O PAPEL DOS JUDEUS NA REVOLUÇÃO RUSSA: AVALIANDO O LEGADO SOMBRIO DO COMUNISMO SOVIÉTICO
Mark Weber (1951–)
Fonte: The Journal of Historical Review, Jan.–Fev. 1994 (Vol. 14, No. 1), p. 4–22. Link: https://ihr.org/journal/v14n1p-4_weber-html
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: O texto descreve o assassinato do czar Nicolau II e de sua família em 1918, apresentando evidências históricas de que a ordem partiu diretamente de Lenin e Sverdlov, com confirmação posterior de Trotsky. Em seguida, analisa o papel central de dirigentes bolcheviques — muitos deles de origem judaica — na tomada do poder, na repressão política e no funcionamento do regime soviético nascente. O autor discute como esse protagonismo contribuiu para o crescimento do antissemitismo na Rússia pós-revolucionária, tema tratado como tabu por décadas. O texto também examina o terror soviético, as execuções em massa e o sistema gulag, situando o regicídio como prelúdio da violência política do século XX. Por fim, aborda a reavaliação contemporânea da era czarista e o ressurgimento de um culto memorial a Nicolau II como símbolo da ruptura trágica da história russa.
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Os textos estão em ortografia russa pré-reforma.
No topo: Миръ и свобода въ Совдепiи / “Paz e liberdade no Sovdepia”.
Bandeira à esquerda: Р.С.Ф.С.Р / R.S.F.S.R.
Bandeira à direita: Рабоч. крест. правит. / “Governo dos Operários e Camponeses” (abreviado).
Na parede: ПРИКАЗ … Главковерх Лев Троцкий / “Decreto … (ilegível) … Assinado: Comandante supremo das forças militares, Lev Trotsky”.
A parede supostamente representa o muro do Kremlin (mais precisamente, a Torre Kutafya).
Note-se também a Estrela Vermelha (desenhada como um pentagrama) no pescoço de Trotsky.
Na noite de 16 para 17 de julho de 1918, um destacamento da polícia secreta bolchevique assassinou o último imperador da Rússia, o czar Nicolau II, juntamente com sua esposa, a czarina Alexandra, seu filho de 14 anos, o czarevich Alexei, e suas quatro filhas. Eles foram abatidos sob uma saraivada de tiros em um cômodo semicavado da casa em Ecaterimburgo, cidade da região dos montes Urais, onde estavam mantidos prisioneiros. As filhas foram mortas a golpes de baioneta. Para evitar a formação de um culto ao czar morto, os corpos foram levados para o interior e enterrados às pressas em uma sepultura secreta.
As autoridades bolcheviques inicialmente informaram que o imperador Romanov havia sido fuzilado após a descoberta de um complô para libertá-lo. Por algum tempo, as mortes da imperatriz e das crianças foram mantidas em segredo. Historiadores soviéticos alegaram durante muitos anos que bolcheviques locais haviam agido por conta própria ao realizar os assassinatos, e que Lenin, fundador do Estado soviético, nada tivera a ver com o crime.
Em 1990, o dramaturgo e historiador moscovita Edvard Radzinsky anunciou o resultado de sua investigação detalhada sobre os assassinatos. Ele desenterrou as memórias do guarda-costas de Lenin, Alexei Akimov, que relatou como entregou pessoalmente a ordem de execução de Lenin ao escritório de telégrafo. O telegrama também foi assinado pelo chefe do governo soviético, Yakov Sverdlov. Akimov havia preservado a fita telegráfica original como registro da ordem secreta.[1]

A pesquisa de Radzinsky confirmou o que evidências anteriores já indicavam. Leon Trotsky — um dos colaboradores mais próximos de Lenin — havia revelado anos antes que Lenin e Sverdlov tomaram juntos a decisão de condenar à morte o czar e sua família. Relembrando uma conversa de 1918, Trotsky escreveu:[2]
“Minha próxima visita a Moscou ocorreu após a queda [temporária] de Ecaterimburgo [para forças anticomunistas]. Conversando com Sverdlov, perguntei de passagem:
‘Ah, sim, e onde está o czar?’
‘Acabou’, respondeu ele. ‘Foi fuzilado.’
‘E a família?’
‘A família junto com ele.’
‘Todos eles?’, perguntei, aparentemente com um traço de surpresa.
‘Todos eles’, respondeu Sverdlov. ‘E então?’. Ele aguardava para ver minha reação. Não respondi.
‘E quem tomou a decisão?’, perguntei.
‘Decidimos aqui. Ilyich [Lenin] acreditava que não devíamos deixar aos Brancos um estandarte vivo em torno do qual pudessem se reunir, especialmente nas difíceis circunstâncias atuais.’
Não fiz mais perguntas e considerei o assunto encerrado.”
Pesquisas e investigações recentes de Radzinsky e de outros também corroboram o relato fornecido anos antes por Robert Wilton, correspondente do London Times na Rússia por 17 anos. Seu livro, The Last Days of the Romanovs (“Os Últimos Dias dos Romanov”), publicado originalmente em 1920 e reeditado em 1993 pelo Institute for Historical Review, baseia-se em grande parte nos resultados de uma investigação detalhada realizada em 1919 por Nikolai Sokolov, sob a autoridade do líder “Branco” (anticomunista) Alexander Kolchak. A obra de Wilton permanece como um dos relatos mais precisos e completos do assassinato da família imperial russa.[3]

Uma compreensão sólida da história sempre foi o melhor guia para compreender o presente e antecipar o futuro. Assim, as pessoas tendem a se interessar mais por questões históricas em tempos de crise, quando o futuro parece mais incerto. Com o colapso do domínio comunista na União Soviética, entre 1989 e 1991, e enquanto os russos lutam para construir uma nova ordem sobre as ruínas da antiga, questões históricas tornaram-se muito atuais. Por exemplo, muitos perguntam: como os bolcheviques, um pequeno movimento guiado pelos ensinamentos do filósofo social germano-judeu Karl Marx, conseguiram tomar o controle da Rússia e impor ao seu povo um regime cruel e despótico?
Nos últimos anos, judeus de todo o mundo vêm expressando preocupação ansiosa com o espectro do antissemitismo nas terras da antiga União Soviética. Nesta nova e incerta era, somos informados de que sentimentos reprimidos de ódio e raiva contra os judeus estão sendo novamente expressos. Segundo uma pesquisa de opinião pública realizada em 1991, por exemplo, a maioria dos russos quer que todos os judeus deixassem o país.[4] Mas por que exatamente o sentimento antijudaico é tão difundido entre os povos da antiga União Soviética? Por que tantos russos, ucranianos, lituanos e outros culpam “os judeus” por tantas desgraças?
UM ASSUNTO TABU
Embora oficialmente os judeus nunca tenham representado mais de cinco por cento da população total do país,[5] eles desempenharam um papel altamente desproporcional e provavelmente decisivo no regime bolchevique nascente, dominando de fato o governo soviético durante seus primeiros anos. Historiadores soviéticos, juntamente com a maioria de seus colegas no Ocidente, preferiram por décadas ignorar esse assunto. Os fatos, porém, não podem ser negados.
Com a notável exceção de Lenin (Vladimir Ulyanov), a maioria dos principais comunistas que tomaram o controle da Rússia entre 1917 e 1920 eram judeus. Leon Trotsky (Lev Bronstein) chefiou o Exército Vermelho e, por um tempo, foi o principal responsável pelas relações exteriores soviéticas. Yakov Sverdlov (Solomon) foi ao mesmo tempo secretário-executivo do partido bolchevique e — como presidente do Comitê Executivo Central — chefe do governo soviético. Grigori Zinoviev (Radomyslsky) chefiou a Internacional Comunista (Comintern), a agência central para a difusão da revolução em países estrangeiros. Outros judeus proeminentes incluíam o comissário da imprensa Karl Radek (Sobelsohn), o comissário de relações exteriores Maxim Litvinov (Wallach), Lev Kamenev (Rosenfeld) e Moisei Uritsky.[6]
O próprio Lenin era de ascendência majoritariamente russa e calmuca, mas também era um quarto judeu. Seu avô materno, Israel (Alexander) Blank, era um judeu ucraniano que mais tarde foi batizado na Igreja Ortodoxa Russa.[7]
Internacionalista convicto, Lenin via com desprezo as lealdades étnicas ou culturais. Tinha pouca consideração por seus próprios compatriotas. “Um russo inteligente”, observou certa vez, “é quase sempre um judeu ou alguém com sangue judeu nas veias”.[8]
REUNIÕES DECISIVAS
Na tomada do poder pelos comunistas na Rússia, o papel judaico foi provavelmente crucial.
Duas semanas antes da “Revolução de Outubro” bolchevique de 1917, Lenin convocou uma reunião ultrassecreta em São Petersburgo (Petrogrado), na qual os principais líderes do Comitê Central do partido bolchevique tomaram a decisão fatídica de assumir o poder por meio de uma tomada violenta. Das doze pessoas que participaram desse encontro decisivo, havia quatro russos (incluindo Lenin), um georgiano (Stalin), um polonês (Dzerzhinsky) e seis judeus.[9]
Para dirigir a tomada do poder, foi escolhido um “bureau político” de sete membros. Ele consistia de dois russos (Lenin e Bubnov), um georgiano (Stalin) e quatro judeus (Trotsky, Sokolnikov, Zinoviev e Kamenev).[10] Enquanto isso, o Soviete de Petersburgo (Petrogrado) — cujo presidente era Trotsky — estabeleceu um “Comitê Militar Revolucionário” de 18 membros para executar efetivamente a tomada do poder. Incluía oito (ou nove) russos, um ucraniano, um polonês, um caucasiano e seis judeus.[11] Finalmente, para supervisionar a organização da insurreição, o Comitê Central Bolchevique criou um “Centro Militar Revolucionário” de cinco membros como comando de operações do Partido. Ele consistia de um russo (Bubnov), um georgiano (Stalin), um polonês (Dzerzhinsky) e dois judeus (Sverdlov e Uritsky).[12]
VOZES CONTEMPORÂNEAS DE ADVERTÊNCIA
Observadores bem-informados, tanto dentro quanto fora da Rússia, notaram à época o papel judaico crucial no bolchevismo. Winston Churchill, por exemplo, advertiu em um artigo publicado na edição de 8 de fevereiro de 1920 do London Illustrated Sunday Herald que o bolchevismo é uma “conspiração mundial para a derrubada da civilização e para a reconstituição da sociedade com base no desenvolvimento interrompido, na malevolência invejosa e na igualdade impossível”. O eminente líder político e historiador britânico prosseguiu escrevendo:[13]
“Não há necessidade de exagerar o papel desempenhado na criação do bolchevismo e na efetiva realização da Revolução Russa por esses judeus internacionais e, em sua maioria, ateus. Ele é certamente muito grande; provavelmente supera todos os outros. Com a notável exceção de Lenin, a maioria das figuras dirigentes é judia. Além disso, a principal inspiração e força motriz provêm dos líderes judeus. Assim, Tchitcherin, um russo puro, é eclipsado por seu subordinado nominal, Litvinoff, e a influência de russos como Bukharin ou Lunacharski não pode ser comparada ao poder de Trotsky, ou de Zinovieff, o Ditador da Cidadela Vermelha (Petrogrado), ou de Krassin ou Radek — todos judeus. Nas instituições soviéticas, a predominância de judeus é ainda mais surpreendente. E a parte proeminente, se não de fato a principal, no sistema de terrorismo aplicado pelas Comissões Extraordinárias de Combate à Contrarrevolução [a Cheka] foi assumida por judeus, e em alguns casos notáveis por judias.
“É desnecessário dizer que as mais intensas paixões de vingança foram excitadas no seio do povo russo.”

David R. Francis, embaixador dos Estados Unidos na Rússia, advertiu em um despacho a Washington, em janeiro de 1918: “Os líderes bolcheviques aqui, a maioria dos quais são judeus e 90% dos quais são exilados retornados, pouco se importam com a Rússia ou com qualquer outro país, pois são internacionalistas e estão tentando iniciar uma revolução social mundial”.[14]
O embaixador dos Países Baixos na Rússia, Oudendyke, fez observação semelhante alguns meses depois: “A menos que o bolchevismo seja cortado na raiz imediatamente, ele certamente se espalhará de uma forma ou de outra pela Europa e pelo mundo inteiro, pois é organizado e dirigido por judeus que não têm nacionalidade e cujo único objetivo é destruir, para seus próprios fins, a ordem existente.”[15]
“A Revolução Bolchevique”, declarou em 1920 um importante jornal da comunidade judaica americana, “foi em grande parte produto do pensamento judaico, do descontentamento judaico, do esforço judaico de reconstrução.”[16]
Como expressão de seu caráter radicalmente antinacionalista, o jovem governo soviético emitiu, alguns meses após tomar o poder, um decreto que tornou o antissemitismo um crime na Rússia. O novo regime comunista tornou-se assim o primeiro no mundo a punir severamente todas as manifestações de sentimento antijudaico.[17] As autoridades soviéticas aparentemente consideravam tais medidas indispensáveis. Com base em cuidadosa observação durante uma longa permanência na Rússia, o acadêmico judeu-americano Frank Golder relatou em 1925 que “como tantos dos líderes soviéticos são judeus, o antissemitismo está crescendo [na Rússia], particularmente no exército [e] entre a velha e a nova intelligentsia, que estão sendo preteridas em cargos pelos filhos de Israel”.[18]
VISÕES DOS HISTORIADORES
Resumindo a situação daquele período, o historiador israelense Louis Rapoport escreve:[19]
“Imediatamente após a Revolução [bolchevique], muitos judeus ficaram eufóricos com sua elevada representação no novo governo. O primeiro Politburo de Lenin era dominado por homens de origem judaica.
“Sob Lenin, os judeus se envolveram em todos os aspectos da Revolução, inclusive em seu trabalho mais sujo. Apesar das promessas comunistas de erradicar o antissemitismo, ele se espalhou rapidamente após a Revolução — em parte por causa da proeminência de tantos judeus na administração soviética, bem como nas traumáticas e desumanas campanhas de sovietização que se seguiram. O historiador judeu Salo Baron observou que um número imensamente desproporcional de judeus ingressou na nova polícia secreta bolchevique, a Cheka. E muitos dos que caíam nas mãos da Cheka eram fuzilados por investigadores judeus.
“A liderança coletiva que emergiu nos últimos dias de vida de Lenin era chefiada pelo judeu Zinoviev, um loquaz mesquinho, Adônis de cabelos encaracolados, cuja vaidade não conhecia limites.”
“Qualquer pessoa que tivesse a infelicidade de cair nas mãos da Cheka”, escreveu o historiador judeu Leonard Schapiro, “tinha uma chance muito grande de se ver diante de (e possivelmente ser fuzilada por) um investigador judeu”.[20] Na Ucrânia, “os judeus compunham quase 80 por cento dos agentes de base da Cheka”, relata W. Bruce Lincoln, professor americano de história russa.[21] (Começando como Cheka, ou Vecheka, a polícia secreta soviética passou a ser conhecida posteriormente como GPU, OGPU, NKVD, MVD e KGB.)
À luz de tudo isso, não deveria surpreender que Yakov M. Yurovsky, o líder do destacamento bolchevique que executou o assassinato do czar e de sua família, fosse judeu, assim como Sverdlov, o dirigente soviético que co-assinou a ordem de execução de Lenin.[22]
Igor Shafarevich, matemático russo de renome mundial, criticou duramente o papel judaico na derrubada da monarquia Romanov e no estabelecimento do regime comunista em seu país. Shafarevich foi um dos principais dissidentes durante as últimas décadas do domínio soviético. Proeminente ativista de direitos humanos, foi membro fundador do Comitê de Defesa dos Direitos Humanos na URSS.
Em Russophobia, livro escrito dez anos antes do colapso do regime comunista, ele observou que os judeus eram “surpreendentemente” numerosos entre o pessoal da polícia secreta bolchevique. A característica judaica dos carrascos bolcheviques, prossegue Shafarevich, é mais evidente na execução de Nicolau II:[23]
“Essa ação ritual simbolizava o fim de séculos da história russa, de modo que só pode ser comparada à execução de Carlos I na Inglaterra ou de Luís XVI na França. Seria de se esperar que representantes de uma insignificante minoria étnica se mantivessem o mais distante possível dessa ação dolorosa, que repercutiria em toda a história. Contudo, que nomes encontramos? A execução foi supervisionada pessoalmente por Yakov Yurovsky, que fuzilou o czar; o presidente do soviete local era Beloborodov (Vaisbart); o responsável pela administração geral em Ecaterimburgo era Shaya Goloshchekin. Para completar o quadro, na parede do quarto onde ocorreu a execução havia um dístico de um poema de Heine (escrito em alemão) sobre o rei Baltazar, que ofendeu a Jeová e foi morto por essa ofensa.”
Em seu livro de 1920, o veterano jornalista britânico Robert Wilton ofereceu uma avaliação igualmente severa:[24]
“Todo o registro do bolchevismo na Rússia está indelevelmente marcado pelo selo de uma invasão estrangeira. O assassinato do czar, deliberadamente planejado pelo judeu Sverdlov (que veio à Rússia como agente pago da Alemanha) e executado pelos judeus Goloshchekin, Syromolotov, Safarov, Voikov e Yurovsky, não é um ato do povo russo, mas desse invasor hostil.”
Na luta pelo poder que se seguiu à morte de Lenin, em 1924, Stalin saiu vitorioso sobre seus rivais, conseguindo finalmente mandar executar quase todos os mais proeminentes líderes bolcheviques do início — incluindo Trotsky, Zinoviev, Radek e Kamenev. Com o passar do tempo, e particularmente após 1928, o papel judaico na alta liderança do Estado soviético e de seu Partido Comunista diminuiu de forma acentuada.
EXECUTADOS SEM JULGAMENTO
Durante alguns meses após a tomada do poder, os líderes bolcheviques consideraram levar “Nicolau Romanov” perante um “Tribunal Revolucionário”, que divulgaria seus “crimes contra o povo” antes de condená-lo à morte. Havia precedentes históricos para isso. Dois monarcas europeus haviam perdido a vida em consequência de convulsões revolucionárias: Carlos I da Inglaterra foi decapitado em 1649, e Luís XVI da França foi guilhotinado em 1793.
Nesses casos, o rei foi condenado à morte após um longo julgamento público, durante o qual lhe foi permitido apresentar argumentos em sua defesa. Nicolau II, porém, não foi nem acusado nem julgado. Foi morto em segredo, juntamente com sua família e servidores, no meio da noite, em um ato que se assemelhava mais a um massacre ao estilo gangster do que a uma execução formal.
Por que Lenin e Sverdlov abandonaram os planos de um julgamento-espetáculo do antigo czar? Na opinião de Wilton, Nicolau e sua família foram assassinados porque os governantes bolcheviques sabiam muito bem que careciam de apoio popular genuíno e temiam, com razão, que o povo russo jamais aprovaria a morte do czar, independentemente de pretextos e formalidades legalistas.
Trotsky, por sua vez, defendeu o massacre como uma medida útil e até necessária. Ele escreveu:[25]
“A decisão [de matar a família imperial] não foi apenas oportuna, mas necessária. A severidade dessa punição mostrou a todos que continuaríamos a lutar implacavelmente, sem recuar diante de nada. A execução da família do czar era necessária não apenas para amedrontar, horrorizando e incutindo um sentimento de desespero no inimigo, mas também para sacudir nossas próprias fileiras, para mostrar que não havia retorno possível, que à frente estava ou a vitória total ou a ruína total. Isso Lenin percebeu muito bem.
CONTEXTO HISTÓRICO
Nos anos que antecederam a revolução de 1917, os judeus estavam desproporcionalmente representados em todos os partidos subversivos de esquerda da Rússia.[26] O ódio judaico ao regime czarista tinha base em condições objetivas. Entre as principais potências européias da época, a Rússia imperial era a mais institucionalmente conservadora e antijudaica. Por exemplo, os judeus normalmente não tinham permissão para residir fora de uma grande área no oeste do Império conhecida como Pale of Settlement (“Zona de Assentamento”).[27]


Por mais compreensível (e talvez até defensável) que fosse a hostilidade judaica em relação ao regime imperial, o notável papel judaico no regime soviético, infinitamente mais despótico, é menos fácil de justificar. Em um livro publicado recentemente sobre os judeus na Rússia no século XX, a escritora judia russa Sonja Margolina chega a chamar o papel judaico no apoio ao regime bolchevique de “o pecado histórico dos judeus”.[28] Ela aponta, por exemplo, o papel proeminente de judeus como comandantes dos campos de concentração e de trabalho forçado do Gulag soviético, bem como o papel de comunistas judeus na destruição sistemática das igrejas russas. Além disso, prossegue ela, “os judeus do mundo inteiro apoiaram o poder soviético e permaneceram em silêncio diante de qualquer crítica proveniente da oposição”. À luz desse histórico, Margolina oferece uma previsão sombria:
“A participação exageradamente entusiástica dos bolcheviques judeus na subjugação e destruição da Rússia é um pecado que será vingado. O poder soviético será equiparado ao poder judaico, e o ódio furioso contra os bolcheviques se transformará em ódio contra os judeus.”

Sonja Margolina, Das Ende der Lügen: Die russischen Juden – Täter und Opfer zugleich – sind in die Geschichte ihres Landes auf tragische Weise verwickelt (“O Fim das Mentiras: Os Judeus Russos – Criminosos e Vítimas – Estão Envolvidos de Maneira Trágica na História de seu País”) (Siedler Verlag, 1992)
Se o passado servir de indicação, é improvável que muitos russos busquem a vingança que Margolina profetiza. De todo modo, culpar “os judeus” pelos horrores do comunismo não parece mais justificável do que culpar “os brancos” pela escravidão dos negros, ou “os alemães” pela Segunda Guerra Mundial ou pelo “Holocausto”.
PALAVRAS DE PRESSÁGIO SOMBRIO
Nicolau e sua família são apenas as vítimas mais conhecidas de um regime que proclamava abertamente seu propósito implacável. Poucas semanas após o massacre de Ecaterimburgo, o jornal do jovem Exército Vermelho declarou:[29]
“Sem misericórdia, sem poupar, mataremos nossos inimigos às dezenas de centenas; que sejam milhares, que se afoguem em seu próprio sangue. Pelo sangue de Lenin e Uritskii, que haja rios de sangue da burguesia — mais sangue, o máximo possível.”
Grigori Zinoviev, discursando em uma reunião de comunistas em setembro de 1918, pronunciou de fato uma sentença de morte contra dez milhões de seres humanos: “Devemos levar conosco 90 milhões dos 100 milhões de habitantes da Rússia soviética. Quanto ao restante, não temos nada a dizer-lhes. Eles devem ser aniquilados”.[30]
“OS VINTE MILHÕES”
Como se verificou, o número de vidas humanas ceifadas e o volume de sofrimento impostos pelo regime soviético mostraram-se muito superiores ao que a retórica assassina de Zinoviev sugeria. Raramente, se é que alguma vez, um regime tirou a vida de tantos de seus próprios cidadãos.[31]
Com base em documentos recém-disponibilizados do KGB soviético, o historiador Dmitri Volkogonov, chefe de uma comissão parlamentar especial russa, concluiu recentemente que “de 1929 a 1952, 21,5 milhões de pessoas [soviéticas] foram reprimidas. Destas, um terço foi fuzilado; o restante foi condenado à prisão, onde muitos também morreram”.[32]
Olga Shatunovskaya, membro da Comissão Soviética de Controle do Partido e chefe de uma comissão especial nomeada pelo premiê Khruschov na década de 1960, chegou a conclusão semelhante: “De 1º de janeiro de 1935 a 22 de junho de 1941, 19.840.000 inimigos do povo foram presos. Destes, sete milhões foram fuzilados na prisão, e a maioria dos demais morreu nos campos”. Esses números também foram encontrados nos documentos do membro do Politburo Anastas Mikoyan.[33]
Robert Conquest, o renomado especialista em história soviética, resumiu recentemente o sombrio histórico da “repressão” soviética contra o próprio povo:[34]
“É difícil evitar a conclusão de que o número de mortos após 1934 ultrapassou amplamente os dez milhões. A isso devem ser acrescentadas as vítimas da fome de 1930–1933, as deportações dos kulaks e outras campanhas anti-camponesas, totalizando mais dez milhões ou mais. O total situa-se, assim, na faixa do que os russos hoje chamam de ‘Os Vinte Milhões’.”
Alguns outros estudiosos apresentaram estimativas significativamente mais elevadas.[35]
A ERA CZARISTA EM RETROSPECTO
Com o colapso dramático do domínio soviético, muitos russos passaram a reavaliar, de modo novo e mais respeitoso, a história pré-comunista de seu país, incluindo a era do último imperador Romanov. Enquanto os soviéticos — juntamente com muitos no Ocidente — retrataram estereotipadamente esse período como pouco mais do que uma era de despotismo arbitrário, repressão cruel e pobreza em massa, a realidade é bastante diferente. Embora seja verdade que o poder do czar fosse absoluto, que apenas uma pequena minoria tivesse voz política significativa e que a massa dos cidadãos do império fosse composta de camponeses, vale notar que, durante o reinado de Nicolau II, os russos desfrutavam de liberdade de imprensa, religião, reunião e associação, proteção da propriedade privada e uniões laborais (sindicatos) livres. Inimigos declarados do regime, como Lenin, eram tratados com notável leniência.[36]
Durante as décadas que antecederam a eclosão da Primeira Guerra Mundial, a economia russa estava em franca expansão. De fato, entre 1890 e 1913, foi a que mais cresceu no mundo. Novas linhas ferroviárias eram inauguradas a uma taxa anual duas vezes superior à dos anos soviéticos. Entre 1900 e 1913, a produção de ferro aumentou 58%, enquanto a produção de carvão mais do que dobrou.[37] Grãos exportados da Rússia alimentavam toda a Europa. Por fim, as últimas décadas da Rússia czarista testemunharam um magnífico florescimento da vida cultural.
Tudo mudou com a Primeira Guerra Mundial, uma catástrofe não apenas para a Rússia, mas para todo o Ocidente.
SENTIMENTO MONARQUISTA
Apesar da (ou talvez por causa da) implacável campanha oficial ao longo de toda a era soviética para apagar qualquer memória não crítica dos Romanov e da Rússia imperial, um verdadeiro culto de veneração popular por Nicolau II vem se espalhando pela Rússia nos últimos anos.
As pessoas têm pago com entusiasmo o equivalente a várias horas de salário para comprar retratos de Nicolau de vendedores ambulantes em Moscou, São Petersburgo e outras cidades russas. Seu retrato hoje está pendurado em incontáveis casas e apartamentos russos. No fim de 1990, todos os 200.000 exemplares de uma primeira edição de um folheto de 30 páginas sobre os Romanov esgotaram-se rapidamente. Disse um vendedor de rua: “Eu pessoalmente vendi quatro mil exemplares em pouquíssimo tempo. É como uma explosão nuclear. As pessoas realmente querem saber sobre seu czar e sua família”. Organizações populares pró-czaristas e monarquistas surgiram em muitas cidades.
Uma pesquisa de opinião pública realizada em 1990 revelou que três em cada quatro cidadãos soviéticos entrevistados consideram o assassinato do czar e de sua família um crime desprezível.[38] Muitos fiéis da Igreja Ortodoxa Russa veem Nicolau como um mártir. A “Igreja Ortodoxa no Exterior”, independente, canonizou a família imperial em 1981, e a Igreja Ortodoxa Russa, sediada em Moscou, tem sofrido pressão popular para dar o mesmo passo, apesar de sua longa relutância em tocar nesse tabu oficial. O arcebispo ortodoxo russo de Ecaterimburgo anunciou, em 1990, planos para construir uma grande igreja no local dos assassinatos. “O povo amava o imperador Nicolau”, afirmou. “Sua memória vive com o povo, não como a de um santo, mas como a de alguém executado sem sentença judicial, injustamente, como um sofredor por sua fé e pela ortodoxia”.[39]
No 75º aniversário do massacre (julho de 1993), os russos relembraram a vida, a morte e o legado de seu último imperador. Em Ecaterimburgo, onde uma grande cruz branca adornada com flores marca hoje o local onde a família foi morta, pessoas em luto choraram enquanto hinos eram cantados e orações eram feitas pelas vítimas.[40]
Refletindo tanto o sentimento popular quanto as novas realidades sociopolíticas, a bandeira tricolor horizontal branca, azul e vermelha da Rússia czarista foi oficialmente adotada em 1991, substituindo o estandarte vermelho soviético. E, em 1993, a águia imperial de duas cabeças foi restaurada como emblema oficial da nação, substituindo o martelo e a foice soviéticos. Cidades que haviam sido rebatizadas para homenagear figuras comunistas — como Leningrado, Kuibyshev, Frunze, Kalinin e Gorky — readquiriram seus nomes da era czarista. Ecaterimburgo, que havia sido chamada de Sverdlovsk pelos soviéticos em 1924 em homenagem ao dirigente soviético-judeu, restaurou em setembro de 1991 seu nome pré-comunista, que homenageia a imperatriz Catarina I.
SIGNIFICADO SIMBÓLICO
Diante dos milhões que seriam executados pelos governantes soviéticos nos anos seguintes, o assassinato da família Romanov pode não parecer de importância extraordinária. Ainda assim, o evento possui um profundo significado simbólico. Nas palavras precisas do historiador da Universidade de Harvard Richard Pipes:[41]
“A maneira como o massacre foi preparado e executado, inicialmente negado e depois justificado, possui algo de singularmente odioso, algo que o distingue radicalmente de atos anteriores de regicídio e o marca como um prelúdio do assassinato em massa do século XX.”

Outro historiador, Ivor Benson, caracterizou o assassinato da família Romanov como simbólico do destino trágico da Rússia e, de fato, de todo o Ocidente, neste século de agonia e conflito sem precedentes.

O assassinato do czar e de sua família é ainda mais deplorável porque, quaisquer que tenham sido suas falhas como monarca, Nicolau II foi, segundo todos os relatos, um homem pessoalmente decente, generoso, humano e honrado.
O LUGAR DO MASSACRE NA HISTÓRIA
O massacre em massa e o caos da Primeira Guerra Mundial, bem como as convulsões revolucionárias que varreram a Europa em 1917–1918, puseram fim não apenas à antiga dinastia Romanov na Rússia, mas a toda uma ordem social continental. Também foram varridas a dinastia Hohenzollern na Alemanha, com sua estável monarquia constitucional, e a antiga dinastia Habsburgo da Áustria-Hungria, com seu império multinacional centro-europeu. Os principais Estados europeus partilhavam não apenas as mesmas bases culturais cristãs e ocidentais, mas também laços de sangue entre suas casas reinantes. O rei Jorge da Inglaterra era, por parte de mãe, primo-irmão do czar Nicolau e, por parte de pai, primo-irmão da imperatriz Alexandra. O Kaiser Guilherme da Alemanha era primo-irmão da alemã Alexandra e primo distante de Nicolau.
Mais do que ocorria com as monarquias da Europa Ocidental, o czar da Rússia simbolizava pessoalmente sua terra e sua nação. Assim, o assassinato do último imperador de uma dinastia que governara a Rússia por três séculos não apenas prenunciou simbolicamente o massacre comunista em massa que ceifaria tantas vidas russas nas décadas seguintes, mas foi também simbólico do esforço comunista de matar a própria alma e o espírito da Rússia.
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Sobre o autor: Mark Weber nasceu e cresceu em Portland, Oregon. Ele estudou história na Universidade de Illinois (Chicago), na Universidade de Munique, Universidade Estadual de Portland e Universidade de Indiana (M.A., 1977).
[1] Edvard Radzinsky, The Last Tsar (New York: Doubleday, 1992), p. 327, 344–346; Bill Keller, “Cult of the Last Czar”, The New York Times, 21 nov. 1990.
[2] De uma entrada de abril de 1935 em “Trotsky’s Diary in Exile”. Citado em: Richard Pipes, The Russian Revolution (New York: Knopf, 1990), p. 770, 787; Robert K. Massie, Nicholas and Alexandra (New York: 1976), p. 496–497; Edvard Radzinsky, The Last Tsar (New York: Doubleday, 1992), p. 325–326; Ronald W. Clark, Lenin (New York: 1988), p. 349–350.
[3] Sobre Wilton e sua carreira na Rússia, ver: Phillip Knightley, The First Casualty (Harcourt Brace Jovanovich, 1976), p. 141–142, 144–146, 151–152, 159, 162, 169; e Anthony Summers e Tom Mangold, The File on the Tsar (New York: Harper and Row, 1976), p. 102–104, 176.
[4] Despacho da AP de Moscou, Toronto Star, 26 set. 1991, p. A2; de modo semelhante, uma pesquisa de 1992 constatou que um quarto das pessoas nas repúblicas de Belarus (Rússia Branca) e Uzbequistão favorecia a deportação de todos os judeus para uma região judaica especial na Sibéria russa. “Survey Finds Anti-Semitism on Rise in Ex-Soviet Lands”, Los Angeles Times, 12 jun. 1992, p. A4.
[5] Na virada do século, os judeus compunham 4,2% da população do Império Russo. Richard Pipes, The Russian Revolution (New York: 1990), p. 55 (nota). Em comparação, nos Estados Unidos hoje, os judeus representam menos de três por cento da população total (segundo as estimativas mais autorizadas).
[6] Ver entradas individuais em: Harold Shukman (org.), The Blackwell Encyclopedia of the Russian Revolution (Oxford: 1988), e em: Geoffrey Wigoder (org.), Dictionary of Jewish Biography (New York: Simon and Schuster, 1991). O papel proeminente dos judeus no subterrâneo revolucionário russo anterior a 1914, e no regime soviético inicial, é igualmente confirmado em: Stanley Rothman e S. Robert Lichter, Roots of Radicalism (New York: Oxford, 1982), p. 92–94. Em 1918, o Comitê Central do Partido Bolchevique tinha 15 membros. O estudioso alemão Herman Fehst — citando registros soviéticos publicados — relatou em seu útil estudo de 1934 que seis desses 15 eram judeus. Herman Fehst, Bolschewismus und Judentum: Das jüdische Element in der Führerschaft des Bolschewismus (Berlin: 1934), p. 68–72; Robert Wilton, porém, informou que em 1918 o Comitê Central do Partido Bolchevique tinha doze membros, dos quais nove eram de origem judaica e três de ascendência russa. Robert Wilton, The Last Days of the Romanovs (IHR, 1993), p. 185.
[7] Após anos de supressão oficial, esse fato foi reconhecido em 1991 no semanário moscovita Ogonyok. Ver: Jewish Chronicle (Londres), 16 jul. 1991; ver também: carta de L. Horwitz em The New York Times, 5 ago. 1992, que cita informações da revista russa “Native Land Archives”; “Lenin’s Lineage? ‘Jewish’, Claims Moscow News”, Forward (New York City), 28 fev. 1992, p. 1, 3; M. Checinski, Jerusalem Post (edição internacional semanal), 26 jan. 1991, p. 9.
[8] Richard Pipes, The Russian Revolution (New York: Knopf, 1990), p. 352.
[9] Harrison E. Salisbury, Black Night, White Snow: Russia’s Revolutions, 1905–1917 (Doubleday, 1978), p. 475; William H. Chamberlin, The Russian Revolution (Princeton Univ. Press, 1987), vol. 1, p. 291–292; Herman Fehst, Bolschewismus und Judentum: Das jüdische Element in der Führerschaft des Bolschewismus (Berlin: 1934), p. 42–43; P. N. Pospelov (org.), Vladimir Ilyich Lenin: A Biography (Moscou: Progress, 1966), p. 318–319. Essa reunião ocorreu em 10 de outubro (estilo antigo, calendário juliano) e em 23 de outubro (estilo novo). Os seis judeus que dela participaram foram: Uritsky, Trotsky, Kamenev, Zinoviev, Sverdlov e Sokolnikov. Os bolcheviques tomaram o poder em Petrogrado em 25 de outubro (estilo antigo) — daí a referência à “Grande Revolução de Outubro” — o que corresponde a 7 de novembro (estilo novo).
[10] William H. Chamberlin, The Russian Revolution (1987), vol. 1, p. 292; Harrison E. Salisbury, Black Night, White Snow: Russia’s Revolutions, 1905–1917 (1978), p. 475.
[11] William H. Chamberlin, The Russian Revolution, vol. 1, p. 274, 299, 302, 306; Alan Moorehead, The Russian Revolution (New York: 1965), p. 235, 238, 242, 243, 245; H. Fehst, Bolschewismus und Judentum (Berlin: 1934), p. 44, 45.
[12] Harrison E. Salisbury, Black Night, White Snow: Russia’s Revolutions, 1905–1917 (1978), p. 479–480; Dmitri Volkogonov, Stalin: Triumph and Tragedy (New York: Grove Weidenfeld, 1991), p. 27–28, 32; P. N. Pospelov (org.), Vladimir Ilyich Lenin: A Biography (Moscou: Progress, 1966), p. 319–320.
[13] “Zionism versus Bolshevism: A struggle for the soul of the Jewish people”, Illustrated Sunday Herald (Londres), 8 fev. 1920. Reimpressão fac-similar em: William Grimstad, The Six Million Reconsidered (1979), p. 124. (À época da publicação desse ensaio, Churchill servia como ministro da Guerra e do Ar.)
[14] David R. Francis, Russia from the American Embassy (New York: 1921), p. 214.
[15] Foreign Relations of the United States — 1918 —Russia, vol. 1 (Washington, DC: 1931), p. 678–679.
[16] American Hebrew (New York), set. 1920. Citado em: Nathan Glazer e Daniel Patrick Moynihan, Beyond the Melting Pot (Cambridge, Mass.: 1963), p. 268.
[17] C. Jacobson, “Jews in the USSR”, em: American Review on the Soviet Union, agosto de 1945, p. 52; Avtandil Rukhadze, Jews in the USSR: Figures, Facts, Comment (Moscou: Novosti, 1978), p. 10–11.
[18] Terence Emmons e Bertrand M. Patenaude (orgs.), War, Revolution and Peace in Russia: The Passages of Frank Golder, 1913–1927 (Stanford: Hoover Institution, 1992), p. 320, 139, 317.
[19] Louis Rapoport, Stalin’s War Against the Jews (New York: Free Press, 1990), p. 30, 31, 37; ver também p. 43, 44, 45, 49, 50.
[20] Citado em: Salo Baron, The Russian Jews Under Tsars and Soviets (New York: 1976), p. 170, 392 (n. 4).
[21] The Atlantic, set. 1991, p. 14. Em 1919, três quartos do pessoal da Cheka em Kiev eram judeus, que se cuidavam de poupar correligionários judeus. Por ordem, a Cheka fez poucos reféns judeus. Richard Pipes, The Russian Revolution (1990), p. 824; o historiador israelense Louis Rapoport também confirma o papel dominante desempenhado por judeus na polícia secreta soviética ao longo das décadas de 1920 e 1930. Louis Rapoport, Stalin’s War Against the Jews (New York: 1990), p. 30–31, 43–45, 49–50.
[22] Edvard Radzinsky, The Last Tsar (1992), p. 244, 303–304; Bill Keller, “Cult of the Last Czar”, The New York Times, 21 nov. 1990; ver também: William H. Chamberlin, The Russian Revolution, vol. 2, p. 90.
[23] Citado em: The New Republic, 5 fev. 1990, p. 30 ss.; devido ao suposto antissemitismo de sua russofobia, em julho de 1992 Shafarevich foi convidado pela National Academy of Sciences (Washington, DC) a renunciar como membro associado dessa prestigiosa instituição.
[24] Robert Wilton, The Last Days of the Romanovs (1993), p. 148.
[25] Richard Pipes, The Russian Revolution (1990), p. 787; Robert K. Massie, Nicholas and Alexandra (New York: 1976), p. 496–497.
[26] Um artigo em um número de 1907 da respeitada revista americana National Geographic relatou a situação revolucionária que se formava na Rússia nos anos anteriores à Primeira Guerra Mundial: “Os líderes revolucionários pertencem quase todos à raça judaica, e a agência revolucionária mais eficaz é o Bund judaico”. W. E. Curtis, “The Revolution in Russia”, The National Geographic Magazine, maio de 1907, p. 313–314. Piotr Stolypin, provavelmente o maior estadista da Rússia imperial, foi assassinado em 1911 por um assassino judeu. Em 1907, os judeus compunham cerca de dez por cento da filiação ao Partido Bolchevique. No Partido Menchevique, outra facção do Partido Operário Social-Democrata Russo, a proporção judaica era o dobro. Richard Pipes, The Russian Revolution (1990), p. 365; ver também: Robert Wilton, The Last Days of the Romanovs (1993), p. 185–186.
[27] Martin Gilbert, Atlas of Jewish History (1977), p. 71, 74; apesar da política restritiva da “Zona de Assentamento”, em 1897 cerca de 315.000 judeus viviam fora dela, a maioria ilegalmente. Em 1900, mais de 20.000 viviam na capital, São Petersburgo, e outros 9.000 em Moscou.
[28] Sonja Margolina, Das Ende der Lügen: Russland und die Juden im 20. Jahrhundert (Berlin: 1992). Citado em: “Ein ganz heisses Eisen angefasst”, Deutsche National-Zeitung (Munique), 21 jul. 1992, p. 12.
[29] Krasnaia Gazetta (“Red Gazette”), 1º set. 1918. Citado em: Richard Pipes, The Russian Revolution (1990), p. 820, 912 (n. 88).
[30] Richard Pipes, The Russian Revolution (New York: 1990), p. 820.
[31] Ao contrário do que vários historiadores ocidentais sugeriram por anos, o terror soviético e o sistema de campos do Gulag não começaram com Stalin. Ao final de 1920, a Rússia soviética já possuía 84 campos de concentração com aproximadamente 50.000 prisioneiros. Em outubro de 1923, o número havia aumentado para 315 campos com 70.000 detentos. Richard Pipes, The Russian Revolution (1990), p. 836.
[32] Citado pelo historiador Robert Conquest em uma resenha/artigo na The New York Review of Books, 23 set. 1993, p. 27.
[33] The New York Review of Books, 23 set. 1993, p. 27.
[34] Resenha/artigo de Robert Conquest na The New York Review of Books, 23 set. 1993, p. 27; somente nos anos do “Grande Terror” de 1937–1938, Conquest calculou que aproximadamente um milhão de pessoas foram fuziladas pela polícia secreta soviética, e outros dois milhões pereceram nos campos soviéticos. Robert Conquest, The Great Terror (New York: Oxford, 1990), p. 485–486. Conquest estimou que entre 13,5 e 14 milhões de pessoas pereceram na campanha de coletivização (“dekulakização”) e na fome forçada de 1929–1933. Robert Conquest, The Harvest of Sorrow (New York: Oxford, 1986), p. 301–307.
[35] O professor russo Igor Bestuzhev-Lada, escrevendo em um número de 1988 do semanário moscovita Nedelya, sugeriu que somente durante a era Stalin (1935–1953), até 50 milhões de pessoas foram mortas, condenadas a campos dos quais nunca emergiram, ou perderam a vida como resultado direto da brutal campanha de “dekulakização” contra o campesinato. “Soviets admit Stalin killed 50 million”, The Sunday Times (Londres), 17 abr. 1988. R. J. Rummel, professor de ciência política na University of Hawaii, calculou recentemente que 61,9 milhões de pessoas foram sistematicamente mortas pelo regime comunista soviético entre 1917 e 1987. R. J. Rummel, Lethal Politics: Soviet Genocide and Mass Murder Since 1917 (Transaction, 1990).
[36] Por causa de suas atividades revolucionárias, Lenin foi condenado em 1897 a três anos de exílio na Sibéria. Durante esse período de “punição”, ele se casou, escreveu cerca de 30 obras, fez amplo uso de uma biblioteca local bem abastecida, assinou numerosos periódicos estrangeiros, manteve volumosa correspondência com apoiadores por toda a Europa e desfrutou de diversas excursões de caça esportiva e patinação no gelo, enquanto recebia continuamente um estipêndio estatal. Ver: Ronald W. Clark, Lenin (New York: 1988), p. 42–57; P. N. Pospelov (org.), Vladimir Ilyich Lenin: A Biography (Moscou: Progress, 1966), p. 55–75.
[37] Richard Pipes, The Russian Revolution (1990), p. 187–188.
[38] The Nation, 24 jun. 1991, p. 838.
[39] Bill Keller, “Cult of the Last Czar”, The New York Times, 21 nov. 1990.
[40] “Nostalgic for Nicholas, Russians Honor Their Last Czar”, Los Angeles Times, 18 jul. 1993; “Ceremony Marks Russian Czar’s Death”, Orange County Register, 17 jul. 1993.
[41] Richard Pipes, The Russian Revolution (1990), p. 787.
