JUDEUS E MUÇULMANOS NÃO ADORAM O VERDADEIRO DEUS
Mark Escobar, 1 de setembro de 2025
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: O texto sustenta que a tese segundo a qual judeus e muçulmanos adorariam o mesmo Deus que os católicos é um erro difundido pelo Concílio Vaticano II e explorado pelo Novus Ordo para justificar o culto e a oração inter-religiosos (falso ecumenismo). Argumenta que tal erro dissolve um obstáculo central à distinção entre a fé católica e as religiões falsas. Para refutá-lo, o autor reúne uma vasta tradição de papas, doutores da Igreja, santos e teólogos escolásticos que afirmam que a negação da Trindade implica a adoração de um deus falso e imaginário. O núcleo teológico do argumento é que Deus, sendo absolutamente simples e trinitário, não pode ser conhecido ou adorado verdadeiramente se um de seus atributos essenciais é negado. Por fim, o texto responde a objeções históricas, catequéticas e filosóficas, reafirmando a exclusividade do verdadeiro culto na Igreja Católica.
_______________

Recentemente, surgiu uma grande controvérsia sobre se os judeus e muçulmanos adoram o mesmo Deus que os católicos, isto é, o verdadeiro Deus.
Como essa noção foi aceita em dois documentos do satânico Concílio Vaticano II, o assunto tornou-se uma das muitas questões em disputa entre católicos e seguidores da seita satânica do Novus Ordo.
Embora nenhum dos católicos enumere esse erro entre as heresias do satânico Concílio Vaticano II, devemos ainda reconhecer que é um erro que pavimenta o caminho para o grave equívoco do culto e da oração comum com falsas religiões; pois, quando o deus de todas as religiões é considerado um só e o mesmo, um dos maiores obstáculos à oração e ao culto comum com religiões não católicas é removido.
Embora alguns teólogos de menor importância tenham ensinado erroneamente esse erro com argumentos fracos, ao contrário do Concílio Vaticano II e dos líderes dessa seita, nenhum daqueles teólogos jamais acreditou no erro do culto comum com religiões falsas e não católicas.
No entanto, alguns defensores da satânica seita do Novus Ordo, com audácia chocante e falsidade flagrante, declararam que a afirmação — de que judeus e muçulmanos não adoram o verdadeiro Deus — é uma tese moderna derivada dos protestantes! Esses defensores mentirosos da seita do Novus Ordo participam de debates inter-religiosos, atribuem esse erro à religião católica e, com isso, causam danos à nossa fé divina.
Neste artigo, mostraremos que 22 papas, Doutores da Igreja, santos e teólogos escolásticos sustentaram claramente a posição de que judeus e muçulmanos não adoram o verdadeiro Deus.
Essas figuras possuem peso e autoridade muito maiores do que aqueles poucos teólogos que ensinaram o contrário; além disso, os argumentos dos primeiros são muito mais fortes e aceitáveis, baseando-se em diversas verdades evidentes, a saber:
- Existe objetivamente apenas um único Deus verdadeiro.
- Esse Deus verdadeiro é uno em essência e trino em pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; isto é, o próprio Deus em quem os católicos creem, a quem conhecem e a quem adoram.
- Apesar da revelação da Trindade, judeus e muçulmanos rejeitaram ativa e positivamente esse Deus verdadeiro e acreditam em um deus que não é a Trindade.
- Um deus que não é a Trindade não existe objetivamente, mas é um deus imaginário e falso.
- Conclusão: Portanto, ao rejeitarem consciente, positiva e ativamente o verdadeiro Deus — o Deus Triúno — e ao escolherem, em vez disso, um deus imaginário e falso que não existe objetivamente na realidade, judeus e muçulmanos não conhecem nem adoram o verdadeiro Deus, mesmo que acreditem em certos outros atributos e perfeições de Deus, tais como unidade, ser Criador, onipotência e assim por diante.
Agora, após essa breve introdução, veremos como os grandes teólogos católicos rejeitaram este erro do Concílio Vaticano II. E na parte final, responderemos às objeções.
1. TERTULIANO (160–240)

“E, portanto, não se deve duvidar de que as maldades espirituais, que também dão origem às heresias, são instigadas pelo demônio; nem de que as heresias diferem da idolatria, uma vez que ambas têm o mesmo autor e a mesma obra que a idolatria. Pois ou inventam outro deus contra o Criador, ou, se confessam o único Criador, o distorcem de modo diferente do que Ele verdadeiramente é. E assim, toda mentira que dizem sobre Deus é, de certa forma, uma espécie de idolatria.” — Tertuliano, Q. Septimii Florentis Tertulliani, Michaelis Sonnii, vol. 2, 1630, lib. I, cap. XL, p. 93.
2. SÃO JOÃO CRISÓSTOMO, DOUTOR DA IGREJA (347–407)

“Mas, de qualquer modo, os judeus dizem que eles também adoram a Deus. Longe de mim dizer tal coisa! Nenhum judeu adora a Deus! Quem o diz? O Filho de Deus o diz. Pois Ele disse: ‘Se conhecêsseis a meu Pai, conheceríeis também a mim. Mas vós não conheceis nem a mim nem a meu Pai’. Poderia eu apresentar uma testemunha mais digna de confiança do que o Filho de Deus? Se, portanto, os judeus falham em conhecer o Pai, se crucificaram o Filho, se repeliram o auxílio do Espírito, quem não ousaria declarar abertamente que a sinagoga é uma morada de demônios? Deus não é adorado ali. Que o céu não permita! De agora em diante, permanece como um lugar de idolatria.” — São João Crisóstomo, Adversus Judaeos, Hom. I.
3. SANTO AGOSTINHO, DOUTOR DA IGREJA (354–430)

“Consequentemente, o santo Profeta percebeu em seus corações pensamentos sobre Deus que eram alheios a Deus, e admoestou que tais pensamentos deveriam ser removidos. Pois quem quer que pense em Deus de tal maneira como Ele não é, certamente carrega em seu pensamento um deus estrangeiro e falso.” — Santo Agostinho, Oeuvres complètes de Saint Augustine, vol. 8, L. Vivès, 1871, p. 61.
4. PEDRO, O VENERÁVEL (1092–1156)

“Esse erro é o primeiro entre todos e o maior deles a ser desprezado, porque eles [i.e., os sarracenos] negam a trindade na unidade da divindade. Assim, visto que não creem que existam três pessoas na única essência da divindade (…) eles não conhecem Deus de modo algum, embora professem Deus com a boca.” — Pedro, o Venerável, Summa totius haeresis ac diabolice secte sarracenorum, Encontrado em Peter the Venerable and Islam, Princeton University Press, 1964, p. 204.
5. SÃO RAINÉRIO DE PISA (1115–1160)

“Contra o primeiro [mandamento] agem os judeus e sarracenos: como idólatras, eles têm e adoram deuses estranhos.” — São Rainério de Pisa, Raynerii de Pisis (…) Pantheologia ordine alphabetico (…) innumerisque supplementis auctior duplo facta per Fr. Ioannem Nicolai, Sumptibus Ioannis Girin & Bartholomaei Riviere, vol. 3, 1670, p. 340.
6. SÃO RAIMUNDO DE PENAFORT, O.P. (1175–1275)

“Pergunta-se: se alguém jura por falsos deuses, ou por criaturas não permitidas, ou de algum outro modo que pareça ser contra a religião da fé cristã — como fazem os sarracenos, judeus ou certos hereges — que pagará algo ou fará algo, se ele está obrigado a cumprir tal juramento?” — São Raimundo de Penafort, O.P., Summa Sti Raymundi de Peniafort, Tallinus, 1603, lib. I, p. 86.
7. SANTO ALBERTO MAGNO, O.P., DOUTOR DA IGREJA (1200–1280)

“O primeiro mandamento tem três cláusulas. A primeira é: ‘Não terás deuses estranhos diante de mim’. (…) A primeira cláusula desse mandamento mostra que os judeus e os sarracenos são idólatras, que têm deuses estranhos. (…) Eles não adoram o verdadeiro Deus. Diz o mesmo tu também sobre os judeus, sobre os muçulmanos, sobre os triteístas e afins, pela mesma razão, que é a seguinte: O que adoras, ó judeu, pagão, triteísta, etc.? Um só Deus. Quem é ele? Ele é também triúno? Não. Portanto, não adoras a Deus, porque existe apenas um que é triúno e um. (…) Onde está, então, o teu Deus? Provou-se que ele não possui nenhum Deus verdadeiro, porque Deus, como simples, ou é o todo ou nada; nada é alcançado. E, consequentemente, julga-se que ele tem apenas um Deus forjado em sua própria imaginação. Portanto, excetuando os cristãos, todos os outros — a saber, aqueles que negam ou a Trindade ou algo do verdadeiro Deus — estão sem Deus neste mundo.” — Santo Alberto Magno, O.P., Compendium theologicae veritatis, Apud I.A. Rampazettum, 1588, lib V, cap. XL, p. 558, 559, 562, 563.
8. SÃO BOAVENTURA, O.F.M., DOUTOR DA IGREJA (1221–1274)

“O primeiro mandamento tem três cláusulas. Na primeira, somos proibidos de adorar criaturas espirituais. (…) Segundo o sentido alegórico, a primeira cláusula deste mandamento mostra que os judeus e os sarracenos são idólatras, que têm deuses estranhos.”— São Boaventura, O.F.M., Opera omnia, in tomos septem distributa, Borde, vol. 7, 1668, p. 768.
9. SANTO TOMÁS DE AQUINO, O.P., DOUTOR DA IGREJA (1225–1274)

“Não se pode dizer que os infiéis creem em um Deus tal como o entendemos em relação ao ato de fé. Pois eles não creem que Deus existe sob as condições que a fé determina; portanto, eles não creem verdadeiramente em um Deus, visto que, como observa o Filósofo (Metaph. ix, texto 22), conhecer coisas simples de forma defeituosa é não conhecê-las de modo algum.” — Santo Tomás de Aquino, O.P., Summa Theologica, II–II, q. 2, art. 2.
“Pelo falso conhecimento de Deus, o homem não se aproxima d’Ele, mas é separado d’Ele. Nem é possível para quem tem uma opinião falsa de Deus conhecê-lo de qualquer modo, porque o objeto de sua opinião não é Deus.” — Santo Tomás de Aquino, O.P., Summa Theologica, II–II, q. 10, art. 3.
“Quanto ao que ele diz, ‘vós adorais’, e assim por diante, deve-se notar que, como diz o Filósofo, o conhecimento de coisas complexas é diferente do conhecimento de coisas simples. Pois algo pode ser conhecido sobre coisas complexas de tal modo que outra coisa sobre elas permaneça desconhecida; assim, pode haver conhecimento falso sobre elas. Por exemplo, se alguém tem o verdadeiro conhecimento de um animal quanto à sua substância, pode estar em erro quanto ao conhecimento de um de seus acidentes, como se ele é preto ou branco; ou de uma diferença, como se tem asas ou é quadrúpede. Mas não pode haver falso conhecimento de coisas simples: porque ou são perfeitamente conhecidas na medida em que sua quididade é conhecida, ou não são conhecidas de modo algum, se não se pode atingir o conhecimento delas. Portanto, sendo Deus absolutamente simples, não pode haver falso conhecimento d’Ele no sentido de que algo possa ser conhecido sobre Ele e algo permaneça desconhecido, mas apenas no sentido de que o conhecimento d’Ele não é atingido. Consequentemente, qualquer pessoa que acredite que Deus é algo que Ele não é — por exemplo, um corpo ou algo parecido — não adora a Deus, mas a outra coisa, porque não conhece a Ele, mas a outra coisa.” — Santo Tomás de Aquino, O.P., Sanctum J.C. Expositio in Evangelium Secundum Matthaeum et Ioannem, 1640, p. 319.
10. GUIDO TERRENA, O.C.D. (1270–1342)

“Vós, judeus, dizeis: ‘Este é o nosso Deus’, a quem não conheceis por meio da fé correta — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — e assim permaneceis ignorantes do verdadeiro Deus, uno em essência e trino em pessoas. Portanto, quando jurais por um Deus que acreditais não ser triúno, jurais por um deus falso, que não é triúno; e um deus que não é triúno é um deus falso. Nem adianta dizer que os judeus juram pelo verdadeiro Deus que fez o céu e a terra, uma vez que eles também juram pela Lei e pelos Dez Mandamentos de Deus. Pois o Irmão Raimundo [de Penafort], no Livro I, Título IX, Capítulo VIII, e igualmente relatado na Summa Confessorum, Livro I, Título IX, Questão 28, afirma que os sarracenos e hereges juram por falsos deuses. E a razão parece ser que o infiel se afasta da virtude da fé que é de Deus e, consequentemente, não tem o verdadeiro Deus, do qual se desvia pela incredulidade. Assim, o infiel jura por um deus que ele acredita ter feito o céu e a terra, mas que é um deus falso, não o verdadeiro. E mesmo que ele se apegue à Lei e aos preceitos, os judeus, no entanto, quando juram, juram por um deus não triúno, negando expressamente Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo. Mas um deus que não é triúno não é o verdadeiro Deus que fez o céu e a terra, porque Aquele que fez o céu e a terra é Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo, como foi dito.” — Guido Terrena, O.C.D., Quatuor unum. Hoc est concordia Evangelica in quatuor Evangelistas, exposito in tria, Petrum A Brachel, 1631, p. 194–195.
11. SÃO VICENTE FERRER, O.P. (1350–1419)

“Do mesmo modo, aquele que tem uma crença falsa sobre Deus fabrica e adora ídolos; e, portanto, judeus e sarracenos, que não creem que o único Deus seja Pai, Filho e Espírito Santo, fabricam ídolos para si mesmos e um novo deus, que não é Pai, nem Filho, nem Espírito Santo. E não existe tal deus no mundo, porque o único Deus verdadeiro é Pai, Filho e Espírito Santo. E, portanto, eles adoram ídolos, ao fabricarem para si mesmos um novo deus, que não é Pai.” — São Vicente Ferrer, O.P., Opera omnia, tomi primi, pars secunda, complectens sermones quadragesimales, 1693, Feria IV, Post Dimin. 1, Quadra. Sermom II, p. 483.
12. PAPA PIO II (1405–1464)

“Igrejas belíssimas, que invocavam o nosso Senhor Jesus Cristo e lhe entoavam salmos dia e noite, agora invocam o horrendo e abominável nome de Maomé e, abandonado o culto do verdadeiro Deus, imbuídas de sacrifícios nefandos, servem a ritos repugnantes.” — Papa Pio II, Vocavit nos pius, 13 de outubro de 1458.
13. MAURICE O’FIHELY, O.F.M. (1460–1513)

“O primeiro [mandamento] é proibido no Êxodo [20:3]: ‘Não terás deuses estranhos diante de mim, etc.’ — como no caso dos judeus e dos sarracenos.” — Maurice O’Fihely, O.F.M., Dictionarium Sacrae Scripturae, apud Ioan. Antonium & Iacobum de Franciscis, 1603, p. 8.
14. CARDEAL TOMÁS DE VIO CAETANO, O.P. (1469–1534)

“Mas diz-se que, através da incredulidade, Deus não é conhecido, nem simplesmente, nem sob qualquer aspecto. Não simplesmente, porque uma cognição falsa de algo não é cognição disso, mas um erro a respeito disso; e, portanto, não aproxima a pessoa dessa coisa, mas faz com que ela seja afastada dela. Pois a ignorância decorrente de uma disposição perversa remove a pessoa daquilo que é assim ignorado. Nem sob qualquer aspecto, porque uma proposição falsa, como tal, afirma o oposto do sujeito, seja simplesmente ou sob algum aspecto, conforme a matéria seja necessária ou contingente. Pois quando se diz: ‘Sócrates não é capaz de rir’, por essa proposição afirma-se: ‘não-Sócrates’, porque ‘não capaz de rir’ implica ‘não-Sócrates’. Mas quando se diz: ‘Sócrates corre’, enquanto ele está, de fato, sentado, afirma-se agora: ‘não-Sócrates’, porque o que se afirma é um ‘Sócrates corredor’, que não existe. E assim, em toda matéria, fica claro que uma proposição falsa, como tal, não dá cognição do sujeito, porque se refere ao oposto do sujeito. Se se dissesse que ela dá pelo menos uma cognição incomplexa dos termos, deve-se responder que tal cognição não pertence à proposição falsa, mas é pressuposta; e, no caso em questão, não pertence à incredulidade. Assim, no texto não se diz que o termo apreendido não é Deus, mas que aquilo que o infiel supõe não é Deus. Pois o que o infiel supõe, como tal, não é Deus.” — Tomás de Vio Caetano, O.P., Secunda Secundae Summae Theologiae: a quaestione I ad quaestionem LVI, Polyglotta, 1895, Comm. q. X, art. III, p. 81–82.
15. ANTÔNIO DE CÓRDOBA, O.F.M. (1485–1578)
“Judeus e infiéis que reconhecem um só Deus e o adoram como Criador e Governador de tudo, mas não creem que Ele seja triúno em pessoas, nem que Deus se fez homem e foi o Redentor de todos, deve-se distinguir se adoram o verdadeiro Deus em suas cerimônias (…) pois, quando, como sinal de alguma excelência ou condição imprópria a Deus, atribuem a Ele o que não lhe pertence, ou negam o que lhe pertence, e em conexão com isso oferecem reverência, culto ou alguma cerimônia — por exemplo, como sinal de que Ele não é triúno em pessoas, ou que na divindade o Pai é maior que o Filho, ou que as Pessoas divinas não são consubstanciais, ou que Deus é corpóreo em sua natureza divina, ou que Ele não provê sobre tudo, ou que não se fez homem, nem por sua Paixão remiu o mundo, e coisas semelhantes — então, de fato, por tais atos interiores e exteriores, eles adoram não o verdadeiro Deus, mas um falso ou fictício. Isso é evidente, porque quando tais pessoas adoram de fato um Deus que não é triúno, ou que é corpóreo, então um Deus que não é triúno não é o verdadeiro Deus, mas um fictício; portanto, adoram não o verdadeiro Deus, mas um fictício. A consequência é clara: a [premissa] maior vem da suposição. E a própria maior também é evidente, porque um Deus corpóreo, um Deus não triúno, ou um Deus que não é homem, nem Redentor, no tempo da graça não supõe realidade alguma; pois é simplesmente impossível que Deus não seja uno em essência e triúno em pessoas. E pela suposição e pela lei, é agora impossível que Ele não seja Criador, Governador e Redentor do mundo. Pelo que aquelas proposições afirmativas a respeito de um sujeito que não se supõe são falsas, e as negativas são verdadeiras. E com o que foi dito, a segunda proposição concorda expressamente com Caetano, comentando sobre São Tomás, Summa Theologica II–II, q. 10, art. 3, dúvida 3, e q. 2, art. 2, junto com alguns outros que são citados abaixo. Do que se infere que os infiéis acima mencionados, habitual, geral e absolutamente, adoram não o verdadeiro Deus, mas um fictício.” — Antônio de Córdoba, O.F.M., Quaestionarium theologicum, Sumptibus Baretii Baretii, vol. I, 1604, lib. I, Quest. XL, p. 328.
16. CARDEAL CLEMENTE DOLERA, O.F.M. (1501–1568)

“A primeira cláusula é: ‘Não terás deuses estranhos diante de mim’. A primeira cláusula desse preceito mostra que judeus e sarracenos são idólatras, que têm deuses estranhos.” — Clemente Dolera, O.F.M., Theologicarum institutionum compendium, Blado, Antonio, 1562, De Praeceptis Divinis, cap. XI, p. 6.
17. CORNÉLIO A LÁPIDE, S.J. (1567–1637)

“Quem diz que Deus não tem um Filho, como ensinaram os arianos, ou que Ele não é trino em pessoas, como ensinaram os sabelianos, ou que não há livre-arbítrio, como ensinam os modernos, ou falsamente lhe atribui qualquer outra coisa, certamente não reconhece o verdadeiro Deus que é, mas outro deus que não é, e assim adora uma falsa divindade e um ídolo fabricado por si mesmo. Pois o verdadeiro Deus tem um Filho, é trino em pessoas, possui livre-arbítrio, e assim por diante. Portanto, um deus que carece de um Filho, das três pessoas, do livre-arbítrio e coisas afins, certamente não é verdadeiro, mas falso, e, portanto, diabólico e fraudulento.” — Cornélio a Lápide, S.J., Commentaria in Pentateuchum Mosis, apud Iacobum Meursium, 1663, p. 1000.
“Do mesmo modo, os turcos e judeus adoram um Deus que não conhecem, porque negam que Ele esteja em uma Trindade de Pessoas. Assim também Calvino com seus seguidores, ao negar a onipotência de Deus e fazê-lo cruel ao condenar alguns homens ao inferno sem qualquer demérito de sua parte, adoram não um Deus verdadeiro, mas um falso. Pois o verdadeiro Deus é Todo-Poderoso e sumamente bondoso.” — Cornélio a Lápide, S.J., Commentaria in Scripturam Sacram R. P. Cornelii a Lapide, Vivès, 1877, p. 361.
18. FILIPPO GUADAGNOLI, C.R.M. (1596–1656)
“Mas o Alcorão diz que Deus jurou muitos juramentos falsos por ditos vis e desprezíveis, porque não fala sobre o verdadeiro Deus, mas, em vez disso, profere sobre um deus falso e mentiroso.” — Filippo Guadagnoli, C.R.M., Pro christiana religione respondeturad obiectiones Ahmed Filii Zin, Typis Sac. Congreg. de Prop. Fide, 1637, p. 433.
19. JUAN CARAMUEL Y LOBKOWITZ, O.C.S.O. (1606–1682)

“Empreendi a demonstração de que o Deus dos maometanos, que se diz ter revelado o Alcorão, era ignorantíssimo e sordidíssimo e, portanto, diz-se ser, mas não é, o verdadeiro Deus. E concluo que os pagãos, os judeus e os maometanos são antes ateus do que crentes, pois adoram uma divindade impossível; e uma majestade impossível não é Deus.” — Juan Caramuel, O.C.S.O., Theologia regularis…, Ed. quarta, Laurentius Anisson, vol. II, 1665, p. 254.
20. CHRÉTIEN DE WULF, O.S.A. (1612–1681)

“Embora os sarracenos adorem o Deus Todo-Poderoso, contudo, com Sabélio, tornam-no estéril, e negam que o Filho e o Espírito Santo procedam d’Ele e, assim, por sua mente profana, transformam-no em um ídolo para si mesmos. Eles não adoram o verdadeiro Deus, mas esse ídolo deles. (…) No entanto, pode-se de fato dizer que, através da cegueira das mentes carnais dos judeus, um deus foi fabricado; pois é um ídolo.” — Chrétien de Wulf, O.S.A., Synodorum generalium ac provincialium decreta et canones…, vol. 1, 1727, p. 70.
21. PAULO MARIA CAUVINO DE NICEIA, O.P. (1642–1716)
“Assim como é impossível que se admita um Deus que não seja o verdadeiro Deus (visto que um deus que não é o verdadeiro Deus é mais depressa um deus de nome do que de realidade), assim também é impossível, com assentimento verdadeiro, admitir um deus ou qualquer coisa condizente a Deus, a menos que se admita o verdadeiro Deus, ou aquilo que condiz ao verdadeiro Deus. Mas o herege não admite o verdadeiro Deus nem nada que condiga ao verdadeiro Deus; portanto, com assentimento verdadeiro, ele não admite nenhum dos dois, nem nada condizente a Deus. A prova é esta: como foi dito, ele não tem o verdadeiro Deus, nem uma matéria credível condizente ao verdadeiro Deus, quando ao mesmo tempo nega outra matéria credível. Pois não pode ser que Deus seja o verdadeiro Deus, a saber, uno, com uma negação de si mesmo enquanto trino; e assim também em outras matérias. Pois, embora quanto ao poder absoluto, possam sustentar fora da escola de Santo Tomás que Deus poderia ser visto precisamente como um, sem ser visto como três, todavia não com a negação do predicado não visto; pois seria antes uma visão de um Deus fictício do que do verdadeiro Deus, como suponho ser admitido por todos. Portanto, é repugnante que um herege, uma vez negando um ou mais [artigos] credíveis, possa com assentimento verdadeiro assentir a outros credíveis; e, consequentemente, todo o seu assentimento inferencial procederá de um assentimento falso ou errôneo, e não meramente de um falível, etc. Esse raciocínio, além de Santo Tomás, é também elegantemente sugerido por M. Porrecta no mesmo lugar, e no Compêndio da Verdade Católica de Alberto Magno, Livro V, para o capítulo 60.” — Paulo Maria Cauvino de Niceia, O.P., Disputationes theologicae in primam partem Summae Theologiae Sancti Thomae, Komarek, vol. I, 1709, disp. I, quest. IV, p. 52.
22. DOM GIUSEPPE MARIA PERRIMEZZI, O.M. (1670–1740)

“E, com efeito, primeiramente os judeus, que, embora admitam que existe um Deus, todavia não reconhecem o verdadeiro, porque, ao quererem que Ele seja infecundo, moldam para si mesmos um Deus diferente d’Aquele que é verdadeiramente uno em essência e trino em pessoas. Consequentemente, negando a Deus, eles estão sem Deus e, por isso, devem ser chamados de ateus. E embora antes da vinda de Cristo os judeus tivessem crido na Trindade de Pessoas e, não obstante, tivessem adorado o verdadeiro Deus, ainda assim existe essa diferença entre aqueles antigos e os hebreus modernos: aqueles, se não acreditavam explicitamente, contudo não negavam, e não acreditavam explicitamente porque o preceito de crer ainda não havia sido promulgado; mas estes agora tanto não creem quanto negam, e têm o preceito de crer; daí que verdadeiramente não creem no verdadeiro Deus, que é indivisivelmente um e três — uma vez que acreditam que Ele seja um e negam que Ele seja três. (…) O mesmo também pode ser dito dos turcos e outros seguidores do Alcorão, porque atribuem a Deus muitas coisas que são repugnantes a Deus, nem adoram igualmente o verdadeiro Deus; por isso, devem ser considerados do mesmo modo: sem Deus e ateus.” — Giuseppe Maria Perrimezzi, O.M., In sacram de Deo scientiam, Ex Typographia Januarii Mutio Haeredis Michaelis Aloysii, vol. I, 1730, p. 6.
RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES
Objeção 1: O Santo Papa Gregório VII, em sua carta ao Rei Anzir da Mauritânia, afirmou: “Nós adoramos e confessamos o mesmo Deus”. Essa é a mesma frase à qual o Concílio Vaticano II também se referiu; logo, os muçulmanos adoram o mesmo Deus que os católicos.
Resposta: Essa tradução está inteiramente errada; a frase em latim da carta é a seguinte: “Nos et vos specialibus nobis quam caeteris gentibus debemus, qui unum Deum”. E “unum deum” significa “um só deus”, não “o mesmo deus”. A ênfase aqui é que tanto muçulmanos quanto cristãos acreditam em um Deus que é único. Como vimos nos textos acima dos grandes teólogos da Igreja, o fato de os muçulmanos adorarem um só deus não os impede de adorar um deus falso e estranho.
Objeção 2: O Catecismo do Papa Pio X afirma:
“P. Quem são os infiéis?
“R. Infiéis são aqueles que não foram batizados e não creem em Jesus Cristo, porque ou creem em falsos deuses e os adoram, como fazem os idólatras, ou, embora admitam um único Deus verdadeiro, não creem no Messias, nem como já vindo na Pessoa de Jesus Cristo, nem como ainda por vir; por exemplo, os maometanos e afins.” — Compendio della dottrina cristiana prescritto da S.S. Papa Pio X, éditeur non identifié, 1905, p. 123.
Portanto, os muçulmanos adoram o verdadeiro Deus.
Resposta: Primeiro, esse texto apenas enfatiza o reconhecimento de um só Deus pelos muçulmanos e sua distinção dos idólatras politeístas; pois o mesmíssimo Catecismo afirma mais adiante:
“P. O que pretendemos quando pedimos que Deus seja conhecido, amado, honrado e servido por todo o mundo?
“R. Pretendemos rogar para que os infiéis cheguem ao conhecimento do verdadeiro Deus (‘cognizione del vero Dio’).” — Compendio della dottrina cristiana prescritto da S.S. Papa Pio X, éditeur non identificado, 1905, p. 138.
Está claro que, de acordo com este Catecismo, os infiéis — entre os quais os muçulmanos — não conhecem o verdadeiro Deus, e este Catecismo não pode estar em contradição consigo mesmo.
Segundo, o texto em questão pertence à edição de 1905 deste Catecismo; esta edição foi uma compilação de vários catecismos usados temporariamente para padronizar a instrução catequética na Itália. Mas a edição permanente é a de 1912, que o Papa Pio X examinou e aprovou pessoalmente. Com a promulgação da edição de 1912, o Papa Pio X proibiu o uso de qualquer outro catecismo, incluindo a edição de 1905:
“2. (…) Consentimos na redução do antigo Catecismo em um novo, muito limitado, que Nós mesmos examinamos.
“5. Este Catecismo, portanto, e os Primeiros Elementos dele derivados para a conveniência das crianças pequenas, ordenamos que sejam adotados sem alteração de palavras, e com a autoridade do presente, o aprovamos e prescrevemos à diocese e província eclesiástica de Roma, proibindo que, de agora em diante, qualquer outro texto seja seguido no ensino catequético.” — Papa São Pio X, Carta ao Cardeal Pietro Respighi, 18 de outubro de 1912.
Na edição de 1912, essa passagem foi completamente removida:
“125. Quem são os infiéis?
“Os infiéis são os não batizados que não creem de forma alguma no Salvador prometido, isto é, no Messias ou Cristo, tais como os idólatras e os maometanos.” — Catechismo della dottrina cristiana, Tip. Pol. Vat., 1912, p. 32.
Agora compreende-se por que os modernistas se interessam pela edição temporária, revogada e proibida de 1905, em vez da edição de 1912, que pode ser retamente chamada de Catecismo do Papa São Pio X.
Objeção 3: Segundo o Concílio Vaticano I, Deus pode ser conhecido por meio da razão natural; além disso, Romanos 1,20–21 afirma que alguns pagãos conheceram a Deus usando a razão; mas a Trindade não pode ser conhecida pela razão. Portanto, judeus e muçulmanos, embora neguem a Trindade, podem, no entanto, conhecer a Deus da mesma forma que aqueles pagãos conheceram.
Resposta: Trata-se de uma falsa analogia. Sim, é verdade: o homem, pela razão natural, pode chegar ao conhecimento da existência de Deus e conhecê-lo — desde que não negue consciente, positiva e ativamente nenhum dos atributos essenciais de Deus, nem sustente alguma falsidade sobre Ele. Portanto, alguém que não tem acesso algum à revelação divina pode, apenas pela razão natural, conhecer a Deus; pois ele não tem consciência da verdade revelada da Trindade e não pode negá-la ativa e positivamente. Mas tanto judeus quanto muçulmanos estão plenamente conscientes da revelação da Trindade; no entanto, eles a negam positivamente e ativamente. A situação deles é inteiramente diferente daquela de alguém que não tem acesso à revelação divina: este último não nega nenhum atributo essencial de Deus nem fabrica para si um deus falso e imaginário — ele ainda crê no verdadeiro Deus, embora com um conhecimento menor. Em contraste, muçulmanos e judeus, por sua negação ativa da Trindade, não apenas rejeitam o verdadeiro Deus, mas também constroem para si mesmos um deus imaginário e falso, que não existe objetivamente, e adoram um deus estranho.
Em conclusão, convém recordar as palavras destes dois papas dos últimos dois séculos, e manter-nos afastados dos sofismas dos seguidores da satânica seita do Novus Ordo, que se esforçam, através do culto e da oração comum, para equiparar a religião católica com outras religiões satânicas e falsas:
23. PAPA GREGÓRIO XVI (1765–1846)

“5. (…) Louvaremos São Gregório Magno, que expressamente testemunha que este é, de fato, o ensinamento da Igreja Católica. Ele diz: ‘A santa Igreja universal ensina que não é possível adorar a Deus verdadeiramente exceto nela’.
6. (…) Portanto, devem instruí-los no verdadeiro culto de Deus, que é exclusivo da religião católica.” — Papa Gregório XVI, Summo jugitur studio, 27 de maio de 1832.
24. PAPA PIO XI (1857–1939)

“11. (…) A Igreja Católica é a única a manter o verdadeiro culto.” — Papa Pio XI, Mortalium animos, 6 de janeiro de 1928.
