DA PERSEGUIÇÃO JUDAICA CONTRA O CRISTIANISMO
La Civiltà Cattolica, anno 37 (1886), serie 13, volume 2, p. 437–446. Firenze, 1886.
Tradutor do texto: Gustavo Petrônio Toledo.
Descrição: Publicado originalmente em 1886, este artigo (sem autoria, mas certamente escrito por um dos padres jesuítas colaboradores da revista) sustenta que a história das perseguições religiosas na cristandade foi invertida, afirmando que os judeus foram os verdadeiros agressores do cristianismo desde a sua fundação. O autor utiliza fontes rabínicas e autores liberais para argumentar que a condenação de Jesus Cristo foi um ato assumido pela liderança judaica como justo e dentro da legalidade, o que justificaria a acusação de deicídio feita pelos cristãos. Além disso, rejeita a narrativa do “povo mártir”, atribuindo ao judaísmo e à maçonaria as várias conspirações políticas contra a Igreja e o Estado. Por fim, defende que as medidas coercitivas tomadas por cristãos ao longo dos séculos foram atos de legítima defesa contra a perfídia judaica, frequentemente moderados pelas próprias autoridades eclesiásticas.
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ARTIGO I
Como, desde o princípio, não foram os cristãos que perseguiram os judeus, mas os judeus que sempre perseguiram os cristãos.
Do Pro Iudaeis do judeu Treves, disfarçado de falso cristão sob a máscara de “Corrado Guidetti, doutor em letras”, julgamos ter demonstrado suficientemente, nos dez artigos até agora aqui publicados, a insigne vaidade. E, embora muitos outros pontos do seu opúsculo ainda pudessem fornecer-nos abundante matéria para um duelo literário na sala da Ragione de Pádua, onde ele nos marcou um encontro, sem cumpri-lo (pois quem mais o ouviu ou viu?), todavia, para não prosseguir mais além com um fugitivo, deixando de nos ocupar dele e passando adiante, cumpriremos agora a promessa feita aos nossos leitores no Artigo X, publicado na página 173 e seguintes do Vol. 1º desta série.
Essa promessa consiste em demonstrar que jamais os cristãos perseguiram os judeus, como continuamente mentem os judeus e os judaizantes liberais e maçons, mas que, ao contrário, foram os judeus que sempre perseguiram os cristãos, conforme nos ensina a história verídica. E, se porventura encontrarmos o Treves-Guidetti pelo caminho, não deixaremos de saudá-lo de passagem, sem entrar mais em longas e particulares conversações com quem não se apresenta. Comecemos, pois, do princípio, uma nova pequena exposição sobre o tema proposto, a qual cremos não ser de todo inútil.
Pois, mesmo sem querer levar em conta aqueles judeus e não judeus que, endemoninhados, possuídos, inspirados e, em suma, movidos por ódio satânico contra o nome cristão, estão sempre prontos não só a engolir, mas também a cozinhar diariamente calúnias e paradoxos, contanto que, de algum modo, sirvam para afrontar e injuriar o cristianismo — e por isso, como qualquer outro absurdo e mentira, aceitam facilmente também esta da perseguição cristã contra os judeus —; mesmo, dizemos, sem levar em conta tais indivíduos, é contudo bastante evidente que muitíssimos existem hoje, mesmo entre os não ignorantes e nem maus cristãos, os quais, demasiadamente fáceis em deixar-se alimentar com a papa preparada por seus inimigos, dão-lhes de bom grado crédito, como no restante, também neste ponto falsíssimo: isto é, que não foram os judeus que sempre perseguiram e continuam ainda a perseguir encarniçadamente o cristianismo em toda parte, mas que, ao contrário, foram os cristãos que sempre perseguiram e continuam ainda a perseguir, onde e como podem, os judeus.
De tal modo que, graças não menos à perfídia judaica do que à nossa tolice, passa já por coisa julgada e incontroversa que o judeu é um povo mártir, e nós, cristãos, somos por isso seus tiranos e seus carrascos. Por isso, o judeu ri justamente de nós entre nós. Assim, por exemplo, o Vessillo Israelitico de Casale, que, na página 47 do seu número de fevereiro deste ano de 1886, triunfa claramente por Sbarbaro ter escrito em suas Forche de 13 de janeiro de 1885:
“Não posso fixar o olhar sem estremecer sobre a longa e celerada epopéia das desventuras e do martírio secular da gloriosa estirpe judaica.”
Como devem rir os guetos ao ver alguém que se gaba de ser cristão proclamar gloriosa e mártir a estirpe judaica, e celerada a própria estirpe cristã! E queira Deus muitos outros cristãos mais sensatos que Sbarbaro (e não é preciso muito para sê-lo) não dissessem diariamente coisas ainda piores. Daí que os judeus se vangloriam prodigiosamente e nos desprezam profundamente.
Lemos, de fato, para citar um único exemplo, na página 137 dos Deicides do judeu Cohen, publicado em Paris em 1861:
“A verdade irresistível arrancada, no último momento de sua vida, à consciência do Reformador de Nazaré foi esta: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’. Sim: os judeus não sabiam nem podiam saber o que faziam. Ora, como, então, puderam ser réus de deicídio? Réus de um delito que serviu contra eles de iníquo pretexto para mil e oitocentos anos de perseguição? Mas, longe de perdoar, os cristãos conservaram sempre contra os judeus um ódio sem trégua e sem piedade. E, por longos séculos de tormentos, milhões de judeus inocentes expiaram o suposto delito de seus pais. Eis como os cristãos praticaram aquela bela palavra de perdão e de esquecimento. Ó paixões negras! Ó despotismo dos interesses! Ó cruel violação das santas leis da caridade!”
Parece-nos que, mesmo prescindindo, se fosse possível, de toda idéia religiosa, tais insultos judaicos contra todos os não judeus do mundo — todos acusados de ódio iníquo, de crueldade e de paixões negras seculares, ou antes milenares, contra os judeus que se proclamam inocentes — deveriam fazer corar até mesmo os livres-pensadores, maçons e liberais, e levá-los a refletir seriamente se é, mesmo do ponto de vista humano, sábia a obra que realizam cotidianamente nas cátedras, nos livros e nos jornais. Ali, sob o pretexto de ciência e de crítica, falseando a história e desatendendo à razão, sacrificam de bom grado a própria honra e a de todo o mundo civil não judeu à glória e ao obséquio exclusivo do judeu, o qual, por isso, ri-se de nós justamente, como de gente que tanto mais se julga crítica, científica e progressista quanto mais faz coro aos vitupérios com que ele continuamente nos cobre.
E, de fato, é notório que os judeus — e especialmente os judeus alemães — são, em substância, aqueles que primeiro ensinaram, e até ditaram, a lição anticristã maçônica e liberal a Renan e a outros papagaios de raça latina e cristã, a qual, agora pomposamente revestida do falso título de crítica e de ciência moderna pelas universidades, liceus, livros e jornais, somando o dano à injúria, derrama diariamente sobre nossas cabeças o escárnio e o opróbrio judaico e estrangeiro.
Convém, pois, retificar um pouco, no ponto agora acima indicado, essas idéias distorcidas; e demonstrar, como prometemos, com os fatos em mãos, que jamais os judeus foram propriamente falando perseguidos, nem muito menos odiados pelos cristãos, os quais têm por lei o amor ao próximo, a caridade para com todos, o perdão das ofensas e o amor aos inimigos; admitamos, ainda assim, que, por legítima defesa contra o ódio judaico e as perseguições judaicas, os cristãos tenham tido e ainda hoje, em muitos lugares, devam servir-se de meios mais ou menos coercitivos e violentos, segundo os diversos tempos e as diversas circunstâncias.
E, se por vezes os cristãos, excessivamente oprimidos pela perfídia judaica, ultrapassaram — e talvez ainda hoje ultrapassem aqui e ali — os limites da justa defesa, sempre a Igreja interveio para conter os cristãos e proteger os judeus; como o ensina a história antiga e também a mais recente, e nós o demonstraremos no devido lugar.
Iss é exatamente o oposto da Sinagoga, a qual, desde Cristo até nós, tem por sua própria lei talmúdica o ódio contra tudo o que não é judeu, e especialmente contra os cristãos; e jamais cessou de acrescentar lenha a esse fogo e de soprá-lo furiosamente, sempre atiçando, com os escritos e os ensinamentos de seus rabinos, o ódio judaico contra o nome cristão, desde Cristo até nós, segundo suas iníquas leis.
E, para começar, como é justo, pelo princípio, admirável e inteiramente nova é a desfaçatez com que os judeus e os judaizantes modernos agora nos imprimem publicamente no rosto aquilo que antes apenas ousavam dizer às escondidas em seus livros e discursos secretíssimos; isto é, em primeiro lugar, que Jesus Cristo foi por eles justa e legalmente condenado; em segundo lugar, que, quanto à execução da condenação, eles, judeus, são inocentes, por não terem posto a mão nela; em terceiro lugar, que, mesmo que a tivessem posto, os judeus do primeiro século da era vulgar seriam ainda assim inocentes, e mais ainda os judeus dos séculos posteriores, especialmente os do presente século XIX; e, finalmente, em quarto lugar, que, como dizia há pouco Cohen no trecho citado de seu Deicides, foram por isso sempre iníquos contra os judeus, desde Cristo até nós, todos os cristãos, isto é, toda a Europa e, na verdade, todo o mundo civil, que, sob esse iníquo pretexto, os fez expiar durante mil e oitocentos anos de perseguição o suposto (note-se bem, o suposto) delito de seus pais.
Ora, quanto ao primeiro ponto — isto é, que Jesus Cristo foi pelos judeus justa e legalmente condenado —, sem querer aqui repetir o que é notório a todos (exceto dos judeus) e que foi também vitoriosamente sustentado em nossos tempos contra o judeu Salvador pelo pouco cristão Dupin, luminar da jurisprudência francesa, contentar-nos-emos em notar a insigne contradição em que o judeu se coloca contra si mesmo, pretendendo, por um lado, ser inocente perante os cristãos e, por outro, confessando ter condenado justa e legalmente Jesus Cristo.
Se vós, judeus, condenastes Jesus Cristo — ainda que alegueis ter sido justa e legalmente — então fostes os primeiros a condenar e perseguir, ainda que justamente e segundo a vossa lei, o cristianismo no seu próprio Chefe e Fundador. Ora, esta e não outra é precisamente a questão agora: se os cristãos perseguiram os judeus, ou se, ao contrário, desde o princípio, os judeus, no próprio Cristo, perseguiram desde o início os cristãos e o cristianismo.
Vós, judeus, dizeis sempre ter sido perseguidos por nós, cristãos. Nós, cristãos, dizemos, ao contrário, que sempre fomos perseguidos por vós, judeus. E, para demonstrar a nossa afirmação, alegamos em primeiro lugar a condenação à morte e a crucificação de Jesus Cristo, por vós, judeus, obtida e, em parte, também executada. Como negais isso? Negais afirmando sua justiça e legalidade. Fica, portanto, estabelecido que, segundo vossa própria confissão, fostes deicidas e perseguidores até a morte, desde o princípio, de Cristo e do cristianismo, o qual foi, para convosco, inocentíssimo desde o início e jamais vos perseguiu.
Pior ainda é o segundo ponto: a saber, que os judeus são inocentes por não terem, com suas próprias mãos, crucificado materialmente Nosso Senhor. Pois, antes de tudo, se o condenaram justa e legalmente (como pretendem), por que então se desculpam de não terem também executado materialmente, com suas próprias mãos, a sentença que, segundo eles, era justíssima e legal? Deveriam, ao contrário, gloriar-se disso, e antes desculpar-se por não terem podido, devido à condição de sua sujeição aos romanos, executar também materialmente, com suas próprias mãos, tal sentença. E se, por força, não puderam executá-la, como certamente teriam desejado fazer, com que direito vêm agora apresentar-se a nós como cordeiros inocentes daquele Sanguis Eius (Seu Sangue) por eles, de resto, invocado sobre a própria cabeça e sobre a de seus filhos, inclusive os presentes? “Justamente o condenamos”, dizem. “Forçosamente não pudemos executar com as próprias mãos a sentença. Fizemos apenas o que pudemos”.
Seja como for. Mas será que, por isso, deixam de ser réus, eles e seus filhos, do sangue de Cristo? Ouçam Santo Agostinho, em cujo tempo já os judeus mentiam naquilo que agora continuam a mentir:
“Não venham dizer-nos os judeus (Salmo 63): ‘Nós não matamos Jesus Cristo’. Pois eles o entregaram a Pilatos para que ele o matasse, e assim eles, judeus, parecessem inocentes. Pilatos foi, em comparação com eles, inocente. Fez o que pôde para salvá-lo. Vós, judeus, o matastes com a espada da língua. Eis a astúcia empregada pelos judeus. Disseram: ‘Matemo-lo, mas de modo que não pareça que fomos nós que o matamos’. Corromperam com dinheiro um de seus discípulos; buscaram falsas testemunhas; agiram fraudulentamente. Disseram: ‘Não seja Cristo traído por nós, mas por um de seus discípulos. Não seja condenado por nós, mas pelo juiz. Façamos tudo nós, mas de modo que pareça que nada fizemos’.”
Parece ver-se o judaísmo atual. Assim como aparece, por exemplo, na Maçonaria moderna, toda coisa judaica, conduzida pelos judeus que lhe ditaram as lendas, as palavras sagradas, o calendário, os sinais, os ritos, os trajes e toda a organização das sinagogas. E judeu é agora o Grão-Mestre da Maçonaria italiana. Mas deve ser, como diz o provérbio, um diabo muito jovem. Pois, para começar, logo após eleito, impôs uma taxa de cem liras a cada maçonzinho. Daí resultou uma debandada geral em Roma e uma revolução doméstica em Florença, Milão e Turim, onde as várias lojas vão, uma após outra, rebelando-se contra o Grande Oriente judaico de Roma e tentando constituir-se em Potências (como esses impotentes dizem) independentes. Mas talvez esse diabo seja, ao contrário, mais velho do que parece e cúmplice de outro ainda mais velho que ele, o qual, vendo a atual Maçonaria embrutecer-se cada vez mais, tornar-se grosseira, ou, por assim dizer, acanalhada[1] — isto é, democratizada, republicanizada, avessa a regimes dinásticos e, o que é pior, anti-depretisada[2] — quer, ao que parece, desfazer-se dela de modo elegante e sem que pareça obra sua, à maneira judaica.
Mas voltemos a nós; isto é, passemos ao terceiro ponto, no qual os judeus modernos dizem que, ainda que seus antepassados tivessem posto não só a língua, mas também a mão na Crucificação de Jesus Cristo, seria, todavia, injusta da nossa parte a acusação que lhes fazemos de povo deicida, visto que os pósteros não devem responder pelas culpas dos antepassados. Mas devem responder, ao menos porque se vangloriam de ser solidários delas. Diziam, de fato, há pouco, no primeiro ponto, que Jesus Cristo foi condenado justa e legalmente por seus antepassados; logo, também agora, segundo a sua lei, eles o condenariam justamente, segundo afirmam. Assim, com razão e segundo a sua própria lei, nós os chamamos de povo deicida, segundo a sua própria confissão aberta. Curiosos, aliás, são os judeus neste ponto, como o são também, em geral, várias outras raças e famílias que aceitam de bom grado herdar as glórias, mas não os opróbrios de seus antepassados.
Acontece nessas heranças morais o mesmo que nas materiais: os créditos são aceitos de bom grado, mas os débitos não. Somente das grandes gestas de seus antepassados se vangloriam sempre os judeus. Povo eleito, sim; povo rejeitado, não. Descendentes dos Patriarcas e dos Profetas, filhos de Abraão e de Moisés, sim; mas descendentes de Judas e de Caifás e filhos dos deicidas, não. No entanto, somente dos judeus se lê que tenham bradado: Sanguis Eius super nos et super filios nostros (“Que o Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos”). Não podem, portanto, queixar-se os filhos do cumprimento da profética imprecação paterna.
Convém, ademais, saber que apenas em público e para se desculparem diante de nós os judeus costumam hoje atenuar a parte por eles, infelizmente, quase exclusivamente tomada na Crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa verdade, porém, às vezes lhes escapa da boca, como veremos em seguida. Outrora, segundo a sua não menos insigne malícia que ignorância, manifestada abertamente em seus livros talmúdicos, chegavam até a vangloriar-se de tê-lo morto de diversas maneiras com suas próprias mãos.
Lê-se, de fato, no Nitzachon (que quer dizer “Vitória”) de Lipman (cf. G. B. De Rossi, Dizionario degli autori ebrei, verbete “Lipman”, p. 11–12 do volume II), publicado pela primeira vez em 1644 em Altdorf, na página 239 da edição dada por Wagenseil em 1681: “Cristo foi condenado à morte como se devia e como o próprio Deus nos ordenou”; e na página 56: “Seja preparado o judeu para enforcar Jesus”; e na página 69: “Dizem os cristãos que os judeus foram dispersos porque crucificaram Cristo”; e não nega que o tenham crucificado; nega apenas que por isso devessem ser dispersos.
Mais claramente ainda afirma a participação material dos judeus na morte de Nosso Senhor o autor do Toldos ou Toledoth Ieschu, isto é, “Geração de Jesus”. Trata-se de um livro rabínico antiquíssimo e infamíssimo, já citado por Martini no seu Pugio fidei, e condenado em Valência, em 1415, pelo antipapa Pedro de Luna, dito Bento XIII. Ali, na página 17 da edição de Wagenseil: “Os anciãos de Jerusalém amarraram Cristo à coluna e o flagelaram; colocaram-lhe na cabeça a coroa de espinhos; depois o levaram diante do grande Sinédrio, o qual o condenou a ser apedrejado e depois suspenso; por isso o apedrejaram até a morte, e depois quiseram suspendê-lo, etc.”, atribuindo assim aos judeus também a morte material de Nosso Senhor.
Encontramos aqui, de passagem, a propósito deste infame opúsculo rabínico, Corrado Guidetti-Treves, doutor em Letras; o qual nos informa, na página 238 de seu Pro Iudaeis, que este livrinho é uma impostura. Já o sabíamos. E não somente este, mas também muitíssimos outros livros rabínicos e talmúdicos, antigos e modernos — não excluídos certos Pro Iudaeis — são, como é sabido, cheios de imposturas. Impostura, entenda-se, não no sentido de que todos e cada um daqueles escritores, e especialmente o autor do Pro Iudaeis, tenham conscientemente e voluntariamente defendido e narrado o falso; mas no sentido de que, sustentando uma má doutrina, não podem ter empregado bons argumentos. Entre os quais, certamente péssimo é o de Guidetti-Treves, com o qual pretende demonstrar que nós somos maus argumentadores por nos servirmos das imposturas judaicas para argumentar contra os judeus.
“Todos os sábios e doutos rabinos (diz ele na página 238) estão persuadidos da impostura deste livrinho intitulado Toldos Ieschu.”
Seja como for. Mas o que importa? Acaso este livrinho não circulou pelos guetos (e talvez ainda hoje circule) durante vários séculos? É fato que já desde o século XV ele corria nos guetos. E certamente não foi escrito apenas então, quando caiu nas mãos dos cristãos, mas muito antes. Muitos exemplares chegaram às mãos dos cristãos ainda séculos depois, quando os judeus certamente tiveram de escondê-lo e fazê-lo circular clandestinamente após a primeira descoberta feita nos tempos do antipapa Bento XIII. Deve-se, portanto, crer que ele foi outrora muito comum nos guetos, e que dele os judeus da Idade Média aprendiam a vida de Jesus Cristo e se imbuíam de ódio, não menos que de impostura, contra Cristo e os cristãos. E, como essas imposturas são extremamente grosseiras e demonstram claramente até onde pode chegar, juntamente com a ignorância, também o ódio judaico contra o cristianismo, é bem natural que todos os judeus mais recentes e um pouco instruídos, envergonhando-se delas, o tenham repudiado, como narra De Rossi em seu Dizionario degli autori ebrei, para o qual o próprio Treves-Guidetti nos remete, e também em várias outras obras de bibliografia hebraica por ele não citadas. Entre estas, desejaríamos que Guidetti-Treves lesse a Bibliotheca iudaica antichristiana (Parma, 1800), na página 148, onde De Rossi diz in terminis (expressamente): “Que este livro seja antigo e escrito há muitos séculos, vê-se pelo fato de que Martini o cita”. E na página 117: “Diz bem Wolf que este é um escrito execrável de um infame e desconhecido judeu (perditissimi iudaei nescio cuius)”.
E, como no século XIV, especialmente na Espanha, nos tempos de Pedro de Luna, não se brincava com os judeus, não há motivo de espanto que muitas cópias desse infame livro tenham sido imediatamente destruídas e que ele tenha sido declarado apócrifo e sem autoridade alguma. E isso baste em resposta a Guidetti-Treves, que em seu Pro Iudaeis faz grandes alardes porque citamos, em outro lugar, esse livrinho como argumento do ódio e da impostura judaica contra Cristo e os cristãos, remetendo-nos, sem impostura, à leitura do dicionário de De Rossi, que, sendo escritor não menos piedoso que erudito, em várias de suas obras de bibliografia hebraica escreve precisamente sobre esse livrinho aquilo mesmo que nós escrevemos e escrevemos agora.
De resto, não apenas os autores rabínicos mais ou menos antigos e obscuros, mas também os modernos e públicos — e o que é mais curioso, aqueles mesmos que pretendem desculpar os judeus do deicídio — deixam escapar, não raramente, a verdade por entre os dentes. Assim, o mesmo já citado Cohen, na sua obra Les Deicides, destinada a absolver os judeus da morte de Jesus Cristo, escreve na página 124: “Os judeus julgaram dever extinguir imediatamente, no seu germe, a doutrina de Jesus Cristo. (…) Julgaram, pois, d’en finir (dar fim) a tal reformador”. E na página 296: “Passaram-se dezoito séculos desde que, a pedido dos guardiões da fé israelita, os romanos condenaram Jesus”. Também D. F. Strauss, na sua Vida de Jesus (Paris), na página 328 do volume II: “Jesus foi declarado culpado e digno de morte pela autoridade judaica”. E na página 374 do volume I: “Pode-se considerar historicamente certo o arresto de Jesus operado pelos agentes do Sinédrio judaico”. E na página 376: “Os judeus declararam Jesus digno de morte e serviram-se, junto de Pilatos, da acusação política, o que lhes conseguiu finalmente o resultado, embora não sem dificuldade”. E note-se que esses autores pretendem precisamente, nesses seus livros, desculpar perante os cristãos os judeus do seu crime de deicídio.
De tudo isso já se vê suficientemente quão falso é o quarto ponto asseverado por Cohen no trecho acima citado, a saber, que “os cristãos foram sempre iníquos durante mil e oitocentos anos contra os judeus por tê-los feito expiar o suposto delito de seus pais”. O quão “suposto” tenha sido esse delito de deicídio pode-se ver claramente agora, tanto pela antiga quanto pela moderna confissão deles próprios. E não há necessidade de nos alongarmos sobre algo que, de resto, é já conhecido e evidente até para os próprios judeus que o negam.
Fica, portanto, entendido que, como dissemos no título deste artigo, não foram os cristãos que perseguiram os judeus, mas os judeus que perseguiram os cristãos desde o princípio, no próprio fundador do cristianismo. Quanto ao fato de os judeus terem continuado, mesmo após a morte de Jesus Cristo, a perseguir constantemente os cristãos, sem jamais terem sido por estes perseguidos, veremos, se Deus quiser, nos artigos seguintes.
[1] No original, incanagliarsi. Vem de canaglia (canalha/ralé). Ele está dizendo que a Maçonaria está se popularizando demais ou se tornando uma instituição de “gentalhas”, perdendo seu caráter elitista para se tornar um movimento de massas, democrático e republicano. (N.T.)
[2] No original, antidepretizzarsi. Ele se refere a Agostino Depretis (1813–1887), que era o Primeiro-Ministro da Itália na época. O autor sugere que a Maçonaria está se voltando contra o governo de Depretis, tornando-se uma força instável e perigosa. (N.T.)
