ROOSEVELT, UM DOS “FALCÕES” DE VERSAILLES
Norberto Toedter, 8 de agosto de 2008
Hitler nem se alistara ainda como soldado raso no exército alemão em 1914 — quando começou a Primeira Guerra Mundial — e já existia um americano influente que odiava a Alemanha. Era Franklin Delano Roosevelt, indiscutivelmente o líder da coalizão anti-Hitler na Segunda Guerra. Naquele tempo Roosevelt era Assistant Secretary of the US Navy, ou seja, substituto do Ministro da Marinha dos Estados Unidos.
Enquanto o então Presidente Wilson pedia aos americanos que permanecessem neutros em ação e pensamento (“Wilson had asked the americans to be neutral in thought as well as action” ), Roosevelt já revelava por escrito sua esperança de que a Inglaterra entrasse na guerra, que mal eclodira, e ditasse a paz em Berlim junto à França e à Rússia. Já no início de 1915 dizia à sua mulher: “I just know I shall do some awful unneutral thing before I get through.” (“Tenho certeza de que acabarei fazendo algo terrivelmente parcial antes que tudo isso termine.”). Pouco depois, em 1916, o Presidente Wilson ainda prometia neutralidade aos seus eleitores, mas Roosevelt dizia ao seu chefe: “We’ve got to get in this war.” (“Temos que entrar nesta guerra.”). Todas essas citações foram preservadas pelo seu biógrafo James MacGregor Burns no livro Roosevelt: The Lion and the Fox (Hartcourt, Brace and World, 1956).

Roosevelt também era um dos “falcões” entre a delegação americana que participou da elaboração do fatídico Tratado de Versailles. Foi um dos que exigiram que a Alemanha fosse tratada com máxima dureza e que o Kaiser fosse enforcado.
Como Presidente dos Estados Unidos desde 1933, fomentou a Segunda Guerra Mundial estimulando via diplomática a Polônia a acreditar na proteção dos aliados e provocando o Japão na área do Pacífico. No diário do seu Ministro da Guerra Stimson vamos encontrar sob 5/12/1941 a seguinte anotação: “O problema proposto era manobrar os japoneses a dar o primeiro tiro sem nos expor a um perigo excessivo. Foi uma tarefa difícil”. O serviço de escuta americano já informara Roosevelt no dia anterior ao ataque japonês a Pearl Harbor que este estava por acontecer. Roosevelt não ordenou qualquer medida preventiva, optando pelo sacrifício de seus marinheiros, só para poder motivar o seu povo a ingressar no maior conflito da história.
Franklin D. Roosevelt não teve a satisfação de ver realizado o seu sonho acalentado por tantos anos. Morreu alguns dias antes do final da guerra na Europa, em 12 de abril de 1945. Poucos meses depois, seu sucessor, Harry S. Truman, apesar de saber da disposição do Japão de se render, mandou detonar duas bombas atômicas, uma sobre Hiroshima e outra sobre Nagasaki.
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Retirado de: O que é a verdade? O outro lado da história. Curitiba: Editora e Livraria do Chain, 2009, p. 131–132.
