ANTICRISTO E FIM DOS TEMPOS: SELEÇÃO
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Fonte: https://zelanti.net/pt/
Descrição: Excertos de diversos autores a respeito do Anticristo e o fim dos tempos.
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É UM SINAL DA VINDA DO ANTICRISTO A APOSTASIA DA FÉ
“Mas como é isto, porque já há muito as nações se retiraram do Império Romano, e no entanto ainda não veio o Anticristo? Deve-se dizer que (o Império Romano) ainda não cessou, mas foi mudado de temporal em espiritual, como diz o Papa São Leão Magno no sermão sobre os Apóstolos (cf. Sermo LXXXII; em: P.L. 54, 422B). E por isso deve-se dizer que a separação do Império Romano deve ser entendida, não apenas do (aspecto) temporal, mas do espiritual, a saber, (a separação) da fé católica da Igreja Romana. É, porém, este um sinal conveniente, que assim como Cristo veio quando o Império Romano dominava a todos, assim inversamente o sinal do Anticristo é a separação dele.” — Santo Tomás de Aquino, O.P., Comentário à 2ª. Tessalonicenses, cap. II.
SOBRE O OBSCURECIMENTO DA IGREJA NO FIM DOS TEMPOS
“Então, pois, o sol se escurecerá e a lua não dará a sua luz, porque a Igreja não aparecerá [“quia Ecclesia non apparebit”], enfurecendo-se então os ímpios perseguidores além da medida. Então as estrelas cairão do céu, e as virtudes (potências) dos céus serão abaladas, porquanto muitos que pareciam brilhar pela graça de Deus cederão aos (que os) perseguem e cairão; e certamente os fiéis fortíssimos serão perturbados. Isso, porém, diz-se que há de acontecer após a tribulação daqueles dias, não porque estas coisas aconteçam (apenas quando) passada toda aquela perseguição, mas porque a tribulação precederá, para que se siga a defecção de alguns, e porque assim se fará por todos aqueles dias, por isso, após a tribulação daqueles dias, mas contudo nos mesmos dias, acontecerá.” — Santo Agostinho, Epist. 80 ad Hesychium, post medium; citado em Santo Tomás de Aquino, O.P., Catena Aurea: Comentário ao Evangelho de São Mateus, cap. XXIV, vers. 7.
SÃO VICENTE FERRER E O OBSCURECIMENTO DA IGREJA
“É certo que São Vicente [crendo estar próxima a vinda do Anticristo, N. do T.] não apartava os olhos daquele estado funesto da Igreja, quando pensava, ou assentia à próxima ruína do mundo, o que se colige de uma engenhosa alusão, feita no Sermão para o II Domingo do Advento, daquele grande cisma, aos sinais que, segundo consta do Evangelho, precederão o juízo final. Como algum deles é a obscuridade do Sol, diz o santo, que este sinal já o tinham presente; pois sendo o Vigário de Cristo o Sol místico, que ilustra a Igreja, este Sol estava então obscurecido à vista dos homens, ignorando estes, de três que se diziam Papas, qual era o verdadeiro. Devemos supor o Santo aflitíssimo, pela grave enfermidade que então padecia a Igreja.” — Dom Benito Jerónimo Feijóo, O.S.B., Theatro critico universal ó Discursos varios en todo género de materias para desengaño de errores comunes (Madrid, 1769), tomo VII, discurso quinto, n. 24, p. 121.
SOBRE MELCHIOR CANO, SÃO ROBERTO BELARMINO E OUTROS DIZEREM QUE NO FIM DOS TEMPOS A IGREJA PODERIA SER REDUZIDA A UMA ÚNICA PROVÍNCIA
“Quanto ao que, porém, Melchior Cano e Belarmino afirmaram que aconteceria no futuro, que, se a Igreja consistisse em uma única província, ela, não obstante, seria católica por causa da contínua comunhão da doutrina apostólica [“propter apostolicae doctrinae continuam communionem”]. Eles entenderam isso a respeito da universalidade do tempo [“universitate temporis”], da qual se compreende sob o nome de catolicidade, como notamos, não da universalidade do lugar [“non de universitate loci”], a qual, longe de negarem, provam claramente nos próprios lugares de onde se extrai a objeção.” — Padre Jacques-Paul Migne, Theologiae Cursus Completus, 1838, tomo IV, De Ecclesia Christi, pars I, sect. II, De notis Ecclesiae, p. 316.
PREDIÇÃO DO SÉCULO XIV DE QUE SÉ APOSTÓLICA FICARIA VACANTE PARA QUE O ANTICRISTO PUDESSE EXERCER SUA TIRANIA
“Bartolo de Sassoferrato, jurista do século XIV, argumentando contra os que advogavam pela emancipação ou independência dos governos temporais e espirituais em relação às instâncias superiores, previu que essa seria a situação do fim dos tempos, na qual a Igreja ficaria com Sé Apostólica vacante, para que o Anticristo pudesse exercer sua tirania: ‘Mas os privilégios de poucos não fazem a lei comum, nem se todos os reinos fossem livres e isentos do império, isso seria ou poderia ser dito isenção do império, mas antes aniquilação e total destruição do império, como há de ser segundo a profecia de São Paulo Apóstolo, quando, aproximando-se o tempo do advento do Anticristo, virá a separação primeiro de todos os reinos do império, depois das igrejas da obediência da Sé Apostólica, e por último dos fiéis da fé, assim como posteriormente será dito. Então pois, com a igreja assim acéfala e vacante, e com os membros não recebendo a influência de suas cabeças nas coisas temporais e espirituais e por consequência privados do movimento e do sentido da graça, terá lugar e faculdade o engano e a dominação do Anticristo; de onde aqueles que seu estudo e engenho aplicam à dejeção e à detruncação do império parecem diretamente apressar-se para isto, para que o lugar e a faculdade seja preparado para a tirania do Anticristo’.” — Cecil N. Sidney Woolf, Bartolus of Sassoferrato: His Position in the History of Medieval Political Thought (Cambridge University Press, 1913), p. 300. Fonte: https://archive.org/details/bartolusofsasso00wool/page/300/mode/1up.
ROMA SERÁ A CAPITAL DO ANTICRISTO
“Ainda que demore algum tempo, a Revolução dará à luz a seu filho, o filho de Satanás, adversário do Filho de Deus, ‘o homem do pecado’, como diz São Paulo; ‘o filho da perdição, o inimigo que se exaltará acima de tudo que é chamado Deus’. O Anticristo, de fato, não só esmagará o catolicismo e a verdadeira Igreja, não apenas abolirá o culto do verdadeiro Deus, o sacrifício católico e o culto ao Santíssimo Sacramento, mas se elevará acima de todos os deuses das nações, dos seus ídolos e das suas cerimônias; e se sentará no templo de Deus e se mostrará nele como se fosse Deus. O mistério da iniqüidade será consumado em toda a sua aparência, como foi no princípio, quando Jesus Cristo, nosso Chefe, expirou sobre a Cruz; e Satanás se julgará dono de tudo. Seu culto público será estabelecido por todo o universo, por meio daqueles falsos milagres de que fala o Evangelho. E estes devem ser muito poderosos, tanto que Nosso Senhor, para nos prevenir contra eles, declara-nos que conseguiria ‘seduzir os eleitos’ (se isto fosse possível): et dabunt signa magna et electi (Mt 24). De acordo com todas as probabilidades e com o testemunho dos antigos Padres, será a Roma infiel, apesar do Papado, que perseguirá como em outros tempos, Roma será a capital do Anticristo e de seu império, a Babilônia universal, maldita, mas completamente sob Nero e os Césares pagãos. Suárez, Belarmino, Cornelius a Lápide, afirmam que esta é a tradição comum nos Santos Padres, e que esta tradição tem uma origem apostólica. Um dos motivos mais sérios que levam a acreditar que estamos definitivamente aproximando-nos destes tempos nefastos, é que ninguém acredita nisso.” — Monsenhor Louis Gaston de Ségur, A Revolução explicada aos jovens (1861).
A QUEDA DE ROMA E DO IMPÉRIO CATÓLICO COMO SINAL DA VINDA DO ANTICRISTO
“Francisco Ribeira (cf. vers. 14, cap. 12 do Apocalipse) expôs esta deserção como sendo aquela célebre apostasia da cidade de Roma em relação à Fé e ao seu Pontífice: quando, perto do fim do século, antes da vinda do Anticristo, Roma, tendo sido privada da Religião cristã, com o seu Pontífice expulso e a santa Igreja dispersa, recaia no paganismo e no ímpio culto dos deuses; e recupere a primitiva grandeza do império; então aqueles dez reis se separarão dela, e se revoltarão contra ela, e a arruinarão por completo. Portanto, como todas essas coisas acontecerão ao mesmo tempo em Roma, Ribeira entende como sendo a deserção daqueles dez reis de Roma o que Paulo chamou de apostasia, ou defecção. (…) Observação oportuna: não deve passar sem consideração que a santa Igreja Romana ortodoxa parece, principalmente por esta razão, no santo dia da Parasceve [Sexta-feira Santa, N. do T.], orar publicamente pelo Império Romano com solene súplica: Oremos pelo Império Romano, etc.; pois crê que, enquanto ele permanecer — o que ainda agora subsiste na Alemanha, seja o Império Romano ali como província, seja em alguma parte — não virá ainda a conjunção ou aliança do Anticristo, isto é, o fim. Por causa disto, também, antigamente, os cristãos eram os únicos a orar pela estabilidade e prolongada duração do Império Romano, como vimos acima, cap. 18, em Tertuliano, Lactâncio, São Optato e outros.” — Tomaso Malvenda, O.P., De Antichristo (1647), tomo I, lib. V, p. 452.
NO FIM DOS TEMPOS O PAPADO SERÁ TIRADO DO CAMINHO DO ANTICRISTO E HAVERÁ UMA FALSA IGREJA QUE IMITARÁ E SE OPORÁ À VERDADEIRA
“O ‘mistério da iniquidade’ que se desenvolve gradualmente ao longo dos séculos, não pode ser totalmente consumado enquanto o poder do Papado perdurar, mas o será quando aquele que o ‘detém é tirado do caminho’. Durante o interregno (vacância do Papado), ‘aquele malvado será revelado’ em sua fúria contra a Igreja. É uma questão histórica que os períodos mais desastrosos para a Igreja foram aqueles em que o trono papal estava vacante ou em que antipapas rivalizavam com o chefe legítimo da Igreja. Assim também será nos dias maus que virão. (…) Os seguidores do Anticristo serão marcados com um sinal em imitação ao sinal que São João viu sobre as testas dos servos de Deus. Isso indica que o Anticristo e seu profeta introduzirão cerimônias para imitar os sacramentos da Igreja. De fato, haverá uma organização completa — uma igreja de Satanás estabelecida em oposição à Igreja de Cristo. Satanás assumirá o papel de Deus Pai; o Anticristo será honrado como Salvador, e seu profeta usurpará o papel de Papa. Suas cerimônias falsificarão os sacramentos e suas obras mágicas serão proclamadas como milagres. Um projeto semelhante foi tentado no século IV, quando Juliano, o Apóstata, falsificou o culto católico com cerimônias pagãs em honra de Mitras e Cibele. Ele estabeleceu um sacerdócio e instituiu cerimônias em imitação do Batismo e da Confirmação.” — Padre Elwood Sylvester Berry, The Apocalypse of St. John (Columbus, 1921), p. 124 e 138.
ROMA APÓSTATA PERSEGUIRÁ OS CRISTÃOS NO FIM DOS TEMPOS
“Mais explícito que Suárez é o sábio Cardeal Roberto Belarmino, que diz: ‘Cheio de raiva contra Roma [enquanto centro da Santa Igreja, N. do T.], Satanás recuperará o terreno que perdeu e se lançará sobre a cidade eterna. Ele irá dominá-la e a desolá-la’ (De Sum. Pontif., lib. III, c. III). Quanto à Mestre de Roma [Igreja Romana, N. do T.], o que lhe acontecerá? Os outros depositários da tradição nos ensinarão. Disse Malvenda, colaborador de Barônio: ‘Para o fim dos tempos, Roma [enquanto cidade, N.do T.] cometerá crimes maiores do que aqueles pelos quais se fez culpada enquanto era pagã; pois ela renegará a fé, expulsará o Sumo Pontífice, matará os religiosos e os sacerdotes e voltará à idolatria. Ela recuperará seu antigo poder temporal, seu esplendor e o usará para perseguir os santos com mais fúria, e imolar os mártires com mais crueldade, do que fez sob os primeiros Césares’ (De Antichristo, lib. V, c. XXI, n. 7). Em seus comentários sábios e muito ortodoxos, Cornélio a Lápide dá, sem sombra de dúvida ou hesitação, o retorno de Roma ao paganismo, para o fim dos tempos: ‘Por grande Babilônia, embriagada do sangue dos santos e do sangue dos mártires, os Padres e os intérpretes são unânimes em entender a Roma pagã, como era no tempo de São João, e como voltará a ser no fim do mundo’ (In Apoc., c. XVII). Diz ele ainda: ‘Assim, nos últimos dias, Roma recuperará sua antiga glória, retornará à idolatria e aos outros vícios, e voltará a ser o que era sob Nero, Décio e Domiciano. Quero dizer que de cristã ela voltará a ser pagã, que expulsará o Sumo Pontífice e os fiéis que lhe serão ligados; que os perseguirá e fará morrer; e que imitará as perseguições dos imperadores pagãos contra os cristãos. (…) Assim, Deus vai punir nela, pela sua própria infidelidade e pela antiga infidelidade de seus pais. Em uma palavra, assim como outrora Babilônia perseguiu os judeus e os matou; assim, no fim do mundo, Roma pagã perseguirá os cristãos e os matará; porque então será o que foi outrora, a capital da idolatria e de toda espécie de abominação’ (Ibidem).” — Monsenhor Jean Joseph Gaume, Où en sommes-nous? Étude sur les événement actueles: 1870–1871 (1871), cap. XI.
A NOTA DA CATOLICIDADE DA IGREJA REDUZIDA PELA APOSTASIA NO FIM DOS TEMPOS
“Décima objeção: É certo que no fim do mundo faltará a catolicidade, como resulta de Lc 18, 8: ‘Mas o Filho do Homem, quando vier, achará fé na terra?’. Mas a catolicidade pressupõe a unidade da fé. Logo… Respondo: Distingo a (premissa) maior: que no fim do mundo faltará a fé viva em muitos, concedo; que toda a fé (faltará) conforme houver apostasia de todos ou da maioria, (isso) o demonstra a segunda premissa. Muito certamente ‘então muitos serão escandalizados… e muitos falsos profetas se levantarão, e seduzirão a muitos. E porque a iniqüidade se multiplicou, a caridade de muitos será arrefecida’ (Mt 24,10–12). Mas se no fim do mundo realmente ocorrer uma apostasia desse tipo na maioria dos homens, seria necessário pensar a catolicidade de tal forma que seria preciso entendê-la em um sentido muito restrito, como uma etapa imediata ou muito próxima à consumação do mundo. No entanto, a dificuldade refere-se ao fim do mundo, não à existência da Igreja através dos tempos, da qual falamos especialmente nesta tese.” — Timothy Zapelena, S.J., De Ecclesia Christi, pars apologetica (Roma, 1955), p. 489.
SOBRE O KATECHON, NOS SENTIDOS TEMPORAL E ESPIRITUAL, JÁ ESTAR PRÓXIMO DE SER TIRADO DO MEIO PARA A MANIFESTAÇÃO DO ANTICRISTO
“Esta crença, fielmente conservada ao longo dos séculos, tem sido objeto dos maiores gênios do cristianismo e até mesmo dos homens separados da Igreja, e todos acreditaram que a queda do Império Romano seria o prelúdio iminente do fim de todas as coisas. Quer se entenda por ‘Império Romano’, com a generalidade dos intérpretes, o império puramente temporal, desaparecido há séculos; quer, como diz Santo Tomás, se entenda também o império espiritual exercido pelo Romano Pontífice sobre as nações cristãs: é possível ignorar que hoje está quase verificado a queda deste império? E o que foi feito do poder espiritual do Romano Pontífice sobre as ‘nações’ cristãs? Para a parte protestante da Europa, o Papa é o Anticristo, e para a outra, um soberano ‘estrangeiro’. Em que reino, em que país, o Papa ainda é o oráculo regulador, e Pai obedecido dos reis e das nações? E poderão dizer-nos agora: já que a queda do Império Romano, sinal tradicional da última catástrofe, devia começar depois de sua passagem, como pôde o Anjo do juízo na sua época anunciar com toda a verdade que se aproximava o fim do mundo? Assim como as profecias de Nosso Senhor eram tanto mais claras, e tanto mais completos os sinais precursores quanto mais se aproximava a plenitude dos tempos, do mesmo modo os precursores do Anticristo são-lhe mais parecidos à medida que o anunciam a menor distância.” — Monsenhor Jean Joseph Gaume, Historia de la familia en todos los pueblos antiguos y modernos (1855), p. 88.
