DENÚNCIA COMPLETA CONTRA DOM JEAN-MICHEL FAURE
Padre Sergio Ruiz Vallejo (Frei Juan de Jesús), 2014–2015
Fonte: https://archive.org/details/denuncia-completa-faure_202508
Tradutor do texto: Lúcio Guimarães.
Descrição: Reunião de declarações dirigidas a Dom Richard Williamson (1940–2025) e ao público tradicionalista em geral. Padre Ruiz Vallejo denuncia uma rede internacional de infiltração anticatólica no clero e no laicato da FSSPX, centrando-se na crise do Seminário de La Reja (Argentina). Entre as acusações, relata ter presenciado costumes funerários judaicos na morte do pai de Dom Jean-Michel Faure (1941–) e critica duramente sua sagração episcopal. Ele acusa o então Superior-geral Franz Schmidberger (1946–) de encobrir os envolvidos, violar o direito canônico e perseguir os denunciantes. Por fim, o religioso desafia testemunhas a deporem sob juramento, conclamando o clero a romper o silêncio em defesa da fé.
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Segue-se abaixo a documentação completa acerca da denúncia contra Dom Jean-Michel Faure:
“Resumo da denúnica Morello-Ruiz contra ‘La Red’ de La Reja”: https://orecolhedor.com/resumo-da-denuncia-morello-ruis-contra-la-red-de-la-reja/
Fraile Mariano Carmelita (Internet Archive): https://archive.org/details/@frailemarianocarmelita
“Carta Abierta a Mons. Williamson”: https://archive.org/details/OpenLettertoBishopWilliamson
“Denounce against Bishop Faure and the infiltration in the Tradition”: https://archive.org/details/DenounceagainstBishopFaure/DenounceAgainstMonsFaureAndTheInfiltrationInTheTradition/
“Denuncia Contra Mons. Faure y la infiltración en la Tradición”: https://archive.org/details/DenunciacontraMonsFaure
“Segundo Archivo-Información Sobre Mons. Faure-Info about Mons Faure”: https://archive.org/details/InfosobreMonsFaure
“Réseau juif dans la FSSPX”: https://web.archive.org/web/20230924111512/http://blog.catholicapedia.net/reseau-juif-dans-la-fsspx/
“Le Réseau juif dans la FSSPX”: https://web.archive.org/web/20230401065835/https://catholicapedia.net/Documents/reseau_fsspx/Le-Reseau-juif-dans-la-Tradition_fr.pdf
“Denúncia contra Dom Faure: infiltrado modernista!”: https://domfaureexposto.blogspot.com/2021/10/denuncia-contra-dom-faure-infiltrado_25.html
Dom Faure Exposto (Internet Archive): https://archive.org/details/@dom_faure_exposto
“Denúncia contra Dom Faure: infiltrado modernista!”: https://archive.org/details/dossie-fraternidade-de-la-reja-recuperacao-automatica
“Denúncia Contra Dom Jean-Michel Faure: Infiltração na Tradição”: https://www.youtube.com/watch?v=QyiYKBMUV8A

OBRA MARIANA CARMELITANA
25 de Abril de 2014
R.P. Frei Juan de Jesús O.M.Carm.
Francia 1262 Colonia Moderna
C.P. 44190 Tel. 33-12-04-86-57
Guadalajara, Jalisco. México.
S.E.R. Dom Richard Williamson.
Saúdo afetuosamente a Sua Excelência Reverendíssima, rogando a N.S. Jesus Cristo que o mantenha com abundância de bênçãos e boa saúde nestes tempos de desgraça.
Não sei se Sua Excelência se lembra de mim, mas atrevo-me novamente a dirigir-me a V. Exa. de lhe ter enviado pessoalmente há aproximadamente 25 anos abundante informação a respeito dos graves acontecimentos sucedidos no Seminário de La Reja, na Argentina. V. Exa. conhecia-me então como Padre Sergio Ruiz Vallejo, mas agora, após ter abraçado a vida religiosa carmelita, levo o nome de Frei Juan de Jesús.
Naquele tempo enviei, não só a Sua Excelência, mas também a todos os Superiores de Distrito e Seminários da FSSPX, a informação mencionada no parágrafo anterior, com o fim de solicitar o seu apoio para pedir que se realizasse uma investigação sobre a infiltração na Fraternidade Sacerdotal São Pio X, especificamente no Distrito da América do Sul e, se necessário, em toda a Fraternidade. Por desgraça, apenas um deles me respondeu dando-me somente apoio espiritual; outros me responderam anos mais tarde — já tarde, com certeza —, que aquilo que havíamos denunciado revelou-se verdadeiro e que continuássemos em frente sem desanimar. Mas, a essa altura, eu já tinha sido expulso da Fraternidade e já não podia fazer nada a esse respeito. No entanto, encontro-me agora com a alarmante notícia de que não só estão a colaborar com Sua Excelência os principais denunciados por nós no caso do Seminário de La Reja e do então Distrito da América Latina, como Sua Excelência até pensa em consagrar bispo um deles. Por tudo isso, rompo o meu silêncio de 25 anos com esta carta pública, e também porque agora não estou de modo algum sujeito ao segredo canônico como antes. Sua Excelência, estou por consciência obrigado a escrever-lhe de novo pelos mesmos motivos, porque estão envolvidas as mesmas pessoas daqueles tempos. Escrevo-lhe para lhe pedir, pelo amor de Deus e pela sua salvação eterna, que considere que, se levar a cabo tal consagração, pode estar a causar um dano gravíssimo à Santa Igreja e a todas aquelas almas e sacerdotes que, tentando escapar da traição dos Superiores da FSSPX, procuram refúgio em ti.
Sua Excelência tomou conhecimento naquela época — assegurei-me pessoalmente disso — das graves acusações que pesavam sobre o então Superior do Distrito da América Latina, Jean-Michel Faure, e alguns de seus colaboradores próximos, em especial seu protegido, o Padre Álvaro Calderón, os quais, entre outros, foram inexplicavelmente defendidos pelo então Superior-geral Franz Schmidberger, que impunemente pisoteou e violou de forma assombrosa todos os procedimentos compulsoriamente estabelecidos no Código de Direito Canônico para a condução de todos aqueles casos em que a fé ou a religião incorrem em perigo.[1]
Perguntei-me se a sua intenção de sagrar essa pessoa se deve ao fato de que, com o passar dos anos, aquela informação ficou perdida em sua memória, talvez confusa entre tantas outras de muitos assuntos graves que todo bispo deve enfrentar. Se for assim, e se já não tem em seu poder os documentos que lhe enviei na época, devo dizer-lhe que ainda os tenho e os ofereço para fazê-los chegar novamente ao senhor, se for preciso.
Sua Excelência deve saber que, se for necessário, tornarei público por todos os meios necessários o que, naquela ocasião, só comuniquei às autoridades eclesiásticas correspondentes. Isso não é de forma alguma uma ameaça a Sua Excelência, mas quero que saiba que, se eu vier a fazê-lo, será somente para cumprir o dever de advertir os fiéis do perigo, para que saibam nas mãos de quem estão colocando suas próprias almas e as de seus filhos.
Peço-lhe perdão se algo nesta carta foi indigno,[2] desrespeitoso ou impropriamente atrevido para com a sua condição e dignidade de bispo; nada mais distante da minha intenção. Só Deus e eu sabemos das coisas das quais terei de lhe prestar contas no dia da minha morte, e não quero que a elas se acrescente a omissão de ter me calado quando devia falar.
Despeço-me de Sua Excelência rogando-lhe que me conceda a sua bênção e peço à Santíssima Virgem do Carmo, Nossa Mãe, que o leve pela mão em seu caminho para a eternidade.
Que Nosso Senhor o ilumine.
Frei Juan de Jesús, O.M.Carm.

OBRA MARIANA CARMELITANA
29 de setembro de 2015
Festa de São Miguel Arcanjo.
R.P. Frei Juan de Jesús O.M.Carm.
Francia 1262 Colonia Moderna
C.P. 44190 Tel. 33-12-04-86-57
Guadalajara, Jalisco. México.
“Quem não se deixa vencer pela verdade,
será vencido pelo erro.” — Santo Agostinho.
Esta é uma declaração que necessariamente devo tornar pública[3] após a minha carta aberta a S.E.R. Dom Richard Williamson de 25 de abril de 2014,[4] e em consequência da sagração episcopal do Padre Jean-Michel Faure.
Este escrito tem como finalidade cumprir com a advertência que fiz a S.E.R. Dom Williamson de que, se ele chegasse a sagrar bispo o Padre Faure, eu me veria obrigado a dizer às almas o perigo que tal sagração representa, tornando público o que sei sobre o dito Padre Faure, que possui ao longo de sua trajetória coisas suficientemente graves para que se desconfie profundamente dele com sólido fundamento.
Quero começar dizendo que, depois da dita carta aberta a S.E.R. Dom Richard Williamson, não me estranhou em nada o fato de não ter havido, por parte do clero, outra resposta além de um profundo e cômodo silêncio; silêncio pior inclusive do que aquele que o clero guardou há 25 anos, quando ocorreu a crise do Seminário de La Reja, Argentina, na qual fizemos uma denúncia sobre a infiltração na FSSPX, crise que narro neste escrito. A razão de seu silêncio, só a sabem eles e Nosso Senhor. Um silêncio pior, eu disse, porque há 25 anos recebi ao menos a carta de um superior de Distrito da Fraternidade dando-me seu apoio moral; a atitude do restante, naquela época, foi a de desaparecer ou calar, ainda que alguns tivessem sido testemunhas de coisas muito graves. Deus os perdoe.
Hesitei muito entre a conveniência de escrever ou não o que digo aqui, duvidei seriamente sobre se teria alguma utilidade escrever estas coisas em um meio ambiente onde, por causa de tanta disputa e difamação, existe uma profunda desconfiança e desorientação. Sei bem que estas coisas tornam muito difícil que se possa dar crédito ao que vou dizer aqui. No entanto, faço-o porque Deus me concedeu ter bem claras duas coisas: A primeira, entender que a verdade, por sua própria natureza, não leva à confusão, mas a dissipa; tudo é uma questão de tempo. E a segunda, ter claro que, assim como é impossível provar que o falso é verdadeiro, igualmente é impossível provar que o verdadeiro é falso. Assim pois, como o que digo aqui é verdade, infalivelmente o tempo confirmará a veracidade das minhas palavras. Mantenho-me, pois, nos tempos marcados por Deus.
Durante 25 anos me calei sobre o que agora direi aqui, e agora falo porque já não estou obrigado a guardar o segredo canônico como em outro tempo. Naqueles tempos, unicamente o denunciei quando devia fazê-lo — como era meu direito,[5] e inclusive minha obrigação grave —,[6] às autoridades correspondentes, que eram a quem competia investigar e julgar coisas tão delicadas; mantendo, então, eu por minha parte o estrito segredo que em tais circunstâncias manda guardar o Código de Direito Canônico.[7] Durante esse longo tempo, acreditei ingenuamente que o pesadelo das lutas vividas tentando defender minha anterior Congregação[8] havia ficado definitivamente para trás e que poderia me refugiar em Deus no claustro carmelitano. Mas agora vejo que foi apenas um tempo de descanso que Nosso Senhor me concedeu nesse assunto. Os atuais acontecimentos são tais que não posso em consciência olhá-los em silêncio sem fazer nada.
Tremo pela imensa responsabilidade que implica diante de Deus escrever estas coisas, mas tenho mais razões para temer por minha alma se não o fizer. Peço a Nossa Senhora do Monte Carmelo que me proteja e me conceda a graça de cumprir com meu dever de veracidade, mas sobretudo com caridade para com todos, incluindo nossos inimigos.
Rogo por amor de Deus aos que lerem este escrito que tratem de lê-lo sem paixões nem preconceitos. Peço-lhes igualmente que tenham paciência lendo algo que considero fundamental e que devo dizer antes como introdução. Algo que pode ajudar muito a ver as coisas a partir da perspectiva em que eu as vivi.
Eu creio que a todos nós ocorreu que vimos sem olhar, para dizê-lo de outro modo, que vivemos acontecimentos sem advertir em absoluto sua importância. Ou também nos ocorre que, embora tenhamos percebido algo irregular no que estamos vivendo, no entanto não o conseguimos entender, coisas que nos parecem estranhas, sem sentido e até contraditórias. Mas vem a resultar finalmente que essas coisas que por um momento nos resultaram inexplicáveis e estranhas, com o passar do tempo, pouco a pouco, às vezes em questão de dias, meses, ou inclusive anos, terminam por se esclarecer. Todas as coisas, por mais obscuras, complicadas e confusas que sejam, com o tempo começam a se esclarecer e a tomar sentido até ganhar força de evidência, e termina a pessoa dizendo: “Agora compreendo”. Quem não experimentou isso em sua vida? Isso ocorreu comigo também ao longo de minha vida clerical, em um caminho cheio de tão profundas provações como seminarista e sacerdote, que agora, quando olho para trás, agradeço a Nossa Mãe por ter-me sustentado e evitado que eu perdesse a fé após tantas decepções.
Quando eu ainda era leigo, tinha ouvido que existia a infiltração na Santa Igreja e julgava ter isso muito claro. Mas uma coisa é dizerem isso a você ou lê-lo nos livros, outra muito diferente é deparar com ela e enfrentá-la.
Ao ingressar no seminário, embora aceitasse a existência da infiltração, eu a considerava um fenômeno distante e improvável em minha vida eclesiástica; e não só isso: quando me parecia que deparava com ela, olhava aquilo com ceticismo e até com temor de cair no pecado das suspeitas e dos juízos temerários. No entanto, com o passar dos anos não me restou senão aceitar que estava sendo testemunha de sua existência. Isso mesmo ocorreu com outros clérigos que eram testemunhas das mesmas coisas, algo que desembocou, logicamente, em um esforço comum de denunciar ante as autoridades eclesiásticas correspondentes o que sabíamos.
Repito aqui o que disse antes: inicialmente víamos sem compreender, e terminamos compreendendo o que víamos. A infiltração, por sua própria natureza, pertence a esses fenômenos muito incertos e confusos no início, mas que, com fatos acumulados ao longo do tempo, terminam sendo perfeitamente claros.
Assim, pois, com o passar dos anos na vida clerical, muitas coisas foram se esclarecendo e configurando até que ficou patente, não só para mim, mas também para outros sacerdotes e seminaristas que, embora seja custoso crer, havia uma verdadeira rede internacional composta de pessoas situadas no clero e no laicato[9] da FSSPX, a qual chamo “A Rede”, que, em contato entre si, sabotavam e atrapalhavam o trabalho da congregação em todos os níveis, trabalhando coordenadamente, o que acabou se evidenciando pela razão de que suas atividades não eram de forma alguma incoerentes ou erráticas — o que ocorre quando os indivíduos atuam desligados entre si e, por atuar cada um por seu lado, falta-lhes unidade de ação e de objetivos —, mas sim que, em conjunto, elas eram claramente seletivas e coordenadas em seus objetivos, e tudo isso em claro benefício de interesses contrários aos da Igreja Católica. Para dizê-lo de outro modo, com o tempo tornou-se óbvio que tinham em equipe uma linha doutrinária e de ação definidamente anticatólica, completamente perigosa e destrutiva para a Igreja. E foi isso o que motivou nossa denúncia[10] e o pedido de uma investigação sobre a infiltração na Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Um exemplo dessa seletividade por parte desse grupo — e que corresponde evidentemente a interesses anticatólicos — é o que aconteceu na crise do seminário de La Reja, na Argentina, onde tais pessoas intentavam constantemente impedir que se falasse da existência de inimigos organizados contra a Igreja, sobretudo impedir que se ensinasse isso aos futuros sacerdotes em formação; e intentavam ridicularizar a possibilidade das conspirações e da infiltração[11] (e isso apesar da grande quantidade de documentos do ensino oficial da verdadeira Igreja Católica,[12] que manda ao mesmo tempo fazer conhecer[13] e enfrentar[14] essas coisas), esforçando-se além disso em impedir que apontássemos pelo nome os inimigos concretos da Igreja, e nos mantendo distraídos, ocupados tão-somente no plano de uma luta puramente ideológica contra inimigos meramente abstratos: o “liberalismo” e a “revolução”.[15] Uma vez alcançado isso, então eles, que são os inimigos concretos, podem sem resistência alguma ter mãos livres no plano concreto para despedaçar a Igreja. Por isso não podem tolerar que se ensinem essas coisas nos seminários. Isso é precisamente o que aconteceu no seminário de La Reja, onde não puderam suportar que se começasse a ensinar sobre a existência e ação concreta da maçonaria e menos ainda sobre a dos judeus anticristãos;[16] e eles, por sua parte, desencadearam uma perseguição nada abstrata e muito concreta contra os sacerdotes e clérigos que denunciavam os inimigos de Cristo chamando-os por seu nome, sobretudo contra os professores que, ao formar os futuros sacerdotes, ensinava-lhes claramente que na destruição do catolicismo há um elemento planejado, e que a infiltração do inimigo na Santa Igreja é uma das razões principais da crise atual da Igreja e da destruição do mundo cristão, sendo atualmente o exemplo mais notório a destruição sistemática da agora agonizante Europa. O fato de que se ensinem essas coisas nos seminários é algo que não podem tolerar e que tentam silenciar a todo custo.
Pela formação que se ministrava ali, o seminário de La Reja era um perigo para eles, por isso se dedicaram sem descanso a usar suas armas características: o ganho de confiança para depois traí-la, o fingimento e a duplicidade, a sabotagem e o impedimento dissimulado das obras da Igreja, o desprestígio sistemático de seus inimigos e o fomento de divisão por meio de intrigas. Tudo isso eles puseram em prática até que finalmente conseguiram tomar o controle do seminário, silenciando tal formação. Tal é, em síntese, o sucedido no Seminário Nossa Senhora Corredentora de La Reja, Argentina.[17]
Nos acontecimentos anteriores, o Padre Faure teve um papel decisivo como parte do grupo internacional que já mencionei antes. Por essas e outras razões que mencionarei depois foi que pedimos uma investigação dessa rede de pessoas situadas entre os fiéis e o clero,[18] e em especial que se investigasse o Padre Faure.
Numerosas vezes o Padre Faure fez coisas pelas quais se deveria ter especial cuidado com ele, como o fato de ser um intrigante verdadeiramente temível, de escutar por extensões as conversas telefônicas de outros,[19] ou de fazer coisas tais como esperar até que um sacerdote oficie a Santa Missa ou exponha o Santíssimo Sacramento para assim revistar o quarto dele.
Uma coisa muito mais grave, e que fez em repetidas ocasiões, foi levar homossexuais como vocacionados aos seminários de La Reja na Argentina e ao seminário menor de El Paso, Texas, nos Estados Unidos. Mesmo assim, em uma de suas viagens aos Estados Unidos, ele chegou a comentar que “no Seminário de La Reja Argentina havia problemas de homossexualidade”, porém calando muito bem nessa ocasião que era ele mesmo quem levava ao seminário homens notoriamente afeminados para ingressá-los como seminaristas,[20] os quais, não é demais dizê-lo, acabavam depois expulsos pelo então reitor do seminário, o Padre Andrés Morello, por causar problemas com suas peculiares inclinações. Faure causava o problema e depois o criticava, utilizando-o contra o seminário. Como se pode explicar benignamente uma ação como essa? Há que aceitar ao menos a possibilidade de que poderiam ser verdadeiras técnicas de uma extrema e refinada malícia, ao mesmo tempo muito efetivas para destruir sabotando e desprestigiando.[21]
Igualmente fui testemunha de como, por meio de intrigas e do desprestígio sistemático, ele estorvava tudo o que podia de todas as obras da FSSPX nas quais “A Rede” não estivesse suficientemente presente. Assim o fez nas cidades de Cuernavaca, Guadalajara e Torreón no México, todas elas com um grande número de fiéis e imenso potencial naquela época. Sua sabotagem chegou a ser tão clara que houve fiéis que chegaram ao ponto de acusá-lo disso — estando ele próprio presente — ante o Superior-geral Franz Schmidberger, ou como aconteceu uma vez em Torreón, onde uma fiel tentou desesperadamente explicar a Dom Bernard Fellay — que não falava espanhol —, como o Padre Faure “não queria que se fundasse um priorado nesta cidade”.
É verdade que as intrigas e os eventos como os anteriores podem dever-se não só à infiltração, mas também ao maquiavelismo, o qual é fruto da miséria e ambição humanas,[22] como ocorre em muitos casos, mas, no entanto, no caso do Padre Faure e de seus amigos da “Rede”, há fatos que não se podem explicar apenas pela simples ambição ou miséria humana.
Eu, por minha parte, não creio que seja possível aceitar a versão de que coisas como as já ditas — e sobretudo as que vou dizer a seguir — sejam todas “coincidências”, como incompreensivelmente as chamou o então Superior-geral, o Padre Franz Schmidberger, quando falei pessoalmente com ele para pedir-lhe uma investigação sobre a infiltração na Fraternidade Sacerdotal São Pio X, investigação essa que o Padre Schmidberger, com uma parcialidade assombrosa, se recusou a fazer alegando que eram “coincidências”, a tal ponto que o sacerdote que serviu de tradutor em nossa entrevista me disse escandalizado depois dela: “Tinha minhas dúvidas, mas depois disso já não as tenho”. Eu acuso aqui o Padre Schmidberger de ter se dedicado, contra toda lei e razão, a defender os acusados de serem infiltrados, apesar das abundantes testemunhas e acusações. As motivações pelas quais o Padre Schmidberger procedeu desse modo mantêm-se ocultas e impunes por enquanto, mas algum dia, nesta vida ou na outra, serão infalivelmente reveladas.[23]
“COINCIDÊNCIAS”?
1° O Padre Faure e suas viagens
O Padre Faure saía de viagem sumindo por longas temporadas, e sem que ninguém soubesse onde estava. Uma vez no México me disse que ia viajar e que, se precisasse de algo, que lhe fizesse saber através de um de seus fiéis de confiança — da “Rede”, por suposto —, e que tal pessoa seria a intermediária em toda comunicação entre ele e eu durante esse tempo. Além disso — embora seja secundário —, trata-se de algo obviamente errado, pois vai contra os procedimentos eclesiásticos corretos, prejudicando a hierarquia e cadeia de comando.
Preocupou-me muito quando em uma ocasião me inteirei de onde ele havia estado em uma de suas viagens. Aconteceu assim: Em um de seus trajetos pelo México, o Padre Faure deixou por descuido seu passaporte sobre um móvel do quarto da casa onde estava se hospedando, e uma das pessoas proprietárias do local entrou no quarto onde estavam alojando o Padre Faure e, vendo o passaporte, tomou-o e o revisou.[24] Ele sustenta que havia no passaporte carimbos de sua estadia na União Soviética.
2° A morte do Sr. Faure
Esse é um fato do qual fui testemunha ocular em companhia dos agora sacerdotes Ricardo Olmedo e José de Jesús Becerra Rodríguez — testemunhas oculares também —, no tempo em que ainda éramos seminaristas no Seminário de La Reja, na Argentina. Tal fato tem, por suas características, implicações extremamente graves, sobretudo porque se tratava nada menos que do Superior do Distrito da América Latina da FSSPX.
Naquele tempo eu era um dos seminaristas mais antigos — daqueles da primeira geração —, e o reitor do seminário, o então Padre Morello, mandou-me chamar ao seu gabinete e disse-me de forma quase textual o seguinte: “O pai do Padre Faure faleceu. Quero que vá à casa do Padre Faure e lhes diga de minha parte se precisam de alguma coisa, para que o seminário lha proporcione, e lhes diga que a capela do seminário está à sua disposição”. E como eu não podia ir sozinho, designou outros dois seminaristas mais novos para que me levassem; estes eram os já mencionados Padres Ricardo Olmedo e José de Jesús Becerra Rodríguez.[25]
Saímos, pois, do seminário. Quando chegamos à casa do Padre Faure aproximava-se o fim da tarde, mas ainda havia sol. Batemos à porta e saiu o Padre Faure e, depois de dar-lhe brevemente nossos pêsames, transmiti-lhe o recado: “O Padre Morello manda dizer que, se precisar de alguma coisa, mande dizer por mim, e que a capela do seminário está à sua disposição”. E ele me respondeu: “Não, obrigado, tenho todo o necessário”.
Devo dizer que não nos convidou a entrar em sua casa em nenhum momento — até esse ponto tudo se passou no exterior do local. A situação era muito incômoda, já que nessas circunstâncias o costume cristão é entrar nas casas para rezar pelos defuntos, e ele não nos havia convidado a entrar para rezar por seu pai. Por essa razão eu não sabia o que fazer, pois, por um lado, me envergonhava forçá-lo a convidar-me a entrar e, por outro, me envergonhava também ir embora sem fazer uma oração pela alma do defunto pai do meu superior de distrito. Das duas opções optei pela que julguei mais caritativa. Disse-lhe: “Padre, podemos entrar para rezar algo por seu pai?”. Ele hesitou notoriamente uns instantes ante a pergunta e por fim disse: “Bueno… sim, vamos”.[26]
Seguimo-lo, então, e entrando na casa, ao lado esquerdo, havia uma espécie de espaço ou quarto de tamanho entre pequeno e médio, no qual não me recordo de ter visto janelas, e em cujo centro estava colocado o defunto.
A cena era de uma austeridade extraordinária, tão estranha que os três seminaristas ficamos de pé olhando aquilo com assombro, e então o Padre Faure nos fez reagir dizendo, ao mesmo tempo que se ajoelhava: “Bueno… vamos rezar umas ave-marias”.
Ajoelhamo-nos também e respondemos, creio eu, três Ave-Marias e um Glória. Imediatamente nos despedimos e regressamos ao seminário.
Quero acrescentar, além disso, que não vimos mais ninguém na casa; só vimos ali o Padre Faure e o defunto, e, se havia mais pessoas ali, estas se mantiveram todo o tempo fora da nossa vista.
O que presenciamos: Anexo aqui três desenhos do que vimos, e começo dizendo que o defunto que mais me impressionou em minha vida foi este; tinha uma cor impressionantemente desagradável, como se fosse feito de borracha, e isso me parece que se devia a que não tinha maquiagem alguma. Estava vestido com um terno, e tinha ataduras em seu pescoço[27] e estas subiam por sua cabeça e deixavam à vista apenas o rosto; chamaram-me muito a atenção suas mãos — que estavam igualmente à vista —, as quais tinham seus pulsos muito juntos, ao que parece estavam atados entre si com ataduras perfeitamente visíveis fora das mangas do paletó, e tinha os dedos firmemente entrelaçados. Suas mãos descansavam sobre o tronco do corpo. Nos pés tinha meias, e pelo ângulo em que eu estava, se tinha ataduras nos tornozelos, não as alcancei para ver. Estava colocado sobre uma espécie de pequena caminha ou mesinha de madeira nua, quase da largura e comprimento do corpo, de aproximadamente uns 30 cm de altura, a qual me pareceu ser completamente nova, e não ter nenhum acabamento de tinta, nem laca ou verniz algum, unicamente a madeira limpa trabalhada em forma de mesa. O defunto estava depositado diretamente sobre a madeira de tal mesinha ou caminha sem nenhuma colcha ou sequer lençol. Não havia ali crucifixo, nem velas, nem imagens, nem coisa alguma católica, o que é impensável na casa de um sacerdote, sobretudo tendo-nos ele mesmo dito que tinha todo o necessário e que não precisava de mais nada. Quero fazer notar que o defunto nem sequer tinha um Cristo ou o Rosário nas mãos: NADA. As paredes estavam totalmente nuas, e estavam encostadas ao longo de três delas uma espécie como de pequenas bancadas muito curiosas em forma de caixas longas, e incomodamente baixinhas — igualmente de uns 30 cm de altura —, e sem profundidade; tais bancadas não tinham pés nem encosto e tinham na parte superior uma espécie de cobertura ou estofamento muito fino de cor verde. Isto era tudo o que havia ali: o morto, a mesa e as bancadas. Não havia ali mais nada.



Todos podem facilmente verificar por si mesmos nas bibliotecas e na internet que estas práticas, sobretudo quando ocorrem juntas, são típica e inconfundivelmente judaicas, tais como:
- O uso de uma espécie de mesinha ou maca muito austera onde se deposita o defunto.
- As mãos juntas com os pulsos atados um ao outro com ataduras.
- A cabeça atada para que não se lhe abra a queixada.
- A ausência total de imagens.
- O uso de assentos inusitada e incomodamente baixos.
- Os pés orientados para a entrada.
O Padre Faure sempre negou absolutamente que este fato tenha ocorrido. E quanto mais nega esse fato e mais mente a respeito dele, mais evidente resulta para mim que esconde algo muito grave e mal; se não for assim, então por que tanto interesse em calá-lo? Por que negar e mentir tanto a esse respeito durante tantos anos? Sua persistência em mentir negando-o não fez outra coisa senão me confirmar cada vez mais de que o que vimos era algo muito grave que ele tem grande interesse em ocultar. Quem se atreveria a negar que diante de coisas assim era completamente necessário pedir uma investigação, sobretudo se o responsável por fatos tão graves era nada menos que o Superior do Distrito da América Latina da FSSPX?
Nesse tempo eu não disse ao Padre Morello nada do que tínhamos visto, e a razão foi que, apesar do estranhamento do fato, pensei ignorantemente que fosse um costume francês ou dos franceses da Argélia,[28] ou algo do estilo; evidentemente não entendemos então o que tínhamos visto. Só com o passar dos anos e a persistente e forte impressão de que aquilo que havíamos presenciado era algo de ordem religiosa não-católica, pus-me a perguntar e investigar tentando entender o que era aquilo que tínhamos visto. E consegui obter informações bastante preocupantes sobre as práticas funerárias judaicas, a tal ponto que viajei pela primeira vez à Suíça para comunicar ao fundador mesmo da nossa Congregação, Dom Marcel Lefebvre, o que havíamos presenciado na casa do Padre Faure. E já estando no seminário de Écône, na Suíça, onde estava Dom Lefebvre, encontrei-me ali com um grande amigo de juventude no México, o Padre José Oscar Neri, que me perguntou a razão da minha viagem, e eu lhe contei então a que ia e aquilo que havíamos presenciado na casa do Padre Faure. O Padre Neri captou de imediato a gravidade do assunto e me disse: “Não diga nada disso a Monsenhor (Lefebvre). Escute-me, ele não vai acreditar em ti. Monsenhor confia muito no Padre Faure. Espere, não lhe diga nada ainda, espere o momento oportuno. Se lhe disser algo agora, ele não irá acreditar em ti. Vai ser contraproducente”. Convenceram-me suas razões, e, por incrível que pareça, regressei ao México sem tratar do assunto com o nosso Pai Fundador. Esse foi, em resumo, a minha primeira viagem.
Não muito tempo depois, e em vista dos alarmantes eventos que continuavam a dar-se na América do Sul, decidi-me a regressar a Écône pela segunda vez para tratar do assunto de uma vez por todas com Dom Lefebvre, mesmo sabendo perfeitamente que era quase certo que ele não iria acreditar em mim. Então, felizmente, ocorreu-me a idéia de pedir ajuda ao sacerdote em quem mais confiava: Padre Morello. Nesse tempo já tinham conseguido que o Padre Morello fosse removido do seu cargo de reitor do seminário de La Reja e transferido para o Priorado de Santiago do Chile — creio eu —, na qualidade de prior. Liguei, pois, para o Chile, comunicando-me com o Padre Morello, e disse-lhe que estava a ponto de viajar para a Suíça para falar com Dom Lefebvre e que me encontrava na necessidade imperiosa de que me acompanhasse alguém de toda a confiança e que dominasse o suficiente a língua francesa, e que ele era a pessoa ideal, além de ter ele também a vantagem inestimável de ter sido testemunha de muitas das coisas que eu haveria de denunciar. A resposta dele foi que estava disposto a ir, mas que antes tinha de pedir permissão para poder viajar para a Europa. Pediu tal permissão, pois, alegando razões graves, e esta lhe foi concedida, ao que parece, graças à intervenção direta do próprio Dom Lefebvre.[29] Viajei então para Buenos Aires e de lá para o Chile, e foi então que lhe contei pessoalmente o que havia presenciado anos atrás, quando me enviou à casa do Padre Faure para dar-lhe a sua mensagem,[30] e como tudo aquilo correspondia aos costumes judaicos, além de não haver nenhuma religião na França com práticas similares, exceto a judaica. Posteriormente, forneci-lhe também cópias de alguns livros onde se fala de práticas como essas nas diferentes seitas judaicas — cópias que, ao que parece, ele ainda conserva. De Santiago do Chile partimos para Buenos Aires, de onde tomamos o vôo rumo a Madrid e de lá para a Suíça (ver nos documentos anexos).
Em nossa entrevista, Dom Lefebvre não ocultou sua preocupação diante da gravidade das acusações e da situação. Escutou atentamente o referente ao que vi na morte do pai do Padre Faure e disse que era necessário apresentar um relatório de tudo aquilo por escrito ao Padre Schmidberger, o qual era então o superior-geral da congregação.
A posterior atuação do Padre Schmidberger diante de nossas denúncias ultrapassou nossos piores temores, já que se dedicou abertamente a defender com assombrosa parcialidade os acusados, violando flagrantemente tudo o que o Código de Direito Canônico manda observar em casos tão graves como estes. Por exemplo:
1° Violou o juramento que exige fazer o Código de Direito Canônico em toda investigação, como consta no cânon 1941, parágrafo 2, o qual manda: “O inquisidor tem as mesmas obrigações que os juízes ordinários. E em especial deve prestar juramento de guardar segredo e de cumprir fielmente o seu ofício”. Cabe advertir que, no caso de ter feito tal juramento, o Padre Schmidberger cometeu perjúrio, já que violou de forma flagrante e pública o sigilo canônico; e no caso de não ter feito esse juramento, então seus atos foram ilegais e inválidas as suas consequências.
2° Violou o sigilo canônico dando a conhecer de viva voz e por escrito, pelo mundo inteiro, muitas coisas reservadas e revelando os nomes dos acusados e dos denunciantes, o que vai diretamente contra o cânon 1943, que determina claramente: “A inquisição sempre deve ser secreta e há de praticar-se com muitíssima cautela, para que não se difunda o rumor do delito nem se ponha em risco o bom nome de ninguém”.
3° Fez caso omisso dos testemunhos e provas apresentadas, e recusando-se inclusive a escutar as testemunhas, apesar de os denunciantes havermos cumprido o mandado no cânon 1937, que diz: “O que denuncia um delito deve facilitar ao fiscal os indícios para provar o mesmo delito”.
4° O Padre Schmidberger sustentava que “ele mesmo fez a investigação”, o que vai diretamente contra o cânon 1941, parágrafo 3, o qual determina: “O INQUISIDOR NÃO PODE ATUAR COMO JUIZ NA MESMA CAUSA”.
Dentro do marco de todas essas violações do Código de Direito Canônico, o Padre Schmidberger empreendeu uma verdadeira campanha em todo o mundo defendendo os acusados da “Rede”, e inverteu as coisas por completo, cometendo toda classe de injustiças; e, transformando os acusadores em acusados, dedicou-se a difamar a nós, denunciantes, apresentando-nos publicamente como parte de “um complô de caluniadores contra a unidade da FSSPX”,[31] alegando “provas que ele tinha”, provas que, é claro, ninguém jamais viu. Proibiu que os denunciantes nos comunicássemos entre nós, inclusive sob pena de expulsão, e dedicou-se a desmantelar-nos, impondo-nos o silêncio por “obediência” e isolando-nos, mandando-nos para longe uns dos outros. Porém o mais assombroso foi sua defesa extremada de todos os acusados, tornando-os intocáveis, inclusive aqueles denunciados por problemas de imoralidade, como foi o caso de Carlos Urrutigoity Pithod — modernista e membro da “Rede”, o qual havíamos denunciado por sua homossexualidade —, que foi defendido também pelo Padre Calderón e sua família, os quais intercederam fortemente por ele junto a Dom Alfonso de Galarreta. A posterior atuação de Urrutigoity e os escândalos que tem dado desde os EUA até a América do Sul — inclusive entre os modernistas —[32] mostram que nossas denúncias e advertências sobre Urrutigoity também eram verdadeiras.
Em vista da má disposição demonstrada pelo Padre Schmidberger em seu flagrante desprezo ao Direito Canônico e da grande quantidade de falsidades em sua versão oficial do problema,[33] vi-me obrigado — com o fim de desmascarar a ele e a seus cúmplices ao menos ante as principais autoridades da FSSPX — a enviar pessoalmente por DHL cerca de vinte pacotes para o mundo todo, dirigidos aos principais superiores da FSSPX — incluindo entre eles Dom Richard Williamson —; cada pacote continha mais de um quilo de testemunhos, provas e até gravações em que se pode ouvi-los dizendo todo tipo de falsidades e violando o Código de Direito Canônico (ver a fotografia do conteúdo nos documentos anexos). Contudo, a reação da maioria ante toda essa informação e provas foi nula, e somente um deles, o então Superior do Distrito dos Estados Unidos, o Padre François Laisney — que Deus o abençoe —, respondeu-me caridosamente com evidente boa intenção, pedindo-me que me submetesse humildemente e guardasse silêncio, imitando a Nosso Senhor.[34] No entanto, isso não era possível, já que submeter-se e guardar silêncio ante essa mentira — que apresentava os acusados de infiltração como inocentes caluniados e os fiéis à Santa Igreja como caluniadores — implicava, falando simples e claramente, tornar-se cúmplice de uma mentira e de uma calúnia monstruosas e, ao mesmo tempo, aceitar publicamente como verdadeira tal mentira e calúnia oficial como as trinta moedas de prata a pagar pelo preço de nossa permanência na congregação.
Não se pode guardar um silêncio traidor e só em aparência “virtuoso” ante a destruição da Igreja. Evidentemente, não era possível em consciência seguir um conselho assim, por mais bem-intencionado que fosse, porque é heróico e virtuoso calar quando o dano que se sofre é pessoal, mas não quando a Igreja ou o bem comum são os que estão em jogo.
Pergunto-me, junto com os outros que terminamos fora da FSSPX pelo “delito” de tentar defendê-la: Por que o Padre Schmidberger e os seus fizeram todas essas coisas? Talvez ninguém venha a sabê-lo com certeza nesta vida; além disso, o coração humano está cheio de escuridões dentro das quais só Deus pode ver. O que estou dizendo aqui sobre eles não está motivado pelo desejo de vingança — não lhes guardo pessoalmente rancor —, mas o digo devido às necessidades presentes da Santa Igreja. Que Deus tenha piedade de suas almas e da minha.
Quero acrescentar, para terminar este tema, que poucos anos após esses acontecimentos, alguém que estava de passagem pelo México nos transmitiu uma mensagem verbal da parte de dois sacerdotes — cujos nomes não devo dizer agora — que haviam estado contra nós na crise do Seminário de La Reja, e sua mensagem, tão breve quanto eloquente, era a seguinte: “Vocês tinham razão, sigam em frente, não desanimem, o que estão fazendo é de Deus”. Devo dizer aqui a esses dois sacerdotes — caso chegam a ler este escrito — que foi para mim uma grande alegria e um grande consolo receber sua mensagem, e que estive durante muitos anos com o desejo de saber o que foi que lhes abriu os olhos; e creio que seria de um grande valor para a Santa Igreja e as almas que, ante os acontecimentos presentes, dessem seu testemunho e dissessem como foi que se desenganaram.
ALGUNS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS
1° Jamais disse que o Sr. Faure teve um enterro judaico, como o Padre Faure tem repetido maliciosamente ao longo de muitos anos para confundir. O que de fato disse e sigo sustentando é que EM SUA CASA — ou seja, ANTES das cerimônias católicas e do enterro que se realizaram DEPOIS —, vimos algo que não tinha nada de católico. O que tenha acontecido depois, no seminário ou no cemitério, são coisas muito diferentes.
2° Houve uma confusão acerca da identidade de uma das testemunhas, confusão que causou muitos problemas e que segue causando-os até o dia de hoje, a qual foi provocada involuntariamente pelo agora Padre Rafael Lira Gutiérrez.
Quando fiz a denúncia, eu não conseguia lembrar quem havia sido a terceira testemunha além do então seminarista Ricardo Olmedo e de mim, e por mais que me esforçasse e perguntasse, não conseguia averiguá-lo. Mas, por uma confusão causada pelo Padre Lira, todos nós acreditamos que tinha sido ele. A verdadeira terceira testemunha tinha sido o também então seminarista José de Jesús Becerra Rodríguez, que depois, sendo já sacerdote, por medo e para não se comprometer — creio eu, porque o conheço bem —, faltou ao seu dever de dizer o que tinha visto e aproveitou a confusão causada pelo Padre Lira para calar como um túmulo sobre ter sido ele a verdadeira terceira testemunha em discussão, causando gravíssimos problemas com o seu silêncio.
Quando, com o tempo, inevitavelmente se esclareceu a identidade da terceira testemunha e veio à tona que esta tinha sido o Padre José de Jesús Becerra Rodríguez, e se lhe cobrou a razão pela qual havia calado algo tão grave e importante, causando inumeráveis danos e problemas com isso, a única coisa que fez diante da pergunta, parece-me recordar agora, foi dizer algo como: “e bueno…” — foi esta, ou uma expressão indefinida equivalente, toda a sua resposta, o que equivale, pura e simplesmente, a guardar silêncio novamente. No entanto, devo acrescentar aqui por razões de estrita justiça e para certo desagravo da responsabilidade do mesmo Padre Becerra, que este tentou depois — ainda que sob pressão — emendar sua falta esclarecendo o assunto perante as autoridades da FSSPX por mediação do Padre Giulio Tam,[35] e a surpreendente resposta e “conselho” que recebeu por parte do Padre Tam foi que calasse a verdade, dizendo-lhe: “Isso muda as coisas, em você, sim, eu creio, mas não vá dizer nada, porque não irão acreditar em ti”. Assim terminou naquele tempo a tentativa do Padre Becerra de esclarecer tal confusão, a qual, aliás, persiste causando grande dano até os dias de hoje.
Dirijo-me neste ponto, com todo o respeito, a S.E.R. Dom Andrés Morello para rogar-lhe que peça ao Padre José de Jesús Becerra Rodríguez[36] que testemunhe o que viu junto comigo e o Padre Olmedo, já que o silêncio de referidos padres foi aproveitado pelo Padre Schmidberger e sua equipe para acusar a todos nós — incluindo o senhor, Dom Morello — de caluniadores na crise do Seminário de La Reja, silêncio que foi aproveitado, além disso, pelo dito Padre Schmidberger para deixar na mais completa impunidade o Padre Faure e os demais acusados na crise de La Reja. E o assunto não termina aí, pois o mais grave de tudo é que, se não dermos todos — refiro-me ao Padre Becerra — o nosso testemunho, estarão em perigo muitíssimas almas de fiéis e sacerdotes que, fugindo da traição das autoridades da FSSPX, irão inocentemente buscar refúgio no agora Dom Jean-Michel Faure. Eu não quero carregar em minha consciência uma coisa dessas, com o agravante de que está em jogo grande parte do pouco que ainda resta da verdadeira Igreja Católica. S.E.R. Dom Morello: Apesar de todas as coisas e de todos os anos, sempre tive o senhor em alta consideração; o senhor nunca deixou de estar nas intenções das minhas missas e em minhas orações. Rogo-lhe que faça algo a respeito do agora tão necessário testemunho público do Padre Becerra.[37]
3° Quero finalizar este ponto sobre o que presenciamos na morte do pai do Padre Faure pedindo aos que lerem isto que, se tiverem a oportunidade de fazê-lo, pressionem os Padres Ricardo Olmedo e José de Jesús Becerra Rodríguez para que testemunhem sob juramento se é verdade ou não o que disse. Esclareço que, se consignei aqui estes padres como testemunhas oculares do fato junto comigo, é simplesmente porque o foram, e não porque eu tenha a sua promessa de testemunhar o que eu estou testemunhando. E como sei que por medo ou por alguma outra razão podem calar-se ou negar-se a isso, como já fizeram no passado, vejo-me obrigado em consciência a dizer:
Que ponho os referidos Padres Ricardo Olmedo e José de Jesús Becerra Rodríguez ante o Juízo de Deus, no caso de que se neguem de novo a dar o seu testemunho. Porque não se pode trair impunemente o pouco que ainda resta da verdadeira Igreja Católica com um silêncio culpável em uma coisa tão profundamente grave e com tão grandes consequências para a Santa Igreja e as almas.
E que eu, por minha parte, juro por Deus que me há de julgar, consciente de que terei de prestar rigorosas contas perante o seu juízo divino e de que estou pondo em jogo a salvação da minha alma, que é verdade que fomos testemunhas do fato que acabo de narrar,[38] e que desafio o Padre Faure e as demais testemunhas de tal acontecimento, e a quem quer que seja, a que sustentem — se tiverem coragem —, sob este mesmo e idêntico juramento, que não se recordam, ou que NÃO aconteceu o que aqui disse que viram, ao menos em suas linhas mais importantes e fundamentais.
Mais do que isso não posso fazer, e espero não ter pregado aqui às pedras do deserto. “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça”. E se alguma pessoa precisar esclarecer alguma coisa, que entre em contato comigo diretamente. Estou à sua disposição. Meu endereço e telefone estão no início deste documento: Esta não é uma declaração anônima, como se costuma nas difamações pela internet.
Peço por amor de Deus e da Santa Igreja a todos os sacerdotes, religiosos e fiéis que tenham sido testemunhas destas e de outras coisas semelhantes na Fraternidade São Pio X ou na Igreja em geral, que tirem a máscara do inimigo prestando os seus testemunhos, que digam o que sabem, que testemunhem agora. Devemos dizer todos a verdade. Se o fizermos, muitas almas se livrarão da perigosíssima cegueira do ceticismo e da ignorância em que estão.[39] Considerem que incontáveis almas e a própria Igreja necessitam dos nossos testemunhos.
Rogo igualmente a todos os que leram isto que não se escandalizem nem desanimem com tudo o que aqui disse. Se nos mantivermos fiéis, estaremos seguros nas mãos de Deus, não importa o que aconteça. O próprio Cristo o afirmou assim: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; Eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as arrebatará da minha mão”.[40]
Não nos cause estranheza que se passem todas estas coisas; as tribulações e provações existiram na Santa Igreja inclusive desde a sua etapa do Antigo Testamento, onde já lemos como o fundador e pai dos carmelitas, o Santo Profeta Elias, acossado pelos inimigos da fé, terminou refugiando-se em uma caverna, onde Nosso Senhor lhe disse: “Que fazes aqui, Elias?”. Ele respondeu: “Ardo em zelo pela causa do Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel abandonaram a tua aliança, derrubaram os teus altares e passaram os teus profetas ao fio da espada; fiquei eu só, e procuram tirar-me a vida”.[41] Que panorama mais desolador que aquele contemplado então o Santo Profeta? Humanamente, tudo parecia perdido naquela ocasião e, no entanto, no dia de hoje, após milhares de anos, todos somos testemunhas de que ainda segue em pé — embora em um passageiro eclipse — a indestrutível Igreja de Cristo.[42] Felizes os que se mantiverem nela.
E agora me despeço voltando de novo — espero em Deus — à vida do claustro pelo resto da minha vida.
Encomendo este testemunho ao Maternal e Imaculado Coração de Nossa Mãe Santíssima do Carmo, para que ilumine as mentes e abrande os corações.
Que Deus nos abençoe a todos.
Frei Juan de Jesús, O.M.Carm.
“Dulce est mori pro Ecclesia Domini”








[1] Código de Direito Canônico, cânon 1935, §2.
[2] Peço-lhe que, em caso de dúvida, apegue-se antes de tudo ao original em espanhol que lhe envio junto com a tradução em inglês.
[3] Meu nome de religioso é Padre Frei Juan de Jesús e faço parte atualmente da Congregação Obra Mariana Carmelitana, e meu nome de leigo é Sergio Ruiz Vallejo; fui há muitos anos membro da FSSPX (ou Fraternidade Sacerdotal São Pio X), onde tive a graça de ser ordenado sacerdote por S.E.R. Dom Marcel Lefebvre no Seminário Nuestra Señora Corredentora de La Reja, na Argentina, onde desempenhei o trabalho de professor nas matérias de Teologia, Filosofia e Apologética.
[4] Para entender bem este escrito é necessário ler antes a carta aberta que enviei a S.E.R. Dom Richard Williamson pedindo-lhe que não sagrasse o Padre Jean-Michel Faure, e que pode ser consultada aqui: https://archive.org/details/OpenLettertoBishopWilliamson.
[5] Código de Direito Canônico, cânon 1935, §1: “No entanto qualquer fiel pode sempre denunciar o delito de outro para pedir satisfação ou ressarcimento de danos, ou também por amor à justiça, para que se repare algum escândalo ou mal”.
[6] Determina o Código de Direito Canônico, cânon 1935, §2: “Mais ainda existe a obrigação de denunciar em todos aqueles casos em que esta obrigação a impõem alguma lei ou preceito particular legítimo, ou bem o mesmo direito natural por razão de perigo da fé ou da religião ou a causa de algum outro mal público iminente”.
[7] E a outros pouquíssimos, a quem por grave necessidade e obrigação lhes devia dizer.
[8] Refiro-me à Fratenidade Sacerdotal São Pio X.
[9] Não posso deixar de recordar neste ponto as palavras do Apóstolo São Paulo, que, ao fazer um relato dos perigos que teve de padecer por pregar o Evangelho nos diz que passou por “perigos entre falsos irmãos” (II Cor. 11,26).
[10] Digo assim no plural porque a fizemos cerca de 30 clérigos, dos quais quase a quarta parte éramos sacerdotes, os demais eram seminaristas. A denúncia não foi apresentada em bloco, mas em partes e em diferentes datas, denunciando cada qual o que lhe constava.
[11] “Cui prodest”? A quem beneficiava algo assim? Obviamente não à Igreja. Ninguém pode se defender de seus agressores se o mantêm adormecido, inconsciente ou defendendo apenas idéias no plano abstrato.
[12] Apresento a seguir a lista de tais documentos, tão abundantes quanto desconhecidos: Clemens XII, litt. ap. “In eminenti”, 28 apr. 1738, §3, 4; Benedictus XIV, const. “Providas”, 18 mart. 1751; Pius VII, const. “Ecclesiam”, 13 sept. 1821, §9; Leo XII, const. “Quo graviora”, 13 mart. 1825, §11; Gregorius XVI, ep. encycl. “Mirari vos”, 15 aug. 1832; ep. encycl. “Qui pluribus”, 9 nov. 1846; allocut. “Quibus quantisque”, 20 apr. 1849; ep. encycl. “Nostis et Nobiscum”, 8 dec. 1849; allocut. “Singulari quadam”, 9 dec. 1854; ep. encycl. “Quanto conficiamur moerore”, 10 aug. 1863; ep. encycl. “Quanta cura”, 8 dec. 1864; allocut. “Multiplices inter”, 25 sept. 1865; const. “Apostolicae Sedis”, 12 oct. 1869, §II, n. 4; ep. “Quamquam”, 29 maii 1873; ep. encycl. “Etsi multa”, 21 nov. 1873; ep. “Exortae”, 29 apr. 1876; Leo XIII, ep. encycl. “Quod Apostolici”, 28 dec. 1878; ep. encycl. “Humanum genus”, 20 apr. 1887; ep. encycl. “Quod multum”, 22 aug. 1886; ep. “Officio sanctissimo”, 22 dec. 1887; litt. encycl. “Dall’alto”, 15 oct. 1890; ep. “Inimica vis”, 8 dec. 1892; ep. “Custodi di quella”, 8 dec. 1892; ep. encycl. “Caritatis providentiaeque”, 19 mart. 1894; ep. ap. “Praeclara”, 20 iun. 1894; ep. “Litteras a vobis”, 2 iul. 1894; ep. “Longinqua oceani”, 6 ian. 1895; S.C.S. Off. (Angliae et Hiberniae), 2 iul. 1845; 5 aug. 1846; (Portus Aloisii), 1 aug. 1855; litt. encycl. (ad Ep. Angliae), 16 sept. 1864; decr. 13 iul. 1865; litt. 8 nov. 1865; decr. 12 ian. 1870; instr. (ad Vic. Ap. Myssurien.), 1 feb. 1871, n. 4; instr. (ad Ordinarios Imperii Brasil.), 2 iul. 1878; (S. Hyacinthi), 7 mart. 1883; instr. 10 maii 1884; instr. 19 maii 1886, ad 1; (Norvegiae), 9 aug. 1893; instr. 20 aug. 1894; 3 aug. 1898; S.C. Ep. et Reg., instr. (ad Ep. Hungariae), 28 maii 1896, n. VI; S.C. de Prop. Fide, litt. encycl. (ad Deleg Ap. et Ep. Orient.), 24 sept. 1867; litt. encycl. 6 aug. 1885, n. 2; S. C. Indulg., Urbis et Orbis, 5 aug. 1851; S. Poenit., 4 aug. 1876.
[13] Isto é, o plano abstrato-teórico.
[14] O plano concreto-prático.
[15] Não nego que é muito importante demonstrar que algo é errôneo, mas também é necessário dizer: “Estas sociedades — ou inclusive estas pessoas — estão destruindo a Igreja. Defendam-na!”. Por não cuidar de ambos os aspectos, encontramo-nos na absurda e perigosa situação de que, enquanto refutamos ideologicamente os adversários no plano abstrato, estes estão destruindo a Santa Igreja no plano concreto.
[16] Digo deliberadamente judeus anticristãos e não judeus em geral porque não se trata aqui de acusar ninguém de ser judeu como se isso fosse um delito, e sim de fazer parte da militância anticristã.
[17] Corre nos meios tradicionais uma curiosa confusão que diz que a crise do Seminário de La Reja se originou em razão de nossos protestos porque não se ensinava ali sobre o tema da infiltração na Igreja; não sei de onde saiu esse grave erro; a realidade era exatamente o contrário: dávamos formação sobre o tema, e isso foi a causa de fundo e o centro em torno do qual girou toda a guerra interna que se desencadeou no seminário: não queriam que se continuasse a dar tal formação aos futuros sacerdotes. Tampouco a razão de tal crise se deveu — como alguns disseram — a confrontos de caráter pessoal. E, embora inevitavelmente o lado pessoal se tenha manifestado, foi apenas como um fator muito secundário, e não o cerne da questão.
[18] Faziam parte da “Rede” e eram especialmente perigosos: entre os fiéis, colaborador muito importante e de toda a confiança do Padre Faure na República Argentina, era Andrés de Asboth, cujo nome real era Andrés Tothvaradjay Asboth, a quem o Padre Faure cedia um escritório no priorado de Buenos Aires e que era nada menos que o diretor da revista “ROMA”; entre o clero, um dos que estavam e continuam a estar é o Padre Álvaro Calderón — a quem não se deve perder de vista —, protegido e favorito indiscutível do Padre Faure, em quem “A Rede” deposita grandes esperanças e para quem, ao que parece, tem grandes planos, e a quem o próprio Padre Faure se dedicou sem descanso a louvar e promover, aplainando-lhe todos os caminhos.
[19] Um exemplo: Em certa ocasião entrei na cozinha e estavam ali em completo silêncio o Padre Faure junto com o então Padre Alfonso de Galarreta. O Padre Faure segurava o telefone ao ouvido escutando e, quando entrei e os vi, disse: “Perdão, pensei que não havia ninguém”, ou algo assim; chamou-me um tanto a atenção que demonstrassem certo nervosismo e que não me respondessem com palavras, mas com gestos, como tentando me dizer com naturalidade: “Não há problema”. Saí da cozinha e cheguei à sala, e ali encontrei o Padre Enrique León falando normalmente ao telefone. Então entendi por que não me haviam respondido com palavras, mas com gestos: se o tivessem feito com palavras, o Padre Enrique León teria se dado conta de que estavam a escutar a sua conversa, e quem o estava a fazer. Aproximei-me então do Padre Enrique León e lhe disse em voz muito baixa, fazendo com que ele cobrisse o bocal do telefone: “O Padre Faure e o Padre de Galarreta estão te ouvindo pela extensão da cozinha”, e ele me respondeu do mesmo modo em voz baixa: “Já percebi”, e continuou a falar com toda a naturalidade. Quero ressaltar que no Priorado havia uma única linha telefônica. Este é o ambiente em que tinham de viver os subordinados do Padre Faure que não pertenciam à “Rede”. Os que conhecem o Padre Enrique León, perguntem-lhe se é verdade isto que narrei aqui, embora não se saiba se ele irá se atrever a falar sobre isso, já que o agora Dom De Galarreta é um dos seus superiores na FSSPX. Quero terminar esta nota dizendo que o verdadeiro nome de Dom Alfonso de Galarreta não é tal, mas sim Alfonso Pérez Ruiz Genua. Por que usa outro nome? Não sei.
[20] Sublinhei a palavra “notoriamente” para não dar margem a que alguém possa pensar ou dizer que talvez o Padre Faure não tenha notado o seu afeminamento. Essa notoriedade chegou a tal ponto que causou escândalo até mesmo entre os seminaristas, a ponto de comentarmos, quando isso acontecia: “Como era possível que o Padre tivesse trazido para o seminário um homossexual tão evidente?”. Para nós — em nossa inocência de então como seminaristas —, aquilo era algo que nos desorientava e nos parecia incompreensível, já que o juízo favorável que procurávamos manter sobre o superior se chocava com as evidências, de tal maneira que, como já disse antes em outro lugar, não compreendíamos o que estávamos vendo.
[21] Quando, neste caso, chamo-as de técnicas, refiro-me a procedimentos altamente eficazes aplicados metodicamente para causar dano, as quais muitas vezes só se podem explicar ou como o produto recente de uma mente brilhantemente maliciosa que as concebeu para aplicá-las contra os seus inimigos, ou como uma técnica muito aperfeiçoada, fruto da experiência acumulada por muitos indivíduos — inclusive ao longo de gerações —, à maneira de escola, e neste caso tal técnica seria adquirida por treino.
[22] A respeito da ambição: Atualmente o Padre Faure tem dito que não foi consagrado anteriormente por Dom Lefebvre porque recusou tal honra, o que não é verdade. É assombroso constatar como o Padre Faure dá como certo que ninguém tem memória. É completamente falso que o Padre Faure recusou ser bispo. Naquele tempo, antes das sagrações de Écône, ele dava como certo — e muita gente pensava igual a ele — que seria sagrado bispo. Estava tão seguro da sua futura sagração que até cometeu o erro de comentar no México e na Europa que iria ser bispo e que já “tinha conseguido uma mitra” para o seu enxoval episcopal e que “quando fosse bispo iria à Argentina para corrigir todos os erros do Padre Morello”. Mas para grande surpresa sua, não foi consagrado, e recordem todos os que estiveram em Écône, Suíça, para as sagrações dos bispos — eu também estive presente lá —, o semblante de desolação que tinha o Padre Faure então, sobretudo no almoço do dia das sagrações — eu também estive lá —, no qual havia no rosto do Padre Faure uma amargura e frustração que não conseguia disfarçar de modo algum, a ponto de ir sentar-se noutra mesa e de costas para a mesa principal onde, em razão do seu cargo, lhe correspondia estar. E também mostram esse rosto de frustração e amargura as fotografias da procissão da tarde desse mesmo dia, na qual Dom Lefebvre o fez acompanhá-lo ao seu lado. Recorro aqui à memória de todos os que estiveram lá naqueles dias, e às incontáveis fotografias tiradas nesses acontecimentos; os que as tiverem, vejam-nas, as fotografias não mentem. Dom Lefebvre era antes de tudo um homem de Igreja, não era um homem que agisse por impulso, mas por razões, e alguma razão deve ter tido para consagrar outro no seu lugar; e, quando Deus dispuser, essa razão será conhecida cedo ou tarde. “Nada há de tão oculto que no fim não se saiba”, disse Nosso Senhor.
[23] Inicialmente, mantive-me na teoria de que talvez o Padre Schmidberger tivesse atuado desse modo devido ao fato de que, por ser alemão, tinha pavor de ser acusado de antissemita. Atualmente já não posso pensar desta maneira. Além disso, há a flagrante traição que ele e os da sua equipe estão a fazer contra o pensamento e a obra de Dom Lefebvre, manifestada por atos distorcidos e envoltos numa roupagem de torpes justificativas de aparência ortodoxa. Tais atos são as suas reiteradas tentativas de chegar a um acordo com homens sem fé, pelo qual ficaria entregue automaticamente grande parte das almas da tradição a uma Roma que renega pertinazmente a Igreja Católica. São os fatos, mais do que as palavras, que nos dizem quem é quem, porque as más obras podem vir acompanhadas não só de palavras enganosas, mas inclusive de palavras verdadeiras e boas: Judas entregava Cristo — por obras — a seus inimigos, no mesmo momento em que dizia — por palavras — com toda a verdade e propriedade: “Salve, Mestre”… e nem por isso era menos traidor, mas, pelo contrário, a sua duplicidade agravava o seu pecado.
[24] É sem dúvida errado mexer nas coisas pessoais de outro, e esse fiel fez isso porque já suspeitava de algo a respeito dele. Essa mesma pessoa continua a sustentar ao longo dos anos que viu tais carimbos no passaporte, apesar de que, ao fazê-lo, tem de passar pela vergonha de aceitar que fez algo de errado mexendo num documento pessoal de outro, e nesse caso com o agravante de se tratar de um sacerdote.
[25] Tinha de me levar alguém porque eu não sabia conduzir automóvel naquele tempo, e Olmedo e Becerra eram seminaristas que faziam com frequência a função de motoristas do seminário.
[26] Seguramente calculou que não iríamos saber do que se tratava aquilo que fôssemos ver, e de fato assim ocorreu.
[27] Quero esclarecer aqui que ele não estava envolto numa espécie de lençol, que é como alguns visualizaram erroneamente a cena, erro, ao que parece, devido a ter-se usado neste caso a palavra “mortalha”.
[28] Embora a família do Padre Faure vivesse na Argentina, antes de chegar ali viveram muito tempo na Argélia e pertenciam àqueles a quem os franceses chamam os “pieds-noirs” (“pés negros”).
[29] Eu, em contrapartida, tive de viajar sem nenhuma permissão, já que não podia pedir permissão ao meu superior direto de então, o próprio Padre Faure.
[30] Estou quase seguro de que foi só a essa altura, pois não costumo tratar de coisas tão delicadas por telefone ou por carta.
[31] No meu caso, isso consta na carta que o Padre Schmidberger me escreveu expulsando-me da FSSPX, na qual tenta justificar minha expulsão dizendo que o fazia por minha “participação formal no complô contra a unidade da Fraternidade” e por eu “não ter aceitado o meu novo posto na França”. Ao final, anexo tal carta escrita do seu próprio punho, que eu guardo como um verdadeiro tesouro diante de Deus.
[32] Para ver a informação sobre esse tema, basta pesquisar no Google o termo “Urrutigoity”.
[33] Essa versão oficial arrastou a imensa maioria dos clérigos e fiéis da FSSPX que de boa-fé confiavam na integridade do Padre Schmidberger e da sua equipe, e contra tal versão não havia humanamente defesa alguma, pois que defesa humana podem ter uns simples sacerdotes ou seminaristas quando estão a ser difamados da pior forma pelo seu próprio superior-geral e pelo alto clero? A crise do seminário de La Reja é um dos tantos exemplos que há sobre como a voz da autoridade é capaz de sufocar a voz da verdade.
[34] Adiciono ao final a cópia de tal carta.
[35] Tam é o seu sobrenome. Ele acabou por se revelar um defensor e partidário decidido do Padre Faure depois de trair a nossa confiança, pois nos enganou fazendo-nos crer que nos apoiava a fim de obter informações, as quais depois transmitia ao Padre Faure. Peço aos que estão a ler isto que pesquisem por si mesmos e vejam com os seus próprios olhos as informações contidas na internet a respeito do sobrenome Tam.
[36] Digo isso porque, ao que parece, o Padre Becerra está sob o seu comando ou influência.
[37] O endereço e o telefone do Padre José de Jesús Becerra Rodríguez são: Av. Guadalupe # 187 Col. Chapalita. C.P. 45040 Guadalajara, Jalisco. México. Tel. 36-47-27-09. O endereço e telefone do Padre Ricardo Olmedo, eu os ignoro, mas creio que ele ainda pertence à FSSPX, e, ao que parece, faz parte dos sacerdotes do Seminário Nuestra Señora Corredentora na Argentina.
[38] Ninguém se escandalize por eu fazer este juramento. A moral católica ensina que, em determinadas circunstâncias, pode-se (e inclusive deve-se) jurar havendo motivo grave. E que coisa mais grave e justificada do que estar em jogo nada menos do que a Santa Igreja? Um exemplo claro disso é o juramento antimodernista que a Igreja ordena aos sacerdotes, fazendo-os pôr a mão sobre os Evangelhos.
[39] “A Verdade vos fará livres”.
[40] Jo 10,27–28.
[41] III Reis 19,9 e seguintes.
[42] “As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja”.
