SOBRE AS OPINIÕES MODERNAS DA MORAL LIGORIANA ACERCA DO MATRIMÔNIO
Lúcio Guimarães, 5 de julho de 2026

A pornocracia, aquele período obscuro que a Igreja atravessou durante o século X, parece luminoso comparado ao nosso. Questões morais que outrora eram de facilíssima resolução não o são na modernidade, que tudo transformou em questão disputada, pois como todos sabem que já não há quem saiba qual é a doutrina moral da Igreja pela diversidade de opiniões, é natural que a própria moral se torne apenas mais uma opinião entre tantas.
Entre probabilidades e possibilidades, uma certa quantidade de católicos iniciou uma busca por opiniões em questões morais espinhosas. Depararam-se, naturalmente, com Santo Afonso Maria de Ligório: e eis que outra questão moral surgiu disso, a saber, as opiniões do próprio Santo Afonso. Uns dizem que a opinião de Santo Afonso é aquela; outros, que é uma distinta daquela; e ainda há outros que não sabem nem consultar os livros de teologia e acabam por afirmar qualquer coisa.
Ora, vendo tamanha confusão, consultamos diretamente os textos latinos, precisamente para que não haja dúvidas acerca da opinião ligoriana, e nos deparamos com opiniões modernas por parte de Ligório. Por opiniões modernas, entenda-se aquilo que é novo e diferente do tradicional e daquilo que era comumente aceito na patrística e na escolástica. Especificamente no campo da moral matrimonial e, no ponto mais sensível da questão, o do débito conjugal, encontramos certas opiniões de Santo Afonso que divergem, por exemplo, do parecer de São Gregório Magno. Isso ocorre porque a teologia moral ligoriana tentou ser uma síntese e solução para o embate entre laxistas e rigoristas, e vemos esse mesmo confronto dialético no pensamento ligoriano sempre que Santo Afonso abraça uma posição prudencial entre o rigorismo e o laxismo; assim nascem algumas de suas proposições modernas.
Reunimos algumas dessas opiniões modernas, apenas para realmente mostrá-las e nada além disso, e as compilamos abaixo para que o povo conheça certas opiniões de Santo Afonso que estão contidas no sexto livro da Theologia Moralis.

https://archive.org/details/praxis_confessarii_1823-alphonso_de_ligorio

Tradução: “39. Sobre o VI Mandamento. I. Sejam interrogados sobre os pensamentos, se desejaram ou se deleitaram deliberadamente com coisas desonestas, e se advertiram plenamente e consentiram nelas. Depois, se cobiçaram moças, viúvas ou mulheres casadas, e que mal pretendiam cometer com elas. Nisto deve-se notar que as pessoas rústicas, de modo geral, consideram o estupro um pecado maior do que a simples fornicação; por outro lado, ignoram a malícia do adultério. Portanto, com aqueles que têm o hábito deste vício, não convém adverti-los sobre a malícia do adultério (…)”



Tradução: “911. Duvida-se, 2.º É lícito pedir o débito em tempo de aleitamento? Alguns negam, como Butrius e Alexandre de Nevo, apud Bossio. Na verdade, Tiraquello e outro autor apud Sánchez dizem que é mortal. Porque, no can. fin. dist. 5, São Gregório diz: Mas o homem não deve deitar-se com ela (deve, e não convém, como relata Sánchez) até que a criança passe da fase de aleitamento. E também porque, em tal coito, há o temor de prejuízo da prole se a esposa vier a conceber. Mas, comunissimamente, afirmam ser lícito Palao, Bonacina, Pôncio, os Salmanticenses, Croix, Holzmann, Elbel; Sánchez com Ricardo, Torquemada, Rosella etc.; e Bossio com Coninck, Filliuccio, Hurtado, Leandro, Villalobos, etc. A razão é que não existe uma lei que o proíba. Pois, quanto ao texto de São Gregório, dizem Sánchez, Holzmann e Bossio que é apenas um conselho. E também porque o perigo de infectar o leite, segundo atestado pela experiência, é raro, ou ao menos não é tão grande a ponto de obrigar os cônjuges a se absterem por tanto tempo do uso do matrimônio, com perigo contínuo de pecar.”


Tradução: “917. Pergunta-se, 2.º Se, e como, pecam os cônjuges ao praticar o coito em posição antinatural? A posição natural é que a mulher esteja deitada por baixo e o homem por cima, pois esse modo é o mais apto à efusão do sêmen viril e à sua recepção no vaso feminino para a procriação da prole. Já uma posição antinatural é se o coito for feito de outro modo, por exemplo, com os cônjuges sentados, em pé, de lado ou erroneamente à maneira dos animais, ou se o homem estiver deitado por debaixo e a mulher por cima. Esse coito, diferente da posição natural, alguns apud Sánchez genericamente condenam de mortal; outros, porém, dizem que é mortal dos últimos dois modos, dizendo que a natureza mesma os aborrece. Mas, comumente, dizem todos os outros que todos esses modos não excedem a culpa venial. A razão é que, por um lado, embora haja certa desordem, contudo ela não é tanta que alcance a qualidade de pecado mortal, visto que versa apenas sobre aspectos acidentais da cópula (…)”


Tradução: “918. Pergunta-se, 3.º Pecam mortalmente os cônjuges se, uma vez começada a cópula, coíbem a seminação? Responde-se: Se ambos os cônjuges consentem nisso, e não há perigo de seminação fora do vaso, isso não é, por si mesmo, mortal. (…) Se, porém, a mulher já houver seminado, ou estiver em perigo provável de seminação, é verdade que o homem não pode retrair-se da seminação propositalmente sem grave culpa.”


Tradução: “919. Por outro lado, se o homem se retrair depois da seminação, mas antes da seminação da mulher, pode ela excitar-se com toques para seminar? Negam o autor das Adições a Wigandt; e Diana e Rodriguez apud Bossio; e adere a esta sentença Palao (dizendo que não é lícito se a mulher pudesse conter-se). A razão é que o sêmen da mulher não é necessário para a geração, e também porque aquela efusão da mulher, sendo separada, não a torna uma só carne com o homem. Contudo, mais comumente afirmam-no Wigandt, Lessio, Bonacina, com Sánchez, Potestà, Tamburínio; os Salmanticenses com Dicastillo; Filliuccio, Sporer; Bossio com Aversa, Perez, Fagundez e Leandro; e Elbel com Clericato, Homobono, Diana, Gobat e Bosco; e Concina não a reprova. A razão é que a seminação da mulher pertence ao complemento do ato conjugal, que consiste na seminação de ambos os cônjuges; por isso, assim como a esposa pode preparar-se para a cópula com toques, assim também pode perfazer o ato da cópula. E também porque, se as mulheres, depois de tal irritação, estivessem obrigadas a reprimir a natureza, estariam continuamente expostas ao grande perigo de pecar mortalmente (…)”


Tradução: “920. Se for feita [a cópula] em lugar indevido, por exemplo, um lugar sagrado, que é então violado, ou em lugar público. Veja-se, sobre este ponto, Lib. III, n. 458, onde dissemos com Navarro, Vásquez, Toledo, Azor, Coninck, Pôncio, etc. que, embora seja provável que por uma cópula conjugal oculta em uma igreja não se cometa sacrilégio nem se polua a igreja, contudo, o oposto é mais provável, a não ser que haja necessidade, com Suárez, Sánchez, Lessio, Bonacina, Holzmann, Croix, os Salmanticenses, etc. E, no entanto, nesse caso, os clérigos não devem abster-se de celebrar os divinos ofícios nesse lugar, a não ser que aquela cópula feita seja divulgada (como dizem os mesmos autores, e prova-se neste Lib. VI, n. 364). Porque não se considera que a igreja foi poluída quanto à celebração dos ofícios, a menos que o crime seja notório por notoriedade de fato.”

Tradução: “(…) Ora, do mesmo modo Sánchez condena de mortal o homem que, no ato da cópula, metesse o dedo no vaso indevido da esposa; porque (como diz), nesse ato existe um afeto de sodomia. Eu, porém, julgo que se poderia, de fato, achar tal afeto naquele ato; mas, falando per se, não reconheço que esse afeto esteja inserido em tal ato. De resto, digo que sempre devem ser repreendidos gravemente os cônjuges que exercem tal ato torpe.”

Great content! Keep up the good work!
Esto de aquí me hace pensar en la cantidad de actos pecaminosos dentro del matrimonio que deben estar sucediendo por no tenerse una instrucción adecuada, más habiendo visto antes de la conversión películas, música, etc.
Me sorprendió demasiado eso de bo informar sobre que lo del adultério, eso no me parece se sostenga, ¿a quién le gustaría que su pareja lo traicione? ¿Cómo decir que uno no sabe que eso es grave?