PRECEITO DOMINICAL: COMO TRANQUILIZAR OS RECÉM-CHEGADOS
Padre Anthony Cekada (†2020)
Fonte: https://traditionalmass.org/articles/pastoralia/sunday-obligation-how-to-reassure-newcomers/
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: Padre Cekada orienta como tranquilizar fiéis receosos de não cumprir o preceito dominical ao frequentarem a missa tridentina em capelas não aprovadas pelas dioceses da Igreja conciliar. Ele refuta as alegações do clero modernista com base no próprio Código de Direito Canônico de 1983 e no dever primário do fiel de salvaguardar a própria fé longe de um rito pernicioso. Traçando um paralelo com a resistência católica na Inglaterra do século XVI, conclui que o fiel tem a obrigação moral de recorrer a sacerdotes fiéis para obter doutrina e sacramentos verdadeiramente católicos.
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Pergunta: Preocupa-me a possibilidade de perder potenciais convertidos vindos do Novus Ordo por causa da questão do “preceito dominical”. Alguém fica revoltado contra o Novus Ordo e começa a frequentar a minha missa. Então algum padre da nova geração lhe diz que ele “não está cumprindo o preceito dominical” — como se os adeptos do Vaticano II ainda acreditassem nisso. O potencial convertido começa a se preocupar. O senhor tem alguma sugestão sobre como tranquilizar essas pessoas?
Resposta: Se o seu convertido já chegou à firme conclusão de que o Novus Ordo é irreverente e não católico, você poderia abordar o assunto mais ou menos nos seguintes termos:
O clero modernista por vezes afirma que assistir a uma missa tridentina em uma igreja não aprovada pela diocese não satisfaz o preceito dominical ou constitui pecado.
Implícita em tal afirmação está a noção de que um católico seria de algum modo “obrigado” a assistir à Missa Nova. Isso está totalmente errado. Sua primeira obrigação é honrar a Deus e salvar sua alma. Ninguém pode legitimamente obrigá-lo a assistir a uma missa que, ao mesmo tempo, desonra a Deus por sua irreverência e põe em risco sua salvação ao minar a fé católica.
Quanto ao “pecado”, se você já frequentou a Missa Nova durante algum tempo, provavelmente percebeu que o clero modernista praticamente conseguiu abolir a própria idéia de pecado. Se assistir à Missa tridentina é um “pecado”, provavelmente é o único pecado em que o clero pós-Vaticano II ainda acredita.
Ironicamente, as declarações do clero modernista sobre o preceito dominical são contraditas pelo próprio Código de Direito Canônico liberalizado por eles. O Código de 1983 estabelece que o preceito dominical “é satisfeito pela participação em uma Missa celebrada em qualquer rito católico” (Cânon 1248, §1). Uma Missa que a Igreja celebrou durante séculos, obviamente, não tem dificuldade alguma em se qualificar como um rito católico.
Nossa situação hoje assemelha-se à dos católicos na Inglaterra do século XVI. Naquela época, quase todos os bispos e sacerdotes haviam adotado novas doutrinas — o protestantismo — e tentavam impor aos fiéis uma nova missa herética. Os católicos ignoraram as leis e declarações dos inovadores que lhes ordenavam cumprir o preceito dominical no que era, de fato, um culto não católico. Em vez disso, os bons católicos procuravam sacerdotes fiéis que lhes oferecessem uma verdadeira missa católica e uma sólida doutrina católica.
Assim também ocorre em nossos dias. Nossas igrejas e catedrais estão ocupadas por um clero que promove uma falsa doutrina e uma forma não católica de culto. Tal como os católicos na Inglaterra do século XVI, não temos obrigação de seguir as ordens de um clero que desertou publicamente da fé. Entretanto, uma vez que, sob a lei divina, temos tanto o direito quanto a obrigação da sã doutrina e do culto puro, podemos e devemos procurar sacerdotes católicos fiéis que nos proporcionem aquilo de que necessitamos para salvar nossas almas.
Sacerdotium 14, primavera de 1994
