QUI SINCERA
Papa São Gregório Magno (†604)
Fonte: http://www.nostreradici.it/licet-ex_qui-sincera.htm
Tradutor do texto latino: Gustavo Petrônio Toledo.
Descrição: Carta ao bispo Pascásio de Nápoles, do mês de novembro de 602, sobre a relação com os judeus.
_______________
Aqueles que, com sincera intenção, desejam conduzir à reta fé os que estão fora da religião cristã devem agir com palavras atrativas, e não ásperas, para que um sentimento hostil não afaste aqueles cuja mente poderia ter sido estimulada pela apresentação de uma razão clara. Pois todos aqueles que agem de modo diverso e, sob esse pretexto, procuram impedir que os outros se mantenham na observância habitual de seu rito, parecem visar mais aos próprios interesses do que os de Deus.
Com efeito, alguns judeus que habitam em Nápoles apresentaram queixa a Nós, afirmando que certas pessoas se esforçam, de forma irracional, por impedir-lhes a celebração de alguns de seus feriados, isto é, por não lhes ser mais permitido observar as solenidades de suas festas como até agora sempre foi lícito, tanto a eles quanto a seus antepassados, desde tempos remotos.
Ora, se assim de fato se dá, é evidente que se aplica esforço a uma causa inteiramente inútil. Pois que proveito há em impedir um costume antigo, se isso não contribui em nada para levá-los à fé e à conversão? Ou por que estabelecer regras aos judeus sobre como devem observar suas cerimônias, se com isso não conseguimos ganhá-los (para Cristo)?
Deve-se, pois, agir de tal modo que, provocados antes pela razão e pela mansidão, eles queiram nos seguir — e não fugir de nós —, para que, mostrando-lhes a partir de seus próprios Livros (as Escrituras) o que afirmamos, possamos, com o auxílio de Deus, conduzi-los ao seio da Madre Igreja.
Portanto, vossa fraternidade[1] deverá incitá-los, com exortações, tanto quanto puder com o auxílio de Deus, a se converterem, e não permitir que sejam de novo molestados por causa de suas solenidades, mas que tenham livre permissão para observar e celebrar todas as suas festas e feriados, como até agora sempre o fizeram.
[1] Forma honorífica e eclesial de tratamento.
