PADRE DANIEL PAPEBROCH E A SUPOSTA FUNDAÇÃO DA ORDEM DO CARMO POR ELIAS
Padre Daniel Papebroch, S.J.
Fonte: The Bollandist Dossier on St. Albert ofJerusalem, p. 108. Roma: Edizioni Carmelitane, 2015.
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: Neste excerto, o padre Daniel Papebroch, reverendo sacerdote jesuíta e renomado bolandista, levanta seus questionamentos, baseando-se na ausência de provas sólidas e em contradições históricas da Ordem do Carmo, sobre a suposta fundação da ordem carmelita por Elias desde o Antigo Testamento.
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Quando digo essas coisas, não quero que sejam aceitas de tal maneira — chegarei quase a negar — que aquela pequena semente tenha sido cortada de alguma árvore imensa e antiga que (assim como uma tradição da Ordem Carmelita, de qualquer tipo, sustenta) teria sido plantada por Elias e que, enxertada na lei da graça por meio dos Apóstolos, é considerada como revivificante e tornando-se mais fecunda. No Oriente, ela foi preenchida por monges, cujos sucessores e descendentes propagaram o instituto de Elias, até que os ramos inúteis, juntamente com seu tronco, foram cortados do campo da Igreja pelo cisma, e o direito a tal nome se perdeu. Esse direito, no entanto, teria sido conservado na semente por aqueles poucos eremitas sob Bertoldo, digo eu, os quais, embora diversos em língua, rito, fé e costumes daqueles em cujo lugar se presume que tenham sucedido, podem, no entanto, também ser considerados um rebento do mesmo instituto de Elias. Está claro, de fato, que essa tradição eliana, desde Elias em diante, a primeira até Cristo, a segunda de Cristo até Bertoldo, tem contradições que não são pequenas para os homens instruídos e que requerem uma prova mais sólida por causa de algo de tamanha magnitude e de tantos séculos como se alega, do que poderia fornecer a simples tradição daqueles cujas afirmações, especialmente em outros assuntos, não remontam tão longe no tempo quanto aos tempos de Elias e Cristo, mas aos séculos XII e XIII, digo eu, e que divergem entre si de várias maneiras e se revelam sujeitas a erros muito frequentes e dos mais evidentes.
