O PAI DE DOM MARCEL LEFEBVRE ERA UM AGENTE SECRETO
Lúcio Guimarães, 16 de novembro de 2025

Trata-se de um agente secreto não tão secreto. Mons. Bernard Tissier de Mallerais deixou claro na biografia de Dom Marcel Lefebvre que o pai do arcebispo, o senhor René Lefebvre, era um agente de inteligência. Muitos, porém, tentam minimizar, ou até mesmo negar, essa parte da biografia do agente Lefebvre, argumentando que o trabalho de René Lefebvre limitou-se exclusivamente na ajuda à resistência francesa durante a guerra. Nada poderia estar mais longe da realidade: lemos uma grande revelação no livro All’s Fair: The Story of the British Secret Service Behind the German Lines [“Vale Tudo: A História do Serviço Secreto Britânico por Trás das Linhas Alemãs”], de Henry Landau, sobre as operações do pai de Dom Lefebvre. Henry Landau foi um voluntário sul-africano que serviu na Artilharia Real de Campanha do Exército Britânico durante a Primeira Guerra Mundial, antes de ser recrutado para o que hoje é conhecido como SIS (MI6). Ele ficou conhecido por liderar uma das redes de espionagem mais eficientes durante o conflito, a “La Dame Blanche”:


Tradução: “A organização russa era frágil, pequena e ineficiente; não havia muito conflito a ser evitado no seu setor. Mas, alertados por nossas experiências com outros colegas, achamos melhor prevenir qualquer possível atrito fazendo-lhes a mesma concessão que fizemos à própria Holanda: entregamos ao coronel Maier, adido militar em Haia, cópias de todos os relatórios que pudessem de alguma forma lhes interessar.
Nossas relações com os franceses eram excelentes. Não tenho conhecimento de um único caso em que tenhamos entrado em conflito. Lefebvre, o chefe deles na Holanda, estava disposto a nos deixar a área; seu superior, o coronel Wallner, no Q.G. francês, compreendeu a situação, e a ele cabe o mérito de não importunar seu representante local com atividades prejudiciais para nós. O coronel Wallner era um homem encantador, plenamente competente, um digno representante do Deuxième Bureau francês; ele tinha muito com que se ocupar em áreas além da Holanda, e sabia que tínhamos toda a Bélgica e o Nordeste da França amplamente cobertos por nossos agentes.”

As implicações históricas dessas informações são mais graves do que aparentam e omitimos nosso julgamento, não por prudência, mas porque cremos que a opinião mais radical sobre essa matéria será a mais moderada quando novos documentos confidenciais forem retirados dos arquivos dos serviços secretos francês e inglês.
