MONTE CASSINO
Norberto Toedter, 17 de junho de 2007
Complexo montanhoso no sul da Itália, que não deve ser confundido com Monte Castelo, onde a FEB Força Expedicionária Brasileira conquistou suas láureas na 2ª Guerra Mundial, Monte Cassino foi palco de encarniçadas batalhas. A cidade de Cassino, ao pé do monte, constituiu importante baluarte da defesa alemã em sua resistência às tropas aliadas desembarcadas na Itália. Tanto que resistiu por quase cinco meses até 18 de maio de 1944.
No topo do Monte Cassino fora edificado o mais antigo mosteiro do mundo ocidental, na verdade a instituição mãe monacal, fundada em 529(?) por Benedito de Núrsia. Já em 8 de dezembro de 1943 o Vaticano divulgou que recebera das forças beligerantes a garantia de que o monte seria mantido fora da área de combate e que o complexo da abadia não seria exposto a ataques aéreos. Mesmo assim, na manhã do dia 15 de fevereiro de 1944 uma onda de cem fortalezas voadoras americanas despejou sua carga de bombas sobre o mosteiro. A isso seguiu um fogo cerrado da artilharia aliada e à tarde outra leva de mais cem aviões de bombardeio completou a destruição. A abadia de Monte Cassino, bem cultural da humanidade, foi totalmente arrasada. Ali eram guardados 80.000 pergaminhos e documentos. Tinha uma biblioteca com 70.000 volumes e um tesouro de valor incalculável em obras de arte.
Estes bens não foram perdidos. Tudo foi posto a salvo e os próprios monges foram evacuados antes que o campo de batalha se aproximasse do local. Sob as ordens do tenente-coronel Julius Schlegel, soldados da Wehrmacht, com auxílio de 120 caminhões transportaram tudo a Roma e entregaram os valores à guarda do Vaticano. O arce-abade Dom Gregório Diamare, último a deixar as ruínas no dia 16, mais tarde manifestou sua gratidão firmando um documento com o seguinte teor:
“Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Ao ilustre e amado tribuno militar Julius Schlegel, que salvou os monges e os bens do santo Mosteiro Cassino, os Cassinenses agradecem de todo coração e pedem a Deus pela continuidade do seu bem-estar.”
Também declarou “a bem da verdade” que em momento algum soldados alemães haviam ocupado o interior do monastério.
Isso muda um pouco a imagem que o mundo foi ensinado a fazer dos alemães, pois não?

por Dom Gregório Diamare, 1943.
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Retirado de: O que é a verdade? O outro lado da história. Curitiba: Editora e Livraria do Chain, 2009, p. 60–62.
