VIKTOR FRANKL, SOBREVIVENTE DO HOLOCAUSTO, FOI GASEADO EM AUSCHWITZ?
Theodore J. O’Keefe, 1º de dezembro de 2001
Fonte: https://codoh.com/library/document/was-holocaust-survivor-viktor-frankl-gassed-at/
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: O artigo questiona a veracidade da narrativa de Viktor Frankl (1905–1997) sobre sua passagem por Auschwitz, citando pesquisas que indicam que ele permaneceu apenas alguns dias no campo, e não meses, como sugerido em “Em Busca de Sentido”. Com base em registros oficiais, o texto levanta a paradoxal questão de como Frankl teria sobrevivido, já que documentações do museu de Auschwitz sugerem que seu transporte foi majoritariamente direcionado para as câmaras de gás. A análise sugere que erros e exageros nos relatos de Frankl e nas documentações do campo desafiam a credibilidade de sua história e da história oficial de Auschwitz.
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Um artigo recente revelou que Viktor Frankl, o famoso psiquiatra e emblemático sobrevivente de Auschwitz, exagerou consideravelmente seu breve período em Auschwitz. Essa notícia lança uma sombra sobre a veracidade da célebre memória de Frankl, Man’s Search for Meaning (“Em Busca de Sentido”). De interesse ainda maior, no entanto, é uma questão que surge ao examinar os registros do Museu Estadual de Auschwitz sobre o tempo de Frankl em Birkenau: Viktor Frankl foi gaseado em Auschwitz?
Poucos homens que saíram dos campos podem igualar o falecido Viktor Frankl em aclamação. Psiquiatra de Viena que morreu em 1997, Frankl ganhou renome internacional pelas teorias de saúde mental que expôs por meio de sua escola psiquiátrica, a logoterapia. Inextricavelmente ligada à fama, aos ensinamentos e à autoridade moral de Frankl estava sua experiência nos campos de concentração alemães, acima de tudo Auschwitz, conforme descrito em “Em Busca de Sentido” (EUA, 1959), um best-seller mundial classificado pela Biblioteca do Congresso como um dos dez livros mais influentes do século XX.
Em suas memórias, Frankl relatou sua estada em Auschwitz como se tivesse durado uma eternidade. Agora, Timothy Pytell, professor adjunto de história na Cooper Union, em Nova York, nos informa que, com base em sua pesquisa para uma biografia intelectual de Frankl, o celebrado sobrevivente passou no máximo três dias em Auschwitz, em trânsito de Theresienstadt, na Boêmia, para um subcampo de Dachau, em outubro de 1944. Como observa Pytell, um leitor de “Em Busca de Sentido” ficaria “atônito ao descobrir que Frankl passou apenas alguns dias em Auschwitz”. No livro, Frankl dedica cerca de trinta páginas a Auschwitz. Além de registrar suas experiências na chegada (barbear, banho, desinfecção, etc.), Frankl faz observações sobre a vida dos prisioneiros que sugerem fortemente que, no mínimo, passou meses, e não dias, no campo. (“Tivemos que usar as mesmas camisas por meio ano, até que elas perderam toda a aparência de camisas.”) Como escreve Pytell sobre a descrição de Frankl de sua estada em Auschwitz: “Mas, se formos honestos, a narrativa de Frankl é contraditória e profundamente enganosa”.
Pytell observa que Frankl foi transferido de Theresienstadt em 19 de outubro de 1944, em um trem que transportava 1.500 pessoas para Auschwitz, e que o registro de prisioneiros do subcampo de Dachau, Kaufering III, registra a chegada de Frankl em 25 de outubro de 1944. De fato, o próprio Frankl disse ao evangelista americano Robert Schuller, em uma entrevista publicada na revista Possibilities (março-abril de 1991): “Estive em Auschwitz apenas três ou quatro dias… Fui enviado para um barracão e todos nós fomos transportados para um campo na Baviera”. Assim, a credibilidade de mais um sobrevivente estrela foi testada e considerada insuficiente. Como o testemunho de Miklos Nyiszli, Filip Müller, Rudolf Vrba, Mel Mermelstein e uma série de outros oráculos testemunhais, as histórias de Auschwitz de Viktor Frankl agora são um constrangimento para a indústria do Holocausto, em vez de uma acusação contra os alemães.
Há mais, porém. Embora Pytell não tenha se aprofundado nas implicações da estada de Frankl em Auschwitz para a confiabilidade da história oficial do campo, registros compilados pelo pesquisador exterminacionista de Theresienstadt, H. G. Adler, e pelo Museu Estadual de Auschwitz deixam claro que, se Frankl chegou a Auschwitz em 20 de outubro de 1944, ele deve ter saído de Theresienstadt em um trem com 1.500 passageiros, designado “Es”. A edição em inglês da supostamente autoritativa Auschwitz Chronicle, 1939–45 (editora Danuta Czech, Londres: I.B.Tauris, 1990), baseada em material do Museu Estadual de Auschwitz, relata sobre esse trem:
“20 de outubro
1.500 homens, mulheres e crianças judias são enviados em um transporte RSHA do gueto de Theresienstadt. Após a seleção, 169 mulheres são admitidas no campo de trânsito e 173 homens como prisioneiros no campo. Os homens recebem os números B-13307 a B-13479. As 1.158 pessoas restantes são mortas na câmara de gás do Crematório III.”
Ora, enquanto Viktor Frankl relata longamente em sua memória conversacional sobre sua recepção em Auschwitz (incluindo o obrigatório encontro com o Dr. Mengele), ele não diz uma palavra sobre ter sido registrado, recebido um número, tatuado com esse número ou transferido para o Auschwitz Stammlager, o campo permanente. Assim, pode-se concluir que ele não foi admitido como prisioneiro no campo. E a entrada da Chronicle não menciona sobreviventes não registrados desse carregamento. Logo, de acordo com a Auschwitz Chronicle e os registros em que ela se baseia, Viktor Frankl deve ter sido gaseado quase cinquenta e três anos antes de sua morte amplamente anunciada em setembro de 1997. Quem foi, então, aquele que saiu de Auschwitz poucos dias depois e continuou a escrever todos aqueles livros?
Como Robert Faurisson, Carlo Mattogno, Enrique Aynat Eknes, Jürgen Graf e outros pesquisadores revisionistas deixaram claro, há uma saída para esse aparente dilema. A sobrevivência de Frankl, assim como a de várias outras pessoas contadas como mortas pelos registros do Museu Estadual de Auschwitz — mais notavelmente a política francesa e europeia Simone Veil —, deveu-se não a uma intervenção milagrosa, mas à pesquisa descuidada e desonesta das autoridades de Auschwitz. Apesar de revisões recentes na Chronicle que permitem a sobrevivência de alguns prisioneiros não registrados, a referência amplamente consultada continua a consignar, mais ou menos automaticamente, os recém-chegados não oficialmente designados para o campo de Auschwitz às câmaras de gás.
Sem dúvida, se os registros de Auschwitz fossem abertos a uma minuciosa análise revisionista, aprenderíamos sobre muitos outros sobreviventes que são, oficialmente, contados como gaseados. Escusado será dizer que tais descobertas que confirmam a vida [dos alegados mortos] são totalmente indesejáveis para a indústria do Holocausto, seja no Museu Estadual de Auschwitz, no centro internacional de rastreamento da Cruz Vermelha em Arolsen, Alemanha, ou no Yad Vashem, em Israel. E — quem sabe? — afirmar que Viktor Frankl não foi gaseado pode render uma multa ou uma pena de prisão em mais de uma “democracia”.
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Nota do Editor: Timothy Pytell, “The Missing Pieces of the Puzzle: A Reflection on the Odd Career of Viktor Frankl”, History, Vol. 35, No. 2, abril de 2000, p. 281–306.
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A ignorância dá aos políticos carta branca para explorar a política da inveja. Nosso sistema educacional cria um excedente crescente dessa ignorância.
— Walter E. Williams
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Theodore J. O’Keefe (nascido em 1949) formou-se em história em Harvard e é multilíngue. Foi um editor habilidoso e autor de inúmeros artigos, ensaios e resenhas sobre uma gama de temas históricos e políticos. Por vários anos, dedicou seu considerável talento ao Institute for Historical Review (IHR) como escritor e editor de livros, e como editor do Journal of Historical Review do IHR. Mais tarde, escreveu para The Occidental Quarterly e, a partir de 2003, atuou por vários anos como Editor Associado do Journal of Western Thought and Opinion.
Confira o artigo seguinte sobre Frankl: “Viktor Emil Frankl em Auschwitz”, de Emil Schepers.
