POR QUE BONS PADRES DEIXAM MÁS IMPRESSÕES?
Padre Anthony Cekada (†2020)
Fonte: https://traditionalmass.org/articles/pastoralia/why-do-good-priests-leave-bad-impressions/
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: Padre Cekada ilustra, por meio de um cenário hipotético e irônico, a experiência hostil e desorientadora que afasta famílias católicas em sua primeira visita a uma capela tradicionalista. Diante dessas falhas recorrentes de comunicação e acolhimento, ele apresenta um guia prático voltado aos sacerdotes para corrigir a desorganização interna e a rigidez pastoral. Por fim, defende que a perseverança dos recém-chegados depende menos da dialética e muito mais da caridade, do bom senso e da hospitalidade sincera de toda a comunidade.
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Que tipo de impressão nós, padres tradicionalistas, permitimos que as pessoas tenham quando comparecem pela primeira vez a um de nossos centros de Missa? Esses recém-chegados sentem-se incentivados a voltar? Para ajudar a responder a essa pergunta, vamos criar uma pequeno cenário.
Imagine que você seja um jovem leigo católico, casado e com dois filhos pequenos. Você está indignado com o que vem acontecendo na paróquia local, a paróquia de São Teilhard. Quase tudo por lá contradiz aquilo que você sabe ser a doutrina católica. As práticas litúrgicas vão do confuso e insípido ao selvagem e circense. Você já está farto.
Então vê um anúncio da Missa Tridentina. O bispo da diocese denunciou os adeptos da Missa Tridentina como rebeldes e não-católicos. Mas (pensa você) o bispo não reconheceria um católico de verdade nem se um deles lhe mordesse o nariz.
Você acorda cedo no domingo — o centro de Missa fica a meia hora de distância —, acomoda no carro sua esposa um tanto cética, seu inquieto filho de seis anos e o bebê agitado, e põe-se a caminho.
Você entra meio perdido na capela e se senta nos últimos bancos. Um senhor de semblante sisudo surge com uma pequena mantilha de renda, empurra-a para sua esposa e diz: “Tome!”.
A Missa estava marcada para as 9h00. Começa com quinze minutos de atraso. Ao que parece, o padre estava terminando de ouvir confissões.
A Missa começa. Você fica impressionado com a reverência silenciosa do rito, mas não consegue entender o que está acontecendo.
O padre sobe ao púlpito. Segue-se uma longa série de avisos. O padre lê uma declaração extensa e difícil de acompanhar sobre quem está proibido de receber a Comunhão — algo sobre batismos duvidosos, casamentos inválidos e o Novus Ordo (seja lá o que for isso).
Ele faz então um sermão repreendendo duramente os “pais liberais” por não matricularem os filhos na escola dele, e passa uma bronca geral em todo mundo por não darem apoio financeiro suficiente à escola. Que sermão!
Ao menos você pensou que aquilo fosse o sermão. Em seguida, vêm a Epístola e o Evangelho em inglês. Depois disso, o padre lança-se numa denúncia de 25 minutos contra o Novus Ordo (olha aquela expressão esquisita de novo!) e contra o papa (eu achava que ele fosse um sujeito do bem!), repleta de murros no púlpito e ameaças terríveis de que qualquer um associado a qualquer uma dessas coisas provavelmente irá direto para o inferno.
No meio de tudo isso, o padre pára de repente e lança em sua direção um olhar fulminante. Ao que parece, seu bebê agitado estava fazendo barulho. Envergonhada, sua esposa manda a criança ficar quieta.
Finalmente, o padre encerra seus 45 minutos de púlpito e retorna ao altar. Você fica impressionado com o andamento da Missa — isto é, até a hora da Comunhão.
Você comunga, mas o padre se detém diante de sua esposa. “A senhora está vestida de maneira imprópria”, dispara ele secamente, “e não lhe darei a Comunhão”.
Isso deixa você perplexo. Ela está usando calças largas e uma blusa de gola alta, porém sem mangas — perto do modo como as mulheres se vestem lá em São Teilhard, sua esposa está vestida como a rainha Vitória.
Ela se afasta constrangida da balaustrada de comunhão.
Quando finalmente o padre deixa o altar, já são 10h40 — uma hora e quarenta minutos depois do horário marcado para o início da missa. (Mais tarde, você descobre que aquela fôra apenas uma missa rezada — e fica se perguntando quanto levaria aquela de nome tão ameaçador, a missa solene.)
Você sai na esperança de encontrar o padre e tirar algumas dúvidas. “É uma pena”, diz o recepcionista, “o padre já saiu para celebrar missa em outro lugar”.
Você procura alguma coisa que explique o que acaba de acontecer. No porta-folhetos, tudo o que encontra são dois livretos velhos de novena.
A maioria das pessoas o ignora — mas não todas. Uma senhora gruda em você. Após breves palavras, ela o adverte de que o padre é, na verdade, um monstro. Junta-se a ela outra mulher, que procura ser muito prestativa ao explicar a situação da Igreja após o Concílio Vaticano II. Algo sobre discos voadores e como o papa é, na verdade, um robô controlado por um computador em Bruxelas chamado “666”. Ela descobriu isso, confidencia-lhe, quando foi mantida em cativeiro por David Rockefeller nos calabouços do banco Chase Manhattan.
“Por falar nisso”, diz você com um sorriso amarelo, enquanto você e sua esposa vão se esquivando de lado em direção à porta, “está na hora de chase… quero dizer, de corrermos para o café da manhã”.
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Seria bom poder dizer que inventei os horrores acima apenas para ilustrar meu argumento. Infelizmente, em diferentes momentos de minha vida sacerdotal, ou eu mesmo os cometi, ou permiti que acontecessem nos centros de Missa em que exerci meu ministério — embora, misericordiosamente (assim espero!), não todos no mesmo dia.
Nós, padres que celebramos a Missa Tridentina, muitas vezes exercemos nosso ministério sem pensar muito nos “não convertidos” — os leigos católicos que estão profundamente insatisfeitos com a nova religião, mas que ainda procuram descobrir o que devem fazer na prática. Essas almas talvez ouçam falar de uma Missa Tridentina em sua região e decidam conhecê-la. Elas provavelmente sabem que o establishment conciliar nos considera rebeldes. Para elas, atravessar a porta de uma capela tradicional numa manhã de domingo constitui um passo importante. Quando o fazem, talvez seja nossa única chance de convencê-las. Se esses recém-chegados tiverem uma má impressão logo na primeira vez — de que somos isolados, esquisitos, uma panelinha etc. —, é provável que, salvo algum milagre extraordinário da graça divina, nunca mais os vejamos. Como poderíamos melhorar essa primeira impressão?
Como primeiro passo, os padres tradicionalistas deveriam contemplar o que acontece em suas capelas da perspectiva de alguém que comparece pela primeira vez à Missa Tridentina.
Em nosso cenário hipotético, seria provável que aquele desafortunado pai de dois filhos voltasse? Dificilmente. Embora, de início, estivesse bem-disposto para com a fé católica tradicional e tivesse feito o que considerava um sacrifício considerável para investigar a questão, quase tudo o que encontrou contribuiu para impedi-lo de seguir adiante. Os leigos que encontra são rudes ou esquisitos. Ele não recebeu informação alguma sobre o que está acontecendo. Regras estranhas, formuladas com termos que ele desconhece, são anunciadas. Tudo parece mal organizado. Os avisos e o sermão são arengas intermináveis. O padre humilha sua esposa e seus filhos. E a coisa toda parece não acabar nunca. Em suma, tudo funciona como uma gigantesca seta apontando o pobre leigo e sua família de volta para a paróquia de São Teilhard.
Essas dificuldades pontuais representam falhas de comunicação, de boas maneiras, de bom senso e de caridade. O padre encarregado de um centro de Missa deixa de fornecer as informações adequadas a um potencial “convertido” ou permite que ele seja tratado como um leproso quando aparece.
Eis algumas sugestões práticas para evitar esse problema.
1. Instrua os recepcionistas sobre como tratar os recém-chegados com educação e consideração. O primeiro católico tradicionalista que o recém-chegado encontrará talvez seja um recepcionista. Certifique-se de que este saiba que deve ser prestativo, educado e diplomático com os que chegam pela primeira vez. Ele não deve ficar parado sem fazer nada, como um índio de tabacaria. Tampouco, por outro lado, deve agir como um vigia da Grenzschutz patrulhando a “Faixa da Morte”.
Quando chegarem visitantes, o recepcionista deve entregar-lhes folhetos com o Ordinário da Missa e oferecer véus às senhoras. Deve conduzi-los a lugares onde não se sintam excessivamente expostos. (Imagine comparecer pela primeira vez à Missa Tridentina e acabar no primeiro banco durante uma missa solene. Até mesmo algumas pessoas que estão conosco há anos não conseguem descobrir quando devem ficar de pé, sentar-se ou ajoelhar-se.)
Se uma senhora chegar vestida de maneira imprópria, o recepcionista deve saber como lidar diplomaticamente com a situação. Em casos limítrofes, você pode orientá-lo a conduzir discretamente os recém-chegados para o coro ou para a sala das crianças.
Após a Missa, o recepcionista deve ficar atento aos visitantes e encaminhá-los à área de convivência.
2. Comece pontualmente a missa dominical. Uma característica da vida paroquial normal é o padre sair da sacristia na hora marcada. Uma missa marcada para as 8h45 deve começar às 8h45. Antes do Vaticano II, algumas paróquias possuíam até mesmo campainhas mecânicas na sacristia, que tocavam automaticamente no horário em que as cerimônias deveriam começar.
Embora circunstâncias alheias à sua vontade possam ocasionalmente obrigá-lo a começar a missa com algum atraso — um voo atrasado, a ausência dos coroinhas etc. —, não faça disso um hábito. Iniciar a missa dominical no horário marcado é um ato de consideração para com os fiéis que chegaram pontualmente e um bom exemplo para aqueles que tendem a se atrasar. Um atraso excessivo deixará no visitante a impressão de que você é desorganizado.
3. Evite avisos intermináveis no púlpito. Eles prolongam desnecessariamente a duração da missa dominical. Avisos não devem transformar-se em mini-sermões; portanto, limite-se a algumas breves observações sobre um ou dois eventos de particular importância e, em seguida, remeta as pessoas ao boletim impresso. Se nada verdadeiramente significativo estiver previsto para a semana seguinte, não se dê ao trabalho de fazer avisos, exceto aquele dirigido aos visitantes. (Veja abaixo.)
4. Forneça aos visitantes de primeira viagem um folheto com as normas referentes à Comunhão e ao modo de vestir. Em vez de ler durante os avisos uma lista complexa de normas sobre a recepção da Comunhão e o modo de vestir, prepare um folheto simples e redigido em termos corteses, contendo todas as informações necessárias. Deixe alguns exemplares nos bancos e peça aos recém-chegados que o leiam.
5. Se você ocasionalmente envia correspondência paroquial, disponibilize fichas para visitantes nos bancos. Algumas pessoas que comparecem pela primeira vez talvez não estejam dispostas a inscrever-se imediatamente como membros, mas gostariam de receber maiores informações. Considere disponibilizar uma ficha de visitante na qual possam fornecer o nome e o endereço sem que isso implique filiação à igreja. Inclua na ficha um campo que possam assinalar caso desejem receber mais informações e outro caso desejem marcar uma conversa com o padre. Coloque-as na lista de correspondência da igreja, para que sejam mantidas informadas sobre as diversas atividades da comunidade. Se não retornarem de imediato, uma correspondência paroquial futura talvez as faça reconsiderar.
6. Ofereça gratuitamente aos recém-chegados um kit informativo. Ele deve incluir um folheto curto e simples sobre as diferenças entre a Missa Tridentina e a Missa Nova e, se possível, outro folheto sobre os efeitos do Vaticano II. Outros materiais também podem ser acrescentados: um guia para o uso do Missal, um livreto com o Ordinário da Missa, um folheto explicando como rezar o Rosário, um terço simples, um formulário para exame de consciência, santinhos e diversos folhetos devocionais.
7. Mantenha à disposição uma seleção de boas leituras católicas. O ideal é que toda capela tradicional, mesmo pequena, deveria ter alguma espécie de bancada com livros e artigos religiosos. Deve-se manter disponível uma seleção de obras clássicas sobre a vida espiritual, a história da Igreja e a doutrina católica, bem como missais em língua vernácula, manuais de devoção e objetos religiosos. Obras mais extensas sobre a crise posterior ao Vaticano II e a Missa Nova, bem como vários periódicos católicos tradicionalistas, devem ser expostas em lugar de destaque, para que o recém-chegado possa instruir-se sobre essas questões.
Não se esqueça de verificar periodicamente a bancada, a fim de se certificar de que ninguém tenha colocado ali alguma literatura inconveniente, que os potenciais convertidos considerariam esquisita. (Pode ocorrer que a senhora dos discos voadores tenha escrito um folheto sobre sua visita ao Chase Manhattan.)
8. Faça todos os domingos um anúncio padrão de boas-vindas aos recém-chegados. Essa idéia talvez pareça um pouco piegas. Mas lembre-se de que a Missa Tridentina constitui um mundo inteiramente diferente daquele que o recém-chegado costuma vivenciar aos domingos. Você deve procurar fazê-lo sentir-se um pouco em casa.
Meu anúncio habitual é mais ou menos assim:
“Se esta é sua primeira vez na igreja de São __________, damos-lhe as boas-vindas à Missa Tridentina. Nos bancos, você encontrará um folheto explicando nossas normas para a recepção da Comunhão. Por favor, reserve alguns instantes para lê-lo antes de receber a Sagrada Comunhão. Também há nos bancos uma ficha de visitante. Se desejar, você poderá usá-la para nos fornecer seu nome e endereço, a fim de que o incluamos em nossa lista de correspondência. Enviamos periodicamente uma carta para manter as pessoas informadas sobre as atividades de nossa igreja. Há também campos que você poderá assinalar caso deseje receber mais informações ou agendar uma conversa com um padre. Se, contudo, desejar registrar-se formalmente como membro da igreja de São __________, há fichas específicas no átrio disponíveis para esse fim. Também oferecemos gratuitamente aos recém-chegados um pequeno kit informativo, que explica as diferenças entre a Missa Tridentina celebrada aqui na igreja de São __________ e a Missa Nova celebrada em suas paróquias. Por favor, retire um exemplar no átrio ou na bancada de livros. Temos uma excelente seleção de literatura católica disponível em nossa bancada de livros. Café, rosquinhas e lanches também são servidos no salão social da igreja, no andar de baixo, após todas as missas. Convidamos todos a passar por lá. Se tiver alguma dúvida, não hesite em falar comigo após a celebração.”
Pode parecer muita coisa, mas, depois que você pega o jeito, faz o anúncio bem rápido.
9. Ao preparar um sermão, lembre-se de que pode haver recém-chegados entre os fiéis. Os tipos mais fáceis de sermão são as arengas sombrias e apocalípticas, as diatribes “anti-novusordistas” proferidas com espuma na boca ou as tiradas inflamadas contra outros grupos tradicionalistas. Pregar desse modo exige pouco ou nenhum preparo, já que basta mirar no alvo do dia e vociferar até perder o fôlego.
Alguns padres tradicionalistas vêm alimentando seus fiéis, semana após semana e há anos, com uma dieta contínua desse mingau ralo e amargo. Isso causa má impressão e perde os recém-chegados, além de privar os fiéis mais antigos do alimento espiritual que lhes é devido. É muito melhor apresentar uma boa variedade de temas: vida dos santos, exposição das doutrinas católicas, práticas ascéticas, sacramentos, textos litúrgicos, etc. São assuntos sobre os quais as pessoas no Novus Ordo quase nada ouvem.
Quando decidir pregar um sermão que denuncie (como deve) algum erro da nova religião, tenha especial cuidado na preparação. Certifique-se bem dos fatos (obviamente) e procure apresentar uma argumentação que pareça objetiva aos ouvintes. Isso será muito mais convincente para os “não convertidos” ou para os céticos presentes do que uma sequência de chavões e lugares-comuns berrados com indignação e voz trêmula.
10. Mantenha a brevidade em seus sermões. Todos os manuais de estilo ensinam que noventa por cento da boa e eficaz redação consiste em revisar e cortar. Ao longo de dois milênios, escreveram-se vários milhares de livros sobre qualquer tema habitual de sermão que você possa escolher. Não canse os fiéis tentando transmitir-lhes tudo isso num sermão interminável. A menos que você seja outro Lacordaire ou Fulton Sheen, doze a quinze minutos costumam ser suficientes num domingo comum.
Escolha dois ou três pontos bem definidos, conte uma história, ofereça aos fiéis algo concreto a respeito de cada ponto, faça uma síntese e encerre. “Seja brilhante, seja breve e vá embora”, costumava dizer meu antigo professor de retórica. “E, se Deus não lhe concedeu o dom de ser brilhante, ao menos seja breve e vá embora”. Se você for um tagarela, irritará os recém-chegados e fará os paroquianos habituais dormirem.
11. Não exponha ninguém a uma repreensão pública, a menos que a conduta da pessoa seja não apenas imprópria, mas também obstinada. O bebê que berra durante o sermão é o caso clássico. Normalmente, os pais são atenciosos e retiram a criança. Às vezes, porém, a ficha não cai na hora — afinal, papai e mamãe já estão acostumados ao choro. Além disso, pode ser que o filho daquele casal novo seja justamente o que tem a capacidade pulmonar de um zepelim Hindenburg. Se você se irritar, poderá perdê-los.
Os pais talvez entendam o recado se o padre interromper o sermão e, com um ar confuso, olhar para suas anotações como se tivesse perdido o fio da meada. Se você prosseguir e o problema ainda continuar, procure uma forma diplomática de dar a segunda indireta.
Se os recepcionistas tiverem cumprido sua função e os recém-chegados tiverem recebido um folheto com as normas para a recepção da Sagrada Comunhão, você terá poucos problemas na balaustrada. A mulher que ocasionalmente aparece pela primeira vez usando calças compridas, mas que no restante está vestida de modo decente, provavelmente não deve ser recusada. Dificilmente ela se enquadraria entre os indigni, aos quais os sacramentos devem ser sempre negados; é bem provável que ela não esteja de má vontade, mas não tenha prestado atenção.
Alguns padres tradicionalistas gostam de conduzir longos interrogatórios na balaustrada da comunhão. Nunca vi isso ser recomendado em livro algum de teologia moral, nem me lembro de ter visto um padre fazê-lo em nenhuma das incontáveis missas às quais servi antes do Vaticano II. Se esse tipo de coisa faz o seu estilo, talvez seja melhor orientar os recepcionistas a interrogar as pessoas na entrada, antes da missa.
12. Ofereça café e lanches após as missas dominicais. Poucos dos nossos paroquianos moram perto de nossos centros de Missa. Eles apreciam ter alguma coisa para comer e beber antes de pegar a estrada de volta para casa, sobretudo quando trazem a tiracolo um pelotão de crianças famintas. Além disso, na maioria dos lugares, a única oportunidade que nossos fiéis têm de conviver com outros católicos tradicionalistas ocorre após a missa dominical. Se houver café e lanches disponíveis, você conseguirá cultivar o espírito de comunidade e oferecer aos recém-chegados uma oportunidade de conhecer outros católicos.
13. Encarregue alguns paroquianos bem articulados de procurar os recém-chegados. Em toda capela tradicional é possível encontrar pessoas que não apenas conhecem profundamente o movimento tradicionalista e sabem falar sobre ele com grande clareza, mas que também são extrovertidas e sociáveis. Peça a elas que fiquem atentas aos recém-chegados após a missa, façam com que se sintam em casa e conversem com eles sobre essas questões. Isso evita que o encrenqueiro da paróquia ou o vidente e místico de plantão avancem sobre o desafortunado visitante.
Encarregar alguém da tarefa de explicar as coisas aos recém-chegados também lhe permitirá reservar algum tempo, depois da missa, para uma breve ação de graças e, em seguida, dirigir-se imediatamente à área social, a fim de poder conversar com eles.
14. Faça questão de falar pessoalmente com todos os recém-chegados após a missa. Esse primeiro contato com o padre pode ser o divisor de águas entre o recém-chegado voltar à Missa Tridentina ou nunca mais aparecer. Se você, o padre, puxar assunto, eles poderão fazer perguntas. Em poucos minutos após a missa dominical, você poderá dissipar alguns de seus temores e explicar, de maneira simples, o que os católicos tradicionalistas estão fazendo e por que isso é a coisa certa. Faça questão de convidar os recém-chegados a telefonar-lhe ou agendar uma conversa caso tenham mais dúvidas.
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A lista acima não pretende, de modo algum, ser exaustiva. Algumas sugestões talvez sejam chover no molhado, e nem todas serão viáveis ou mesmo úteis em toda e qualquer capela tradicional. De todo modo, elas são fruto de muitos anos de tentativas e erros.
Nós, padres tradicionalistas, às vezes pensamos que podemos converter as pessoas apelando exclusivamente ao intelecto. Mas, quando as pessoas comparecem pela primeira vez à Missa Tridentina, talvez não estejam ainda preparadas para receber imediatamente a fria lógica — Non in dialectica complacuit Deo salvum facere populum suum (“Não foi pela dialética que aprouve a Deus salvar o seu povo”), recorda-nos Santo Ambrósio. Se, quando os recém-chegados comparecerem pela primeira vez, nós os tratarmos com consideração, bons modos, bom senso e caridade, teremos excelentes chances de vê-los novamente.
Sacerdotium, n.º 11, primavera de 1994
