O PRIMEIRO SEDEVACANTISTA: PADRE JOAQUÍN SÁENZ Y ARRIAGA
Lúcio Guimarães, 23 de fevereiro de 2026

Padre Joaquín Sáenz y Arriaga (1899–1976) é o patriarca, o pater familias, o pai fundador do movimento sedevacantista. Ele e seus colegas estudantes escreveram o Complô Contra a Igreja (1962), o primeiro livro do movimento, distribuído em Roma para impedir o Concílio Vaticano II. A incursão na Cidade Eterna foi tão violenta que a juventude tradicionalista se organizou para honrar o nome do Padre Sáenz y Arriaga na terra dos romanos.


Padre Sáenz y Arriaga lutou para impedir o Concílio escrevendo vários livros até sua inevitável excomunhão pela seita conciliar. Entre suas obras, destacam-se: Carta de Informacíon a los Obispos de España, Portugal y América (1963); Los Frutos Apetecidos por el Progresismo en el Concílio Vaticano II (1965); El Antisemitismo, el Concilio Ecuménico y Qué es el Progresismo (pós-concílio); Con Cristo o Contra Cristo (1966); Cuernavaca y el Progresimo Religioso en México (1967); La Missa Nueva: Documentos de Controversia (pós-1969); Las Falsas Derechas (1969); La Nueva Iglesia Montiniana (1971); ¿Por qué me Excomulgaron? ¿Cisma o Fe? (1972); e “La Restauración” Montiniana de la Devocióna la Virgen Santísima (1974). Padre Sáenz y Arriaga morreu em 1976; devemos nos recordar de seu biógrafo, Antonio Rius Facius, que escreveu o livro ¡Excomulgado! Trayectoria y Pensamiento del Pbro. Dr. Joaquín Sáenz Arriaga (1980) em honra do tradicionalista mais radical das Américas.
O movimento sedevacantista tem sua grande inspiração no livro Sede Vacante: Paulo VI no es Legítimo Papa (1973). Paulo VI é um herege, e por isso não é um papa legítimo: sede vacante. A tese sedevacantista nasce no Complô (1962), mas só é levada até às últimas consequências em Sede Vacante (1973). Para confirmar de forma inequívoca que “asi és”, eis aqui três citações do livro Sede Vacante que testemunham que Paulo VI não é papa (afinal, que idiota ousaria dizer, após ler todo o livro, que um “papa não legítimo”, assim como o diz Padre Sáenz y Arriaga, é verdadeiramente papa?).


“Temos que chegar a tirar as conclusões de tudo o que até aqui escrevemos, ainda que levantem os braços ao céu, em gesto de protesto e ameaça, os numerosos ‘papólatras’, como há em toda parte, e que, para salvar a Paulo VI e seu espúrio reinado, estão dispostos a sacrificar a Igreja e a própria salvação eterna. Diante da presente ‘auto-demolição’ da Igreja, que estamos presenciando, temos que chegar, com imensa amargura, a esta já tangível conclusão: Giovanni Battista Montini não é um Papa legítimo.” (Sáenz y Arriaga, 1973, p. 125).

“E assim aconteceu: as reformas litúrgicas, que tanto agradaram a Dom Sérgio, o de Cuernavaca, e a todos os seus seguidores e admiradores, abriram passagem a todas as heresias, a todos os escândalos, a toda essa espantosa REVOLUÇÃO na Igreja de Deus. O que ficou de pé? Essa é a grande apostasia anunciada por Daniel (cap. 8) e por São Paulo! Esse é o reinado de Satanás! Depois destas palavras, minha primeira pergunta já está respondida: GIOVANNI BATTISTA MONTINI NÃO É UM PAPA LEGÍTIMO. Foi eleito validamente? Já disse que, ao que parece, cumpriram-se as formalidades canônicas para uma reta eleição. Mas essa eleição de iure não é suficiente para que seja válida. É necessário que o eleito seja sujeito capaz de ser eleito. Ora, considerando todos os adjuntos pessoais de Giovanni Battista Montini, não creio que seja temerário chegar a dizer que, ao ser eleito, ele não tinha a nossa fé; que era um infiltrado, habilmente preparado e discretamente aconselhado, para dirigir de cima a auto-demolição da Igreja. Eu sei muito bem que ele, em seus discursos turísticos, frequentemente se lamenta e parece condenar as heresias, a imoralidade, as horrendas profanações, a desordem incrível que estamos presenciando; mas esses lamentos não são sinceros, essa condenação não é compatível com as atrocidades que, com plena ciência e consciência dele, estão sendo levadas a cabo, em todo o mundo, com a colaboração de seus amigos: os judeus, os maçons e o comunismo internacional.” (Sáenz y Arriaga, 1973, p. 410).

“Dói-nos na alma ter que dizer estas coisas; mas as tivemos por tanto tempo caladas, apenas pelo respeito religioso que se deve ao legítimo Vigário de Cristo, que já não podemos mais silenciar a nossa consciência. PARA MIM, GIOVANNI BATTISTA MONTINI NÃO É UM LEGÍTIMO PAPA, e essa afirmação talvez signifique a salvação da Igreja e da fé de muitas almas.” (Sáenz y Arriaga, 1973, p. 430).
