PSYCHOMACHIA E JIHAD
Padre Luan Guidoni

A batalha da alma, a qual os seguidores de Maomé chamam de jihad, e nós, católicos romanos, chamamos de psychomachia, gerou em nós, seguidores de Jesus Cristo, a máxima renovatio imperii romanorum e as santas cruzadas, e neles, os muçulmanos, o califado e a sharia. Com efeito, de Rômulo nasceram três Romas: a de César, o eterno Império Romano; a de Constantino, o cristianíssimo Império Romano do Oriente; e a de Carlos Magno, o milenar e Sacro Império Romano-Germânico. Dos adversários, ao contrário, foram invocados: Rashidun; Omíada; Abássida; Fatímida; Al-Andalus; e o pior de todos, o Otomano. A história da jihad contra a psychomachia criou um dilúvio sangrento de santos mártires; entretanto, a jihad moderna almeja gerar mais apóstatas da verdadeira fé que mártires, e por isso venho trazer o escudo contra aqueles que o Filho de Deus denunciou em São Mateus 24,11.
Que dirão de nós? Que somos avarentos? Não somos e nosso Deus ensinou que devemos dar sem pedir nada em troca. São os cristãos bêbados e intemperantes? Ora, é o que sai da boca do homem, e não o que entra, que o deixa impuro, e não encontramos nenhum filho de Adão que tenha jejuado como Jesus: Ele transformou a água em vinho e nós, seus ministros, transformamos o vinho em seu sangue. Nossas mulheres e nossos jovens entregam-se aos vícios? Vós não ouvistes que até com os olhos comete-se adultério segundo a nossa doutrina? Somente os puros de corpo e alma são dignos do Céu. Templários malditos? A santa regra da Ordem prova o oposto da acusação e escolhemos escrever no dia de hoje em honra dos santos cavaleiros: é sexta-feira treze de quaresma. Imperialismo? Sim, pois por direito divino Roma dominou todas as gentes e não nos envergonhamos do passado glorioso. As críticas dos maometanos são válidas, em certa medida, apenas contra a modernidade, mas jamais contra o Ocidente tradicional.
Santos e doutores escreveram vitoriosamente contra o islã, tal como o grande São João Damasceno, mas por brevidade de espaço e visando à maior velocidade na transmissão das idéias, citamos sucintamente: os diversos escritos medievais sobre a vida de Maomé, mais conhecidos como Vita Mahomet; o Roman de Mahomet; a Apologia de Al-Kindi; Contra Legem Sarracenorum de Riccoldo da Monte di Croce; Summa Totius Heresis Saracenorum, de Pedro, o Venerável; o tratado contra o Alcorão escrito pelo Frade Félix de Alamin; e São Gabriel, Maomé e o Islamismo, do Padre Júlio Maria de Lombaerde.
Tomei conhecimento da questão islâmica, naquilo que diz respeito ao campo teológico, graças ao Professor Rafael Queiroz muitos anos atrás e, desde então, busquei estudar a boa apologética com os melhores mestres. Escandalizei-me quando vi Bento XVI com o chefe da Tariqa Naqshbandi, o Sheikh Nazim Al-Haqqani, em uma manifesta oposição ao que obrou São Francisco — assim como Cévola diante de Porsena — perante o sultão. A grande descoberta foi em 2023 quando, após muitas pesquisas, encontrei as obras de Hanna Zakarias, o pseudônimo do dominicano Gabriel Théry. Três obras de suma importância foram escritas por ele e serão publicadas em português se Deus quiser: Vrai Mohammed et Faux Coran; De Moïse à Mohammed: l’Islam, Entreprise Juive; e L’Islam et la Critique Historique. Na França de hoje, o melhor livro sobre a questão islâmica foi escrito por Odon Lafontaine, e se chama Le Grand Secret de l’Islam.
Usquequo Domine: até quando, Senhor, dormirão os católicos? Mais sete anos? Mais trinta e sete anos? Ou mais cinquenta e sete anos? Porque tempus fugit e é inadmissível que o século vire sem uma resolução definitiva para esse problema. Quem quer, portanto, resolver esse caos religioso, deve começar pelas fontes que citamos e ter sempre em mente que non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam.
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Padre Luan Guidoni
13 de Março de 2026
