NOTAS SOBRE DOIS CURSOS DO PROFESSOR CARLOS BEZERRA
Lúcio Guimarães, 23 de setembro de 2026

Entre setembro e dezembro de 2025, a Escola Santa Cruz promoveu dois cursos do Professor Carlos Bezerra. O primeiro, “Noeísmo”, e o segundo, “Da Sinagoga ao Modernismo”. Seguem-se as datas das aulas e a bibliografia citada em cada curso:
Primeiro curso: “Noeísmo”. Links: (1) https://pay.kiwify.com.br/TAnNmUh (2) https://archive.ph/Iufws.
Aulas: Aula 1 (10/09/2025); Aula 2 (17/09/2025); Aula 3 (24/09/2025); Aula 4 (01/10/2025); Aula 5 (08/10/2025); Aula 6 (15/10/2025); Aula 7 (22/10/2025); Aula 8 (29/10/2025); Aula 9 (05/11/2025).
Bibliografia: A Revolução em Tiara e Capa: Um Dossiê dos Papas do Pós-Vaticano II, uma coleção de textos reunidos e publicados pela editora Custodia Fidei; De la Cábala al Progresismo, do Padre Julio Meinvielle; Judaísmo para Todos, de Bernardo Sorj; Escritos Sobre la Cábala, de Rubén Calderón Bouchet; Israels Geheimvatikan, de Wolfgang Eggert; Israël et l’Humanité, de Elijah Benamozegh; La Judaización del Cristianismo y la Ruina de la Civilización, de Federico Rivanera Carlés; Complô Contra a Igreja, de Maurice Pinay; O Talmud Desmascarado, do Padre Justinas Pranaitis; Comprendre l’Empire Loubavitch: Une Dynastie Royale et Messianique, de Pierre Hillard; Archives du Mondialisme, também de Pierre Hillard; The Jewish Revolutionary Spirit: And its Impact on World History, de E. Michael Jones; e Kabbalah: New Perspectives, de Moshe Idel.
Segundo curso: “Da Sinagoga ao Modernismo”. Links: (1) https://pay.kiwify.com.br/6FLkksA (2) https://archive.ph/V4B8z.
Aulas: Aula 1 (11/11/2025); Aula 2 (19/11/2025); Aula 3 (26/11/2025); Aula 4 (05/12/2025); Aula 5 (11/12/2025).
Bibliografia: El Judío en el Misterio de la Historia, do Padre Julio Meinvielle; La Última Etapa de la Globalización: El Gobierno Mundial Judío, de Federico Rivanera Carlés; A Sinagoga e a Igreja Católica, de Léon de Poncins, cujo título francês é Le Judaïsme et le Vatican; As Forças Secretas da Revolução, também de Léon de Poncins; Churchill’s War, de David Irving; The Transfer Agreement, de Edwin Black; The Rise and Fall of the Third Reich, de William L. Shirer; e “How The Jews Changed Catholic Thinking”, de Joseph Roddy.
Antes de nossas notas, algumas breves observações. Na sexta aula do primeiro curso, Bezerra menciona os antepassados judeus de Bento XVI. Ele não revelou sua fonte, mas, como bem sabemos por nossos estudos, referiu-se aqui o Professor Bezerra ao texto da “Chiesa Viva” traduzido pelo Controvérsia Católica:
“A Ascendência Rabínica de Bento XVI”. Links: (1) https://controversiacatolica.wordpress.com/2020/02/07/a-ascendencia-rabinica-de-bento-xvi/ (2) https://archive.ph/oetri.
Depois, na oitava aula, Bezerra mostra aos alunos o encontro noeísta promovido por Leão XIV no dia anterior e diz que esse ato comprova que a Igreja Católica foi tomada pelos ensinamentos do noeísmo:
“Pope Leo XIV presides over the 39th edition of the International Meeting of Prayer for Peace, organized by the Community of Sant’Egidio in the Colosseum area”: https://www.youtube.com/watch?v=46hxN4h3RpI.
Já na nona aula, o Professor Bezerra comenta os casos de Ernst Zündel, Robert Faurisson e Fred A. Leuchter.
Quanto ao segundo curso, apenas mencionamos que, concomitantemente a ele, ocorreu a publicação da tradução do livro de Léon de Poncins sobre o Concílio Vaticano II.

Passamos às notas a partir de agora. Sobre o conteúdo apresentado nos dois cursos sobre a questão judaica, vale mais a pena ler diretamente as obras da bibliografia do que assistir a todas as aulas, a não ser que aquele que o faça seja absolutamente ignorante nessas matérias. Quanto à questão do gnosticismo exposta pelo Professor Bezerra, vemos que o meio intelectual brasileiro ainda repete conscientemente ou não as teses do Professor Orlando Fedeli, sem avançar para pesquisas mais aprofundadas. De modo geral, saímos com a impressão de que todas aquelas aulas são introduções sumárias voltadas a um público que facilmente se impressionaria com afirmações mais duras e categóricas, e que por isso foram adocicadas para não gerar espanto. Compreendemos a razão disso e não julgamos a cautela; porém, se aquilo que deve ser dito permanecer restrito ao campo dos cochichos e sussurros, torna-se descabido reclamar que o povo não adira à verdade.
Foi na esfera teológica, contudo, que nos decepcionamos verdadeiramente com os cursos do Professor Bezerra. Após várias aulas denunciando o noeísmo — apontando inclusive de forma inequívoca que Leão XIV e toda a seita pós-conciliar subscrevem ativamente essa judaização —, Bezerra, ao ser indagado pelos alunos sobre a dita “tentação do sedevacantismo”, limitou-se a afirmar que não se deve “cair na tentação do sedevacantismo”.
Essa animosidade da Resistência brasileira contra o sedevacantismo decorre unicamente das feridas mal cicatrizadas deixadas pela saída do Padre Rodrigo da Silva do Mosteiro da Santa Cruz, e não vemos nenhuma perspectiva de que essa rixa irá terminar tão cedo. Trata-se de uma reação puramente passional. Saindo da área dos traumas e já caminhando para aquilo que importa, não nos parece que a atual estratégia do Professor Bezerra possa gerar outra coisa além da expansão do próprio sedevacantismo. Se Roma se encontra sob o jugo da apostasia noeísta, e sendo o noeísmo a suprema heresia, deduz-se logicamente que a Sé de Pedro está vacante; do contrário, como o Professor Bezerra quer nos fazer crer, um anticristo seria a cabeça visível da Igreja de Cristo. Como não houve nenhum esforço teológico por parte do Professor Bezerra em tentar contra-argumentar o sedevacantismo, refugiando-se no clichê de que “o sedevacantismo é uma tentação”, e como a última tentativa de refutação ao sedevacantismo acabou na derrocada do próprio dono da Escola Santa Cruz, podemos conjecturar que a radicalização do discurso anti-noeísta no Brasil conduzirá as consciências ainda mais rapidamente ao sedevacantismo. Estamos contentes com tão bom prospecto.
Por fim, repetimos que mais vale ler os livros indicados pelo Professor Bezerra do que assistir a todas as aulas, e esperamos que o seu próximo livro impulsione ainda mais a percepção dos lefebvristas rumo à incontornável conclusão da vacância da Sé Apostólica.
