A CONTRA-COMPANHIA
Padre Luan Guidoni

Deste modo escreveu Carlos Alberto Disandro sobre os jesuítas em La Compañía de Jesús Contra la Iglesia y el Estado: “A la luz de estas perspectivas, ¿no se comprende acaso la esterilidad de la Iglesia americana, la ausencia de santidad y verdadera cultura religiosa; no se admira sin embargo la imbatible resistencia de los mejores criollos, y no se considera como una bendición la pragmática de Carlos III que quebró de alguna manera ese terrible poder, y más aún el Breve de Clemente XIV que lo derrumbó para siempre dentro de la Iglesia? Así lo creemos nosotros y así lo proclamamos”. Pois assim também eu creio e proclamo que a Companhia de Jesus teria melhor sorte em não haver nascido que ter empreendido sua luta contra o Império, ou nas palavras do mestre Disandro: “Al Imperio Romano, al Imperio Sacro Romano Germánico, al Imperio Español sucede pues el intento de un Imperio Jesuitico de religión judeo-cristiana”.
Já tratamos desse problema em “A Questão Jesuítica” e mais recentemente em “A Santa Regra e a Monita Secreta”, mas o povo bruto não consegue transpassar o véu das parábolas e somos obrigados a falar claramente para que uma má compreensão das nossas palavras não gere no futuro o exato oposto daquilo que desejávamos, porque sempre devemos ter em mente que homens como Orígenes, que levam tudo ao pé da letra, ou aqueles discípulos dos fariseus que apresentam testes em forma de perguntas aparentemente inocentes, maculam nossa simples mensagem com mil proposições cheias de complexidades e distinções que em nada condizem com nosso pensamento. Devemos ir ao coração da questão da Companhia de Jesus e resolver o problema de uma vez por todas.
Se considerarmos todos os frutos da Companhia de Jesus, os bons e os maus, veremos que os maus frutos foram infinitamente superiores às pouquíssimas benesses ofertadas a Roma. Façamos a lista: o fundador da Companhia estava em clara contradição com a lei da Igreja e do Império quanto aos conversos; a maior parte da Ordem era adepta do judeu-cristianismo; o molinismo e toda aquela discussão infindável devem entrar nas seções de comédia das bibliotecas religiosas, e não naquelas estantes sobre teologia; Juan de Mariana merecia a fogueira; Francisco Suárez era liberal; o indigenismo dos jesuítas nas Américas foi manifestamente herético; os missionários não obedeciam nem ao bispo local nem aos governantes, e a nefanda revolta guaranítica prova-nos que eles eram anarquistas; e na questão moral, não há pecado que eles não defendessem com seu laxismo. Estão justificados todos aqueles que expulsaram os jesuítas de suas nações e a abolição da Companhia de Jesus foi justíssima. Mesmo justa e digna de louvor, a supressão não resolveu o problema, mas o agravou ainda mais.
Os jesuítas caíram e logo depois os maçons subiram. A artimanha dos inimigos do catolicismo aproveitou-se desse elemento cancerígeno dentro da Igreja, a Companhia de Jesus, para derrubar de uma vez a influência católica no mundo, pois agora que todo aquele sistema de igrejas e colégios foi suprimido, quem há de reconduzir todas essas obras? E não houve quem pudesse fazê-lo, e não havendo quem pudesse sustentar o ensino da juventude católica, a revolução tomou para si, décadas depois, o papel de educadora da Europa. Ressuscitaram a Ordem depois da vitória da revolução, e nenhum valor possui essa inútil restauração; logo seguiram-se novamente os mesmos erros da Companhia com ainda mais força que antes: modernismo, o herético Concílio Vaticano II e até mesmo a teologia da libertação são obras desse jesuitismo negro.
O exército negro do papado, que mais defendeu o judeu-cristianismo do que o heleno-cristianismo, não será destruído com supressões, expulsões e proibições. É necessário criar um jesuitismo branco: uma Contra-Companhia.
A Contra-Companhia sempre existiu dentro da própria Companhia, como já explicamos em textos anteriores quando nos referimos aos “jesuítas de Jesus”. É neste sentido, e unicamente neste sentido, que nós defendemos um certo tipo de jesuitismo, ou seja, todas aquelas táticas, estratégias e planejamentos sigilosos que os jesuítas usaram tanto o bem quanto para o mal. Um verdadeiro anticorpo deve ser criado, um predador natural para essa praga jesuítica, um jesuitismo anti-jesuítico, em suma, uma Contra-Companhia que impeça o alastramento da sinarquia jesuítica pelo mundo. Insisto novamente sobre este ponto: não nos referimos aqui a uma restauração da Companhia de Jesus com sua teologia herética, tampouco uma restauração sua naquelas formas pelas quais se desenvolveu, mas unicamente, e somente neste sentido, a uma nova organização das forças católicas que assimile a prática jesuítica contra as mesmas forças do jesuitismo. O caso mais próximo de uma Contra-Companhia ocorreu no movimento estudantil mexicano unido aos jesuítas que não seguiam o judeu-cristianismo encrustado na Companhia. Referimo-nos, evidentemente, ao Padre Joaquín Sáenz y Arriaga. Quanto a outros exemplos semelhantes de Contra-Companhias, escrevi brevemente sobre elas em um parágrafo no texto “Operação Cruzada Liberal”.
Uma Contra-Companhia que impedisse o crescimento da Companhia de Jesus e que fosse a expressão mais pura de uma verdadeira teologia tradicional, ao mesmo tempo que mantivesse uma vida ativa e colegial com as elites intelectuais dos vários reinos; em uma sentença, uma verdadeira tropa clerical que fosse ainda mais sagaz do que os próprios jesuítas e que os perseguissem em todas as partes: é disso que precisamos. Se isso não for feito, outras forças tomarão posse das magistraturas do Ocidente, tal como tem ocorrido nos últimos séculos; e caso ressuscitem a Companhia de Jesus, ela servirá unicamente para acelerar a decadência da Igreja, tal como ocorreu após a restauração e que acontece até hoje na seita conciliar.
Expliquemos aos mais obtusos com apenas uma frase que sintetize a idéia para que ela se fixe com mais força na memória: A conversa Companhia de Jesus deve ser derrotada por meio dos seus mesmos métodos através de uma Contra-Companhia que seja verdadeiramente heleno-cristã e teândrica.
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Padre Luan Guidoni
27 de Junho de 2026
