MAXIMILIANO KOLBE, MAÇONARIA E OS JUDEUS
Seleta de escritos
Fonte: Escritos de Maximiliano Kolbe. São Paulo: Paulus, 2021.
_______________
Nota d’O Recolhedor: Ao longo de seus escritos, Maximiliano Kolbe jamais deixou dúvidas quanto ao objetivo essencial de sua obra, a Milícia da Imaculada: a conversão dos hereges e cismáticos, sobretudo dos maçons, a quem identificava como adversários frontais da Igreja. Consequentemente, qualquer leitura que apague esse dado central, apresentando um Kolbe neutro, adaptado às sensibilidades do discurso contemporâneo, é não apenas mutilar sua figura, mas também despojá-lo daquilo que conferiu unidade e vigor ao seu apostolado. Repudiamos, portanto, a tentativa de se fabricar um Kolbe “higienizado”, social e politicamente asséptico, pois sua missão não se compreende senão na chave da luta aberta contra a judeo-maçonaria e na fidelidade à tradição católica.
_______________
EK 656
Para Niepokalanów
Mugenzai no Sono, 12 de dezembro de 1935
PS. — Sobre a questão judaica, escreve de modo elegante Padre J. Unszlicht no Ateneum Kaplanskie de novembro de 1935 (pg. 373).
Frei Maximiliano M. Kolbe
[Nota: O pensamento principal do artigo de Padre Juljan Unszlicht, “Sobre o judeo-catolicismo”, em Ateneum Kaplanskie (“Ateneu Sacerdotal”), 1935, tomo 36, p. 373–77, é o seguinte: em linha geral não se pode falar de uma possível assimilação nacional nem de uma conversão dos judeus. Só algumas exceções aderem ao espírito polonês e ao catolicismo. A palavra de ordem é uma sábia defesa frente à invasão dos judeus, mas não o antissemitismo.]
*
EK 845
Para Padre Vicente Borun, Roma
Maria!
Niepokalanów, 7 de fevereiro de 1939
Querido Padre!
Finalmente me decido a tomar um pouco de tempo para escrever-lhe algumas palavras. Peço-lhe que me perdoe por um atraso tão grande. Para maior ordem e para fomentar de maneira mais eficaz o zelo pelo desenvolvimento da causa da M.I., em minha opinião seria bom que os relatórios anuais das “sedes filiais” fossem enviados à Sede Primária. Depois de reunidos todos juntos num só relatório, a própria Sede Primária poderá notificar a todas as “sedes” o resultado obtido durante todo o ano da atividade de toda a M.I. no mundo e de cada uma de suas sedes. Desse modo, os inscritos na M.I. serão encorajados a prosseguir sempre mais o seu trabalho, ajudados pela experiência dos demais e pelos métodos que permitiram a obtenção desses resultados.
Seria bom, além disso, que a cada ano, por exemplo no começo de dezembro, a Sede Primária enviasse a cada “sede” um questionário para lembrar-lhe a obrigação de redigir o relatório.
É fora de dúvida que a Sede Primária não está em condições de funcionar regularmente por falta de um Padre Diretor. Os Padres Jesuítas se organizaram desta maneira: O Padre Geral, durante o seu mandato, é o “diretor ordinário” do Apostolado da Oração e designa um “diretor delegado”, o qual dirige toda a obra de acordo com as diretrizes recebidas.
O Cavaleiro em latim deveria ser impresso pela Sede Primária, mas no momento o Reverendíssimo Padre Geral [Beda Hess] recomendou publicá-lo na Polônia, dado que aqui já existem os meios para fazê-lo. Na Niepokalanów mundial deveriam trabalhar os representantes de várias nações.
No Colégio não será tão indispensável (mesmo se necessária) uma formulação ou outra do estatuto da M.I., quanto o aprofundamento da aproximação à Imaculada e da consagração ilimitada a Ela, além da preparação pessoal para uma intensa difusão da M.I. — como exige o estatuto da MI — na Província religiosa e na nação à qual se pertence.
A maçonaria, como também o comunismo, combatem a Igreja de Deus; todavia, enquanto a maçonaria não discute na teoria a propriedade privada (praticamente ela exige que os seus sócios lhe entreguem o que possuem), o comunismo nega o direito de propriedade, tanto na teoria como na prática. Além disso, a maçonaria é mais difundida entre as pessoas mais influentes e dirige de modo sistemático, porém enganoso, quase toda a atividade contra a Igreja. Cá e lá [isto é, na maçonaria e no comunismo] encontramos os próprios judeus que dançam em volta do bezerro de ouro.
A M.I. se preocupa em converter todos aqueles que têm necessidade de conversão, em primeiro lugar a maçonaria, e portanto santificar todas as pessoas que vivem agora e que viverão no futuro em qualquer tempo e lugar.
No momento envio só estas poucas palavras, pedindo uma oração, para que não consigamos colocar obstáculos à ação da Imaculada.
*
EK 865a
Para Padre Vicente Borun, Roma
J.M.J.Fr.
Niepokalanów, 10 de maio de 1939
Querido Padre,
Só agora mando algumas palavras em resposta à sua carta de março, já que é tão difícil encontrar um pouco de tempo.
É muito bom que se comece a preparar as estatísticas com maior exatidão. Se cada ano, antes do mês de dezembro, a Sede Primária enviasse às sedes filiais formulários-relatórios, o problema das estatísticas seria talvez, ainda mais vivo.
Infelizmente no Miles ainda se encontram erros de impressão, mas a sua quantidade diminuirá na medida em que sejam reforçadas as forças laborativas.
Estamos muito contentes pelo fato de Sua Eminência o Cardeal Protetor [Vicente La Puma] ser tão favorável à causa da Imaculada na nossa Ordem.
Não vejo nenhuma dificuldade para a introdução da M.I. nos Estados Unidos com o objetivo de combater o ateísmo, o comunismo e o neopaganismo. O estatuto, de fato, afirma expressamente que o objetivo da M.I. é o empenho na obra de conversão dos pecadores, dos hereges, dos cismáticos, etc., por isso, de todos juntos e de cada um em particular, sem exceção alguma, aqueles que precisam de conversão, e entre estes encontram-se precisamente os ateus, os comunistas e os neopagãos. Quanto à maçonaria americana, não é tão inócua como poderia aparentar à primeira vista. O seu objetivo, de fato, é sempre o mesmo das outras maçonarias espalhadas pelo mundo, ou seja: a destruição da Igreja Católica, mesmo se as formas de ação são diferentes, muito mais filantrópicas.
Quanto ao modo de se comportar em relação à Liga da Imaculada na Inglaterra ou da Brigada Mariana nos Estados Unidos, ou de qualquer outra associação mariana, podemos somente desejar-lhes o máximo desenvolvimento e os mais abundantes frutos possíveis, enquanto que de nossa parte — pelo fato de sermos Milícia da Imaculada — nos empenhamos em ajudar a todos os demais, na medida das nossas possibilidades, na conquista o mais rapidamente possível do mundo e de cada alma em particular para a Imaculada. O que, entretanto, não exclui absolutamente a nossa atividade, a ser desenvolvida com qualquer meio lícito, entre os quais aparece, de maneira muito visível, a organização da M.I. com o auxílio dos estatutos aprovados, adequados ao tempo, ao local, e às necessidades do momento. Repito, por isso, que não vejo nenhuma dificuldade no fato de a M.I. ajudar a todos, tanto as almas individualmente como as diversas associações, para uma aproximação à Imaculada, até o ponto de influir no ambiente, conquistar os outros, numa palavra, fazer “obra de mílites”, tornar-se sempre mais: M.I. Aliás, é necessário fazê-lo.
Provavelmente também já começou a chegar ali o Echo Niepokalanowa.
Saudações cordiais a todos, sobretudo àqueles que com entusiasmo dão uma mão para a causa da Imaculada.
Com o pedido de uma oração, comílite na Imaculada e confrade no Pai São Francisco,
Frei Maximiliano M. Kolbe.
*
EK 1023
Um perigo iminente
Rycerz Niepokalanwy, janeiro de 1923, pg. 2–4
Examinando os últimos acontecimentos, damo-nos conta com clareza que aqui [na Polônia] as coisas vão mal: o custo de vida aumenta dia apos dia, o país se aproxima do fracasso econômico, o governo é fraco e incapaz; temos a sensação de que uma mão misteriosa está colocando obstáculos contínuos e levando-nos à ruína.
Em toda a face da terra, em alguns lugares de maneira mais fraca, em outros com maior obstinação, ferve uma luta contra a Igreja e a felicidade das almas. O inimigo se manifesta debaixo de vestimentas e denominações diferentes: Todos conhecem a maneira pela qual o socialismo, aproveitando-se das míseras condições do operário, inoculou-lhe o veneno da incredulidade. Vemos como os bolchevistas perseguem a religião. Ouvimos o ensinamento dos materialistas, que desejam restringir o universo somente ao que conhecemos imediatamente com os sentidos, a fim de convencer-se a si mesmos e convencer aos outros de que Deus não existe nem a alma. A teosofia incute a indiferença religiosa, e os “estudiosos da Sagrada Escritura” e outros protestantes conseguem aderentes com grossas somas de dólares. Todos esses blocos formam um fronte de batalha compacto contra a Igreja.
O que os une?
Todo mundo sabe que são os judeus que dirigem o socialismo e governam atualmente na Rússia bolchevista. Eles não faltam nem entre os exércitos dos materialistas. Os “estudiosos da Sagrada Escritura”, como demonstrou o senhor Pawlak numa conferência ao Círculo Masculino da M.I, não são outra coisa senão um bolchevismo mascarado com todas as premissas dos talmudistas.
Também na teosofia são abundantes os judeus, tanto que em Viena, por exemplo, são judeus os diretores das lojas teosóficas: Hans Schiff, o Dr. Hans Robiczek, Gerstl, Schleisinger, Hirsch, como as diretoras: Paula Schiff, Singer-Shiff, a srta. Berta Mendelssohn, a srta. Abramowicz, a srta. Estela Ana Wertheimer. Além disso, só a denominação “loja”, análoga às organizações maçônicas, dá o que pensar. Finalmente, os diretores de todo o movimento teosófico de Viena são exclusivamente maçons, como o Dr. Irmão Francisco Hartmann, Carlos von Kellner, Artur Pfungst, Paulo Stoss, etc.
Que os maçons exercem aqui entre nós uma grande influência também no governo está demonstrado de maneira eloquente pelo fato de, dez dias antes da dissolução do governo de Ponikowski, em Roma ter-se difundido a notícia de que na Polônia haveria uma mudança de governo, já que… assim tinha ordenado (?!) a maçonaria a Pilsudski!
E aconteceu exatamente assim. Nos últimos dias o professor Estanislau Grabski escreve em Slowo Polskie (“A Palavra Polonesa”): “Existe uma força nefasta que não permite aos poloneses entrar em acordo entre si, que sistematicamente boicota todo intento de formar uma maioria polonesa no Parlamento e cada vez, em questões importantíssimas — como o problema de Wilno no parlamento anterior e no atual a eleição do presidente — obstaculiza, com o apoio das minorias nacionais, a maioria dos votos poloneses; que torna impossível a aproximação entre o partido Piast e o grupo nacional; que explora o radicalismo social e as ambições pessoais, os antigos prejuízos e as antipatias dos personagens dos grupos de centro, a fim de dividi-los, em vez de permitir-lhes colaborar com a direita…”.
Comentando essas palavras, a Gazeta Warszawska (“A Gazeta de Varsóvia”) acrescenta: “Essa força, que já deixou de se esconder, é uma conspiração judaico-maçônica. Neste momento não é necessário indicar suas caraterísticas, já que é demais evidente para todós nós”.
Diante desses dados de fato, podemos ainda ter dúvidas ao identificar a guia sob a qual lutam, conscientes ou não, nossos inimigos? Eis aqui a mão misteriosa que empurra o nosso país à ruína.
Diante de ataques tão duros dos inimigos de Deus é lícito cruzarmos os braços? Podemos, por acaso, nos limitarmos a nos queixar e derramar lágrimas? Absolutamente não!
Lembremo-nos de que no julgamento de Deus daremos conta não só das obras realizadas, mas Deus incluirá também na balança todas as boas ações que poderíamos ter realizado, mas que na realidade descuidamos. Sobre cada um de nós pesa o sacrossanto dever de nos colocar na trincheira e de rechaçar os ataques do inimigo com a nosso peito.
Frequentemente ouvem-se frases desse tipo: “O que eu posso fazer?”, “É uma organização muito forte”, “Eles possuem grandes capitais”, etc. Estes esqueceram provavelmente o que disse São Paulo: “Tudo posso naquele que me dá força” (Fl 4,13).
Como temos de lutar, sobretudo nós, membros da Milícia da Imaculada? Será que podemos ir em frente com a força do próprio punho, pagando com a mesma moeda? Não, esta não é a nossa tarefa! O objetivo a que a Milícia da Imaculada se propôs é a conquista dos corações para Ela. Ela fará o resto. Àqueles desventurados que, na sua insensatez e maldade, levantam as mãos contra o Ótimo Pai, para satisfazer seus afãs e conquistar felicidades aparentes, façam ou suportem algo por Ela, mesmo que seja mínimo, a brecha já está aberta: Ela tem já um título para, docemente e com o tempo, tomar posse daquele coração, colocá-lo no coração de Jesus e fazê-lo feliz.
Por amor aos malvados persigamos com toda a energia possível todas as suas perversas iniciativas; guiemos esses corações à Imaculada com a oração e o sacrifício, submetamos suas almas a Ela, pagando nós em pessoa, e nos agradecerão infinitamente já nesta terra. Eu mesmo o experimentei mais de uma vez: quem tornar feliz uma dessas almas terá seu vivo reconhecimento.
Estejamos atentos, entretanto, em não sofrer, trabalhar e suportar sacrifícios só em vista de semelhante reconhecimento. Seria um estímulo muito mesquinho. Viver, sofrer, trabalhar e morrer unicamente por Deus, por Deus através da Imaculada e como instrumentos na sua mão: eis o ideal digno de um cavaleiro da Imaculada.
*
EK 1026
A Igreja e o socialismo
Rycerz Niepokalanej, fevereiro de 1923, pg. 17–21
Às vezes, ouve-se a seguinte pergunta: Por que a Igreja condena o socialismo? Não faz muito tempo fizeram essa pergunta também a mim. Prometi dar uma resposta no Rycerz; eis-me aqui, portanto, cumprindo a promessa.
As colunas restritas de um breve artigo não me permitem analisar longamente os inícios, a essência, o desenvolvimento e os vários fenômenos que caraterizam o socialismo; por isso, limito-me somente a uma apresentação sumária dos seus princípios fundamentais em sua relação com a Igreja. Qualquer sistema, seja político, econômico ou social, deve basear-se sobre um efetivo e real estado de coisas, e não deve prestar homenagem a afirmações sem fundamento e a ilusões de uma fantasia demasiadamente efervescente. Infelizmente, o socialismo está doente precisamente por isso.
Afirmações sem fundamento são as frases repetidas ao infinito e nunca demonstradas, as quais afirmam que não existe Deus, nem uma alma imortal, nem uma vida além do túmulo, nem o paraíso nem o inferno e assim por diante. Essas coisas, segundo Mussolini, são um anacronismo para os nossos tempos, mas continuam a permanecer forçosamente na mente de grandes massas de população; e precisamente sobre esses princípios se ergue o socialismo.
Escutemos os mestres: (a) Bebel: “Não foram os deuses que criaram o homem, mas os homens que criaram os deuses e o próprio Deus” (Die Frau, 426). (b) Liebknecht: “Quanto a mim, faz tempo que me libertei da religião. Nasci num período histórico em que os estudantes alemães eram instruídos muito cedo sobre os princípios do ateísmo” (Volksbatt 1890, n° 281). (c) Hoffmann considera o mistério da Santíssima Trindade, a divindade de Jesus, a imortalidade da alma e a salvação eterna como as mais utópicas das utopias. (d) Dietzgen: “Se a religião se funda sobre a fé em seres extraterrestres, para além do nosso mundo, em forças superiores, em seres espirituais e na divindade, então a democracia deve ser sem religião”. (e) Por sua vez, o amigo de Marx, Leão Frankel, escreveu no próprio testamento: “Não creio nem no paraíso nem no inferno nem no prêmio e nem no castigo” (Vorwats 1896, pg. 81). (f) E na reunião parlamentar de 31 de dezembro de 1881, Bebel havia afirmado claramente: “No campo político nós visamos à república, no campo econômico ao socialismo e no chamado campo religioso visamos ao ateísmo”.
Portanto, o olhar de um socialista, que conheça seu próprio objetivo, não vai além do caixão mortuário, não se eleva acima de um mundo puramente material. Envolto na matéria como no interior de um casulo, vê toda a própria felicidade num uso animalesco do mundo, enquanto alguém mais idealista talvez pense no estudo e na arte.
Não é, por acaso, muito pouco tudo isso para um homem, cujo pensamento penetra na atmosfera e entre as estrelas e corre pelos espaços do firmamento? Cuja razão, sempre ávida de conhecer as causas, chega até a causa primeira e o fim último do universo? Cujo coração desejoso de possuir a glória, a felicidade, quanto mais conquista tanto mais deseja e sente que nada que é limitado, ainda que seja vastíssimo, mas sempre com um limite, pode preenchê-lo? Ele deseja o bem, mas um bem infinito! Perguntamos a nós mesmos se queremos impor limites à nossa felicidade? E essas pessoas de mentes tão pequenas, iludidas por um materialismo grosseiro, ousam anunciar à humanidade a felicidade? Mas serão capazes de fazer feliz a humanidade com meios materiais? Conseguirão cobrir cada homem de ouro, rodeá-lo de glória e dar-lhe a possibilidade de gozar de todos os prazeres?
Ilusões de uma fantasia doente! Eu já notei que tudo o que o mundo pode oferecer não é suficiente para o homem. Todos esses bens têm os seus limites, iludem ou suscitam o desejo de uma felicidade maior e mais duradoura, e quando esta falta, a alma sente-se invadida pelo tédio, pelo aborrecimento e por uma espécie de trevas. Se ainda é capaz de refletir, dá-se conta de que errou o caminho para a felicidade.
Mas talvez o socialismo poderá conseguir até à saciedade ao menos este bem terreno? Não, nem mesmo este.
Liberdade, igualdade, fraternidade: são belos princípios, mas o socialismo, depois de ter violado a natureza humana, que anseia por horizontes mais amplos e tende ao infinito, não é capaz de obter essas realidades; são demasiado nobres e sublimes.
A liberdade. O socialismo suprime a propriedade privada, ou ao menos a propriedade dos meios de produção. É o governo, portanto, que estabelece o tipo de trabalho, o governo que o avalia, o governo que o retribui. E isso deve ser liberdade. Lembro, a esse respeito, a conversa com um camponês de Zakopane; regressando da prisão na Rússia, ele tinha se deixado fascinar pelo princípio bolchevista de pegar as coisas dos ricos. Porém, quando lhe perguntei o que aconteceria então com o seu pequeno pedaço de terra, argumentava que ele a teria cultivado. “Mas se o senhor depois não tiver mais vontade de cultivá-la?”, perguntei-lhe. “Então os outros têm o dever de obrigar (a este ponto se interrompeu)… mas eu prefiro o meu pedaço de terra e poder fazer o quê, quando e como quiser, do que alguém que se coloque acima de mim”.
Eis o impulso natural da liberdade inata que os socialistas, em nome da liberdade (?!), querem esmagar.
E a igualdade? Diante de Deus somos todos iguais, já que somos todos obras de suas mãos, todos redimidos pelo sangue do Homem-Deus, todos temos este Deus como finalidade última, todos vivemos somente para dar-lhe demonstração da nossa fidelidade e assim merecer possuí-lo eternamente depois da morte. Em tudo isso há igualdade. Mas é possível que sobre esta terra haja igualdade sob todos os aspectos? Isso seria possível somente se pudéssemos existir todos juntos ao mesmo tempo, no mesmo lugar e nas mesmas condições, tanto de natureza como de ambiente. Mas isso é fisicamente impossível. Nós nos diversificamos por idade, por local de nascimento, por capacidade, por tendências, por condições de saúde, por diligência, por perspicácia, pelos diversos acontecimentos que ocorrem durante a vida e por várias atividades. Tudo isso depende da própria natureza das coisas; consequentemente não se pode mudar. Além disso devem existir os pais e os filhos, tanto os superiores como os súditos.
A fraternidade, a nobre fraternidade, tão recomendada pelo Senhor Jesus Cristo. Por acaso ela floresce no socialismo? Tenho aqui em mãos um relatório de um correspondente, de Sopot, do Kurier Warszawski (“O Correio de Varsóvia”), que entre outras coisas escreve: “Os cabarés russos se ajustam aos gostos do público, que não repara em gastos. Para ele há camarões frescos, abacaxi e peixe com gelo e champanhe, uvas, doces, sorvetes com taças de ponche fervente. E o público? Nesses cabarés russos deve haver um público que conheça aquela língua. Portanto, trata-se sobretudo de judeus. Nas melhores mesas e perto das garrafas do bar há bolchevistas, vestidos com os mais recentes uniformes de Gdansk, com a estrela bolchevista na lapela, e no dedo um grande anel com uma pedra preciosa em que está gravado o candelabro de Salomão… Em Sopot os outros funcionários soviéticos não olham para o dinheiro. À procura de repouso, depois de ter abandonado a cidade coberta de cadáveres de pessoas mortas de fome e após ter depredado das igrejas ortodoxas os seus tesouros, gastam o dinheiro no jogo, na champanhe e em toda a forma de divertimento”.
Ao lado existe também o texto de uma carta chegada de Odessa, publicada no Dziennik Wolynski (“O Jornal de Wolyn”): “O que importa se ganha 300.000 súbias, por dia, se um saco[1] de farinha custa 12.000.000, um de farinha de trigo 20.000.000, uma libra de pão 300,000, uma de pão branco 500.000, uma libra de manteiga 1.500.000, uma de toucinho também 1.500.000; os ovos 100.000 cada um, etc. A epidemia está adquirindo dimensões espantosas. No passado, às vezes os cadáveres das pessoas que tinham morrido de inanição permaneciam durante vários dias estendidos nas calçadas das ruas… Atualmente, além daqueles cadáveres, permanecem abandonados também os cadáveres dos que morreram de cólera, de tifo, de peste bubônica, etc. E as pessoas são sepultadas na terra nuas, como os cães, já que o caixão mais barato, não polido, custa 10.000.000 de rúbias. Os teus filhos têm um grande desejo de Ti, querem abrir-se caminho, querem voar para a Pátria. Mas a pesada mão soviética tem em suas mãos tesouras grandes e afiadas, com as quais corta as asas daqueles que têm muita vontade de levantar voo. Todos contraímos o tifo e, depois de ter superado uma doença tão grave, é indispensável, como você sabe, alimentar-se bem, mas de onde tirar os recursos para fazê-lo? Caso contrário, espera-nos a recaída no tifo, mas sabemos que ela traz consigo a morte. Todavia, prefiro uma morte causada por uma doença contagiosa, na qual o homem morre no delírio febril, do que apagar-me lentamente por causa da fome”.
Será mesmo essa a fraternidade e a igualdade proclamadas pelos bolchevistas? Será mesmo esse o paraíso sonhado por Marx?
Não é esse o caminho!
Deve-se reconhecer que a classe trabalhadora está, em grande parte, muito abandonada, que o socialismo a defendeu, porém devemos lamentar o fato de ter atacado a Igreja, de estar fazendo todo o possível para arrancar dos operários, e inclusive das crianças, o precioso tesouro da fé e os ideais mais sublimes e inatos. Assim, tendo empreendido um caminho errado, ele gera unicamente a escravidão e a tirania do governo sobre os cidadãos e desconhece as aspirações da nobre e livre natureza humana.
Esses desvios, entretanto, não são algo acidental, são a atividade metódica dos “Irmãos” do martelo e da colher de pedreiro, que exploram qualquer ocasião para fazer valer o lema que decretaram em 1717: “Destruir toda a religião, sobretudo a cristã”.
As relações sociais se desenvolvem e se aperfeiçoam. Muitas coisas exigem um ajuste, porém tal ajuste não se obterá jamais de maneira que resulte incompatível com a verdade e com a natureza humana.
Diante desses fatos, será ainda necessária uma resposta à pergunta: por que a Igreja proíbe aos seus filhos de serem socialistas?
*
EK1091
Como a maçonaria francesa combate contra a Imaculada
Rycerz Niepokalanej, abril de 1925, pg. 73–75
Que a França está dominada pelos maçons, não há dúvida. A eles contribuiu sobretudo Voltaire, acolhido na maçonaria em Londres ainda em 1728. Seguiram-no d’Alembert, Rousseau, Diderot e outros. Mas o fruto do trabalho foram os horríveis disparates de 1793.
Também o atual governo de Herriot é uma criação maçônica, já que são maçons: os senhores Vitor Peytral, Ministro de Obras públicas; Camille Chantemps, Ministro do Interior; René Tenault, Ministro da Justiça; J. L. Dumesnil, Ministro da Marinha, e Bovier-Lapierre, Ministro do Trabalho.
Também toda a luta atual contra a Igreja não é outra coisa senão a atualização das resoluções do “Grande Oriente” da maçonaria dos anos de 1922 e 1923, como foi demonstrado de modo claro e preciso por La Revue Française.
Por esse motivo também a Imaculada rodeou esta nação com uma particular proteção. Aqui, precisamente no ano de 1830, Ela se dignou manifestar a sua “medalha milagrosa” e em Lourdes, no ano de 1858, apareceu à pobre menina Bernadete, para inculcar a penitência e exortar, com seu próprio exemplo, à reza do rosário. E exatamente lá ela quis chamar-se: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Numerosas peregrinações de todo o mundo vão àquele lugar e muitos doentes recobraram a saúde de modo prodigioso. Pois bem, neste lugar milagroso, desde o início até hoje, a maçonaria não economiza esforços para lutar contra a Imaculada. No início, com uma atitude segura de si, negava categoricamente a existência das curas em Lourdes. Entretanto, quando, diante dos fatos, uma posição dessas se tornara simplesmente ridícula, começou a aguçar a criatividade, a fim de interpretar esses acontecimentos de maneira diferente da real: tratam de explicá-los falando de sugestão, hipnose, etc. Nem mesmo esses meios resistiram à crítica; com efeito, como se pode mandar que um osso quebrado se cole imediatamente, ou fazer que os pulmões, devorados por milhões e milhões de micróbios, cuspam para fora tais micro-organismos e com isso os destruam — segundo o benévolo desejo expressado por um desses sabichões?
Apesar disso, houve inclusive quem tentasse negar até a cura de tuberculose em seu último estágio.
Eis aqui um pequeno exemplo.
O senhor Zola foi pessoalmente testemunha da cura da senhora Maria Lebranchu, precisamente de uma tuberculose pulmonar que tinha chegado no último estágio da doença. Não pôde desmentir o fato, já que o “Bureau des Constatations”, composto por médicos, tinha examinado atentamente a existência da doença e verificado também as condições posteriores à cura. Entretanto o senhor Zola tomou a liberdade de publicar uma notícia segundo a qual a dita enferma tinha experimentado só uma melhora momentânea e tinha morrido, enquanto a senhora Lebranchu vivia em Paris e estava perfeitamente curada.
O que fazer diante disso?
Pois bem, para que a senhora Lebranchu fosse considerada morta, ele excogitou a seguinte ideia: propôs à senhora Lebranchu que deixasse Paris e fosse a um povoado perdido na Bélgica, comprometendo-se em cobrir as despesas de viagem e de manutenção no lugar com sua família…
Não é de estranhar portanto que o marido da senhora curada expulsasse para fora da porta o original debelador de milagres.
Rezemos para que a Imaculada se digne rodear também a nossa Pátria com uma especial proteção, já que também aqui a maçonaria existe e atua com um zelo digno de melhor causa.
*
EK 1095
O que um maçom diz aos maçons sobre o Vaticano
Rycerz Niepokalanej, junho de 1925, pg. 148–149
O senhor De Monzie, maçom, atual ministro do governo Painlevé na França, durante uma assembleia da grande Loja Maçônica de Paris criticou os seus “irmãos” pela sua miopia demonstrada em romper as relações entre a França e o Vaticano, com estas palavras:
“Tenta-se justificar a ruptura com o Vaticano refugiando-se na tendência geral ao anticlericalismo. Isso não é verdade! Todos os governos ingleses, seja qual for seu partido, combatem tenazmente a tendência de romper as relações com o Vaticano. A Sede Apostólica não só não perdeu nada da sua autoridade, mas antes continua a ganhar. O príncipe herdeiro do Japão, que não é absolutamente ligado ao Vaticano por vínculos religiosos, vem a Roma, presta homenagem ao Papa! A mesma coisa faz Herbert Samuel, o ‘rei judeu’, como o chamam os antissemitas.
“Mas qual é o motivo da ruptura? Diplomático? Não se pode desconhecer a importância de uma potência internacional, como é o Vaticano, e ao mesmo tempo rodear de estima a Sociedade das Nações! Nada menos que o chefe dos socialistas, Blum, referindo-se à carta que o Papa enviou em 25 de junho a Poincaré, exclamou: ‘Chegou o tempo de prestar atenção às vozes internacionais!’.
“Anticlericalismo? Ele tem razão de existir somente quando se dirige contra preconceitos e perigos reais.
“Para mostrar de longe ao Papa um punho fechado? Não! Na política não sou favorável aos gestos teatrais! O anticlericalismo perde todo o valor quando se troca a preço baixo no mercado!”.
Pois bem, mesmo sendo anticlerical e maçom autêntico, ele teve de reconhecer que a rocha de Pedro não perdeu nada, mas antes continua a ganhar.
*
EK 1113
Pobrezinhos…
Rycerz Niepokalanej, janeiro de 1926, pg. 2–7
Deus existe sempre: no passado, no presente e no futuro.
No tempo, Ele chamou do nada à existência os seres espirituais, dotados de razão e de livre-arbítrio… Como tais, eles tiveram de escolher conscientemente o próprio futuro, dar prova de fidelidade.
Uma parte deles, mesmo sendo simples criaturas, quer dizer, nada por si mesmos, atribuem a si mesmos o que são e querem, somente com suas forças, tornar-se semelhantes a Deus. Pecam pelo orgulho. No mesmo instante recebem o castigo merecido, a reprovação.
Os que permanecem fiéis, reconhecendo humildemente a verdade, quer dizer, que devem atribuir a Deus tudo o que são e podem, e conseguirem conhecer sempre mais só graças a ele, fonte da existencia, de amá-lo, de possuí-lo cada vez mais e, em consequência, de divinizar-se (se está permitido expressar-se assim) sempre mais, Deus os fez felizes consigo no paraíso.
Deus, depois, criou outro ser feito de carne: também a ele deu uma alma dotada de razão e de vontade livre. Também a ele ofereceu um período de prova. O espírito soberbo, com a permissão de Deus e pela inveja que sentia pela felicidade daquele ser, o sugestionou dizendo-lhe que por suas próprias forças “seria semelhante a Deus” (cf. Gn 3,51).
O homem se deixa enganar, a mania da soberba gera a desobediência. A mente humana, contudo, não possui absolutamente a clareza de conhecimento próprio de um espírito puro, por isso também a culpa é menor. E assim Deus não lhe inflige uma punição eterna, mas o condena aos sofrimentos e à morte.
Quem, portanto, consegue oferecer à justiça divina uma satisfação adequada? A grandeza de uma ofensa se mede com a dignidade daquele que é ofendido, ou seja, Deus infinito. Nenhuma criatura finita, portanto, e nem todas as criaturas juntas conseguem oferecer uma satisfação infinita. Deus, e somente Deus infinito, pode satisfazer de maneira infinita.
E acontece algo inconcebível. Deus se abaixa até a criatura, faz-se homem para redimi-la e para ensinar-lhe a humildade, o silêncio, a obediência, a verdade. Para que os homens possam reconhecê-lo, escolhe um homem, Abraão, e rodeia sua descendência de uma proteção especial, para que não perca a fé no verdadeiro Deus, suscita nela os profetas, que preanunciam o tempo da sua vinda, a localidade e as particularidades da sua vida, morte e ressurreição.
Veio a um pobre casebre, habitou numa casa humilde, durante trinta anos esteve submetido na humildade, ensinou um modo de viver, acolheu benevolamente os pecadores que faziam penitência, repreendeu os fariseus hipócritas e enfim foi colocado na árvore da cruz, realizando dessa maneira as profecias.
O homem foi redimido.
Cristo Senhor ressuscitou, fundou a Igreja sobre a rocha, Pedro, e prometeu que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (cf. Mt 16,18).
Uma parte do povo israelita reconheceu nele o Messias; os outros, sobretudo os soberbos fariseus, não quiseram reconhecê-lo, perseguiram os seus seguidores e publicaram um grande número de leis que obrigam os judeus a perseguir os cristãos. Essas leis, junto com algumas narrações de rabinos anteriores, foram reunidas no ano 80 depois de Cristo pelo rabi Johanan ben Sakái e definitivamente ultimadas no ano 200 pelo rabi Jehuda Hannasi, dando assim origem à Mishná. Os rabinos posteriores acrescentaram também muitas outras coisas à Mishná, de modo que no ano de 500 o rabi Achai ben Huna pôde já recolher esses apêndices formando um volume distinto, chamado Gemara. A Mishná e a Gemara juntas constituem o Talmude. No Talmude, aqueles rabinos chamaram os cristãos: idólatras, piores do que os turcos, homicidas, libertinos impuros, esterco, animais em forma humana, piores do que animais, filhos do diabo, etc. Os sacerdotes foram chamados kamarim, quer dizer, adivinhos, e galachim, ou seja, cabeças peladas, mas em particular não suportam as almas consagradas a Deus na vida religiosa. Ao invés de bejs tefila, casa de oração, chamam a igreja bejs tifla, casa de imundície. As imagens, as medalhas, os rosários, etc., os chamavam elylym, ou seja, ídolos. No Talmude, os domingos e as festas eram denominados Jom ejd, ou seja, dias de perdição.
Ensinam, além disso, que a um judeu lhe é permitido enganar, roubar a um cristão, já que “todos os bens dos incrédulos”, ou seja, dos cristãos, “são como o deserto: o primeiro que se apodera deles, torna-se proprietário” (Bava Batra).
Essa obra, então, que recolhe doze grossos volumes e que inspira ódio contra Cristo Senhor e contra os cristãos, é ensinada aos rabinos, que se obrigam a ensinar o povo tomando-a como base e acrescentando que se trata de um livro sagrado, mais importante do que a Sagrada Escritura, tanto que o próprio Deus aprende o Talmude e consulta os rabinos especialistas no Talmude.
Nada de estranho, pois, que nem um judeu comum nem um rabino tenham, normalmente, uma ideia exata da religião de Cristo: nutrido unicamente de ódio pelo Redentor, sepultado em seus assuntos de ordem temporal, ávido por ouro e poder, nem sequer imagina quanta paz e felicidade oferece já nesta terra o fiel, ardente e generoso amor ao Crucifixo, como este supera todas as “felicidades dos sentidos” ou da inteligência oferecidas por este miserável mundo!
Não faz muito tempo encontrei-me no trem com um jovem judeu de uns 18 anos. A conversa se orientou sobre o tema da felicidade. Declarou com toda a sinceridade que nem o dinheiro nem as riquezas dão felicidade, tampouco é possível encontrá-la nos prazeres dos sentidos. Enquanto, tão desejoso de conhecer a verdadeira fonte da felicidade, continuava conversando, de improviso se ouviu, do compartimento ao lado, a voz de um judeu mais velho que o exortava a não se aprofundar muito nesse assunto.
Contrariado por esse impedimento interposto à sua busca da verdade, o jovem se dirige ao outro judeu para perguntar-lhe: “Diga-me, então, como estão as coisas”. Não recebendo repostas, pronunciou umas palavras mais duras de reprovação. Assim, pois, existe também entre os judeus quem busque a verdade, seja entre as pessoas comuns, seja entre os rabinos. Às vezes, acontece também que buscas sinceras, sustentadas por orações fervorosas, acompanhadas por uma vida pura, conduzem ao conhecimento da verdade, à conversão.
Tornou-se famosa em todo o mundo a conversão de Ratisbonne, um judeu fanático, ocorrida depois que ele aceitou a medalha milagrosa; além disso, o instituto religioso por ele fundado posteriormente lavou muitos compatriotas seus com a água do santo batismo.
Jamais esquecerei as orações de um judeu convertido, famoso músico da Itália setentrional, que depois se tornou religioso franciscano, Padre Emílio Norsa. Conheci-o em Roma. Amava muito a Imaculada, Durante a sua última doença tinha sempre uma imagem da Imaculada sobre sua mesinha e frequentemente a beijava. Quando se dizia a ele que estes momentos de solidão poderiam ser favoráveis para a sua inspiração musical, indicava o quadro da Mãe de Deus pendurado na parede diante dele e dizia: “Eis de onde me virá a inspiração”. Pois bem, esse ardoroso devoto da Imaculada, israelita de sangue, sacerdote, da Ordem dos Padres Franciscanos, pediu-me que unisse às minhas intenções as dele na santa Missa (sentindo uma melhora momentânea, pensava que conseguiria celebrar a santa Missa por outros três dias). As intenções eram as seguintes: 1) pelo santo Padre; 2) pela paz no mundo; 3) pela conversão dos judeus.
Acolhendo o desejo do falecido Padre Norsa, peço também a vocês, amáveis leitores, uma oração à Imaculada “pela conversão dos judeus”, deste povo que, como dizia o Padre Norsa, é “o mais infeliz de todos os povos”, já que está sepultado em assuntos terrenos e passageiros.
Portanto:
1) Cada membro da Milícia reze todos os dias com atenção e com fervor a nossa jaculatória: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós, e por todos quantos não recorrem a vós…, em particular pelos maçons…”, já que os maçons não são mais do que uma quadrilha de judeus fanáticos, que, sem nenhuma consideração, visam a destruir a Igreja Católica, à qual o próprio Homem-Deus assegurou que as portas dos infernos não prevalecerão contra ela (cf. Mt 16,18). Pobrezinhos, loucos, vão bater a cabeça contra uma rocha!
2) Quando um de nós encontrar um judeu, dirija uma breve invocação à Imaculada pela sua conversão, mesmo que seja só mentalmente, por exemplo: “Jesus, Maria”; e quando acontecer de encontrar um rabino, que tem maior responsabilidade, já que deve dar conta a Deus de si mesmo e daqueles que ele guia, precisa oferecer uma oração mais intensa, talvez uma Ave Maria.
3) Lembremo-nos bem de que Jesus morreu por cada um, sem levar em consideração a diferença de nacionalidade e que cada um de nós, portanto cada judeu, é um ingrato, entretanto, é filho da nossa comum Mãe celeste. Dediquemo-nos com a oração (em particular com a oração do rosário), com a mortificação (da visão, da audição, do sabor, da vontade), com o bom exemplo e, se a prudência o permitir, com salutares conversas, mas sobretudo com uma prudente difusão da medalha milagrosa, também entre os extraviados filhos de Israel; façamos o possível para conduzi-los ao conhecimento da verdade e ao consentimento da verdadeira paz e da felicidade, através da oferta incondicional de si mesmo à nossa comum Senhora e Rainha e, por seu intermédio, ao Sacratíssimo Coração de Deus Salvador, que arde de amor por cada alma.
4) Para manifestar o próprio amor à Imaculada, cada um faça de tudo, segundo a habilidade da inteligência, a astúcia, a força de vontade e o zelo lhe permitirem, para fazer que o Rycerz Niepokalanej, desde o presente exemplar de janeiro, chegue a todo lugar, oxalá também entre os não católicos, entre os judeus, se existe uma esperança de que o possam ler.
Que ninguém se esqueça nem sequer de um de seus familiares, dos próprios amigos, das pessoas que conhece atualmente e que conheceu no passado, seja na pátria, seja no exterior. Depois de ter invocado a bênção da Imaculada — é dela, de fato, que depende o fruto das suas tentativas — exorte a todos, verbalmente ou por carta, para assinar o Rycerz Niepokalanej, ou nos mande ao menos o endereço, para que possamos fazer chegar a eles um número de propaganda.
O nosso objetivo é claro:
A Imaculada, Rainha do céu, deve ser reconhecida, e o mais rápido possível, como Rainha de todos os homens e de cada alma em particular, seja na Polônia, seja fora das suas fronteiras, em ambos os hemisférios da terra. Disso, ousamos afirmar, depende a paz e a felicidade de cada pessoa em particular, das famílias, das nações, da humanidade.
Desde agora, portanto, todos nós, sem nenhuma trégua, colocando toda nossa confiança não no ouro, nem numa soberba presunção, como os pobres maçons, mas exclusivamente na Imaculada, que pode tudo, pelo poder de seu Divino Filho, ofereçamo-nos ativamente com a oração, a mortificação e o trabalho à Imaculada “sem nenhuma limitação”, para nos tornarmos, em sua mão, um instrumento eficaz para a difusão do seu reino em todas as almas. Façamos todo tipo de esforço, a fim de que Ela conquiste o mundo com o seu Rycerz e a sua medalha.
Como será doce para nós na última hora recordar o trabalho, os sofrimentos, as humilhações suportadas por Ela, sobretudo se tiverem sido muitas, o maior número possível!
*
EK 1127
No último momento
Rycerz Niepokalanej, julho de 1926, pg. 193–195.
Pelas estradas calçadas de pedra de Varsóvia foi derramado sangue, o sangue dos soldados e de transeuntes poloneses… na capital da Polônia… derramado por mãos fraternas.[2]
A 28 de maio, enquanto milhares de olhos estavam ainda banhados de lágrimas, o senhor André Strug, chefe da loja maçônica, afirmou durante um discurso aos maçons reunidos em assembleia:
“Chegaram, enfim, os dias decisivos de maio. Graças à vitória de um Grande Homem, nós iniciaremos a nova história da vitória da honestidade. Um homem só, sem perguntar a ninguém, refletiu, decidiu e venceu. Que a democracia polonesa acolha esta vitória e a consolide; poderá fazê-lo, porém, unicamente mediante uma ação forte, organizada na solidariedade, encaminhada para a criação de uma Nova Polônia.
“O comandante [Pilsudski] fez a sua parte, agora é a nossa vez. Numa época em que o velho mundo está em agonia, a moralidade deve ser construída sobre a compreensão de uma nova época.
“Seremos dignos daquilo de que a história nos fez testemunhas. Se todo bloco democrático se curvar aos imperativos do momento, logo triunfará na Polônia a vitória da moralidade, enquanto nós governaremos na paz e na dignidade a Nova Polônia”.
Durante a mesma reunião, a loja tomou uma resolução, cujo conteúdo é o seguinte:
“O sangue derramado pelas ruas de Varsóvia nos dias 12–14 de maio não pode ser inútil. Toda a população deseja que da semente daquele sangue emerja um renascimento, um novo poder moral. Entretanto, nós não pretendemos que seja uma pessoa somente, ainda que fosse a melhor e a maior de todas, a construir tudo isso. Para que possa cumprir a sua obra, deve apoiar-se em nós e este apoio não pode desaparecer em nenhum momento debaixo dos seus pés”.
Eis as deliberações dos maçons, inimigos da moralidade, inimigos da Imaculada!
E nós? Podemos nós, mílites da Imaculada, observar todas estas coisas com indiferença?
Não! Chega de paganismo reacionário, com o qual a maçonaria está infectando a educação, a arte, o teatro, o cinema e a literatura! Nós queremos a Deus! A Imaculada deve ser reconhecida, e o mais rápido possível, como nossa Rainha, Rainha da Polônia e do mundo!
Mas como lutar para obter a vitória?
- Confiar sem limites na Imaculada.
- Confiar-lhe todas as iniciativas, as dificuldades, as tentações.
- Agradecê-la pelos bons resultados.
- Lembrar sempre que sozinhos não podemos fazer nada, enquanto que tudo podemos com a ajuda dela.
- Procurar não apenas rezar cada dia a breve jaculatória da Milícia: “Ó Maria concebida…”, mas também sofrer e suportar algo por amor a Ela.
- Cada um deve considerar o próprio ambiente, os familiares, os conhecidos, os colegas de trabalho, os locais onde mora, como o terreno da sua própria missão, com o objetivo de conquistar essas pessoas para a Imaculada; e para fazê-lo deve servir-se de todos os seus conhecimentos e capacidades.
- Lembremos bem que a Imaculada recompensa generosamente até a menor manifestação de devoção a Ela. Por isso, como aqueles entre os quais propagamos o seu reino, façamos, ao menos, algo por Ela e Ela nunca o esquecerá.
- A medalha milagrosa seja a munição na mão do mílite da Imaculada; e o Santo Rosário, a espada.
A Imaculada será, e deverá ser reconhecida Rainha de todos e de cada um em particular, na Polônia e no mundo inteiro, e o mais rápido possível: eis a nossa palavra de ordem, pela qual vale a pena viver, trabalhar, sofrer e morrer.
*
EK 1130
Ludibriados…
Rycerz Niepokalanej, setembro de 1926, pg. 258–262
Nos primeiros dias de agosto os jornais divulgaram a seguinte notícia: Nestes dias realizou-se em Bucareste o congresso internacional dos maçons, com a participação dos representantes das organizações maçônicas dos Estados Unidos, da Polônia, da Itália, da Tehecoslováquia, da Áustria e da Romênia. Durante o congresso deste ano, constatou-se, entre outras coisas, que a maçonaria está desempenhando um papel de particular importância na Polônia, onde à loja maçônica pertence todo um grupo de membros eminentes do atual governo. Também em outros estados a maçonaria está se desenvolvendo muito favoravelmente.
Aqueles senhores acreditam que são eles que governam: escutemos, portanto, o que escrevem os Protocolos dos Sábios de Sião. O protocolo n° 11 afirma:
“Eis o programa da nova constituição que está se preparando. Nós [isto é, os judeus] criaremos e colocaremos em ação as leis e os governos: 1) sob forma de projetos que serão submetidos aos organismos legislativos; 2) com a ajuda de decretos presidenciais, sob forma de deliberações comuns, de sentenças do senado, de decretos do conselho de Estado, de decisões ministeriais; 3) no momento oportuno, mais tarde, sob a forma de uma revolta nacional.
“Depois de ter fixado mais ou menos os modus agendi, ocupar-nos-emos dos detalhes daqueles movimentos estratégicos que serão indispensáveis para conseguir as transformações na atividade dos aparatos estatais, segundo a direção indicada. Os ditos movimentos estratégicos se referem: à liberdade de imprensa, ao direito de associação, à liberdade de consciência, aos princípios de sistema eleitoral e muitas outras manifestações que devem desaparecer do repertório da humanidade, para dar lugar a uma radical mudança, no dia seguinte à promulgação da nova constituição. Só naquele momento poderemos anunciar todas as nossas deliberações, já que mais tarde toda mudança será perigosa. E eis as causas: se estas mudanças forem introduzidas de modo absoluto e na direção da austeridade e das limitações, isso poderá provocar uma explosão de desespero, causada pelo temor de novas mudanças na mesma direção. Se, por outro lado, esta mudança se produzir no sentido de novas concessões, então poder-se-á dizer que reconhecemos a nossa debilidade, o que enfraquecerá o crédito da inflexibilidade da nova autoridade, ou poderá criar a convicção de que nos deixamos levar pelo medo e fomos obrigados a fazer concessões, que ninguém nos agradecerá, já que serão consideradas como devidas… Tanto uma como a outra seriam danosas à autoridade da nova constituição. É necessário que, desde o momento da promulgação, as populações, desconcertadas pela recente revolta, ainda sob a influência do terror e da incerteza, compreendam que somos tão fortes, tão intocáveis, tão plenos de poder que em nenhum caso as levaremos em conta e não só não levaremos em consideração sua opinião e seus desejos, mas antes estamos dispostos e capazes, com uma força insuperável, de derrotar as suas expressões e manifestações em todo momento e lugar; compreendam que nos apropriamos num só golpe de tudo o que julgamos indispensável e em nenhum caso dividiremos com clãs a nossa autoridade. Então, por medo, farão vista grossa sobre tudo e permanecerão à espera das consequências.
“Os goyim [todos os não-judeus], os incrédulos são um bando de carneiros, enquanto nós somos os lobos que estão diante deles, e sabeis bem o que acontece às ovelhas quando os lobos entram furtivamente no redil. Elas fecharão os olhos, também pelo motivo de que prometeremos a eles a restituição de todas as liberdades subtraídas, depois que forem derrotados os inimigos da paz e desbararados todos os partidos, Vale a pena indicar por quanto tempo terão que esperar essa restituição?
“Com que finalidade idealizamos e impomos aos goyim essa política, sem dar a eles a possibilidade de examinar o conteúdo, senão aquele de conseguir, seguindo um caminho circular, aquilo que ao longo de um caminho direto seria inacessível para nossa estirpe disseminada em todo lugar?
“Isso serviu de fundamento para a nossa organização maçônica secreta, que não é conhecida, e também para seus fins, cuja existência nem suspeitam essas bestas, os goyim, por nós trapaceados, para ‘fazer ostentação’ entre as fileiras da armada das lojas maçônicas, existentes para enganar os goyim.”
Ouviram, senhores maçons? Aqueles que vos organizaram e vos dirigem secretamente, os judeus,[3] consideram-vos bestas, atraídas às lojas maçônicas para finalidades que vós nem suspeitais, para enganar os goyim. Quem visa à proliferação das lojas maçônicas?
No protocolo n°15 lemos: “Portanto, enquanto não tivermos o poder nas mãos, criaremos e multiplicaremos as lojas maçônicas em todos os Estados do mundo. Atrairemos as lojas os mais eminentes homens de ação, atuais e futuros, já que estas lojas serão um ponto central de informação e centros de influência”.
Mas quem é que, exatamente, dirige a atividade das lojas?
“Submeteremos todas as lojas a uma única presidência, conhecida somente por nós, composta pelos nossos sábios. As lojas terão um representante, que mascarará a presidência central da maçonaria e além disso comunicará as palavras de ordem e os programas.
“Nestas lojas estreitaremos um vínculo com todos os elementos revolucionários e liberais. Eles serão compostos pelos representantes de todas as classes sociais. Nós conheceremos os projetos políticos mais secretos, que estarão sujeitos à nossa direção desde sua origem. Entre os membros das lojas encontrar-se-ão quase todos os agentes de polícia nacional e internacional, já que sua colaboração é indispensável para nós. A polícia tem a possibilidade não só de tratar à sua maneira quem lhe opõe resistência, mas também de esconder nossas atividades, de criar motivos de descontentamento, etc.
“Nas sociedades secretas, inscrevem-se frequentemente de bom grado os especuladores, os arrivistas e em geral pessoas desconsideradas, e para nós não será difícil em absoluto manipular os seus interesses. Eles colocarão em ação o mecanismo da máquina idealizada por nós. Se neste mundo se produzirem confusões, significará que nós tínhamos necessidade de introduzir confusão, a fim de dissolver sua grande solidez. Se, ao contrário, neste mundo surgir uma conspiração, à frente dela não estará senão um de nossos mais fiéis servidores. É natural que sejamos nós [os judeus] e não qualquer outro a dirigir o assuntos e as atividades da maçonaria, já que nós sabemos de cada operação, enquanto eles não o sabem, antes, nem sequer conhecem os resultados imediatos: normalmente a eles só interessa a satisfação passageira da ambição de ter concluído os projetos. Não sabem que o projeto mesmo não nasceu por sua iniciativa, mas graças a uma adequada sugestão nossa.
“Os goyim se inscrevem nas lojas: alguns impulsionados pela curiosidade ou pela esperança de conseguir, seguindo este caminho, o ‘bolo social’; outros, ao contrário, para expressar publicamente suas fantasias irrealizáveis e infundadas: eles desejam aplausos e emoções, que o sucesso concede a eles e que nós não lhes economizamos. Nós não lhes negamos o êxito, pelas vantagens que provêm da presunção que nasce deles e da convicção do próprio valor. Com a ajuda desses elementos, as pessoas acolhem, insensivelmente, as nossas ordens, sem sequer dar-se conta delas, com a convicção de que a infalibilidade cria pensamentos próprios, porém não aceita os dos outros. Não podem nem imaginar como é fácil dirigir os goyim mais sensatos a uma ingenuidade inconsciente, convencidos como estão de seu próprio valor, e ao mesmo tempo como é fácil, com a ajuda do menor fracasso, quem sabe por falta de aplausos, privá-los da segurança em si mesmos e levá-los a uma total submissão, assim que se lhes assegure um novo sucesso. Assim como os nossos não se preocupam demais com o sucesso, mas sim em concluir o plano confiado, ao mesmo tempo os goyim estão dispostos a descuidar de qualquer projeto pelo êxito passageiro.
“A psicologia dos goyim descrita acima facilita-nos enormemente a tarefa de dirigi-los. Graças a nós eles estão montados no ‘cavalinho dos sonhos’ da absorção da individualidade humana na unidade simbólica do coletivismo. Não entenderam e não entenderão nunca que o ‘coletivismo’ [isto é, o socialismo] constitui uma aberta violação das leis mais importantes da natureza, que desde o início do mundo criou os indivíduos, diferentes uns dos outros, tendo precisamente como objetivo a individualidade. Se somos capazes de conduzi-los a uma exaltação tão insensata, isso prova, com surpreendente clareza, até que ponto a inteligência dos goyim é humanamente subdesenvolvida em relação à nossa inteligência! Essa circunstância constitui para nós a principal garantia de sucesso!”.
Mas sabem, senhores maçons, o que os espera no dia em que lhes vier à mente a ideia de começar a pensar sozinhos? Eis, ouçam. O próprio protocolo prossegue afirmando:
“A morte é a inevitável conclusão de toda a vida. É melhor apressar o fim daqueles que obstaculizam a nossa causa, do que apressar o nosso fim, que somos criadores dele. Executaremos os maçons de modo tal que ninguém, exceto os irmãos, poderá levantar suspeitas, nem as próprias vítimas; morrerão todos no momento em que for necessário, aparentemente por efeito de doenças comuns. Sabendo isso, nem os irmãos ousarão protestar. Aplicando esse tipo de meios, erradicaremos da maçonaria todo germe de protesto contra as nossas disposições. Proclamando aos goyim o liberalismo, ao mesmo tempo mantemos a nossa nação e os nossos agentes sob o rigor de uma submissão absoluta”.
Senhores maçons, vocês que recentemente, durante o congresso de Bucareste, se alegraram pelo fato de a maçonaria se desenvolver, reflitam e digam sinceramente se não é melhor servir ao Criador na paz interior, no amor alegre, mais do que obedecer às ordens da cruel quadrilha de intrigantes judeus, misteriosa, astuta, mal conhecida e que os odeia?
E a vocês, pequeno punhado de judeus, “sábios de Sião”, que, escondidos, com a permissão divina, a fim de colocar à prova os fiéis e virtuosos, provocaram conscientemente já muitas desgraças e estão preparando muitas mais, a vocês me dirijo com a pergunta: que benefício obterão disso? Suponhamos também que os momentos preanunciados da dominação do Anticristo já estejam perto, que vocês lhe estão preparando o caminho; nesse caso, cada um de vocês pergunte a si mesmo: que vantagem obterei disso? Um montão de ouro, de prazeres, de diversões, de poder: tudo isso ainda não faz feliz o homem. E se também desse a felicidade, quanto poderá durar? Quem sabe uma dezena de anos, e talvez quinze ou outros poucos anos ou menos ainda… Não sabemos quando se romperá o fio da vida… E depois?
Não seria melhor se também vocês, maçons poloneses, enganados por um grupo de judeus, e vocês, chefes judeus, que se deixaram seduzir pos Satanás, o inimigo da humanidade, não seria melhor se também vocês se voltassem sinceramente para Deus, reconhecessem o Salvador Jesus Cristo, se apaixonassem pela Imaculada e, sob os seus estandartes, conquistassem almas para Ela? Ou preferem ser uma parte da cabeça daquela serpente que rodeia o mundo e da qual foi dito: “Ela te esmagará a cabeça” (Gn 3,15)?
Enquanto estão com vida, ainda há tempo, mas dentro em breve poderia ser muito tarde!
*
EK 1237
A Milícia da Imaculada e o nosso tempo
Kalendarz Rycerza Niepokalanej, ano de 1939, pg. 29–30
“O coração do homem está inquieto enquanto não repousar em Ti, ó Deus”, afirmava Santo Agostinho há muitos séculos (Confissões, liv. I, 1). Os anos que estamos vivendo podem, sem nenhum exagero, ser chamados inquietos. E isso não se deve absolutamente a outra causa. O ateísmo comunista parece estrepitar da maneira mais barulhenta possível e faz de tudo para semear seus preconceitos reacionários em todo lugar. Nas origens de tudo isso se encontra tranquilamente aquela máfia criminosa que se chama “maçonaria”. A mão que manobra tudo isso para um objetivo claro e determinado, seu próprio objetivo egoísta, é o “sionismo internacional”, como o demonstram sempre mais claramente os resultados de diferentes investigações.
Isso não quer dizer que entre os judeus não se possam encontrar pessoas de bem, e nem que entre os inscritos na lista dos ateus existam somente pessoas imbecis e até que os fatores da moda insensata do punho levantado contra o próximo ou contra o Criador não tenham senão arrivistas com o sentimento do protesto no fundo de sua alma.
A esse respeito, volta-me à mente um episódio que aconteceu há alguns anos. Um agitador me narrava suas próprias petulâncias de incrédulo pronunciadas durante os comícios; entretanto, ao terminar ele acrescentava: “Eu, porém, não pensava assim”. Em suma, os verdadeiros canalhas e mal-intencionados, que pecam com pleno conhecimento, são relativamente poucos. O próprio Salvador desculpou diante do Pai celeste até aqueles que o estavam crucificando, já que — como disse Jesus — não sabiam o que faziam (cf. Lc 23,24).
Essas pobres pessoas, portanto, têm necessidade de luz, de muita luz sobrenatural, de muita energia sobrenatural; são uns infelizes, descontentes, porque consideram como objetivo último aquilo que é somente um meio e por isso, depois de ter alcançado a felicidade à qual aspiram, não encontram o que procuravam. E continuam procurando com o coração desiludido, com amargura na alma.
E como não estender-lhes a mão? Como não ajudá-los a reconciliar seu coração, a elevar-lhes a mente acima de tudo que é passageiro, rumo ao único objetivo último, Deus? O amor ao próximo impulsiona as almas que já encontraram seu verdadeiro ideal de vida a não esquecerem os irmãos que os rodeiam.
Uma das muitas associações que põem em prática esse amor ao próximo é também a Milícia da Imaculada. Chama-se “da Imaculada” porque os seus membros se consagraram sem restrições à Santissima Virgem Maria Imaculada, para que Ela própria atue neles e por intermédio deles, e derrame através deles sobre outras almas a graça da luz, da força e da felicidade sobrenatural. Além disso, chama-se “Milícia” porque não pode permitir-se descansar, mas através do amor pretende conquistar os corações para a Imaculada e, através dela, ao Coração Divino de Jesus e, definitivamente, ao Pai Celeste.
*
EK 1249
Ação Católica
M.I.
Cracóvia, anos de 1919-1921
O presente tema é amplo demais para que eu possa esgotá-lo sob todos os pontos de vista nesta conferência. Omitirei, portanto, o setor mais importante da Ação Católica, mesmo se infelizmente nos nossos tempos seja pouco valorizada a oração e a grande importância das ordens contemplativas. Passarei por alto também a atividade do sofrimento e da penitência.
Tampouco quero falar aqui do bom exemplo, ainda que sejam precisamente os exemplos que arrastam. Limitar-me-ei somente à ação da palavra, e mais precisamente da palavra impressa, à ação da imprensa.
De fato, há cem anos já, quando eram poucos os que sabiam ler, Napoleão afirmava, e com razão: “A imprensa é a quinta potência do mundo”. Aqueles que compreenderam logo foram os judeus e, permitam-me dizer com mais clareza, os maçons, que com uma lógica de ferro pretendem colocar em prática o princípio sancionado já em 1717: “Destruir cada religião, especialmente a cristã”. Numa reunião de maçons realizada 60 anos atrás, o judeu francês Cremieux, fundador de uma liga judaica internacional, não hesitava em afirmar: “Considerem inútil tudo, inútil o dinheiro, inútil a honra: a imprensa é tudo. Com a imprensa na mão teremos tudo”. E durante o congresso internacional dos rabinos ocorrido em 1848, em Cracóvia, o rabino inglês Moisés Montefiore declarava: “Enquanto os jornais de todo o mundo não estiverem em nossas mãos, todas essas coisas não servirão para nada. Coloquemos bem na cabeça o décimo primeiro mandamento: ‘Não suportarás acima de você nenhuma imprensa estranha, para poder dominar durante muito tempo sobre os goyim’. Apoderemo-nos da imprensa, e dentro em breve, governaremos e dirigiremos a sorte da Europa inteira”.
Segundo essas “palavras de ordem”, puseram-se a trabalhar com grande empenho e, infelizmente, realizaram muitíssimas coisas. Uma grande parte, senão a maioria dos jornais mais difundidos, encontram-se em suas mãos.
Basta dizer que, já no início deste século, na tão “católica” Áustria, 360 publicações em língua alemã lutaram contra a Igreja, 83 delas eram publicadas até diariamente. A tiragem da má imprensa alcançava os dois milhões de exemplares, dos quais 1.200.000 correspondiam a diários. Quanto à Alemanha, o crítico literário Bartels escreveu que dois terços, se não três quartos, das publicações periódicas pertenciam aos judeus; na Hungria, de 1.000 revistas, 800 encontram-se nas mãos dos judeus. Além disso, eles se apoderaram de quase todas as agências telegráficas, por meio das quais dirigem também outras publicações. Só a agência Reuters de Londres provê de notícias 5.000 jornais; a agência Stefani de Roma, os jornais diários italianos; a agência Havas de Paris, os franceses, espanhóis e belgas; a agência Wolff de Berlim, todos os alemães; enquanto a agência Associated Press de New York, todos os jornais diários americanos.
O nefasto modo de proceder da eficaz atividade da má imprensa nos é apresentado por Padre Abel, jesuíta, conhecido apóstolo de Viena, no seguinte exemplo, muito eloquente. Uma vez ele foi chamado para ver um doente. Quando viu o sacerdote, o moribundo lhe apontou uma pilha de jornais diários amontoados num canto do quarto e começou a narrar sua própria história: “Olhe, Padre, aquilo é o maior inimigo da minha vida. Eu tive pais piedosos, que me educaram bem, tanto é que inclusive durante meus estudos universitários continuei sendo um bom católico. Desde o momento em que me tornei médico, considerei oportuno abandonar-me a uma das chamadas publicações para intelectuais, quer dizer, a uma revista judaica. Durante as primeiras quatorze semanas irritaram-me os contínuos ataques que esse diário dirigia contra a minha fé, depois começaram a se tornar indiferentes e no final de um ano eu tinha abandonado todas as práticas religiosas e me tornei incrédulo, e assim fiquei até este momento, no qual a graça divina está reavivando novamente minha fé”. Assim age a imprensa também com o povo.
E com razão se lamenta o escritor popular Wetzel: “Observem o mundo de hoje: como mudou nas últimas décadas! Quem semeou a incredulidade no meio do povo? Quem lhe tirou a esperança do paraíso e fez que este povo procurasse a própria felicidade nos prazeres terrenos e nas diversões? Quem afogou a consciência nos corações? Quem violou as leis do Estado, perturbou a ordem pública, tanto que sempre mais frequentemente se repetem crimes de todo tipo?! Tudo isso é obra da imprensa diária hostil à Igreja. Em algumas das maiores cidades europeias todo um exército de escritores muito bem pagos dirige todo o seu fel sobre tudo o que é católico. Centenas de noticiários e jornais repetem o mesmo e de tal modo que esse veneno se insinua com força dia após dia em centenas de milhares de famílias, envenenando milhões de almas. Assim trabalha a gigantesca máquina da imprensa diária, que está a serviço da incredulidade e dos maus costumes”.
Considerando a enorme vastidão do mal provocado pela imprensa, Lassalle, mesmo sendo socialista, não pode evitar de condená-la: “Na sua falsidade, covardia e imoralidade, ela provavelmente é superada somente pela própria insensatez. Se essa imprensa continuar ainda por uns cinquenta anos a causar estragos e ao mesmo tempo não mudar nada na nossa imprensa, o espírito do povo ficará completamente envenenado. Este é o maior crime que eu conheço”.
Já é tempo, e o mais oportuno, para se produzir essa mudança. O primeiro passo para isso é um decidido boicote à má imprensa; e sucessivamente o apoio à boa.
A esse respeito, são amargas as palavras de Wetzel: “A imprensa ateia nunca teria progredido tanto, se milhões de católicos não tivessem dado o seu apoio com a assinatura e também com a colaboração direta às revistas e aos jornais diários hostis à Igreja e assim chamados independentes”; por sua vez, durante o quinto congresso dos católicos na Áustria, Padre Kolb emprega até palavras severas: “O que dizer de um povo que subvenciona sua própria degradação? Não sei como definir um comportamento semelhante! Mas essa infâmia grava sobre os católicos, ofendidos sem descanso por milhares de diários. Esses jornais, que zombam despudoramente dos católicos, são impressos por nós, católicos! E não se enviam de forma anônima, mas somos nós mesmos que os pedimos e financiamos. Pode-se ser mais cego frente a um perigo tão ameaçador? Mas esta nossa cegueira se transforma num delito, já que não só não nos defendemos frente a esse perigo, mas, tendo em nossas mãos e lendo as más publicações, subvencionamos a ofensa e a zombaria da nossa fé. Em nós, os católicos, verificam-se realmente as palavras do profeta: “Vamos como cegos apalpando o muro, caminhamos às apalpadelas como aqueles que perderam a vista. Em pleno dia tropeçamos como no crepúsculo, mergulhados nas trevas como os mortos” (Is 59,10).
Dessas coisas falava o bispo Zwerger (1884): “Quem gasta dinheiro com a má imprensa luta contra a Igreja e não pode chamar-se verdadeiro católico”; e o bispo de Mogúncia, Kettler, vai mais além e declara que “quem é indiferente em relação à imprensa não tem direito de chamar-se filho fiel da Igreja”.
O cardeal Nagl escreveu em 1911: “É dever de todo católico colocar-se em defesa da imprensa católica e sustentá-la com a oração, com a palavra e com a ação”. Durante o congresso dos jornalistas católicos, ocorrido em 1910, o arcebispo de Saragozza [Dom João Soldevila y Romero] não hesitava em afirmar: “Existem muitos católicos ricos que empenham suas riquezas em fundar igrejas e conventos novos, ou adorná-las com quadros de santos. Sem dúvida, é algo muito bonito! Mas, infelizmente, uma desgraça pode destruir tudo isso, enquanto os frutos de um bom jornal diário são simplesmente indestrutíveis. Não seria melhor, portanto, fundar jornais de grande tiragem para o bem do povo? Nos dias de hoje um jornal diário é um canhão que dispara rapidamente. Deus quer assim!”.
Sobre esse problema, os Pontífices têm a mesma opinião.
Já Pio IX afirmava: “É dever sagrado de todo católico sustentar a imprensa e difundi-la em meio ao povo. A boa imprensa é a obra mais útil, que semeia imensos mérito”; e Leão XIII: “A má imprensa arruinou a sociedade cristã, por isso, é necessário contrapor a ela uma imprensa boa. Os católicos não devem cansar-se de trabalhar em favor da sua boa imprensa, tendo presente que a boa imprensa é uma missão contínua”; falando depois (a 21 de fevereiro de 1879) aos redatores católicos afirmava: “Estamos convencidos de que os nossos tempos exigem precisamente estes meios (as publicações católicas) e enérgicos defensores… Os subversivos se esforçaram em difundir entre o povo toda uma série de jornais diários, cujo fim principal é impugnar os princípios das verdades da fé, difamar a Igreja e inculcar funestas convicções nas almas… Mas já que a publicação de jornais diários é reconhecida como o meio principal para esta ação nos nossos tempos, em consequência os escritores católicos têm hoje o dever fundamental de transformar este meio — do qual os inimigos se servem para levar à ruina a sociedade e a Igreja — em meio de salvação para o povo e utilizá-lo para os objetivos de defesa da Igreja”.
O Santo Padre Pio X escrevia em 1905 aos bispos mexicanos: “A respeito dos diários e dos jornais, gostaria de convencer de uma vez por todas aqueles que refletem de modo realista que é necessário empenhar-se com todas as forças para fazer com que os católicos tenham nas mãos somente revistas e jornais verdadeiramente católicos. Nos dias de hoje, na minha opinião, esse é o problema mais importante”. Em 1908, depois, falando durante uma audiência para os eclesiásticos, foi ainda mais enérgico: “Nem o povo nem o clero se dão conta da importância da imprensa. Dizem que no passado a imprensa não existia, e não compreendem que os tempos mudaram. É bom construir igrejas, pregar, fundar missões e escolas, mas todos esses esforços serão vãos se esquecermos a arma mais importante de nossos tempos, ou seja, a imprensa”.
E o cardeal de Pisa [Pedro Maffi] acrescenta: “Vós fazeis as vossas pregações aos domingos, enquanto os jornais as fazem todos os dias, a cada hora. Vós falais aos fiéis na igreja, enquanto o jornal os acompanha em casa. Vós falais meia hora, ou uma hora, enquanto o jornal jamais desiste de falar”.
Aqui entre nós, [na Polônia] a questão da imprensa católica deixa muito a desejar. É verdade que existem centros muito sólidos, como a Tipografia e Livraria Santo Alberto em Poznan, a Editora dos Padres Jesuítas em Cracóvia, a Editora de Carlo Miarka em Mikolów etc., mas a maior parte das vezes nos encontramos com tentativas isoladas aqui e acolá, promovidas por particulares, que em certas ocasiões têm até um empenho notável.
Ainda nos falta um acordo comum neste trabalho e ajuda mútua. Na sociedade predomina uma enorme falta de conhecimento da importância deste trabalho, enquanto a disponibilidade para oferecer a ajuda econômica necessária para dar nova vida à imprensa católica na Polônia se mostra insuficiente. Os inimigos da Igreja possuem milhões e até bilhões (de dólares, por exemplo), enquanto aquele que age no campo da imprensa católica não pode aumentar as forças para aperfeiçoar e potencializar o próprio trabalho, já que deve simplesmente lutar para assegurar a existência material à própria atividade editorial. Temos, além disso, poucos leigos suficientemente especializados, para poder trabalhar com a caneta em campo católico, também por esse motivo nosso patrimônio editorial católico é ainda muito, muito modesto. Preparar também trabalhadores leigos e assegurar a existência material às casas editoriais: eis qual é, talvez, o problema mais candente na atividade da imprensa.
Além disso, também a distribuição é demasiado fraca. São poucos, de fato, aqueles que consideram a difusão da boa imprensa um dever pessoal.
Finalmente, a grande falta de bibliotecas públicas, salas de leitura, bibliotecas circulantes, livrarias sinceramente católicas. O coração até sofre quando se veem nas vitrines das bibliotecas das cidades livros claramente escandalosos, enquanto no interior dos locais nota-se uma longa fila de jovens. E a encarregada dos empréstimos de livros é uma judia. Esse é o segundo desprazer na atividade editorial, sobretudo porque se refere diretamente ao envenenamento dos corações da juventude.
Queira Deus que no futuro próximo não existam cidades, não existam bairros em que não se encontrem bibliotecas e salas de leitura com um número suficiente de livros bons e revistas, muito baratos e até gratuitos.
Surjam em todo lugar círculos que assumam o compromisso de distribuir e de difundir a boa imprensa, e em breve a face da terra se transformará.
Além disso, aqueles aos quais Deus concedeu certa facilidade para escrever e uma propensão e capacidade em qualquer setor da literatura, devem unir-se em círculos especiais e servir-se desses dons de Deus para produzir a maior quantidade possível de boa imprensa em todos os campos da publicidade. Evidentemente não deveríamos limitar-nos somente aos fiéis, mas escrever também aos não católicos e oferecer-lhes um bom alimento espiritual. Esses são também os objetivos atuais da Milícia da Imaculada e graças a esse meio já se verificou mais de uma conversão.
*
EK 1254
Os atuais inimigos da Igreja
Cracóvia, antes de 19 de outubro de 1922
Nesta breve conferência não pretendo falar dos inimigos internos da Igreja, mas gostaria somente de dirigir a atenção aos inimigos externos.
Somos testemunhas de uma febril atividade dirigida contra a Igreja de Deus, de uma atividade que, infelizmente, produz frutos e que tem à disposição inumeráveis propagadores.
Nas listas do Ministério das Confissões Religiosas e da Instrução Pública estão registrados quinze grupos formados por estas pessoas: os estudiosos da Sagrada Escritura, os batistas, os seguidores da doutrina dos primeiros cristãos, os adventistas, os adventistas do sétimo dia, os seguidores de São João Crisóstomo, os metodistas, a Igreja de Deus, a Igreja Evangélica livre, os cristãos evangélicos, os “sztundysci karaimi”, os “duchoborcy”, os messiânicos, os velhos ritualistas (velhos crentes e velhos católicos) e a igreja dos irmãos boêmios.
Eles não se limitam somente a pregar a mentira com a palavra, mas também, e muito abundantemente, inundam nossas cidades e vilarejos com a imprensa mais variada: revistas, folhetos, volantes e até livros. As várias revistas: Ameryka-Echo (“Eco da América”), Straznice (“Os Sentinelas”), Nowe Drogi (“Vias Novas”), Ewangelie Mysli (“Pensamentos Evangélicos”), Zwiastuny Ewangeliczne (“Anunciadores do Evangelho”), Polski Odrodzone (“Polônia Renascida”), etc., passando de mão em mão e envenenando os corações dos fiéis.
Todo este trabalho, porém, é somente uma preparação.
Só depois dessas vanguardas vem o grosso do exército do inimigo.
Quem é? À primeira vista, poderá parecer exagerada a afirmação de que o principal, o maior e o mais poderoso inimigo da Igreja é a maçonaria. Que a inundação das seitas protestantes seja na realidade a vanguarda da maçonaria, reconhece-o explicitamente a revista maçônica Wolna Mysl (“Livre Pensamento”). Nela se afirma: “Reservando-nos plena independência de julgamento sobre a validade interna da doutrina da igreja nacional, podemos entretanto apoiar a sua luta, como também a de qualquer outra seita protestante, contra a supremacia da Igreja romana”.
Quem são os maçons?
Os Papas já manifestaram os julgamentos sobre eles, em primeiro lugar o Pontífice Clemente XII, que na bula In eminenti, de 27 de abril de 1738, acusa-os de agirem “sob uma fictícia aparência de honestidade natural e sob um pacto rigoroso e secreto”. Além disso, condena a maçonaria e proíbe os contatos com os maçons sob pena de excomunhão ipso facto reservada ao Papa.
Treze anos mais tarde, Bento XIV com a bula Providas Romanorum, de 18 de março de 1751, renova as condenações de Clemente XII e entre outros motivos alega o fato de que na maçonaria “são admitidos homens de todas as religiões e de todas as seitas e que, segundo a opinião de pessoas sábias e honestas, essa seita é malvada e corrupta”.
Nas bulas de 1813 (13 de agosto) e 1821 (13 de setembro), o Papa Pio VII afirma: “Todos sabem quão numerosas são as pessoas cheias de perfídia que se uniram nestes tempos difíceis contra Deus e seu Vigário, e que buscam sobretudo enfraquecer e abater, mesmo com uma tentativa inútil, a própria Igreja, ocultando-se sob o manto da filosofia, seduzindo os fiéis com vãs ilusões e arrancando-os dos ensinamentos da Igreja. Para conseguir mais facilmente tal propósito, eles formaram associaçoes secretas e seitas ocultas, com a ajuda das quais esperam atrair mais facilmente muitas pessoas para suas sociedades de conspiração e maldade”. E se propõem “conceder a cada um ampla liberdade de julgar a religião que professam, segundo suas ideias e inclinações, e depois de ter introduzido a indiferença quanto à religião — e não há nada mais funesto do que isso — profanar e ultrajar com ritos indignos a Paixão de Jesus Cristo, depreciar os sacramentos da Igreja e os próprios mistérios da religião católica e abater esta santa Sé Apostólica, contra a qual nutrem um ódio particular e cuja ruína tramam de maneira insidiosa, pelo fato de ela conservar o primado da cátedra apostólica. Os princípios de sua moralidade são perversos. Ela favorece os prazeres da sensualidade, ensina que é permitido matar todo aquele que não tenha mantido o segredo, ensina que é lícito provocar rebelião, destronar os reis e todos os governantes, que com grande ultraje eles chamam vulgarmente tiranos”.
Tudo isso, porém, não os impediu de ganhar o favor dos governantes. Por essa razão, o Papa Leão XII na encíclica Quo graviora, de 13 de março de 1825, renovando as precedentes condenações papais, acrescenta palavras de admoestação aos governantes: “Sua traição mais astuta consiste em que, enquanto parecem empenhados em ampliar vosso poder, ao mesmo tempo tendem mais do que nunca a abatê-lo. Buscam convencer os governantes para que limitem o poder dos demais bispos, o enfraquecem e pouco a pouco se apropriam dos direitos do Papa e dos bispos. Fazem isso não só por ódio ao Papa, mas também para que, anulado o poder eclesiástico, os povos sujeitos aos príncipes reinantes alcancem uma mudança e uma inversão da forma política de governo”.
Nesses mesmos termos condenaram a maçonaria os Pontífices Pio VIII com a bula Traditi humilitati (24 de maio de 1829), Gregório XVI com a bula Mirari vos (15 de agosto de 1832) e mais vezes Pio IX (9 de novembro de 1846; 20 de abril de 1849; 9 de dezembro de 1854; 8 de dezembro de 1864; 25 de setembro de 1865; e 21 de novembro de 1873).
E finalmente o Papa Leão XIII trata amplamente o problema da maçonaria e a condena com a bula Humanum genus de 20 de abril de 1884. Nela o Papa constata que “há um século e meio a maçonaria cresceu desmedidamente e, servindo-se da petulância e da astúcia, conquistou todos os graus da hierarquia social e chegou a ter, dentro dos Estados modernos, um poder quase igual ao da monarquia”.
E os Papas não exageravam em absoluto! A maçonaria, organizada pelos livres-pensadores ingleses em Londres no ano de 1717, já seis anos mais tarde, nas Constituições Gerais, apresentava claramente o objetivo que a ninguém é lícito mudar: “Cada uma das grandes lojas — afirma-se — tem o direito de melhorar as regulamentações anteriores e estabelecer outras novas, porém não tem o direito de modificar os pontos fundamentais, que devem permanecer fixos para sempre e ser cumpridos com solicitude”. Quais são esses pontos fundamentais? Eis: a liquidação total do mundo sobrenatural. É evidente que a esse ponto não se fala mais nem de religião nem de moralidade.
A tendência a esse objetivo é evidente a cada passo. A arte, a literatura, e a imprensa periódica, os teatros, o cinema, a educação da juventude e a legislação se movem com passo veloz para a eliminação do mundo sobrenatural e a satisfação dos prazeres da carne.
Não há de que se admirar, já que a maçonaria se ramificou muito: segundo uma estatística do ano de 1907, o estado da maçonaria naquele ano é o seguinte: […][4]
No ano de 1810, já se conheciam 12 lojas na Polônia:
- A grande loja-mãe, a “Estrela Oriental” no oriente de Varsóvia,
- A loja do “Templo de Íris” no oriente de Varsóvia,
- A loja da “Deusa Elêusis” no oriente de Varsóvia,
- A loja do “Escudo Setentrional” no oriente de Varsóvia,
- A loja do “Templo da constância” no oriente de Varsóvia,
- A loja dos “Irmãos Poloneses Unidos” no oriente de Varsóvia,
- A loja da “Superstição Derrotada” no oriente de Cracóvia,
- A loja dos “Irmãos Franceses e Poloneses Unidos” no oriente de Poznan,
- A loja “Hesperus” no oriente de Ptock,
- A loja “Recuperarei a Liberdade” no oriente de Lublin,
- A loja da “Cruz Cavalheiresca” no oriente de Bydgoszcz,
- A loja da “Aurora Oriental” no oriente de Radom.
Na lista dos membros aparecem ministros, generais e outros dignitários da nação, tanto militares como civis.
Levando em consideração a nossa região, eis os nomes de algumas pessoas procedentes destes lugares: e aqui nos anos de 1820–1821 pertenciam à maçonaria entre outros […][5]
Todos esses pertencem realmente à maçonaria e prejudicam muito, mas não fazem parte da sua verdadeira cabeça. Os chefes são os assim chamados “maçons azuis”, enquanto a “maçonaria vermelha” reduz-se a um pequeno número de pessoas, na maioria judeus, que, plenamente conscientes do seu objetivo, dirigem toda a numerosa massa daqueles que são mais ou menos “iluminados” nas coisas da organização maçônica. Esses chefes são desconhecidos e agem sempre às escondidas, para tornar impossível a oposição. São eles que preparam os planos de trabalho. De seu despacho saiu a revolução francesa, toda a série de revoluções desde 1789 a 1815; e também… a [primeira] guerra mundial.
Segundo suas indicações trabalharam: Voltaire, D’Alembert, Rousseau, Diderot, Choiseul, Pombal, Aranda, Tanucci, Hangwitz, Byron, Mazzini, Palmerston, Garibaldi e outros. Não conhecemos os nomes dos sócios atuais, mas é certo que entre nós Pilsudski pertence à maçonaria. Eis uma prova: dez dias antes que o governo de Ponikowski fosse derrotado, em Roma tinha-se difundido a conversa de que aquele governo cairia, porque assim a maçonaria havia ordenado a Pilsudski. Ouvi isso de pessoas dignas de confiança, precisamente de Padre Bogdanowicz, secretário do bispo Dom Teodorowicz, que exatamente naqueles dias (pelo que me lembro) encontrava-se em Roma.
A maçonaria coloca num pedestal as pessoas que quer e as derruba quando elas querem agir por sua própria iniciativa. Experimentou-o pessoalmente, de maneira bastante evidente, o próprio Napoleão.
Como podemos opor-nos a essa peste, a essa armada do Anticristo?
A Imaculada, Medianeira de todas as graças, pode e quer ajudar-nos. De fato, qual o objetivo das aparições de Lourdes, da manifestação da medalha milagrosa, através da qual tantas e tantas pessoas já se converteram? Uma alma compenetrada de amor por Ela oporá certamente uma resistência à obra de depravação, a arma principal nas mãos da maçonaria. “Nós não venceremos a Igreja com a razão — decidiram os maçons numa reunião — mas corrompendo os costumes”.
Dignas de reflexão são, além disso, as profecias de Wanda Malczewska, recolhidas por Padre Gregório Augustynik,[6] que a conhece pessoalmente; essas profecias, em parte, tornaram-se realidade. Nelas Jesus recomenda: “Formem-se associações femininas e, de modo distinto, também masculinas, para os diversos estados sociais, mas com um único espírito, sob a proteção de minha Mãe, concebida sem a mancha do pecado, a fim de extirpar a luxúria, de propagar a virtude da castidade e defendê-la. Eu suplico a todo aquele que ama Deus e a Pátria, pela minha cruel flagelação e coroação de espinhos, que entre e faça parte de tal associação, pratique ele mesmo a virtude da castidade, extirpe a luxúria e exorte os demais a fazer o mesmo”.
No número de dezembro, dedicado à Imaculada Conceição, Padre Urbano[7] expressa a convicção de que o único meio de salvação contra o domínio de Satanás, que hoje está se expandindo no mundo, é a ardente devoção e imitação da Imaculada.
*
EK 1278
Como surgiu a Milícia da Imaculada
Mugenzai no Sono, antes de 16 de outubro de 1935
Já passou muita água debaixo da ponte: aconteceu há quase 18 anos; por isso, de muitos detalhes já quase esqueci. Entretanto, dado que o Padre Guardião [Cornélio Czupryk] me ordena que narre como foram as origens da M.I., descreverei o que a memória ainda me ajuda a lembrar.
Lembro-me de que falava com os clérigos meus irmãos a respeito da miserável situação da nossa Ordem e de seu futuro. E naqueles momentos gravava-se em meu ânimo a seguinte ideia: ou se reconstrói tudo ou se deixa que caia. Sentia muita pena daqueles jovens que entravam na nossa Ordem, frequentemente, com a melhor das intenções e na maioria das vezes perdiam seu ideal de santidade justamente aqui no convento. Mas não sabia bem o que fazer.
Volto mais atrás no tempo.
Lembro que, ainda menino, havia comprado uma pequena estátua da Imaculada por 6 kopecks.[8] Além disso, no seminário menor, no coro onde assistia à Santa Missa, com o rosto por terra prometi à Santíssima Virgem Maria, cuja imagem dominava sobre o altar, que lutaria por ela. Como?
Não sabia, contudo imaginava uma luta com armas materiais; e por esse motivo, quando chegou o momento de entrar no noviciado (ou de emitir a profissão?), confiei ao Padre-Mestre, Padre Dionísio [Dowiak], de santa memória, esta minha dificuldade para entrar no estado religioso. Ele transformou aquela minha decisão no empenho de rezar todos os dias o Sub tuum praesidium. Continuo ainda hoje a rezar essa oração, mesmo sabendo qual era a luta que a Imaculada queria.
Apesar de ser muito inclinado ao orgulho, a Imaculada me atraía com muita força. Na minha pequena cela mantinha sempre sobre o genuflexório a imagem de algum santo ao qual a Imaculada tinha aparecido; com frequência dirigia-me a Ela com a oração. Vendo isso, algum religioso dizia-me que devia ser muito devoto daquele santo.
Quando em Roma a maçonaria veio a público de maneira cada vez mais atrevida, levando os seus estandartes até as janelas do Vaticano — e além disso, no seu estandarte negro dos seguidores de Giordano Bruno havia mandado pintar São Miguel Arcanjo debaixo dos pés de Lúcifer, e em folhetos de propaganda atacava abertamente o Santo Padre —, nasceu a idéia de fundar uma associação que se empenhasse na luta contra a maçonaria e os outros servos de Lúcifer. Para comprovar que essa ideia vinha da Imaculada, consultei o meu diretor espiritual daqueles anos, o Padre Alexandre Basile, jesuíta, confessor ordinário dos alunos do colégio. Obtida a ratificação por parte da santa obediência, propus-me dar início à obra.
*
EK 1328
A história: os inícios
Niepokalanów, junho de 1939
Nos anos anteriores à guerra, na capital do cristianismo, em Roma, a máfia maçônica, reiteradamente reprovada pelos Pontífices, comandava da maneira sempre mais descarada. Durante as celebrações em honra de Giordano Bruno, não renunciou em levar pelas ruas da cidade um estandarte negro com a figura de São Miguel Arcanjo debaixo dos pés de Lúcifer, nem em agitar bandeiras maçônicas diante da janelas do Vaticano. Uma mão inconsciente não teve medo nem de escrever: “Satanás governará no Vaticano e o Papa o servirá com o uniforme da guarda suíça”, e outras coisas semelhantes. Numa situação tão deplorável chegaram a encontrar-se algumas almas afastadas de Deus.
Esse ódio mortal pela Igreja de Cristo e pelo seu Vigário na terra não era só travessura de pessoas extraviadas, mas sim uma ação sistemática, que tinha sua origem no princípio da maçonaria: “Destruir qualquer religião, sobretudo a católica”.
Disseminadas de numerosas maneiras e de forma mais ou menos evidente em todo o mundo, as células dessa máfia tendem precisamente a conseguir esse objetivo. Servem-se, além disso, de toda uma série de associações, com os nomes e objetivos mais diversos, que, sob sua influência, difundem a indiferença religiosa e debilitam a moralidade.
Eles [os maçons] dedicam uma particular atenção ao enfraquecimento desta última, em conformidade com as resoluções que adotaram: “Não venceremos a religião católica com o raciocínio, mas somente pervertendo os costumes”.
E afogam as almas numa avalanche de literatura e de arte voltada para a debilidade do senso moral. A invasão da imoralidade chega a todas as partes, levada por um amplo rio. A personalidade torna-se mais débil, os lares se destroem e a tristeza aumenta no fundo dos corações manchados. Sem forças para libertarem-se do jugo a que foram submetidas, distanciam-se da Igreja ou se rebelam contra ela.
Para estender a mão a tantas almas infelizes, para consolidar no bem os corações inocentes, para ajudar todos a aproximaram-se da Imaculada, a Medianeira de todas as graças, surge em 1917, em Roma, no Colégio Internacional dos Frades Menores Conventuais (Padres Franciscanos), a Milícia da Imaculada.
Inicialmente é formada por três alunos do dito Colégio durante as férias de verão em “Vinha”, na assim chamada “Vila Antoniniana”, perto das Termas de Caracala. Um deles, Frei Jerônimo Biasi, já sacerdote, concluiu santamente a própria vida em 1919 no convento de Camposampiero, na Provincia religiosa de Padua.
O círculo se formou em segredo: só tinham conhecimento dele os superiores. Informava-se de sua existência os que queriam fazer parte dele. Dessa maneira, na reunião de 16 de outubro, o número de membros chegou a sete. Nesta, reunião, a portas fechadas, diante de uma pequena imagem da Imaculada, a cujos pés ardiam duas velas, foi discutido um pequeno programa, contendo os pontos mais importantes da associação; contava-se com o conforto da promessa do Padre Alexandre Basile, S.J., de informar sobre o nascimento da Associação o Santo Padre (Bento XV), do qual era confessor. Porém a promessa não foi mantida.
[1] O termo polonês indica uma medida de 40 libras, cerca de 16 quilos.
[2] Nos dias 12 a 14 de maio de 1926, o marechal José Pilsudski guiou algumas seções do exército polonês num golpe de Estado, com o qual se tornara árbitro da política polonesa.
[3] Em nota, Frei Maximiliano acrescenta: “Também entre os judeus podem-se encontrar almas nobres que buscam a verdade e às vezes se convertem”.
[4] A estatística foi elaborada provavelmente num folheto à parte, que se perdeu.
[5] Também a lista dos nomes se perdeu.
[6] Padre Gregório Augustynik, Milosc Boga i ojczyzny okazana w czynach, czyli zywot swiatobliwej Polki panny Wandy Justyny Nepomuceny Malczewskiej. Jei objawienia i przepowiednie dotyczace Kosciola i Polski (“Amor a Deus e à pátria demonstrado nas obras, ou seja, a biografia da venerável virgem polonesa Wanda Giustina Nepomuceno Malczewska. As suas aparições e profecias referentes à Igreja e à Polônia”). Chestochowa,1922.
[7] Não foi possível encontrar a revista que publicou o artigo de Padre João Urbano, S.J.
[8] Kopeck: centésima parte do rubro, moeda russa.
