O GRANDE MISTÉRIO DO HOLOCAUSTO: RECONSIDERANDO AS EVIDÊNCIAS
Thomas Dalton, 29 de agosto de 2014
Fonte: Inconvenient History, 6(3), 2014, p. 277 e seguintes. Link: https://archive.org/details/inconvenient-history-volume-6-2014/page/277/mode/2up?q=The+Great.
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: O artigo contesta os pilares fundamentais da historiografia padrão do Holocausto. Dalton sustenta que a cifra de seis milhões é um símbolo de propaganda pré-guerra sem respaldo forense ou documental, sugerindo uma mortalidade judaica real muito abaixo disso. Argumenta que as políticas nazistas visavam à Ausrottung (deportação ou remoção territorial forçada), e não ao assassinato planejado. Analisa guetos, fuzilamentos dos Einsatzgruppen e campos como Auschwitz, Treblinka e Majdanek para apontar impossibilidades técnicas no gaseamento, transporte e queima de corpos. Explora a ausência de vestígios arqueológicos e de valas comuns proporcionais às vítimas relatadas, atribuindo as mortes verificadas primariamente a tifo, subnutrição e privações da guerra. E critica ainda acadêmicos como Richard Evans e Deborah Lipstadt, acusando a historiografia mainstream de evitar debates técnicos e recorrer a desqualificações ad hominem. Por fim, conclui apresentando o revisionismo como uma busca rigorosa pela verdade factual, destinada a romper o consenso acadêmico.
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O Holocausto é o maior mistério de assassinato do século XX. Diz-se que seis milhões de judeus pereceram nas mãos dos nazistas — em câmaras de gás, guetos e campos de concentração. Foram mortos pela fome, asfixiados e fuzilados. Seus corpos teriam sido enterrados em valas comuns, ou queimados nos fornos de Auschwitz, ou em fogueiras a céu aberto. E tudo isso simplesmente porque eram judeus. Teria sido a encarnação do mal, o maior crime jamais perpetrado.
Os historiadores tradicionais afirmam conhecer esse crime em grande detalhe. Dispõem de documentos, fotografias e provas materiais. Têm testemunhos incriminadores de nazistas importantes. Algumas das câmaras de gás teriam sobrevivido. E contam com inúmeras testemunhas oculares judias. Segundo alguns, trata-se do “evento mais bem documentado da história”.[1]
E, no entanto, quando fazemos perguntas detalhadas e específicas, nossos historiadores falham. Eles não sabem realmente quando, onde ou como os judeus morreram. Não possuem uma explicação técnica de como teria sido possível, por exemplo, gasear milhares de pessoas por dia em um único recinto e depois dar destino a seus corpos, de tal modo que não restasse vestígio algum. Não conseguem encontrar as valas comuns que supostamente continham milhares de cadáveres. Não conseguem explicar fotografias aéreas de guerra que mostram um campo de Auschwitz perturbadoramente calmo. E recusam-se até mesmo a considerar uma multiplicidade de evidências contraditórias. De fato, muitos aspectos da narrativa tradicional simplesmente não fecham. Quanto mais fundo investigamos, mais enigmático o quadro se torna — e daí o grande mistério.
Como em qualquer assassinato, nós, enquanto investigadores, gostaríamos de examinar vários aspectos do crime; estes incluiriam o motivo, os meios pelos quais foi cometido e os corpos das vítimas. Ademais, gostaríamos de considerar todas as evidências auxiliares e correlatas que possam sustentar ou refutar a narrativa tradicional. Como veremos, todas essas áreas são problemáticas do ponto de vista convencional.
HISTÓRIA REEXAMINADA
Nas últimas décadas, surgiu um grupo de investigadores intrépidos que desafia a visão convencional da história. Os pesquisadores que fazem isso são geralmente conhecidos como revisionistas; eles buscam revisar o relato ortodoxo (tradicional) de algum evento passado. Os revisionistas do Holocausto, porém, são uma espécie especial: eles desafiam não apenas historiadores, mas toda uma infraestrutura dedicada a manter e promover a visão padrão. A narrativa convencional do Holocausto é sustentada por centenas, senão milhares, de indivíduos: escritores, estudiosos, cineastas, editores, acadêmicos, e os sistemas de justiça criminal de vários grandes países. Esses historiadores ortodoxos são bem remunerados; alguns dispõem de grandes equipes e vultosos orçamentos, e muitos desfrutam do patrocínio da mídia, do governo e do mundo corporativo.
Os revisionistas do Holocausto, em contraste, são poucos em número — não mais do que duas ou três dezenas no mundo inteiro. Eles têm orçamentos minúsculos e poucos patrocinadores, a maioria dos quais financiando em segredo, ou na clandestinidade. Não recebem qualquer compensação por seu trabalho. Pelo contrário, são continuamente ameaçados, difamados, processados e de outras formas assediados. Seus livros são confiscados, e eles chegam até a ser ocasionalmente presos. E, ainda assim, sob as circunstâncias mais difíceis, esses revisionistas perseveram na tarefa de expor as deficiências da visão tradicional e de lançar uma luz incômoda sobre alguns aspectos desconfortáveis da história do Holocausto. Eles o fazem não por despeito, nem por maldade, e certamente não por ganho financeiro, mas simplesmente em busca da verdade. Buscam a verdade sobre o maior crime do século passado.
A disputa entre a ortodoxia e o revisionismo do Holocausto não perfaz uma mera trivialidade histórica. Trata-se de uma questão de enorme importância. A narrativa convencional do Holocausto é tão amplamente aceita como evidentemente verdadeira e como a própria epítome do mal, que a maioria das pessoas não consegue conceber que ela esteja errada em qualquer grau substancial. Se, portanto, for demonstrado que ela está errada, ou que é, ao menos, profundamente falha, então um pilar central de nossa compreensão da história é ameaçado. Nossas noções simplistas de bem e mal teriam de ser reexaminadas. Aqueles que hoje sustentam e promovem a narrativa tradicional — incluindo muitos judeus proeminentes e ricos, seus assistentes pagos e o número cada vez menor de sobreviventes judeus — sofreriam uma séria erosão de credibilidade. E poderíamos começar a questionar outras verdades recebidas que foram promovidas pelos poderes constituídos. Esses fatos têm enormes implicações em muitas áreas da vida contemporânea.
Um fato marcante é este: a maioria das pessoas não tem a mínima ideia de que exista qualquer mistério em torno do Holocausto. Isso, por si só, testemunha o poder e a influência da ortodoxia. Os indivíduos ligados à narrativa ortodoxa trabalham arduamente para garantir que a maior parte do público jamais ouça o outro lado — nem sequer que exista outro lado. Quando o assunto escapa, como ocorre de tempos em tempos, ele é sempre apresentado nos termos mais depreciativos e insultuosos. Os revisionistas são invariavelmente chamados de “negacionistas do Holocausto”, “neonazistas” ou “antissemitas”. São caluniados e desmoralizados desde o início. Mas seus argumentos nunca são discutidos, nunca são confrontados e nunca são refutados. Isso é, naturalmente, a clássica falácia ad hominem: atacar o caráter ou as motivações do oponente, em vez de abordar o conteúdo de seus argumentos. Trata-se de uma tática padrão daqueles que têm contra-argumentos fracos ou que desejam evitar discutir o assunto por completo.
Considere-se o termo “negacionista do Holocausto”. Trata-se, na verdade, de uma expressão quase destituída de sentido. Afinal, o que pode significar “negar” o Holocausto? Para negar algo, precisamos primeiro saber o que ele é. Por consenso geral, esse evento tem três elementos centrais: (1) aproximadamente seis milhões de judeus mortos, (2) câmaras de gás homicidas e (3) intencionalidade sistemática por parte dos nazistas. Portanto, exigimos que as três condições existam para que tenhamos um “Holocausto”. Em tese, se alguém refutasse qualquer um desses três pontos, seria um “negacionista do Holocausto”.
Mas o que significa negar, por exemplo, seis milhões de mortes de judeus? Uma afirmação de 5 milhões é “negação”? Dificilmente, visto que esse número foi sustentado por muito tempo pelo proeminente historiador do Holocausto Raul Hilberg. E quanto a 4 milhões? Duvidoso; Gerald Reitlinger (1987) defendeu 4,2 milhões de judeus mortos, e ninguém o chamou de negacionista. 3 milhões? 1 milhão? Podemos ver a dificuldade aqui.
E quanto às câmaras de gás homicidas? Note-se: qualquer recinto sem janelas, em qualquer edifício, em qualquer lugar, poderia, em tese, servir como uma câmara de gás homicida. Tudo o que seria necessário fazer é forçar pessoas a entrar nesse recinto, lançar algumas pastilhas de Zyklon-B (um preparado granular para gás cianeto, usado pelos alemães e por muitos outros países para desinfestar roupas e objetos pessoais) e então esperar 20 ou 30 minutos. É claro que isso poderia ser extremamente impraticável, por muitas razões óbvias: (a) é muito difícil forçar pessoas a entrar em um espaço fechado contra a sua vontade e mantê-las ali; (b) é complicado introduzir as pastilhas no recinto sem envenenar a si próprio; e (c) é muito perigoso retirar os corpos sem novamente envenenar a si próprio — afinal, os corpos estariam impregnados de gás cianeto, e as próprias pastilhas continuariam a liberar lentamente o gás por horas depois. Seria necessário, de algum modo, arejar cuidadosamente todo o recinto por várias horas e, então, remover com cautela os corpos e as pastilhas. E depois, se o processo fosse “sistemático”, seria preciso limpar minuciosamente todo o recinto, de cima a baixo, para prepará-lo para o próximo grupo de vítimas.
Isso não é uma mera descrição hipotética. É, de fato, como a maioria das câmaras de Auschwitz teria operado. Se alguém assume então a posição óbvia — de que tal procedimento é absolutamente impraticável e ridículo ao extremo — essa pessoa seria, então, um negacionista? Talvez; mas certamente um negacionista racional! Negar o ridículo ou o absurdo é simplesmente bom senso. Seria salutar se houvesse mais negacionistas desse tipo no mundo de hoje, e não menos.

E quanto à intencionalidade? Na visão tradicional, Hitler e os principais nazistas desejavam desesperadamente matar todos os judeus que pudessem alcançar. Aronsfeld (1985, p. 49), por exemplo, afirma que “o plano nazista alemão de assassinar cada judeu que pudesse é incontestável”. De fato, frequentemente se alega que os alemães colocaram esse objetivo acima de todos os outros, até mesmo em detrimento da defesa de seu país contra a invasão. Como evidência, os fundamentalistas do Holocausto citam várias declarações antijudaicas de Hitler, Goebbels e outros alemães. Mas a maioria dessas declarações, incluindo quase todas as dos principais nazistas, é altamente ambígua — como veremos. O que é certo é que Hitler e outros queriam remover os judeus da Alemanha e do Grande Reich. Mas é muito menos claro que quisessem matá-los.
Assim, se alguém afirma que muitos milhares de judeus morreram — não em câmaras de gás, mas de outras maneiras incidentais e auxiliares — isso é “negação”? Todo revisionista concorda que os nazistas queriam os judeus fora e que isso foi uma política deliberada e intencional, e até central, do nacional-socialismo. Muitos judeus, sem dúvida, morreram no processo de limpeza étnica do Reich. E é verdade que Hitler e outros se mostraram em grande medida indiferentes a esse fato. Mas isso é negar a intencionalidade do Holocausto?
Vemos, então, quão difícil e quão destituído de sentido é declarar alguém um “negacionista do Holocausto”. Fazê-lo exigiria uma elaboração muito mais completa dos termos. Os fundamentalistas, porém, nunca fornecem esses dados. Preferem caluniar seus oponentes e deixar por isso mesmo.
Investiguemos, pois, nós mesmos esse grande crime. Examinemos os elementos centrais da história do Holocausto, façamos perguntas difíceis e vejamos para onde as evidências nos conduzem.
O PANORAMA GERAL
Com o Holocausto, assim como com qualquer questão desse tipo, é prudente manter sempre em mente o quadro geral. Façamos então algumas perguntas “globais” — perguntas que possam conduzir à plausibilidade inerente da narrativa convencional.
Primeiro: Por que sabemos tão pouco sobre o número frequentemente citado de “seis milhões”? Ele aparece em toda parte quando ouvimos falar do Holocausto. O site do Museu Memorial do Holocausto dos EUA (U.S. Holocaust Memorial Museum — USHMM) escreve: “O Holocausto foi a perseguição e o assassinato sistemáticos, burocráticos e patrocinados pelo Estado de aproximadamente seis milhões de judeus”.[2] O instituto oficial israelense Yad Vashem afirma: “O Holocausto foi o assassinato de aproximadamente seis milhões de judeus pelos nazistas e seus colaboradores”.[3] Os historiadores tradicionais se mostram confiantes nesse número; como escreve Robinson (1976, p. 281): “Não pode haver dúvida quanto à exatidão do número estimado de cerca de seis milhões de vítimas”. A Enciclopédia do Holocausto concorda: “O número redondo de seis milhões não admite dúvida séria”.[4]
Mas será que é mesmo? Considere este fato: a Segunda Guerra Mundial na Europa durou de setembro de 1939 a maio de 1945 — um período de 5 anos e 8 meses, ou pouco mais de 2.000 dias. Se os alemães mataram seis milhões de judeus ao longo desses 2.000 dias, teriam tido de matar, em média, 3.000 judeus por dia, todos os dias, durante toda a extensão da guerra. Trata-se de uma estatística verdadeiramente espantosa: 3.000 judeus assassinados diariamente, por alguma combinação de gaseamento, fuzilamento e privação — por quase seis anos consecutivos. Isso é plausível?
Mas a questão maior é a do descarte dos corpos. Matar é relativamente fácil; fazer os corpos desaparecerem é muito, muito mais difícil. Segundo a visão padrão, os alemães queimaram, enterraram ou de alguma outra forma eliminaram por completo 3.000 cadáveres (em média) todos os dias, por quase seis anos. Isso já seria um trabalho monumental em tempo de paz; foi uma tarefa hercúlea em meio a uma grande guerra. Só isso já deveria nos levar a questionar o número convencional de mortos.
“E daí?”, alguns podem dizer. “Algo como 50 milhões de pessoas morreram ao longo da guerra, o que é ainda mais impressionante: 25.000 por dia. Por que não 3.000 judeus?”. Sim, mas o número maior inclui todas as vítimas, em todos os conflitos, em todo o globo. Houve 58 forças armadas nacionais em guerra, envolvendo milhões de soldados, muitos dos quais atiravam em tudo o que viam pela frente. Podemos, portanto, facilmente compreender como 50 milhões de pessoas, globalmente, possam ter morrido — e o globo está de fato repleto de seus túmulos, de maneira bastante visível. Mas os judeus teriam sido alvo de uma única nação, que estava ocupada lutando em muitas frentes. Além disso — e de modo crucial — nenhum dos 50 milhões de corpos foi posto para desaparecer, ao contrário dos seis milhões infelizes.
Segundo: Às vezes, precisamos afirmar o óbvio: pessoas morrem o tempo todo. Morrem de velhice, doença, ferimentos e acidentes. Morrem por homicídio e morrem por suicídio. Em qualquer grupo populacional suficientemente grande, cerca de 1% morre dessas causas a cada ano.[5] Nas áreas que viriam a ficar sob controle alemão, viviam cerca de 9 milhões de judeus, segundo fontes padrão. Portanto, essa população judaica teria experimentado algo como 90.000 mortes por ano — mesmo que Hitler nunca tivesse nascido. Ao longo da guerra, aproximadamente 520.000 judeus teriam morrido, mesmo que os alemães os tivessem ignorado completamente. E, se contarmos o tempo desde que os nazistas chegaram ao poder em 1933, cerca de 1,3 milhão teria morrido.
Visto que os especialistas nos fornecem tão poucos detalhes, temos de presumir que qualquer judeu, estando dentro de um país ocupado pela Alemanha ou sendo proveniente de um desses países, que tenha morrido durante a era nazista, por qualquer razão, conta como uma “vítima do Holocausto”. Assim, já temos mais de 1 milhão de vítimas antes mesmo de contabilizarmos um único assassinato nazista. Qualquer cálculo justo da mortalidade judaica subtrairia cerca de 1 milhão de mortes naturais do total presumido. Mas isso raramente acontece.
Isso também ajuda a explicar aqueles que dizem: “Meu(s) parente(s) tal(is) morreu(ram) no Holocausto”. O que provavelmente querem dizer é que morreram ou desapareceram durante a era nazista, por causas nem especificadas nem realmente conhecidas. A culpa recai, por padrão, sobre Hitler, e a compaixão, sobre os “enlutados”. Isso é razoável? Claramente, não. Mas até que obtenhamos detalhes sobre quem morreu, quando e como, não podemos determinar a realidade da situação.
Para que o leitor não duvide de que tais contagens frouxas são de fato creditadas, considere a definição extremamente permissiva de “vítima do Holocausto” dada pela “principal autoridade em demografia judaica global”, Sergio DellaPergola. Num relatório de 2003, ele afirmou que uma vítima é qualquer pessoa “que ao menos por um breve período de tempo tenha sido submetida, em seus locais, a um regime de coação e/ou limitação de seus plenos direitos civis”.[6] Trata-se de uma definição absurdamente ampla, obviamente concebida para maximizar o número de vítimas e sobreviventes. Fica claro, então, que qualquer pessoa que tenha morrido, por qualquer motivo, sofreu ao menos uma coação potencial — e assim pode contar como “vítima do Holocausto”. Seus familiares também certamente sofreram coação e, se estavam vivos após o fim da guerra, poderiam ser contados como “sobreviventes do Holocausto”. De fato, virtualmente qualquer judeu europeu que tenha vivido até o fim da guerra poderia ser declarado um “sobrevivente do Holocausto” — e, assim, ter direito a receber compensação vitalícia da Alemanha, intermináveis convites para palestras e talvez um livro ou um filme dramatizando sua vida.
Terceiro: Se o número de seis milhões está tão bem documentado, por que então nunca vemos sequer uma decomposição básica dela? Isto é, por que nunca encontramos nem mesmo o conjunto mais elementar de números, com base na causa da morte, que some seis milhões?[7] Isso não é uma questão trivial. Supostamente, os especialistas sabem, mais ou menos, como e onde os judeus foram mortos. Eles conhecem os seis campos de extermínio (falaremos deles em breve). Conhecem os Einsatzgruppen, os chamados esquadrões alemães de extermínio que operavam atrás da frente oriental. Conhecem os muitos guetos judeus — onde estavam localizados, quando funcionaram e quando foram evacuados. O Holocausto é, afinal, o “evento mais bem documentado da história”. Por que não temos sequer um quadro aproximado de como, em números, os judeus morreram, de modo que os totais somem seis milhões? O leitor é convidado a procurar qualquer fonte respeitável, impressa ou online, que pretenda apresentar tal lista; será uma longa busca.[8]
Na ausência de dados dos especialistas, proponhamos nossos próprios números. Eis uma possível decomposição:
| Seis campos de extermínio | 3 milhões |
| Outros campos | 400 mil |
| Guetos | 1 milhão |
| Fuzilamentos | 1,6 milhão |
| Total: | 6 milhões |
Isso está correto? Difícil dizer. Essa tabela fornece o total desejado e identifica as principais categorias de mortes. Pelo que nos dizem os especialistas, esses números parecem plausivelmente próximos. Mas deveríamos ser capazes de fazer melhor do que isso. Em tese, deveríamos ser capazes de pesquisar cada uma dessas áreas em detalhe — cada uma tem seu próprio conjunto de especialistas — e então justificar os números individuais. E, se descobrirmos que uma categoria ficou aquém, outra terá de ser aumentada, se quisermos manter o total geral de seis milhões. Isso é lógica elementar. Então, por que essa análise básica escapa às centenas de especialistas e aos milhares de trabalhos publicados sobre esse evento? Não se trata de um pedido irrazoável: deem-nos os números que somam seis milhões. Se não conseguem, temos mais um motivo para suspeitar.[9]
É claro que, mesmo que nos fosse dada tal lista, não poderíamos aceitá-la ao pé da letra. Teríamos de fazer outras perguntas, sondando um pouco mais fundo. Quais são os números em cada um dos seis campos de extermínio, de modo que possamos justificar um total de 3 milhões? Quais dos principais “outros campos” tiveram as maiores taxas de mortalidade, e quais foram esses números — de modo que possamos plausivelmente explicar mais 400.000? Quais foram os principais guetos, e quantos morreram em cada um deles — de modo que possamos explicar 1 milhão? (Cuidado: para contar como “mortes em guetos”, estas devem ter ocorrido nos guetos; alguém que foi retirado de um gueto e enviado a Auschwitz obviamente não pode contar tanto como “morte em gueto” quanto como morte em Auschwitz.) Havia quatro unidades principais dos Einsatzgruppen. Sabemos quando e onde operaram. Quantas pessoas cada unidade matou, de modo que possamos explicar a grande maioria dos 1,6 milhão?
Essas são perguntas elementares. Não pedimos precisão, nem exatidão; estimativas grosseiras bastam. Temos pleno direito de exigir respostas. Por que tais respostas não são fornecidas?
Para o propósito da presente investigação, assumamos que os números acima representem a visão convencional. Eles orientarão nossa busca pela verdade.
AS ORIGENS DOS “SEIS MILHÕES”
Uma das maiores perguntas de panorama geral é esta: de onde veio, em primeiro lugar, o infame número de seis milhões? Presumir-se-ia naturalmente que fosse impossível calcular o número de mortos em meio a uma guerra mundial em pleno curso. Mesmo no imediato pós-guerra, saberíamos pouco com certeza. Certamente não tomaríamos, por exemplo, a palavra dos nazistas; eles estariam inclinados a minimizar o número de mortos ou, se coagidos, a exagerá-lo. Os muitos sobreviventes dos campos — e havia muitos, mesmo descontando os “caronas” que nunca estiveram perto de campo algum — claramente não seriam de grande ajuda; como prisioneiros, não estariam em posição de saber coisas como o número total de mortos. Portanto, esperar-se-ia que uma resposta confiável proviesse apenas de uma investigação detalhada de todos os locais de morte, incluindo dados forenses, exumações de valas comuns, autópsias e assim por diante. Isso seria então comparado com a documentação nazista sobrevivente, fotografias e outras evidências. Uma investigação adequada levaria claramente meses, senão anos. Só então poderíamos ter confiança em uma estimativa de seis milhões.
Estranhamente, isso não foi feito. Longe disso. Na verdade, ocorreu quase o oposto do que foi descrito acima. Os americanos vitoriosos confiaram fortemente em fontes judaicas e soviéticas tendenciosas, e em nazistas capturados e torturados. Não realizaram investigações forenses, nem autópsias, nem escavações de valas comuns. Os americanos, portanto, confiaram estritamente em boatos para estabelecer o crucial número de mortos judeus. E nunca tomaram uma única medida para confirmar o número. Sua posição pareceu ser: se os judeus dizem seis milhões, então são seis milhões.
Tudo isso já seria ruim o bastante, mas a história torna-se ainda muito mais estranha. Acontece que o mundo foi informado sobre seis milhões de vítimas judaicas não apenas no imediato pós-guerra, mas durante a guerra, no início da guerra e até mesmo antes da guerra — na verdade, décadas antes da guerra. A história aparentemente impossível dos “seis milhões” constitui um fascinante subtexto da narrativa maior do Holocausto.
Talvez a mais antiga conexão publicada entre judeus e “seis milhões” remonte a 1850. O jornal Christian Spectator (16 de janeiro, p. 496) publicou um pequeno artigo sobre “Estatísticas espirituais do mundo”. Nele, lista-se a população global como 1 bilhão, dos quais “6.000.000 são judeus”. Duas décadas depois, o New York Times (doravante NYT) noticiou de modo semelhante:[10] “Há atualmente cerca de 6.000.000 de israelitas vivos, quase metade dos quais vive na Europa” (12 de setembro de 1869, p. 8).[11] Pode-se especular que foi por essa época que o número “seis milhões” passou a representar “todos os judeus”. Daí em diante, sempre que “todos os judeus” estivessem sob ameaça, o número padrão reaparecia — como veremos.
Apenas alguns anos depois, já havia sinais de problema. O NYT noticiou em 1872 a “perseguição de judeus na Romênia” (23 de março, p. 4). Multidões gentias os atacavam, e parecia que “os agressores sanguinários não parariam diante de nada senão do extermínio judaico” — um precursor inicial das alegações de extermínio alemão que viriam cerca de 70 anos depois.
Ou talvez apenas oito anos depois. Em 1880, lemos um relatório impressionante sobre “apelos em favor dos judeus alemães” (20 de dezembro, p. 2). O artigo examina um discurso do filósofo alemão Eugen Dühring e sua “insolência em exigir o extermínio de toda a raça [judaica], em nome da humanidade”. O escritor então fala de petições diante do parlamento alemão, cujo propósito é “o extermínio — a aniquilação da raça judaica”.
Mas voltemos ao assunto em questão. A primeira menção a seis milhões de judeus sofredores já aparece em 1889. Em um breve artigo, o NYT pergunta: “Quantos judeus existem?” A estimativa mínima, de base, da “raça ubíqua” é de 6.000.000. “Com exceção de meio milhão”, acrescenta, “todos se encontram em estado de servidão política”. Dois anos depois, em 1891, lemos sobre a lamentável situação da “população de 5.000.000 a 6.000.000 de judeus da Rússia” e sobre “o fato de que cerca de seis milhões de miseráveis perseguidos” ainda se apegam à sua religião, contra todas as probabilidades. Assim começou uma série plurianual de histórias sobre os “seis milhões de judeus sofredores da Rússia”.
Tais histórias se provariam úteis ao nascente movimento sionista, que havia surgido apenas recentemente. Sua missão era (e é) incentivar a judaria mundial a se estabelecer na Palestina. Os primeiros sionistas, portanto, estavam ansiosos por enfatizar o sofrimento judaico, a fim de promover a emigração em massa da Europa. Referindo-se aos judeus da Rússia, o conhecido ativista Stephen Wise disse isto em 1900: “Há 6.000.000 de argumentos vivos, sangrando e sofrendo a favor do sionismo” (11 de junho, p. 7). Em 1901, o Chicago Daily Tribune noticiou a “condição desesperadora” dos “seis milhões de judeus na Rússia” (22 de dezembro, p. 13). Em 1905, os sionistas começaram a se preocupar com o fato de que “a Rússia, com seus 6.000.000 de judeus”, não estava promovendo a emigração (29 de janeiro, p. 2).
Ações antijudaicas periódicas — e, muitas vezes, de pequena dimensão — eram sempre retratadas nos termos mais dramáticos; o NYT lamentava “nossos 6.000.000 de irmãos servis na Rússia” (23 de março, p. 7). Mais tarde, em 1905, surgiu uma polêmica contra um líder russo que “fez com que 6.000.000 de famílias judaicas fossem expulsas” (1º de novembro, p. 2) — o que é impossível, aliás, pois isso envolveria cerca de 25 milhões de judeus. Em 1906, lemos sobre “relatos alarmantes da condição e do futuro dos 6.000.000 de judeus da Rússia”; trata-se de um “quadro horripilante” de “massacres renovados” e de “extermínio sistemático e assassino” (25 de março, p. SM6). (É tentador perguntar: o que há nos judeus para que estejam sujeitos a repetidas ameaças de “extermínio”?) Em 1910, encontramos “judeus russos em situação lastimável”, e entristecemo-nos com “a sistemática, implacável e silenciosa opressão de um povo de mais de 6.000.000 de almas” (11 de abril, p. 18). Em 1911, o NYT informou que “os 6.000.000 de judeus da Rússia são alvo de opressão sistemática e de perseguição por meio do devido processo legal” (31 de outubro, p. 5). “Seis milhões”; “sistemático”; “extermínio” — forma-se uma tendência clara.
Pouco tempo depois, começou a Primeira Guerra Mundial. Passamos então a ler sobre a situação de “mais de 6.000.000 de judeus que vivem dentro da zona de guerra” (2 de dezembro de 1914). No mês seguinte vieram mais relatos sobre os eternamente condenados, “dos quais mais de 6.000.000 se encontram no próprio coração da zona de guerra”; eles estariam, consequentemente, “submetidos a toda sorte de sofrimento e tristeza”, e todos os americanos eram conclamados a ajudar (14 de janeiro, p. 3). Em 1916, lemos que “o mundo permanece em silêncio”, apesar do fato de que “quase seis milhões de judeus se encontram arruinados, na maior miséria moral e material” (28 de fevereiro, p. 8). Um ano depois, o rabino Samuel Schulman exclama que “seis milhões de judeus vivem em terras onde são oprimidos, explorados, esmagados e privados de todo direito humano inalienável” (22 de janeiro, p. 6). Em maio de 1917, ouvimos que “seis milhões de judeus — metade dos judeus do mundo — clamam a vocês por socorro” (21 de maio, p. 1). Em setembro, a situação passou a ser descrita nos termos mais fortes possíveis; mulheres e bebês judeus precisariam ser salvos, somos informados, “se a raça judaica quiser sobreviver ao terrível holocausto da guerra mundial” (24 de setembro, p. 20). Poucos parecem perceber que se diz que um “holocausto” judaico ocorreu em ambas as guerras mundiais.
No fim de 1918, a guerra se aproximava do seu término. Tivemos seis milhões de judeus mortos? Não. De algum modo, todos conseguiram sobreviver. Em vez de comparecermos a seus funerais, fomos então chamados a ajudar em sua recuperação: “Seis milhões de almas precisarão de ajuda para retomar a vida normal quando a guerra acabar”, escreve o NYT (18 de outubro; p. 12).
Poder-se-ia pensar que isso teria sido o fim das histórias dos seis milhões. Infelizmente, não. O famoso número simplesmente se deslocou para uma nova região. Em setembro de 1919, descobrimos que agora são os judeus ucranianos e poloneses que se encontram sujeitos à miséria; “6.000.000 estão em perigo” (8 de setembro, p. 6). Ficamos ainda mais horrorizados ao ler que “a população de 6.000.000 de almas na Ucrânia e na Polônia (…) será completamente exterminada”. Naturalmente, essa seria “a questão primordial da atualidade”. Mais uma vez, seis milhões de judeus sob ameaça de extermínio.

A tendência prosseguiu por anos, numerosos demais para detalhar. As referências incluem as seguintes:
- “pobreza inacreditável, fome e doença [para] cerca de 6.000.000 de almas, ou metade da população judaica da Terra” (12 de novembro de 1919).
- “o tifo ameaçava 6.000.000 de judeus da Europa” (12 de abril de 1920).
- “fome, frio, trapos, desolação, doença, morte — seis milhões de seres humanos sem comida, abrigo, roupas” (2 de maio de 1920).
- “os 6.000.000 de judeus da Rússia enfrentam extermínio por massacre” — novamente! (20 de julho de 1921).
- “mais de 6.000.000” de judeus russos “negligenciados” (16 de setembro de 1924).
Isso nos conduz à era nazista, na qual os “seis milhões” aparecem mais uma vez — e muito antes da Segunda Guerra Mundial. A primeira referência surge apenas dois meses depois de Hitler assumir o poder, em janeiro de 1933. O NYT noticia um voto de “protesto contra Hitler” por parte de alguns funcionários do governo local de Nova York. O rabino Stephen Wise emitiu um apelo: “Nós, na América, tomamos a dianteira numa batalha pela preservação dos judeus alemães”, acrescentando que seu grupo “está agora ativo em trabalhos de socorro e reconstrução no Leste Europeu, onde 6.000.000 de judeus estão envolvidos” (29 de março, p. 9).
Três anos depois, lemos no London Times sobre “6.000.000 de infelizes indesejados” judeus e sobre “essas 6.000.000 de pessoas sem futuro” (26 de novembro de 1936, p. 15). No mesmo dia, o NYT noticiou um discurso do sionista britânico Chaim Weizmann, que “detivera-se primeiro na tragédia de pelo menos 6.000.000 de judeus ‘supérfluos’ na Polônia, Alemanha e Áustria”. Em fevereiro de 1937, ouvimos que “cinco a seis milhões de judeus na Europa enfrentam expulsão ou a mais extrema pobreza” (26 de fevereiro, p. 12).
Em 1938, o NYT publicou um artigo com o título “Aumento observado de judeus perseguidos” (9 de janeiro, p. 12). “6.000.000 de vítimas registradas”, diziam — referindo-se a um total combinado na Alemanha, Polônia e Romênia. No mês seguinte, ouvimos falar de “um quadro deprimente de 6.000.000 de judeus na Europa Central, privados de proteção ou de oportunidades econômicas, morrendo lentamente de fome, toda esperança perdida…” (23 de fevereiro, p. 23). Em maio, tratava-se da “maré crescente de antissemitismo na Europa de hoje, que privou mais de 6.000.000 de judeus e não arianos de um direito de nascença” (2 de maio, p. 18). Mais tarde naquele ano, o London Times publicou um relato sobre o “tratamento dado aos judeus alemães”; “o problema agora envolvia cerca de 6.000.000 de judeus”, escreveram (22 de novembro, p. 11). Tenha-se em mente: o início da Segunda Guerra Mundial ainda estava a quase um ano de distância.
No início de 1939, o London Times continuou a noticiar a visão de Weizmann de que “o destino de 6.000.000 de pessoas estava em jogo” (14 de fevereiro, p. 9). A guerra começou em setembro daquele ano, e a propaganda antinazista se intensificou. Em meados de 1940, o NYT citou Nahum Goldmann: “Seis milhões de judeus estão condenados à destruição se a vitória dos nazistas for definitiva” (25 de junho, p. 4). Essa declaração foi feita pelo menos um ano inteiro antes de Hitler supostamente decidir iniciar seu programa de assassinato em massa de judeus — segundo nossos especialistas.[12] Como Goldmann poderia saber o que estava por vir?
Em janeiro de 1942, lemos que Heinrich Himmler “desenraizou aproximadamente 6.000.000 de seres humanos” e os enviou para a Polônia ocupada, “onde necessariamente passam fome, congelam até a morte e morrem de doença” (18 de janeiro, p. SM10). Em meados de 1942, a Europa tornara-se “um vasto matadouro para judeus”; um milhão eram dados como mortos, e o restante dos “6.000.000 a 7.000.000” estava sob risco (30 de junho, p. 7). Em dezembro, o número de mortos judeus foi relatado como 2 milhões, representando um terço dos 6.000.000 “nos domínios de Hitler”. Era, disse o NYT, “um holocausto sem paralelos” (13 de dezembro, p. 21).
Ao longo dos anos de guerra, a sorumbática historieta continuou:
- Hitler intenciona “o extermínio de cerca de 6.000.000 [de] pessoas [judias] nos territórios sobre os quais [seu] domínio foi estendido” (London Times, 25 de janeiro de 1943).
- “Salvem os judeus condenados”, diz o rabino Hertz; o mundo “fez muito pouco para assegurar sequer a liberdade de viver a 6.000.000 de seus semelhantes judeus” (2 de março, p. 1).
- Dois milhões estão mortos, “e os quatro milhões restantes a matar estão sendo mortos, conforme o plano” (10 de março, p. 12).
- “Cinco milhões e meio de judeus na Europa são relatados como tendo sido mortos” (10 de maio de 1944, p. 5) — ainda um ano inteiro antes do fim do conflito europeu.
- E novamente, mais tarde: “Dr. A. Leon Kubowitzki (…) relatou que 5.500.000 judeus haviam sido mortos em países controlados pelos nazistas” (27 de novembro, p. 14).
Então surge a primeira alegação definitiva — em janeiro de 1945, quatro meses antes do fim da guerra: “6.000.000 de judeus mortos”, brada a manchete (8 de janeiro, p. 17). Jacob Lestchinsky afirmou que a população pré-guerra de 9,5 milhões havia sido reduzida a 3,5 milhões. Não há menção alguma de como ele chegou a esse número, em meio ao caos de uma guerra ainda em curso. Em abril, o NYT estampou a manchete: “5.000.000 relatados como mortos em Oswiecim [Auschwitz]” — um erro de cálculo incrível, mesmo assumindo a correção da cifra atual de 1 milhão. Em maio, lemos algo como uma declaração oficial de Lord Wright, da Comissão de Crimes de Guerra da ONU: “Calculou-se, entretanto, que ao todo cerca de seis milhões de judeus foram deliberadamente massacrados em [câmaras de gás] e de outras maneiras” (13 de maio, p. SM4). Calculado por quem? Com base em quê? E recorrendo a quais evidências concretas? Ele não diz.
Assim é a história dos “seis milhões”. Ela tem um legado impressionante. Historiadores tradicionais frequentemente enfatizam que o número veio dos alemães no julgamento de Nuremberg, iniciado em novembro de 1945 — o que é verdade. Um funcionário de menor importância, Wilhelm Höttl, testemunhou esse número no início dos procedimentos.[13] Os historiadores gostam de retratar isso como uma espécie de revelação dramática e como “confirmação oficial” do número — o que é uma alegação ridícula. Como vimos, o número já era conhecido, discutido e antecipado havia décadas. E mesmo assim, no fim de 1945, ninguém havia dado o menor passo para realmente confirmar tal estimativa. Era puro boato, baseado em décadas de propaganda.
Incrivelmente, até os dias de hoje, não nos encontramos em melhor situação. Ainda não temos dados concretos para confirmar os “seis milhões” — e temos boas razões para duvidar deles, como veremos.
O MISTÉRIO SE APROFUNDA
Voltemos ao nosso argumento principal. Se desejamos examinar o suposto assassinato efetivo dos seis milhões, devemos formular algumas perguntas adicionais: (1) Qual era a intenção de Hitler e dos demais dirigentes nazistas? (2) Dispunham eles dos meios e da capacidade para perpetrar tal crime? (3) Eles de fato o cometeram?
Segundo a interpretação convencional, as respostas são claras: Hitler intencionava desde o início — e de maneira secreta — matar os judeus da Europa. Os nazistas construíram os meios para fazê-lo, sobretudo por meio de seu sistema de guetos, dos esquadrões de extermínio (os Einsatzgruppen) e dos seis campos de extermínio, cada qual equipado com as infames câmaras de gás. E sim, asseguram-nos, seis milhões foram efetivamente mortos. “O número redondo de seis milhões não admite nenhuma dúvida séria”.
Examinemos cada uma dessas questões, por sua vez, de um ponto de vista objetivo. Que dizer das intenções de Hitler e dos demais dirigentes nazistas? Consideremos a “primeira carta de Hitler sobre os judeus”, datada de 16 de setembro de 1919. Escrita quando ele tinha apenas 30 anos, essa breve carta constitui um estudo fundamentado da questão judaica na Alemanha:
“Se a ameaça que os judeus representam para nosso povo deu origem a uma hostilidade inegável por parte de uma grande parcela de nosso povo, a causa dessa hostilidade deve ser procurada no claro reconhecimento de que os judeus, enquanto tais, exercem, deliberada ou involuntariamente, uma influência perniciosa sobre nossa nação. (…) Tudo isso resulta naquela atitude mental e naquela busca pelo dinheiro e pelo poder necessário para protegê-lo, que permitem ao judeu tornar-se tão inescrupuloso na escolha de seus meios. (…) Seu poder é o poder do dinheiro, que se multiplica em suas mãos, sem esforço e indefinidamente, por meio dos juros, e com o qual ele impõe à nação um jugo tanto mais pernicioso quanto mais seu brilho dissimula suas consequências, em última análise, trágicas. (…) O resultado de suas atividades é a tuberculose racial da nação.”[14]
Ao perseguirem implacavelmente seus próprios interesses, os judeus infligem às nações uma enfermidade praticamente fatal. O remédio para esse grave problema, dizia Hitler, era um “antissemitismo racional”, baseado não no ódio ou na emoção, mas no simples desejo de preservar a saúde da nação. O “objetivo final” dessa concepção, acrescenta ele, é “a remoção completa de todos os judeus de nosso meio”.[15] Note-se: não sua morte, não seu assassinato, mas sua remoção da sociedade alemã.
Desde o início da década de 1920, a imprensa de língua inglesa começou a noticiar as atividades dos nacional-socialistas. Em discursos posteriores, Hitler empregou uma terminologia um tanto diferente, mas tendo em mente o mesmo objetivo. A versão dos acontecimentos apresentada pela imprensa, contudo, era decididamente unilateral. Por exemplo, na edição de 8 de fevereiro de 1923 do NYT, noticiou-se que “uma parte do programa de Herr Hitler (…) é o extermínio dos judeus na Alemanha”. Isso soa ameaçador. Entretanto, conhecemos agora a história, prolongada por décadas, das supostas tentativas de “extermínio”, nenhuma das quais se concretizou.
Mais importante, porém, é considerar exatamente o que Hitler disse. Em grande parte das ocasiões, a palavra que a imprensa inglesa traduz por “extermínio” é Ausrottung; ou, em sua forma verbal, ausrotten. Mas a questão não é tão simples. Ausrotten deriva de aus + rotten, significando literalmente “arrancar pela raiz” ou “desenraizar”. E, de fato, o dicionário inglês-alemão Oxford traduz a expressão root out (“extirpar”, “arrancar pela raiz”) por ausrotten.
Inversamente, traduz ausrotten tanto por exterminate (“exterminar”) quanto por eradicate (“erradicar”). Ambas as palavras inglesas são reveladoras. “Exterminar” deriva do latim ex + terminare, significando “para fora (ex) dos limites (terminus)”. Em outras palavras, exterminar alguma coisa é expulsá-la, lançá-la para além das fronteiras e, assim, livrar-se dela. Isso não exige a morte daquilo que está em questão. O dicionário Webster confirma essa interpretação, definindo exterminate como “livrar-se completamente de” ou “efetuar a destruição ou abolição de”.
E quanto a “erradicar”? Essa palavra deriva do latim e(x) + radix, significando “arrancar pelas raízes” — daí “extirpar” ou “remover completamente”. Evidentemente, seria possível “extirpar” os judeus, por exemplo, sem matar nenhum deles. E parece ter sido exatamente isso o que Hitler pretendia: que os judeus fossem desenraizados (erradicados) e expulsos (exterminados). Esses significados encontram-se reunidos no termo ausrotten.
Se isso ocorresse na Alemanha, a presença judaica naquele país seria destruída — não os próprios judeus, mas sua presença e seu papel econômico na vida alemã. Isso nos conduz a outra palavra que Hitler e outros frequentemente empregavam a respeito dos judeus: Vernichtung. A raiz dessa palavra é nichts, “nada”. O verbo vernichten significa, portanto, “reduzir a nada”. A tradução inglesa habitual é to destroy (“destruir”). “Destruir”, por sua vez, significa literalmente desconstituir ou “desfazer a construção” de alguma coisa. Era precisamente isso, mais uma vez, que os nazistas desejavam: desmantelar e desfazer o poder financeiro judaico na Alemanha. Como anteriormente, nada disso exige a morte das pessoas em questão.
Hermann Göring claramente compartilhava dessa opinião. Em meados de 1936, um importante diplomata americano citou-o dizendo que “os judeus devem ser eliminados da vida econômica alemã”.[16] Não havia nisso qualquer sentido (significado; significação) de animosidade ou ódio, mas simplesmente uma questão de conveniência econômica; os judeus haviam dominado por muito tempo a economia alemã, e os nazistas acreditavam que chegara o momento de devolvê-la aos próprios alemães.
Encontramos outras evidências desse significado relativamente benigno dos termos alemães no próprio NYT. Em março de 1933, o jornal noticiou um discurso do rabino Schulman, no qual ele denunciava a “perseguição econômica de Hitler, que visa ao extermínio do povo judeu” (13 de março, p. 15). No mês seguinte, lemos novamente sobre o “plano dos nazistas deliberadamente calculado para realizar o extermínio econômico dos judeus” (6 de abril, p. 10). Tais notícias estavam corretas; baseavam-se no emprego severo, mas não letal, que Hitler fazia das palavras ausrotten e vernichten. Entretanto, já em junho de 1933, o NYT começou a omitir o aspecto econômico da questão. Assim, lemos simplesmente que “o programa de Hitler é um programa de extermínio” (29 de junho, p. 4). E, em agosto, a ameaçadora mensagem final torna-se clara: “600.000 [judeus alemães] enfrentam um extermínio certo” (16 de agosto, p. 11). Podemos, assim, observar a rápida evolução de um plano de desmantelamento econômico e remoção (realidade) para uma visão distorcida que sugere o assassinato propriamente dito (ficção).
Outras evidências ainda provêm do extenso diário de Joseph Goebbels. Entre maio de 1937 e o fim da guerra, ele fez 123 registros sobre os judeus e a questão judaica.[17] Ao descrever a política nazista em relação a eles, as palavras mais frequentemente empregadas são evakuieren (“evacuar”), abgeschoben/abschieben (“expulsar” ou “deportar”), aus-heraus (“retirar”, “fazer sair”), liquidieren (“liquidar”, “livrar-se de”), ausrotten e vernichten. Notavelmente ausentes estão palavras explícitas e de significado concreto, como töten (“matar”), ermorden (“assassinar”), erschiessen (“fuzilar”) e vergasen (“matar com gás”). E não se trata apenas das palavras isoladas; todo o contexto de suas passagens sobre os judeus envolve tão somente longas discussões acerca de sua remoção, deportação, evacuação e medidas semelhantes. Acaso Goebbels mentiria para si mesmo ou empregaria palavras codificadas ou eufemismos em seu próprio diário particular? É óbvio que não. Quando dizia “evacuação” ou “deportação”, era claramente isso o que queria dizer. Tampouco se referia à deportação para quaisquer câmaras de gás destinadas ao assassinato; nada semelhante é mencionado em seus extensos escritos.[18] A intenção nazista era clara: os judeus seriam reunidos, embarcados e enviados para o leste, para as regiões recém-conquistadas da Rússia ocidental, onde seriam despejados, para sobreviverem da melhor forma possível.
Por fim, e de maneira ainda mais reveladora, que dizer das palavras do próprio Hitler? De 1941 até o final de 1944, ele manteve longas conversas privadas com amigos e pessoas de seu círculo íntimo no partido. Essas conversas — na verdade, monólogos — foram publicadas sob o título Hitler’s Table Talk (“Conversas à Mesa de Hitler”; cf. Hitler, 2000). Entre uma grande variedade de assuntos, ele faz cerca de 16 referências aos judeus e à questão judaica, ao longo de um período de aproximadamente três anos.[19] Todas essas passagens se referem, no original alemão, à evacuação e à remoção; nenhuma delas menciona assassinatos, mortes por gás ou assassinatos em massa. Por exemplo:
- “Se algum povo tem o direito de proceder a evacuações, somos nós. (…) Considera-se o cúmulo da brutalidade termos libertado nosso país de 600.000 judeus. E, no entanto, nós aceitamos (…) a evacuação de nossos próprios compatriotas!” (8–11 de agosto de 1941 — seis meses antes da abertura do primeiro dos chamados campos de extermínio).
- “O judeu, esse destruidor [da cultura], nós o expulsaremos (‘setzen wir ganz hinaus’).” (17 de outubro de 1941).
- “Profetizei aos judeus que, caso a guerra se mostrasse inevitável, o judeu desapareceria da Europa (‘aus Europa verschwinden’). (…) Que ninguém venha me dizer que, apesar de tudo, não podemos enviá-los para os pântanos [russos]!” (25 de outubro de 1941).
- “Essa choradeira a que alguns burgueses [alemães] se entregam atualmente, sob o pretexto de que os judeus tiveram de deixar (‘auswandern müssten’) a Alemanha, é típica desses que se julgam mais santos do que os outros. Acaso choraram quando, todos os anos, centenas de milhares de alemães tiveram de emigrar?” (19 de novembro de 1941).
- “É necessário agir radicalmente. Quando se arranca um dente, faz-se isso de uma só vez, e a dor logo desaparece. O judeu deve sair da Europa (‘Der Jude muss aus Europa heraus’). (…) Quanto a mim, limito-me a dizer-lhes que devem ir embora (‘Ich sage nur, er muss weg’). (…) Mas, se recusarem partir voluntariamente, não vejo outra solução senão o extermínio (‘die absolute Ausrottung’).” (25 de janeiro de 1942).
- “Os judeus devem fazer as malas e desaparecer da Europa (‘Der Jude muss aus Europa hinaus’)!” (27 de janeiro de 1942).
- “[O judeu] tem em mente que, se suas vítimas de repente tomassem consciência [dos danos que ele causa à sociedade], todos os judeus seriam exterminados (‘erschlagen werden’).[20] Mas, desta vez, os judeus desaparecerão da Europa (‘aus Europa verschwinden’).” (3 de fevereiro de 1942).
- “Só recuperaremos nossa saúde eliminando (‘eliminieren’) o judeu.” (22 de fevereiro de 1942).
- “Enquanto os judeus (…) não forem exterminados (‘ausrottet’), não teremos cumprido nossa tarefa.” (30 de agosto de 1942).
- “Já expulsei os judeus de Viena (‘Der Juden habe ich aus Wien schon heraus’).” (25 de junho de 1943).
Evidentemente, Hitler não tinha motivo algum para moderar sua linguagem quando falava entre colaboradores tão próximos. Se realmente desejasse matar os judeus, teria dito isso — mais de uma vez e em termos inequívocos. Em vez disso, não encontramos uma única ocorrência de semelhante declaração. Talvez seja por isso que tão poucos de nossos historiadores tradicionais citem esses monólogos de Hitler; tais passagens são difíceis de explicar à luz da interpretação convencional.
A lição aqui é clara. Traduções simplistas são profundamente enganosas, assim como todas as referências implícitas ao assassinato em massa. É necessário recorrer ao texto original alemão, identificar as palavras efetivamente empregadas por Hitler, Goebbels e outros, e situá-las em seu devido contexto. Nossos historiadores tradicionais jamais se dão ao trabalho de fazer isso; parece que tal procedimento não serve aos seus propósitos mais amplos.
OS PREPARATIVOS PARA A GUERRA
Para compreender melhor as circunstâncias do Grande Crime, precisamos examinar mais a fundo as ações alemãs contra os judeus, tanto antes quanto no início da guerra. Vimos anteriormente que, em 1923, o NYT declarou que o programa de Hitler incluía o “extermínio” dos judeus — embora o jornal tivesse tido o cuidado de não fornecer maiores explicações. No ano anterior, fôra ainda mais explícito; escrevera sobre seus “excessos contra a lei e a ordem, e seus discursos incitando o público a matar judeus e socialistas” (20 de dezembro de 1922, p. 2) — novamente com base em traduções tendenciosas. O London Times, apresentou uma versão mais correta. Noticiou que Hitler desejava que “todos os judeus residentes na Baviera (…) fossem reunidos em campos de concentração. (…) Em regiões remotas do interior, deverão ser estabelecidas colônias judaicas (…) que serão rigorosamente isoladas de todos os demais setores da população” (6 de novembro de 1923, p. 14).
Quando os nacional-socialistas chegaram ao poder, no início de 1933, imediatamente deram início ao processo de afastar os judeus das posições de influência e incentivá-los a emigrar. Houve poucos abusos, nenhum pogrom e, certamente, nenhum assassinato em larga escala. Mesmo a terrível Kristallnacht (“Noite dos Cristais”), de 9 a 10 de novembro de 1938, apenas resultou em cerca de 90 mortes de judeus — lamentáveis, é claro, mas claramente insuficientes para caracterizar um massacre, quando consideradas em toda a extensão do território alemão. O ponto é o seguinte: mesmo até o final da década de 1930, os nacional-socialistas nada fizeram além de afastar os judeus das posições de poder, intimidá-los, hostilizá-los e fazer todo o possível para levá-los a abandonar o país.
Até mesmo nossos estudiosos tradicionais concordam: não houve assassinatos em massa antes da guerra, que começou em setembro de 1939. Na década de 1970, Erich Fromm escreveu que “[o] massacre sistemático começou somente com a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Não há provas convincentes de que Hitler tenha cogitado o aniquilamento dos judeus até pouco antes disso” (1973, p. 398). Mais recentemente, Peter Longerich (2010, p. 132) confirmou essa interpretação: “O início da Segunda Guerra Mundial marcou a inauguração da política sistemática de aniquilamento racial do regime nacional-socialista”. Entretanto, ainda resta verificar se houve, de fato, algum “aniquilamento sistemático” ou “massacre”.
A guerra começou com a invasão alemã da Polônia — após numerosas provocações por parte dos poloneses. Inglaterra e a França imediatamente declararam guerra à Alemanha, que então respondeu do mesmo modo. A União Soviética invadiu a Polônia pelo leste duas semanas depois e, ao final do mês, o país estava dividido em duas partes: a Alemanha consolidou seu domínio sobre a metade ocidental, e os soviéticos, sobre a oriental.
Com a vitória na Polônia, a Alemanha passou subitamente a controlar mais 1,7 milhão de judeus.[21] Acaso os nazistas começaram a assassiná-los em massa? Não. Em vez disso, elaboraram um plano para deportá-los e confiná-los numa “reserva judaica”, situada na extremidade oriental do território controlado pela Alemanha; esse projeto recebeu o nome de Plano Nisko. Poucos meses depois, foi substituído por um objetivo mais amplo: transportar todos os judeus para o “Governo Geral”, um vasto distrito da Polônia oriental que incluía Varsóvia, Cracóvia e Lublin.
Em meados de 1940, com o avanço do exército alemão para o oeste, em direção aos Países Baixos e à França, tornava-se evidente que nem mesmo o Governo Geral poderia constituir uma solução duradoura. Surgiu, assim, o Plano Madagascar: todos os judeus seriam enviados para essa ilha colonial francesa. Segundo Himmler, tal solução era muito preferível a matá-los, algo que seria ao mesmo tempo “não germânico e impossível”.[22] Embora o plano jamais tenha se concretizado, continuou a ser discutido como uma possibilidade pelo menos até março de 1942. Naquela ocasião, Goebbels escreveu: “Ainda existem 11 milhões de judeus na Europa. Posteriormente, eles terão de ser concentrados, a princípio, no leste; possivelmente, após a guerra, poderá ser-lhes destinada uma ilha, como Madagascar”.[23] Claramente, não havia planos de assassinato em massa — mesmo em março de 1942!
Isso nos conduz ao próprio assassinato — à cena do crime, por assim dizer. Supostamente, os nacional-socialistas dispunham de três métodos principais para matar judeus: os guetos, os esquadrões de extermínio (Einsatzgruppen) e os seis campos de extermínio. Examinemos cada um deles, a fim de avaliar o crime em seu conjunto.
O MECANISMO DO ASSASSINATO EM MASSA (1) — OS GUETOS
A primeira grande categoria de mortes é a do sistema de guetos. Os guetos eram, em geral, pequenas áreas das cidades destinadas exclusivamente aos judeus. Começaram a ser estabelecidos no início de 1940; Łódź, na Polônia, foi um dos primeiros. A maioria já havia sido criada até o final de 1941 — mais de mil ao todo, segundo nos dizem. A partir do início de 1943, começaram a ser desmantelados; a vida média de um gueto era de aproximadamente dois anos.
Contrariamente à crença popular, os guetos não eram prisões. Muitos eram completamente abertos, e os judeus podiam entrar e sair livremente — estavam apenas obrigados a residir e exercer suas atividades comerciais dentro deles. Frequentemente, o gueto era identificado apenas por uma placa. Evidentemente, jamais foram concebidos como instrumentos de assassinato em massa. Longerich parece concordar: “O estabelecimento dos guetos foi realizado de maneira tão desordenada e lenta que seria incorreto considerá-lo uma política sistemática cujo objetivo final fosse o aniquilamento físico dos judeus” (2010, p. 166).
Nota d’O Recolhedor: Os guetos foram instituídos inicialmente na Europa pelo Papado. Confira “Dudum ad nostram audientiam” e “Cum nimis absurdum”.
Os guetos constituíam, entretanto, o primeiro passo lógico de um programa de exclusão, remoção e expulsão (“extermínio”). Se os nacional-socialistas realmente desejavam realizar uma limpeza étnica no Reich, teriam começado por reunir os judeus, confiná-los em áreas determinadas e, em seguida, transportá-los metodicamente para fora do território. E foi precisamente isso que aconteceu. Os dois maiores guetos — Łódź (200.000 judeus) e Varsóvia (400.000 a 590.000)[24] — foram estabelecidos em fevereiro e novembro de 1940, respectivamente. Os judeus permaneceram confinados ali (da maneira que acabamos de descrever) até que novas regiões fossem abertas no leste, ocasião em que tiveram início as deportações.

Mais uma vez, é instrutivo manter em vista o panorama geral. Da perspectiva do Holocausto, há aqui uma grande questão: quantos judeus morreram nos guetos? Considerando os muitos anos de estudos, deveria existir algo próximo de um consenso geral sobre esse número e sobre o modo como foi calculado. Ele deveria constituir a estrela-guia, o ponto central em torno do qual girariam todas as discussões acerca dos guetos. Deveria aparecer em todos os estudos que os examinam. E, no entanto, não o encontramos em lugar algum.
Esse número não aparece nem nas fontes antigas nem nas recentes, sejam impressas ou disponíveis na internet. O estudo detalhado de Friedman (1954), por exemplo, não apresenta quaisquer números de mortos, seja para os guetos individualmente, seja para o conjunto deles. As fontes mais recentes são pouco melhores. O capítulo de Corni (2003) sobre a “Vida e morte” nos guetos apresenta algumas estatísticas esparsas de mortalidade, mas nada abrangente. Ele fornece dados mensais detalhados de óbitos — até a unidade — para os dois maiores guetos (Varsóvia e Łódź), mas apenas para períodos de 10 e 18 meses, respectivamente (pp. 205–206). Entretanto, não extrai deles nenhuma conclusão geral. Encerra o capítulo citando o estatístico nacional-socialista R. Korherr, que teria afirmado que 760.000 judeus poloneses morreram nos guetos até dezembro de 1942 (p. 218) — embora esse total seja claramente identificado por Korherr como a soma de “emigração, mortalidade excedente e evacuação”.
Em seu estudo “definitivo”, Longerich (2010, p. 167) dedica apenas uma frase vaga a essas mortes. Citando Hilberg (2003), escreve que “o total de judeus poloneses mortos antes e durante o período de formação dos guetos, até o início das liquidações violentas desses guetos, foi de aproximadamente 500.000”. Apenas judeus poloneses? Muitos países possuíam guetos. E o que significa “antes”? E por que excluir as “liquidações violentas”? E qual foi a base para o número apresentado por Hilberg — o homem que conseguiu encontrar apenas 5,1 milhões de mortos no total?
Ou consideremos Dean (2010): ele apresenta exatamente o tipo de resumo conciso que deveria incluir um número geral de mortos e, no entanto, encontramos apenas dois números relativos à mortalidade, ambos referentes ao gueto de Varsóvia (voltaremos a isso adiante). Talvez apropriadamente, um dos estudos especializados mais recentes, o de Michman (2011), não apresenta nenhuma estatística de mortalidade.
As fontes disponíveis na internet são igualmente deficientes. A Wikipédia (“Guetos judaicos na Polônia ocupada pela Alemanha”) apresenta uma boa lista de 272 guetos, incluindo o “número de judeus confinados” (máximo? médio? final?), mas não fornece estatísticas de mortalidade, nem sequer referências a elas. A enciclopédia indica, contudo, os supostos destinos dos habitantes dos guetos; praticamente todos foram enviados, direta ou indiretamente, para um dos seis campos de extermínio. Examinaremos esses campos em breve. O site do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos (USHMM), na seção “Guetos”, não apresenta números e limita-se a afirmar que “os alemães e seus auxiliares fuzilaram os habitantes dos guetos junto a valas comuns situadas nas proximidades ou os deportaram, geralmente de trem, para centros de extermínio, onde foram assassinados”. Quantas valas comuns? Onde estão? Foram examinadas? Nenhuma resposta. O Yad Vashem afirma simplesmente: “Muitos judeus morreram nos guetos”.[25]
Devemos ter em mente a simplicidade de nossa pergunta. A equação essencial é a seguinte: os judeus entraram nos guetos; alguns morreram ali; os restantes foram transportados para outros lugares. Mais explicitamente:
Nº de judeus nos guetos = Nº de judeus mortos nos guetos + Nº de judeus deportados
Mais uma vez, trata-se de lógica elementar e, no entanto, parece estar além da compreensão de nossos historiadores tradicionais. Por que não conseguimos obter sequer estimativas aproximadas para essa equação básica?
Uma vez que solicitar estatísticas gerais de mortalidade parece constituir uma exigência excessivamente árdua, facilitemos a tarefa. Examinemos o maior e mais estudado de todos os guetos: o de Varsóvia. Nesse caso, teoricamente, sabemos tudo, e com grande riqueza de detalhes. Já em 1954, Friedman podia escrever: “A bibliografia das publicações sobre o gueto de Varsóvia é tão extensa que seria impossível enumerar até mesmo os estudos mais importantes” (p. 79, nota 76). Quão mais detalhado não será nosso conhecimento hoje, sessenta anos depois?
Mais uma vez, formulamos a pergunta fundamental: quantos judeus morreram no gueto de Varsóvia? E mais uma vez, ficamos sem resposta. Nenhuma fonte fornece sequer uma estimativa plausível desse número essencial.
Na verdade, nossos especialistas não conseguem sequer responder com clareza à pergunta mais simples: quantos judeus havia no gueto de Varsóvia? Friedman (1954, p. 79) afirma que eram entre 420.000 e 500.000. Corni (2003, p. 195) fala em 400.000. Dean (2010, p. 342) afirma que eram “cerca de 450.000”. Longerich (2010, p. 167) apresenta uma estimativa entre 410.000 e 590.000! Se não sabemos sequer quantas pessoas havia inicialmente, certamente não podemos responder às perguntas subsequentes sobre mortes e deportações. E, se não conseguimos responder a essas perguntas, bem, todo o nosso panorama do Holocausto fica em suspenso.
Diferentemente das centenas de outros guetos, dispomos de algumas estatísticas parciais de mortalidade referentes a Varsóvia. Corni (2003, p. 206), por exemplo, apresenta uma tabela com os números mensais de mortos, de janeiro de 1941 a junho de 1942, cuja média é de 3.853 por mês. Mas por que parar aí? O gueto continuou existindo por mais um ano inteiro. Podemos extrapolar essa média mensal para toda a duração de sua existência? Isso implicaria um total de aproximadamente 120.000 mortes. Se não podemos fazê-lo, por que não?
Se podemos, como conciliar esse número com os seguintes fatos apresentados pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos (USHMM)?
- “83.000 judeus [do gueto] morreram de fome e doenças” entre 1940 e meados de 1942;
- Entre julho e setembro de 1942, “os alemães deportaram cerca de 265.000 judeus de Varsóvia para Treblinka”;
- Quando o gueto foi fechado, em meados de maio de 1943, 42.000 pessoas foram deportadas para três campos, 7.000 morreram combatendo e outras 7.000 foram enviadas para Treblinka;
- 11.500 judeus de Varsóvia sobreviveram na cidade até sua conquista pelos soviéticos, em 1945.[26]
Apesar de tudo isso, não temos um número geral de mortes — e estamos falando do mais conhecido e exaustivamente estudado de todos os guetos.
Aliás, qual era a fonte utilizada por Corni para seus números? Como bons investigadores, devemos sempre formular perguntas dessa natureza. Neste caso, a resposta é particularmente reveladora. Ele cita uma obscura obra alemã, sem data (presumivelmente de 1960), intitulada Faschismus—Getto—Massenmord (“Fascismo — Gueto — Assassinato em Massa”). Essa obra, por sua vez, é uma tradução de uma fonte polonesa ainda mais obscura, também sem data (presumivelmente de 1957). Na página 138 dessa obra encontra-se uma tabela com os números utilizados por Corni. Mas mesmo aqui há problemas. Não existe absolutamente nenhuma explicação que acompanhe os dados — nenhum esclarecimento, nenhum contexto, nada. Além disso, o registro referente a dezembro de 1941 apresenta o número de 43.239 — um valor ridiculamente elevado e obviamente incorreto —, razão pela qual Corni utiliza o número de 4.366, extraído do gráfico que acompanha a tabela. Mas, se existem erros tão grosseiros e flagrantes, como podemos confiar em qualquer um desses números?
Uma das razões para a relutância em estabelecer um número geral de mortes talvez seja a evidente falta de provas — isto é, a ausência dos corpos das vítimas. Com base nos dados de Corni, o gueto de Varsóvia teria produzido, em média, quase 130 cadáveres por dia, durante dois anos ou mais. O que fizeram com os corpos? Não poderiam enterrá-los, pois estavam no meio de uma grande cidade. Não dispunham de crematórios, nem de madeira para construir piras funerárias. Então, o que aconteceu com os corpos? E existem restos mortais que possamos examinar atualmente, a fim de confirmar esses acontecimentos?
Não surpreende que nenhum de nossos especialistas em guetos aborde essa espinhosa questão. Na melhor das hipóteses, encontramos apenas comentários passageiros em outras fontes. Por exemplo, em um artigo de 1942 do NYT, lemos que os judeus de Varsóvia “não dispõem de meios para realizar funerais, de modo que os mortos são deixados nas ruas, onde são recolhidos pela polícia” (7 de janeiro, p. 8). O mesmo artigo, incidentalmente, afirma que 300 pessoas morriam diariamente, sobretudo em consequência do tifo — precisamente a doença que os alemães tanto se esforçavam para prevenir. Se a polícia recolhia os corpos — 4.000 ou 5.000 por mês —, o que fazia com eles? Enterrava-os? Em caso afirmativo, onde? Chegava sequer a contá-los? Mais perguntas sem resposta.
Sem tais respostas, não podemos realmente confiar em nenhuma das informações aqui apresentadas. Pelo que sabemos, os números reais poderiam ter sido muito menores. Se havia 400.000 judeus no gueto de Varsóvia, isso implicaria 4.000 mortes naturais por ano, ou aproximadamente 11 por dia. Com esse número menor, podemos compreender perfeitamente como os corpos poderiam ter “desaparecido” sem deixar registros. Mas Corni e outros nos dizem que cerca de 130 judeus morriam todos os dias — dez vezes a taxa de mortalidade natural. O NYT falava em 300 por dia, ou trinta vezes a taxa natural. Esses números são muito mais difíceis de explicar.
Ou talvez a situação fosse ainda pior do que supomos. Em uma impressionante reportagem de 1943 do NYT, lemos que “aproximadamente 10.000 pessoas são mortas diariamente apenas em Varsóvia, por diferentes meios; empregam-se os instrumentos mais cruéis e desumanos que somente o negro espírito satânico do hitlerismo poderia inventar” (7 de fevereiro, p. SM16). Pense nisso — 10.000 por dia! Em uma área de gueto com pouco mais de uma milha quadrada! Talvez o repórter, o “renomado romancista” Sholem Asch, fosse culpado por certa licença poética. Quando estamos lidando com ficção, tudo é permitido.
É preciso ter em mente a simplicidade da análise que estamos buscando. Os pontos principais poderiam ser abordados em um único parágrafo. Eis como ele poderia ser redigido:
“O gueto de Varsóvia abrigava 350.000 judeus quando foi inaugurado, número que atingiu o pico de 450.000 em meados de 1942 e diminuiu para 80.000 quando foi fechado, em maio de 1943. Ao todo, 500.000 judeus passaram pelo gueto. Destes, 40.000 morreram no próprio gueto por causas naturais, e 10.000 foram ali fuzilados pelos nazistas. Os 50.000 corpos foram lançados em três valas comuns numa floresta próxima, que foram exumadas e estudadas em 19xx. As 450.000 pessoas restantes acabaram sendo transportadas para fora do gueto — 300.000 para Treblinka, 100.000 para Majdanek e 50.000 para outros campos de concentração.”
É isso — muito simples, muito conciso, e todos os números se encaixam. Naturalmente, esses números são inteiramente fictícios. Esperamos que os especialistas forneçam as estatísticas reais. Mas as respostas não aparecem. E, se o conhecido gueto de Varsóvia encerra tantos mistérios, só podemos imaginar o estado nebuloso do panorama geral dos guetos.
No fim das contas, ficamos de mãos vazias. Precisamos explicar, de alguma forma, aproximadamente um milhão de mortes nos guetos. Entretanto, não dispomos de dados úteis nem mesmo sobre os maiores e mais estudados deles. Além disso, devemos sempre ter em mente a taxa de mortalidade natural. Se, por exemplo, três milhões de judeus (uma estimativa aproximada, mas certamente um limite máximo) foram confinados em nossos “mil guetos”, deveríamos esperar cerca de 30.000 mortes por ano — ou quase 100 por dia — estritamente por causas naturais. Cem mortes diárias, distribuídas por vários países e cerca de mil localidades diferentes, poderiam facilmente passar despercebidas em meio a uma grande guerra. Mais importante, porém, é que isso resultaria em apenas cerca de 100.000 mortes no total — meros 10% do número alegado.
Ao concentrar os judeus, os nazistas certamente contribuíram para a propagação de doenças infecciosas, para a desnutrição e para outras enfermidades, devendo, portanto, ser responsabilizados por essas mortes “excedentes”, juntamente com quaisquer fuzilamentos isolados ou outras ações diretas que tenham cometido. Mas não fazemos a menor idéia de quantas mortes desse tipo ocorreram.
Resumamos nosso problema. O sistema de guetos funcionou essencialmente durante três anos: de 1941 a 1943. Nesse período, segundo nos dizem, ocorreram um milhão de mortes nos guetos; isso corresponde, portanto, a uma média de quase 28.000 por mês, ou aproximadamente 925 por dia. Todos os dias, em algum lugar desse sistema, 925 corpos eram enterrados ou queimados. Em algum lugar, no total, encontram-se os restos mortais de um milhão de pessoas. Ou pelo menos é isso o que nos contam.
E, no entanto, não temos absolutamente nenhum registro desses corpos — nenhuma vala comum, nenhum crematório, nenhuma pira a céu aberto, nenhum relato de “corpos lançados ao rio” — nada. Nem mesmo as mortes naturais são contabilizadas, o que nos leva a suspeitar que o número total de judeus confinados talvez tenha sido muito menor do que se afirma. E, se não conseguimos encontrar as vítimas, como podemos esperar solucionar o crime?
O MECANISMO DO ASSASSINATO EM MASSA (2) — EINSATZGRUPPEN
Segundo a interpretação ortodoxa, o confinamento dos judeus em guetos foi apenas a primeira fase de seu “extermínio”. Por razões óbvias, contudo, esse sistema jamais poderia servir como instrumento de assassinato em massa. Por isso, segundo nos dizem, os nacional-socialistas procuraram métodos mais convenientes. Um deles foi o fuzilamento em massa.
A Alemanha atacou a União Soviética em junho de 1941, conquistando rapidamente vastas extensões territoriais. À medida que o grosso do exército avançava para o leste, havia o perigo constante de ataques de insurgentes pela retaguarda. A Wehrmacht estabeleceu, portanto, os Einsatzgruppen — “grupos de operações” — para proteger os soldados. Foram organizados em quatro unidades principais (A, B, C e D), compostas por cerca de 3.000 homens,[27] às quais se acrescentou um quinto grupo de “operações especiais”. Essas unidades eram auxiliadas em sua missão por batalhões policiais, brigadas da SS (designadas pela sigla HSSPL) e talvez um ou dois outros agrupamentos. Além de sua função principal, esses grupos também teriam recebido “autorização para assassinar membros da intelectualidade, do clero e da nobreza, bem como judeus e doentes mentais” —[28] uma tarefa formidável.
O método de execução era simples: fuzilamentos a curta distância, seguidos do lançamento dos corpos em fossas. Existem alguns relatos vagos sobre a utilização de “seis caminhões de gás”, mas os detalhes são tão obscuros que não podemos chegar a nenhuma conclusão a respeito deles.[29] Segundo a interpretação convencional, os Einsatzgruppen e seus grupos auxiliares foram responsáveis pela grande maioria dos 1,6 milhão de judeus mortos a tiros — talvez cerca de 1,3 milhão, dependendo da fonte.[30] Evidentemente, não perderam tempo: a maior parte da matança já havia ocorrido até o final de 1942.
Como sempre, devemos concentrar nossa atenção no panorama geral. Se admitirmos que a maioria dos fuzilamentos ocorreu ao longo de aproximadamente dezoito meses (de meados de 1941 a dezembro de 1942), isso significa que os quatro Einsatzgruppen e seus grupos auxiliares conseguiram matar, coletivamente, uma média de quase 65.000 judeus por mês — ou cerca de 2.200 por dia. Mais impressionante ainda, conseguiram enterrar os corpos no mesmo ritmo; voltaremos a isso em breve.
Para compreender a escala desses assassinatos, precisamos de mais detalhes. Longerich e a maioria dos demais autores não os fornecem; para eles, basta citar uma sequência de supostos episódios isolados — 450 fuzilados aqui, 2.400 acolá, e assim por diante — e encerrar a questão. Evidentemente, tais estatísticas nos dizem muito pouco sobre o que realmente aconteceu e, mais importante ainda, ficam muito aquém de um milhão ou mais de mortes.
Entre os pesquisadores recentes, somente Headland (1992) tenta fornecer detalhes concretos. Citando relatórios da Wehrmacht, ele calcula os totais referentes a cada um dos principais Einsatzgruppen e às brigadas da SS (nada apresenta sobre os batalhões policiais ou outros grupos), até dezembro de 1942. Seus números são os seguintes (p. 105):
| Unidade | Número de mortos |
| Grupo A | 364.000 |
| Grupo B | 134.000 |
| Grupo C | 118.000 |
| Grupo D | 92.000 |
| HSSPL | 445.000 |
| Total | 1.153.000 |
Mas surgem problemas imediatos, como o próprio autor reconhece. Em primeiro lugar, esses números corresponderiam, supostamente, à totalidade das vítimas — judeus e não judeus. Os fundamentalistas presumem que os judeus constituíam a grande maioria, talvez 90%, embora essa estimativa possa estar drasticamente equivocada. Além disso, o número atribuído às HSSPL representa “certamente apenas uma parte de suas operações” (p. 106); tal indeterminação é um expediente recorrente e deixa em aberto a possibilidade de estabelecer números finais arbitrariamente elevados.
Existem, porém, problemas ainda mais fundamentais. “Não é fácil”, admite Headland (p. 92), “obter uma imagem clara de quaisquer características específicas” dos relatórios dos Einsatzgruppen; “a irregularidade dos registros frustra nossos esforços a cada passo”. Ele prossegue:
“Há também evidências que sugerem que alguns comandantes dos Einsatzkommandos e dos Einsatzgruppen exageraram deliberadamente o número de pessoas fuziladas, com o propósito de engrandecer a própria reputação. (…) Se tais exageros existiram, não há como determinar em que medida e em quais casos os números foram aumentados.” (pp. 97–102).
A situação piora: “A impossibilidade de determinar um total exato torna-se ainda mais evidente quando se examinam atentamente os números apresentados nas tabelas. (…) Não é possível chegar a algo que se aproxime de um total definitivo para todo o período da guerra”. Mas espere — estamos falando de parte do “evento mais bem documentado da história”. Por que uma parcela tão imensa do Holocausto permanece envolta em tamanho mistério?
Headland afirma que “é improvável que os historiadores algum dia consigam ir além de estimativas fundamentadas quanto ao número de pessoas mortas nos territórios orientais” (p. 106). “Podemos concluir”, afirma ele, num ato de fé, “que a estimativa de Raul Hilberg, segundo a qual mais de 1.300.000 judeus foram mortos no leste pelos Einsatzgruppen e por outros organismos da SS e seus colaboradores, provavelmente é o número mais próximo da realidade que conseguiremos encontrar”. O que ele quer dizer é o seguinte: Hilberg é famoso e, portanto, devemos simplesmente aceitar seu número — apesar da falta de fundamentação —, porque não dispomos de nenhuma base para estabelecer algo melhor, e uma cifra dessa magnitude é necessária até mesmo para começar a nos aproximar dos “seis milhões”. Isso dificilmente inspira confiança.
Mas há também um enorme elefante na sala, que Headland, Hilberg, Longerich e todos os demais evitam cuidadosamente: a ausência de corpos.
Para fins de cálculo, suponhamos que os números de Headland (apresentados acima) correspondam integralmente a judeus. Suponhamos, além disso, que o total tenha aumentado lentamente ao longo de 1943, passando dos 1,15 milhão por ele indicados para um número final de 1,3 milhão ao término daquele ano — as operações dos Einsatzgruppen quase certamente já haviam terminado nessa época. Sob tais hipóteses, a taxa diária de assassinatos foi muito elevada: entre 500 e 2.500 por dia, durante a maior parte do período de dois anos e meio. Entretanto, ao longo de três meses extraordinários — de setembro a novembro de 1942 —, essa taxa teria disparado para quase 4.000 por dia, graças a uma série de matanças ferozes perpetradas pelas brigadas da SS.[31]
Deixaremos de lado as inúmeras dificuldades envolvidas em perseguir, reunir e fuzilar uma média de 4.000 pessoas por dia — durante 120 dias consecutivos. Suponhamos que isso tenha sido feito. A cada dia, os cinco grupos tinham diante de si um total de aproximadamente 4.000 cadáveres. E agora? A resposta óbvia seria enterrá-los — em valas comuns rudimentares e profundas. Numa vala dessa natureza, é possível acomodar, no máximo, de seis a oito corpos por metro cúbico.[32] Consequentemente, os 4.000 assassinatos diários exigiriam um espaço de aproximadamente 600 metros cúbicos — uma escavação que poderia medir, por exemplo, 10 metros de largura por 12 metros de comprimento e 5 metros de profundidade.[33] Em outras palavras, um buraco muito grande… um novo por dia… durante 120 dias consecutivos. Mesmo num dia de atividade “reduzida”, com apenas 1.000 fuzilamentos, seria necessário um buraco de 5 por 6 metros (15 por 18 pés), com 5 metros de profundidade, para acomodar os corpos.
E quanto a um dia “ruim”? O maior massacre isolado de que se tem notícia teria ocorrido em Babi Yar, na Ucrânia. Em 29 de setembro de 1941, o Einsatzgruppe C teria massacrado 33.771 judeus num único dia. Para acomodar esses corpos, seria necessário escavar uma trincheira colossal, com 10 metros de largura, 100 metros de comprimento e 5 metros de profundidade. Só isso já teria constituído uma grande obra de engenharia — tudo para um único dia de matança.
Surgem, portanto, algumas perguntas óbvias: quem realizava todas essas escavações? Todos os dias, durante o ano inteiro, por dois anos e meio? No gelo e na neve? Cada equipe dispunha de uma escavadeira a diesel? E mais: onde estão todas essas escavações? Se 1,3 milhão de judeus foram fuzilados e enterrados, teriam sido necessárias, por exemplo, mil valas dessa natureza, cada uma contendo, em média, 1.300 corpos. Ou talvez duas mil valas, com uma média de 650 corpos cada — e assim por diante. Isso nos dá uma idéia da magnitude do problema.
E então vêm as perguntas decisivas: quantas dessas valas encontramos? E quantos corpos havia nelas?
Os fundamentalistas têm suas respostas prontas. Segundo eles, no final de 1942, os nazistas teriam percebido que haviam cometido um erro gigantesco. Tantas valas comuns, contendo tantos corpos, deixavam uma quantidade imensa de provas incriminadoras — eles nunca nos explicam por que os nazistas teriam se preocupado com isso. Por essa razão, teriam iniciado a “Operação 1005” — um programa destinado a destruir as provas de seus fuzilamentos em massa. Longerich (2010, p. 410) explica: “Em junho de 1943, os comandos começaram a abrir as valas comuns nos territórios soviéticos ocupados, primeiro na Ucrânia, depois na Rússia Branca e, finalmente, nos Estados Bálticos”. Essas equipes foram “extraordinariamente meticulosas”, afirma ele:
“As valas comuns eram abertas, os cadáveres eram queimados sobre pilhas de madeira ou grelhas de aço e, em seguida, as cinzas eram examinadas à procura de objetos de valor, sobretudo dentes de ouro, antes que os ossos fossem triturados e as cinzas espalhadas ou enterradas. Depois, todos os demais vestígios que pudessem indicar os locais das execuções eram removidos, e o terreno onde os assassinatos haviam ocorrido era revolvido e coberto de vegetação.”
Bem, isso resolve a questão.
Cabe a pergunta: até que ponto Longerich considera tolos os seus leitores? Devemos aceitar sem questionamentos essa história extravagante e impossível? Mais de um milhão de cadáveres, enterrados em mais de mil valas comuns, espalhadas por centenas de milhares de milhas quadradas, teriam sido localizados, exumados e reduzidos a cinzas em grandes fogueiras. As toneladas de cinzas resultantes — de restos humanos e de madeira — teriam sido peneiradas à procura de dentes, ossos e outros “objetos de valor”; os ossos teriam sido triturados (como?), e toda aquela bagunça teria sido então “espalhada” ou enterrada, de tal modo que não restasse vestígio algum. Evidentemente, os assassinos também dispunham de seus próprios paisagistas particulares, que apareciam ao final, nivelavam o solo sobre aquelas mil valas comuns e plantavam algumas árvores ou arbustos para ocultar o crime. E talvez também algumas flores, em memória dos falecidos.
Trata-se de uma história ridícula, mas convenientemente ridícula. Ela tenta explicar a enorme lacuna — o fato de não termos encontrado provas que sequer se aproximem dos supostos 1,3 milhão de vítimas. De fato, por uma espécie de lógica perversa, a ausência de corpos confirma a interpretação tradicional: “É claro que não há corpos; isso fazia parte do plano”. É claro.
Mesmo que os nazistas tivessem tentado realizar uma coisa dessas, haveria aqui problemas consideráveis:
(1) Eram os nazistas tão estúpidos a ponto de não terem previsto esse problema desde o início? E, ao mesmo tempo, tão brilhantes a ponto de conseguirem eliminar completamente todas as provas?
(2) O simples trabalho de localizar novamente todas as valas comuns, depois de um ou dois anos, já teria constituído, por si só, uma tarefa de grandes proporções. Evidentemente, os nazistas não dispunham de sistemas de GPS nem de satélites. Teriam necessitado de um conjunto extenso e extremamente detalhado de mapas desenhados à mão e descrições escritas. Por que não temos nenhuma evidência da existência de tais documentos?
(3) Exumar centenas de milhares de cadáveres em decomposição teria sido um trabalho sujo, difícil e repugnante, mesmo nas melhores condições — e impossível durante os meses de inverno.
(4) A quantidade de madeira necessária para queimar cadáveres deteriorados e em decomposição teria sido astronômica. Note-se: os nazistas não estavam simplesmente “cozinhando” os corpos; estavam reduzindo-os a cinzas. Para fazer isso numa fogueira a céu aberto, seria necessária uma quantidade imensa de combustível, algo como 160 kg (350 libras) de madeira por corpo, no mínimo.[34] Uma vala relativamente pequena, contendo mil pessoas, exigiria, portanto, pelo menos 160.000 kg (175 toneladas) de lenha. E o fogo não funcionaria em condições de frio, chuva, vento ou outras circunstâncias adversas.
(5) Com que fundamento nossos especialistas podem afirmar que os Einsatzgruppen utilizavam “grelhas de aço”? Possuem algum registro delas? Algum exemplar remanescente, alguma fotografia — qualquer coisa?
(6) A quantidade de cinzas teria sido imensa. Cada corpo, juntamente com a madeira necessária para queimá-lo, produziria aproximadamente 9 kg (20 libras) de cinzas; mil corpos resultariam em 20.000 libras, ou dez toneladas de cinzas. Podemos imaginar os alemães “peneirando” montanhas de cinzas, sob o frio e a chuva, retirando dentes e ossos — cada dente examinado individualmente à procura de ouro, cada osso lançado à pilha destinada à “trituração”?
(7) Triturar materiais duros, como ossos, exige máquinas grandes e motorizadas. Temos alguma prova de que tais máquinas existiam e foram empregadas por toda a Europa Oriental?
(8) As cinzas enterradas permanecem como cinzas durante anos, décadas e até séculos. Se enterraram as cinzas, elas continuam lá. Por que não as encontramos?
(9) As alterações do solo, como aquelas provocadas por enormes fossas funerárias, não podem simplesmente ser apagadas. O mero preenchimento das escavações com terra não é suficiente. A tecnologia moderna pode detectar facilmente tais perturbações, até mesmo por meio de observações aéreas. Por que não encontramos essas enormes fossas?[35]
Os problemas se acumulam — a um nível constrangedor. Como investigadores dessa história de um grande crime, devemos saber quando descartar uma ficção evidente. É de causar pena a situação de Longerich e dos demais, que precisam promover semelhante disparate. Eles sabem, ou deveriam saber, que tudo isso é um absurdo. E, no entanto, continuam a divulgá-lo.
Uma explicação mais racional seria esta: os Einsatzgruppen e os grupos a eles associados fuzilaram muito menos pessoas, e muito menos judeus, do que se afirma. Ninguém duvida de que tenham matado muitas pessoas, talvez milhares, de todas as categorias. Afinal, havia uma guerra em andamento. Ninguém duvida de que os corpos fossem frequentemente lançados em fossas, sem qualquer cerimônia. Mas ter matado muito mais de um milhão de judeus, enterrado todos eles, exumado todos os corpos um ou dois anos depois, reduzido todos a cinzas em fogueiras alimentadas por madeira, peneirado todas essas cinzas e, finalmente, ocultado seus restos — isso é impossível. O fato de não possuirmos evidências sequer de uma fração dessa história é revelador. Trata-se de um sinal claro de que nossos historiadores tradicionais estão nos induzindo gravemente ao erro. Não seria exagero chamá-los de mentirosos descarados. A questão, então, é: por quê?
O MECANISMO DO ASSASSINATO EM MASSA (3) — AS CÂMARAS DE GÁS
Até agora examinamos os guetos e os fuzilamentos em massa no leste como meios ineficazes de matar e dar destino aos corpos de seis milhões de judeus. No máximo, podemos imaginar que essas duas situações tenham estado associadas à morte de talvez duzentos ou trezentos mil judeus ao longo dos cinco anos de guerra — muitos dos quais teriam morrido por causas naturais.
Apesar dos numerosos problemas e questões insolúveis mencionados anteriormente, façamos uma concessão provisória. Admitamos que Hitler e os demais dirigentes nazistas realmente desejassem matar todos os judeus da Europa. Mesmo assim, teriam sido capazes de fazê-lo? Os guetos e a meia dúzia de esquadrões de extermínio evidentemente não estavam cumprindo essa tarefa. Teria sido necessário algo mais.
Se realmente tivessem procurado matar grandes quantidades de judeus, os alemães certamente dispunham de muitas opções. O fuzilamento talvez tivesse sido o último método escolhido; trata-se de um processo trabalhoso, lento e incerto, que exige reunir grandes quantidades de pessoas, alinhá-las individualmente ou em grupos e executá-las. Havia alternativas claramente melhores. Por exemplo, o vale do Ruhr possuía muitas minas de carvão abandonadas, a maioria com fácil acesso às linhas ferroviárias. Os nazistas simplesmente precisariam transportar trens abarrotados de judeus até esses locais, lançá-los nos poços vazios e provocar o desabamento das minas. Ou poderiam tê-los afogado; seria uma tarefa simples amontoar pessoas em contêineres de carga rudimentares e lançá-los ao mar. Isso teria consumado o ato criminoso e eliminado as evidências de uma só vez.
Se, por alguma estranha razão, se sentissem obrigados a “matar os judeus com gás”, também dispunham de alternativas nesse campo. Como observa Fritz Berg, já existiam grandes “câmaras de gás” do tamanho de vagões ferroviários; eram utilizadas para fumigar vagões inteiros carregados de roupas de cama, vestuário e objetos pessoais, mediante o emprego de gás cianídrico letal.[36] Como sabemos, o tifo era um problema enorme durante a guerra, e os alemães adotavam numerosas precauções. Entretanto, em vez de fumigar roupas, os nazistas poderiam simplesmente ter submetido vagões inteiros de judeus ao mesmo processo. Poderiam ter matado centenas de pessoas em poucos minutos, sem qualquer risco para si mesmos. E os cadáveres já estariam convenientemente reunidos, prontos para serem transportados até o local de descarte.

Se, por alguma outra razão estranha, os alemães preferissem utilizar “câmaras”, também dispunham de alternativas. Consideremos este fato óbvio: depois de todo o trabalho de reunir os judeus e amontoá-los em pequenas salas hermeticamente fechadas, não seria necessário matá-los com gás. Se a sala fosse minimamente “hermética”, bastaria esperar trinta minutos ou uma hora, e todos estariam mortos. Nenhum produto químico tóxico, nenhuma ventilação prolongada, nenhuma limpeza complicada — bastaria abrir as portas e retirar os corpos das pessoas asfixiadas.
E havia alternativas ainda mais simples. Reunir os judeus, confiná-los em construções rudimentares, semelhantes a prisões, no interior do país, e deixá-los morrer de fome. Ou, mais rapidamente ainda: obrigá-los a permanecer em grandes cercados a céu aberto durante o inverno, sem qualquer tipo de abrigo — apenas grandes pastagens cercadas. Uma noite fria, e todos estariam mortos em consequência da exposição às intempéries. As possibilidades eram infinitas.
Mas, segundo nos dizem, os nazistas não adotaram nenhuma dessas alternativas óbvias. Em vez disso, optaram por um processo complexo, técnico e perigoso de assassinato em massa em câmaras de gás.
Para compreender melhor esse aspecto crucial da história do Holocausto, precisamos de algumas informações preliminares. Antes e durante a guerra, os nacional-socialistas criaram uma vasta rede de prisões improvisadas — campos de concentração — por todo o Reich. Em 1943, havia cerca de vinte grandes campos, com 25.000 ou mais prisioneiros cada um, e pelo menos 65 campos auxiliares, com aproximadamente 1.500 pessoas cada.[37] Muitos presumem que todos esses estabelecimentos eram “campos de extermínio”, isto é, lugares destinados ao assassinato em massa. Mas não é bem assim. Segundo a interpretação ortodoxa, apenas seis campos eram dedicados ao assassinato dos judeus: Auschwitz, Treblinka, Bełżec, Sobibór, Majdanek e Chełmno.
Esses seis chamados campos de extermínio jamais foram designados como tais pelos alemães. Todos serviam a finalidades diferentes, funcionavam durante períodos distintos e apresentavam diferentes taxas de mortalidade. Na verdade, segundo a historiografia tradicional, os únicos pontos que tinham em comum eram: (a) todos abrigavam grandes quantidades de judeus; e (b) todos possuíam câmaras de gás destinadas ao assassinato.
Mais uma vez, até mesmo a simples tarefa de determinar o número de mortes se revela problemática. Cada especialista e cada fonte parecem apresentar números diferentes para cada campo. E as variações não são insignificantes; as estimativas mais elevadas podem ser cinco ou até dez vezes superiores às mais baixas. Mesmo quando examinamos as duas fontes consideradas mais “autorizadas” — o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos (USHMM) e o Yad Vashem —, encontramos grandes divergências.[38] Para nossos propósitos, utilizaremos uma média aproximada dos números apresentados por essas duas instituições.
A tabela abaixo relaciona os seis campos, ordenados pela data de início de suas atividades, e as estimativas médias aproximadas do número de judeus mortos:
| Campo | Início | Encerramento | Judeus mortos |
| Chełmno | Dez. 1941 | Set. 1942 | 250.000 |
| Auschwitz | Jan. 1942 | Nov. 1944 | 1.000.000 |
| Bełżec | Mar. 1942 | Dez. 1942 | 550.000 |
| Sobibór | Abr. 1942 | Set. 1943 | 225.000 |
| Treblinka | Jul. 1942 | Maio 1943 | 900.000 |
| Majdanek | Set. 1942 | Nov. 1943 | 75.000 |
| Total | 3.000.000 |
Esses seis campos representam, portanto, um total nominal de três milhões de judeus mortos, conforme supusemos no início. Correspondem à metade de todas as vítimas do Holocausto.
Examinemos, então, as características fundamentais de cada campo, para que possamos determinar melhor se os judeus foram mortos nesses locais e, em caso afirmativo, de que modo. Percorreremos a lista aproximadamente em ordem crescente do número de vítimas.
1. Majdanek[39]
Este é um campo que outrora não tinha rival em matéria de horror, mas que agora caiu consideravelmente no ranking. O NYT noticiou pela primeira vez os acontecimentos de Majdanek em julho de 1943. O jornal escreveu que “o número de assassinatos cometidos pelos alemães na Polônia está atingindo um novo recorde (…) incluindo 1,8 milhão de judeus [em todos os campos]” — segundo o ministro polonês do Interior.[40] Ele relata que homens, mulheres e crianças eram “deportados para o campo de extermínio de Majdanek, no distrito de Lublin, onde eram massacrados em grande número nas câmaras da morte”. Em dois dias de julho, “mais de 3.000 pessoas foram assassinadas em câmaras de gás. Essas execuções ocorrem diariamente”.
Mas a situação piorou. Um ano depois, o NYT apresentava detalhes precisos. “Estima-se em 1.500.000 o número de vítimas na gigantesca fábrica da morte, equipada com câmaras de gás e crematórios”, gritava a manchete.[41] O campo havia sido recentemente “libertado” pelos russos, que convidaram jornalistas ocidentais a testemunhar pessoalmente seus horrores. O repórter Bill Lawrence escreveu:
“Acabo de visitar o lugar mais terrível da face da Terra — o campo de concentração alemão de Majdanek, [onde] nada menos que 1.500.000 pessoas, provenientes de quase todos os países da Europa, foram mortas nos últimos três anos. Percorri todo o campo, inspecionando suas câmaras de gás hermeticamente fechadas, nas quais as vítimas eram asfixiadas, e os cinco fornos nos quais os corpos eram cremados.”
Ele dirigiu-se a uma floresta próxima, onde encontrou dez valas comuns abertas — embora contivessem apenas 368 corpos. “Nesta floresta”, afirma, “as autoridades estimam que existam mais de 300.000 corpos”. As vítimas pertenciam a diversas nacionalidades: “judeus, poloneses, russos” e outras.
É desnecessário dizer que o meme dos “1,5 milhão de vítimas de Majdanek” não resistiu a um exame rigoroso. Visto que o campo se encontrava tão bem preservado, era possível submetê-lo a uma investigação minuciosa. Ao que se verificou, “as autoridades” jamais encontraram mais do que uma fração ínfima dos supostos corpos. Com o passar dos anos, as histórias sobre as câmaras de gás foram perdendo força, e as “estimativas oficiais” começaram a diminuir: primeiro para 1,38 milhão, em 1986, e depois para 360.000, em 1990. Em seguida, caíram ainda mais: 235.000 pessoas, das quais apenas 110.000 eram judeus (1992); 60.000 judeus (2000); “mais de 50.000” judeus (2003).[42] Do ponto de vista revisionista, Graf e Mattogno (2012) calcularam que o número de judeus mortos foi ligeiramente inferior a 28.000.[43]
“E daí?”, poderão perguntar alguns. “Essa redução do número de mortos é algo positivo. Demonstra que os historiadores tradicionais estão dispostos a modificar suas opiniões ao longo do tempo, à medida que surgem novas pesquisas”. Seria algo positivo se (a) reconhecessem a importante contribuição dos autores revisionistas e, sobretudo, (b) isso conduzisse a uma redução correspondente no número dos “seis milhões”. Mas nenhuma dessas duas coisas acontece.
Consideremos a estimativa de 59.000 vítimas judaicas — número apresentado pelo diretor do Museu de Majdanek, Tomasz Kranz (2007). Para aceitarmos esse número, precisamos saber como e quando essas pessoas morreram. Mas até mesmo esse diretor nos apresenta uma versão que se altera rapidamente. Em 2003, Kranz escreveu que “60% das vítimas de Majdanek morreram em consequência da fome, do trabalho forçado, dos maus-tratos e das doenças” (2003, p. 230). Se isso também se aplica aos judeus, significa que cerca de 35.000 morreram por essas causas “naturais”, enquanto os 24.000 restantes morreram por gaseamento ou fuzilamento. Mas temos também a história do massacre da “Festa da Colheita” (“Erntefest”), no qual 18.000 judeus teriam sido fuzilados em Majdanek num único dia, 3 de novembro de 1943. Se isso for verdade, restariam, no máximo, apenas (24.000 – 18.000) = 6.000 judeus que teriam sido mortos por gaseamento ou fuzilamento antes daquela data.
Mas Kranz evidentemente percebeu que isso criava um problema para a interpretação convencional, que exige grandes números de judeus mortos em câmaras de gás em cada um dos seis campos de extermínio. Se apenas 6.000 foram “fuzilados ou mortos por gás” e se, digamos, mil ou dois mil deles foram fuzilados, restariam talvez apenas 4.000 mortos por gaseamento — um número inaceitavelmente baixo para nossos historiadores tradicionais. Provavelmente foi por isso que, em 2007, Kranz recuou. Agora, ele não faz nenhuma afirmação sobre a proporção entre gaseamentos, fuzilamentos e outras causas de morte. Não menciona o número de vítimas da “Festa da Colheita”. Limita-se a dizer: “Afinal, não dispomos de quaisquer dados que documentem as mortes mediante sua classificação segundo as diferentes formas de assassinato” (2007, p. 104). Numa nota de rodapé, acrescenta que “as estimativas relativas ao número de fuzilamentos em massa de prisioneiros e de mortes por gaseamento (…) são estimativas muito gerais e não encontram respaldo na pesquisa das fontes”. Por conseguinte, tais números “devem ser considerados de pouca utilidade”. Em outras palavras, não sabemos quase nada sobre como os judeus morreram; tudo não passa de especulação. Mas, se isso é verdade, como pode ele estar tão seguro de seu número de 59.000?
O elemento central da história de Majdanek, assim como a dos seis campos de extermínio, reside nas câmaras de gás. A versão convencional, que remonta a 1944, sustenta que o campo possuía sete dessas câmaras. Elas seriam singulares por supostamente utilizarem tanto Zyklon B (grânulos de cianeto) quanto monóxido de carbono proveniente de cilindros pressurizados.
Mas essas alegações foram perdendo consistência sob um exame crítico. Uma das câmaras, situada no “novo crematório”, era simplesmente uma sala fechada, sem janelas — mas, por não possuir sistema de ventilação, não poderia ter sido utilizada para matar pessoas com gás. Alegava-se que outras duas câmaras existiam num “Barracão 28” — que ninguém consegue localizar atualmente e que provavelmente não passou de um produto da imaginação soviética.
Isso nos conduz ao edifício conhecido como “Unidade de Banhos e Desinfecção I”, que supostamente abrigava as outras quatro câmaras. Felizmente, esse edifício permanece de pé até hoje e, portanto, pode ser facilmente examinado.
As quatro câmaras da unidade de banhos e desinfecção são identificadas da seguinte maneira:
- Sala C: a maior das quatro salas, supostamente utilizada apenas com Zyklon. Entretanto, essa sala possui uma grande janela de vidro, facilmente quebrável, e não dispõe de sistema de ventilação. Atualmente, até mesmo os historiadores tradicionais concordam que a sala era utilizada exclusivamente para a desinfestação de roupas de cama e vestuário.
A atenção volta-se agora para as três salas restantes:
- Sala A: uma sala de tamanho médio, com duas portas que podiam ser trancadas e sem janelas.
- Sala B1: uma câmara pequena, com uma janela pequena e uma porta que podia ser trancada.
- Sala B2: uma câmara pequena, sem janelas, com uma única porta que podia ser trancada.
Mas a utilização de Zyklon parece estar descartada nas três salas. As salas B1 e B2 não possuem ventilação e apresentam apenas aberturas rudimentares no teto (provavelmente construídas no pós-guerra), pelas quais o venenoso Zyklon poderia ser introduzido. Entretanto, não existe nenhuma maneira evidente de chegar ao telhado para ter acesso a essas aberturas, além do problema habitual de como retirar os cadáveres depois de terem entrado em contato com os grânulos letais. A sala A possuía duas portas, que poderiam ter servido como um sistema rudimentar de ventilação — suficiente para roupas de cama e vestuário, mas não para pessoas. Entretanto, ela não possui sequer aberturas improvisadas no teto e, portanto, não apresenta nenhum mecanismo evidente para a introdução do Zyklon.
Em conclusão, se os alemães mataram alguém com grânulos de cianeto em Majdanek, tratou-se de um procedimento extremamente rudimentar, perigoso e, falando francamente, idiota — que dificilmente merece ser considerado seriamente.
Quanto às alegações de envenenamento por monóxido de carbono, elas se baseiam no fato de que duas das salas — A e B1 — possuem tubos metálicos perfurados que percorrem suas paredes. Esses tubos conduzem a uma pequena construção externa que contém dois grandes recipientes de gás comprimido. À primeira vista, isso parece comprometedor, até que se leem as inscrições nos recipientes: CO₂ (dióxido de carbono).[44] O monóxido de carbono é letal; o dióxido de carbono, porém, não é. Nós o inspiramos e expiramos a cada instante, todos os dias. Por que os alemães introduziriam dióxido de carbono em salas fechadas? Existe uma resposta óbvia: retardar a decomposição dos cadáveres. Se as salas fossem utilizadas como necrotérios provisórios, o CO₂ permitiria prolongar um pouco o período de conservação dos corpos, ao deslocar o oxigênio. Na verdade, os fruticultores utilizam constantemente essa técnica quando desejam armazenar frutas frescas durante o inverno; empregam grandes câmaras frigoríficas com dióxido de carbono.
Isso também ajuda a explicar os depoimentos das testemunhas. As salas continham cadáveres (verdadeiro), eram submetidas a “gaseamento” (verdadeiro, depois que as pessoas já estavam mortas) e os corpos acabavam sendo queimados nos crematórios (verdadeiro). Os fatos individuais são verdadeiros, mas não constituem, em conjunto, uma prova da existência de “câmaras de gás homicidas”.
A conclusão fundamental é que Majdanek perdeu sua relevância no panorama geral do Holocausto. Mesmo que aceitemos que 60.000 judeus morreram ali, eles representam apenas 1% do total alegado. Consequentemente, já quase não ouvimos falar desse campo por parte de nossos historiadores tradicionais.
2. Chełmno
Mais ainda do que os outros, Chełmno é verdadeiramente um campo misterioso. Não era sequer um campo fixo propriamente dito, mas antes uma espécie de estação de processamento e, separadamente, um local de sepultamento. As vítimas chegavam de caminhão ao pequeno vilarejo de Chełmno, às margens do rio Ner, 60 km a noroeste de Łódź, na Polônia. Ali encontravam uma grande residência senhorial — designada, conforme a fonte, como “mansão”, “palácio”, Schloss ou “castelo” —, onde desembarcavam.[45] Em seguida, informavam-lhes que seriam transportadas mais para o leste, para campos de trabalho. Em vez disso, afirmam os historiadores, eram conduzidas à força por uma rampa até caminhões que as aguardavam — veículos modificados para matá-las com gás. Daí a arma homicida de Chełmno: os caminhões de gás.[46]
Concluída a operação, o caminhão seguia para o “campo da floresta”, um terreno situado a cerca de 5 km do vilarejo. Os corpos eram enterrados e, posteriormente, exumados e queimados. O leitor não deve surpreender-se se o enredo lhe parecer familiar.
Chełmno era tão misterioso que, durante décadas, praticamente nenhum estudo detalhado foi publicado a seu respeito. O máximo que se podia esperar era um breve verbete enciclopédico ou referências a documentos obscuros em línguas estrangeiras. Somente nos últimos anos começaram a aparecer obras dedicadas especificamente ao campo. Até o momento, dispomos de três livros: dois relatos ortodoxos, de Krakowski (2009) e Montague (2012), e uma análise revisionista, de Mattogno (2011).
Nossa melhor fonte de informações sobre qualquer campo é a documentação produzida durante a guerra, mas, infelizmente, “a documentação sobre [Chełmno] é praticamente inexistente”, segundo Mattogno (2011, p. 7). Montague (2012, p. 2) concorda; lamenta a “escassez de provas materiais” remanescentes, a “ausência de registros do campo e de outros documentos nazistas pertinentes” e o fato de que “as fotografias [do campo] permanecem tragicamente perdidas para a história”. Os relatos atuais sobre o campo baseiam-se quase inteiramente em depoimentos testemunhais pouco confiáveis, prestados em diversos julgamentos do pós-guerra, e em alguns dados esparsos provenientes de escavações incompletas. Isso explica, em parte, a grande disparidade entre as estimativas de mortos, que vão dos “mais de 156.000” do USHMM aos “320.000” do Yad Vashem. Para nossos propósitos, adotamos um valor intermediário de 250.000.
Por ter sido o primeiro a existir, Chełmno teria sido o campo de extermínio “experimental”, aquele que estabeleceria o procedimento a ser seguido pelos demais. Supostamente, foi no verão de 1941, após os primeiros êxitos contra os soviéticos, que os alemães começaram a elaborar sua “solução final” para os judeus — o assassinato em massa, segundo a interpretação convencional, ou a evacuação para o leste, segundo os revisionistas. Presumivelmente agindo sob ordens (não escritas) de Hitler, Himmler consultou seus especialistas técnicos para determinar a melhor maneira de matar grandes quantidades de pessoas. Com base nas experiências acumuladas até então, sabiam que os fuzilamentos e o confinamento em guetos não funcionariam. Um dos homens de Himmler, Ernst Grawitz, teria proposto a utilização de “um gás altamente volátil e de ação rápida”.[47] Como demonstra Mattogno, eles dispunham de muitas alternativas, incluindo os gases altamente tóxicos fosgênio e difosgênio. Até mesmo o temido Zyklon (cianeto de hidrogênio, ou HCN) era considerado apenas moderadamente tóxico entre as substâncias estudadas. O menos tóxico era o monóxido de carbono. E, no entanto, inexplicavelmente, os nazistas decidiram utilizar monóxido de carbono em seu campo de extermínio experimental.
Os alemães dispunham de duas fontes imediatas de monóxido de carbono. Uma delas era o gás comprimido, transportado em grandes cilindros metálicos do tipo que fôra (erroneamente) associado a Majdanek. A outra eram os motores de combustão interna. O gás comprimido era caro de produzir e difícil de transportar, segundo se afirma, mas os motores estavam por toda parte. Todo automóvel e todo caminhão produziam automaticamente gases de escapamento contendo monóxido de carbono — gratuitamente. A escolha era óbvia.
Segundo as testemunhas, os caminhões de gás eram veículos semelhantes a caminhões de transporte de móveis, cada um com capacidade para acomodar entre 25 e 50 pessoas no compartimento traseiro. Os veículos haviam sido adaptados com tubos flexíveis de escapamento, que podiam ser facilmente redirecionados para uma abertura no piso do compartimento traseiro. Segundo essa interpretação, os gases de escapamento penetrariam no compartimento, matando rapidamente todos os seus ocupantes. Os cadáveres poderiam então ser convenientemente transportados de caminhão até um local de descarte no campo da floresta.
Mas que tipo de motor utilizar? Os alemães dispunham, naquela época, de três alternativas. Uma delas era o motor convencional a gasolina, que emitia monóxido de carbono em concentrações entre 1% e 6%. Isso seria suficiente para cumprir a tarefa; o CO geralmente é fatal em trinta minutos, quando presente em concentrações superiores a 1%. Uma segunda opção, contudo, era muito melhor: os chamados motores a “gás de gasogênio”, que efetivamente produziam monóxido de carbono para utilizá-lo como combustível. Os motores alimentados por gás de gasogênio geravam CO em concentrações de 18% a 35%, o que teria matado rapidamente todos os que fossem expostos a ele.
Mas os nacional-socialistas, segundo nos dizem, rejeitaram essas duas opções, preferindo sua terceira alternativa: um motor a diesel. Acontece que — e este fato é desconhecido por quase todas as testemunhas e historiadores —, os motores a diesel produzem muito pouco monóxido de carbono — apenas cerca de 0,1% durante a maior parte de seu regime de funcionamento.[48] Inacreditavelmente, portanto, depois de escolherem o gás menos tóxico, os alemães optaram, inexplicavelmente, pelo meio menos eficaz de produzi-lo. Podemos ser desculpados se nos mostrarmos céticos diante desse suposto procedimento.
Entretanto, ainda hoje esse fato parece não causar nenhuma preocupação aos nossos fundamentalistas, que continuam a insistir na história dos motores a diesel. No autorizado estudo de Oxford, por exemplo, Karen Orth (2010, p. 370) escreve: “Chełmno e os campos da Operação Reinhard [isto é, Treblinka, Sobibór e Bełżec] matavam com monóxido de carbono produzido por motores a diesel de caminhões”.
O fato de os nacional-socialistas terem deixado de lado gases mais letais e, em seguida, optado por utilizar um motor a diesel para matar com CO é suficiente para que um investigador racional rejeite toda a história dos caminhões de gás. Mas há outros problemas. Por exemplo, é fisicamente impossível bombear gases de escapamento para um compartimento “hermeticamente fechado”. Ou o motor deixaria de funcionar, ou o compartimento explodiria. Seria necessário algum sistema complexo de válvulas de pressão para permitir a saída do oxigênio à medida que o CO penetrasse no compartimento. Mas ninguém jamais descreveu semelhante mecanismo. Se dispuséssemos de um caminhão de gás autêntico que tivesse sobrevivido, poderíamos responder facilmente a essas perguntas; infelizmente, nenhum deles foi preservado — mais problemas de “evidências desaparecidas”.
Além disso, temos uma explicação muito mais plausível para os relatos da época da guerra sobre os caminhões de gás. Caminhões que funcionavam com sistemas de gasogênio eram, de fato, chamados Gaswagen, ou “caminhões de gás”. Adicionalmente, os alemães possuíam veículos especialmente equipados para utilizar Zyklon na desinfestação de roupas e objetos pessoais; estes também eram chamados “caminhões de gás”. Mas, quando se difundiu a notícia da existência (verdadeira) de caminhões de gás, combinada com o fato (verdadeiro) de que pessoas estavam morrendo e sendo enterradas ou cremadas, enquanto amigos e familiares eram transportados para fora dos guetos, para nunca mais serem vistos, podemos imaginar como surgiram as histórias de assassinatos por gaseamento em caminhões.
Como esses dois autores ortodoxos lidam com tais questões? Quanto à questão decisiva dos motores a diesel em comparação com os motores a gasolina, e à consequente produção de CO letal, tanto Krakowski quanto Montague permanecem em completo silêncio. A palavra “diesel” não aparece uma única vez no livro de Krakowski. Montague jamais especifica o tipo de motor, nem informa ao leitor a diferença fundamental. Perto do final de seu livro, dedica um parágrafo à “questão do tipo de gasolina utilizado por esses veículos” (p. 208), mas acaba deixando a pergunta sem resposta. É evidente que ele emprega o termo “gasolina” como uma designação genérica para combustível de motores, deixando de estabelecer a distinção crucial entre a gasolina comum e o óleo diesel.
Evidências potencialmente decisivas poderiam existir nas valas comuns, que supostamente abrigaram cerca de 250.000 corpos antes de serem exumados e queimados. Sabemos onde estão essas valas; na verdade, existe atualmente no local um “memorial às vítimas”. Montague discute as valas detalhadamente e fornece um mapa útil. Hoje podemos observar indícios de três longas alterações do terreno, com cerca de 200 metros de comprimento e apenas 8 metros de largura, uma alteração menor, de aproximadamente 60 metros de comprimento, e cerca de uma dúzia de fossas isoladas. No total, essas escavações poderiam, de fato, ter abrigado aproximadamente um quarto de milhão de corpos.
Caso comprovado? Não exatamente. Como explica Mattogno (pp. 95–105), foram realizadas quatro escavações nos locais das valas comuns de Chełmno: em 1945, 1951, 1986 e 2003. As três primeiras foram conduzidas de maneira tão deficiente que não é possível extrair delas nenhuma conclusão definitiva. A investigação de 1986, por exemplo, encontrou “uma enorme quantidade de ossos humanos triturados” no suposto local de cremação dos cadáveres, mas não nos são fornecidos detalhes mensuráveis. Foram analisados quatro sacos de amostras de terra, dos quais apenas “alguns por cento” eram constituídos de fragmentos ósseos ou cinzas (p. 97). A investigação mais recente, realizada em 2003, mais uma vez não produziu dados objetivos e quantificáveis. Seja o que for que exista atualmente nessas fossas, evidentemente não sustenta a interpretação ortodoxa. Talvez sejam essas as razões pelas quais tanto Krakowski quanto Montague ignoram completamente as escavações.
Mas, como explica Mattogno, existem ainda outros problemas. Se, digamos, 250.000 corpos foram cremados no próprio local, isso teria exigido quantidades imensas de lenha — algo como 40 milhões de quilos, ou aproximadamente 43.000 toneladas.[49] Isso teria necessariamente gerado o desmatamento de vastas áreas ao redor do campo — e, no entanto, as florestas permanecem em grande parte intactas, remontando a muito antes da guerra. Se toda essa madeira tivesse sido transportada por caminhões, haveria uma multidão de testemunhas relatando o fluxo contínuo de veículos que chegavam ao local; mas não temos nenhuma.
Uma vez queimada, a pilha de cinzas teria sido monumental: aproximadamente 2,2 milhões de quilos (2.500 toneladas). Tal como no caso dos Einsatzgruppen, os nazistas teriam então peneirado toda essa massa à procura de dentes e ossos e, em seguida, utilizado um ou mais trituradores mecânicos para esmagá-los. Entretanto, considerando os detalhes obscuros das quatro escavações, devemos presumir que, na realidade, foram encontradas pouquíssimas cinzas.
Conclusão: o “campo misterioso” permanece, em grande medida, envolto em mistério. Os caminhões, os corpos, o combustível e as cinzas praticamente desapareceram, assim como todas as provas documentais e fotográficas. O suposto método de gaseamento é, literalmente, desprovido de sentido. E podemos compreender facilmente como surgiram tais histórias de “caminhões de gás homicidas”. Sem dúvida, muitos judeus passaram pela estação de Chełmno, ao saírem do gueto de Łódź. Sem dúvida, muitos deles morreram no gueto e na região circundante. Talvez os corpos tenham sido transportados para Chełmno, a fim de receberem um destino final. Talvez alguns tenham sido enterrados e outros queimados em piras rudimentares. Mas as provas sugerem que esse número foi muito inferior a 250.000 — talvez, no máximo, alguns milhares.
3. Bełżec, Sobibór e Treblinka
Os três campos seguintes — Bełżec, Sobibór e Treblinka — apresentam muitas características em comum e, por isso, são frequentemente examinados em conjunto. Faremos o mesmo. Esses campos são geralmente considerados parte de uma “Operação Reinhardt” (ou Reinhard), que envolvia o confisco dos bens dos judeus e, em seguida, seu assassinato (segundo a interpretação ortodoxa) ou sua deportação para o leste (segundo a interpretação revisionista).
Esses campos distinguem-se por estarem situados em locais fixos no leste da Polônia e por terem sido supostamente destinados exclusivamente ao assassinato em massa de judeus. Conhecemos suas localizações, mas, infelizmente, como nos casos anteriores, restam muito poucos vestígios dos campos. Atualmente, consistem essencialmente em clareiras delimitadas nas florestas e diversos elementos reconstruídos e, portanto, hipotéticos, das antigas instalações.
As semelhanças são impressionantes e reveladoras. Segundo a interpretação tradicional, os três campos:
- Começaram a funcionar com três câmaras de gás, às quais outras foram acrescentadas posteriormente.
- Estavam situados junto a linhas ferroviárias, em regiões remotas da Polônia oriental.
- Possuíam duas zonas distintas — uma zona de entrada e uma zona de “extermínio” —, ligadas por uma passagem denominada “o Tubo”.
- Matavam judeus com gases de escapamento de motores a diesel.
- Inicialmente enterravam suas vítimas e, mais tarde, exumavam e queimavam os corpos no próprio local.
- Enterravam as cinzas no próprio local.
- Não possuíam sequer um crematório.
- Foram demolidos, tiveram seus terrenos recobertos de vegetação e foram entregues a um ucraniano da região para o cultivo da terra.
Tanto os fundamentalistas quanto os revisionistas consideram esses campos parte de um plano comum e, portanto, seria de esperar que apresentassem semelhanças. Entretanto, isso acaba se voltando contra a interpretação convencional, pois as dificuldades e os absurdos de um campo são compartilhados por todos os demais. Já estamos familiarizados com a maioria desses problemas. Um deles é a utilização de motores a diesel para matar pessoas com gás — é simplesmente absurdo imaginar que, com a avançada ciência e tecnologia da Alemanha nazista, os motores a diesel fossem o melhor recurso de que dispunham. E, no entanto, a ortodoxia insiste na história dos motores a diesel. Anteriormente, vimos a citação de Orth referente a Chełmno e aos campos da Operação Reinhardt. Hilberg evidentemente concorda: “Segundo relatos, Bełżec estava equipado com um motor a diesel; diz-se que Treblinka possuía um desde o início” (2003, p. 936). Segundo o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos (USHMM), “em 1942, tiveram início os assassinatos sistemáticos em massa em câmaras de gás fixas (com monóxido de carbono produzido por motores a diesel), em Bełżec, Sobibór e Treblinka, todos situados na Polônia”.[50] O Yad Vashem afirma o seguinte: “A área de extermínio [de Treblinka] incluía um edifício de tijolos que abrigava três câmaras de gás. Um motor a diesel encontrava-se instalado num galpão adjacente — esse motor produzia o monóxido de carbono que alimentava as câmaras”.[51] Em outro verbete, escreve: “Bełżec, que começou a funcionar em março [de 1942], possuía três câmaras de gás instaladas num barracão de madeira; Sobibór, onde os assassinatos começaram em maio, abrigava suas câmaras de gás num edifício de tijolos; e Treblinka, estabelecido em julho, possuía três câmaras de gás que podiam ser hermeticamente fechadas. Em cada um dos três campos, centenas de milhares de judeus foram assassinados por gases de escapamento de motores a diesel”.[52]
Podemos compreender o dilema deles. Tanto tempo e esforço foram dedicados à história dos gaseamentos com motores a diesel que eles não podem recuar sem sofrer uma grande perda de credibilidade. Por isso, repetem a mesma história incessantemente, sem jamais informar ao leitor sobre as graves improbabilidades técnicas envolvidas.
Existe, contudo, um problema relacionado a isso. As pessoas que morrem por envenenamento por monóxido de carbono frequentemente apresentam uma coloração rosa-viva ou avermelhada na pele. Trata-se de uma reação química do sangue ao gás, constituindo um sinal singular e característico.[53] Portanto, as testemunhas que afirmaram ter visto os cadáveres nos campos da Operação Reinhardt deveriam ter mencionado uma quantidade esmagadora de corpos rosados ou avermelhados. Isso teria sido um sinal claríssimo de gaseamento por CO. Acontece que ninguém fez tal descrição. Algumas testemunhas relataram ter visto uma coloração azulada ou amarelada, mas nunca rosada ou avermelhada. E, no entanto, essa teria sido a característica predominante, prontamente perceptível a todos. O leitor é convidado a procurar testemunhas que afirmem ter visto cadáveres vermelhos; será uma longa busca.
Mas prossigamos com nossa investigação. Os historiadores tradicionais oferecem-nos um relato aproximado das mortes ocorridas ao longo do tempo nos campos da Operação Reinhardt. Reunamos todos esses dados numa única apresentação, para examiná-los melhor. Com base em diversas fontes, a tabela seguinte apresenta as estimativas mensais de mortos (em milhares) para cada um dos três campos, durante os dois anos de seu funcionamento.[54]
Mortes nos campos da Operação Reinhardt — Estimativas tradicionais (em milhares)
1942
| Campo | Jan. | Fev. | Mar. | Abr. | Maio | Jun. | Jul. | Ago. | Set. | Out. | Nov. | Dez. | Total anual |
| Sobibór | 0 | 0 | 0 | 27 | 27 | 27 | 0 | 0 | 7 | 7 | 7 | 7 | 109 |
| Bełżec | 0 | 0 | 44 | 42 | 4 | 18 | 54 | 156 | 96 | 66 | 60 | 10 | 550 |
| Treblinka | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 191 | 128 | 180 | 202 | 100 | 32 | 833 |
| Totais mensais | 0 | 0 | 44 | 69 | 31 | 45 | 245 | 284 | 283 | 275 | 167 | 49 | 1.492 |
1943
| Campo | Jan. | Fev. | Mar. | Abr. | Maio | Jun. | Jul. | Ago. | Set. | Out. | Nov. | Dez. | Total anual |
| Sobibór | 8 | 11 | 11 | 11 | 15 | 15 | 15 | 15 | 15 | 0 | 0 | 0 | 116 |
| Bełżec | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Treblinka | 32 | 19 | 4 | 6 | 6 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 67 |
| Totais mensais | 40 | 30 | 15 | 17 | 21 | 15 | 15 | 15 | 15 | 0 | 0 | 0 | 183 |
Como podemos observar, os números totais de cada campo correspondem àqueles que havíamos adotado anteriormente: Sobibór = 225.000; Bełżec = 550.000; e Treblinka = 900.000. Os números mensais são conjecturais, mas, evidentemente, alguma combinação semelhante de mortes deve ter ocorrido, caso se pretenda alcançar os totais exigidos. Se os especialistas discordarem desses números, são bem-vindos a propor outros melhores — e a justificá-los.
Algumas coisas imediatamente chamam nossa atenção. Qualquer número referente a um único campo que ultrapasse 30 (isto é, 30.000) significa que, supostamente, mais de mil pessoas foram mortas por gás diariamente naquele mês. Considerando as numerosas dificuldades desse processo, mencionadas anteriormente, isso teria constituído uma tarefa considerável. Mas os números são muito superiores a esse patamar. Em sete dos meses, os números igualam ou ultrapassam 100.000 por mês, ou cerca de 3.300 por dia. No mês de maior atividade — Treblinka, em outubro de 1942 —, o número ultrapassou 200.000, ou mais de 6.700 por dia. Mais uma vez, deparamos com uma alegação espantosa e, francamente, inacreditável: a de que os alemães conseguiram, utilizando apenas gases de escapamento de motores a diesel, matar quase sete mil judeus por dia, todos os dias, durante um mês inteiro.
Assim como antes, a sequência “enterrar–exumar–queimar” também teria constituído um enorme problema. Todas as dificuldades relativas aos Einsatzgruppen reaparecem aqui, embora em níveis ainda maiores de absurdo. Segundo os relatos de nossos especialistas, Chełmno foi o primeiro campo a exumar e queimar cadáveres a céu aberto, em fogueiras alimentadas por madeira (em agosto e setembro de 1942). Se isso constituiu o “sucesso” que nos dizem ter sido, as ordens deveriam ter sido imediatamente transmitidas aos demais campos: “parem de enterrar seus mortos, apenas os queimem” — note-se que os três campos da Operação Reinhardt já estavam em funcionamento naquela época. Mas ocorreu que apenas Sobibór iniciou imediatamente o processo de exumação e queima. Bełżec continuou enterrando seus mortos por mais três meses. Treblinka, por mais sete meses. E os Einsatzgruppen ainda estavam escavando valas comuns nove meses inteiros depois do “sucesso” de Chełmno.
Aliás, por que os campos da Operação Reinhardt precisariam, em algum momento, enterrar os corpos? Se realmente foram concebidos e construídos como “campos de extermínio puros”, certamente os alemães teriam instalado crematórios básicos em cada local — crematórios de alta capacidade e grande eficiência, destinados a eliminar por completo as provas do crime. Em vez disso, supostamente não conseguiram fazer nada melhor do que lançar os corpos numa grande fossa no solo e, posteriormente, percebendo sua estupidez, exumar os cadáveres em decomposição e queimá-los em fogueiras alimentadas por troncos. E então, numa nova demonstração de estupidez monumental, decidiram enterrar as cinzas nas mesmas fossas de onde haviam retirado os cadáveres — cinzas que ali permaneceriam durante décadas, à espera de serem analisadas.
Mas mesmo isso subestima a situação. Na realidade, estavam queimando tantos cadáveres, num ritmo tão elevado, que suas “fogueiras de troncos” teriam sido gigantescos incêndios. A taxa de queima em Sobibór, durante os três últimos meses de 1942, teria sido de aproximadamente 900 por dia — 900 cadáveres em decomposição reduzidos a cinzas, diariamente, durante três frios meses de inverno. Toneladas de cinzas, peneiradas à procura de dentes e ossos, todos os dias, durante três meses.
E esse era o campo “fácil”. Em Bełżec, supostamente, queimaram seus 550.000 cadáveres ao longo de cinco meses de inverno e primavera[55] — uma média de quase 3.700 por dia. Treblinka, porém, era verdadeiramente assombroso. Ali, segundo nos dizem, foram queimados 900.000 cadáveres em apenas quatro meses[56] — uma taxa espantosa de 7.500 por dia. Isso exigiria algo como 1,2 milhão de quilos de madeira, todos os dias. Produziria aproximadamente 67.000 quilos de cinzas, diariamente. Isso é razoável? Certamente não. Estamos no domínio da ficção fantástica. E, no entanto, é exatamente nisso que nossos especialistas esperam que acreditemos.
O que, de fato, os especialistas têm a dizer sobre tudo isso? Eis o que afirmou o famoso pesquisador do Holocausto Martin Gilbert — “Sir” Martin Gilbert: “A tentativa deliberada de destruir sistematicamente todos os judeus da Europa [atingiu seu auge em 1942], período durante o qual centenas de milhares de judeus eram mortos por gás todos os dias em Bełżec, Chełmno, Sobibór e Treblinka” (1981, p. 26). Espere — isso pode estar correto? Centenas de milhares de pessoas mortas por gás — todos os dias? Sir Martin é um homem inteligente. Certamente não faz declarações levianas, improvisadas e irrefletidas. Certamente sabe que é impossível — impossível — matar por gás e queimar “centenas de milhares” de pessoas em quatro campos, todos os dias. Por que, então, publicaria uma falsidade tão evidente? Por que mentiria? Sir Martin é um judeu sionista autodeclarado. Certamente conhece a insensatez de mentir a respeito do Holocausto judaico. Então, por que mentiria? A quem interessa exagerar tais alegações (ou a quem interessava — pois ele fez essas afirmações antes de receber o título de cavaleiro)?
A única esperança de chegar ao fundo dessas questões é realizar escavações nos próprios locais. Esse trabalho permitiria determinar o número e as dimensões das valas comuns, quantificar quaisquer corpos, ossos ou cinzas remanescentes e encontrar eventuais vestígios das câmaras de gás. Em maior ou menor grau, esse tipo de trabalho foi realizado nos três campos da Operação Reinhardt. O que, então, os registros das escavações nos dizem sobre cada um deles? Eis um breve resumo.
Bełżec: Todos os 550.000 corpos foram enterrados antes do início das exumações e cremações, em dezembro de 1942. Desde a guerra, foram realizadas duas investigações arqueológicas.
(1) Investigação polonesa de 1945. Foram escavadas nove grandes fossas, com até 10 metros de largura e 8 metros de profundidade. Resultados: areia misturada com cinzas humanas encontradas esporadicamente, além de ossos dispersos. Não é possível extrair conclusões definitivas, mas a terminologia empregada — “alguns restos carbonizados”, “parte de um corpo humano”, “um crânio humano”, “duas tíbias e uma costela”, “um exemplar parcialmente queimado” etc. — sugere algo da ordem de centenas de corpos, mas não de centenas de milhares.[57]
(2) Investigação de 1997–1999. Conduzida por Andrzej Kola, consistiu na coleta de 2.227 amostras de sondagem, distribuídas segundo um padrão quadriculado. A equipe afirmou ter encontrado “33 valas comuns”, mas, com base nas dimensões relatadas, elas poderiam ter comportado menos de um quarto dos supostos 550.000 corpos ali enterrados. Além disso, seu teor de cinzas era esporádico, irregular e “absolutamente incompatível” (Mattogno, 2004, p. 87) com qualquer incineração em massa.
Os resultados de Kola foram publicados num pequeno livro, Bełżec: The Nazi Camp for Jews in Light of Archeological Sources (“Bełżec: o campo nazista para judeus à luz das fontes arqueológicas”) (2000). Talvez seja revelador que esse livro raramente seja citado, pouco discutido e praticamente impossível de obter. Parece que ele não fornece a prova definitiva que se esperava encontrar.

Sobibór: Apenas 81.000 corpos foram enterrados antes do início das cremações, em outubro de 1942. Foram realizadas diversas escavações, divididas em três fases. Os resultados encontram-se resumidos em Bem e Mazurek (2012).
(1) Kola (2000–2001). Realizando 3.805 sondagens numa área de nove hectares, Kola “esperava determinar a localização exata das câmaras de gás” (p. 98). Ele afirma ter encontrado sete valas comuns e vestígios de cinco estruturas de edifícios (“Objetos A–E”). Todas as valas comuns continham restos de esqueletos — isto é, corpos não queimados —, o que constitui um argumento contrário à tese do enterramento, exumação e queima. O volume total das seis valas principais era de aproximadamente 14.700 metros cúbicos, suficiente para comportar mais de 100.000 corpos. Mas, como observam Graf, Kues e Mattogno (2010, p. 123), o simples fato de serem suficientemente grandes “não significa que [tantos] cadáveres tenham sido enterrados nelas”. Além disso, em razão das escavações aleatórias e descontroladas realizadas no local depois da guerra, existe uma “alta probabilidade” de que as valas fossem originalmente “consideravelmente menores” do que são atualmente. De qualquer modo, os dados provenientes das sondagens não permitiram determinar o número de vítimas.
Quanto aos vestígios dos edifícios, Kola sugeriu que uma grande estrutura (“Objeto E”) poderia ter sido a câmara de gás; infelizmente, afirma ele, “é impossível dar uma resposta simples [a essa questão]”. Graf e colaboradores (pp. 159–160) explicam por quê: (a) as testemunhas afirmaram que o edifício das câmaras de gás era de tijolos, enquanto a estrutura encontrada por Kola era inteiramente de madeira; (b) no suposto local do motor a diesel utilizado para o gaseamento, Kola encontrou apenas munição deflagrada; e (c) as enormes dimensões do objeto — cerca de 80 a 100 metros de comprimento — jamais foram mencionadas por qualquer testemunha. É digno de nota que o relatório de Kola nunca tenha sido traduzido para o inglês ou para qualquer outra língua ocidental.
(2) Bem (2004). Na segunda fase, Bem e seus colegas esperavam encontrar tanto as câmaras de gás quanto o “Tubo”, ou caminho — também chamado Schlauch ou Himmelfahrtstraße — que conduzia às câmaras. Persistindo na tese de que o Objeto E era o edifício das câmaras de gás, encontraram um pequeno espaço retangular “que foi provisoriamente interpretado como a sala destinada ao motor de combustão [não ‘a diesel’?] que produzia os gases de escapamento introduzidos nas câmaras de gás” (p. 105). Quanto ao Tubo, sua investigação “não produziu os resultados esperados”, isto é, nada encontraram.
(3) Haimi (2007–presente). Nesse ponto, uma equipe dirigida por israelenses assumiu as escavações. Dando continuidade aos esforços anteriores, também procurou as câmaras e o Tubo. Quanto às importantíssimas câmaras, as esperanças depositadas no Objeto E revelaram-se infundadas: “Podemos afirmar, com elevado grau de certeza, que o Objeto E não corresponde aos vestígios das câmaras de gás” (p. 113). Sua finalidade e função permanecem, portanto, desconhecidas, e a busca pelas câmaras prossegue.
Quanto ao Tubo, Haimi e sua equipe encontraram uma longa disposição de buracos paralelos para postes. “Esse padrão de duas fileiras (…) é interpretado como correspondendo aos vestígios do trecho final da Himmelfahrtstraße, que deveria conduzir às câmaras de gás” (p. 126). Infelizmente para a equipe, essa disposição conduz a uma grande área memorial atualmente pavimentada com asfalto, medindo aproximadamente 30 por 30 metros; escavar ali significaria destruir o pavimento do local sagrado de memória.
Para agravar as dificuldades, anunciou-se em março de 2014 que os poloneses construiriam um novo centro de visitantes e um “muro memorial” de quase uma milha de extensão; isso teria como consequência encerrar ou, pelo menos, dificultar seriamente novas investigações naquelas áreas.[58] Observamos também que o foco das pesquisas parece ter-se afastado completamente das valas comuns e de seu conteúdo. Evidentemente, essa não era uma linha de investigação produtiva, pois não estava fornecendo os “resultados esperados”.
Mas Haimi e sua equipe estão otimistas. Conforme noticiado na reportagem mencionada acima, aguardam autorização para escavar sob a área asfaltada. “Debaixo dessa praça — quase do tamanho de um campo de futebol —, esperam encontrar vestígios das câmaras de gás”. Aguardamos esse desenvolvimento com grande expectativa.
Enquanto isso, prossegue a controvérsia sobre o número de vítimas de Sobibór. Uma nota de rodapé[59] no relatório de Bem e Mazurek, de 2012, afirma que “os alemães cometeram 300.000 assassinatos aqui” — número que supera significativamente as estimativas tanto do USHMM quanto do Yad Vashem. Por outro lado, revisionistas céticos como Graf, Mattogno e Kues afirmam: “É necessário salientar que esta é apenas uma estimativa aproximada, mas consideramos provável que o número de vítimas de Sobibór esteja próximo de 10.000 mortos” (2010, p. 169). Um número de 10.000 mortos, embora ainda trágico, reduziria Sobibór a uma posição de quase insignificância na história do Holocausto e a uma virtual irrelevância na tragédia mais ampla da Segunda Guerra Mundial. Basta dizer que as evidências atualmente disponíveis favorecem decididamente os revisionistas.
Treblinka: Praticamente todas as 900.000 vítimas foram enterradas antes do início das cremações, em abril de 1943. Foram realizadas três investigações arqueológicas.
(1) Investigação soviético-polonesa (1944). Realizada logo após os russos terem capturado o campo, em agosto de 1944, essa equipe encontrou três valas comuns, com um total geral de aproximadamente 300 cadáveres. Com base nessas evidências escassas, a equipe declarou que o campo era “um gigantesco complexo industrial da morte”, uma “fábrica da morte”, e anunciou que “cerca de três milhões” de pessoas haviam morrido ali.[60] Por razões óbvias, esse estudo merece pouca credibilidade.
(2) Investigação polonesa (1945). Um ano depois, outra equipe polonesa examinou o local durante cinco dias. Restos humanos foram encontrados apenas durante as escavações de um único dia, quando se descobriu “uma grande quantidade de cinzas, bem como restos humanos [não queimados]”. Mais uma vez, uma investigação praticamente inútil do ponto de vista quantitativo.
(3) C. Sturdy Colls (2007–presente). Recentemente, uma arqueóloga britânica de pouco mais de vinte anos, Caroline Sturdy Colls, foi de alguma forma recrutada para conduzir a primeira investigação de Treblinka desde os anos da guerra. Seu trabalho, denominado a “primeira escavação da história” do campo, vem avançando lentamente há cerca de sete anos, com pouquíssimos resultados analíticos a apresentar. Ela não publicou nenhum livro sobre o assunto, nenhum artigo que quantifique os resultados e praticamente nada de substancial.[61] Seu principal objetivo parece ser produzir reportagens e “documentários” sobre o campo que promovam a interpretação tradicional.
Sturdy Colls demonstrou ser capaz de produzir resultados irrelevantes e até constrangedores. Por exemplo, em vez de escavar no local das valas comuns — convenientemente recoberto de concreto —, realizou uma pequena escavação nas proximidades, no terreno de um cemitério anterior à guerra. Encontrou… restos humanos. Um constrangimento ainda maior foi sua descoberta de um fragmento de azulejo alaranjado “com uma Estrela de Davi”. Esses azulejos, afirma ela, “são compatíveis com a idéia de que estamos na área das câmaras de gás”. Ela acrescenta que isso lhe recorda as alegações de que Estrelas de Davi eram colocadas na parte externa das câmaras de gás, para induzir as vítimas judaicas a uma falsa sensação de segurança. Na realidade, o azulejo era um produto de uma antiga empresa polonesa de cerâmica, Dziewulski i Lange. O logotipo da marca era uma estrela de seis pontas, semelhante à estrela judaica, embora sem qualquer relação com ela. Era estampado no verso dos azulejos.

E, no entanto, os meios de comunicação continuam a alardear suas descobertas como se fossem de grande importância. A organização jornalística digital LiveScience, por exemplo, publicou, em 27 de março de 2014, a seguinte manchete: “Primeira escavação da história no campo de extermínio nazista de Treblinka revela horrores”. O parágrafo inicial afirma: “As primeiras escavações arqueológicas já realizadas no campo de extermínio nazista de Treblinka revelaram novas valas comuns, bem como as primeiras evidências materiais de que esse campo possuía câmaras de gás, nas quais milhares de judeus morreram” — tudo falso, diga-se de passagem. A reportagem prossegue promovendo o novo documentário de Sturdy Colls, Treblinka: Hitler’s Killing Machine (“Treblinka: a máquina de matar de Hitler”). Como antes, o artigo não fornece absolutamente nenhuma informação concreta. A seção final, intitulada “Finding the gas chamber” (“Encontrando a câmara de gás”), inclui a seguinte afirmação: “As duas trincheiras seguintes [locais de escavação], entretanto, revelaram uma parede de tijolos e uma fundação. As câmaras de gás eram os únicos edifícios de tijolos do campo, afirmou Colls. As escavações também revelaram azulejos alaranjados que correspondiam às descrições feitas por testemunhas oculares do piso das câmaras de extermínio. De maneira arrepiante, cada ladrilho trazia estampada uma Estrela de Davi, provavelmente parte do ardil nazista destinado a fazer o edifício parecer uma casa de banhos de estilo judaico”.
Sobre a extraordinária descoberta dos alicerces da câmara de gás, não recebemos nada: nenhuma dimensão, nenhuma localização, nenhuma descrição da estrutura, nenhum mapa, nenhuma fotografia, nenhum artefato encontrado nas proximidades — nada. Quanto aos azulejos alaranjados, nenhuma menção à empresa polonesa que os fabricava muito antes da guerra. Em suma, um exemplo deplorável de pseudoarqueologia e uma reportagem risível. Mas isso é o habitual quando se trata do Holocausto.
Uma explicação melhor…
Apesar de tudo isso, alguma coisa aconteceu naqueles campos da Operação Reinhardt. Mas parece não ter sido um assassinato em massa. Se tomarmos ao pé da letra as palavras de Hitler, ele desejava expulsar os judeus das regiões controladas pelos alemães. Se esse era, de fato, seu plano, ele primeiro criaria guetos para confiná-los e, posteriormente, implantaria um sistema pelo qual pudessem ser sistematicamente deportados para as regiões mais distantes possíveis da Europa Oriental. Um plano de deportação em massa dessa natureza certamente não consistiria em transportes ferroviários improvisados; exigiria que todos os judeus fossem encaminhados através de alguns pontos de passagem previamente designados, ou campos de trânsito, para (a) eliminar os piolhos que poderiam transmitir o vírus do tifo e, em seguida, (b) encaminhá-los mais para o leste.
A localização ideal para tais campos de trânsito seria a extremidade oriental do território alemão, tal como se encontrava no final de 1941. De fato, os três campos da Operação Reinhardt estavam situados na fronteira oriental, ou nas suas proximidades, da região do Governo-Geral da Polônia ocupada — a localização perfeita para a transferência aos territórios russos recém-conquistados. De qualquer forma, os judeus teriam de desembarcar ali para trocar de trem, passando a utilizar outros que circulavam na rede ferroviária soviética, de bitola mais larga. Encaminhar os judeus por esses campos, submetê-los à desinfestação e depois transportá-los mais para o leste teria sido um procedimento lógico para uma deportação em massa dessa natureza.
Curiosamente, portanto, seria de esperar que os três campos possuíssem câmaras de gás — mas câmaras destinadas a submeter roupas e objetos pessoais a gases desinfestantes, para eliminar os piolhos transmissores de doenças. Da mesma forma, seria de esperar que os três campos possuíssem salas de banho — verdadeiras salas de banho, nas quais os recém-chegados, frequentemente imundos, pudessem lavar-se. Assim, não deveríamos surpreender-nos se pesquisadores como Kola, Haimi ou Sturdy Colls encontrassem vestígios dessas instalações. Na verdade, deveríamos esperar por isso.
O “Tubo” também faz mais sentido segundo a interpretação revisionista. As pessoas que chegavam ao campo, sujas e possivelmente infestadas de piolhos, precisariam ser colocadas inicialmente em quarentena. Em seguida, seriam conduzidas em grupos por uma passagem isolada — um tubo — até a área de desinfestação, onde tomariam banho e seus pertences seriam submetidos a um “gaseamento” com cianeto. Em seguida, seriam encaminhadas a uma área “limpa” do campo, separada da zona de quarentena destinada aos recém-chegados, onde aguardariam a transferência para o leste.
Imaginemos como tudo isso pareceria às pessoas que chegavam, cansadas, amedrontadas e enfermas: amigos e familiares eram separados delas, enviados para “onde ficam as câmaras de gás”, sem jamais retornar. Separadamente, ouviam relatos (verdadeiros) de cadáveres que estavam sendo enterrados e/ou queimados; a fumaça e o odor impregnariam todo o campo. Que conclusão poderiam tirar disso? É perfeitamente compreensível — mas inteiramente equivocada.
Devemos ter em mente que muitos judeus, sem dúvida, morreram naqueles campos. Alguns pereceram a caminho deles. Outros chegaram enfermos de tifo, morrendo logo após a chegada. Alguns provavelmente foram submetidos à eutanásia pelos alemães. Outros, certamente, foram assassinados. Considerando a ausência de crematórios nos três campos, os nazistas evidentemente esperavam apenas um número pequeno e esporádico de mortos; provavelmente presumiam que sepultamentos improvisados no próprio local seriam suficientes. Podemos facilmente imaginar que, à medida que o ritmo das deportações se acelerava, também aumentava o número de mortos. Consequentemente, em determinado momento, os sepultamentos teriam se tornado insuficientes — em momentos diferentes para cada um dos três campos. Podemos, assim, compreender a adoção de cremações limitadas em fogueiras a céu aberto, já que não havia outra alternativa.
Quantas pessoas morreram (ou chegaram mortas), segundo a tese revisionista? Já examinamos uma estimativa para Sobibór: 10.000. Quanto a Bełżec, Mattogno (2004, p. 91) afirma: “É possível inferir (…) uma ordem de grandeza de vários milhares, talvez até algumas dezenas de milhares”. De maneira um tanto arbitrária, adotemos o número de 50.000 como estimativa provisória. Isso é compatível com a posição revisionista geral segundo a qual o número real de mortos corresponde a aproximadamente 10% das estimativas convencionais. Quanto a Treblinka, os revisionistas não apresentam números explícitos. Portanto, adotemos novamente 10% de nossa estimativa tradicional, ou seja, 90.000. Em cada um dos três campos, podemos afirmar com segurança que os dados efetivos das escavações e dos estudos arqueológicos, tal como se apresentam atualmente, estão muito mais próximos dos números revisionistas do que dos convencionais. Se os historiadores especializados fossem honestos em seu trabalho, reduziriam suas estimativas para torná-las mais compatíveis com os dados efetivamente disponíveis. Aguardamos esse desenvolvimento.
Tem sido uma longa jornada esta busca pela verdade. Estamos começando a ficar fatigados; nossa atenção está diminuindo. Mas precisamos prosseguir — estão em jogo os destinos (retrospectivos) de seis milhões de pessoas. Resta apenas mais uma etapa, a última e a maior de todas: Auschwitz.
4. Auschwitz
Finalmente, chegamos a Auschwitz — o maior local de extermínio do Holocausto e a peça central de todo esse mistério de assassinatos. Cerca de um milhão de judeus morreram ali, segundo a interpretação ortodoxa, a grande maioria nas câmaras de gás. Diferentemente dos outros campos, curiosamente, este não “desapareceu”; existem numerosos vestígios materiais relevantes — estranho, pois se havia um campo que os nazistas desejariam fazer desaparecer, certamente teria sido este. Também, ao contrário dos outros campos, dispomos de testemunhas, sobreviventes, documentos, fotografias — praticamente tudo o que seria necessário para solucionar o crime.
Mas, primeiro, estabeleçamos os fatos fundamentais sobre o campo. O complexo de Auschwitz consistia em três áreas distintas: (1) Auschwitz I, também chamado Stammlager, ou campo principal; (2) Auschwitz II, mais conhecido como Birkenau; e (3) Auschwitz III, também chamado Monowitz, que era um campo de trabalho e uma instalação de processamento químico. Birkenau ficava a apenas uma milha do campo principal; Monowitz, a cerca de três milhas. Do milhão de mortes presumidas em Auschwitz, aproximadamente 98% ocorreram em Birkenau, enquanto os 2% restantes ocorreram no campo principal.[62]
O campo principal possuía um crematório; Birkenau, que era maior, possuía quatro. Ora, precisamos ser claros: não há nada de sinistro no fato de um campo de prisioneiros possuir crematórios. Qualquer instalação dessa natureza, concebida para abrigar milhares de pessoas, registrará muitas mortes — por causas naturais, quando nada mais. Os alemães sabiam disso e construíram os campos de acordo com essa realidade. Um edifício crematório necessita de fornos nos quais queimar os cadáveres e de salas que sirvam como necrotérios provisórios; estas abrigariam os corpos antes da cremação propriamente dita. Sempre que possível, os necrotérios seriam subterrâneos (por serem mais frios), mas ligados às instalações dos fornos por algum meio de transporte dos corpos. Na ausência de necrotérios subterrâneos, bastariam câmaras abertas, adjacentes à sala dos fornos.
Os historiadores especializados, entretanto, veem a questão de maneira diferente. Para eles, os crematórios nacional-socialistas eram satânicas linhas de montagem da morte, concebidas exclusivamente para o extermínio em massa dos judeus. Os judeus entravam vivos nos edifícios e saíam transformados em cinzas. Os necrotérios eram, para esses historiadores, “salas de despir” e “câmaras de gás”.
Examinemos os números um pouco mais de perto. Segundo a interpretação ortodoxa, o campo começou a matar judeus com gás em fevereiro de 1942. Naquela época, havia dois locais de gaseamento: o crematório do campo principal (“Krema 1”) e uma pequena casa rural adaptada, ou “bunker”, em Birkenau. Depois de alguns meses, acrescentou-se um segundo bunker, maior, em Birkenau. Esses três locais foram suficientes durante todo o ano de 1942.
Perto do final daquele ano, segundo nos dizem, os alemães decidiram intensificar o processo de gaseamento. Optaram por construir quatro novos crematórios em Birkenau — os Kremas 2 a 5. Todos estavam em funcionamento em junho de 1943 e suportaram a carga dos gaseamentos até o encerramento das atividades do campo.
No total, os gaseamentos prolongaram-se por cerca de 34 meses (de fevereiro de 1942 a novembro de 1944). Com base em diversas fontes convencionais, podemos estimar quantos judeus foram mortos por gás a cada mês. A tabela abaixo apresenta um cenário que corresponde aproximadamente às afirmações de nossos especialistas — embora eles jamais as exponham com tanta clareza — uma apresentação clara, ao que parece, suscita perguntas difíceis. Como sempre, se dispuserem de números melhores, suas contribuições serão bem-vindas.
Mortes em Auschwitz — Estimativas tradicionais (em milhares)
1942
| Instalação | Jan. | Fev. | Mar. | Abr. | Maio | Jun. | Jul. | Ago. | Set. | Out. | Nov. | Dez. | Total anual |
| Campo principal | 0 | 1 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 1 | 0 | 18 |
| Birkenau — bunkers | 0 | 1 | 5 | 5 | 5 | 6 | 20 | 20 | 20 | 20 | 20 | 20 | 142 |
| Birkenau — crematórios | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Totais mensais | 0 | 2 | 7 | 7 | 7 | 8 | 22 | 22 | 22 | 22 | 21 | 20 | 160 |
1943
| Instalação | Jan. | Fev. | Mar. | Abr. | Maio | Jun. | Jul. | Ago. | Set. | Out. | Nov. | Dez. | Total anual |
| Campo principal | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Birkenau — bunkers | 20 | 20 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 40 |
| Birkenau — crematórios | 0 | 0 | 3 | 10 | 11 | 14 | 15 | 15 | 15 | 14 | 14 | 14 | 125 |
| Totais mensais | 20 | 20 | 3 | 10 | 11 | 14 | 15 | 15 | 15 | 14 | 14 | 14 | 165 |
1944
| Instalação | Jan. | Fev. | Mar. | Abr. | Maio | Jun. | Jul. | Ago. | Set. | Out. | Nov. | Dez. | Total anual |
| Campo principal | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Birkenau — bunkers | 0 | 0 | 0 | 0 | 25 | 30 | 25 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 80 |
| Birkenau — crematórios | 17 | 20 | 25 | 25 | 110 | 220 | 110 | 20 | 20 | 16 | 12 | 0 | 595 |
| Totais mensais | 17 | 20 | 25 | 25 | 135 | 250 | 135 | 20 | 20 | 16 | 12 | 0 | 675 |
Mais uma vez, algumas questões chamam imediatamente a atenção. Como mencionado, os gaseamentos no campo principal são praticamente insignificantes — correspondem a 18.000 das um milhão de mortes, ou cerca de 2%. Em contrapartida, os bunkers assumem uma importância inesperada, respondendo por 262.000 mortes (26%).
Os quatro crematórios de Birkenau, entretanto, constituem o notório elemento central da história de Auschwitz. Durante seu primeiro ano de funcionamento (1943), teriam matado 125.000 judeus. Isso representa uma média de 12.500 por mês, ou 416 por dia — distribuídos entre quatro crematórios. Cada crematório, portanto, teria matado com gás, em média, cerca de cem pessoas por dia. Isso parece terrível, mas não é nada em comparação com as afirmações ortodoxas sobre câmaras de gás que matavam “2.000 pessoas de uma só vez”.[63] Mas, para atingirem esse número, os alemães teriam de acumular judeus durante vinte dias e então matá-los todos de uma só vez. Nesse caso, teria ocorrido apenas um gaseamento por mês em cada crematório. Dificilmente seria a linha de montagem da morte, de alta velocidade, que nos é apresentada.
Ainda mais impressionante é a comparação entre os números “efetivos” e as capacidades. Considerando conjuntamente as sete instalações de gaseamento (cinco Kremas e dois bunkers) e supondo uma quantidade razoável de cinco ciclos de gaseamento por dia, os alemães teriam capacidade para matar pelo menos 65.000 pessoas diariamente. “Monstruoso”, dizemos. Na verdade, pensemos nisso por um instante. Uma capacidade de 65.000 pessoas por dia equivale a quase dois milhões por mês. Nem mesmo em seus sonhos mais delirantes os alemães poderiam ter acalentado matar dois milhões de judeus num único mês, num único campo. É inconcebível que tenham planejado e executado semelhante processo. Esse fato, por si só, constitui um forte argumento contra a interpretação convencional de Auschwitz como um campo de extermínio especificamente concebido e construído para essa finalidade.
Apesar dessa monstruosa capacidade de gaseamento, durante todo o ano de 1943 eles “efetivamente” mataram com gás uma média de apenas 416 pessoas por dia: meros 0,64% da capacidade. Por que os alemães teriam construído um campo de extermínio por gaseamento com uma capacidade aproximadamente 156 vezes superior à necessária?
A situação pouco mudou durante os quatro primeiros meses de 1944; as taxas aumentaram para cerca de 720 por dia, patéticos 1,1% da capacidade. O mesmo ocorreu durante os quatro últimos meses de funcionamento, quando a taxa caiu novamente para cerca de 560 por dia (0,86%) — exigindo apenas dois gaseamentos por mês em cada Krema.
Na realidade, a única ocasião em que as coisas se desviaram desse esquema surpreendentemente modesto de gaseamentos foi durante dois meses decisivos, em meados de 1944: a “Operação Húngara”. De meados de maio a meados de julho de 1944, segundo nos dizem, os alemães transportaram cerca de 400.000 judeus húngaros para Auschwitz, a fim de serem imediatamente mortos com gás.[64] Se acrescentarmos esse número à quantidade contínua de judeus não húngaros, veremos que, durante esse período de oito semanas, os alemães teriam matado aproximadamente 450.000 judeus. Somente nessas oito semanas teriam ocorrido 45% de todas as mortes de Auschwitz. Os 55% restantes dos assassinatos estariam distribuídos pelas outras 128 semanas — uma idéia certamente impressionante.
Consideremos o pior mês de todos: junho de 1944. Temos aqui cerca de 250.000 gaseamentos ocorridos em trinta dias, ou uma média de 8.300 por dia. Dispondo de quatro Kremas e de um bunker, os alemães não teriam tido absolutamente nenhuma dificuldade. Afinal, isso representava apenas cerca de 12% de sua capacidade total. Na verdade, o minúsculo Bunker nº 2, com sua única câmara de 90 metros quadrados, poderia ter processado (900 × 5 =) 4.500 pessoas por dia, ou seja, a maior parte da demanda. Uma única câmara adicional, em qualquer outro Krema, teria sido suficiente até mesmo para a assombrosa Operação Húngara.
Na realidade, os alemães tinham, sim, um problema, e um problema enorme: a eliminação dos cadáveres. Durante os dois anos anteriores à operação húngara, Auschwitz registrou uma média de aproximadamente 16.000 mortes por mês. Inicialmente, dispunham apenas do pequeno Krema 1 para queimar os corpos. Este não conseguia acompanhar o ritmo, de modo que os cadáveres excedentes eram enterrados e, posteriormente, exumados e queimados em fogueiras a céu aberto — uma história que já nos é familiar, com todas as dificuldades que a acompanham. Quando os quatro novos Kremas entraram em funcionamento, conseguiram dar conta da tarefa.[65]
Curiosamente, porém, a capacidade de cremação dos Kremas apresentava uma enorme discrepância em relação à capacidade de gaseamento. Os cinco Kremas possuíam, ao todo, 52 “muflas”, ou aberturas para a introdução dos corpos nos fornos. Cada mufla podia queimar, em média, um cadáver adulto por hora.[66] Admitindo que 20% das vítimas fossem crianças, podemos supor uma média prática de 1,2 corpo por hora. O campo inteiro, portanto, poderia cremar aproximadamente (52 × 1,2 × 20 =) 1.248 corpos por dia.[67] Comparemos agora esse número com a capacidade de gaseamento de 65.000 pessoas por dia. Se o campo tivesse realmente sido concebido como um campo de extermínio de grande capacidade, certamente os dois números seriam aproximadamente equivalentes. Em vez disso, encontramos “câmaras de gás” em quantidade muito superior à necessária e um número excessivamente pequeno de muflas nos crematórios. Mais um argumento contra a interpretação convencional.
As coisas mudaram durante as oito semanas da Operação Húngara. Os Kremas já estavam funcionando em sua capacidade máxima, processando conjuntamente cerca de mil corpos por dia. Mas estavam sendo produzidos 8.300 cadáveres diariamente. Isso deixava o espantoso número de 7.300 cadáveres por dia para serem queimados em fogueiras a céu aberto.[68] É desnecessário dizer que a logística de semelhante operação teria sido insuperável:
- Somente algumas centenas de corpos poderiam ser empilhadas e queimadas de cada vez. Teriam sido necessárias quinze ou vinte fossas de incineração funcionando simultaneamente, dia e noite.
- Necessidade de quantidades imensas de madeira: mais de um milhão de quilos (1.200 toneladas) por dia.
- Produção de enormes quantidades de cinzas: mais de 60.000 quilos (67 toneladas) por dia, cerca de 160 metros cúbicos, que precisariam ser peneirados à procura de dentes e ossos.
- Eliminação das cinzas: segundo nossos especialistas, todas essas cinzas foram descartadas nas imediações do campo. E, no entanto, atualmente não temos absolutamente nenhuma evidência da existência de cinzas remanescentes.
- Produção de enormes quantidades de fumaça: isso teria sido extremamente problemático, pois não apenas revelaria o que estava acontecendo no campo, como também seria claramente visível aos aviões aliados que sobrevoavam a região.
Este último ponto merece um exame mais aprofundado. Com todos os crematórios funcionando a plena capacidade e cerca de quinze ou vinte fogueiras em fossas a céu aberto ardendo ininterruptamente, o campo teria ficado envolto em fumaça — fumaça facilmente visível do ar. Nesse aspecto, temos sorte: os Aliados tiraram duas fotografias aéreas de Auschwitz durante a Operação Húngara, e os alemães tiraram outra por conta própria. Dispomos, portanto, de três fotografias de alta qualidade para analisar.[69] O que mostram elas?
Fotografia nº 1 (31 de maio): Esta fotografia dos Aliados mostra os quatro crematórios de Birkenau, sem o menor indício de fumaça proveniente de qualquer um deles. Vemos, contudo, uma única e tênue coluna de fumaça saindo de trás do Krema 5; evidentemente, provinha de uma única e pequena fogueira numa fossa.

Fotografia nº 2 (8 de julho): Esta fotografia alemã mostra novamente um único fio de fumaça proveniente do mesmo local. Nenhuma fumaça dos crematórios e nenhuma outra fumaça em qualquer parte do campo.

Fotografia nº 3 (26 de junho): A mais comprometedora de todas: esta fotografia dos Aliados, tirada precisamente no auge da Operação Húngara, não mostra fumaça dos Kremas, nem das fossas — na verdade, não mostra fumaça alguma. Não mostra multidões de judeus chegando, nem filas de vítimas sendo conduzidas às câmaras de gás, nem qualquer sinal de assassinatos em massa… nada além de um campo de prisioneiros calmo e tranquilo, num límpido dia de verão.

Parece que, quanto mais informações obtemos e quanto mais indícios se acumulam, mais frágil se torna a narrativa tradicionalista.
Há muitas outras deficiências na história de Auschwitz, que aqui podemos mencionar apenas de passagem:
- O Krema 1 do campo principal — aquele que é mostrado a todos os turistas — foi significativamente “reconstruído”. Um exasperado fundamentalista francês exclamou: “Tudo ali é falso”. O local apresenta aos visitantes uma imagem profundamente enganosa.
- As “câmaras de gás” subterrâneas dos Kremas 2 e 3 exigiam que os cadáveres fossem elevados até o nível térreo, onde se encontravam as muflas. Para isso, os alemães projetaram um pequeno elevador de carga, capaz de transportar de dez a quinze corpos por vez. Assim, teriam sido necessárias mais de duzentas viagens do elevador para esvaziar a câmara. Isso seria inteiramente impraticável, caso se pretendesse utilizá-la num processo rápido de assassinato em massa.
- Os julgamentos de Nuremberg não apresentaram um único documento alemão sobre as câmaras de gás de Auschwitz.
- Jamais foi realizada uma autópsia num cadáver de Auschwitz que confirmasse a morte por gás cianídrico.
- Os sobreviventes judeus de Auschwitz fizeram numerosas afirmações extravagantes, impossíveis e contraditórias sobre o campo; elas, por si sós, poderiam preencher um livro inteiro.
- Os supostos métodos de gaseamento são amadores e ridículos: grânulos espalhados sobre as cabeças das vítimas (Krema 1), introduzidos por uma abertura numa parede lateral (Kremas 4 e 5 e ambos os bunkers) ou baixados numa pequena gaiola metálica através do teto (Kremas 2 e 3). Havia meios muito mais profissionais, como o dispositivo que os alemães instalaram em suas câmaras de desinfestação com Zyklon em Dachau.
- Os Kremas 4 e 5, bem como ambos os bunkers, não possuíam sistemas de ventilação. Sem eles, não haveria maneira de remover o gás letal das câmaras antes da retirada dos cadáveres.
- Nas ruínas dos Kremas 2 e 3, não há evidências nem das aberturas no teto nem dos dispositivos metálicos em forma de gaiola destinados ao Zyklon.
- Dois experientes pesquisadores revisionistas, Fred Leuchter e o químico Germar Rudolf, examinaram separadamente amostras das paredes da câmara do Krema 2, procurando resíduos de cianeto. Ambos encontraram concentrações extremamente baixas, muito inferiores às esperadas numa câmara de gás homicida.[70]
- Os registros das quantidades de coque (combustível) fornecidas aos crematórios do campo seriam suficientes para apenas cerca de 10% do número alegado de vítimas.
Por fim, deparamos novamente com a seguinte pergunta: quantos judeus morreram em Auschwitz, segundo a interpretação revisionista? Robert Faurisson sugeriu o número de 150.000. Mattogno e Graf defendem um número menor, 136.000. Adotemos 140.000 como estimativa revisionista intermediária. Mais uma vez, esse número está muito mais de acordo com as evidências efetivamente descobertas até o momento.


QUEM FOI O CULPADO?
Talvez estejamos agora prontos para extrair algumas conclusões sobre esse grande mistério de assassinato chamado Holocausto. Construamos um relato racional e plausível do que aconteceu aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Todas as evidências sugerem que Hitler foi fiel à sua palavra: que sua política judaica consistia no Ausrottung (“ex-termínio”), isto é, na remoção forçada de milhões de judeus dos territórios que a Alemanha desejava ocupar. Se muitos morressem durante o processo, tanto pior para eles. Como povo, eram culpados de incitar ambas as guerras mundiais e, especialmente, a traiçoeira Revolução Alemã de novembro de 1918.[71] Por meio de seu predomínio no governo de Weimar, de sua incessante promoção de valores grosseiros, decadentes e materialistas, de sua representação desproporcional nos meios de comunicação, no direito e nas finanças e, talvez acima de tudo, de seu controle malévolo sobre a Rússia bolchevique, os judeus constituíam uma ameaça mortal ao bem-estar alemão. Quaisquer infortúnios que lhes sobreviessem durante as deportações eram, na perspectiva de Hitler, plenamente merecidos. Mas ele jamais desejou, nem jamais ordenou, seu assassinato em massa.
A primeira fase desse processo, a concentração em massa nos guetos, foi suficiente durante quase dois anos. Ao longo desse período, talvez 100.000 judeus tenham morrido, a maioria por causas naturais. A concentração acabou provocando um aumento dos casos de tifo e de outras doenças transmissíveis, razão pela qual os alemães implantaram um rigoroso sistema de desinfestação: raspavam os cabelos e pelos dos internos, submetiam-nos a banhos e tratavam seus pertences com gás cianídrico. Esse procedimento nem sempre foi bem-sucedido; muitos outros milhares morreram durante o transporte ou nos diversos campos de concentração em que foram temporariamente internados.
A segunda fase consistiu no processo efetivo de remoção, em trens que seguiam para o leste. Chełmno, Bełżec, Sobibór e Treblinka eram estritamente campos de trânsito, concebidos para servir como pontos de transferência na remoção sistemática dos judeus do Reich e em sua mobilização para o esforço de guerra. Com o passar do tempo, esses campos acumularam vários milhares de cadáveres; em conjunto, os quatro campos tiveram de lidar com talvez 150.000 judeus mortos, que pereceram por diversas causas — mas nenhum por gaseamento, segundo a interpretação revisionista. Majdanek e Auschwitz eram, ambos, campos de trânsito e de trabalho. O primeiro registrou quase 30.000 mortes, e o segundo, talvez 140.000 — em ambos os casos, a maioria causada pelo tifo e por outras doenças.
Não examinamos os “outros campos” que, segundo a interpretação ortodoxa, responderam por cerca de 400.000 mortes de judeus. Presumivelmente, eles incluiriam lugares tão tristemente célebres quanto Dachau e Buchenwald, além de campos menos conhecidos, como Mauthausen, Sachsenhausen e Stutthof. Esses cinco campos, que registraram alguns dos maiores números totais de mortos, à exceção dos seis campos de “extermínio”/trânsito, contabilizaram um total de 194.000 mortes.[72] A porcentagem de judeus nesses campos, entretanto, era relativamente baixa. Portanto, contribuíram pouco para o número total de judeus mortos.
O Exército alemão, em seu avanço para o leste, teve de enfrentar uma insurgência implacável nas regiões conquistadas, grande parte dela conduzida por combatentes judeus. Ao mesmo tempo, numerosas populações locais da Europa Oriental aproveitaram a oportunidade proporcionada pela invasão alemã para desencadear seus próprios pogroms antijudaicos — frequentemente envolvendo civis inocentes, infelizmente. No total, talvez outros 150.000 judeus tenham morrido durante esse processo de aproximadamente dois anos e meio. Mas as provas materiais desses assassinatos são tão escassas que mesmo esse número pode constituir uma superestimativa.
No total, portanto, parece provável que aproximadamente 570.000 judeus tenham morrido durante toda a Segunda Guerra Mundial. Podemos chamar isso de “holocausto”, se quisermos, embora tal designação implique atribuir uma condição especial às vítimas judaicas e, consequentemente, diminuir a importância dos mais de cinquenta milhões de vítimas não judaicas. O número de “seis milhões” sempre foi simbólico, jamais fundamentado na realidade factual. Talvez essa quantidade de judeus tenha sido deslocada durante a guerra, expulsa à força de seus países de origem, aos quais jamais retornaria. Seis milhões de refugiados, talvez; seis milhões de mortos, jamais.
O número tradicional de seis milhões de mortos parece, portanto, ter sido uma superestimativa carregada de drama e desprovida de fundamento. O número mais provável — cerca de 570.000 — corresponde a menos de 10% disso. Trata-se de uma conclusão chocante. Será realmente possível que nossos historiadores especializados tenham cometido erros tão grotescos? Sem dúvida alguma, sim. Já vimos um exemplo disso em Majdanek. Esse campo atraiu a atenção mundial com afirmações “autorizadas” de que 1,5 milhão de pessoas haviam sido mortas ali. Ainda em 1986, especialistas estimavam em 1,38 milhão o número de judeus mortos naquele local. Atualmente, o curador do museu do campo afirma que houve apenas 59.000 mortes — uma redução de 96%.
Um segundo exemplo vem do próprio campo de Auschwitz. Antes de 1990, todas as fontes autorizadas sustentavam que o campo havia registrado um total de quatro milhões de mortes (judeus e não judeus). Em 17 de julho daquele ano, o Washington Times anunciou: “Polônia reduz para um milhão a estimativa de mortos em Auschwitz”.[73] Praticamente da noite para o dia, e sem grande alarde, o mais tristemente célebre dos campos de extermínio viu seu número estimado de mortos ser reduzido em 75%. Acontece, porém, que a redução ocorreu quase exclusivamente nos números referentes aos não judeus — que despencaram mais de 90%. Foi mais um exemplo dramático de como os especialistas estiveram significativamente equivocados durante décadas.
Como terceiro exemplo, consideremos outro grupo supostamente perseguido por Hitler: os homossexuais. Em 1975, o NYT noticiou que “quase um quarto de milhão de homossexuais foram executados pelos nazistas entre 1937 e 1945” (10 de setembro, p. 45). Seis anos depois, Rector (1981, p. 116) escreveu: “Parece razoável concluir que pelo menos 500.000 homossexuais morreram no Holocausto em consequência do preconceito anti-homossexual, que, por sua vez, conduziu a uma política nazista de genocídio dos homossexuais”. “Na realidade”, acrescenta ele, “500.000 pode ser uma estimativa excessivamente conservadora”. Atualmente, entretanto, Grau (1998, p. 140) admite o seguinte: “Um exame das estatísticas dos julgamentos do Terceiro Reich (…) revela que esses números são enormemente exagerados”. Apresentando números concretos, Novick (1999, p. 223) afirma: “O número real de homossexuais que morreram ou foram mortos nos campos parece situar-se em torno de cinco mil, podendo, concebivelmente, chegar a dez mil”. Mais um desenvolvimento surpreendente. Vemos aqui uma queda de uma estimativa “conservadora” de 500.000 para talvez 5.000 — os números reais correspondendo agora a meros 1% das estimativas anteriores. Assim, não deveríamos ficar excessivamente surpresos se o número total de judeus mortos acabasse sendo reduzido em 90% ou mais. Diante dos fatos, isso parece inevitável.
A RESPOSTA DOS ESPECIALISTAS
O caso está praticamente encerrado. Os fatos já estão apurados, e qualquer observador racional e imparcial provavelmente chegaria às seguintes conclusões: (1) o número de “seis milhões” constitui uma enorme superestimativa, por um fator de dez ou mais; (2) as supostas câmaras de gás homicidas foram utilizadas com muito menos frequência do que se costuma apresentar — e talvez nunca tenham sido utilizadas; (3) os dados são muito mais compatíveis com a tese da deportação do que com a tese do assassinato em massa; (4) houve um esforço coordenado de historiadores profissionais e de outras pessoas para encobrir fatos inconvenientes, mentir e evitar a discussão dos numerosos aspectos problemáticos da narrativa do Holocausto; e (5) o público foi e tem sido repetidamente enganado e manipulado por uma imagem falsa do sofrimento judaico.[74]
Pelo menos, é assim que a questão se apresenta de um ponto de vista objetivo. Ainda assim, os fundamentalistas se mostram obstinados. Defendem tenazmente a narrativa convencional. Talvez tenhamos demonstrado confiança excessiva em nossos resultados. Será que eles, porventura, dispõem de uma boa resposta às questões levantadas acima?
Mais uma vez, é difícil afirmá-lo com certeza, porque nossos historiadores especializados geralmente evitam discutir essas questões. Ocasionalmente, porém, sentem-se compelidos a responder. Examinemos duas tentativas recentes.
Em primeiro lugar, temos o livro Lying about Hitler (“Mentindo sobre Hitler”), de Richard Evans (2002). Historiador da Universidade de Cambridge, Evans publicou mais de uma dúzia de livros sobre a Alemanha e o Terceiro Reich. A ocasião que motivou esse livro específico foi o julgamento de David Irving, no qual Evans prestou depoimento como especialista em favor da ré, Deborah Lipstadt — ela própria uma defensora combativa da ortodoxia.[75]
No capítulo 4 do livro — “Irving e o negacionismo do Holocausto” —, Evans procura resumir e refutar o ponto de vista revisionista, com o objetivo final de demonstrar que Irving é um negacionista. Para isso, Evans precisa definir o “negacionismo do Holocausto”, demonstrar que está errado e provar que Irving o defendia.
Quanto à primeira tarefa, Evans realiza um trabalho razoável. Propõe quatro pilares do negacionismo: (1) menos de seis milhões de judeus foram mortos; (2) as câmaras de gás não foram utilizadas em grande escala; (3) a intenção dos nacional-socialistas era a deportação, e não o assassinato em massa; e (4) a narrativa do Holocausto é “um mito inventado pela propaganda aliada”, e “as supostas evidências (…) foram fabricadas após a guerra” (pp. 118–119). Podemos concordar com os três primeiros pontos, mas o último não é defendido por nenhum revisionista dos últimos vinte anos, aproximadamente.[76]
Evans passa então a examinar o movimento revisionista, empregando o repertório habitual de expedientes enganosos. Primeiramente, espalha generosamente por seu texto ataques ad hominem e outras difamações, começando pelo emprego abundante do termo “negacionista”. Esses negacionistas, afirma ele, “habitam um mundo intelectual (…) muito distante da racionalidade cautelosa da investigação histórica acadêmica. O que parecia movê-los era uma estranha mistura de preconceito político e amargas experiências pessoais” (p. 114) — embora seja lícito perguntar como Evans sabe dessas coisas. Tais negacionistas oferecem “uma espécie perversa de entretenimento”, algo que pertence “àquilo que alguns denominaram um estilo paranoico de escrita histórica” (p. 117). Os negacionistas vivem numa espécie de mundo de fantasia; afirmam “que praticamente nada daquilo que [os sobreviventes] haviam sofrido jamais aconteceu” (pp. 117–118). Mais uma hipérbole de Evans; nenhum revisionista sério afirmou que “nada aconteceu” aos judeus ou que eles não sofreram enormemente. Mas ele prossegue: “Boa parte [dos escritos revisionistas] parecia estar ligada ao ódio racial e à animosidade antissemita da maneira mais direta possível”. Outra afirmação falsa e, de modo revelador, ele não apresenta citações nem quaisquer provas que sustentem essa acusação. Em suma, afirma Evans, devemos ter cuidado com o “mundo estranho e irracional do negacionismo do Holocausto” (p. 119).
Em seguida, Evans apresenta uma breve relação de revisionistas proeminentes. Mas, fiel ao seu procedimento habitual, oferece uma visão inteiramente enganosa desse campo de estudos. Examina cinco indivíduos: Paul Rassinier, Austin App, Wilhelm Stäglich, Arthur Butz e Robert Faurisson. Certamente esses homens foram importantes no desenvolvimento inicial das idéias revisionistas, mas atualmente apenas Butz e Faurisson continuam ativos — Faurisson de maneira notável para um homem de 85 anos. Os demais são, em grande parte, figuras históricas. Rassinier morreu em 1967, App em 1984 e Stäglich em 2006. Butz está vivo e bem — e continua sendo professor da Universidade Northwestern —, mas suas atividades no movimento revisionista diminuíram um pouco em comparação com o passado. Sua principal contribuição foi The Hoax of the Twentieth Century (“A fraude do século XX”), publicado originalmente em 1976.[77]
Tudo isso seria perfeitamente aceitável se Evans passasse, em seguida, a examinar os representantes contemporâneos do movimento e a citar suas obras. Mas não é isso que faz. Prefere concentrar a atenção nas fontes mais antigas e menos relevantes, nos argumentos mais fracos e nos indivíduos de menor relevância atual. Em contrapartida, nossa investigação enfatizou as fontes mais recentes, os argumentos mais fortes e os principais pesquisadores atualmente ativos nesse campo. Esse é a único modo de chegar a uma conclusão justa sobre o maior crime do século passado.
Para sermos claros: nas últimas três décadas, um trabalho revisionista acadêmico sério foi realizado por apenas um punhado de indivíduos. No topo da lista, incluiríamos homens como Carlo Mattogno, Germar Rudolf, Jürgen Graf, Thomas Kues, Friedrich Berg e Samuel Crowell.[78] Dentre eles, Mattogno é o mais prolífico, tendo escrito ou participado da redação de mais de uma dúzia de livros somente nos últimos dez anos. Seus trabalhos mais recentes, juntamente com os de vários outros pesquisadores, são publicados na revista eletrônica Inconvenient History.[79] Os livros recentes mais importantes são publicados na série intitulada Holocaust Handbooks (“Manuais do Holocausto”), que atualmente conta com 28 volumes.[80] As melhores obras de síntese são Lectures on the Holocaust (“Conferências sobre o Holocausto”), de Rudolf (2010), e Debating the Holocaust (“Debatendo o Holocausto”), de Dalton (2009). Para um exame um pouco mais detalhado, mas ainda abrangente, de todas as principais questões, consulte-se a coletânea organizada por Rudolf, Dissecting the Holocaust (“Dissecando o Holocausto”) (2003).





Podemos verificar facilmente a honestidade de uma crítica tradicionalista observando quantos dos nomes e das fontes acima ela menciona. Sem surpresa, Evans fracassa miseravelmente. Numa omissão que certamente não foi acidental, seu capítulo consegue ignorar completamente todos os nomes mencionados acima. Na única exceção de menor importância, dois nomes — Mattogno e Berg — aparecem, sem comentários, em três notas de rodapé (p. 297), mas apenas em referência aos seus trabalhos publicados mais antigos, da década de 1980. Para um historiador de Cambridge, isso é inteiramente inaceitável. Evans ou é ridiculamente ignorante a respeito de seu objeto de estudo, ou está deliberadamente desinformando o leitor ao excluir praticamente todas as informações mais relevantes. De qualquer modo, sua credibilidade é quase nula.

Além de seus ataques ad hominem e de sua apresentação distorcida do revisionismo, Evans emprega uma terceira tática habitual: o silêncio sobre as questões fundamentais em discussão. Por exemplo, nada nos diz sobre a longa e desacreditadora história do número de “seis milhões”; nada sobre o verdadeiro significado de palavras alemãs fundamentais, como Ausrottung e Vernichtung; nada sobre o que Hitler efetivamente disse a respeito dos judeus; nada sobre os planos de deportação, como os de Nisko e Madagascar; nada sobre as fotografias aéreas de Auschwitz; e nada sobre a ausência de cadáveres ou restos mortais em praticamente todas as etapas do Holocausto.
Curiosamente, ele aborda brevemente a questão decisiva dos gaseamentos com motores a diesel — embora forneça apenas uma indicação das dificuldades envolvidas. Evans escreve: “Irving também negou que motores a diesel pudessem ser utilizados em operações de extermínio. ‘Esses motores’, afirmou ele [Irving], ‘emitem dióxido de carbono não letal e apenas quantidades ínfimas de monóxido de carbono tóxico’” (p. 131).
Verdade, como já vimos. A resposta de Evans? Nenhuma. Ele declara, com arrogante superioridade, que o argumento de Irving é “falacioso e derivativo” (p. 132), e encerra a questão. Na realidade, isso é bastante comum entre os historiadores ortodoxos. Quando são obrigados a discutir uma questão inconveniente, mencionam-na muito brevemente, consideram-na falsa, explícita ou implicitamente, e depois a abandonam.
Por fim, uma quarta tática: a argumentação do espantalho. O último pilar do “negacionismo”, segundo Evans, é a afirmação de que o Holocausto constitui um “mito” e de que as provas foram “fabricadas”. Ele desenvolve o argumento: “Ao examinar os trabalhos de negacionistas do Holocausto como Arthur Butz, ficava mais do que claro que eles desejavam que seus leitores acreditassem que todas as evidências do Holocausto haviam sido fabricadas” (p. 137). Mais adiante, refere-se à “posição comum dos negacionistas do Holocausto segundo a qual as evidências do Holocausto foram fabricadas” (p. 148). Essas afirmações são inteiramente falsas. Como mencionado anteriormente, a alegação de “fabricação” não constitui um aspecto fundamental de nenhuma obra revisionista importante da atualidade. Transforma-se, portanto, num espantalho: Evans apresenta um argumento que os revisionistas não defendem, refuta-o e então declara vitória. Trata-se de uma falácia lógica clássica. O fato de Irving — que não é um revisionista sério do Holocausto — ter feito duas ou três observações irrefletidas não autoriza Evans a difamar indiscriminadamente os verdadeiros revisionistas.
Para esclarecer a questão, é necessário fazer aqui três observações. Em primeiro lugar, em toda a nossa investigação precedente, e nas numerosas questões relativas aos guetos, aos fuzilamentos e aos campos, nem uma única vez nos apoiamos na alegação de que as evidências haviam sido fabricadas. Esse fato, por si só, é suficiente para rejeitar a acusação de Evans. Em segundo lugar, existem, de fato, casos de adulteração de provas, e estes não podem ser negados. A câmara de gás do campo principal de Auschwitz (Krema 1) foi substancialmente modificada, como admitem até mesmo os tradicionalistas; “tudo ali é falso”. A câmara de gás de Dachau também foi significativamente modificada, e talvez até construída, depois da guerra.[81] Os depoimentos de nacional-socialistas em Nuremberg, obtidos mediante maus-tratos e tortura, constituem casos de manipulação de testemunhas. Certas cartas fundamentais referentes aos caminhões de gás parecem ser falsificações. E aberturas no teto das ruínas do Krema 2, em Auschwitz, “apareceram” misteriosamente nos últimos anos. Mas essas são exceções. A grande maioria dos argumentos revisionistas nada tem a ver com a fabricação de provas. Em terceiro lugar, vimos indícios de que os historiadores ortodoxos — incluindo o próprio Evans — enganam ativamente o leitor. Essa é mais uma técnica habitual dos fundamentalistas: atribuir falsamente aos adversários as mesmas práticas nefastas que eles próprios empregam.
O único ponto de menor importância que se pode apresentar em defesa de Evans é que seu livro foi publicado em 2002, antes das numerosas e importantes obras revisionistas dos últimos dez anos. Mas o mesmo não se pode dizer de Deborah Lipstadt. Professora de teologia e judia sionista, Lipstadt há muito se apresenta como especialista no Holocausto e no negacionismo do Holocausto. Em 2010, publicou um capítulo intitulado “Denial” (“Negação”) na conceituada obra da Oxford University Press, Oxford Handbook of Holocaust Studies (“Manual Oxford de Estudos sobre o Holocausto”). O livro é um volumoso compêndio de 776 páginas, dedicado a todos os aspectos do Holocausto. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, esperaríamos encontrar um tratamento racional, lógico e desinteressado das numerosas questões problemáticas.
Mais uma vez, ficamos decepcionados. Logo na primeira frase, Lipstadt consegue empregar não uma, nem duas, mas três falácias argumentativas. Os “negacionistas” (difamação) são liderados por um pequeno grupo de homens, entre os quais “Faurisson, Butz e Irving” (nomes enganosamente escolhidos), que “disseminam a idéia de que o Holocausto (…) jamais aconteceu” (espantalho e mentira descarada). Um começo pouco promissor, sem dúvida.
Em seguida, ela apresenta uma lista de doze pontos supostamente comuns a todos os negacionistas. Destes, apenas cinco são legítimos e relevantes: (1) não ocorreu nenhum genocídio; (2) não existiram câmaras de gás homicidas; (3) o número de judeus mortos foi muito inferior a seis milhões; (4) existem explicações não sinistras para muitas questões, incluindo a utilização do Zyklon contra o tifo e o fato de que ausrotten significa “desenraizar”; e (5) os julgamentos de Nuremberg constituíram um “tribunal dos vencedores”, no qual se empregou a tortura para extrair falsas confissões. Alguns de seus outros pontos são verdadeiros, mas amplamente irrelevantes para a argumentação revisionista: os judeus estiveram envolvidos na instigação da guerra; a Rússia era o verdadeiro inimigo do Ocidente; os judeus participaram da insurreição antialemã; e as equipes de investigação dos Aliados vencedores e dos norte-americanos “continham uma preponderância de judeus”. Seus pontos restantes incluem numerosas outras acusações enganosas e fraudulentas.[82]
A maior parte de seu texto concentra-se nas “táticas dos negacionistas”. A lista abaixo resume essas táticas e apresenta algumas respostas evidentes.
- Os negacionistas frequentemente recorrem a “equivalências imorais”, isto é, minimizam a perseguição dos judeus pelos alemães sob o argumento de que todos os participantes da guerra cometeram atrocidades. (Irrelevante para o mistério do Holocausto e para os argumentos revisionistas.)
- “Os negacionistas apresentam-se como acadêmicos empenhados numa busca racional da verdade histórica” (p. 563). (Verdadeiro e correto. Não está claro por que isso constituiria um problema — exceto pelo fato de tornar muito mais difícil o trabalho de ortodoxos como Lipstadt.)
- Os testemunhos dos sobreviventes “são ignorados, desacreditados ou rejeitados, a menos que possam ser interpretados como indícios de que o Holocausto não aconteceu”. (Parcialmente verdadeiro. Testemunhos extravagantes, contraditórios ou manifestamente falsos são desconsiderados. Alguns testemunhos são úteis, mas devem sempre ser submetidos a exame crítico. Em nenhum caso os testemunhos são utilizados para sustentar a idéia de que o Holocausto “não aconteceu”.)
- “Os negacionistas recorrem à obscuridade verbal”, por exemplo, quando discutem o significado de “solução final” ou “tratamento especial”. (Não constitui “obscuridade” fazer referência às palavras efetivamente empregadas pelos alemães e examinar seus verdadeiros significados no contexto. É digno de nota que ela não mencione aqui os problemas relativos a ausrotten e vernichten.)
- Pequenos erros nos testemunhos dos nacional-socialistas ou dos sobreviventes são utilizados para desacreditar o testemunho inteiro. (Falso; cada afirmação específica deve ser examinada segundo seus próprios méritos. Entretanto, uma declaração que contenha mesmo uma única falsidade flagrante deve imediatamente suscitar a suspeita de conter outras falsidades.)
- Os negacionistas buscam exonerar os principais dirigentes nacional-socialistas, atribuindo o assassinato dos judeus a elementos insubordinados do Exército ou a aliados da Alemanha. (As mortes de judeus decorreram de uma grande variedade de causas — nenhuma delas proveniente de ordens explícitas da cúpula dirigente. Chamem isso de “exoneração”, se quiserem.)
- Em relação ao ponto anterior, os negacionistas enfatizam que ninguém encontrou uma ordem de Hitler para o assassinato em massa, nem sequer uma referência a semelhante ordem. (Verdadeiro, e trata-se de um fato significativo. Lipstadt procura afastar essa questão inconveniente afirmando que “historiadores respeitáveis raramente fundamentam suas conclusões na existência, muito menos na ausência, de um único documento” [p. 566]. Mas nenhum revisionista jamais fundamentou sua tese exclusivamente nesse fato. Ele é apenas um entre muitos que apontam para a deportação em massa, e não para o assassinato em massa.)
- As ruínas do Krema 2 de Auschwitz não apresentam vestígios das aberturas no teto pelas quais os nazistas teriam introduzido os grânulos de Zyklon. Sem essas aberturas, não teria ocorrido assassinato em massa em Birkenau. E refutar o assassinato em massa em Auschwitz solaparia toda a narrativa do Holocausto. Daí a famosa frase de Faurisson: “No holes, no Holocaust!” (“Sem buracos, sem Holocausto!”) (Verdadeiro, e mais um fato difícil para Lipstadt e seus colegas. Ela afirma conhecer “uma grande variedade de evidências que atestam sua existência e localização”. Aponta para uma fotografia aérea que supostamente mostra alguma coisa no telhado do Krema 2 e para uma fotografia tirada do solo que mostra “chaminés” em construção, mas essas imagens não comprovam sua tese. No fim das contas, permanece o fato obstinado: se existissem aberturas no teto do Krema 2, quase certamente haveria hoje alguma evidência material. Mas não há nenhuma.)
O texto de Lipstadt termina com uma discussão inútil sobre o “fraudulento” diário de Anne Frank e uma breve recapitulação do julgamento de Irving.
Podemos, assim, observar aqui os mesmos expedientes enganosos encontrados no livro de Evans. Abundam os ataques ad hominem: os revisionistas são “negacionistas”, “antissemitas” e “racistas”. Há uma apresentação enganosa do revisionismo e de seus principais representantes: nenhuma menção a Mattogno, Rudolf, Graf, Kues ou Berg, nem a qualquer uma de suas numerosas e importantes publicações até 2010. Há silêncio sobre muitas das mesmas questões fundamentais: nada sobre os “seis milhões”, as palavras efetivamente pronunciadas por Hitler, os planos de deportação, as fotografias aéreas incriminadoras ou a flagrante ausência de cadáveres e restos mortais. E há argumentos de espantalho: a ênfase na “fraude”, no “mito”, na fabricação de provas e na idéia de que “o Holocausto jamais aconteceu”.
Infelizmente, os leitores que não conhecem bem esse grande mistério de assassinato não perceberão essas falácias. Literalmente, não sabem o que lhes está sendo omitido. E, uma vez que os fundamentalistas detêm um monopólio absoluto sobre os principais meios de comunicação e o mundo acadêmico, seus expedientes enganosos permanecem em grande medida impunes. Somente o investigador raro e intrépido se aprofundará suficientemente no mistério do Holocausto para aproximar-se da verdade — ou escapar dos enganos. Mas, quando isso acontecer, será amplamente recompensado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O controle das idéias e as restrições à liberdade de pensamento são fundamentais para o êxito da narrativa tradicional. O leitor não deve alimentar ilusões quanto à extensão desse controle. O mercado editorial, por exemplo, é notório nesse aspecto. As editoras convencionais não se aproximarão de nenhum livro que apresente sequer um vestígio de idéias revisionistas. E, no entanto, os historiadores ortodoxos parecem dispor de oportunidades de publicação inesgotáveis. Como prova desse fato, observamos que uma pesquisa na Amazon.com por livros em inglês sobre o Holocausto, publicados apenas desde o ano 2000, apresenta 10.130 títulos — aproximadamente dois lançamentos por dia. E não se trata apenas de livros. Filmes sobre o Holocausto e filmes antinazistas são produzidos com regularidade mecânica. As reportagens jornalísticas são rotineiramente entremeadas de referências ao assunto. Crianças em idade escolar e estudantes universitários são regularmente doutrinados com idéias falsas, enganosas e favoráveis aos interesses daqueles que as promovem. Os dirigentes governamentais desdobram-se para apaziguar o lobby do Holocausto e apressam-se em realizar as visitas obrigatórias a Israel e ao museu Yad Vashem, ali localizado.
A internet proporcionou algum alívio em relação à narrativa tradicional opressiva, mas nem mesmo ali tudo vai bem. Consideremos a Wikipédia — “a enciclopédia livre que qualquer pessoa pode editar”, como afirmam. Entretanto, páginas “particularmente sensíveis” são consideradas “protegidas”. Evidentemente, todas as páginas relativas ao Holocausto pertencem a essa categoria. Convida-se o leitor a tentar modificar as páginas “Holocausto” ou “Negacionismo do Holocausto”, incluindo quaisquer dos nomes, fontes ou questões relevantes mencionados anteriormente. As alterações permanecerão visíveis por algumas horas, no máximo. Em algum momento, uma função automática de “restauração” será ativada, apagando todas as edições não autorizadas. Eis o que resta da liberdade na internet.
Na Grécia antiga, Sócrates tornou-se conhecido como um homem sábio que continuamente formulava perguntas incômodas e inconvenientes. Por fim, isso lhe custou a vida. Mas sua sociedade, e toda a história posterior, colheram uma recompensa incomensurável de seus esforços corajosos e incansáveis. Podemos agir da mesma maneira. A vida de Sócrates pode servir de modelo para a nossa. Podemos formular perguntas difíceis, desmascarando a corrupção e a ignorância daqueles que detêm o poder. Podemos desafiar aqueles que manipulam a história em benefício próprio. Podemos denunciar aqueles que mentem para obter vantagens pessoais em riqueza e poder. Como Sócrates, talvez tenhamos de pagar um preço. Mas, assim como aconteceu com ele, nossos esforços acabarão sendo recompensados. Dessa forma, a sociedade em geral poderá ainda solucionar o maior mistério de assassinato do século passado.
O “Holocausto” foi realmente um grande crime. Mas a justiça não foi feita. Somente mediante uma busca incansável da verdade poderemos alcançar a reconciliação, punir os mentirosos, manipuladores e impostores, pugar a culpa do passado e seguir em frente como nações civilizadas. Nosso futuro depende disso.
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[1] Por exemplo, o rabino Abraham Cooper (2012) afirmou recentemente o seguinte: “Nenhum crime nos anais da história foi tão bem documentado quanto a Solução Final da Alemanha nazista, o genocídio patrocinado pelo Estado que assassinou sistematicamente seis milhões de judeus europeus”.
[2] http://www.ushmm.org (“What was the Holocaust?”). Acessado em maio de 2014.
[3] http://www.yadvashem.org (“FAQS: What was the Holocaust?”). Acessado em maio de 2014.
[4] Laqueur (2001), p. 139.
[5] Em 2002, por exemplo, os Estados Unidos registraram 2,45 milhões de mortes numa população de 288 milhões de habitantes: 0,85%.
[6] Ver DellaPergola (2003).
[7] Ocasionalmente, encontramos uma contagem por país que pretende demonstrar semelhante total. Dawidowicz (1986, p. 403), por exemplo, relaciona 21 países com números de mortos que somam 5.933.900. Mas (a) esses números são impossíveis de verificar, porque as pessoas se deslocaram por toda a Europa durante a guerra; e (b) não respondem à questão central: como sabemos que todas essas pessoas morreram?
[8] Eis um teste simples: consulte o verbete “Holocausto” na Wikipédia e tente encontrar números, discriminados por causa da morte, cuja soma alcance seis milhões. A Wikipédia é, evidentemente, notoriamente pouco confiável, mas, ainda assim, oferece uma indicação do problema em questão.
[9] A única (quase) exceção é Hilberg (2003), que apresenta alguns números específicos para essas categorias de mortes. Mas seus números somam apenas 5,1 milhões — muito aquém do total convencional. E mesmo esses números apresentam graves problemas, como veremos.
[10] Salvo indicação em contrário, todas as citações seguintes são provenientes do New York Times (NYT).
[11] Curiosamente, eles apresentam alguns detalhes por país. A Rússia ocupa o primeiro lugar, com 1,3 milhão de judeus, ou 22% do total mundial. A Alemanha aparece numa posição elevada da lista, com um total de 446.000 judeus (7,4%).
[12] A decisão teria sido tomada em algum momento de meados de 1941, supostamente.
[13] Tribunal Militar Internacional, vol. 31, p. 86. Ver também NYT: “Trial data reveal 6,000,000 Jews died” (15 de dezembro, p. 8).
[14] Extraído da versão disponível na internet em http://www.hitler.org.
[15] “die Entfernung der Juden überhaupt” (“a remoção dos judeus em geral”).
[16] Memorando de uma conversa com J. Riddleberger, em 11 de agosto de 1936; citado em Tansill (1952, p. 387).
[17] Para uma exposição completa de todas as anotações do diário, ver Dalton (2010).
[18] Mais uma vez, ele não teria motivo algum para evitar mencionar as câmaras de gás em seu diário particular. No entanto, elas estão completamente ausentes — assim como qualquer referência a Auschwitz, Treblinka e aos outros chamados campos de extermínio.
[19] Dificilmente se trata da “obsessão” pelos judeus que tem sido retratada.
[20] Literalmente, “espancado até cair” ou “espancado até a morte”.
[21] Cf. Longerich (2010, p. 148).
[22] Citado em Longerich (p. 162).
[23] Diário de Goebbels, anotação datada de 7 de março de 1942; ver Dalton (2010).
[24] A estimativa mais elevada para Varsóvia encontra-se em Longerich (p. 167). Os guetos seguintes em tamanho, segundo Corni (2003, p. 195), eram os de Lvov (103.000), Minsk (100.000), Białystok (50.000), Kaunas/Kovno (42.000), Częstochowa (40.000), Lublin (36.000) e Radom (32.000).
[25] http://yadvashem.org, Holocaust Resource Center, “Ghetto”.
[26] http://www.ushmm.org, verbete enciclopédico sobre “Warsaw”.
[27] Segundo Longerich (2010, p. 185).
[28] Longerich (2010, p. 144).
[29] Ver Longerich (2010, p. 279).
[30] Esse número é aceito por Headland (1992, p. 106). O Yad Vashem afirma que houve 1,25 milhão de mortes. O USHMM diz simplesmente “mais de um milhão”.
[31] O principal responsável durante esse período foi Hans Prützmann, dirigente das HSSPF; segundo os ortodoxos, seu grupo conseguiu, sozinho, fuzilar 363.000 judeus nesse período de quatro meses. Ver Longerich (2010, p. 353) ou Headland (1992, pp. 104–105). Para uma interpretação revisionista, ver Mattogno, Kues e Graf (2013, p. 419).
[32] Embora até mesmo isso seja forçar a plausibilidade. Imagine uma caixa de madeira cúbica, sem tampa, medindo um metro (três pés) de cada lado. Agora imagine seis ou oito pessoas escolhidas ao acaso — baixas e altas, magras e gordas — tentando comprimir-se dentro dessa caixa.
[33] Em unidades inglesas, aproximadamente 30 por 36 pés de área e 15 pés de profundidade. Evidentemente, se os assassinatos fossem distribuídos entre os grupos, o trabalho de sepultamento também o seria.
[34] Ver a análise em Dalton (2009).
[35] Recentemente, o sacerdote católico Patrick Desbois afirmou ter encontrado “centenas” de valas comuns. Mas seu livro, The Holocaust by Bullets (“O Holocausto por Balas”) (2008), é uma farsa. Contém pouco mais do que relatos anedóticos e afirmações injustificadas. Ele não apresenta detalhes de escavações, análises forenses, mapeamentos do terreno ou procedimentos semelhantes. Portanto, não podemos extrair absolutamente nenhuma conclusão.
[36] Ver http://www.nazigassings.com/Railroad.html.
[37] Ver Kogon (2006, p. 247). Entretanto, até mesmo esse simples fato está sujeito a enormes variações. O NYT noticiou recentemente que pesquisadores do USHMM estabeleceram agora que houve, por incrível que pareça, 980 campos de concentração (“The Holocaust just got more shocking”, 1º de março de 2013). É o suficiente para deixar qualquer um atordoado.
[38] Em junho de 2014, encontravam-se disponíveis na internet os seguintes números (U = USHMM; Y = Yad Vashem):
- Auschwitz (U = “mais de 960.000”; Y = 1,1 milhão);
- Bełżec (U = 434.000; Y = 600.000);
- Sobibór (U = “mais de 167.000”; Y = 250.000);
- Treblinka (U = 870.000–925.000; Y = 870.000);
- Majdanek (U = 80.000–92.000 no total; Y = 60.000);
- Chełmno (U = “mais de 156.000”; Y = 320.000).
[39] Pronuncia-se “Mai-DÔ-nek”. Também se escreve Maidanek. Às vezes é mencionado pelo nome da cidade próxima, Lublin.
[40] 27 de julho de 1943, p. 9. Mais uma vez, não temos nenhuma comprovação dessa estimativa.
[41] 30 de agosto de 1944, p. 1.
[42] Ver Dalton (2009, p. 154) para mais detalhes.
[43] Ver também Graf (2007).
[44] Fotografia em primeiro plano disponível na internet: http://www.fpp.co.uk/docs/Irving/RadDi/2011/100911.html.
[45] Esse edifício foi demolido pelos alemães em abril de 1943. Atualmente, restam apenas partes de suas fundações.
[46] Para um estudo revisionista detalhado desses veículos, ver Alvarez (2011).
[47] Citado em Mattogno (2011, p. 21).
[48] Os motores a diesel são utilizados há muito tempo em minas e outros espaços confinados precisamente por essa razão. É verdade que podem ser “desregulados” para produzir uma quantidade um pouco maior desse gás, mas isso prejudica gravemente a capacidade de funcionamento do motor; e o mesmo motor que matou os judeus também os transportou para longe, segundo nos dizem.
[49] Para colocar isso em perspectiva: a Torre Eiffel pesa aproximadamente 7.300 toneladas. Assim, os alemães teriam necessitado de uma quantidade de madeira equivalente ao peso de quase seis Torres Eiffel para consumir completamente aqueles corpos.
[50] Na internet: “Gassing operations” (“Operações de gaseamento”).
[51] Na internet: “Treblinka”.
[52] Na internet: “Gas chambers” (“Câmaras de gás”).
[53] Na verdade, ainda hoje os fornecedores norte-americanos de carne utilizam monóxido de carbono gasoso para tratar seus produtos, precisamente porque ele lhes confere a aparência “vermelho-cereja” da carne fresca.
[54] Em Dalton (2009, pp. 67–74), esse tipo de análise é denominado death matrix (“matriz de mortes”).
[55] De dezembro de 1942 a abril de 1943.
[56] De abril a julho de 1943.
[57] Relatório citado em Mattogno (2004, p. 79).
[58] “At Sobibor: Building in the heart of a death camp” (“Em Sobibór: construindo no coração de um campo de extermínio”). Publicado em http://www.timesofisrael.com (8 de março de 2014).
[59] Página 129, nota 18.
[60] Citado em Mattogno e Graf (2005, pp. 78–80).
[61] Seu artigo de 2012, “Holocaust archaeology” (“Arqueologia do Holocausto”), por exemplo, é praticamente inútil como estudo quantitativo. Dedica apenas duas páginas de texto a Treblinka, sem apresentar nada de valor. A autora afirma ter encontrado “mais de cem estruturas ou vestígios” do campo utilizando seu radar de penetração no solo, embora não forneça detalhes. Notavelmente, não há qualquer discussão sobre as câmaras de gás.
[62] É estranho, portanto, que quase todas as visitas turísticas atuais a Auschwitz ocorram no campo principal. Poucos turistas conseguem chegar a Birkenau para conhecer as câmaras de gás verdadeiramente importantes, onde praticamente todos os supostos assassinatos ocorreram. É verdade que os crematórios de Birkenau estão em ruínas, mas, ainda assim, foi ali que tudo aconteceu.
[63] Os Kremas 2 e 3 tinham cada qual uma única câmara, com 210 metros quadrados de área. Cada câmara poderia, supostamente, matar com gás mais de 2.000 pessoas de uma só vez — adotando-se a premissa dos fundamentalistas de dez pessoas por metro quadrado. Os Kremas 4 e 5 tinham cada qual três salas de gaseamento, totalizando uma área ainda maior, de 236 metros quadrados.
[64] Isso explica o enorme aumento dos números relativos ao campo em maio (135.000), junho (250.000) e julho (135.000) de 1944.
[65] Apesar do fato de que os fornos do Krema 4 se deterioraram após apenas três meses de funcionamento, nunca mais sendo utilizados.
[66] Esse número é objeto de intenso debate. Os fundamentalistas afirmam que cada mufla podia queimar cinco ou até dez corpos por hora, mas isso, em termos técnicos e práticos, é impossível. É claro que os corpos das crianças, por serem menores, poderiam ser queimados a uma velocidade um pouco superior à de um corpo por hora.
[67] Supondo uma jornada de funcionamento de vinte horas.
[68] Para que não pensemos tratar-se de um exagero fantasioso, eis o que afirma Franciszek Piper, especialista no campo: “Os [cadáveres excedentes] eram queimados ao ritmo de aproximadamente 5.000 em 24 horas nas fossas de incineração próximas aos crematórios, [e] o mesmo número era incinerado nas fossas do bunker 2” (1994, p. 173). Portanto, no total, o espantoso número de 10.000 corpos por dia era queimado no campo.
[69] Essas fotografias são quase impossíveis de encontrar nas fontes fundamentalistas, por razões óbvias. Nas raras ocasiões em que aparecem, o leitor não é informado sobre o que supostamente estava ocorrendo naquele momento. As três fotografias estão reproduzidas em Dalton (2009, pp. 204–205).
[70] Ver Leuchter (2005) e Rudolf (2003b).
[71] Ver Dalton (2013, 2014) para uma exposição completa.
[72] Ver Graf (2003, pp. 298–299).
[73] Washington Times (17 de julho de 1990, p. A11).
[74] Não é difícil perceber como isso serviria para beneficiar Israel e os judeus em todo o mundo.
[75] Uma discussão do julgamento nos levaria muito longe do nosso assunto. Em resumo, Lipstadt chamou Irving de “negacionista do Holocausto” num livro anterior. Ele contestou a afirmação e processou-a por difamação. Irving perdeu a causa. Diversos aspectos da narrativa do Holocausto foram levantados durante o julgamento, mas o foco principal recaiu sobre o conceito de “negacionismo” e sobre as declarações anteriores de Irving. A narrativa do Holocausto em si jamais foi submetida a exame.
[76] Alguns afirmam que determinados relatórios ou cartas eram fraudulentos, mas esses casos são raros e relativamente insignificantes para os revisionistas contemporâneos. Certamente, seus argumentos não dependem de semelhantes alegações.
[77] Uma terceira edição, ligeiramente atualizada, foi publicada em 2003.
[78] Irving não está entre eles; é um importante revisionista da Segunda Guerra Mundial, mas apenas marginalmente um revisionista do Holocausto — e, mesmo nesse campo, não é muito bem informado. Essa é, em grande medida, a razão pela qual perdeu seu julgamento.
[79] Ver http://inconvenienthistory.com/columnists/index.php. Sua lista de articulistas conta atualmente com 33 nomes.
[80] Ver http://www.holocausthandbooks.com. É digno de nota que todos os volumes estejam disponíveis para download gratuito em PDF.
[81] Ver Dalton (2011).
[82] Entre essas acusações estão as de que todos os negacionistas afirmam que o Holocausto foi uma “fraude”, que as provas foram fabricadas, que o diário de Anne Frank é uma falsificação e que as câmaras de gás eram, na realidade, abrigos antiaéreos.
