RAMA COOMARASWAMY VS PADRE ANTHONY CEKADA: A QUESTÃO DA ORDENAÇÃO
Rama P. Coomaraswamy
Fonte: https://web.archive.org/web/20250711091616/http://www.the-pope.com/validity.html
Tradutor do texto: Adalberto Brasil.
Descrição: Rama defende a validade de sua ordenação sacerdotal contra críticas do Padre Anthony Cekada. Argumenta que Dom José Lopez-Gastón era plenamente qualificado, que o rito foi corretamente realizado e que, para dissipar dúvidas, recebeu ainda uma reordenação condicional de Malachi Martin. Por fim, rebate a objeção contra o clero casado e acusa Cekada de calúnia.
Nota: O Recolhedor se coloca ao lado do Pe. Cekada, partilhando de sua crítica à irregularidade das ordenações questionadas, contra justificativas frágeis e personalistas.
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SOBRE A VALIDADE DA MINHA ORDENAÇÃO
Embora o artigo do Pe. Cekada, intitulado Untrained and Un-Tridentine: Holy Orders and the Canonically Unfit (“Não Formados e Não Tridentinos: Ordens Sagradas e Inaptidão Canônica”), demonstre um forte desejo de retornar à Igreja dos anos 50 em vez de um retorno a princípios católicos sólidos, e, como tal, revele certa falta de compreensão dos problemas que muitos católicos enfrentam no momento presente, limitar-me-ei apenas àquela parte do escrito que, de maneira velada, quase certamente diz respeito a mim e tem como objetivo desvalorizar a minha ordenação. Apesar de sua omissão de nomes, vários amigos apontaram possíveis semelhanças. Os seguintes comentários são feitos com a intenção de evitar maior confusão.
Partindo do pressuposto de que o Pe. Cekada se refere a mim, devo dizer que, se tivesse alguma dúvida sobre os fatos em torno da minha ordenação, ele poderia ter tido ao menos a cortesia de me perguntar diretamente. Lembro-me aqui dos versículos 14 e 15 do Salmo 55. Novamente, supondo que suas observações se refiram a mim, devo dizer que ele errou quase todos os fatos. Na verdade, a única coisa que ele acertou foi que Dom José Lopez-Gastón usou uma fotocópia do Pontifical.
Em primeiro lugar, Dom Lopez-Gastón é extraordinariamente bem-formado e qualificado para a função de ordenar bispos. Estudou com os Maristas em Cuba, com a intenção de entrar para o sacerdócio, de 1944 a 1960. Com a chegada de Castro, partiu para a Espanha. Posteriormente completou estudos em Filosofia e Teologia, recebendo certificados de competência do Cardeal Manuel Arteaga (também exilado de Havana) em Teologia e catequese, além de um diploma em Teologia. Nesse ínterim ocorreram as mudanças na Igreja, e então ele conheceu sua esposa e casou-se. Ele possui dois doutorados distintos: um em Línguas Românicas e outro em Humanidades, Filosofia e História, obtidos em universidades deste país, bem como diplomas da Universidade de Havana em Filosofia e História. É fluente em latim, grego e espanhol e foi chefe do Departamento de Humanidades da Universidade do Novo México, onde lecionava, entre outras matérias, latim.
Já em idade mais avançada, depois que Dom Moisés Carmona foi sagrado bispo por Dom Pierre Martin Ngô Đình Thục (Dom Carmona, por sua vez, consagrou Dom Mark Pivarunas, e este consagrou Dom Daniel L. Dolan), Dom Carmona — que conhecia Lopez-Gastón — sugeriu-lhe que fosse então ordenado. Tanto Dom Lopez-Gastón quanto sua esposa fizeram votos públicos de castidade, e Dom Carmona o ordenou. Ele foi posteriormente sagrado bispo na linhagem Thuc.
É praticamente impossível que Dom Lopez-Gastón tivesse pulado alguma parte no momento da minha ordenação, sobretudo porque havia vários bispos e padres presentes. Cada detalhe do rito da ordenação foi seguido corretamente, e há fotografias que atestam isso.
Surgiu, no entanto, uma questão. Uma das pessoas presentes pensou que Dom Lopez-Gastón não havia de fato tocado minha cabeça na parte essencial do rito. Eu, evidentemente, não posso testemunhar sobre isso, pois estava demasiado envolvido no processo de ordenação para verificar tal detalhe. Contudo, examinei recentemente as fotografias que foram tiradas e apresento duas delas como prova do contrário.
Ainda assim, meu grande amigo e mentor, Dom Malachi Martin, declarou que desejava que não restasse absolutamente nenhuma dúvida sobre minha ordenação. Por isso, procedeu a reordenar-me sub conditione. Assim, recebi as graças da Ordenação por uma dupla fonte.
O Pe. Cekada parece nutrir particular antipatia contra o clero casado — o que, de fato, parece ser a base de suas opiniões sobre “canonicidade”. Ora, onze dos apóstolos eram casados; vários santos canonizados foram casados; cerca de 29 papas foram casados, e alguns deles tiveram suas esposas residindo no Vaticano; as Igrejas orientais “uniatas” permitem o matrimônio e a Igreja jamais negou a validade de suas funções sacramentais; por fim, o Novo Testamento fala das obrigações de bispos casados. Embora, em circunstâncias normais, o clero casado na Igreja Ocidental seja incomum a partir do século XII, casos de dispensa dos cânones eclesiásticos sempre foram permitidos. Por exemplo, o Papa Pio XII permitiu que clérigos episcopais e anglicanos casados, ao se converterem e desejarem ser padres, conservassem suas esposas. Apenas para constar: o matrimônio em nada invalida o Sacramento. É claro que há uma diferença entre uma pessoa casada ser ordenada e um padre que já professou votos de celibato vir a se casar. Nas circunstâncias atuais, parece haver espaço para um clero casado cuidadosamente selecionado.[1] (Isso não deve ser interpretado como defesa de um clero casado em geral, mas serve para mostrar que os cânones envolvidos são “eclesiásticos” e sujeitos a dispensa.)
Não resisto a um comentário final. É claro que o Pe. Cekada, apesar de sua apregoada formação em seminário, jamais compreendeu o pecado da calúnia. Em seu artigo, ele se refere a Malachi Martin (novamente, sem nomeá-lo) como um “sacerdote apóstata”. Para registro, o Pe. Vincent O’Keefe, S.J., ex-Vigário Geral dos Jesuítas, admitiu publicamente que o Pe. Malachi Brendan Martin recebeu dispensa plena e legal de seus votos jesuítas — exceto o de castidade — e foi-lhe concedida a faculdade perpétua de celebrar o Santo Sacrifício da Missa. (cf. Michael Cain, editor do Daily Catholic, Quarta-feira de Páscoa, 14 de abril de 2004).
Talvez algumas palavras do Pe. Fiori, O.P., que conheceu Malachi Martin por mais de 20 anos e faleceu recentemente, sejam de interesse: “Malachi Martin nunca deixou o sacerdócio católico, mas foi pessoalmente dispensado de seus votos de pobreza e obediência por Paulo VI, ao deixar os Jesuítas em 1964. Eu vi e autentiquei seus papéis de dispensa. Ele não pediu dispensa do voto de castidade. Quando chegou a Nova York, o Cardeal Cooke concedeu-lhe faculdades sacerdotais e aconselhou-o a procurar alojamento com uma família, em vez de viver sozinho como inicialmente fizera”.
Acrescento ainda que Malachi, como muitos de nós, mudou de opinião ao longo do tempo, mas Cuono testemunha, em seu livro um tanto pueril An American Exorcist,[2] que o Pe. Malachi jamais celebrou a Novus Ordo Missae.
Por fim, quero deixar claro que não me interessa um debate sobre essas questões. Minha intenção inicial era ignorar a diatribe do Pe. Cekada, mas como ouço confissões, escrevo sobre questões teológicas e às vezes ofereço direção espiritual, considero importante defender a validade de minhas ordens.
Rama P. Coomaraswamy, M.D., F.A.C.S. +
[1] Sugeriu-se, por parte de alguns, que um indivíduo casado que seja ordenado deveria separar-se de sua esposa. Isso não é uma exigência apostólica. De qualquer modo, aqueles que sugerem tal ação talvez devessem indicar algum convento novus ordo (ou algum convento de sua preferência) para a esposa e então prover cuidados e assistência para o marido. No meu caso, isso custaria algo em torno de 300 mil dólares por ano. Além do mais, não estamos vivendo nos anos 50; fazer tal sugestão sem oferecer-se para arcar com os custos é uma zombaria.
[2] Provavelmente Rama se refere ao livro de Michael W. Cuneo (e não Cuono), American Exorcism: Expelling Demons in the Land of Plenty (Doubleday, 2001). (N.T.)
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ANEXO: IMAGENS DA ORDENAÇÃO


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