IMPIA JUDAEORUM PERFIDIA
Papa Inocêncio IV
Fonte: https://telma-chartes.irht.cnrs.fr/aposcripta/notice-acte/27330
Tradutor do texto latino: Gustavo Petrônio Toledo.
Descrição: Condena o Talmude como blasfemo e ordena sua queima em todo o reino da França, além de proibir que judeus tenham cristãos como amas ou criados. Bula dirigida a São Luís IX, rei da França.
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Ao ilustre rei da França.
A ímpia perfídia dos judeus, de cujos corações o nosso Redentor, por causa da enormidade de seus crimes, não removeu o véu, mas permite, como convém, que permaneçam na cegueira que em parte sobreveio a Israel, sem levar em conta que é apenas pela misericórdia que a piedade cristã os acolhe e pacientemente suporta a sua convivência, comete excessos tão grandes que espantam aos ouvintes e horror aos que os relatam.
Com efeito, ingratos ao Senhor Jesus Cristo, que pela superabundância de sua longanimidade aguarda pacientemente sua conversão, eles, sem demonstrar vergonha por sua culpa nem reverência pela honra da fé cristã, abandonando ou desprezando a Lei de Moisés e os Profetas, seguem certas tradições de seus anciãos. Sobre isso, o próprio Senhor os repreende no Evangelho, dizendo: “Por que transgredis o mandamento de Deus? Vós tornastes nulo o preceito de Deus por vossas tradições, ensinando doutrinas e mandamentos humanos.” (cf. Mt 15,3.6.9).
Pois nessas tradições, que em hebraico se chamam Talmude — um grande livro entre eles, que excede em muito o texto da Bíblia —, encontram-se blasfêmias manifestas contra Deus, contra Cristo e contra a Bem-aventurada Virgem Maria, fábulas inextricáveis, erros perniciosos e loucuras inauditas, com os quais ensinam e alimentam seus filhos, tornando-os completamente estranhos à doutrina da Lei e dos Profetas. Eles temem que, compreendendo a verdade contida nessa mesma Lei e nos Profetas — que dão testemunho claro do Filho Unigênito de Deus, que viria em carne —, convertam-se à fé e humildemente retornem ao seu Redentor.
E, não contentes com isso, colocam cristãs como amas de seus filhos, em afronta à fé cristã, com as quais cometem muitas torpezas, motivo pelo qual os fiéis devem temer não incorrer na indignação divina, ao permitirem que se pratiquem tais indignidades, que trazem confusão à nossa fé.
Embora nosso amado filho, o chanceler de Paris, junto com os doutores em Sagrada Escritura que regem em Paris, por ordem do nosso predecessor, o Papa Gregório IX, de feliz memória, tenha lido e examinado tanto o referido livro de abusos [Talmude] como outros, com todas as suas glosas, e os tenha publicamente queimado em fogo perante o clero e o povo, para confusão da perfídia dos judeus — como pudemos ver nas cartas deles —, e embora vós, como rei católico e príncipe cristianíssimo, tenhais prestado o auxílio e o apoio convenientes nesse feito, razão pela qual louvamos vossa excelência real com dignos louvores no Senhor e vos agradecemos com ações de graças; como, todavia, ainda não cessou a profana insolência dos judeus, e a opressão ainda não lhes deu entendimento, rogamos mais atentamente, exortando e suplicando em nome do Senhor Jesus Cristo, a Vossa Realeza: que continueis, com o mesmo zelo piedoso com que começastes de modo louvável, a fazer com que tais excessos detestáveis e enormes, cometidos em afronta ao Criador e em injúria ao nome cristão, sejam reprimidos com a devida severidade. Ordenai, por todo o vosso reino, a queimar em fogo não apenas os livros de abusos mencionados, já reprovados por esses doutores, mas também todos os demais com suas glosas, desde que examinados e reprovados por eles, onde quer que possam ser encontrados.
Ordenai firmemente ainda que, doravante, os judeus não tenham amas de leite nem criados cristãos, para que os filhos da livre [Sara] não sirvam à escrava [Agar], mas, como servos reprovados pelo Senhor, contra cuja morte conspiraram perversamente, reconheçam ao menos pela eficácia do gesto que são servos daqueles a quem a morte de Cristo constituiu como livres, e os outros como escravos. Assim poderemos louvar dignamente, no Senhor, o zelo de vossa sinceridade.
Dado no Latrão, 9 de maio de 1244, no primeiro ano do nosso pontificado.
