A ARMADILHA DA MISSA DO MOTU PROPRIO
Padre Anthony Cekada (†2020), 7 de julho de 2007
Fonte: http://www.traditionalmass.org/wp-content/uploads/2025/05/Motu-Article-07-07.pdf
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: O texto apresenta uma crítica ao documento Summorum Pontificum de Bento XVI (7 de julho de 2007), interpretando a liberação da Missa de 1962 como um gesto estratégico dentro do quadro do Vaticano II. Ele descreve a Missa do Motu como reconhecimento implícito do fracasso pastoral do Novus Ordo, mas também como instrumento de integração dos tradicionalistas a uma visão ecumênica e subjetivista da Igreja. Padre Cekada sustenta que a coexistência entre Missa antiga e nova dilui a coerência doutrinal, separando rito e fé, e que muitos sacerdotes seriam inválidos por causa do novo rito episcopal de 1968, tornando inválidas as Missas celebradas. Por fim, conclui defendendo que a adesão coerente à fé católica exigiria a completa rejeição ao motu proprio de Ratzinger.
_______________
Ratzinger “libera” o Missal de 62. Bem-vindos ao seu arco-íris…
“Uma marca de identidade… uma forma de encontro… particularmente adequada a eles…”. “Uma sacralidade que atrai muitas pessoas”.
— Bento XVI, sobre suas razões para instituir a Missa do Motu Proprio.
“Legítima diversidade e diferentes sensibilidades, dignas de respeito… estimuladas pelo Espírito que faz todos os carismas convergirem na unidade.”
— João Paulo II, sobre a Missa tradicional, à Fraternidade de São Pedro.
“Tudo no sistema deles é explicado por impulsos ou necessidades internas.”
— Papa São Pio X, sobre os modernistas e os sacramentos, Pascendi.
No dia 7 de julho de 2007, Bento XVI promulgou o Summorum Pontificum, seu há muito aguardado motu proprio que permite um uso mais amplo da versão de 1962 da Missa Latina tradicional. Sua iniciativa não surpreendeu ninguém. Como cardeal, Joseph Ratzinger já havia falado favoravelmente sobre a missa antiga muitas vezes.
Eis algumas disposições importantes do motu proprio e de sua carta de acompanhamento:
- A Nova Missa de Paulo VI é a expressão “ordinária” da “lei da oração” (lex orandi), enquanto a versão de João XXIII da missa antiga é a expressão “extraordinária”. Elas são “dois usos do único Rito Romano”. (Motu Proprio, §1)
- Qualquer sacerdote pode celebrar privadamente a Missa do “Bem-aventurado João XXIII”. (§2)
- Nas paróquias onde houver um grupo estável de fiéis “aderentes à precedente tradição litúrgica”, o pároco deve aceder aos seus pedidos para a celebração da Missa de 62. (§5.1)
- Tais celebrações podem ocorrer nos dias de semana, “enquanto aos domingos e festas pode haver uma dessas celebrações”. (§5.2)
- As leituras da Escritura podem ser proclamadas em língua vernácula. (§6)
- O rito antigo também pode ser usado, quando solicitado, para casamentos e funerais (§5.3), e o pároco pode permitir o uso dos ritos antigos para a administração dos demais sacramentos. (§9.1)
- O bispo diocesano pode erigir uma “paróquia pessoal” para tais celebrações. (§10)
- A Missa Nova e a antiga não são “dois ritos”, mas um duplo uso do “único e mesmo rito”. (Carta aos Bispos)
- O Missal antigo “nunca foi juridicamente ab-rogado e, consequentemente, em princípio, sempre foi permitido”.
- Os dois ritos são “mutuamente enriquecedores”.
- Novos santos e novos Prefácios do Novo Missal “podem e devem ser inseridos no antigo”.
- Não há “nenhuma contradição” entre os dois ritos.
- Sacerdotes de comunidades que aderem ao uso antigo “não podem, por uma questão de princípio, excluir a celebração segundo os novos livros”.
Então, agora que a “Missa do Motu” finalmente chegou, o que devemos pensar dela? Eis algumas considerações preliminares.
I. ASPECTOS POSITIVOS
1. Uma admissão de fracasso
Como seminarista nos anos 60, vivi a revolução litúrgica por dentro e, desde então, li comentários sobre a reforma feitos por aqueles que a dirigiram — Bugnini, Jungmann, Braga, Wagner, Patino, Botte, Vaggagini, Brandolini e muitos outros.
Naqueles dias e para esses homens, nunca houve a questão de permitir que a Missa pré-Vaticano II sobrevivesse, nem mesmo de forma restrita. O novo rito da Missa no Missal de 1970 de Paulo VI deveria tornar-se a Missa do Rito Romano, ponto final, e deveria ser um grande passo à frente para a Igreja.
Essa era a intenção do próprio Paulo VI. Em novembro de 1969, pouco antes de sua Nova Missa ser introduzida nas igrejas de todo o mundo, ele desenvolveu esse tema em duas audiências gerais:
“[A reforma litúrgica] é um passo à frente para a tradição genuína [da Igreja]. É um sinal claro de fidelidade e vitalidade. (…) Não é um modismo, um experimento passageiro ou opcional, a invenção de algum diletante. (…) Essa reforma põe fim às incertezas, discussões e abusos arbitrários. Ela nos chama de volta àquela uniformidade de ritos e atitudes que é própria da Igreja Católica.
“[O] esquema fundamental da Missa ainda é o tradicional, não apenas teologicamente, mas também espiritualmente. De fato, se o rito for realizado como deve ser, o aspecto espiritual revelar-se-á de maior riqueza.
“Não falemos então de uma ‘nova missa’, mas de uma ‘nova era’ na vida da Igreja.”
A nova era agora acabou. Durante quatro décadas de “maior riqueza”, as ordenações nos EUA caíram 72%; as matrículas nos seminários, 90%; os seminários, 66%; as irmãs docentes, 94%; as matrículas em escolas católicas, 55%; e a frequência à Missa, cerca de 60%.
Na década de 1990, uma nova geração de clérigos começou a se afastar do rito de Paulo VI e a olhar com saudade para o Missal Tridentino. Formados em seminários diocesanos comuns procuravam paramentos de estilo antigo, faziam cursos sobre as rubricas pré-Vaticano II, celebravam a Missa tradicional às escondidas e, em geral, esperavam por algo mais católico do que o que se encontrava no rito novo.
Se a Missa Nova tivesse sido um sucesso, nada disso existiria. A Missa do Motu é uma admissão de que o Novus Ordo foi um fracasso.
2. Removendo o estigma
De 1964 a 1984, a hierarquia modernista tratou aqueles que queriam a missa antiga como párias, excêntricos e trogloditas.
O Indulto de 1984 e, depois, a criação da comissão Ecclesia Dei em 1988, no entanto, removeram parte do estigma de promover a “Missa em latim”.
A Missa do Motu de Ratzinger irá “legitimar” ainda mais as práticas litúrgicas pré-Vaticano II aos olhos de muitos.
3. Uma causa de divisão no campo inimigo
Apesar das elaboradas salvaguardas que Ratzinger tentou estabelecer, a Missa do Motu inevitavelmente causará conflitos entre os adeptos do Vaticano II.
Não conheço outras partes do mundo, mas posso prever como isso se desenrolará nos subúrbios dos Estados Unidos, onde reside a maioria dos católicos do Novus Ordo. Lá, em igrejas arquitetonicamente indistinguíveis de redes de restaurantes ou agências bancárias, comitês de leigas “empoderadas” e agressivas, assalariadas ou voluntárias, juntamente com a ocasional “religiosa” liberada, ditam agora as políticas e práticas paroquiais. Elas e seus companheiros suburbanos gostam da Missa descontraída e da religião do Vaticano II exatamente como são.
Caso um pároco “neocon” (tipicamente: “Padre Bob” — final dos 30 anos, acima do peso e em sua segunda carreira) anuncie que, graças ao motu proprio, trará todo o antigo aparato litúrgico que comprou no eBay e começará a celebrar a missa antiga em latim às 10h aos domingos, uma insurreição paroquial completa — com protestos ao bispo e uma campanha midiática em grande escala — seria organizada pelo “soviete” feminino.
Multiplique isso por algumas paróquias por diocese, e poderá ver a discórdia que a Missa do Motu poderá causar entre o inimigo. Uma casa dividida não pode subsistir, e as divisões que avançam a decomposição da nova religião só podem apressar a restauração da antiga — quod Deus det! (que Deus o conceda!)
4. Sinalizadores de alerta para tradicionalistas comprometidos
A maioria dos tradicionalistas de longa data detesta qualquer alteração na Missa. Ratzinger, porém, sugere algumas mudanças que podem estar reservadas para eles em sua Missa do Motu local: novas festas de santos, novos prefácios e leituras vernáculas — se até mesmo o lecionário de Bugnini pode ser usado, isso permanece incerto.
Ótimo! Brincar assim com a Missa antiga deixará os veteranos muito inquietos, alertando-os para o jogo de Ratzinger (assim se espera) e talvez até os leve a pensar que modernistas como Ratzinger são o problema, não a solução, para os verdadeiros católicos.
5. Esfregando o nariz dos padres na Missa Nova
Desde 1988, João Paulo II e Ratzinger aprovaram um grande número de comunidades religiosas quase-tradicionalistas (Fraternidade de São Pedro, Instituto de Cristo Rei, Instituto do Bom Pastor, etc.) que estão autorizadas a usar o Missal de 62 e outros ritos pré-Vaticano II. Isso protegeu muitos clérigos que detestavam a Missa Nova de serem forçados a celebrá-la.
Não mais. Ratzinger envia-lhes um foguete: “É desnecessário dizer que, para viver a plena comunhão, os sacerdotes das comunidades aderentes ao uso antigo não podem excluir, por uma questão de princípio, a celebração segundo os novos livros. A exclusão total do novo rito não seria, de fato, coerente com o reconhecimento de seu valor e santidade.”
Novamente, ótimo! Quanto mais os sacerdotes desses institutos forem pessoalmente confrontados com o mal da Missa Nova, mais cedo perceberão as contradições irreconciliáveis de sua própria posição.
6. Uma introdução às questões reais
Embora a Missa de João XXIII autorizada por Ratzinger seja uma versão despojada da liturgia tradicional integral, ela ainda conserva o suficiente do antigo para demonstrar que, em comparação, a Missa Nova de Paulo VI representou uma religião inteiramente nova — “centrada no homem”, como um de seus criadores, o Pe. Martin Patino, orgulhosamente proclamou.
Para muitos católicos, o caminho para se tornarem tradicionalistas começou quando encontraram uma Missa latina tradicional pela primeira vez e a compararam com o rito neo-protestante celebrado em suas paróquias. Com a Missa do Motu, a possibilidade de tais encontros multiplica-se exponencialmente.
Isso, sem dúvida, levará muitas almas sinceras e reflexivas a olhar além da questão litúrgica para a questão doutrinária mais ampla — as heresias do Vaticano II e dos papas pós-conciliares — e, eventualmente, abraçar a única posição lógica para um católico fiel: o sedevacantismo.
II. ASPECTOS NEGATIVOS
1. Cooptado pelo subjetivismo modernista
Por ainda pensarem nas antigas categorias religiosas católicas, os tradicionalistas que promoveram a Missa do Motu considerarão sua aprovação uma derrota retumbante para o modernismo.
Mas, na verdade, ocorreu algo diferente: com a Missa do Motu, os modernistas agora cooptarão tradicionalistas insuspeitos para seu próprio programa subjetivista.
O Papa São Pio X condenou o modernismo porque (entre outras coisas) ele desprezava o dogma e exaltava o “sentimento religioso” do crente individual. E os pronunciamentos do Vaticano que autorizam o uso da Missa tradicional — desde o Indulto de 1984 em diante — fazem-no todos com base em categorias modernistas escorregadias e subjetivas, como “diferentes sensibilidades”, “sentimentos”, “legítima diversidade”, “fruição”, vários “carismas”, “expressões culturais”, “apego”, etc.[1]
Ratzinger agora faz soar repetidamente este tema: “apego”, “afeto”, “cultura”, “familiaridade pessoal”, “marca de identidade”, “caro a eles”, “atração”, “forma de encontro” e “sacralidade que atrai”. Tudo é reduzido ao subjetivo.
Digam o que quiserem os tradicionalistas que a promoveram. Para Ratzinger, a Missa do Motu faz deles apenas mais uma cor em seu arco-íris do Vaticano II.
2. Uma capela lateral em uma igreja ecumênica
Como já apontamos repetidamente em outros lugares, a contribuição pessoal de Joseph Ratzinger para a longa lista de erros do Vaticano II é sua heresia da “Igreja-Frankenstein”. Para ele, a Igreja é uma “comunhão” — um tipo de igreja ecumênica e mundial à qual pertencem católicos, cismáticos e hereges, cada qual possuindo “elementos” da Igreja de Cristo, seja “plenamente” ou “parcialmente”. De acordo com seu Catecismo, todos fazem parte de um único e grande e feliz “Povo de Deus”.
Sob esse teto, alguns desfrutam de corais luteranos, missas com violão, canto gregoriano, comunhão na mão, coroinhas meninas, ministros leigos da Eucaristia, liturgias “inculturadas” hindus e africanas e música mariachi. Outros (em “comunhão parcial” com Ratzinger) desfrutam de sombrios cantos ortodoxos, música rock, sacerdotisas, incensos e sinos anglicanos, cânones com a omissão das Palavras da Consagração, apelos ao altar de “aceite Jesus como seu salvador pessoal” e Credos sem o Filioque.
Portanto, não é de surpreender que Ratzinger ofereça aos tradicionalistas a Missa do Motu e, com ela, uma grande e confortável capela lateral em sua igreja ecumênica. Apenas mais uma opção…
E, de fato, o Pe. Nicola Bux, um oficial do Vaticano envolvido na redação do Motu Proprio, chamou-o exatamente disso: uma “extensão de opções”.
E, claro, há um preço a ser pago. De acordo com o motu proprio de Ratzinger e a carta de acompanhamento, o Novus Ordo — o sacrilégio ecumênico, protestante e modernista que destruiu a fé católica em todo o mundo — é a “expressão ordinária da lei da oração da Igreja Católica”. Sua Missa do Motu — a verdadeira Missa, como você pode gostar de chamá-la — é meramente “extraordinária”. O novo e o antigo são apenas dois usos do mesmo rito romano.
Se você aceita a Missa do Motu, você aceita tudo isso e se torna um membro contribuinte da Igreja Ecumênica Mundial de Ratzinger.
3. Rituais católicos, doutrinas modernistas
Por décadas, os tradicionalistas se uniram sob o grito: “O que importa é a Missa!”.
Mas, em última análise, isso é apenas um slogan. Pode-se ir para o Céu sem a Missa católica, mas não se pode ir para o Céu sem a Fé católica. Ratzinger agora te dará a Missa — mas e a fé? Aqueles que aceitarem sua oferta generosa estarão livres para condenar o Novus Ordo, os erros do Vaticano II e os falsos ensinamentos dos papas pós-conciliares?
Para descobrir isso, basta olhar para a Fraternidade de São Pedro, o Instituto de Cristo Rei e as outras organizações que já celebram a Missa antiga sob os auspícios da Comissão Ecclesia Dei do Vaticano. O máximo que seu clero ousou fazer foi oferecer a ocasional crítica polida sobre “deficiências” ou “ambiguidades” na nova religião. Eles agora são todos homens vendidos.
Sua principal preocupação agora, como a da ala da High Church anglicana, será manter os aspectos externos do catolicismo, especialmente seu culto. Mas o coração do catolicismo — a fé — se foi.
Assim, embora um padre “neocon” que ofereça uma Missa do Motu possa agora achar muito emocionante cantar as antigas coletas com sua linguagem “negativa” sobre o inferno, a retribuição divina, judeus, pagãos, hereges e afins, ele deveria se lembrar de que o Vaticano II aboliu os pressupostos doutrinários nos quais essa linguagem se baseava.[2]
Para o bom padre e sua congregação, a lex orandi que eles observam (a Missa tradicional) não tem conexão alguma com sua lex credendi oficial (a religião do Vaticano II).
Desde seu início no século XIX, o modernismo buscou criar uma religião divorciada do dogma, mas que, no entanto, satisfizesse o “sentimento religioso” do homem. É irônico que essa religião autocontraditória e livre de dogmas esteja agora plenamente realizada na Missa do Motu de Ratzinger.
4. Não-sacerdotes oferecendo missas inválidas
“Quando não houver mais padres válidos, eles permitirão a Missa em latim.”
Essa foi a previsão feita em meados da década de 1970 pelo capuchinho Pe. Carl Pulvermacher, um antigo padre tradicionalista que trabalhou com a FSSPX e foi editor da publicação norte-americana The Angelus.
Foi também profético. Em 1968, os modernistas formularam um novo Rito de Consagração Episcopal que é inválido — ele não pode criar um verdadeiro bispo.[3] Alguém que não é um bispo real, é claro, não pode ordenar um verdadeiro sacerdote, e todas as missas — latinas tradicionais ou Novus Ordo — oferecidas por um padre invalidamente ordenado são igualmente inválidas.
Assim, quase quarenta anos depois, quando, graças ao rito de consagração episcopal pós-Vaticano II, restam poucos sacerdotes validamente ordenados, o modernista Ratzinger (ele próprio invalidamente consagrado no novo rito) permite a Missa tradicional.
Como resultado do motu proprio, portanto, as Missas latinas tradicionais começarão a ser celebradas amplamente em todo o mundo: o canto e Palestrina ecoarão em igrejas magnificamente ornamentadas, paramentos de tecido de ouro reluzirão, nuvens de incenso encherão ábsides barrocas, pregadores rendados proclamarão o retorno do sagrado, clérigos de semblante solene oficiarão com tanta perfeição rubrical quanto os ritos truncados de João XXIII permitirem.
Mas a Missa do Motu será toda um show vazio. Sem bispos reais, não há padres reais; sem padres reais, não há Presença Real; sem a Presença Real, não há Deus para receber e adorar — apenas pão…
III. DIGA NÃO AO MOTU…
A longo prazo, a Missa do Motu contribuirá para o declínio constante da religião pós-conciliar e a morte eventual do Vaticano II — o “bebê-demônio” de Ratzinger, para o qual o Limbo nunca foi uma opção. Diante disso tudo, só podemos nos alegrar.
No curto prazo, porém, muitos tradicionalistas ingênuos serão atraídos para a Missa do Motu por conveniência ou pela perspectiva de “pertencer a algo maior”.
Mas os aspectos negativos de realmente assistir ao Motu são puro veneno. Eis aqui estão dois pontos-chave a lembrar:
- Na maioria dos casos, sua Missa do Motu local será inválida, porque o sacerdote que a oferece terá sido ordenado por um bispo invalidamente consagrado. Mesmo alguns frequentadores de paróquias do Indulto já evitam as Missas de sacerdotes da FSSP por essa razão.
- A Missa do Motu faz parte de uma religião falsa. Claro, você tem sua Missa em latim “aprovada” e talvez até seu Catecismo de Baltimore. Mas seus correligionários na Igreja do Vaticano II também têm a missa e o catecismo deles, todos “aprovados” também.
Ao assistir à Missa do Motu, você se torna parte de tudo isso e afirma que as diferenças entre você e as pessoas da paróquia progressista vizinha são meramente cosméticas — “legítima diversidade e diferentes sensibilidades, dignas de respeito”, como disse João Paulo II.
Mas, se como um católico fiel, você tem nojo da idéia de transigir com a heresia e se tornar mais uma cor no arco-íris litúrgico e doutrinário dos modernistas, você tem apenas uma escolha:
Diga não ao Motu!
[1] O Indulto de 1984: Católicos que são “apegados” à Missa Tridentina. Carta Ecclesia Dei de João Paulo II (1988): A Missa antiga é parte de uma “riqueza para a Igreja de uma diversidade de carismas, tradições de espiritualidade e de apostolado, que também constitui a beleza da unidade na variedade; daquela ‘harmonia’ combinada que a Igreja terrena eleva ao Céu sob o impulso do Espírito Santo. (…) Deve-se demonstrar respeito pelos sentimentos de todos aqueles que estão apegados à tradição litúrgica latina”. Discurso de João Paulo II aos beneditinos de Le Barroux (1990): A Missa tradicional é permitida porque a Igreja “respeita e promove as qualidades e os talentos das várias raças e nações. (…) Essa concessão visa a facilitar a união eclesial de pessoas que se sentem apegadas a essas formas litúrgicas”. Carta do Cardeal Mayer aos bispos dos Estados Unidos (1991): “diversidade” e respeito pelos “sentimentos”. Discurso do Cardeal Ratzinger aos tradicionalistas em Roma (1998): “Diferentes ênfases espirituais e teológicas… aquela riqueza que dizia respeito à mesma e única fé católica”. Cardeal Castrillón-Hoyos, maio de 2007: “expressão ritual apreciada por alguns… essa sensibilidade”. Ver também João Paulo II, discurso à Fraternidade de São Pedro, outubro de 1998.
[2] De fato, quando as notícias sobre o motu proprio começaram a circular, os judeus registraram protestos contra a restauração das antigas orações por sua conversão. E por que não? O Vaticano II já não lhes havia garantido a vitória?
[3] Veja os artigos “Absolutamente Nulo e Totalmente Vão”, “Por que os Novos Bispos não são Bispos de Verdade” e “Ainda Nulo e Ainda Vão”. Os reformadores mudaram completamente a forma sacramental essencial — a única frase no rito que contém o que é necessário e suficiente para consagrar um verdadeiro bispo. Nesse processo, eles removeram uma idéia essencial: o poder da Ordem sagrada que um bispo recebe. Se uma forma sacramental é alterada de tal maneira que remova uma idéia essencial, a forma torna-se inválida.
