TERRORISMO HÁ CEM ANOS
Norberto Toedter, 2014
Houve até quem comemorasse esse dia. Os atentados de Sarajevo, Bósnia, aconteceram em 28 de junho de 1914, há exatos 100 anos, e foram o estopim da Primeira Guerra Mundial. Guerras que depois não pararam mais.
O arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, e sua mulher, a duquesa Sofia von Hohenberg, encontravam-se em visita oficial à Bósnia. Esta, desde 1908, fazia parte do Império Austro-Húngaro, fato que sofria forte oposição da vizinha Sérvia. A Sérvia tinha planos pan-eslávicos para os Bálcãs.
Já a caminho da prefeitura, onde se realizaria uma recepção de gala, a comitiva sofreu um atentado a bomba, artefato que, entretanto, só veio a explodir depois da passagem do carro do arquiduque e terminou por ferir seis pessoas do público. Realizada a cerimônia na prefeitura, o ilustre visitante insistiu em cumprir o restante da visita programada e a comitiva prosseguiu. A certa altura um jovem armado de revólver browning acercou-se do automóvel e desferiu uma série de tiros fatais no arquiduque e sua esposa.

Seguiu-se a declaração de guerra do imperador Francisco José I, pai do assassinado, à Sérvia, que teria sido a mandante do crime. A Sérvia foi apoiada pela Rússia; a Áustria, pela Alemanha.
A Rússia, parceira da Tríplice Entente, motivou o Reino Unido e a França a participar do confronto. Finalmente os Estados Unidos, como prendados fornecedores de armas aos litigantes, acabaram estimulados a também contribuir com sua parte.
Essa é a história oficial. Mas existem na realidade muitos outros dados e informações que, considerados, deixariam a história mais compreensível, mas também mais tétrica e preocupante. Vejamos:
• Em Os Demônios, o grande expoente da literatura russa Fiódor Dostoiévski predisse, quarenta anos antes da revolução bolchevista na Rússia, que o comunismo viria da Europa e que faria dezenas de milhões de vítimas, verdadeira catástrofe para a humanidade.
• Segundo o jornal americano The New Federalist (11/9/1989), em 1915 o revolucionário socialista Aleksandr Parvus (Israel Helphand) planejava fazer com que os bolchevistas assumissem o poder na Rússia com ajuda do serviço secreto alemão. Ele conseguiu 7 milhões de dólares do departamento de finanças germânico para “desenvolver a propaganda revolucionária na Rússia”. E então se encontrou com Vladimir Lênin em Zurique, no mês de maio de 1915. Walther Rathenau, ministro do Kaiser Guilherme II, rico industrial sionista, também recomendou o financiamento dos bolchevistas, apoiado pelo embaixador alemão em Copenhague, conde Ulrich von Brockdorff-Rantzau, conhecido maçom do 33° grau, segundo Nesta Webster e Kurt Kerlen.

• Em 1889, no congresso socialista em Paris, promovido pelo Grande Oriente em comemoração ao centenário da Revolução Francesa, teria sido decidida a derrubada das três casas imperiais da Europa. Farta documentação foi publicada pela edição de dezembro de 1890 da revista Truth. Ali foi publicado também um mapa de fronteiras dos países da Europa que se tornou realidade em 1919. Não só as fronteiras: o Império Russo ruiu com o assassinato do Czar e sua família, e os dois impérios, o germânico e o austro-húngaro, com a abdicação dos dois soberanos ao final da guerra 1914–1918.
• A Alemanha encetou uma reação a partir de 1933, e acabou marcada como inimigo público número um. Na Segunda Guerra Mundial, teve que enfrentar meio mundo incitado contra seu povo. Acabou perdendo ¼ do seu território, teve suas cidades arrasadas, sua tecnologia pilhada, sua população dizimada. O que restou de sua gente foi submetido a uma inclemente reeducação.
Nisso tudo o atentado de Sarajevo parece apenas um pequeno, mas importante detalhe, dentro de um planejamento que abrange não meses, nem anos, mas sim séculos.
Albert Mousset revela em seu livro L’Attentat de Sarajevo (Paris, 1930) que Gavrilo Princip e Nedeljko Čabrinović, o atirador e o arremessador da bomba respectivamente, foram presos e levados a julgamento. Diante do tribunal, teriam revelado que o atentado não havia sido obra da organização sérvia denominada Mão Negra. O plano fôra engendrado em Paris, na Rue Cadets 16, quartel-general do Grande Oriente.

Na Sérvia, Gavrilo Princip ainda hoje é considerado herói nacional, tem estátua, e recebeu muitas homenagens nestes dias.
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Retirado de: Pobre mundo novo! Sangue, suor, lágrimas e muita mentira. Curitiba: Editora e Livraria do Chain, 2015, p. 169–172.
