HITLER E OS BANQUEIROS
Norberto Toedter, setembro de 2013
E o mundo acaba de assistir a mais um aniversário do fatídico onze de setembro. Pela décima segunda vez os yankees se reúnem, botam a mão no peito e fazem de conta que acreditam que uma quadrilha “das arábias” tenha feito aquele estrago todo. Efetivamente conseguiram lavrar um grande feito na guerra psicológica, em que se tornaram mestres absolutos: criaram “os terroristas”!
Mas, apesar de toda essa sua habilidade, desta vez não conseguiram livrar o Obama de “pagar um mico orangotango”. Foi duplamente constrangedor, porque quem o ajudou a sair da enrascada foi justamente o seu oponente Putin. Mas, quem sabe? Talvez o enredo ainda não tenha chegado ao fim.
Hoje eu queria voltar um pouco mais atrás no tempo. Um rumor que não cessa é aquela história de que Hitler e seu partido teriam sido generosamente financiados pelos banqueiros judeus. Quando fui confrontado pela primeira vez com essa afirmativa, até mesmo achei que poderia ter sido, pois, afinal, isso faz parte da história dos partidos políticos: todos recebem e precisam de financiamento. Nem sempre ficamos sabendo de que forma a bondade particular é retribuída.
No caso de Hitler e do nacional-socialismo, a prática soa um tanto estranha. Vejamos o que se sabe a respeito.
Em 1933 um (in)certo Sidney P. Warburg publicou um livro no qual conta que o citado chefe do partido recebera um total de 128 milhões de Reichsmark, em três prestações. Na época era um montante apreciável. O nome do autor seria profundamente revelador, aparentemente pertencente à famosa família de banqueiros judeus. Mesmo assim o livro logo foi retirado do mercado. Mas apareceram novas edições. Em 1983 também a editora Droemer de Munique pensou em causar sensação ao relançar a tal obra, porém ressalvou que não fora possível confirmar a autenticidade do documento.
Figuras como o renomado ex-presidente do Reichsbank Hjalmar Schacht (1877–1970), assim como Franz von Papen (1879–1969), que fôra chanceler antes de Hitler e continuara como vice em 1933–34, negaram que houvesse fluído dinheiro dos bancos americanos para suporte do novo partido político na Alemanha. Empresas americanas, essas sim, teriam investido no Reich e realizado bons lucros.
Em 1976, Antony C.Sutton apareceu com o livro Wall Street and the Rise of Hitler (“Wall Street e a Ascensão de Hitler”). À certa altura ele se dedica especialmente ao “Mito do Sidney Warburg”. Segundo Sutton, trata-se de um pseudônimo, no caso, pois, uma falsificação. Esse autor também reproduz o texto de uma declaração juramentada, feita por James Paul Warburg, cabeça da família, em que este afirma não ter conhecimento de alguém com o nome Sidney Warburg e que ele próprio também nunca conferenciou com Hitler ou pessoa do seu governo sobre empréstimos de qualquer natureza.

Parece ser um assunto que pode ser arquivado. Já a história que sempre volta a ser colocada em circulação sobre a falsa identidade de Hitler é mesmo difícil de digerir. Também já se escreveram livros a respeito. Exames de DNA só foram desenvolvidos mais recentemente, portanto a ninguém cabe discutir se fulano teve um avô assim ou uma avó assado. Agora alguns vêm se aventurando a afirmar que Hitler foi um agente sionista. Um “agente” que se alistou no exército do Estado vizinho, quase morreu na frente de batalha, depois iniciou treze anos de árdua luta política até ser eleito para o cargo supremo, ficou mais doze na chefia da nação; tudo como agente inimigo? Isso já é do campo do sobrenatural.
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Retirado de: Pobre mundo novo! Sangue, suor, lágrimas e muita mentira. Curitiba: Editora e Livraria do Chain, 2015, p. 79–81.
