SÍNODO DE LAODICÉIA (c. 363–364) E MULHERES
Fonte: (a) Philip Schaff, Henry Wace (eds.), Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, Vol. 14. Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1900. Revisado e editado para New Advent por Kevin Knight. Transcrição: http://www.newadvent.org/fathers/3806.htm. (b) Reglas de los Concilios locales. Traduzido por Xenia Sergejew. Transcrição: http://www.holytrinitymission.org/books/spanish/canones_concilios_locales.htm#_Toc104378697.
Tradutor do texto: Gustavo Petrônio Toledo.
Descrição: Proibições impostas às mulheres na Igreja.
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Cânon 11: As chamadas “presbítides” (anciãs), ou mulheres que presidem, não devem ser nomeadas na Igreja.
Cânon 44: Mulheres não podem ir ao altar.
Comentário de Balsamon: Antigamente, certas mulheres veneráveis (πρεσβύτιδες) sentavam-se nas igrejas católicas e cuidavam para que as outras mulheres mantivessem boa e modesta ordem. Mas, em razão do hábito de usarem indevidamente o que lhes era próprio, seja por arrogância ou por interesses vis, surgiram escândalos. Portanto, os Padres proibiram a existência, dali em diante, de tais mulheres chamadas presbítides ou presidentes. E para que ninguém objetasse que, nos mosteiros de mulheres, uma mulher deve presidir sobre as demais, deve-se lembrar que a renúncia que elas fazem de si mesmas a Deus e a tonsura fazem com que sejam consideradas um só corpo, embora sejam muitas; e todas as coisas que lhes pertencem referem-se apenas à salvação da alma. Mas para uma mulher ensinar em uma Igreja Católica, onde uma multidão de homens está reunida, e mulheres de diferentes opiniões, é, no mais alto grau, indecoroso e pernicioso.
Comentário de Hefele: É duvidoso o que se pretendia aqui, e este cânon recebeu interpretações diversas. Em primeiro lugar, qual é o significado das palavras πρεσβύτιδες e προκαθήμεναι (“presbítides” e presidentes mulheres)? Penso que a primeira luz é lançada sobre o assunto por Epifânio, que, em seu tratado contra os Coliridianos (Haer., lxxix. 4), diz que “às mulheres nunca foi permitido oferecer sacrifícios, como os Coliridianos presumiam fazer, mas apenas ministrar. Portanto, havia apenas diaconisas na Igreja, e mesmo que as mais velhas entre elas fossem chamadas ‘presbítides’, esse termo deve ser claramente distinguido de presbíteras. Estas últimas significariam sacerdotisas (ἱερίσσας), mas ‘presbítides’ designava apenas sua idade, como anciãs”. Segundo isso, o cânon parece tratar das diaconisas superiores que eram as supervisoras (προκαθήμεναι) das demais diaconisas; e as palavras seguintes do texto podem então provavelmente significar que, no futuro, não se deveria nomear mais tais diaconisas superiores ou anciãs, provavelmente porque muitas vezes ultrapassavam sua autoridade.
Neander, Fuchs e outros, no entanto, pensam ser mais provável que os termos em questão neste cânon devam ser entendidos simplesmente como diaconisas, pois mesmo na igreja elas costumavam presidir sobre a porção feminina da congregação (de onde o nome de “presidentes”); e, segundo a regra de São Paulo, apenas viúvas com mais de sessenta anos deveriam ser escolhidas para esse ofício (daí chamadas “presbítides”). Deve-se acrescentar que essa prescrição apostólica não foi muito rigorosamente seguida posteriormente, mas ainda assim foi repetidamente ordenado que apenas pessoas mais velhas fossem escolhidas como diaconisas. Assim, por exemplo, o Concílio de Calcedônia, em seu décimo quinto cânon, exigia que as diaconisas tivessem pelo menos quarenta anos de idade, enquanto o Imperador Teodósio prescrevia até mesmo a idade de sessenta anos.
Supondo agora que este cânon trate simplesmente de diaconisas, surge uma nova dúvida sobre como as últimas palavras — “não devem ser nomeadas na Igreja” — devem ser entendidas. Pois pode significar que “doravante não mais se nomeiem diaconisas”, ou que “doravante não sejam mais solenemente ordenadas na Igreja”. A primeira interpretação, no entanto, contradiria o fato de que a Igreja Grega teve diaconisas muito tempo após o Sínodo de Laodiceia. Por exemplo, em 692, o Sínodo de Trullo (Cânon XIV) ordenou que “ninguém com menos de quarenta anos deveria ser ordenado diaconisa”. Consequentemente, a segunda interpretação, “não devem mais ser solenemente ordenadas na Igreja”, parece melhor, e Neander decididamente a prefere. É verdade que vários sínodos posteriores proibiram expressamente a antiga prática de conferir uma espécie de ordenação às diaconisas, como, por exemplo, o primeiro Sínodo de Orange (Arausicanum I de 441, Cânon XXVI) nas palavras diaconae omnimodis non ordinandae; também o Sínodo de Epaon em 517 (Cânon XXI) e o segundo Sínodo de Orleans em 533 (Cânon XVIII); mas na Igreja Grega, pelo menos, uma ordenação, um χειροτονεῖσθαι, ocorria ainda no Concílio de Trullo (Cânon XIV). Mas este cânon de Laodiceia não fala de dedicação solene, e certamente não de ordenação, mas apenas de καθίστασθαι (nomeação). Essas razões nos levam a retornar à primeira interpretação deste cânon, e entendê-lo como proibindo, a partir daquele momento, a nomeação de mais diaconisas superiores ou “presbítides”.
Zonaras e Balsamon oferecem ainda outra explicação. Na opinião deles, essas “presbítides” não eram diaconisas superiores, mas mulheres idosas em geral (do povo), às quais era dada a supervisão das mulheres na igreja. O Sínodo de Laodiceia, no entanto, aboliu esse arranjo, provavelmente porque elas haviam usado indevidamente seu ofício para fins de orgulho, ganho financeiro, suborno, etc.
