DEVO ASSISTIR A UMA MISSA QUE NOMEIA O “PAPA FRANCISCO” NO CÂNON?
Padre Anthony Cekada (†2020), 1º de abril de 2014
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: Padre Cekada expõe o argumento de que é pecado grave assistir a missas tridentinas que citam o falso papa no Cânon — una cum —, mesmo para cumprir o preceito dominical. Ele sustenta teologicamente que a assistência ativa vincula o fiel às orações do sacerdote, inviabilizando qualquer retenção interior de consentimento. Afirma que reconhecer Francisco como papa no rito é uma validação de uma autoridade herética e uma compactuação com os desvios doutrinários da Igreja Conciliar. Conclui que o dano espiritual dispensa do preceito dominical, alertando que o contato com esse clero corrompe gradualmente a fé das famílias. Por fim, o ato é comparado ao grão de incenso do sacrifício idólatra, afirmando-se ser preferível ficar sem Missa a comungar sacrilegamente com hereges.
Nota d’O Recolhedor: Nada no texto abaixo se altera agora com o falso pontificado de Robert Prevost (Leão XIV)
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Um dos temas mais discutidos em fóruns tradicionalistas durante os últimos anos é se os católicos tradicionais devem assistir a missas nas quais o sacerdote menciona o nome de um falso papa (João Paulo II, Bento XVI ou agora Francisco) na primeira oração do Cânon. Essas missas são às vezes chamadas de “Missas una cum”, porque a expressão latina na qual é inserido o nome do papa reinante diz: una cum famulo tuo Papa nostro N. (“juntamente com o vosso servo N., nosso Papa”).
Ora, aqueles de nós que chegaram a uma compreensão correta da situação real da Igreja — os chamados “sedevacantistas” — afirmam que Bergoglio (Francisco) é um herege e, portanto, não é um verdadeiro papa. Sendo assim, à primeira vista, não faz absolutamente nenhum sentido para nós participar de uma missa na qual, poucos momentos antes da consagração, o sacerdote proclama que Bergoglio é Papa nostro — “nosso Papa”.
Em muitas partes do mundo, contudo, a única missa tridentina disponível pode ser aquela oferecida por um sacerdote (Motu, FSSP, FSSPX ou independente) que insere o nome do falso papa no Cânon. Diante da escolha entre isso ou nada, o leigo às vezes se sente tentado a assistir à missa assim mesmo. Por que não simplesmente ignorar o nome no Cânon e “apenas ir pela missa”?
Para responder a essa pergunta, recorri aos escritos de liturgistas, canonistas e teólogos anteriores ao Vaticano II, bem como a diversos pronunciamentos e decretos papais. É aí que nós, sacerdotes, deveríamos procurar as respostas, em vez de simplesmente confiar em nosso instinto, em opiniões pessoais e em dar tiros no escuro.
Com base nessa pesquisa, escrevi um estudo extenso intitulado “The Grain of Incense: Sedevacantists and Una Cum Masses” (“O Grão de Incenso: Sedevacantistas e Missas Una Cum”) e o publiquei há cerca de um ano. Minha resposta (em resumo) foi a seguinte: Não, você não pode simplesmente “ignorar” o nome de Francisco no Cânon de uma missa tridentina. Isso afirma que ele é um verdadeiro papa e, ao assistir ativamente a uma missa desse tipo, você participa dessa falsa afirmação. Uma vez que você sabe que ele não é o papa, isso se torna pecaminoso.
Apresento toda a documentação teológica para essa resposta em “The Grain of Incense”. Mas, como a leitura de um artigo longo não é exatamente do agrado de todo tradicionalista (mesmo que eu coloque algumas tiradas espirituosas nas notas de rodapé), decidi escrever este breve resumo dos meus argumentos.
I. O QUE SIGNIFICA A ORAÇÃO “UNA CUM”?
Há duas formas de considerar isso: o significado linguístico (o que significam a gramática, os termos e o contexto?) e o significado teológico (quais doutrinas ela expressa?).
(a) Linguisticamente. Dessa perspectiva, inserir o nome de Bergoglio na expressão una cum do Cânon afirma que ele é um verdadeiro papa (“nosso papa”). Obviamente, rejeitamos isso. Também afirma que Bergoglio é membro da verdadeira Igreja, porque seu nome é mencionado na oração pela Igreja. Também rejeitamos isso. Pois a própria base de nossa posição é o ensinamento de canonistas e teólogos segundo o qual a perda da condição de membro da Igreja produz a perda automática do pontificado no caso de um papa herege. A heresia em um papa o coloca fora da Igreja e, consequentemente, fora do cargo.
(b) Teologicamente (doutrinariamente). Em “The Grain of Incense”, resumi os significados teológicos tradicionais que diversos teólogos, canonistas e liturgistas atribuíram à expressão una cum no Cânon.
Quando inserimos o nome de Bergoglio na oração e aplicamos esses significados a essa expressão, temos o seguinte resultado:
- O herege/falso papa Bergoglio é “o chefe da Igreja, o vigário de Cristo e o sucessor do bem-aventurado Pedro”.
- O reconhecimento do herege/falso papa Bergoglio no Cânon é “a principal e mais gloriosa forma de comunhão” com ele, “a profissão de uma mente e de uma vontade que esposam firmemente a unidade católica”.
- A inclusão do nome do herege/falso papa Bergoglio no Cânon o designa como “o princípio da unidade”.
- Mencionar o nome do herege/falso papa Bergoglio no Cânon é um sinal de que você “não está separado da comunhão com a Igreja universal”.
- A menção do nome do herege/falso papa Bergoglio no Cânon “é uma prova da ortodoxia daquele que oferece [o sacrifício]”.
- O herege/falso papa Bergoglio é o “Pontífice reinante, o pastor visível e o intermediário autorizado junto a Deus todo-poderoso para os diversos membros de seu rebanho”.
Uma vez que somos coerentes quanto à situação da Igreja — Bergoglio é um herege e não é papa —, essas proposições são absurdas. Entretanto, é isso que resulta quando um sacerdote professa no Cânon que oferece a Missa tradicional una cum — “juntamente com o Vosso servo Francisco, nosso Papa”.
II. NÃO POSSO SIMPLESMENTE “RETER O MEU CONSENTIMENTO”?
O sacerdote em uma missa una cum, naturalmente, é aquele que pronuncia a frase censurável. Não poderia o fiel sentado no banco que se opõe a ela simplesmente “reter seu consentimento” quanto a essa parte do Cânon, mas ainda assim assistir à missa no restante, a fim de cumprir seu preceito ou obter graças sacramentais?
Bem, não. Para cumprir sua obrigação dominical ou obter graças sacramentais na missa, é necessária uma assistência ou participação ativa. Trata-se de uma proposição do tipo “tudo ou nada”. Ou você assiste ativamente, ou não assiste.
Em “The Grain of Incense”, enumerei pelo menos nove maneiras pelas quais um católico presta assistência ativa a uma missa tridentina quando ela é celebrada. Cada uma delas é uma verdadeira forma de assistência ou participação ativa e, segundo o ensinamento católico, constitui “cooperação ou ação comum com outro nas orações e funções do culto”. Citei vários papas e teólogos anteriores ao Vaticano II que ensinaram que os leigos que assistem ativamente à Missa, ao fazê-lo, manifestam seu consentimento e sua cooperação moral com o sacerdote enquanto ele oferece o sacrifício. De fato, a unidade moral com o sacerdote é necessária para cumprir o preceito dominical.
Por fim, demonstrei que os Padres da Igreja e, de fato, o próprio Papa Pio XII, na encíclica Mediator Dei, ensinam especificamente que os fiéis que assistem ativamente à Missa ratificam, dão seu assentimento e participam das orações do Cânon que o sacerdote recita, ainda que eles próprios não recitem vocalmente essas orações.
Portanto, não há maneira de evitá-lo. A mesma assistência ativa à Missa exigida para o cumprimento do preceito dominical também o une indissoluvelmente à ação do sacerdote no altar. Assim, quando ele proclama durante o Cânon que oferece o sacrifício “juntamente com o vosso servo Francisco, nosso Papa” — o arqui-herege e falso papa Bergoglio —, a oração dele é a sua oração.
III. O QUE HÁ DE ERRADO EM PARTICIPAR?
Em “The Grain of Incense”, respondi a essa pergunta longamente. Demonstrei que, uma vez que você tenha compreendido a situação real da Igreja — isto é, que Bergoglio não é um verdadeiro papa —, mas, ainda assim, assista ativamente a uma missa una cum, por esse próprio fato você:
- Diz uma mentira perniciosa.
- Professa comunhão com hereges.
- Reconhece como legítima a Igreja Ecumênica e Globalista.
- Professa implicitamente uma religião falsa.
- Condescende com uma violação da lei da Igreja.
- Participa de um pecado.
- Oferece a Missa em união com o herege/falso papa Bergoglio.
- Reconhece o usurpador de um ofício eclesiástico.
- Oferece ocasião para o pecado de escândalo.
- No caso das missas oferecidas pelo clero da “resistência” (FSSPX, suas afiliadas e muitos clérigos independentes), participa de missas gravemente ilícitas e condescende com o pecado de cisma.
Tais atos não são coisas que você queira carregar na consciência.
E as conclusões acima, asseguro-lhe, não são meros produtos de meus caprichos e reflexões pessoais. Elas se baseiam nos ensinamentos dos vários canonistas, moralistas, teólogos e decretos aprovados pelos papas que cito e transcrevo em meu artigo original.
IV. OBJEÇÕES, POR FAVOR…
Por fim, em “The Grain of Incense”, enumerei dez (10) objeções previstas ao meu argumento e, com base em diversas fontes teológicas, respondi a cada uma delas.
Aqui, recapitularei apenas as mais comuns e oferecerei uma breve resposta. Para uma explicação mais completa, reitero, consulte o artigo.
(a) Meu preceito dominical tem precedência? Falso. Há muitas causas legítimas que dispensam dessa obrigação. A assistência ativa a uma missa una cum envolve você, entre outras coisas, no reconhecimento da falsa igreja e da falsa religião do Vaticano II. Obviamente, isso constitui “notável dano espiritual” — uma das condições que dispensam os católicos do preceito dominical.
(b) O sacerdote “tem boas intenções”? Irrelevante. Isso não muda o significado de una cum, nem o fato de que você participa dele. O sacerdote pode não saber melhor — mas você certamente sabe.
(c) Sacerdotes “sedevacantistas” têm opiniões diferentes? Essas opiniões só têm tanto valor quanto as razões que as sustentam e, pelo que tenho visto, elas são, em sua maioria, reações de improviso. Mas a teologia, e não o mero instinto, deve ser a base para abordar uma questão de tamanha importância. Se algum sacerdote discorda de minhas conclusões em “The Grain of Incense”, convido-o a pesquisar a questão nas diversas fontes que citei e, então, oferecer uma refutação ponto por ponto dos meus argumentos. Ninguém, note-se, fez isso até agora. Até lá, confio plenamente na solidez dos meus argumentos e conclusões.
(d) Minha família e eu perderemos as graças da Missa e, portanto, a própria fé? Serei direto e reto: você NÃO pode obter graça alguma em uma missa na qual, sabendo disso e participando ativamente, você toma parte em uma mentira sacrílega que afirma a legitimidade da falsa hierarquia e da falsa religião do Vaticano II. E quanto aos seus filhos, o criptomodernismo do clero das missas Motu — mesmo que você consiga o “bom” cibório com as hóstias validamente consagradas — ou os erros venenosos da FSSPX acerca do papado acabarão por corromper a fé de seus filhos. Em três décadas como sacerdote, vi muitas famílias que antes eram solidamente tradicionalistas renderem-se passo a passo à nova religião por causa da decisão de frequentar uma missa una cum “conveniente”. Não dê o primeiro passo por esse caminho.
V. E AGORA, EM UNIÃO COM BERGOGLIO?
Suspeito que muitas almas tenham deixado a questão do una cum passar em branco porque predominava a percepção geral de que João Paulo II e Bento XVI ao menos davam a aparência de serem de algum modo mais “tradicionais”, e que isso de certa forma atenuaria o ato de um sacerdote desinformado que mencionasse João Paulo ou Bento no Cânon.
Quanto a esse ponto, porém, a eleição de Bergoglio é um divisor de águas. Ele é um modernista declarado, decidido a implementar o Vaticano II e a destruir os próprios fundamentos do Magistério da Igreja. Como observei em um artigo anterior, em outubro de 2013, isso se torna evidente quando reunimos os resumos das declarações escandalosas que Bergoglio fez sobre questões de fé e moral:
(a) Fé. “Não existe um Deus católico; já não existe segurança doutrinal; aquele que afirma ter todas as respostas não tem Deus dentro de si; fazer proselitismo é um absurdo; ateus podem ir para o céu etc”.
Essas declarações destroem o significado do Credo, a natureza de Deus, a possibilidade de chegar às verdades doutrinais, a missão divina de converter os outros a essas verdades e a fé como requisito para a salvação eterna.
(b) Moral. “Os ensinamentos morais (sobre o sexto e o nono mandamentos) constituem uma multiplicidade desconexa de doutrinas que não podem ser impostas com insistência; não se deve ficar obcecado por tais questões (aborto, ‘casamento’ gay e contracepção); aquilo que objetivamente constitui adultério admite uma ‘solução pastoral’; quem sou eu para julgar?; cada um tem sua própria visão do bem e do mal; a interferência espiritual na vida pessoal é impossível etc.”
Essas declarações apresentam os pecados mortais como ninharias, censuram como “obcecados” aqueles que afirmam o contrário, banalizam o adultério, reprovam os juízos morais, entronizam a consciência como autônoma e suprema e, na prática, renunciam ao direito do Magistério de dizer qualquer coisa à consciência individual.
Desde que escrevi o que precede, vimos Bergoglio deturpar o conteúdo do (blasfemo) Alcorão e incentivar publicamente os muçulmanos a segui-lo, dirigir-se a um leigo protestante como seu “irmão bispo”, caracterizar o pentecostalismo protestante como uma manifestação do Espírito Santo, fazer vista grossa à contracepção e às “uniões civis” e, mais recentemente, elogiar um discurso do Cardeal Walter Kasper que abriu caminho para a administração dos sacramentos a católicos em segundas uniões (adúlteras).
Poderia algum sedevacantista em sã consciência defender agora a proposição de que assistir a uma missa na qual um herege desse tipo é proclamado verdadeiro papa — e, na verdade, oferecida em união com ele — não seja ofensivo a Deus e constitua simplesmente uma questão de mera indiferença?
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Para aqueles que ainda não leram nosso artigo original, seu título, “The Grain of Incense”, pode parecer um tanto intrigante. Ele faz alusão à prática romana durante as perseguições de permitir que um cristão escapasse da morte caso lançasse apenas um único grão de incenso em um fogo aceso em honra a falsos deuses. Repetidas vezes, os cristãos escolheram o martírio em vez de realizar esse pequeno ato de tributo a uma falsa religião. Um relato comovente encontra-se no Martirológio Romano e é cantado todos os anos na Vigília de Natal:
“Em Nicomédia, muitos milhares de santos mártires. Na festa do nascimento de Cristo, eles haviam se reunido na casa do Senhor, e o Imperador Diocleciano ordenou que as portas da igreja fossem fechadas e que tudo fosse preparado para fazer fogo ao redor dela. Então colocou diante da porta um tripé e incenso, e enviou um arauto para proclamar em alta voz que todo aquele que quisesse escapar de ser queimado deveria sair e oferecer incenso a Júpiter. Ao que todos responderam a uma só voz que prefeririam muito antes morrer por amor de Cristo. Então ele ateou fogo, e eles foram consumidos; e, naquele mesmo dia em que aprouve a Cristo nascer neste mundo para salvá-lo, eles nasceram para o Céu.”
Vaticano II e os “papas” pós-conciliares, como sabemos, buscaram criar uma religião global ecumênica e sem dogmas — uma grande tenda para todas as religiões, sob a qual cada uma é considerada mais ou menos boa. Há lugar para você nesse circo, mesmo que esteja “apegado” à Missa tridentina. Tudo o que você precisa fazer é reconhecer Bergoglio como seu mestre de cerimônias.
É isso que você faz quando assiste ativamente a uma missa na qual o sacerdote — Motu, FSSP, FSSPX ou independente — proclama no Cânon que oferece a Missa “juntamente com o vosso servo Francisco, nosso Papa, e todos os verdadeiros crentes e professos da Fé Católica e Apostólica”.
Melhor não ter missa alguma do que participar de tal blasfêmia. Melhor morrer do que oferecer esse grão de incenso à religião ecumênica do Anticristo.
