FRATERNIDADE SACERDOTAL DE SÃO PEDRO: ALGUNS PROBLEMAS RELEVANTES
Padre Anthony Cekada (†2020)
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: Um padre tradicionalista expressa inquietação com a atuação da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP) e pede argumentos para alertar seus fiéis sobre o grupo. Em resposta, Padre Cekada afirma que apoiar a FSSP acarreta sérios problemas doutrinários e morais, pois a entidade aceita as reformas do Vaticano II e compra sua aprovação oficial com o silêncio perante os erros conciliares. Conclui que o grupo reduz a fé e a liturgia tradicional a uma mera preferência sentimental, integrando gradualmente os leigos à estrutura religiosa ecumênica pós-conciliar.
_______________

Pergunta: Recentemente, a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro começou a atuar perto de onde celebro semanalmente a missa tridentina. Os sacerdotes da Fraternidade dizem às pessoas que elas não devem receber os sacramentos em meu centro de missa porque não tenho jurisdição concedida pelo bispo local — o qual é, naturalmente, um completo modernista. Deixando de lado as críticas que a Fraternidade faz a mim, sua atuação deixa-me muito inquieto. Suspeito que eu deva dizer ao meus fiéis para manterem distância, mas não consigo formular com clareza as razões explicativas. Não sou sedevacantista. O senhor teria alguma reflexão sobre os problemas relacionados à Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, independentemente da questão do papa?
Resposta: À parte da questão da legitimidade de João Paulo II, trabalhar com a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP) ou apoiá-la levanta uma série de problemas eclesiológicos, doutrinários e morais. Quer um apoiador da FSSP admita ou não, ele aceita implicitamente a ortodoxia, a legitimidade e/ou a bondade intrínseca do Novus Ordo, do ecumenismo, da liberdade religiosa, da comunhão na mão, das danças litúrgicas, das meninas como servidoras do altar, das anulações matrimoniais manifestamente fraudulentas, do novo catecismo, da submissão a bispos hereges, da intercomunhão legalmente sancionada com os cismáticos orientais etc., etc.
Os sacerdotes da FSSP não podem condenar nenhuma dessas coisas; os membros da Fraternidade compram a “aprovação oficial” com a moeda do seu silêncio. Tampouco, logicamente falando, a FSSP poderia condenar tais coisas — pois, enquanto sua organização desfruta de aprovação oficial em sua capela lateral da Igreja Conciliar, João Paulo está no altar principal com os dançarinos na Missa do Sínodo Africano; numa outra capela, uma mulher oficialmente autorizada está distribuindo hóstias nas mãos das pessoas da forma oficialmente autorizada; e, em outra ainda, alguém está celebrando missas infantis segundo o diretório para missas com crianças oficialmente aprovado.
A missa tradicional e a fé tradicional ficam assim reduzidas a nada mais que um prato entre os muitos oficialmente aprovados no bufê pós-Vaticano II. O culto e a crença tornam-se nada mais que uma questão de “preferência” — eu gosto do modo antigo, você gosta do novo, e somos todos uma grande e feliz família pós-Vaticano II.
Os leigos, por vezes, ignoram esse quadro mais amplo. Vêem uma missa tradicional e presumem que está tudo bem. Não está. Na realidade, a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro está conduzindo pouco a pouco seus adeptos leigos para a ala saudosista e de estilo high-church da religião ecumênica pós-Vaticano II.
Tal objetivo, sem dúvida, pode estar muito longe das intenções dos sacerdotes e seminaristas da FSSP. Mas é difícil discernir que razão poderiam apresentar para aderir à missa antiga, além de uma “preferência” puramente sentimental. Todos os membros da FSSP devem aceitar a legitimidade e a “retidão doutrinária” do Novus Ordo. Por que se abster de celebrar um rito de missa válido, lícito e doutrinariamente seguro, se o próprio papa o celebra? Seria interessante ouvir a FSSP explicar a teoria por trás de sua prática.
Sacerdotium 14, primavera de 1995
