influência, o nível de educação, em vez de aumentar o saber, fomentar a capacidade econômica na população nativa — em vez disso, o judeu, onde quer que tenha se estabelecido, ainda mais humilhou e corrompeu o povo; ali a humanidade foi ainda mais aviltada e o nível educacional caiu ainda mais; ali a miséria inescapável e desumana, e com ela o desespero, espalharam-se ainda mais repulsivamente. Perguntai à população nativa de nossas regiões fronteiriças: o que move o judeu — e o move há séculos? Recebereis uma resposta unânime: impiedade. ‘Ele tem sido movido por séculos apenas pela crueldade para conosco, apenas pela sede do nosso suor e sangue.’
E, de fato, toda a atividade dos judeus nessas nossas regiões de fronteira consistiu em tornar a população local o mais possível dependente deles, aproveitando-se das leis locais. Sempre souberam manter boas relações com aqueles de quem o povo dependia. Apontai qualquer outra tribo entre os estrangeiros russos que pudesse rivalizar com o judeu em sua influência nefasta nesse sentido! Não encontrareis tal tribo. Nesse aspecto, o judeu conserva toda sua originalidade em comparação com outros estrangeiros na Rússia, e, naturalmente, a razão disso é seu status de statu, esse espírito que respira, especificamente, impiedade por tudo o que não é judeu, com desprezo por qualquer povo e tribo, por toda criatura humana que não seja judia…
Agora, e se, por algum motivo, nossa comuna rural [isto é, o sistema institucionalizado da sociedade camponesa russa] se dissolvesse, essa comuna que protege nosso pobre camponês de tantos males; e se, imediatamente, o judeu e toda sua kehillah [a judiaria organizada] se lançassem sobre esse camponês libertado, tão inexperiente, tão incapaz de resistir à tentação, e que até então fora protegido justamente pela comuna? Pois bem, evidentemente, esse seria seu fim; toda a sua propriedade, toda a sua força, no dia seguinte estariam sob poder do judeu, e então começaria uma era comparável não só à da servidão, mas até ao jugo tártaro.”
Mais uma vez, quão tragicamente profético!
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Artigo original: https://counter-currents.com/2011/11/dostoyevsky-on-the-jews/
