IRÃ AMEAÇADO
Norberto Toedter, fevereiro de 2012
O Brasil já passou por algo assim
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse hoje, durante a oração de sexta-feira, que ameaças serão respondidas com ameaças. Isso volta a sugerir a pergunta: O Irã teria uma carta na manga?
Conhecer a História não muda nem o que aconteceu nem o que vai acontecer. Mas é bom lembrar que o Brasil já esteve numa situação parecida com a do Irã. E quem nos conta é Sued Lima, coronel aviador reformado e pesquisador do Observatório das Nacionalidades da Universidade Federal do Ceará.
Lembra Sued Lima que na década de 70 o Brasil estava empenhado em ter também suas armas nucleares. Evidentemente, era um programa secreto e contava com a parceria financeira do Iraque, que, por sua vez, se beneficiaria da tecnologia desenvolvida.
Aqui o responsável era o tenente-coronel aviador José Albano do Amarante, engenheiro formado pelo ITA. Por estranha coincidência com o que vem acontecendo ultimamente, Amarante, o cabeça do projeto, em outubro de 1981 foi atacado por virulenta leucemia, que o matou em poucos dias. Suspeitou-se dos serviços secretos dos EUA e Israel. Um tal Samuel Giliad, que atuava em São José dos Campos, identificado como agente do Mossad, sumiu do país logo após a enigmática morte do cientista brasileiro.

Três cientistas nucleares iranianos já foram mortos em atentados e um escapou por pouco de um carro-bomba. Ao mesmo tempo os EUA exigem sanções contra o Irã a pretexto de violação do TNP (Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares). Desavergonhadamente abusam da hipocrisia, que os caracteriza já há cem anos, para exigir cumprimento de acordos internacionais que eles próprios não respeitam.
O embaixador do Brasil na ONU em 1968, José Augusto Araújo de Castro, já se esforçava para impedir a adesão do Brasil ao TNP, porque serviria apenas para perpetuar o poder das grandes potências.
Com muita propriedade o coronel Sued Lima finaliza suas observações com a suposição de que só a possibilidade de haver retaliação pode estancar a série de guerras de conquistas que vem acontecendo. Seria essa também a análise do cientista político paquistanês Tariq Ali: uma nova potência nuclear no Oriente Médio poderia favorecer a estabilidade política na região e no mundo.
Complementando o que nos revelou Sued Lima, quer me parecer que as pesquisas brasileiras, através seu Programa Nuclear Paralelo, chegaram a um estágio bem adiantado e o que aconteceu ao tenente-coronel Amarante com certeza não foi a única interferência estrangeira que sofreram. No Campo de Provas Brigadeiro Velloso (ocupa no sul do Pará uma área comparável ao Estado de Sergipe), na Serra do Cachimbo, a Aeronáutica já havia construído um poço concretado com 300 metros de profundidade, provavelmente destinado a uma explosão atômica experimental. Em setembro de 1990 o governo Collor determinou o fechamento do poço. Essa iniciativa viria do pacifismo de Collor ou ela aconteceu a mando de algum escalão superior?
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Retirado de: Outra face da notícia. O que os jornais não disseram. Curitiba: Editora e Livraria do Chain, 2012, p. 212–214.
