MINHA RESPOSTA A “CONTRA CEKADAM”, DO PADRE CHAZAL
Padre Anthony Cekada (†2020), 25 de agosto de 2017
Fonte: https://www.fathercekada.com/2017/08/25/my-response-to-fr-chazals-contra-cekadam/
Tradutor do texto: Adalberto Brasil.
Descrição: O autor defende que a posição “Reconhecer e Resistir” (R&R) é logicamente insustentável. Ele argumenta que se os ensinamentos pós-Vaticano II contêm erros, então aqueles que os promulgaram não podem ter tido autoridade legítima. Afirma que sua obra, que expõe essa contradição, nunca foi refutada de forma credível, e considera que a longa resposta de Pe. Chazal falha em abordar seu argumento central.
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O Padre François Chazal é um ex-membro da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) que deixou a organização há vários anos, quando a perspectiva de um acordo entre a FSSPX e o Vaticano parecia particularmente provável. Junto com outros sacerdotes ex-membros da FSSPX de mentalidade semelhante, ele formou uma associação informal de sacerdotes conhecida como “a Resistência”.
Os sacerdotes da Resistência sustentam que estão dando continuidade ao ensino autêntico do fundador da FSSPX, Arcebispo Marcel Lefebvre, que era “reconhecer” os papas do Vaticano II como verdadeiros papas, mas resistir, caso a caso, a ensinamentos, leis e ordens aprovados papalmente que o arcebispo e outros decidiram serem maus ou errôneos.
Essa posição é agora geralmente referida como “R&R” ou “Reconhecer e Resistir” — um rótulo, aliás, que eu mesmo criei em um artigo de dezembro de 2005 no The Remnant. Há alguns anos, divulguei um vídeo que resumia a posição como “The Pope Speaks: You Decide: Traditionalists Who Destroy the Papacy”.
Como eu e outros apontamos repetidamente, a posição R&R simplesmente não pode ser reconciliada com o ensino católico tradicional sobre a indefectibilidade e a infalibilidade da Igreja. Uma vez que você diz (como todos os tradicionalistas fazem) que os ensinamentos oficialmente aprovados pós-Vaticano II contêm erro ou mal, a única conclusão lógica a que se pode chegar é que os homens que os promulgaram não tinham autoridade quando o fizeram — em outras palavras, sedevacantismo. Caso contrário, você acaba com uma Igreja em defecção. Eu apresentei este argumento em um artigo de 1995, Tradicionalistas, Infalibilidade e o Papa (revisto em 2006), que desde então foi amplamente divulgado como um livreto (pelo menos 30.000 cópias) e na internet.
Ninguém que eu conheça do lado R&R publicou, todos esses anos, uma refutação crível dessa obra bastante curta.
Quando um dos meus correspondentes desafiou o Pe. Chazal a fazê-lo, o Pe. Chazal produziu um monografia de sete partes e trinta e nove páginas intitulada “Contra Cekadam”, que agora está sendo circulada em parcelas na internet.
Seria de pensar que tal montanha de verborragia me exigiria produzir uma resposta igualmente prolixa. Mas não, o Pe. Chazal simplesmente perdeu o ponto do meu argumento e se desviou para os arbustos para falar sobre outra coisa. Não sinto nenhuma obrigação de segui-lo até lá — ou, como Bergoglio poderia dizer, de “acompanhar o Pe. Chazal em sua jornada de discernimento”.
Os seguintes breves comentários a um correspondente serão suficientes.
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Obrigado por enviar o documento de Chazal. Dificilmente é, como o Pe. Chazal parece pensar, uma refutação ponto a ponto do meu argumento em “Tradicionalistas, Infalibilidade e o Papa”.
O “Contra Cekadam” do Pe. Chazal nem mesmo enuncia o argumento do “Cekadam” em questão, muito menos o refuta. Aqui, para registro, está o argumento que fiz no livreto:
- Os ensinamentos e leis oficialmente sancionados do Vaticano II e pós-Vaticano II incorporam erros e/ou promovem o mal.
- Porque a Igreja é indefectível, seu ensino não pode mudar, e porque ela é infalível, suas leis não podem dar o mal.
- É, portanto, impossível que os erros e males oficialmente sancionados nos ensinamentos e leis do Vaticano II e pós-Vaticano II possam ter procedido da autoridade da Igreja.
- Aqueles que promulgam tais erros e males devem de alguma forma carecer de autoridade real na Igreja.
- Canonistas e teólogos ensinam que a defecção da fé, uma vez que se torna manifesta, traz consigo a perda automática do ofício eclesiástico (autoridade). Eles aplicam este princípio mesmo a um papa que, em sua capacidade pessoal, de alguma forma se torna um herege.
- Canonistas e teólogos também ensinam que um herege público, por direito divino, é incapaz de ser validamente eleito papa ou obter autoridade papal.
- Até mesmo papas reconheceram a possibilidade de que um herege poderia um dia acabar no trono de Pedro. Em 1559, o Papa Paulo IV decretou que a eleição de um herege para o papado seria inválida, e que o homem eleito careceria de toda autoridade.
- Como a Igreja não pode defeccionar, a melhor explicação para os erros e males pós-Vaticano II que repetidamente encontramos é que eles procedem de indivíduos que, apesar de sua ocupação do Vaticano e de várias catedrais diocesanas, defeccionaram publicamente da fé e, portanto, não possuem objetivamente autoridade canônica.
Se o Pe. Chazal concorda com as afirmações nos pontos 1 (as mudanças são más) e 2 (e a Igreja, pela promessa de Cristo, não pode dar mal/erro), ele, no entanto, ainda insiste que os papas do Vaticano II são verdadeiros papas possuindo autoridade de Cristo; sustenta que a Igreja de Cristo defeccionou e que as promessas de Cristo são nulas.
Quanto ao resto, o Pe. Chazal simplesmente:
- Recicla opiniões sobre um papa herege que foram eventualmente abandonadas após São Roberto Belarmino.
- Tenta aplicar critérios pertinentes a crimes eclesiásticos quando os sedevacantistas sustentam que o pecado público de heresia, não o crime, é o que impede um papa herege de obter ou reter o papado.
- Reflutua a falsa citação de Adriano VI.
- Repete a falácia de Paulo vs. Pedro [ver Apêndice no final do post aqui] sobre correção fraterna por uma falta moral, que não resolve o problema da Igreja defeccionando em massa ao promulgar erros teológicos e leis universais más.
- Em seu tratamento das Escrituras como uma “refutação” do sedevacantismo, ignora a própria afirmação de São Paulo de que ele poderia, de fato, “pregar outro Evangelho”, pelo qual até ele mesmo se tornaria “anátema”.
- Recicla supostos incidentes da história para demonstrar que já houve papas hereges antes, mas que tais incidentes (a) fazem parte dos argumentos padrão dos protestantes que rejeitam a infalibilidade papal, e (b) foram repetidamente refutados por teólogos dogmáticos católicos.
Os argumentos do Pe. Chazal em cada um destes pontos ainda não o tiram do apuro teológico que os pontos 1 e 2 do meu argumento original o colocaram — a equação chazaliana que resulta em:
Mudanças más + papas verdadeiros = Igreja defeccionada.
Boa sorte para sair dessa, Padre Chazal!
