O MELHOR ALUNO DO PROF. ORLANDO FEDELI É SEDEVACANTISTA: O CASO FELIPE COELHO
Lúcio Guimarães, 19 de fevereiro de 2026

O “gatekeeping” neoconservador e tradicionalista fará de tudo para impedir a propagação de posições teológicas mais radicais. A maior vítima dessa espiral silenciosa foi Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira e sua obra Considerações sobre o “Ordo Missae” de Paulo VI, um livro fundamental que circulou apenas no exterior e que foi censurado no Brasil por Plinio Corrêa de Oliveira, apesar de algumas poucas cópias francesas e espanholas terem circulado nos meios católicos brasileiros, assim como algumas poucas publicações clandestinas em português aqui e ali. Outro caso de “gatekeeping” é Felipe Coelho, o melhor aluno do Prof. Orlando Fedeli. Todos que participaram das aulas do Prof. Fedeli nos anos 2000 se lembram perfeitamente dos elogios que Felipe Coelho recebia do professor e de que ele era considerado por todos como aquele que o sucederia na cátedra da Montfort. Foi ele, Felipe Coelho, quem auxiliou o Prof. Fedeli no debate contra Olavo de Carvalho em 2001, e isso rendeu vários ataques do adversário gnóstico.


Estranhamente, ninguém fala mais dele. Como o melhor aluno do mestre da Montfort caiu no esquecimento? Ora, é isso mesmo a idéia de “gatekeeping”. Felipe Coelho teve seu legado ocultado porque aderiu ao sedevacantismo. Perderam o melhor aluno para o sedevacantismo, e a partir disso compreendemos o ressentimento deles contra a única posição teológica correta. O site sedevacantista Acies Ordinata do Felipe Coelho foi responsável por quebrar o monopólio intelectual da Montfort, e até hoje eles se recusam a comentar sobre o caso publicamente; mas caso alguém lhes pergunte sobre aquela época de forma mais incisiva, limitam-se a explicar o caso em pequenas notas esparsas e em brevíssimas conversações privadas sobre o aluno de ouro que os abandonou.


Nós recordamos bem aquela época. Felipe Coelho foi extremamente perseguido e caluniado por muitos alunos da Montfort. Quando o site saiu do ar, cantaram vitória, e até hoje se alegram com o sumiço do Coelho. Onde quer que esteja, esperamos que ele esteja bem e firme na verdadeira fé católica. Como a maioria não se lembra mais dele, seus antigos colegas fingem que nada aconteceu e seguem normalmente como se não tivessem sido refutados perante toda a internet brasileira durante os anos de atuação do Acies Ordinata. Para acabar com esse silêncio que é uma forma de reescrita da história, trouxemos de volta a lembrança de Felipe Coelho, o melhor aluno do Prof. Fedeli. Já disponibilizamos acima o famoso debate e o site arquivado do Felipe Coelho, porém queremos terminar mostrando uma publicação do Acies Ordinata e os comentários que nela fizeram. De 2010 para cá, muita coisa mudou, mas há algo que permanece imutável: o modus operandi dos ressentidos.



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APÊNDICE: SOBRE O BLOGUE (2010)
Salve Maria Imaculada!
Rápida introdução e como roteiro e resumo deste blogue são os três seguintes estudos do Sr. John Daly, aqui traduzidos pela primeira vez em português, a ler preferencialmente nesta ordem — ou, se se tiver de ler um só, seja então o terceiro:
3. “A CRISE IMPOSSÍVEL”
Boas objeções são sempre muito bem-vindas!
AMDGVM,
Sempre no amor à Santa Igreja Católica Romana,
Felipe Coelho,
São Paulo, 25-II-2010
([email protected])
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A seguir,
a declaração de propósitos do blogue
redigida em meados de 2009,
que hoje me soa um tanto ingênua
e ainda corrigirei em alguns pontos,
seguida da discussão que suscitou:
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“Quando alguém diz a verdade,
não importa com quem disputa:
não pode ser vencido.
[cum aliquis veritatem loquitur
vinci non potest cum quocumque disputet]”
(Santo TOMÁS DE AQUINO,
Comentário ao livro de Jó, 13,19).
As traduções deste blog, voltado especialmente para os sofridos católicos atuais (ver “Panorama Tradicionalista”), sobretudo de língua portuguesa, para os quais pareceu-nos haver uma lacuna de certo tipo de informação que aqui buscamos remediar, têm tido o objetivo de mostrar:
1. Que Bento XVI continua liberal e modernista, contra a desinformação que predomina na rede, especialmente lusófona, o que faremos não só expondo suas declarações e ações cujo caráter não-católico é manifesto (ver, por exemplo, o recentíssimo elogio ao gnóstico Teilhard de Chardin e adesão à heresia dita pancristista do finado paleontólogo apóstata [link externo; cf. também este aqui, em inglês — a traduzir]), mas especialmente pela análise detida de seus atos que superficialmente possam parecer “tradicionais” e que nos têm sido “vendidos” como tais por muitos dos outrora admiráveis combatentes pela Tradição Católica (ver, por exemplo, o comentário da encíclica Spe salvi e também o do motu proprio Summorum pontificum; ver ainda os demais textos que temos classificado sob a categoria “Bento XVI” neste blog);
2. Que a FSSPX não capitulou, contra os “neo-sedevacantistas” (*) e certos outros tradicionalistas mais exaltados que, de modo tão lamentável quanto temerário, semeiam a divisão entre os que permanecem firmes na resistência à Igreja Conciliar (ver, como confirmação, os textos citados no item 1, que são de dois teólogos da Fraternidade, por exemplo; ver também o notabilíssimo sermão de agosto de 2008 do Bispo Fellay em Saint-Malo);
3. Que os mencionados “neo-sedevacantistas” (*) têm ainda outros erros graves (ver, por exemplo, “Um caso de confusão”, assim como os demais textos que constam do link “Erros Sedevacantistas” ao final da tradução que acabamos de mencionar, os quais pretendemos traduzir num futuro próximo; cf. ainda a tradução inaugural e, sob certo sentido, a principal deste blog: sobre a autoridade dos teólogos, aplicada à refutação do erro feeneyita, de resto praticamente inexistente entre nós e fora dos EUA, Deo gratias);
4. Que a FSSPX tampouco deveria capitular, contra os “acordistas” via de regra do mundo Ecclesia Dei adflicta (ver, por exemplo, “O ministério crítico da Fraternidade”, juntamente com os demais artigos que constam do dossiê da FSSPX a que pertence esse texto e que mencionamos ao fim dele; cf. também, é claro, os estudos referidos no item 1);
5. Que estes “acordistas” também têm erros graves (ver os textos citados no item anterior e os demais que classificamos sob a categoria “Ecclesia Adflicta” neste blog);
6. Que é possível ser tradicionalista, e mesmo tradicionalista sedevacantista, sem ser cismático (ver, sobretudo, o fundamental artigo “Cacemos os cismáticos!”);
7. Que o sedevacantismo é uma posição defensável, com a moderação e desconfiança de si que convêm em não se tratando de um dogma, nesta questão disputada que é o problema atual da autoridade na Igreja (ver, por ora, a propósito das duas variantes da solução sedevacantista para o mistério da crise presente, a crítica à Tese de Cassicíaco; e sobre o “clássico sedevacantismo bellarminiano” aí mencionado: o ensinamento deste Santo Doutor da Igreja).
E isso respeitando as exigências do Oitavo Mandamento (ver “Margo Varia”) e a tolerância para com os que discordam de nós… o que não impede, é claro, certa veemência na argumentação.
Sempre no amor à Santa Igreja,
Felipe Coelho
[ATUALIZAREMOS, DE QUANDO EM QUANDO, ESTA APRESENTAÇÃO DO BLOG, QUE POR ORA FAZ AS VEZES DE ROTEIRO. ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 29-VIII-2009]
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[(*) Sobre o que sejam “neo-sedevacantistas” e a propriedade de empregar esse termo, cf. os judiciosos comentários do Sr. John Lane em: http://www.strobertbellarmine.net/forums/cum-ex-apostolatus-officio-pope-paul-iv-t529.html. O termo, cunhado por ele, só aparece no fim da segunda dessas sete longas páginas de interessantíssima discussão, passando então a ser vigorosamente contestado por seus interlocutores mas, por fim, vitoriosamente defendido pelo Autor; como, porém, há uma certa continuidade em todo esse debate, citamos o link para o seu início. Com mais tempo, quem sabe ainda não traduziremos, num esforço de síntese, as principais intervenções pertinentes. Ad majorem Dei Gloriam Virginisque Mariae, FC]
16 Respostas to “Sobre o blogue (2010)”:
- N. B. Guarinelo Says:
18 de junho de 2009 às 16:46 Bom blog. - Roberto Monterio de Oliveira Says:
19 de agosto de 2009 às 7:50 Quase acidentalmente, descobri este excelente blog; NÃO sou
sedevacantista, pois li de Dom Lefebvre: “o sedevacantismo é a mais perigosa tentação para nós católicos” (não-textuais) (repetida a mim por Dom Licínio a viva voz – mutatis mutandi). Gostaria de receber suas análises sobre esse e outros temas de interessa de nós “tradicionalistas”. - Felipe Coelho Says:
20 de agosto de 2009 às 18:48 Prezado senhor, Ave Maria Puríssima! Obrigado pelas palavras generosas. Sobre Dom Lefebvre e o sedevacantismo, há um excelente compêndio de citações aqui: http://www.statveritas.com.ar/Varios/SedeRomana1.htm. Faz parte de um estudo clássico da FSSPX sobre a questão, que começa um pouco antes, aqui: http://www.statveritas.com.ar/Varios/Lefevbre%20y%20la%20sede%20Romana.htm. Aliás, o título desse prefácio bem poderia servir de epígrafe ao nosso próprio blog: “Para que la disputa no se vuelva discordia”! Veja que interessante, caro senhor, este prefácio, desse estudo clássico da FSSPX sobre o sedevacantismo, que grifamos a seguir (com alguns comentários nossos entre colchetes): “Hoy en día se ha extendido en algunos círculos católicos preocupados por el colapso posconciliar la opinión de que, a causa de los errores de los últimos papas, desde Juan XXIII al actual, la Sede Romana estaría vacante por herejía de sus ocupantes, o bien que la elección de éstos habría sido inválida. Esta opinión reconoce infinidad de matices que no es posible distinguir aquí, pero de un modo general se la conoce como sedevacantismo. La Fraternidad Sacerdotal San Pío X no sostiene tal opinión. Es más, desaprueba que sus sacerdotes prediquen en tal sentido. Algunos fieles, no obstante, se inclinan por esta corriente de pensamiento y en algunos casos [NÃO TODOS, PORTANTO] han actuado de un modo conflictivo [LAMENTAVELMENTE]. Tampoco han faltado sacerdotes que, llevados por estas ideas, dejaron nuestra obra. Tenemos la impresión de que muchos [PORTANTO, NÃO TODOS] de los que son arrastrados por esta opinión adhieren a ella de un modo imprudente, como una manera particular de expresar el sentimiento común de oposición a la corriente modernista que impera en Roma, pero sin fundamentos suficientes, sobre la base de conclusiones no debidamente justificadas en bases teológicas sólidas [É VERDADE!]. Para algunos espíritus la idea es atractiva, sugerente, parece solucionarles muchas cosas. Para otros un punto en el que atrincherarse ante una visión casi desesperanzada de la tremenda realidad de la Iglesia de hoy. Para la mayoría de los fieles, en cambio, algo imposible de desentrañar cuando no ajeno a sus preocupaciones [POR ISSO, ENTRE OUTRAS MUITAS RAZÕES, QUE NÃO TEM CABIMENTO QUALQUER “PROSELITISMO” POR PARTE DE SEDEVACANTISTAS]. Sin embargo, más allá de estos matices, el problema está planteado y puede ser fuente de una legítima inquietud espiritual e intelectual. Porque es un tema muy complejo, indescifrable para muchos y ajeno a la mayoría, la Fraternidad ha sido prudente en el debate público de esta opinión. Hoy por hoy creemos conveniente publicar este trabajo del R.P. Juan Carlos Ceriani en el cual ensaya una sistematización de las dificultades que implica la hipótesis sedevacantista en sus principales matices, aunque no trata de todos ellos. Lo damos a publicidad porque quienes se sienten legítimamente preocupados tienen el derecho a estar informados, y además porque -confundiendo prudencia con timidez- se nos ha acusado de ocultar el tema, o de no tener argumentación sólida al respecto. Es el momento de aventar esa confusión. Este trabajo es un ensayo y como tal sujeto a controversia. Se lo podrá objetar o aprobar, pero en ninguno de estos casos ignorar; si se lo desea rebatir, lo menos que puede pedirse al posible objetor es que recorra las mismas fuentes que ha transitado el autor, en una tarea investigativa verdaderamente encomiable. De su lectura en más, creemos, muchos de los que han sido fascinados por la idea del sedevacantismo reflexionarán sobre las dificultades que entraña sostener responsablemente tal opinión y quizás de este modo lleguen a advertir que la polémica al respecto debe ser muy prudente, franca y alejada de todo espíritu sectario Una disputa (contradicción de pensamientos) signada por el espíritu de apertura intelectual, de búsqueda de la verdad y nunca basada en o fuente de discordia (contradicción de sentimientos). Los fieles que deseen consultar a los sacerdotes respecto a este tema tienen, como siempre, entera libertad de expresarse francamente. Todos los amigos de la Fraternidad saben -y siempre ha sabido- cuál es la posición oficial y cuál ha sido desde un comienzo. Nadie los ha engañado ni les ha ocultado nada. Nadie ha pretendido forzar sus conciencias, (como se ha oído susurrar). Simplemente se les ha advertido del daño que tales ideas pueden causar si son repetidas sin fundamentos o debatidas fuera de un marco mínimo exigible de seriedad. Es el momento de seguirlas recomendaciones de Monseñor Lefebvre al respecto manteniendo, aun en la diversidad de opiniones, un espíritu unánime de prudencia, caridad y concordia, es decir, obrar como siempre ha obrado la Iglesia en estos casos de cuestiones disputadas. Si la disputa nos lleva a la discordia, es porque detrás de ella hay un mal espíritu que debemos detectar y rechazar. Por lo demás, es conveniente que cada uno guarde su lugar. Demasiados periti conciliares entusiasmados por sus ideas personales han sido causa, en buena medida, del desastre conciliar. No repitamos una versión sui generis de aquella lamentable experiencia. Nadie debe arrogarse el oficio de teólogo si no ha sido llamado a él y confirmado como doctor por la Iglesia; y quienes se consideran llamados, deben ser capaces de sostener con el rigor de la ciencia aquello que afirman, no meramente murmurarlo. Para algunos lectores el tema será novedoso. De su lectura sacarán provecho porque revisarán o reafirmarán muchos conceptos, y podrán comprobar con cuanta libertad la Iglesia a tratado estos temas en todos los tiempos, a la vez que con cuánta prudencia y erudición por parte de los teólogos. Les será de gran utilidad porque una fe ilustrada es mucho más eficiente en la lucha doctrinal que sostenemos.
Esperamos de parte de todos la misma franqueza y honestidad intelectual.
Quien deba entender, que entienda.”
Aurea dicta!
Um abraço,
Em JMJ,
Felipe Coelho. - Othon Says:
22 de agosto de 2009 às 20:10 Pobre Felipe, lamento muitíssimo sua apartada da Igreja Católica. Que Deus o perdoe. Othon. - N. B. Guarinelo Says:
25 de agosto de 2009 às 15:02 Othon, nesse blog que estamos há um artigo exatamente sobre esse tema (se um sedevacantista é cismático apenas pelo fato de sê-lo). E acho que se você quiser afirmar categoricamente isso, seria interessante antes ver vossa resposta a tal artigo. - Sandro de Pontes Says:
26 de agosto de 2009 às 5:38 Othon, salve Maria. Apenas para que não perca tempo procurando, eis o endereço: http://aciesordinata.wordpress.com/2009/05/07/textos-essenciais-em-traducao-inedita-ii/. Fique com Deus e com Nossa Senhora, Sandro de Pontes. - Teresa Says:
27 de agosto de 2009 às 7:35 Eu aprendi a respeitar os sedevacantistas, e mesmo a admirar alguns deles – como o Felipe – mas sinto o mesmo que o Othon. Por muitas razões teológicas que me dêem, na minha cabeça não entra que quem se separa do Papa não seja cismático. Se assim fosse, qualquer um, que quisesse fundar uma igrejola, bastava-lhe dizer que tinha dúvidas legítimas da validade da eleição papal e et voilá. Nem sempre a lógica mais perfeita corresponde à verdade. - Felipe Coelho Says:
28 de agosto de 2009 às 21:42 Prezada Teresa, salve Maria. O seu paralelo não colhe, e por mais de uma razão. Alguém “dizer que tinha dúvidas legítimas etc.”, quando na verdade não as tinha mas apenas buscava um pretexto para se livrar de um Papa legítimo, não exime essa pessoa de cisma, pois para isso é preciso que: (a) essas dúvidas existam de fato na mente do indivíduo e (b) tenham fundamento real nos fatos. Quanto ao (a): as suas próprias palavras impugnam o paralelo que a Srta. faz entre os dois casos, pois, quando você admite que um sedevacantista pode ser uma pessoa respeitável, deixa assim patente que, mesmo a seus olhos, o questionamento da reivindicação ao papado de Montini-Wojtyla-Ratzinger não tem qualquer semelhança com um pretexto sem base e forjado por “qualquer um, que quisesse fundar uma igrejola” (ou seja, uma pessoa indigna de respeito, quanto mais de admiração), como você diz. Ademais, nenhum sedevacantista aqui está “fundando uma igrejola”. Os chamados “conclavistas” são uma minoria ínfima e nada representativa dos sedevacantistas: basta olhar os números. Quanto ao (b): O próprio fato de um Dom Lefebvre ter cogitado seriamente se a Santa Sé não estaria vaga e de Dom Mayer, ao que tudo indica, ter ido ainda além, mostra claramente que existe, sim, fundamento, no mínimo, para “dúvidas solidamente fundamentadas [‘probabiliter’]”, nas palavras daquele que Santo Afonso considerava o maior teólogo desde Santo Tomás de Aquino: “Tampouco é alguém um cismático por negar a sua sujeição ao Pontífice com base em ter dúvidas solidamente fundamentadas [‘probabiliter’] concernentes à legitimidade da eleição dele ou do poder dele [referências a Sanchez e Palao].” (DE LUGO, Disputationes Scholasticae et Morales, De Virtute Fidei Divinae, disp. xxv, sect. iii, nn. 35-8). (Para cf. a cit. no original: clique aqui). Isso já basta para provar que os sedevacantistas não cometem o pecado ou crime de cisma só por serem sedevacantistas. E, finalmente, você deveria considerar ainda a possibilidade bastante real de um derradeiro motivo para os sedevacantistas não serem cismáticos: Bento XVI não ser Papa. Atenciosamente,
Em JMJ,
Felipe Coelho. [RESPOSTA LIGEIRAMENTE EDITADA, COM A INCLUSÃO DA CITAÇÃO, ÀS 23:30 DE 28-VIII-09] - Othon Says:
29 de agosto de 2009 às 17:37 Duplamente pobre Felipe e rêmoras que o escudam, ainda que Santo Afonso tivesse dado tal elogio ao Cardeal Juan de Lugo, isso não é motivo para contrariar a uma premissa muito simples: devo seguir tudo aquilo que for conforme aos mandamentos e ao que ensina a Igreja, e não seguir tudo aquilo que não for conforme aos mandamentos e ao que ensina a Igreja. Portanto, não tenho obrigação (e nenhum católico possui!) de negar que Bento XVI não é Papa, pois isso contraria o que a Igreja ensina. Lamentavelmente, Felipe Coelho já substituiu Bento XVI, que não seria Papa, pontificando da sua cátedra internética que não é cisma negar que Bento XVI é Papa. Habemus Papam… Internexicum. Além do mais, esse racionalismo irracional acaba por esquecer a ação de Deus na História, que pode fazer pedras filhos de Abraão. Ora, se assim pode acontecer, porque não converteria um defensor do modernismo em um Papa que sepultará o Vaticano II e o mesmo modernismo que defendera? Por acaso Nosso Senhor abandou de estar junto com Sua Esposa, por causa do Vaticano II? Se isso é verdade, o sedevacantismo é falso, pois chama justamente Aquele que sonda os rins e corações de mentiroso. Muita razão tem Abbé Régis de Cacqueray, ao dizer que os modernistas e sedevacantistas têm o mesmo fim: minar a autoridade papal, e que ambos estão em aliança. Sedevacantismo e modernismo, tão afins quanto Panteísmo e Gnose. Libera nos Domine! Que a Virgem Maria possa dar a vocês um cêntimo da Sua imensa humildade. - Aruan Freitas Says:
6 de setembro de 2009 às 0:01 A título de complementação: para quem quiser saber, atualmente até um dos principais membros da SSPX, o bispo Mons. Tisser de Mallerais, disse publicamente que há dúvida legítima sobre a validade de um papa como Bento XVI. Para verificar a cópia escaneada da carta original na qual consta exatamente essa afirmação, com a caligrafia do próprio bispo já referido anteriormente, clique aqui. - Felipe Coelho Says:
5 de dezembro de 2009 às 16:55 Prezado Othon Campos, da Montfort, Salve Maria! Hesitei muito em publicar este seu último comentário péssimo, mas por fim resolvi lhe responder, pois já o tive como amigo e tenho esperança de, quem sabe, ajudá-lo um pouco a ver melhor nessas questões, bem como para a edificação dos demais. Pois há muitos erros gravíssimos embutidos no que você diz, que tentarei explicitar a seguir. Para facilitar, dividirei-os em breves itens. Após o insulto de abertura – ao qual ainda voltarei, pois faz injustiça a meus amigos –, você começa com a seguinte enormidade: “Ainda que Santo Afonso tivesse dado tal elogio ao Cardeal Juan de Lugo, isso não é motivo para contrariar… os mandamentos e [o] que ensina a Igreja.” (Othon Campos/Montfort). Há tantos erros implícitos nesse breve trecho, que mal sei por onde começar! Vejamos: 1. Um primeiro erro seu aí, Othon, é julgar que De Lugo (na citação que dele fiz e que você critica) estaria enunciando algum tipo de tese própria dele, quando, na verdade, ele está apenas ensinando uma doutrina bastante corriqueira em teologia. Se você tivesse tido a prudência (e os bons modos…) de ler o breve estudo indicado por meus amigos, que tiveram a caridade de parar para ajudá-lo e quem sabe impedir esta sua longa humilhação (rezemos que salutar) à qual você me obriga agora (mas perderam tempo e ainda receberam como gratidão o seu desprezo!), você teria visto ali também, Othon, por exemplo, a seguinte citação, juntamente com a do Cardeal De Lugo: “Não podem, afinal, ser contados entre os cismáticos aqueles que recusam obedecer ao Romano Pontífice por considerarem a pessoa dele digna de suspeita ou duvidosamente eleita…” (Wernz-Vidal, Ius Canonicum, vol. vii, n. 398). Ou seja, tanto os maiores teólogos quanto os maiores canonistas concordam nesse ponto, meu caro. E um bom católico não é de modo algum livre para ir contra o parecer deles. 2. Para você se dar conta ainda melhor do nível de ignorância subjacente à sua arrogância, saiba que mesmo não houvesse essa concordância dos teólogos e canonistas, que no entanto existe, ainda assim uma autoridade como a do Cardeal De Lugo já nos permitiria seguir a opinião dele sem peso na consciência, pois: “No obstante que no exijan por esto unos de otros algo más de lo que exige a todos la que es Maestra y Madre de todos, la Iglesia: pues en aquello, acerca de lo cual en las escuelas católicas suele discutirse unos poniéndose en una línea y otros en otra opuesta entre autores de la más reconocida solvencia, a nadie debe prohibírsele seguir aquella sentencia que le parezca la más verosímil” (PIO XI, cf. Denzinger 2192). E olhe que você poderia ter encontrado esta citação, que talvez lhe tivesse feito recuar antes de proferir seus disparates, facilmente neste mesmo blogue: bastaria clicar em “questões disputadas” na minha breve postagem acima, justamente a que você clicou para comentar… 3. O seu terceiro erro, também típico do meio de onde você vem, é julgar-se (“humildemente”) melhor intérprete dos ensinamentos e mandamentos da Santa Igreja do que os teólogos e doutores designados, aprovados e recomendados por nossa Mãe e Mestra, coisa que nem você nem seu professor jamais foram. Novamente, se você tivesse tido os bons modos (e a prudência… afinal, que tipo de tolo desfere um ataque antes de procurar conhecer nem que seja superficialmente as tropas adversárias?) de ler ao menos o estudo que indiquei, no roteiro acima, como “a tradução inaugural e, sob certo sentido, a principal deste blog”, teria visto os textos magisteriais, os exemplos da história e a sã doutrina teológica que respaldam esse modo de proceder, infelizmente tão negligenciado em meios tradicionalistas. Cito-lhe aqui apenas um passo; veja como a objeção parece tirada da sua própria boca, Othon, ou de quem você imita: “Objeções [à Autoridade dos Teólogos] e Respostas. (A-C: Pe. Schultes; D: Pe. Cekada) [...] E. *Interpretações Privadas [Livre-Exame] dos Pronunciamentos Magisteriais.* “Eu acho que os pronunciamentos infalíveis da Igreja são todos bem claros. Eu não preciso de ‘interpretações’ ou explicações de teólogos. Eu simplesmente entendo tudo literalmente.”
• Resposta: Interpretações e explicações de texto “faça-você-mesmo” são para os protestantes, não os católicos. A Teologia é uma ciência que opera sob o olhar vigilante da Igreja, e não uma “boca-livre” para todo católico que tenha uma tradução vernacular do Denzinger. Como qualquer outra ciência, a Teologia opera segundo critérios reconhecidos e objetivos, que os especialistas empregam para chegar à verdade acerca de diversas proposições. Então, se você não é treinado na ciência, você não tem nada que ficar bolando suas próprias interpretações dos pronunciamentos do Magistério. Na melhor das hipóteses, você acabará parecendo um ignorante; na pior, você acabará virando um herege.” (Pe. CEKADA, http://wp.me/pw2MJ-B.). Como esse ponto é especialmente importante, faço questão de citar aqui também nosso maior teólogo, Mons. Penido: “Foi-nos perguntado se, porventura, a Encíclica [Mystici Corporis Christi, de Pio XII] era de tal forma obscura que necessitava explanações tão dilatadas como as nossas? A resposta está nas próprias linhas que encabeçam o documento: indicam estas que os destinatários da carta papal são os membros do episcopado católico, logo, por definição mesmo, personagens eminentes pela doutrina. Ora, assim como um parecer ou uma sentença poderão ser mui claros para um jurista e de difícil intelecção para um profano, do mesmo modo, a Encíclica será louvada pelos doutos em teologia, qual modelo de limpidez, e oferecerá, todavia, sérias dificuldades aos leigos. Para estes e não para os teólogos, escrevemos a presente obra. Aliás, mesmo entre os leigos, os que já assimilaram os grossos volumes, seja de Anger, seja de Mura, seja de Mersch, sobre o Corpo Místico, estes não carecem de um introdutor, para saborear os ensinamentos de Pio XII. Os outros – e são a quase totalidade – pouco afeitos aos métodos e conceitos da Teologia, folgarão, sem dúvida, de possuir este pequeno guia, que nos esforçamos por tornar o mais simples, breve e claro que nos foi possível, eliminando os dados de pura erudição, como as tecnicidades e controvérsias especializadas.” (Pe. Dr. Maurílio Teixeira-Leite PENIDO, O Corpo Místico. Comentário da Encíclica “Mystici Corporis Christi”. Petrópolis: Vozes, 1944, 361 pp.; “Ao Leitor”, pp. 8-9). Como não ver, a partir dessas citações, o ridículo em que caem os que desprezam o estudo da teologia em prol da só “história” ou experiência (puro modernismo desses ditos “tradicionalistas”), ou que têm a pretensão de “saber ler” o Magistério sem o auxílio dos teólogos aprovados pela Igreja (puro carismatismo), o que, no que toca ao “magistério” de Bento XVI, faz com que cheguem ao cúmulo de fazê-lo dizer o contrário do que diz, a pretexto de não sei que vidência do coração dele (de que só Deus é juiz!). Dons de verdadeiro profeta, dir-se-ia! E vêm dizer depois que os sedevacantistas é que somos os revolucionários, os que nos atemos ao que é aprovado e seguro, recusando-nos a bancar os “gênios” que pretendem descobrir ou inventar soluções “brilhantes” inauditas para explicar a crise atual? Faz-me rir, meu caro Othon. 4. Seu quarto erro, Othon, é como o corolário dos precedentes. Veja só que raciocínio, digamos, “peculiar” o seu: Eu, Felipe, aprendo a entender melhor o que a Igreja ensina, com a ajuda dos grandes teólogos por ela autorizados, como De Lugo e Penido, como aliás nos manda o próprio Magistério (ver link citado no item anterior); já o Othon Campos/Montfort apóia-se em si mesmo (ou nalgum outro leigo igualmente ignorante) e julga entender plenamente os ensinamentos da Igreja, não apenas sem precisar consultar o que diz a Teologia, mas, quando com ela confrontado, vai alegremente contra os maiores teólogos sem titubear (!), que porém são os maiores justamente porque a Santa Igreja reconhece-os como tais; logo – concluem Othon e seus pares –, sou eu, Felipe, e não ele(s), quem “pontifica de sua cátedra internética”?! É, verdadeiramente, o mundo de cabeça para baixo! Permita-me citar um dos mais doutos e pios sacerdotes tradicionalistas que há contemporaneamente, e com o qual, de resto, discordo num ponto importante (não sou “guérardista”), mas de cujas excelentes palavras a seguir é difícil de crer que algum católico possa não assinar embaixo: “Que eu não seja o magistério, disso estou bem seguro. É por essa razão que convido cada um a se informar da doutrina católica e não da minha doutrina. É por isso também que tenho como ponto de honra citar minhas fontes e referir-me ao magistério. É claro, porém, que a minha apresentação do magistério não é o próprio magistério, e recusá-la (caso se tenha boas razões para tanto) não é recusar o magistério. Entre considerar-se como o magistério e ser um cão mudo, há uma via média. Rezai à Virgem Santa que eu saiba segui-la.” (Rev. Pe. Hervé BELMONT, Resposta de 03/02/2009). 4. (continuação) Poderíamos passar já ao próximo item, mas não resisto citar mais dois longos trechos de traduções que há aqui neste blog, pois quero que você veja bem como você vai mal numa questão que tenho a peito defender ainda mais do que a atual vacância da Santa Sé e que, ao contrário desta, não é nenhuma questão disputada, pelo contrário, dela depende bem mais diretamente a salvação de nossas almas: a prática do Oitavo Mandamento nas circunstâncias atuais. Leia com atenção, para o bem de sua alma, este ótimo exemplo e doutrina: “Similarmente, no caso de cisma, pensávamos que quem quer que rejeitasse um verdadeiro papa ou aceitasse um falso papa era considerado cismático para todos os fins práticos, ainda que interiormente, aos olhos de Deus, estivesse de boa fé. Mas agora está estabelecido além de toda controvérsia que os teólogos defendem exatamente o oposto. Os textos em que nos apoiávamos referiam-se, na realidade, a pessoas que sabiam muito bem que estavam se separando da comunhão da Igreja Católica. Nenhum autor sugere que aqueles que desejam pertencer à comunhão católica mas errem, em dias de confusão, acerca de quem é papa ou quem é católico, devam portanto ser considerados excluídos da Igreja. A consequência disso é que nós, “linhas duras”, estávamos considerando excluídas da Igreja muitas pessoas que na realidade ainda eram membros dela. Pior ainda, estávamos rejeitando padres por darem os sacramentos a pessoas às quais eles na realidade estavam obrigados a dá-los. [...] A Igreja passou por muitas crises, e a atual é a pior da era do Novo Testamento. Não surpreende que muitos errem apesar da vontade sincera de crer com a Igreja. A autoridade é necessária para garantir a unidade, e hoje essa autoridade falta. A mínima unidade de fé permanece, sendo essencial à Igreja, mas nem todos os católicos entendem claramente as respostas certas para as várias questões que emergem da própria crise. Sempre que isso aconteceu no passado, os desencaminhados não foram considerados hereges ou cismáticos antes de se provarem obstinados em face do julgamento direto das autoridades. Hoje a mesma coisa dever-se-ia aplicar. Isso não é cair no erro dos que negam que possamos reconhecer um herege na ausência de uma condenação direta. Trata-se meramente de insistir no dever de caridade de não crer que uma pessoa é culpada de heresia, ou de qualquer outro pecado, quando os fatos admitem outra interpretação. E, acima de tudo, não recusar comunhão com aqueles que diferem de nós em meras questões de fato e opinião, como por exemplo sobre se esse ou aquele indivíduo é realmente pertinaz. (J.S. DALY, http://wp.me/pw2MJ-3k). Como vê, a doutrina salutar aí exposta não rima nada com o modo de proceder sectário que você infelizmente mostrou ter aprendido tão bem, meu caro Othon… (Incidentalmente, o sobrenome do autor supracitado lê-se “Dêili”, não “Déli” — mera nota de erudição, se me permite). Rezemos seja só um lapso seu, pois veja só a que pecado o estão levando, senão a imitar, ao menos a dele ser cúmplice, ó pobre Othon: “Os clérigos católicos tradicionais reconhecem o escopo restrito de sua autoridade… geralmente. Todavia, um padre (ou Bispo ou mesmo um leigo) pode facilmente ultrapassar os limites, quando, numa questão específica, digamos que ele age como se fosse um autêntico mestre, legislador e juiz, ao infligir o equivalente de penas eclesiásticas àqueles que colidem com ele. Chamo isso de síndrome do “Siga-me ou morra!” – ou, para lhe dar um nome mais formal, ‘autsequismo’ (de ‘aut sequi, aut mori’, que é a tradução latina da sentença). A síndrome funciona assim: o Pe. W. (ou o Escritor X., ou o Bispo Y., ou a Fraternidade Z., a propósito) aborda uma questão teológica disputada ou um problema espinhoso sobre como aplicar as normas do Direito Canônico ou a prática pastoral numa dada situação. Forma alguns princípios (até aqui, tudo bem), reúne provas (um passo razoável), chega a alguma conclusão (o que é justo, espera-se), e então salta à condenação de todo o clero e laicato que discordem de sua solução como sendo todos um bando de – e aqui varia – hereges, cismáticos, pecadores ou genericamente réprobos que agem com absoluta má-fé e portanto devem ser evitados (Puxa!). É nessa fase final do processo – arrogando-se a autoridade para infligir uma pena contra o não-assentimento – que o agressor ultrapassa seu limite de velocidade jurisdicional e derrapa para o mundo do ‘Siga-me ou morra’.” (Pe. CEKADA, http://wp.me/pw2MJ-1g.) E olhe que o usurpador aí mencionado ainda teve o cuidado de reunir provas para embasar a acusação que faz, o que já é mais do que você, e os que o ensinaram a acusar os sedevacantistas de cisma, jamais se deram o trabalho de fazer! O que torna ainda mais escandalosa a usurpação perpetrada por sua “Academia” – já denunciada nisso em público, aliás, por mais de um clérigo tradicional. 5. Ainda sobre sua conclusão inusitada, que, como vimos, inverte absurdamente a situação – você me acusa daquilo que é você quem faz e, pasmem, no próprio ato de o fazer! –, você arremata: “Lamentavelmente, Felipe Coelho já substituiu Bento XVI, que não seria Papa, pontificando da sua cátedra internética que não é cisma negar que Bento XVI é Papa. Habemus Papam… Internexicum.” (Othon Campos/Montfort) Alto lá, meu caro Othon! Do jeito que você escreve – além do ridículo de pretender que citar teólogos seja “pontificar”, quando é exatamente o oposto, como vimos –, há ainda aqui, para piorar, sua ideia incrível de que os sedevacantistas seriam cismáticos até prova em contrário! Mas, ainda outra vez, é isto uma total inversão da ordem das coisas: desde que o mundo é mundo, e por toda a parte (exceto talvez nalguns rincões quixotescos da Moóca), o ônus da prova cabe a quem acusa! Nada mais elementar e, no entanto, nada mais preterido pelos seus… Em suma: é você, assim como o site ignorante do qual você tirou sua “certeza” detratória (aliás, afetada por ele de improviso e tardiamente, por puro oportunismo e só razões políticas, contradizendo o que antes dizia, e sem nenhum cuidado seja com a doutrina seja com a moralidade de uma tal acusação, como aliás lhe é praxe), são vocês, dizia, quem tem de provar acusação tão grave, antes de dar vazão à sua vontade de xingar “teologicamente” seus desafetos! O que, diga-se, é muito pior que os palavrões ali tão corretamente execrados: nessa crítica ao Opus, por mais correta, o fato é que coam o mosquito e engolem o camelo, como se vê. Modo de proceder não de cristãos, mas fariseus. E nem vale retorquir, como já li um dos seus fazer (claro que não com estas palavras): “você acusa o meu querido teilhardista e cabeça da Igreja Conciliar Bento XVI de ser por isso herege e cismático, e eu não posso acusar você, sedevacantista, de cismático e herege?”. Pela enésima vez, uma completa deturpação da reta ordem moral: desde quando o pecado de outrem (no caso, antes suposto que real, mas mesmo que tal fosse…) dá a alguém o direito de pecar de volta contra ele? “Pagar o mal com o bem”, não é isso que ensina a Escritura Santa? É bem o contrário do modo de proceder de tantos formados na sua escola, Othon, muito lamentavelmente. Que o Bom Deus vos tenha piedade! Mas, ante tais maus-tratos à Sua santíssima doutrina e lei, que não se iludam: há que temer o Seu rigor. 6. Mas o cúmulo mesmo é você me excluir da Igreja por causa de Bento XVI, ao mesmo tempo que este ensina uma eclesiologia segundo a qual tal tipo de exclusão praticamente nem mais existe! Novamente (já perdi a conta de quantas vezes), você ler aquele excelente estudo “Cacemos os cismáticos“, antes de vir aqui querer caçar os “cismáticos”, para poder exibir nosso escalpe a seu enganoso mentor, ter-lhe-ia, quem sabe, trazido alguma luz; tenho em mente, desta vez, o trecho seguinte: “Outra razão pela qual as autoridades conciliares (obrigado ao Cardeal Benelli pela palavra) não pronunciam tão facilmente as palavras cismático ou excomunhão com relação aos “ultras” da tradição pode ser por já terem elas emasculado essas concepções a ponto de não lhes deixarem senão uma força ínfima. [//] Pois a nova concepção eclesiástica do Vaticano II não faz da comunhão eclesiástica um absoluto. Há, para os fiéis do Vaticano II, graus de comunhão e de catolicidade. Um cismático não está mais, segundo essa concepção, simplesmente fora da Igreja, lá onde não há salvação. Ele está numa comunhão menos plena, mas capaz de ser de uma igreja apostólica da qual o Espírito Santo se serve como meio de salvação. Como querer apavorar os “ultras” brandindo um gládio voluntariamente tornado cego?” (J.S. DALY, http://wp.me/pw2MJ-X). Ora, nem a “Dominus Iesus” nem Bento têm outra doutrina, meu caro… Assim, a um debatedor pouco reto, que aliás, em questão tanto de lealdade na polêmica quanto de posição obviamente definida por critérios não doutrinais (o aplauso dos amigos e as doações dos benfeitores consta já desviaram mais de uma “apologética” leiga ou não…), lembra-me muito o seu mestre, Othon, que como é sabido, embora fale sempre da proporcionalidade das armas num duelo, em verdade jamais entrou num sem ocultar em mãos uma adaga, ao debatedor Sr. Robert Sungenis, dizia eu, defensor de Bento XVI e portanto do Vaticano II, que um tanto demagogicamente proclamou certa vez ao citado Sr. Daly: “Nosso desejo é que você volte para a Igreja e pare de conduzir as pessoas para fora dela”, respondeu este, mui divertidamente: “(…) poderias, por favor, aggiornar tua teologia reacionária, para conformá-la com a Gaudium et Spes (Vaticano II) e a Dominus Jesus (Cardeal Ratzinger)? Segundo a teologia da tua religião, os sedevacantistas não estão ‘fora da Igreja’ nem conduzindo ninguém para fora dela; eles estão apenas num estado de comunhão imperfeita com Bento cultuador de Alá e encorajando os outros a diminuir a perfeição da comunhão deles”. Muito engraçado, mas tragicamente real! É só o que lhe tenho a responder neste ponto, ó pobre Othon, que para defender a autoridade de Bento contra os católicos que a rejeitam vê-se forçado necessariamente a apelar a uma teologia da Igreja que não tem o respaldo da autoridade de Bento, o qual ensina manifestamente o contrário… Ironia tanto mais patética quanto menos consciente de sua contradição! 7. Enfim, haveria muito, muito mais a comentar a partir de seu comentário tão curto, em mais um sentido da palavra. Quem sabe, se você mostrar melhores disposições e pedir, sobretudo aos meus amigos, as desculpas devidas, eles cujo amor à verdade conheço bem e vai a léguas do sectarismo que você infelizmente fez questão de vir aqui mostrar, quem sabe, se você der mostras de algum arrependimento por tantos erros e injustiças que acabo de lhe esfregar em face, quem sabe então, posso tratar do mais que você diz, que certamente toca noutros pontos bem interessantes, sim. Mas, por ora, concluamos a exposição de toda essa miséria com uma nota final ainda mais (tragi)cômica: Othon “conclui” seu xingatório mal-disfarçado de piedade – perdão, sua “argumentação teológica” cuja única fonte citada é sua (ou melhor seu?) cabeça –, que: “Portanto, não tenho obrigação (e nenhum católico possui!) de negar que Bento XVI não é Papa, pois isso contraria o que a Igreja ensina.” (Othon Campos/Montfort). Meu caro Othon, nem gramática você sabe e vem querer nos dar lições! Pois “negar que Bento XVI não é Papa” é exatamente o mesmo que “afirmar que Bento XVI é Papa”; logo, você está dizendo aí (claro que sem querer), em bom português: “não tenho obrigação … de afirmar que Bento XVI é Papa”! Mas é exatamente isso que eu, apoiado em De Lugo inter alia, estou tentando lhe mostrar! Depois dessa, só me resta parar por aqui. Que a Santíssima Virgem, Auxílio dos Cristãos, tire-lhe as escamas dos olhos, são os meus votos.
Em JMJ,
Sempre no amor à Santa Igreja,
Felipe Coelho. - Alexandre Says:
4 de janeiro de 2010 às 21:09 Prezado Felipe: Peço-lhe, mui gentilmente, a exclusão de minha resposta, porquanto não se nota a referência ao excelente texto de Dom Fellay.
Agradecimentos. Alexandre Fernandes. - Felipe Coelho Says:
6 de janeiro de 2010 às 17:08 Caríssimo amigo, Salve Maria Santíssima! Já a excluí. De fato, quando você disse “Valioso texto! Que seja o contrapeso para as nossas conversações.”, parecia mesmo que você estava se referindo ao Prefácio (certamente digno de ser chamado “excelente” e “valioso”!) ao estudo do Pe. Ceriani sobre o sedevacantismo, prefácio este que eu citara pouco acima daquele seu comentário que, a seu pedido, acabo de excluir. Um grande abraço,
Em JMJ,
Felipe Coelho. - N. B. Guarinelo Says:
17 de abril de 2012 às 9:58 Sugestão: renomear todos os artigos não mais como “texto essencial … etc”, com o nome próprio do assunto. O mecanismo de pesquisa desse blog fica praticamente inutilizado, encontrar dados aqui é cada vez mais difícil, conforme os artigos se avolumam. Um tempinho seria necessário para botar ordem nisso – mas creio que valha o sacrifício. - Roberto F. Santana Says:
18 de abril de 2012 às 8:29 Seria uma pena ter que deixar de usar títulos tão bonitos como: “Luzeiros da Igreja em língua portuguesa” ou “Textos essenciais em tradução inédita”. Entretanto, trabalhos como – As Sagrações Episcopais sem Mandato Apostólico em questão – ficam praticamente ocultos, sendo possível acessá-las somente através de demorada busca ou via Google. - N. B. Guarinelo Says:
18 de abril de 2012 às 9:22 Títulos bonitos, sim, mas inúteis para pesquisarmos informações. Perde-se tempo precioso numa atividade de perscruta, porque quando procuramos alguma coisa, nem sequer na pesquisa podemos saber que tipo de texto foi ali encontrado pelo mecanismo de busca. Se a intenção é facilitar e favorecer antes a difusão dessas idéias do que o valor estético de títulos genéricos sem quase nenhuma relação objetiva com o conteúdo, acredito que minha sugestão ainda se faz pertinente.
Fonte: Sobre o blogue (2010): https://web.archive.org/web/20140805221751/http://aciesordinata.wordpress.com/about/
