CRISTO ERA JUDEU? NÃO
Rodrigo Silva Barros, 3 de abril de 2013
Fonte: https://wwwmileschristi.blogspot.com/2013/10/era-cristo-judio-decididamente-no.html
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: O texto defende que Jesus Cristo não possui vínculos raciais, religiosos ou culturais com os judeus contemporâneos, diferenciando o israelita bíblico do judeu talmúdico moderno. O autor sustenta que a população judaica atual descende majoritariamente de khazares e idumeus convertidos, e não das doze tribos de Israel. Através de análises etimológicas e históricas, argumenta-se que termos como “judeano” referem-se a uma localização geográfica, preservando a identidade de Cristo como um judaíta de linhagem pura. Por fim, o artigo associa a fisionomia de Jesus a traços nórdicos e atribui conflitos históricos à perseguição de Esaú (idumeus/judeus) contra Jacó (israelitas/cristãos).
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De Nostra Aetate em diante, passando pela declaração dada por Josemaría Escrivá de Balaguer em 14 de fevereiro de 1975, em resposta à afirmação “Padre, eu sou hebreu…” de um jovem barbado em uma de suas conferências na casa de retiros de Altoclaro, perto de Caracas — um ano antes, em 5 de julho de 1974, ele havia dado uma resposta semelhante a uma mulher no colégio Tabancura, na Região Metropolitana de Santiago do Chile: “Eu amo muito os hebreus porque amo muito a Jesus Cristo — com loucura! — que é hebreu. Não digo era, mas é: Jesus Christus, heri et hódie, ipse et in sǽcula. Jesus Cristo continua vivendo, e é hebreu como você. O segundo amor da minha vida é uma hebréia, a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo. De modo que te olho com carinho. Continue…”, um dos lugares-comuns da Igreja Conciliar é afirmar que Nosso Senhor Jesus Cristo era judeu — inclusive, houve um clérigo modernista que chegou a dizer que o antissemitismo é incompatível com ser cristão porque — citando Bergoglio — dentro de cada cristão há um judeu.
Afirmação, sem dúvida, falaciosa, ao menos se por “judeu” se entende o grupo populacional que habita principalmente a Entidade Sionista (atenção à palavra “principalmente”, pois também existem em outras partes do mundo, como Europa, Estados Unidos e Argentina) e que professa o talmudismo como religião. Pois a maior parte desses “judeus” nem sequer são descendentes dos hebreus, mas dos turcos chamados khazares (em hebraico כּוּזָרִים, kuzarim; em árabe خزر, jazar; em turco, hazarlar; em grego, χαζαροι; em russo, хазары; em tártaro Xäzärlär; em persa خزرها, xazarhâ; em latim, gazári ou cosri), que habitaram o norte do Cáucaso e que, sob o reinado de Bulán Sabriel (os khazares, como todos os povos turco-mongóis, tinham um governo diárquico, composto pelo líder militar — bey — e pelo rei cerimonial — jan —, que posteriormente se unificariam em uma só pessoa), em meados do século VIII adotaram o judaísmo e a escrita hebraica para seu idioma, processo que atingiu seu auge com Abdias Jan no século seguinte.
PREFÁCIO
Blog Amor de la Verdad
O título deste artigo, à primeira vista chocante, deve ser entendido no sentido de que Cristo, Jesus de Nazaré, nada tem a ver com os atuais judeus do Estado de Israel e da Europa/América, nem histórica, nem geográfica, nem racial ou culturalmente, e muito menos com a religião praticada por eles, que é a religião talmúdica, diferente da religião mosaica.
Este artigo, que trago do blog Cantinho do Primo Rodrigo, enuncia e demonstra a tese de que, com alta probabilidade, os atuais judeus de Israel e da Europa/América não têm nada a ver com o povo israelita, os descendentes das doze tribos de Israel, os filhos de “nosso pai Jacó” (a mulher samaritana). É nesse sentido que o título da entrada é verdadeiro. Cristo não era, de maneira alguma, judeu, no sentido atual da palavra. Eles são tão gentios quanto nós ou os árabes.
Para a melhor compreensão deste interessantíssimo e esclarecedor artigo que reproduzo, é preciso levar em conta a distinção de alguns termos, que são os seguintes:
- Judaíta: do sangue da tribo de Judá.
- Israelitas: o povo eleito descendente de qualquer uma das doze tribos de Israel.
- Judeano: habitante da Judéia ou peregrino e de passagem por ela (Cristo não era deste grupo, embora o fosse São Paulo, judeu da tribo de Benjamim). Equivale ao termo Ioudaios, usado na Bíblia grega, particularmente no Novo Testamento.
- Idumeu: povo semita que, no tempo de Jesus, habitava a Judéia, em amálgama com os israelitas. De fato, chegou a se infiltrar na elite governante, como Herodes e o partido saduceu, ou parte da classe sacerdotal dos levitas do tempo de Jesus.
- Judeu: grupo étnico, cultural e religioso atual do Ocidente que reivindica ser descendente dos israelitas.
O artigo estabelece, com abundância de provas, que o judeu ocidental de estirpe asquenaze, em grande parte adepto ou simpatizante do sionismo, movimento político e cultural que reivindicou e conseguiu, em nossos dias, o retorno à “terra prometida” da Palestina, e nela se mantém em contínua guerra com os árabes seus habitantes, não é, na realidade, verdadeiramente israelita. Nem por religião (talmúdica), nem por cultura, nem por raça (aparentada com a turca, como descendentes do povo turco khazar, ou khazaritas), nem pela origem geográfica de seus antepassados, nem pela língua — o iídiche — de seus ancestrais, que é uma língua euro-asiática, ainda que influenciada pelos escritos rabínicos, pode ser identificado com o povo israelita, ao qual pertenceu Jesus, religiosa, racial e culturalmente. Nesse sentido, Cristo decididamente não era judeu. Como o artigo assinala, o povo israelita, ao contrário do idumeu, quase desapareceu da história em sucessivos genocídios, embora em parte tenha engrossado a Igreja cristã primitiva.
São muito interessantes as notas de rodapé do artigo, assim como a explicação das imagens numeradas. Também é recomendável ler os artigos aos quais o texto faz referência.
CRISTO ERA JUDEU? NÃO
Rodrigo Silva Barros
Os judeus não são da etnia israelita. São uma mistura de idumeus semitas e turcos khazaritas, cujos descendentes emigraram para a Europa, enquanto outros permaneceram na península da Criméia. Eles são como nós, árabes ou europeus, gentios. No entanto, são talmudistas.
Israel, sob o Império Romano, dividiu-se em três nações: Galiléia, Samaria e Judéia. Nosso Senhor Jesus Cristo veio a seus próprios irmãos de raça, isto é, aos israelitas raciais que viviam naquelas nações: uns eram samaritanos, outros galileus e outros judeanos. Ele não veio para os idumeus e tampouco para os judeus genéricos (judeanos), os quais são chamados no grego bíblico de Ioudaios. É muito importante que isso fique claro. Os judeanos (Ioudaios) foram os filhos de Israel da tribo de Judá (e não da Judéia) que se misturaram com os idumeus conquistados e assimilados por João Hircano, ao serem obrigados por ele a converter-se à tradição religiosa oral dos israelitas. A título de exemplo, o rei Herodes, o Grande, era um idumeu que, por força do Império Romano, usurpou o trono de Israel.

É importante destacar que Herodes iniciou uma miscigenação racial entre ele e a filha do sumo sacerdote de Israel, uma mulher de incrível beleza, Mariamne I. Certamente, esse exemplo deixou uma profunda impressão no partido sacerdotal dos herodianos entre os saduceus, que julgavam que Herodes era o Messias. Sem dúvida, os herodianos imitaram seu chefe na amalgamação de levitas e idumeus. Dessa forma, a pureza obrigatória da linhagem levítica — a elite sacerdotal encarregada do Templo de Jerusalém e do Sinédrio — foi pouco a pouco desaparecendo antes mesmo do nascimento de Cristo. Esses fatos explicam como surgiu uma nova elite sacerdotal, em parte israelita e em parte iduméia. Essa elite mestiça era constituída pelos saduceus que se opuseram ao nosso Senhor Jesus. Os essênios, originalmente saduceus, deixaram uma vasta obra literária apocalíptica em sua luta contra os novos saduceus. Parte dessa literatura essênia sobreviveu nas cavernas de Qumran. Os essênios julgavam-se aptos para oficiar no Templo de Jerusalém pela pureza racial que conservaram desde o cativeiro babilônico.

(Fonte: Melbourne School of Theology)
Não é irreal supor que José Caifás, o sumo sacerdote que julgou criminosamente Jesus Cristo, nosso Deus, tenha sido um idumeu mestiço.
De todo modo, os idumeus, os judaítas e os benjaminitas viviam juntos na Judéia, e por isso eram referidos indistintamente como judeanos. Devido ao fato de que a Iduméia ficava ao sul da Judéia, os idumeus convertidos à tradição oral dos israelitas habitaram principalmente a Judéia. De tudo isso, fica claro por que os Evangelhos narram que Herodes se perturbou, juntamente com toda Jerusalém, quando soube que o Messias havia nascido em Belém (Mt 2). Ele temia, juntamente com a elite iduméia/israelita de Jerusalém, que o verdadeiro Rei de Israel reclamasse o seu trono dos idumeus misturados com a elite da cidade. Já se havia cumprido o tempo para que o Messias aparecesse segundo o cálculo das semanas proféticas de Daniel. Muitos em Israel estavam em compasso de espera, razão pela qual surgiram vários candidatos a Messias em diversos lugares. Herodes reagiu ao nascimento de Deus encarnado matando as crianças israelitas de Belém. Ao fazer isso, ele claramente se antecipou às tendências deicidas dos idumeus. Herodes chegou inclusive a matar um de seus próprios filhos ainda bebê, para que nem sequer alguém de sua descendência pudesse reivindicar ser o Messias.

Sobre o termo “Ioudaios”

Para ver um exemplo de como “judeano” é um termo genérico, podemos citar o apóstolo São Paulo. Ele afirma ser um Ioudaios (Gl 2,15). Mas acrescenta: da tribo de Benjamim (Rm 11,1). Ou seja, São Paulo é um judeano, Ioudaios (não judaíta), porque viveu na Judéia, e de Benjamim porque nasceu dessa linhagem. É significativo que Cristo nunca tenha dito de si mesmo ser um Ioudaios. Ele não o era. Ele não viveu na Judéia. Ele e sua família eram nazarenos, porque viviam em Nazaré, na Galiléia (Mt 2,23). No entanto, eram judaítas de sangue.
Na verdade, o termo “judeano” é tão elástico que pode significar até mesmo os peregrinos estrangeiros de passagem pela Judéia (At 2,5).
São Paulo diz que nós somos Ioudaios espirituais (Rm 2,28–29). Mas é preciso entendê-lo como uma metonímia para “israelitas”, o verdadeiro povo eleito. O israelita, como é sabido, compreendia uma amálgama de povos no tempo do Novo Testamento. É algo similar à ofensa dita contra os brasileiros nos EUA, os quais são referidos indistintamente com os hispânicos como cucarachas (baratas). Essas denominações culturais, como a de judeanos, frequentemente mudam com o tempo, mas esta foi conservada na Bíblia. Assim, o Ioudaios espiritual não significa “judeu”, palavra que surgiu no século XVIII e que inclui também alguns europeus orientais. E tampouco significa idumeu, descendente de cananeu.
Pôncio Pilatos mostrou-se irônico com nosso Senhor quando ordenou a seus soldados escrever no título da cruz de Cristo: “Jesus de Nazaré, Rei da Judéia”. Como se dissesse: “João VI de Lisboa, Imperador do Brasil”. Para Pilatos, era ilógico que os inimigos de Cristo afirmassem que Ele era um rei usurpador da Judéia (Ioudaia), sendo Ele um galileu. Era mais lógico que seus detratores alegassem que Cristo queria ser o rei da Galiléia. Pilatos percebeu a conduta insidiosa dos inimigos de Cristo.
A era de Edom
Após a completa destruição de Jerusalém no ano 70 e a subsequente revolta de Bar Kochba no século II, os israelitas e os idumeus praticamente desapareceram da Palestina.[1] A sorte dos israelitas foi mais funesta e cruenta do que a dos idumeus, pois foram submetidos a sucessivos e diversos eventos de extinção global pelas mãos dos romanos, após a destruição de Jerusalém.[2]
Mas os idumeus de tradição religiosa israelita, que não sofreram essas calamidades na Palestina, tornaram-se uma colônia ínfima no país.
Essa situação manteve-se sem mudanças até a conquista muçulmana da Palestina no século VII. Os muçulmanos iniciaram uma campanha agressiva de expansão global nos territórios compreendidos no Império Romano do Oriente, chegando assim às portas da Khazária. Ela provocou uma migração da população iduméia para a Europa. Como o talmudismo é uma religião monoteísta cuja aparência se aproxima do maometismo, os khazares converteram-se ao talmudismo no século VIII, na esperança de que isso lhes trouxesse um entendimento ou uma trégua com os muçulmanos. A conversão da Khazária levou os idumeus farisaicos da diáspora a se transferirem em massa para o Império Khazar.

Após a queda da Khazária sob o então Duque de Kiev no século X, os idumeus, então já miscigenados com os turcos khazaritas, espalharam-se pela Rússia e pela Europa Central, sobretudo pelas regiões do Volga, da Polônia e da Hungria. Essa mistura racial constitui o povo asquenaze que conhecemos hoje. Essa é a razão pela qual Nosso Senhor Jesus Cristo é tão fisicamente diferente de um judeu comum de hoje. Cristo não é realmente um judeu. Não o é nem religiosa, nem cultural, nem geográfica, nem tampouco racialmente. No entanto, ele é carnalmente um irmão puro de um puro jafetita.
Diversos documentos históricos (por exemplo, o relatório de Públio Lêntulo a Tibério César, a entrevista de Gamaliel, etc.) descrevem Cristo como sendo loiro, de cabelos ondulados ao lado das orelhas e lisos em outras partes da cabeça, e como tendo olhos azuis. São essas características que faltam à simulação do rosto do Sudário. Davi e Salomão, antepassados de Cristo, também eram loiros, como o diz a Septuaginta, o Antigo Testamento divinamente inspirado. A iconografia romana dá testemunho da belíssima aparência nórdica de Jesus Cristo, e a ortodoxa também, embora com menor precisão. Na Igreja oriental, o ícone nunca teve por objetivo o realismo artístico. Os orientais sempre se contentaram com a mera mensagem doutrinária de um ícone ou com uma simples lembrança que ele traz por meio de associação mais vaga. A Tradição que retrata Cristo com a sua aparência nórdica, é importante porque está consonante aos documentos a seu respeito. A tradição desmoraliza os fanáticos que patologicamente tentam deformar a sua beleza. Ademais, o sionismo, para atrair a simpatia dos cristãos, faz uma representação política e maliciosa de Cristo como se fosse um judeu comum. Assim, os estudiosos modernos, erroneamente, supõem que os judeus são israelitas e negam fanaticamente o valor dessa tradição. A beleza de Cristo tem implicações claras. Cristo, tendo um fenótipo similar ao do europeu, naturalmente, como qualquer ser humano, terá uma maior empatia por aqueles que são semelhantes a Ele. Esse fenômeno emocional é universal e verificável inclusive no mundo animal.[3]
Em todo caso, são impressionantes as palavras de Pôncio Pilatos a Tibério César, que fazem parte dessa tradição: “Eu poderia ter suspeitado, tão grande era a diferença entre [Jesus] e os que o escutavam. Seus cabelos dourados e sua barba lhe davam um aspecto celestial. Parecia ter uns trinta anos de idade. Eu nunca havia visto um rosto mais doce e sereno. Que contraste entre Jesus e seus ouvintes, [que tinham] barba negra e tez escura!”.[4]

Esses acontecimentos trágicos revelam o porquê da inexistência virtual de uma população praticante da religião talmúdica na Palestina até o advento do sionismo, no século XIX. O sionismo é falsamente chamado de movimento de retorno dos israelitas a Israel. E isso também explica por que a constituição genética dos judeus asquenazes é tão diferente da dos habitantes originais da Palestina, sendo mais próxima da dos eslavos.

(Fonte: Khazaria)
O interessante é que a língua iídiche, falada massivamente pelos judeus antes da recentíssima criação de Israel, possui muitas palavras derivadas do alemão e do eslavo. A razão dessa herança linguística não semita torna-se evidente quando se observa a enorme extensão do Império Khazar e sua localização. Ele ocupou o sudoeste da Rússia, parte dos Bálcãs, a Ucrânia e os territórios fronteiriços com a Alemanha. Como o iídiche foi elaborado a partir de caracteres hebraicos pelo empenho dos rabinos missionários, para uso franco em todo o Império, torna-se claro quão extensa foi a conversão da Khazária e sua assimilação aos primitivos integrantes do talmudismo.

(Fonte: Biblical Archeology Society)
Assim, definitivamente, Jesus não veio para os judeus; Ele não é um irmão racial dos judeus e, sendo o rebento da monarquia davídica, Jesus não é o Rei dos judeus. Ele é um judaíta da tribo de Judá, Rei dos israelitas. Em seu ministério terreno, Cristo veio para as pessoas de sua raça, assim como seus santos Apóstolos. Somente depois de concluir seu ministério terreno, após ressuscitar e ascender ao céu, Ele ordenou que a nova fé se expandisse por todo o mundo, no meio do qual foram favorecidos os filhos de Jafé, para que assim se realizasse a divisão do mundo conforme havia sido determinada pelo Patriarca Noé. Até então, Ele havia deixado muito claro quem era da Casa de Israel, seu povo por sangue, e quem não o era.
Como se viu, os judeus não são o povo eleito. Mas é preciso reconhecer que quase o foram: seriam se Esaú, pai de Edom, não tivesse se casado com mulheres cananéias e se não tivesse vendido o direito de primogenitura a seu irmão Jacó. Mas o Senhor nosso Deus é soberano. Ele já havia escolhido Jacó muito antes de seu nascimento e revelou sua decisão à mãe durante a gestação.
A raiz abraâmica da Iduméia
Os idumeus são descendentes de Esaú, filho de Isaac e neto de Abraão. Ele se casou ilicitamente com mulheres cananéias, hititas,[5] em uma época em que o Império Hitita estava em seu apogeu e se estendia até as cercanias do Sinai. Seus descendentes seguiram o exemplo dele na miscigenação. Essa foi a razão pela qual o Senhor o rejeitou em favor de seu irmão Jacó, e pela qual a linhagem de Canaã foi amaldiçoada por Noé a sofrer servidão (Gn 9,25). Noé tinha, como patriarca de toda a humanidade, autoridade para dividir o mundo entre seus filhos.
Esaú, o patriarca dos idumeus, foi odiado por Deus (Rm 9,13), tal como Deus também odiou os cananeus. Uma das razões desse ódio é que, durante séculos, os idumeus lutaram sem trégua contra os israelitas, até sua derrota final nas mãos do macabeu João Hircano. Por isso, a Bíblia atesta que os descendentes de Esaú permanecem sob a ira divina para sempre (Ml 1,4). Ainda assim, na própria Bíblia, Moisés reconhece que os idumeus são parentes (mestiços, evidentemente) dos israelitas.

Como em uma ironia macabra, os fatos históricos demonstram que o suposto povo eleito realmente perseguiu o verdadeiro povo eleito.
[Os idumeus não apenas não são o povo eleito, como também lutaram contra o povo eleito. De fato, a luta continua em seus descendentes atuais. Às vezes de modo insidioso, sobretudo nas seitas heréticas dos primórdios da Igreja, por meio da usura, do tráfico de mulheres, do tráfico de escravos, do apoio aos mouros em sua expansão, com a invenção da pornografia moderna, com a luta contra a organização dos países por meio do nacionalismo (exceto em Israel, é claro), etc. Outras vezes, de forma violenta, como na perseguição de Nero aos cristãos, com a liderança da maçonaria na Revolução Francesa e na derrubada das monarquias cristãs, na guerra dos cristeros mexicanos e na Guerra Civil Espanhola por meio da República; na formação do Exército Vermelho com o massacre de milhões de eslavos cristãos na Rússia e na Ucrânia, etc. Até hoje, falando metaforicamente, Esaú tenta reprimir Jacó de todas as maneiras possíveis, devido à inveja e ao ódio incurável.
A culpa dos judeus não é diminuída pelo fato de serem gentios. Pois Cristo denunciou os fariseus e os prosélitos gentios que se tornariam duas vezes mais filhos do inferno do que seus mestres. Se um gentio abraça a tradição oral que condenou Cristo, torna-se participante de todas as maldições da lei de Moisés (Gl 5). Mas o pecado dos judeus não é o de apostasia, porque não pertencem a Israel. É o pecado da incredulidade, agravado pela participação de seus antepassados na crucificação de nosso Senhor. Isso se deve ao fato de que, dada a realidade das raças e etnias, todos somos co-participantes dos pecados de nossos pais por nossa impenitência, se continuamos a celebrar ou repetir suas condutas passadas.]
A salvação não veio dos judeus
Se Cristo não veio para os judeus, porquanto Ele não é o rei da terrenal dos judeus, por que a Bíblia diz que a salvação vem dos (ou que pertence aos) judeus?
“Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.” (Jo 4,22)
A resposta é simples: a Bíblia de modo algum diz isso. O versículo acima é uma tradução muito frouxa. No original grego, não há a palavra “judeus”, e sim judeanos (Ioudaion). A palavra, em seu original, denota uma localização geográfica, pessoas que estão em, ou de passagem por (neste caso) Judéia, como já foi dito. Portanto, não se refere a uma etnia.
Ademais, o versículo não diz estritamente que a salvação vem da Judéia (no sentido de pertencimento). No original, a preposição ek significa, entre outras coisas, “diante de”. Ou seja, não afirma propriamente que a salvação é (ou vem) da Judéia, mas que está entre os judeanos ou no caminho para eles. Isso se deve ao fato de que Cristo, a salvação, encontrava-se presente na Judéia, saiu da Judéia e caminhou até Sicar, na Samaria, que fica a certa distância, mas está no caminho da Judéia. O versículo tem, portanto, um sentido literal de direção.
Uma tradução mais literal é a que se apresenta abaixo:
“Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação está [presente] diante dos judeanos.”
Cristo estava falando com uma mulher samaritana — israelita como Ele, senão Ele não teria se detido na vila dela durante dois dias para pregar aos locais. Para simplificar o diálogo, a fim de não ter de qualificá-lo nem entrar em detalhes desnecessários, Cristo utilizou os mesmos termos que ela empregou. Cristo disse “judeanos” (e não “judeus”) porque foi a mulher quem mencionou primeiro a palavra. Se não o tivesse feito, Ele teria de se deter em explicações para a mulher. Por isso, optou por usar um jogo de palavras: limitou-se a dizer que a salvação, isto é, Ele mesmo, encontrava-se presente ao território da Judéia. Utilizou uma expressão sutil — “está diante dos judeanos” — porque entre os judeanos se contavam os idumeus, e, evidentemente, seu ministério terreno como Messias não se dirigia a eles. Nem sequer afirmou que era judeano, embora não estivesse errado se o afirmasse, visto que estava de passagem.
A sutileza do Senhor também se deve ao fato de que Ele queria que a mulher percebesse por si mesma que Ele é a salvação. Ele estava falando de si mesmo com a mulher, como a salvação peregrina, que estava ali presente [diante dela].
Por outro lado, nosso divino Senhor também estava se referindo a muitos fatos históricos. Ele disse à mulher que os samaritanos não conheciam o Pai, porque desde o rei Davi o lugar onde o Deus Uno e Trino devia ser adorado foi transferido de Siló, na Samaria, para Jerusalém, na Judéia. Os israelitas do Sul (os filhos de Judá), algumas décadas após essa transferência, separaram-se de seus irmãos do Norte. A secessão causou, no Norte — de onde provinham os samaritanos contemporâneos — uma intensa degeneração no culto da religião mosaica. Na medida em que a religião se conservou mais pura na Judéia, é compreensível que o Senhor tenha dito que o Pai fôra mais apropriadamente adorado na Judéia, ao passo que na Samaria não o fôra.
A luta religiosa entre o Norte e o Sul é um fato permanente na história de Israel. João Hircano destruiu o templo que os samaritanos haviam erigido ao Senhor. Esse templo se encontrava precisamente no local onde Cristo dialogou com a mulher. De fato, o diálogo tinha um pano de fundo profundamente nacionalista.
Jesus Cristo focou seu ministério em Israel fora da Samaria, embora houvesse israelitas nela, como a mulher e os vizinhos dela. Mas, como os samaritanos haviam recebido menor atenção por parte do Senhor, era justo dizer que não conheciam o Pai tão bem quanto o restante de Israel, que via Cristo pessoalmente. Cristo é a Imagem do Pai.
Em outras palavras, o diálogo entre Cristo e a mulher foi uma discussão estritamente geográfica e nacionalista sobre o lugar onde estava a salvação (que, na verdade, estava diante dela) e onde Deus deveria ser adorado na religião mosaica. O tema não era a posse ou a tutela da salvação. A contenda dos samaritanos contra os demais israelitas era precisamente a questão geográfica do lugar onde Deus devia ser adorado. Desde a secessão, a Samaria queria restaurar o culto a Deus exclusivamente em Siló.
São essas coisas que a tradução frouxa oculta. Elas nada têm a ver, nem de longe, com os judeus.
[1] Por “desaparecidos”, queremos dizer que os israelitas incrédulos não sobreviveram. Refere-se a esse genocídio, simbolicamente, o livro do Apocalipse (Ap 8–9).
[2] A Tradição da Igreja testemunha que a linhagem israelita dos cristãos foi preservada do genocídio, embora as informações genealógicas deles tenham se perdido. Deve-se ter em conta que os cristãos israelitas receberam uma revelação divina e foram instruídos por Deus a fugir para Pela, na Jordânia, ao verem a profanação do Templo de Jerusalém realizada pelos israelitas zelotes — estes estabeleceram seu quartel-general no Templo e nomearam como sacerdotes pessoas estranhas à linhagem levítica. Essa profanação foi vista como o sinal dado por Cristo para que os cristãos abandonassem imediatamente a Judéia (Mt 24), fato que precedeu a destruição do Templo e a tomada de Jerusalém. Para além de qualquer dúvida, a estirpe dos israelitas sobreviveu, incluindo membros da tribo dos levitas, e muitos deles governaram a Igreja como bispos. Contudo, a Igreja não se preocupou em conservar os registros genealógicos, pois foi expressamente desencorajada a mantê-los pelos próprios Apóstolos (cf. I Tm 1). A manutenção já não era necessária devido às características da nova fé cristã, e os Santos Apóstolos quiseram evitar o orgulho e a vaidade que poderiam surgir dentro da comunidade cristã, optando por não correr o risco de dividir a Igreja. Indiscutivelmente, nos primeiros anos da Igreja houve uma segregação racial de fato entre gentios e israelitas (Gl 2,11–21), e essa segregação foi um dos primeiros sinais das controvérsias doutrinárias que a Igreja teve de resolver. Todas elas diziam respeito à validade da conversão dos gentios e a relação desse fato com as tradições religiosas (as falsas, pré-talmúdicas) dos israelitas. A manutenção dessas informações genealógicas poderia perpetuar e agravar a tensão racial.
[3] O interesse de representar Cristo como sendo da própria [raça] não é aplicável apenas aos judeus. Os chineses, os hispânicos e os negros também têm essa prática.
[4] Por isso, ao contrário dos supostos israelitas talmudistas do moderno Israel, é certo que alguns árabes e iranianos, e até muitos europeus que possuem o fenótipo de Cristo, sejam descendentes diretos e legítimos da raça de Cristo e dos Santos Apóstolos.
[5] São dos hititas que os judeus herdaram alguns de seus traços faciais (traços assírios) pelos quais são bastante conhecidos: o nariz, o formato da cabeça, etc.
