PADRE OLIVIER RIOULT: “BERGOGLIO É UM ANTIPAPA”
Padre Olivier Rioult, 5 de novembro de 2021
Fontes: (1) https://lecatho.fr/culture/les-dix-mini-entretien-avec-labbe-olivier-rioult/ (2) https://www.lasapiniere.info/archives/4058
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: Nesta entrevista, Padre Olivier Rioult defende um catolicismo radical, rejeitando integralmente o Vaticano II e a República Francesa como criações inimigas de Deus. Ele classifica Jorge Mario Bergoglio (1936–2025) como um impostor, acusando-o de pactuar com o globalismo e o ecumenismo. Rioult exorta os fiéis à resistência austera diante de um mundo que considera em processo de ruína espiritual, prevendo, por fim, um futuro de perseguição para os fiéis, e defendendo que a fidelidade à doutrina e à tradição é o único caminho para a salvação eterna.
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I. Pode se apresentar? Há quanto tempo é católico e depois sacerdote católico? Por que se tornou católico? Já viveu algo de extraordinário ou mesmo milagroso pela graça de Nosso Senhor?
Eu me chamo Olivier Rioult. Sou de raça branca, de nacionalidade francesa, filho de pais normandos e nascido em Lille em 1971.
Sou católico desde a graça do meu Batismo, recebido duas semanas após o meu nascimento. Proveniente de uma família não praticante e tendo recebido um catecismo indigente na paróquia, tornei-me, também por minha culpa, um mau cristão a partir dos onze anos, mas sem jamais ter apostatado.
Depois, por volta dos meus 18 anos, Deus teve piedade de mim. E, após ter feito misericórdia ao pecador que eu era, quis também servir-se da minha pessoa para o ministério sacerdotal.
Aos 20 anos, depois de concluir meu IUT (Institut Universitaire de Technologie), concedeu-me a graça de chamar-me a consagrar-me ao seu serviço.
Em 2001, recebi o sacramento da Ordem após concluir minha formação no seminário da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X em Écône.
No que diz respeito às coisas extraordinárias, por definição elas são raras. E, além disso, como observa Santo Agostinho:
“Tudo o que se realiza de maravilhoso neste mundo é certamente menos admirável do que este mundo em seu conjunto, isto é, o céu, a terra e tudo o que eles contêm, obras de Deus sem dúvida. Mas o seu Autor e igualmente o seu modo de agir permanecem ocultos e incompreensíveis ao homem. Talvez o milagre das naturezas visíveis tenha perdido sua força por ser visto com frequência: nem por isso deixa de ser, considerado sabiamente, superior aos milagres mais extraordinários e mais raros. Pois o homem é um milagre maior do que todo milagre realizado por um homem.” (A Cidade de Deus, livro X)
II. Que conselho daria a um católico que sai do catecumenato?
Que leia todos os dias algumas linhas dos escritos dos santos, dos doutores ou dos Padres da Igreja. E que medite a agonia de Cristo. Pois, neste mundo apóstata e anticristão que vemos afundar na loucura e perecer diante de nossos olhos, somos chamados, nós membros de Cristo, a participar e a unir-nos à agonia de nosso chefe:
“Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice! Contudo, não como eu quero, mas como vós quereis!” (Mt 26, 39)
Que gravem ainda estas palavras de São Cipriano de Cartago:
“Deveis saber que o fim do mundo e o tempo do Anticristo se aproximam. Assim, todos devemos manter-nos prontos para o combate, não pensar em nada além da glória da vida eterna e de sua coroa pela confissão do Senhor. (…) O Senhor nos predisse que isso aconteceria no fim dos tempos. (…) Mas, já que é inevitável que um mortal morra, aproveitemos a ocasião que nos oferece a promessa divina e a Bondade divina; soframos a morte para receber a imortalidade, e não temamos ser mortos, pois é certo que, quando nos matam, somos coroados. (…) O Anticristo vem, mas depois dele vem Cristo.”
III. Como vive a sua fé no cotidiano? Orações, jejuns, leitura da Palavra de Deus? Com que frequência?
A Igreja pede aos seus sacerdotes que rezem o breviário, façam oração, recitem o rosário, bem como que reservem tempo para uma leitura espiritual e uma leitura da Bíblia diariamente.
Ela encoraja também a oferecer todos os dias o Santo Sacrifício da Missa. É a isso que me obrigo.
Mas, como ensina Santo Agostinho em sua carta a Proba, uma viúva romana:
“Rezar longamente não é, como alguns pensam, rezar com muitas palavras; uma coisa é um longo discurso, outra é um longo amor. Rezar é muitas vezes uma questão que se trata mais com gemidos do que com discursos, mais com lágrimas do que com palavras.”
No que me diz respeito, fiz minha a prática dos Padres do deserto, que repetiam tantas vezes quanto podiam:
“Senhor Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim, pobre pecador.”
Quanto aos jejuns, sigo aqueles impostos pela Igreja em seu cânon 1252:
- §1: Há dias em que apenas a abstinência é prescrita: são as sextas-feiras de cada semana.
- §2: Há dias em que são prescritos tanto o jejum quanto a abstinência: são a Quarta-feira de Cinzas, as sextas e sábados da Quaresma, os dias das Têmporas; as vigílias de Pentecostes, da Assunção, de Todos os Santos e do Natal.
- §3: Há, enfim, dias em que apenas o jejum é prescrito: são todos os dias da Quaresma.
- §4: A lei da abstinência, ou da abstinência e do jejum, ou do jejum apenas, cessa aos domingos e nas festas de preceito, exceto as festas que caem na Quaresma, e não se antecipam as vigílias; essa lei cessa também no Sábado Santo a partir do meio-dia.
A esses jejuns de obrigação, acrescentei alguns voluntariamente. E tento também não esquecer de fazer, de tempos em tempos, algumas esmolas àqueles de que mais necessitam, sobretudo aos que são perseguidos por nosso sistema contra a natureza.
IV. Que direção a França toma atualmente, segundo o senhor, em matéria de fé? Seremos menos ou mais crentes daqui a 10 anos?
Deixo o Sr. Chapot responder. Eu o citei em meu livro Sobre a Questão Judaica. Ele escrevia na Revue catholique des institutions et du Droit em 1904:
“Existe um pecado da França assim como existe um pecado do povo judeu. O pecado nacional do povo judeu é o deicídio; o pecado nacional da França é o regicídio, é a Revolução e o liberalismo.
“Explico-me: Israel quis matar Jesus Cristo como Deus; a França em revolução quis matá-lo como rei.
“O atentado cometido contra Luís XVI teve seu contra-golpe direto contra a própria pessoa de Cristo. Não foi o homem que a Revolução quis matar em Luís XVI, mas o princípio que o rei da França representava. Ora, esse princípio era o da realeza cristã. O que quer dizer isso? Quer dizer uma realeza temporal dependente de Cristo, imagem da realeza de Cristo, vassala e serva da realeza de Cristo. É por isso que os reis da França se intitulavam sargentos de Cristo.
“O que a Revolução quis destruir e abolir para sempre, ao decapitar Luís XVI, foi o próprio princípio da autoridade cristã no Estado. Quis consumar a secularização, ou melhor, a apostasia de toda a ordem social e civil. Quis arrancar as velhas nações cristãs, das quais a França era a cabeça, ao império de Jesus Cristo.
Eis o pecado da França, causa primeira e radical de todas as catástrofes que hoje nos ameaçam.”[1]
A França, ao apostatar, suicidou-se. Hoje ela está morta. É uma terra manchada tanto quanto um deserto espiritual onde apenas as pedras ainda falam da grandeza da França cristã. Mas isso ainda é demais para os mammonitas que estão no poder, daí o incêndio criminoso de Notre-Dame de Paris…
O futuro para os crentes? A prisão, a perseguição, a exclusão social, a miséria…? Em nome de uma falsa urgência sanitária ou de outra impostura… pouco importa o pretexto.
Retende o que dizia o Cardeal Pie na catedral de Nantes em 1859:
“A Igreja, sociedade sem dúvida sempre visível, será cada vez mais reduzida a proporções simplesmente individuais e domésticas. (…) Ela verá o terreno ser-lhe disputado palmo a palmo; será cercada, comprimida de todos os lados; tanto quanto os séculos a fizeram grande, tanto se aplicarão em restringi-la. Finalmente, haverá para a Igreja da terra como que uma verdadeira derrota: ‘Foi-lhe dado fazer guerra aos santos e vencê-los’ (Ap 13,7).”
V. Como faz nos períodos de aridez, quando Jesus Cristo lhe parece distante?
Esses períodos de desolação são evidentemente penosos, mas também são úteis: obrigam-nos a elevar-nos acima dos nossos sentidos para viver puramente da fé, segundo o espírito. Portanto, há apenas uma coisa a fazer nesses casos: perseverar.
Continua-se a fazer, tanto quanto possível, aquilo que se deve fazer, porque é sempre nosso dever cumprir o dever, quaisquer que sejam as circunstâncias. Portanto, ser e permanecer. E, afinal, depois da chuva vem o bom tempo.
VI. O senhor pensa que a República, que é um sistema profundamente anticlerical, possa ser compatível com a fé católica?
A República é uma criação judaico-maçônica da qual Leão XIII dizia:
“Personificação permanente da Revolução, a maçonaria constitui uma espécie de sociedade invertida cujo objetivo é exercer uma suserania oculta sobre a sociedade reconhecida e cuja razão de ser consiste inteiramente na guerra a ser feita contra Deus e sua Igreja.”
Essa declaração do Sumo Pontífice responde à sua pergunta: não, a República é incompatível com a fé, pois é inimiga do nome cristão. Um católico digno desse nome, portanto, combate-a com todas as suas forças.
VII. Hoje há um debate em torno da morte; segundo o senhor, o que realmente acontecerá? O que diz realmente a Igreja?
O “segundo o senhor” de sua pergunta é vão. Pouco importam minhas opiniões. Somente aquele que é o Senhor da vida e da morte pode nos falar dessas realidades. Portanto, o que sabemos provém da revelação que Deus quis nos fazer e que confiou à sua Igreja.
Em 1441, o Concílio de Florença declarava:
“No que diz respeito às crianças, por causa do perigo de morte que frequentemente pode ocorrer, como não é possível socorrê-las por outro remédio senão pelo sacramento do batismo, pelo qual são arrancadas ao domínio do diabo e adotadas como filhos de Deus, [a santíssima Igreja romana] adverte que não se deve adiar o batismo por quarenta ou oitenta dias ou por outro tempo, como fazem alguns, mas que deve ser conferido o mais cedo possível, de modo conveniente; mas de tal maneira que, se houver perigo de morte iminente, sejam batizadas sem qualquer demora, mesmo por um leigo ou uma mulher, na forma da Igreja, se faltar um sacerdote.”
“Ela crê firmemente, professa e prega que nenhum daqueles que se encontram fora da Igreja católica, não somente os pagãos, mas também os judeus, hereges e cismáticos, podem tornar-se participantes da vida eterna, mas irão ‘para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos’ (Mt 25,41), a menos que, antes do fim de sua vida, tenham sido a ela agregados; ela professa também que a unidade do corpo da Igreja tem tal força que os sacramentos da Igreja só têm utilidade para a salvação daqueles que permanecem nela; somente para estes jejuns, esmolas e todos os outros deveres da piedade e exercícios da milícia cristã produzem recompensas eternas; e que ninguém pode ser salvo, por maiores que sejam suas esmolas, ainda que derrame seu sangue pelo nome de Cristo, se não permanecer no seio e na unidade da Igreja católica.” (Decreto para os jacobitas, cânones 1349–1351).
VIII. O que o senhor pensa do desejo dos jovens padres de retornar às missas tridentinas em latim e do atrativo do catolicismo dito tradicionalista para a nova geração?
É algo bom. É o seu senso de fé e seu instinto de sobrevivência que os impulsionam. Pois:
“O novo Ordo Missae se afasta de maneira impressionante, no conjunto como no detalhe, da teologia católica da Santa Missa, tal como foi formulada na XXIIª sessão do Concílio de Trento.” (Breve exame crítico do Novo Ordo Missae, dos cardeais Bacci e Ottaviani).
Mas é preciso ir mais longe e rejeitar aquilo que corrompeu nossa liturgia, assim como aquilo que contradiz nossa fé. A Revolução de 1789 foi “a grande ilusão, a mentira mais vasta que já apareceu sobre a terra”, escrevia Blanc de Saint-Bonnet.
E, em 1962, o Vaticano II foi apenas a revolução na Igreja. O muito modernista cardeal Ratzinger ele próprio o confessou: “Tratava-se (no Concílio Vaticano II) de uma tentativa de reconciliação oficial da Igreja com o mundo tal como ele se tornara desde 1789” (Principe de théologie catholique, p. 426).
Os princípios de 89, os princípios dos Direitos do Homem, não são senão a idolatria do homem que se faz deus. Às falsas liberdade, igualdade e fraternidade, que destruíram a sociedade política, correspondem a liberdade religiosa, o ecumenismo e a colegialidade, que destruíram a Igreja, tanto quanto isso será possível e permitido por Deus.
Não basta, portanto, ser fiel à liturgia católica; é necessário ainda rejeitar aquilo que corrompe a nossa fé. Pois, para defender a lex orandi, é preciso defender a lex credendi (princípio da tradição cristã que significa que a oração e a fé fazem parte integrante uma da outra).
Em suma, é necessária a piedade e a doutrina; é necessária a liturgia e o combate da fé. Um sacerdote digno desse nome deve, portanto, ser um contra-revolucionário e lançar o Vaticano II no fogo.
IX. Qual é, segundo o senhor, o papel do Papa na Santa Igreja Católica, quais são os seus poderes? E quanto a Francisco Bergoglio? Ele corresponde, segundo o senhor, a essa definição?
Mais uma vez, o “segundo o senhor” não faz sentido. O que nos diz a Igreja sobre o poder pontifício? Isto:
“O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para lhes permitir publicar, segundo suas revelações, uma nova doutrina, mas para guardar santamente e expor fielmente, com sua assistência, as revelações transmitidas pelos apóstolos, isto é, o depósito da fé.” (Concílio Vaticano I, Pastor aeternus, 1870, Dz 3070).
Francisco é, portanto, uma espécie de antipapa que macula metodicamente o depósito da fé. Quando não zomba dos católicos, fraterniza com os sodomitas, os judeus, os ateus ou os muçulmanos.
Quando não louva os inimigos do nome cristão, ele difunde todas as mentiras globalistas em curso, mas com um verniz religioso, seja encorajando os clandestinos a nos substituir, seja buscando um reset pela via do medo (impostura climática, tragicomédia do coronavírus…).
Em suma, Bergoglio é um judas que pactua com os inimigos da fé e um monstro de heresias que destrói a unidade católica.
São João, em seu Apocalipse, nos adverte que, no fim dos tempos, durante a grande apostasia, ao lado do dragão (o diabo), ao lado da besta de sete cabeças e dez chifres (o poder globalista que combate a lei de Cristo), haverá “o falso profeta”: “outra besta, que tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, mas que falava como um dragão” (Ap 13,11).
Bergoglio é exatamente isso: um impostor que possui a aparência a seu favor, mas não a realidade. Ele parece estar revestido do poder de Cristo, mas sua ação é contrária à fé católica ensinada por seus predecessores até Pio XII.
X. E, para concluir, qual seria, segundo o senhor, o principal ou os principais perigos dos quais um cristão do nosso século deve se precaver?
O principal perigo é apegar-se a um mundo que perece.
“Permanecer vivo a qualquer custo não tem sentido; o que importa é como se permanece vivo”, dizia um legionário morto em combate na Indochina.
Não busquemos uma adaptação impossível do Evangelho a um mundo descristianizado. Não acreditemos conseguir, por meio de compromissos, deter a maré crescente da revolução e o caos que ela engendra.
Sejamos ainda realistas e sem ilusões: os cristãos fiéis à verdade terão de suportar não apenas os ataques dos filhos das trevas, mas também as falhas dos falsos irmãos.
Procuremos, portanto, “remir o tempo” que Deus nos concede, como nos convida o Apóstolo Paulo, e isso dando tal intensidade à nossa fé e ao nosso amor que nenhuma provação poderá nos separar de Deus:
“Remi o tempo, pois os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas compreendei bem qual é a vontade do Senhor.” (Ef 5,17).
Nosso Senhor nos advertiu: “Aquele que odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12, 25).
[1] L. Chapot, artigo “Coup d’œil sur libéralisme en général et sur son application à l’ordre politique et social en particulier” da Revue catholique des institutions et du Droit, setembro de 1904.
Eis os diferentes links do nosso Padre Olivier Rioult:
- Canal do YouTube do Padre Olivier Rioult
- Canal Odysee do Padre Olivier Rioult
- Seu site na internet La Sapinière
- Loja das Éditions Saint-Agobard
Não hesite em visitar suas diferentes redes para aprender muito sobre a história de nosso país e de nossa religião. Desejamos agradecer calorosamente ao nosso Padre Olivier Rioult por ter aceitado responder às nossas modestas perguntas e por ter disponibilizado um pouco de seu tempo para esta entrevista.
