CONTRA MASTROFINI
Padre Luan Guidoni

Toda a terra pertence a César e todos os povos devem render-lhe aquilo que lhe é de direito pela sua virtude e laudabilidade. Depois de mentirem quanto à obediência em São João 19,15 para com aquele que podia derrubar até o céu, tal como está escrito em De Bello Hispaniensi, fracassaram ao tentarem dissuadir Pilatos em São João 19,21, e tornou-se manifesto que a conspiração iniciada em São João 11,48 era verdadeiramente contra Cristo e contra César. Não tinham um intelecto superior ao Cristo, tampouco possuíam um braço mais poderoso que o cesáreo, e toda a plebe o louvou quando entrou em Jerusalém; não lhes restou outra opção senão apelar a Satanás e ao dinheiro. Judas, o messias de todos os burgueses, vendeu Cristo por trinta moedas de prata, fazendo-se assim semelhante a Brutus, o traidor, aquele que tirou a própria vida, e até nisto Judas o imitou. Aquilo que disse São Pedro sobre Iscariotes aplica-se igualmente aos inimigos de César: derramar-se-ão vossas vísceras. O que comprou Judas com aquelas moedas? Comprou a própria condenação, e os usurários serão companheiros de Judas nas profundezas do inferno quando morrerem, mas o lucro que em vida obtiveram comprará novos campos de sangue, ou, como é dito na língua deles, Haceldama.
Assim nos ensinou Nosso Senhor: Non potestis Deo servire et mamonae. A história eclesiástica nos comprova que a usura, isto é, lucrum ex mutuo pacto debitum vel exactum, jamais foi aceita pelos santos doutores. As forças do anticristo, entretanto, organizaram-se ao longo da modernidade em um verdadeiro partido usurário que almejava ver a usura absolvida pela barca de São Pedro, e não faltaram teólogos dispostos a legitimar a usura mediante mil sofismas e panegíricos avarentos. Os dois partidos, o usurário e o anti-usurário, chocaram-se com força total por ocasião da publicação da bula Vix pervenit do Papa Bento XIV em novembro de 1745. Os antecedentes da bula remontam às teses errôneas de Nicolaus Broedersen (De usuris licitis et illicitis), desenvolvidas posteriormente por Francesco Scipione Maffei (Dell’impiego del Danaro), as quais foram refutadas por dois clérigos do partido anti-usurário, o dominicano Daniele Concina (Esposizione del dogma che la Chiesa romana propone a credersi intorno l’usura colla confutazione del libro initolato Dell’impiego del danaro) e o Padre Pietro Ballerini (La dottrina della chiesa cattolica circa l’usura, dichiarata, e dimostrata contro le pretese della novella opera intitolata Dell’impiego del danaro). Longe de encerrar a controvérsia, a bula abriu novas possibilidades para o avanço do partido usurário, destacando-se nesta nova operação o Cardeal César-Guillaume de La Luzerne (Dissertations sur le prêt-de-commerce), líder dos usurários franceses. Durante todo o século XVIII até a primeira metade do século XIX, os usurários de batina lograram ocupar todos os espaços estratégicos na Igreja. Quem nos conta a obscura história da bula é o Padre Marco Mastrofini, o pontífice supremo de Mamom, no proêmio de seu Le usure, de 1831, e também nos parágrafos 474, 529 e 569 do mesmo livro.
Os estudos anti-usurários contemporâneos do Professor Murilo Resende Ferreira, aliados ao trabalho de tradução de documentos magisteriais empreendido pelo Sr. Wladimir Caetano de Sousa, abriram caminho para uma nova revisão histórica mais minuciosa sobre a questão da usura. Mas a grande revelação se deu apenas em outubro de 2025, época em que eu ainda escrevia o Gladius Christi, quando descobri as obras do Padre Marco Mastrofini, o grande arquiteto daquilo que denominei ralliement econômico e que denunciei no artigo Teoria dos Três Ralliements. Embora já dispusesse previamente do conhecimento acerca dos empréstimos concedidos pela família Rothschild ao Vaticano em 1831, bem como da confissão despudorada por parte da Enciclopédia Católica de que até a Santa Sé lucra com juros, eu só fui capaz de compreender o elo teológico que absolveu a usura dentro da Igreja após ler o Padre Mastrofini. Publiquei a Teoria dos Três Ralliements com máxima urgência para alertar a todos que o inimigo havia adentrado a muralha eclesiástica, pois eu pensava que ninguém havia sequer confrontado os livros do Padre Mastrofini. Entretanto, eis que o Sr. Wladimir encontrou em janeiro de 2026 o livro Du prêt à intérêt, ou Des causes théologiques du socialisme, do Padre Jules Morel, no qual o Padre Mastrofini é desmascarado. Depois de ler o Padre Morel, vi que eu e ele defendemos, ao menos em essência, a mesma coisa: a abolição dos juros e a extinção da usura.
Todo autor prudente sabe que as coisas mais importantes nunca são escritas. Apesar do inegável mérito que possuem, as críticas do Padre Morel parecem-me incompletas e mitigadas. Ele tratou de desmascarar o padre da usura; quanto a mim, irei mais além e o destruirei.
Comecemos pelas fontes do Padre Mastrofini em Le usure. Três são os seus mestres: Nicolaus Broedersen, Francesco Scipione Maffei e o Cardeal César-Guillaume de La Luzerne. Somam-se aos mestres os diversos autores menores que ele mobiliza para basilar seu pensamento: Paulus Castrensis; João Calvino; John Selden; Claudius Salmasius; Lodovico Bail; Onorato Leotardo; Montesquieu; Gerhard Noodt; Frei Emmanuel Maignan; Giovanni Vincenzo Bolgeni; Padre Jean-Joseph Rossignol; Padre Franz Xaver Zech; Gian Rinaldo Carli; Padre Antonio Genovesi; o bispo revolucionário Guillaume-André-Réné Baston; e o Padre Francesco Fuoco (sob o pseudônimo de Giuseppe de Welz). Do seguinte modo advoga Mastrofini pela usura: Moisés, Jesus Cristo, Apóstolos, Papas, Concílios e os Doutores não condenaram todas as usuras, mas somente as opressivas contra os pobres. A missão da obra consistia em renovar as teses de Broedersen, Maffei e La Luzerne contra os argumentos de Ballerini e Concina, e promover uma interpretação pró-usura da Vix pervenit para legitimar a nova política econômica da Santa Sé com a família Rothschild, e finalmente libertar a consciência dos católicos de qualquer escrúpulo quanto à prática da usura. O plano foi um sucesso.
A estratégia ideológica mastrofiniana caracteriza-se pela ocultação sistemática de todas as antíteses e pela exaltação triunfante de todos os partidários da usura. Ao comentar sobre Paulus Castrensis, por exemplo, Mastrofini omite deliberadamente o seu contrário, Alessandro Nievo; a mesma ocorrência se repete quando Maffei é invocado contra Ballerini e Concina. Mastrofini ri-se das teses do partido anti-usurário e as considera vencidas sem sequer expô-las tais como são. Não escaparam do ódio mastrofiniano nem mesmo a escolástica de Santo Tomás e o Liceu de Aristóteles: Mastrofini é inimigo auto-declarado da tradição. Nós, diferentemente dele, exporemos a tese adversária tal como está escrita no italiano original de 1831.
Logo no §6 de Le usure, Mastrofini nos diz que somente as usuras opressivas são proibidas, e não as outras: “le usure proibite son le relativamente opprimerti o lesive, e non le altre”. Depois de argumentar que não há nada na lei de Moisés que condene as usuras, exceto aquelas que vão contra os pobres, Mastrofini clama pelo Talmude como autoridade econômica no §48: “E tal fu pure la sentenza che se ne avea tra gli ebrei, consideratori della legge. In guisa che Seldeno nell’opera sua latina sul diritto naturale e delle genti secondo la disciplina degli ebrei scrive: ‘Dond’è manifesto che i Tasmudisti pensano non esservi nel dritto naturale ossia obligativo per tutti cosa alcuna la quale oppongasi al dar su le usure; nè con tal semplice atto comettersi un furto’”. Não satisfeito com o escândalo de citar o De jure naturali et gentium juxta disciplinam ebraeorum de John Selden, Mastrofini coloca-se em plena comunhão com o ensinamento talmúdico, pois a tese por ele defendida é a mesma que encontramos nos livros judaicos. Antes de prosseguirmos com as mentiras inventadas por Mastrofini, lembro-te de que a questão talmúdica tornou-se irremediável após Leão X e Daniel Bomberg. Mais adiante, no §61, Mastrofini reivindica o De locis theologicis do dominicano Melchior Cano: “Ben potrebbe la chiesa ripristinare alcun precetto positivo del vecchio testamento: questo per altro in tal caso ci obligherebbe non per l’antico essere suo ma per l’autorità della chiesa la quale lo riproduce. E se questo precetto o legge si chiamasse divina; piglierebbe tal nome per ciò che fu, non perchè ora sia cosa a noi comandata da Dio, come già fu notato dal dotto Melchior Cano nella tanto nota sua trattazione dei luoghi teologici”.
O que temos até aqui? Ora, Le usure foi publicado no mesmo ano em que Gregório XVI contraiu empréstimos junto à família Rothschild, os guardiões do tesouro papal segundo a Enciclopédia Judaica. Mastrofini exalta a lei mosaica e a tradição talmúdica, e defende a restauração de preceitos veterotestamentários pela Igreja. Tenho o dom de ver o invisível no visível, um talento que Deus concede a poucos, mas creio que até o pior dos cegos consegue enxergar o significado de toda essa cabala. O óbvio não requer explicação.
Ao passar à interpretação dos Evangelhos, Mastrofini distorce as parábolas de Jesus Cristo dizendo que elas não se referem ao dinheiro, e concluindo daí que Cristo não condenou a usura. Escreve Mastrofini no §81: “Il subjetto che dichiariamo c’induce a considerare che desumendosi le parabole da cose notissime per facilitare l’intelligenza di ciò che si vuole insegnare; dovrem concludere che notissimo era in Gerusalemme l’uso de’ banchi ad usura. E ciò confermasi appunto coll’essere fra gli ebrei permesse le usure coi loro nazionali non poveri, e coi forastieri”. É um anticristo.
E sobre os Apóstolos de Jesus Cristo? Diz Mastrofini no §102 que nenhum deles condenou a usura: “Fu veduto che se que’ primi ricevitori e depositari della original tradizione evangelica furono in attual bisogno di scrivere una sentenza o massima da noi supposta tradizionale e non la scrissero; questa non dee riguardarsi veramente come tradizionale. Ma se intorno le usure vi era la tradizione che dicono la qual tutte condannale indistintamente come un peccato; Pavolo sarebbesi trovato non una ma più e più volte, e direi continuamente in preciso e stretto, incalzante, manifesto bisogno di scrivere quella sentenza: eppur in tante sue lettere mai non la scrisse. Questa dunque non dee riguardarsi come spettante all’evangelica tradizione nella origine sua: cioè pari tradizione originale condannatrice, non scritta o da scrivere, non vi è stata mai”.
Por fim, no §110, depois de ter confrontado o Evangelho de São Mateus com o de São Lucas, Mastrofini conclui que nenhum apóstolo ou concílio condenou indistintamente todas as usuras: “Concludiamo. Non si ebbe original tradizione proibitiva di tutte le usure senza eccezione, e però non si pote scrivere, nè fu scritta dai divini scrittori, nè so pensare di poterla mai più rinvenire nella perennità successiva ed universale delle tradizioni”. Sem maiores disfarces, Mastrofini revelou-se um verdadeiro calvinista em matéria econômica ao sustentar a mesma tese do heresiarca francês no §124: “Il Concilio di Trento era adunato a frenar la licenza degli insegnamenti de’ novatori, e Calvino l’uno de’ capi della Riforma insegnava che non tutte le usure moderate sono malvagie ma le sole contro de’ poveri: nò quell’ insegnamento fu represso, o proscritto sebene in quei giorni si ampliava”. A concordância entre a doutrina talmúdica, a calvinista e a mastrofiniana é pública e notória.
A intervenção de Jean Gerson durante o Concílio de Constança não passou despercebida a Mastrofini, e ele reafirma no §126 que nem toda usura é condenada: “Per tali e tanti riscontri vedesi, o riman confermato amplissimamente che mai, fin dalle origini del cristianesìmo, non si ebbe, e non si ha tradizione evangelica alcuna scritta o non scritta, proibitiva di tutte le usure senza distinzione”. E continua no §141: “Ricapitolando quanto si è detto finora troviamo che nel vecchio testamento erano proibite agli ebrei tutte le usure co’ poveri, ebrei o no, massimamente con gli ebrei poveri coabitanti una patria co’ prestatori, ma che non erano proibite verso dei non poveri, ebrei, o forastieri, quando non fossevi eccesso nè frodolenza. Troviamo che quand’anche fossero proibite a noi cristiani tutte le usure, la forza obbligativa a non praticarle non verrebbeci mai dalla legge Mosaica, ma dalle legge nuova la quale ne confermasse la proibizione, o dalla naturale per sestessa, o come prescritta ancora dalla legge nuova”. E no §145 escreve o seguinte absurdo: “Nondimeno abbiamo verificato pur col fatto che non vi è questa universal proibizione indistintamente, mancando ne’ generali Concilii; e scontrandosi ne’ Padri e dottori della Chiesa fino al secolo XIII. de’ fatti luminosi di usure, descritteci non come proibite, ma come praticate, e comuni, e non ingiuste, nè riprovate verso de’ ricchi. Dopo ciò come si potrebbe mai più provare una tradizione proibitiva di ogni usura? Già non vi è tradizione evangelica di nome vero se non è universale, perenne, costante”.
Para Mastrofini, nem Moisés, nem Jesus Cristo, nem os Apóstolos, nem os Papas, nem os Concílios e nem os Doutores da Igreja teriam condenado todas as usuras, mas somente as opressivas contra os pobres. Quem diz que todas as usuras são más é a teologia do século XIII segundo Mastrofini, o que significa que a escolástica e as ordens mendicantes são as grandes culpadas por adulterarem a doutrina acerca das usuras. São Francisco de Assis seria condenado se levássemos a teologia mastrofiniana até às últimas consequências.
E quanto aos veneráveis filósofos da antiguidade que defendiam que a usura é contra natura? Estes não escaparam à censura de Mastrofini. O padre usurário ataca Aristóteles no §323: “E qui ci piace di aggiungere in fine che da Aristotile in poi si è detto e ridetto per alcuni con noja de’savj che l’uso del danaro non è valutabile in prezzo alcuno, perchè il danaro non è fecondo da sestesso, ma per l’industria altrui, e quindi che ingiustissimo è chiedere alcun prezzo”. E ainda afirma no mesmo parágrafo: “È visibile che questa difficoltà nacque, e si replicò senza cagione”. Os devaneios modernos de Mastrofini contra o mundo tradicional atingem seu cume no §378: “E qui nemmnen penso di ricordare che altri fan susurro contro le usure senz’ alcun limite co’ detti di Platone, di Aristotile, di Seneca, o di tal altro, illustre per antichità non meno. Imperocché di là intendesi che questi han detto ciò che ne dissero, e non già che quel parlare necessiti il vero a star con essi. Qualunque cosa ne abbiano scritto non farà questa mai venir meno i naturali diritti dell’uomo e delle genti. E li presenti se udiranno quel loro filosofare ne rideranno su chi lo ripete, come ne riderebbero se di que’ fonti non poco antiamericani ci si volesser oggi dar precetti in su lo avere e lo apparecchiare la cocciniglia ed il cioccolatte. Altri tempi, altri usi, altro spettacolo! Altra quantità, altri bisogni di numerario e di traffico nel movimento attuale de’ popoli verso l’industria. E finalmente altra temperanza nella ricerca de’ frutti su l’uso delle monete. E se que’ genj sovrani dell’ antico sapere fossero stati differiti all’età nostra, il linguaggio ne prenderebbero che vi si parla: come pure in tutte le scienze i lumi ne vorrebbero in che ora sono, e non la scarsezza in che ce le tramandarono”.
Ó Platão, e tu também, Aristóteles, e Sêneca do mesmo modo, que desgraça foi para vós nascer antes do advento da luz do mundo, o grande Mastrofini! Se tivésseis recebido a graça de com ele estudar sobre o comércio e o dinheiro, certamente vós também seríeis usurários como ele.
A teoria histórica mastrofiniana encontra-se compactada entre os §§533 e 548. Como já dissemos, Mastrofini ensina que as usuras sempre foram aceitas na cristandade até o século XIII, época em que os escolásticos condenaram todas as usuras por culpa dos inúmeros abusos cometidos pelos usurários, ou, nas palavras de Mastrofini no §541: “Le usure dunque male intese, e peggio esercitate, e da ceti forastieri, ebrei per gran parte”. O erro, por consequência, foi daqueles escolásticos que condenaram todas as usuras ao invés de condenarem somente aquelas que vão contra a caridade. Este é o grande engano que quer nos fazer crer Mastrofini: a existência de uma usura caridosa.
Em relação aos papas, em especial os medievais, diz Mastrofini que não há discordância entre eles e as usuras, ou como ele escreveu no §624: “Fu detto che non è facile concordare gli oracoli de’ sommi Pontefici intorno le usure: e che di qui vien l’ostacolo più grande a dar libera e final conclusione. Io riguardo pur questa come una delle tante enunziazioni alle quali l’amor di partito, e l’odio pe’ soprastanti fan plauso, ma non la ingenua e vereconda scienza nelle placide e lente sue considerazioni”. E ainda no §644: “Or queste distinzioni, considerazioni, e fatti sono di tal condizione da vederne e poterne difendere pienissima la concordia de’sommi Pontefici su l’argomento delle usure lecite, o non lecite, proibite o non proibite”. E depois de dizer todas essas coisas, Mastrofini louva a Vix pervenit de Bento XIV como a grande restauradora da doutrina tradicional da Igreja, a qual ensinava, segundo a historiografia mastrofiniana, que somente as usuras opressivas são proibidas, e não as outras, “e non le altre”.
O mundo havia mudado profundamente desde aquele novembro de 1745, quando apareceu a Vix pervenit, até a publicação do livro do Padre Mastrofini em 1831. O partido anti-usurário era minoritário e a maioria do clero já havia aderido ao liberalismo. Mastrofini aproveitou-se da falta de oponentes e proclamou vitória dentro de um coliseu vazio, e todos lhe aplaudiram. A voz da Igreja era a voz de Mastrofini. Assim como a Vix pervenit de Bento XIV preparou o caminho para o ralliement econômico de Gregório XVI, do mesmo modo a Concordata de 1801 entre Pio VII e Napoleão preparou as vias do ralliement político de Leão XIII. Não deixa de ser significativo para nós, mestres da arte histórica, observar a presença de Marco Mastrofini ao lado de Pio VII e Gregório XVI, e também nos intriga essa tão profunda intimidade com que ele se refere a Pio VII nos §§4 e 5 do proêmio de sua obra. Era natural que o Vaticano se convertesse em morada de banqueiros: a família Pacelli não perdeu a oportunidade. A usurocracia, a sociedade industrial e o reino do anticristo devem tributo a Le usure.
Essas convulsões econômicas desencadeadas pela burguesia na modernidade devem ser entendidas em sua totalidade. Expusemos apenas uma parte do problema, ou seja, a atuação de Marco Mastrofini, mas muito mais poder-se-ia dizer de seus antecessores e sucessores, e não há razão para o leitor alarmar-se pelo fato de não continuarmos a exposição mais detalhadamente, a não ser que a primeira frase do quarto parágrafo já tenha se esvaído de sua inteligência.
O único do qual temos notícia de que se opôs a Mastrofini foi o Padre Jules Morel, e o único, ao que tudo indica, que revelou a questão do ralliement econômico de 1831, ao menos dentro de uma visão católica e tradicionalista radical, sou eu. Cremos que mais juntar-se-ão a nós, mas não por ora. Outros dedicaram-se ao combate contra a usurocracia, cada qual segundo o próprio juízo, e eles também merecem a atenção do novo partido anti-usurário nascente: Friedrich List; Werner Sombart; Padre Denis Fahey; Padre Charles Coughlin; Giacinto Auriti; Jean Lombard; Stephen Goodson; E. Michael Jones e Michael A. Hoffman II.
Jesus Cristo respondeu a Satanás três vezes antes de expulsá-lo; Jesus Cristo primeiro expulsou os vendilhões e somente depois argumentou contra eles. Tu que se diz seguidor do Cristo, respondei-me: que ensinamento tiramos disto? Vá e medite nos Evangelhos e depois responda minha pergunta não a mim, mas a ti mesmo. Na maioria das vezes, o muito filosofar é uma santa perda de tempo.
Prossigamos ao ato concreto. Três tipos estão no meio de nós: (I) os ignorantes que nada sabem dessas coisas; (II) os hipócritas que atacam a usura fora da Igreja, mas não dentro dela, ou, como vemos muitas vezes, aqueles que atacam os banqueiros internacionais enquanto se calam quanto à influência dos Rothschilds dentro do Vaticano antes mesmo do Concílio Vaticano II; (III) e aqueles que são verdadeiramente agentes da usura. Quanto a ti, que não é ignorante, tampouco hipócrita e nem agente, prossiga do seguinte modo: (I) rejeite a usura e a usurocracia; (II) ressuscite a memória dos membros do partido anti-usurário; (III) identifique e exponha os agentes do partido usurário; (IV) espalhe a palavra e liberte seus irmãos; (V) organize-se e ajude os outros; (VI) e o resto te será revelado pelo Espírito.
Eles, os usurários, arrancaram o ouro e a prata do povo, dos nobres e do clero, mas quanto a nós, basta-nos a fé, e se algum dia eles vierem oferecendo dinheiro para te corromper, responda-lhes em face: pecunia tua tecum sit in perditionem.
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Padre Luan Guidoni
30 de Abril de 2026
