DOM TOMÁS DE AQUINO EM DEFESA DE DOM FAURE: O PIOR COMUNICADO DA HISTÓRIA DA RESISTÊNCIA
Lúcio Guimarães, 7 de setembro de 2026

Em 31 de agosto de 2025, Dom Tomás de Aquino publicou o comunicado “En défense de Mgr. Jean-Michel Faure” (“Em defesa de Dom Jean-Michel Faure”) no site oficial do Mosteiro da Santa Cruz. Segue-se a tradução do comunicado:
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PAX
Em defesa de Dom Jean-Michel Faure
Dom Faure foi atacado no passado e ainda o é no presente. Vejamos quem são tanto os acusadores quanto o acusado. Comecemos pelo acusado.
Durante toda a sua vida, Dom Faure combateu contra todo tipo de inimigos da verdadeira fé e da verdadeira civilização.
Sua família teve de deixar a Argélia, onde se havia estabelecido há muitas décadas. O jovem Jean-Michel tomou parte nessa guerra em que o governo do general De Gaulle traiu tanto os franceses quanto os muçulmanos da Argélia.
Obrigado a deixar a França, ele veio para a América Latina. Buscando sua vocação, consultou o bispo da diocese do Paraná, na Argentina. Este bispo falou-lhe então de Dom Lefebvre. Ele parte, portanto, para Écône passando por Roma, onde ouve Paulo VI falar, na varanda do Vaticano, sobre a fumaça de Satanás que havia penetrado na Igreja, sem apontar o verdadeiro culpado, que não era outro senão o Vaticano II e o próprio Paulo VI.
Tendo sido acolhido em Écône no início dos anos 1970, deve ser contado entre os membros mais antigos da Fraternidade.
Dom Lefebvre confiou-lhe importantes encargos no México e na Argentina. Foi ele quem fundou o seminário de La Reja.
Em 1986, Dom Lefebvre pensou nele para ser sagrado. Ele recusou o encargo, por não se julgar capaz, e sugeriu o Padre Alfonso de Galarreta.
Quando Dom Williamson foi expulso da Argentina, foi ele quem esteve ao seu lado para apoiá-lo e acompanhá-lo em sua viagem para a Inglaterra.
Em 2012, ele não seguiu Dom Fellay, muito pelo contrário. Também não aprovou a expulsão de Dom Williamson. Acabou deixando a Fraternidade por fidelidade a Dom Lefebvre.
Em 2015, Dom Williamson propôs-lhe aceitar o episcopado. Ele aceitou, pensando que seria, talvez, tentar a Deus recusar-lhe duas vezes o episcopado.
Fundou a Sociedade dos Apóstolos de Jesus e Maria e manteve sua Sociedade no bom combate da Tradição.
Aqueles que querem descredibilizar Dom Faure têm uma folha de serviços melhor? Essas acusações contra ele foram feitas por padres que estavam em sua maioria no seminário de La Reja e que se revoltaram contra seus superiores em 1988. Todos ou quase todos se tornaram sedevacantistas. Dom Lefebvre desaprovou-os fortemente. A quem devemos dar nossa confiança? A Dom Lefebvre e a Dom Williamson, que estimaram e honraram Dom Faure, ou aos padres revoltados que o acusaram? Suas acusações são fruto ou de uma imaginação doentia ou de uma malícia que quer prejudicar aqueles que se recusaram a segui-los em sua revolta.
Em tudo isso Dom Faure permaneceu na fidelidade a Dom Lefebvre e, por meio dele, à Igreja. É por isso que temos a honra de defendê-lo.
+Tomás de Aquino, O.S.B.
U.I.O.G.D.
Sobre a consagração episcopal de Dom Jean-Michel Faure no Mosteiro da Santa Cruz em 2015, fato comentado por Dom Tomás de Aquino em seu comunicado, confira:
“Sagração Episcopal do Monsenhor Faure | TRAILER”: https://www.youtube.com/watch?v=vvlS8ScT1pE
“Procissão de entrada na Sagração de Dom Jean-Michel Faure”: https://www.youtube.com/watch?v=5dZXkOGwo90
“Bishop Williamson, Consecration, Bishop Jean-Michel Faure, March 19th 2015, Brazil”: https://www.youtube.com/watch?v=NALvbWTkFo0
“Sermão de Dom Richard Williamson na Sagração de Dom Jean-Michel Faure”: https://www.youtube.com/watch?v=1-WSDjiY-10
“Bishop Williamson, Consecration of Fr. Faure to Bishop, March 19th 2015, Brazil”: https://www.youtube.com/watch?v=jJvv4VdN5gE
O comunicado de Dom Tomás pretende ser uma resposta ao dossiê publicado pelo Padre Sergio Ruiz Vallejo (Frei Juan de Jesús) em 2014 e 2015 para impedir a sagração do Padre Faure. A denúncia completa pode ser lida nos textos citados abaixo:
“Resumo da denúncia Morello-Ruiz contra ‘La Red’ de La Reja”: https://orecolhedor.com/resumo-da-denuncia-morello-ruis-contra-la-red-de-la-reja/
“Denúncia completa contra Dom Jean-Michel Faure”: https://orecolhedor.com/denuncia-completa-contra-dom-jean-michel-faure/
O desastroso penúltimo parágrafo do comunicado de Dom Tomás sobre Dom Faure é uma vergonha. Responderemos parte por parte ao seu argumento.

Primeiro: “Aqueles que querem descredibilizar Dom Faure têm uma folha de serviços melhor?”. Respondemos que, como foi provado na denúncia, o então Padre Faure participou ativamente de cerimônias religiosas não católicas, e isso é o suficiente para concluirmos que ele não possui a fé católica, o que lhe retira a máscara de catolicidade e de seus supostos “serviços” à Igreja, pois não é possível obrar para a Igreja estando contra a fé da Igreja.
Segundo: “Essas acusações contra ele foram feitas por padres que estavam em sua maioria no seminário de La Reja e que se revoltaram contra seus superiores em 1988”. Respondemos que os revoltosos, tal como está provado na denúncia, são aqueles que se revoltaram contra a fé católica tradicional, isto é, os membros da “Rede”, os quais traziam indivíduos de conduta sexual duvidosa ao seminário de La Reja, impediam que certos temas fossem ensinados no seminário e faziam de tudo para sabotar a resistência ao modernismo conciliar. Os que se “revoltaram”, no vocabulário de Dom Tomás, são precisamente aqueles que lutaram contra a infiltração no seminário de La Reja e que foram sumariamente perseguidos, censurados e, por consequência, expulsos do seminário graças à influência da “Rede”.
Terceiro: “Todos ou quase todos se tornaram sedevacantistas”. Respondemos que são bem-aventurados por terem aderido à posição teológica correta neste tempo de crise, e igualmente respondemos que a adesão a posteriori deles não retira em nada a gravidade das denúncias por eles feitas, e que Dom Tomás nos forneceu nesta frase um verdadeiro não-argumento.
Quarto: “Dom Lefebvre desaprovou-os fortemente”. Respondemos que, assim como o anterior, trata-se de um não-argumento, e que a FSSPX pagou caro por não ter expulsado os lobos infiltrados, mas sim as ovelhas, e isso se deu graças ao trabalho do Padre Franz Schmidberger e sua influência nefasta sobre Dom Lefebvre, algo que os próprios membros da Resistência tanto lamentam até o dia de hoje.
Quinto: “A quem devemos dar nossa confiança? A Dom Lefebvre e a Dom Williamson, que estimaram e honraram Dom Faure, ou aos padres revoltados que o acusaram?”. Respondemos que devemos dar confiança mais à verdade do que aos homens, mesmo que estes sejam padres e bispos, e que, não conseguindo articular qualquer outro ponto além do personalismo lefebvrista, Dom Tomás fecha os próprios olhos frente à pilha de provas contra Dom Faure.
Sexto: “Suas acusações são fruto ou de uma imaginação doentia ou de uma malícia que quer prejudicar aqueles que se recusaram a segui-los em sua revolta”. Respondemos que é uma desgraça constatar que um bispo minta dessa forma perante tantas testemunhas, documentos e gravações que provam a atuação da “Rede” em La Reja, e ousamos dizer que Dom Tomás de Aquino é, no melhor dos casos, um agente inconsciente da “Rede”, ou, pior ainda (Deus o sabe), um verdadeiro agente dela.
Que mais diremos além de que temos a certeza moral de que Dom Tomás de Aquino não leu as mais de 100 páginas da denúncia do Padre Ruiz? Isso porque, se tivesse lido, não teria dado uma resposta fraca como essa e pouparia a Resistência de outro vexame público. Para além da flagrante inépcia intelectual do prior, outra coisa chamou nossa atenção: a data do comunicado. Ora, a sagração do Padre Faure foi em 19 de março de 2015, mesmo após a primeira carta-denúncia do Padre Ruiz, datada do dia 25 de abril de 2014. Como não foi possível impedir a sagração, o Padre Ruiz honrou sua palavra e publicou a denúncia completa no dia 29 de setembro de 2015. Ora, por que Dom Tomás demorou mais de dez anos para defender Dom Faure, e justamente no dia 31 de agosto de 2025? É algo estranho de se observar, precisamente vindo do prior do mosteiro onde se deu a consagração. O pior disso tudo é que, dez anos depois, Dom Tomás deu-nos esse mísero comunicado, pelo qual comunicou apenas a ignorância, fingida ou não, do superior do Mosteiro da Santa Cruz em relação à questão da infiltração da “Rede”. Nós não nos olvidamos nem por um segundo que Dom Tomás sempre foi um protegido de Julio Fleichman.
Certo estava o Padre Ruiz quando escreveu o seguinte: “Assim pois, como o que digo aqui é verdade, infalivelmente o tempo confirmará a veracidade das minhas palavras. Mantenho-me, pois, nos tempos marcados por Deus”. E assim se deu, e hoje nos é manifesto que: o pai de Dom Marcel Lefebvre era um agente; o próprio Dom Marcel Lefebvre foi omisso e não expulsou a “Rede” da FSSPX; Dom Richard Williamson trazia rabinos ao seminário; Dom Bernard Fellay dispensa comentários por suas gravíssimas faltas; Dom Alfonso de Galarreta usa um nome falso; Dom Tissier de Mallerais ladrava, mas não mordia; Dom Jean-Michel Faure sempre foi um infiltrado; Dom Gerardo Zendejas comprou uma sinagoga; e cremos que não seja necessário tecer mais comentários sobre Dom Tomás de Aquino. A “Rede” existe e continua operando até hoje.
Há, entretanto, algo na denúncia do Padre Ruiz que o tempo tratou de vingar e dar-lhe razão ao final. Diziam os opositores da denúncia lá em 2015 — e desde os anos 80 eles o fazem — que era um exagero do Padre Ruiz afirmar que existiam problemas de conduta sexual na FSSPX, e que estes eram causados pelo próprio Padre Faure por selecionar e proteger sujeitos nem um pouco viris. Para o terror da “Rede”, da Resistência e de toda a FSSPX, a TV sueca provou que eles realmente estavam envolvidos em escândalos sexuais, e Dom Faure foi denunciado como um daqueles que protegiam sacerdotes dissidentes da FSSPX envolvidos em crimes sexuais. Aos que duvidam das afirmações acima, que vejam abaixo o que foi noticiado para todo o mundo em plena TV sueca:
A casa havia caído, e os escombros morais que restaram foram destruídos logo em seguida nos Estados Unidos:
“Church Militant vs FSSPX: A história dos pedófilos da Tradição”: https://orecolhedor.com/church-militant-vs-fsspx-a-historia-dos-pedofilos-da-tradicao/
No Brasil, o Mosteiro da Santa Cruz publicou um comunicado tão desastroso quanto o que agora comentamos sobre a questão dos abusos sexuais na FSSPX e Resistência, o qual foi documentado na publicação abaixo:
“O caso Philippe Peignot e sua repercussão no Brasil”: https://orecolhedor.com/o-caso-philippe-peignot-e-sua-repercussao-no-brasil/
Que homem desprovido de sanidade diria que o Padre Ruiz estava errado em sua denúncia? Tudo o que ele denunciou veio a se comprovar com o tempo, exatamente como ele havia escrito. Diante de tudo isso, que validade possui o comunicado de Dom Tomás em defesa de Dom Faure? Nenhuma validade há nesse texto, e muito menos na atitude daqueles que continuam defendendo a infiltração na Tradição.
Desejamos dar dois alertas e finalizar de uma vez esta questão. Primeiro, aos leigos: despertai de uma vez por todas e começai a agir verdadeiramente como homens, pois se os eclesiásticos cometem tantos abusos, é por vossa frouxidão de espírito, que se submete a tudo, menos à verdade. Enfim, aos clérigos: convertei-vos enquanto ainda há tempo; a misericórdia dura até a hora da morte, mas se não vos emendardes, Satanás acolherá as vossas almas em um eterno abraço nas chamas do inferno, e justíssima será essa punição pelos vossos pecados.
