O PROBLEMA CARMELITA
Padre Luan Guidoni

Se a sétima epístola de Platão foi verdadeiramente escrita pelo grande mestre da Academia, então o Ocidente realmente foi amaldiçoado por Sócrates, o que não significa dizer que o contrário se daria se ela fosse fraudulenta, porque sendo aquela epístola verdadeira ou falsa, é fato que toda a história da filosofia consiste em uma contínua queda dialética rumo ao tártaro. Os poetas e os antigos sábios eram superiores aos filósofos, como estes últimos admitiam, e todo o labor filosófico constitui-se em salvaguardar e reinterpretar os mitos que caíam em decadência. Foi isso que transmitiu Aristóteles a Alexandre, e o basileu transformou-se em um mito vivo. O quão triste, porém, foi a geração neoplatônica que dava mais importância aos astros e à magia do que à própria filosofia. A estrela de Belém é maior que Cristo? O cometa de César é maior que César? Ora, então o que fazem os ditos platônicos olhando para as estrelas enquanto ignoram as eternas idéias?
Quando esse problema dialético chega ao catolicismo por causa do Corpus Dionysiacum, que nada tem de dionisíaco, os homens retiraram sua atenção do Cristo e passaram a buscar pelo Deus absconditus dentro das próprias almas. Quando esse apofatismo espiritual se encontrou com os supostos descendentes de Elias naquela Ibéria ocupada por marranos, conversos, mouriscos, hebraístas, cabalistas e sufis, a commixtio carmelita de modernas devoções revolucionou a vida religiosa. Graças aos trabalhos do Padre Daniel Papebroch, o melhor jesuíta que os bolandistas já tiveram, sabemos que toda aquela história de Elias é só estória, e eu não creio que fosse necessário tanto esforço para concluir o óbvio.
É inegável que João da Cruz e Teresa d’Ávila tiveram várias influências estranhas em seus escritos. O problema carmelita não nasce com eles, mas muito antes. Moradas e noites escuras não são invenções originais dos carmelitas, e quando essa semântica estrangeira entra na Igreja de Roma com laureação, tal como ocorreu no Concílio Vaticano II, tem-se aí o fim da espiritualidade tradicional. No fim, pouco importa se é descalço ou calçado: os pés são os mesmos e a terra que eles carregam não é romana.
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Padre Luan Guidoni
26 de Fevereiro de 2026

Como pessoas que supostamente teriam influenciado tão negativamente a vida espiritual de tantas centenas de milhões de almas poderiam ser santos? Como livros como a Imitação de Cristo, com aprovações e elogios de papas atrás de papas, de bispos atrás de bispos, poderiam trazer tanto prejuízo (alegado) às almas? Quem estará correto? O Padre Guidoni ou a Igreja Católica?
Depois dessa lapada seca, o Kuririn da gnose e a gangue dos autismos devem estar chorando e rangendo os dentes