BEM-VINDO À MISSA TRIDENTINA
Padre Anthony Cekada (†2020)
Fonte: Welcome to the Traditional Latin Mass, 1995.
Tradutor do texto: Seminário São José.
Descrição: O texto defende a Missa Tridentina, argumentando que ela preserva a integridade da doutrina católica e a adoração a Deus, ao contrário da Missa Nova (pós-Vaticano II), considerada ecumênica e modernista. A obra critica duramente as reformas litúrgicas da década de 1960, apontando que a comunhão na mão, a tradução de ritos e a perda do caráter sacrificial da missa aproximaram o catolicismo do protestantismo. É apresentado um panorama de crise na Igreja, ilustrado pela redução de vocações e pela perda da fé na Presença Real de Cristo na Eucaristia. O autor também rejeita as Missas de Indulto ou “aprovadas”, acusando as organizações que as celebram de se calarem diante dos erros modernistas em troca de reconhecimento oficial. Por fim, exorta-se a que os fiéis se mantenham afastados da Missa Nova.
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ALGUMAS PALAVRAS DE BOAS-VINDAS
Se você pegou este livreto, provavelmente tem algumas dúvidas sobre a Missa Tridentina e o motivo pelos quais certos católicos participam dela. Você pode ter acabado de assistir à Missa Tradicional pela primeira vez. Pode ter conversado sobre a situação da Igreja com um amigo católico que assiste à “Missa em Latim”, ou ter simplesmente passado em frente a uma igreja onde a “Missa de São Pio V” é celebrada. Para pessoas novas na Missa Tridentina, sua linguagem (o latim) é sua característica mais impressionante. Da mesma forma, também se impressionam pela beleza das cerimônias e por como os ritos evocam imagens de eras passadas.
ALÉM DA NOSTALGIA
Mas o latim, a beleza das cerimônias e a nostalgia pelos “velhos tempos” não são as razões principais pelas quais nós assistimos exclusivamente à Missa Tridentina. Nosso propósito, na verdade, é preservar a integridade da doutrina católica e oferecer a Deus um culto imaculado e reverente. A Missa Tradicional alcança esse fim, enquanto a moderna ou “Missa Nova” não o faz. Esperamos que você passe a compreender melhor os católicos que assistem à Missa Tridentina pelo que você há de ler aqui. Rezamos para que, pela graça de Deus e pela intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, você se torne um deles, e “permaneça constante e conserve as tradições que aprendeu” (II Ts 2,14).
DUAS IMAGENS CONTRASTANTES


Pergunte-se: qual das duas fotos presente nessas páginas melhor representa o verdadeiro sentido da Missa católica? Se você concorda que a segunda imagem representa melhor o significado da Missa, você tem muito em comum com os católicos tradicionais. Essas imagens demonstram as mudanças radicais que se passaram desde o começo da década de sessenta. Uma apresenta a Missa como uma “celebração” que tem o homem como foco, enquanto a outra a mostra como um ato de adoração dirigido a Deus. Há muitas outras diferenças entre a Missa moderna e a Missa Tradicional que são facilmente percebidas até mesmo pelo observador mais desapercebido.
UMA TÍPICA MISSA MODERNA
Em uma típica paróquia modernista no domingo, todo o serviço é feito em português. O sacerdote se senta ou fica de pé frente ao povo e frequentemente faz observações espontâneas durante a celebração. Leigos no santuário fazem comentários e lêem as Escrituras. Parte do culto é feito sobre uma mesa. O tabernáculo nunca está sobre a mesa, mas sim às costas do sacerdote, ou em algum outro canto escondido. O Sinal da Paz é ocasião de aperto de mãos, emocionalismo e socialização. O sacerdote dá a comunhão na mão para a maioria das pessoas e é nisso auxiliado por leigos (homens e mulheres). O sacerdote faz poucas genuflexões, se é que faz alguma. É raro que duas celebrações da Missa Nova sejam exatamente iguais. Elas variam de padre para padre e de paróquia para paróquia. Em muitos locais algumas coisas bizarras foram incorporadas na Missa: há “Missas de Palhaço”, “Missa Sertaneja”, “Missa Afro”, além de missas com filmes, apresentações de slides, sátiras e música pop.
A MISSA TRIDENTINA
Compare isso com a Missa Tridentina. Ela é celebrada na linguagem antiga e venerável da Igreja Católica. O sacerdote fica continuamente de frente a Nosso Senhor presente no tabernáculo. Ele não faz comentários originais, mas recita exatamente as mesmas orações que os sacerdotes têm utilizado por séculos. Somente o sacerdote toca a hóstia consagrada com as mãos. As pessoas se ajoelham para a Santa Comunhão diante do Senhor e Salvador, e o recebem apenas na boca. Não há aperto de mãos ou socialização antes da administração do Santíssimo Sacramento. As pessoas acompanham a Missa de modo silencioso e reverente com seus missais que traduzem as palavras do sacerdote. Os gestos do Padre são restringidos e reverentes, e incluem numerosas genuflexões em reverência ao Santíssimo Sacramento. Os textos e ritos da Missa de São Pio V são os mesmos em todos os lugares, e não variam de sacerdote para sacerdote nem de igreja para igreja. Tudo é governado por regras uniformes e específicas.
A LITURGIA EXPRESSA A DOUTRINA
Mesmo um observador desapercebido concluiria que a Missa Nova e a Missa Tridentina transmitem “sinais” radicalmente diferentes do que é a Missa, o que ela faz e aquilo no qual acreditam os que participam dela. Os novos ritos dão a impressão de que a Missa é uma refeição comum ou uma simples instrução; os ritos antigos manifestam que ela é uma ação principalmente dirigida a adorar um Deus todo santo. Isso nos leva a um princípio que é a chave para entender o motivo que leva alguns católicos a aderirem à Missa Tridentina. A liturgia, por sua natureza, expressa a doutrina. O Papa Pio XII abordou isso em sua encíclica sobre liturgia: “O culto que ela [a Igreja] rende a Deus, todo bom e poderoso, é uma profissão contínua da Fé católica. (…) Na sagrada liturgia, nós professamos a Fé católica de modo explícito”. A liturgia não expressa apenas a doutrina comum; ela também influencia aquilo em que as pessoas acreditam. Orações e gestos rituais que expressam adoração à Presença Real de Cristo na Eucaristia, por exemplo, reforçam e reafirmam nossa fé comum nessa doutrina. Se você remover do culto público as orações e gestos que aludem a uma verdade particular como esta, você pode estar seguro de que, com o tempo, as pessoas deixarão de acreditar nela.
A MISSA TRIDENTINA E A DOUTRINA
Uma vez que a liturgia tanto expressa a doutrina quanto influencia aquilo em que as pessoas acreditam, a Igreja, no curso dos séculos, cuidadosamente protegeu o texto do missal, visando a assegurar que ele refletisse de modo preciso suas crenças e excluísse qualquer coisa que as comprometesse. A Igreja Católica sempre falou da Missa principalmente como um “sacrifício”. Seu ensinamento infalível é o de que Cristo deixou um sacrifício visível à Sua Igreja, “no qual aquele sacrifício cruento que foi oferecido na cruz se tornasse presente” (Concílio de Trento). A doutrina de que a Missa é principalmente um sacrifício oferecido a Deus se exprime de modo magnífico e preciso na Missa Tridentina. Também o são inúmeros outros ensinamentos católicos, como a Presença Real, a natureza do sacerdócio, o Purgatório, a identidade da verdadeira Igreja de Cristo e a intercessão dos santos.
TRANSFORMANDO CATÓLICOS EM PROTESTANTES
Os protestantes também entenderam o quão bem a Missa expressa a doutrina da Igreja. Quando eles quiseram disseminar seus novos e falsos ensinamentos, eles mudaram a liturgia. No século XVI, Martinho Lutero transformou católicos em protestantes fazendo com que adorassem como os próprios protestantes. Em uma biografia de Lutero, lemos: “Em seguida veio a reforma da liturgia, a qual afetou o homem ordinário mais intimamente, porque alterou suas devoções diárias. Ele era convidado a beber o vinho [sic] no Sacramento, a pegar as espécies em suas próprias mãos, a comungar sem confissão prévia, a ouvir as palavras da instituição [Consagração] em seu próprio idioma, e a participar extensivamente na música sagrada. Lutero lançou as bases teóricas para mudanças mais significativas. Seu princípio era de que a Missa não era um sacrifício.” (Ronald Bainton, Here I Stand, Mentor ed., p. 156). As mudanças litúrgicas, então, se tornaram um meio para minar a fé católica e disseminar a revolução doutrinal.
Aparentemente, as práticas litúrgicas que Lutero introduziu no século XVI visando a destruir a crença de que a Missa é um sacrifício se assemelham, e muito, às modificações feitas na Missa desde o começo da década de sessenta. Qual é a explicação para isso? E, uma vez que o culto e as crenças andam lado a lado, quais princípios e crenças estavam por trás das mudanças litúrgicas da década de sessenta? Para responder a essas questões, nós devemos falar do Concílio Vaticano II.

VATICANO II E SUAS REFORMAS
O Concílio Vaticano II (de 11 de outubro de 1962 a 8 de dezembro de 1965) foi convocado pelo Papa João XXIII. Ele dizia querer “abrir as janelas” da Igreja para o mundo moderno e disse que esperava “atualizar” a Igreja, torná-la mais relevante aos novos tempos e, consequentemente, atrair mais pessoas à Igreja. João XXIII reuniu os bispos católicos para que eles pudessem discutir sobre mudanças profundas no culto, disciplina e doutrina da Igreja Católica. Após a morte de João XXIII, o trabalho desse Concílio continuou sob Paulo VI, e resultou em muitas mudanças drásticas. Os católicos logo depararam com “reformas” em todas as facetas de sua vida religiosa. Milhões de palavras foram escritas acerca dessas “reformas”. Disseram aos católicos por várias vezes que “o essencial da fé não mudou” e que o Vaticano II trouxe uma verdadeira “renovação” para a Igreja.
OS FRUTOS DO VATICANO II
Apesar disso, Nosso Senhor disse que podemos julgar uma árvore por seus frutos — uma árvore boa dá bons frutos enquanto que uma árvore má dá maus frutos. Quais foram os frutos do Vaticano II? Sacerdotes e irmãs abandonaram suas vocações em dezenas de milhares, as vocações sacerdotais desapareceram (no EUA, de 1965 a 2002, as ordenações diminuíram em 72% e o número de seminaristas em 90%), os conventos se esvaziaram (no mesmo período, o número de irmãs de ordens dedicadas ao ensino diminuiu em 93%), a assistência semanal à Missa diminuiu drasticamente (de 74% de católicos americanos em 1958 para 17% em 2002) e os ensinamentos morais e doutrinais da Igreja são negados abertamente ou mesmo ignorados tanto pelo clero quanto pelos leigos (em 1997, 85% dos católicos americanos negaram que a contracepção artificial fosse moralmente errada; em 2000, 65% acreditavam que era lícito aos católicos se divorciar e casar novamente). Obviamente, esses frutos são maus. Isso leva diretamente à conclusão de que a árvore que os produziu (o Vaticano II) é também má.
PRINCÍPIOS POR TRÁS DO VATICANO II
A “renovação” do Vaticano II produziu tais efeitos desastrosos porque estava fundamentada em dois princípios perigosos: ecumenismo e modernismo.
1. Ecumenismo. O ecumenismo visa a unir o catolicismo com religiões não-católicas. Práticas doutrinárias e rituais que os protestantes ou outros não-católicos julgam ser censuráveis devem, portanto, ser eliminadas, desvalorizadas ou tornadas ambíguas.
2. Modernismo. O modernismo ensina que a verdade muda de tempos em tempos e que, portanto, a Igreja deve também mudar, visando a ser “relevante” para o mundo secular moderno. O clero modernista deturpa o culto, a doutrina e a moral da Tradição católica ao filtrá-la através da filosofia relativista moderna e de diversos outros “dogmas” e “valores” seculares. Os modernistas despojam a fé dos ensinamentos e práticas que o mundo moderno condena como intransigentes, exclusivistas, difíceis, obscuros, fanáticos ou mesmo desconcertantes. Como resultado, a noção de verdade religiosa objetiva desaparece e a religião é reduzida a pouco mais do que emoções e símbolos, e os princípios da moral (se é que resta algum) se tornam confusos.
Foi o programa de ecumenismo e modernismo do Vaticano II que levou à criação da Missa Nova.
A CRIAÇÃO DA MISSA NOVA
Uma vez que os conceitos e práticas rejeitados pelos não-católicos e pela sociedade secular moderna abundavam na Missa em latim, os inovadores da Igreja pós-Vaticano II decidiram abandonar o rito antigo e criar uma Missa nova para substituí-lo. Ela seria projetada para agradar a dois grupos: 1) Para satisfazer os protestantes, o novo rito precisava eliminar ou minimizar o ensino católico de que a Missa é um sacrifício propiciatório (que aplaca a ira divina, expia os pecados), oferecido por um padre validamente ordenado, no qual Cristo se torna presente sob as aparências de pão e vinho por meio da Transubstanciação; 2) Para tranquilizar o homem moderno, ela deveria abolir ou tirar a ênfase de idéias como Inferno, penitência, punição pelo pecado, milagres, alma e separação do mundo.
O trabalho de formular tal rito foi confiado à comissão do Vaticano denominada “Consilium”. Dentre os participantes, havia seis protestantes: Ronald Jasper, Massey Shepherd, Raymond George, Friedrich Künneth, Eugene Brand, e Max Thurian, representando os Anglicanos, o Conselho Mundial das Igrejas, os Luteranos e a Comunidade Ecumênica de Taizé. Acerca do papel deles, o Bispo (mais tarde Cardeal) William Baum disse: “Eles não estavam lá como simples observadores, mas também atuavam como consultores, e participavam integralmente nas discussões sobre a renovação da liturgia católica. Não significaria muito se eles apenas escutassem, mas eles contribuíram.” (Detroit News, 27 de junho de 1967).
UM DOCUMENTO ESCLARECEDOR
Na Instrução Geral de 1969, que originalmente introduziu o texto oficial da Missa Nova, seus autores apresentaram os princípios doutrinais que estavam por trás do novo rito que haviam criado. É um documento bem elucidativo. Seguem-se alguns pontos importantes:
- Definição da Missa. A Instrução Geral se refere à Missa como “a Ceia do Senhor” — um termo utilizado pelos protestantes — e a define como “a assembléia sagrada, ou reunião do povo de Deus, sob a presidência de um sacerdote, para celebrar a memória do Senhor”. O próprio Lutero poderia ter escrito tal definição. O Padre Luca Brandolini, que participou na criação da Missa Nova, disse sobre essa passagem: “Ela a define [a Missa Nova] com exatidão, começando com a assembléia”.
- Ceia. A Instrução apresenta a Missa principalmente como uma ceia ou memorial, e não como um sacrifício.
- Presença de Cristo. A Instrução não faz menção à Presença Real de Cristo nem à Transubstanciação. Em vez disso, ela ensina que Cristo está “presente” na assembléia, na leitura das Escrituras e no sacerdote, e que a “Última Ceia” se faz presente.
- Papel do sacerdote. A congregação “oferece” a Missa, enquanto que o sacerdote simplesmente a “preside”. Seu papel agora é o de ser “presidente da assembléia”.
- A Consagração. O que no rito antigo era denominado Consagração, no novo rito é chamado “Narrativa da Instituição”. Esse termo é utilizado pelos protestantes para dizer que a Eucaristia, ao invés de ser um sacrifício, é meramente um “recontar da história” da Última Ceia. Mas, quando o sacerdote recita as palavras da Consagração como mera narrativa, sua intenção é considerada defeituosa e sua Missa é inválida — isto é, Cristo não se torna verdadeiramente presente e o sacrifício não acontece.
Quando os católicos fiéis denunciaram como o novo rito promovia essas idéias perigosas, os criadores da Missa Nova tentaram encobrir a questão. Em 1970, eles promulgaram uma segunda edição da Instrução Geral retendo a maior parte da linguagem condenável, mas introduzindo alguns termos tradicionais. O Vaticano também revisou o documento em 1975, e novamente em 2001. Os conservadores exaltavam cada nova versão como um “retorno à reverência” ou “a reação de Roma”, mas as revisões não eram mais efetivas do que pôr um band-aid em um câncer, já que a essência do próprio rito de 1969 — ecumenista e modernista — permanecia intacta.
Esse novo rito é o que é usado atualmente nas igrejas em todo o mundo.
UM RITO ECUMÊNICO E MODERNISTA
Quando se coloca lado a lado as orações e cerimônias da Missa Tridentina com as da Missa Nova, é fácil perceber como os princípios expostos foram colocados em prática, e o quanto a doutrina tradicional da Igreja foi removida para satisfazer aos protestantes e ao homem moderno. Eis aqui alguns exemplos:
1. Rito Penitencial Comum. A Missa Tridentina começa com o sacerdote recitando orações pessoais em reparação a Deus denominadas “Orações ao Pé do Altar”. A Missa Nova começa, em contraste, com um “Rito Penitencial”, no qual o sacerdote e os fiéis recitam conjuntamente. Quem foram os primeiros a introduzir um rito penitencial comum? Os protestantes do século XVI, que desejavam promover seus ensinamentos de que o sacerdote não é diferente de um leigo.

2. Ofertório. As orações do Ofertório da Missa Tridentina contêm alusões específicas a muitos ensinamentos católicos: que a Missa é oferecida a Deus para satisfazer a pena dos pecados, que os santos devem ser honrados, etc. Os protestantes rejeitaram esses ensinamentos e aboliram todas essas orações. “Essa abominação denominada Orações do Ofertório, dizia Lutero, faz com que quase tudo cheire a oblação”. Na Missa Nova, o Ofertório não existe: ele foi substituído por uma cerimônia chamada “Apresentação dos Dons”. As orações ofensivas aos protestantes também foram removidas. No lugar delas, foi inserida a vaga oração “Bendito sejais, Senhor Deus do universo”, baseada na ação de graças judaica dita antes das refeições.

3. Oração Eucarística. A Missa Tridentina apresenta apenas uma “Oração Eucarística”, o Cânon Romano. Essa oração antiga e venerável foi o alvo principal dos ataques protestantes. Em vez de apenas um Cânon, a Missa Nova contém onze Orações Eucarísticas, sendo que todas, excetuando a primeira, são criações novas, incluindo três para crianças, que são escritas com uma linguagem teológica de bebê. Agora todas as Orações Eucarísticas incorporam alguma prática tipicamente protestante: elas são recitadas em voz alta, em vez de silenciosamente, e têm uma “Narrativa da Instituição”, em vez da Consagração. Os diversos sinais de respeito para com Nosso Senhor presente no Santíssimo Sacramento (genuflexões, sinais da cruz, sinos, incenso, etc) foram reduzidos, tornados opcionais ou mesmo eliminados.
4. Comunhão na mão. O protestante Martin Bucer (século XVI) condenou a prática da Igreja de colocar a hóstia na língua do comungante como algo introduzido por uma dupla superstição; primeiro, pela falsa honra que eles desejam evidenciar a esse sacramento; segundo, pela grande arrogância dos sacerdotes, clamando maior santidade que o Povo de Cristo, em virtude do óleo utilizado na ordenação. A base para as práticas protestantes de comunhão na mão são, portanto, uma rejeição da Presença Real de Cristo e da noção sacerdócio sacrificante. Introduzir essa prática na Missa Nova — um rito no qual Cristo está “presente” na assembléia e no qual o sacerdote é meramente um “presidente” — desencadeia uma rejeição similar das doutrinas católicas. Mas os homens que criaram a Missa Nova fizeram ainda melhor que os protestantes: um leigo tem a permissão não só de receber a Comunhão na mão, mas também de distribuí-la — e, se for mulher, pode muito bem estar usando um shorts ou uma minissaia. O simbolismo da comunhão na mão também apela ao homem contemporâneo. Ele gosta de ver a si mesmo como “autônomo”, “adulto”, não sujeito a ninguém — noções completamente incompatíveis com o simbolismo da prática tradicional.
5. Veneração aos santos. As orações da Missa Tridentina frequentemente invocam os santos nomeadamente e imploram pela intercessão deles. A veneração dos santos no culto da Igreja foi outra prática que os protestantes condenaram como “supersticiosa”. O Novo Ordinário da Missa excluiu a maior parte das invocações dos santos por nome, ou as fez opcionais. No novo missal, além do mais, as orações da semana pelos santos que se comemoram no dia (sendo a maioria também opcional) foram também modificadas para benefício dos protestantes — alusões às noções de méritos dos santos, de triunfo da fé católica, da Igreja Católica como a verdadeira Igreja, dos males da heresia e da conversão dos não-católicos simplesmente desapareceram.
6. Almas do Purgatório. Como católico, você sabe que, quando alguém morre, reza-se pelo repouso de sua alma. Essa crença católica está refletida nas Orações pelos Mortos na Missa Tridentina — “Lembrai-vos, também, Senhor, de vossos servos e servas (NN. e NN.), que nos precederam, marcados com o sinal da fé, e agora descansam no sono da paz”. Os protestantes rejeitam o ensinamento de que podemos rezar pela alma de alguém que morreu, e os modernistas rejeitam a doutrina tradicional acerca do Purgatório e da alma. A Missa Nova apresenta 114 orações para os mortos. Em todas elas, excetuando apenas duas, a palavra alma foi removida. Um descuido? O Padre Henry Ashworth, que auxiliou na confecção da Missa Nova, disse em 1970 que essas omissões foram intencionais.
7. Teologia “negativa”. O homem moderno se sente desconfortável com o lado “duro” da religião católica, e os teólogos pós-Vaticano II fizeram o melhor para contornar isso. Os criadores da Missa Nova, portanto, suprimiram sistematicamente das orações do novo missal conceitos como Inferno, julgamento divino, ira de Deus, punição pelo pecado, pecado como o maior dos males e o mal do mundo (pergunte-se quando foi a última vez em que você ouviu ao menos a menção desses temas na Missa Nova).
8. As Palavras de Nosso Senhor. Quando Nosso Senhor instituiu a Eucaristia na Última Ceia, Ele disse que seu Sangue seria derramado “por vós e por muitos”. As palavras da Consagração dizem exatamente isso em latim na Missa Tridentina. Porém, nas traduções da Missa Nova aprovadas pelo Vaticano para as principais línguas ocidentais, o “por muitos” desapareceu por quase quarenta anos. Em inglês, alemão, italiano, português e espanhol, por exemplo, substituiu-se pelo “por TODOS” — uma elaboração das palavras da Consagração que nunca havia aparecido em nenhum rito eucarístico em toda a história da cristandade. A justificação teórica dada para essa mudança nos leva aos escritos de Joachim Jeremias, um protestante e modernista alemão. A verdadeira razão da tradução fraudulenta seria retratar Nosso Senhor como o primeiro ecumenista, que salvará a “todos”, não importando aquilo em que todos acreditem. A mudança nas palavras de Cristo, além disso, levanta dúvidas acerca da validade da consagração do vinho. Isso tudo adicionado à questão já mencionada acerca da transformação da Consagração em uma Narrativa da Instituição ao estilo protestante. Em 2006, o Vaticano exortou às conferências nacionais de bispos que o “por muitos” voltasse a ser utilizado. Apesar disso, a natureza ecumênica e modernista que envolve todo o rito permanece a mesma.
IRREVERÊNCIA E SACRILÉGIO
Além de promover uma falsa doutrina, a Missa Nova é sacrílega. “Um sacrilégio é um ato ou uma omissão que rebaixa o caráter sagrado de algo santo”. Considere como as práticas na Missa Nova insultam e desonram o caráter sagrado da Eucaristia. As próprias palavras de Cristo para a Consagração do Preciosíssimo Sangue foram falsificadas. A comunhão na mão, ou seja, colocar as hóstias em mãos não consagradas, é oficialmente aprovada. Homens não ordenados e mesmo mulheres distribuem a comunhão. Pães farelentos são usados para a comunhão, e partículas caem no chão. As pessoas normalmente consomem a hóstia consagrada como se fosse um petisco. Quando as hóstias caem, ninguém se preocupa em purificar as partículas no chão.

Uma sessão de apertos de mão ocorre quando as pessoas deveriam estar se preparando silenciosamente para a comunhão. Os sacerdotes não mais purificam seus dedos após manusearem a hóstia. Ajoelhar-se para a comunhão foi abolido quase em todos os lugares. Todos vão para a fila da comunhão, mas quase ninguém vai ao confessionário.
Então há essa atmosfera geral de irreverência na maioria das igrejas em que a Missa Nova é celebrada, o que transmite a idéia de que o que está acontecendo não é realmente santo ou sagrado. As pessoas conversam na igreja antes e depois da Missa. O modo de falar do sacerdote é intencionalmente descontraído e informal. Ocasionalmente o padre se porta como um ator amador que está estreando em uma performance dramática. Os leigos se vestem informalmente, como se fossem recrear ou fazer compras, ou mesmo imodestamente, com roupas apertadas ou mesmo decotadas. A música, frequentemente acompanhada por guitarras, piano e percussão, tem um tom secular ou mesmo pop. As igrejas foram desnudadas de imagens e de símbolos sagrados, não aparentando serem mais sagradas do que um terminal de aeroporto.
“Tudo isso transmite uma idéia: a Missa e a Presença Real de Cristo não são lá uma ‘grande coisa’. Sendo assim, a Missa Nova deteriora o ato mais sagrado que existe sobre a terra — a renovação do sacrifício da cruz de maneira incruenta — e insulta o Corpo, Sangue, Alma e Divindade d’Aquele que conquistou nossa redenção. A Missa Nova é, portanto, gravemente sacrílega. Que um incontável número de católicos de boa vontade tenham sido levados a aceitá-la sem questionar é uma prova da esperteza diabólica de seus criadores, que lançaram uma revolução doutrinal sob uma falsa bandeira de obediência.”
OS FRUTOS: A PERDA DA FÉ
A liturgia, por sua própria natureza, como já dissemos, influencia as crenças dos que participam dela. Os frutos da Missa Nova, portanto, não devem nos causar nenhuma surpresa. Os católicos pararam de crer no pilar central do ensinamento católico sobre a Missa — que o pão e o vinho se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo através da Transubstanciação.
Na sondagem do New York Times/CBS News (abril de 1994) foi perguntado aos católicos americanos se o pão e o vinho na Missa eram:
- “transformados no Corpo e Sangue de Cristo” — doutrina tradicional.
- “lembretes simbólicos de Cristo” — a posição clássica dos protestantes.
No grupo de idade 18–44, 70% dos católicos responderam que o pão e o vinho eram apenas um lembrete simbólico de Cristo. No grupo 45–64, 58% também disseram que eram apenas símbolos. Mesmo no grupo 65+, 45% ainda optou pelo mero símbolo, sendo que apenas uma pequena maioria (51%) escolheu a doutrina tradicional.
Em épocas passadas, os mártires católicos preferiram morrer a dizer que a presença de Cristo na Eucaristia não era nada mais do que um símbolo. Agora, porém, a crença usual dos católicos acerca da Eucaristia é indistinguível da de um luterano, presbiteriano ou metodista. A principal causa dessa corrupção do homem em suas crenças básicas acerca da Eucaristia é a Missa Nova. Ele foi exposto aos seus erros doutrinais e às suas práticas sacrílegas todas as semanas durante décadas. Ele recebeu a mensagem da Missa Nova — e perdeu a fé.
AS CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS
Diante do que foi exposto, torna-se fácil entender o motivo que leva certos católicos a não quererem ter absolutamente nenhuma ligação com a Missa Nova e desejarem assistir exclusivamente ao Rito Tridentino. A Missa Tridentina é fiel às doutrinas que a Igreja sustentou e proclamou constantemente, ao passo que a Missa Nova descarta ou destrói essas doutrinas para agradar aos não-católicos. A Missa Tridentina trata o Santíssimo Sacramento com a maior reverência possível, ao passo que a Missa Nova trata a hóstia consagrada como um simples pão. A Missa Tridentina é católica e enraizada na tradição apostólica, ao passo que a Missa Nova é protestante, modernista e corruptora da fé.
A atitude prática que um católico deve tomar em relação à Missa Nova pode ser resumida em duas palavras: ficar longe. Se isso soa espantoso ou radical, considere isto: o objetivo principal da Missa é honrar e adorar a Deus. Um rito que compromete as doutrinas de sua Igreja, transmite mentiras como se fossem verdades, falsifica as palavras de seu Filho, menospreza o Preciosíssimo Corpo, corrompe a fé e está imbuído de protestantismo e modernismo não pode honrar a Deus. O máximo que pode fazer é desonrá-lo.
Nenhum católico, obviamente, deseja desonrar a Deus. Por esse motivo, os católicos que rejeitam os erros da Missa Nova e do Vaticano II não vão à igreja de forma alguma aos domingos, se não houver nenhuma Missa Tridentina disponível para assistirem. Em vez de ofenderem a Deus participando de um serviço que o desonra, eles (como os católicos do século XVI na Inglaterra, quando as mudanças litúrgicas protestantes foram introduzidas) vão permanecer em casa, ler seus missais e se unir espiritualmente às verdadeiras missas que estão sendo celebradas pelo mundo.
MISSAS TRIDENTINAS “APROVADAS”
De 1969 para frente, os católicos que rejeitaram os erros do Vaticano II e a Missa Nova têm mantido viva a Missa Tridentina. Desde 1988, porém, a hierarquia modernista tem tentado atrair esses católicos à religião do Vaticano II ao permitir missas tridentinas “aprovadas” (popularmente chamadas de “Missas de Indulto”) e autorizar organizações como a Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP) a celebrar essas missas. Por conta das Missas de Indulto e de grupos como a FSSP, mais católicos têm sido expostos à Missa Tridentina. Muitos, talvez, pela primeira vez em suas vidas. Certamente, isso tem um aspecto positivo.
Mas esse fenômeno também apresenta sérios problemas. Em uma Missa de Indulto, as hóstias duvidosamente consagradas anteriormente na Missa Nova podem ser distribuídas durante a Comunhão. O sacerdote da FSSP ou da diocese local que celebra a Missa de Indulto foi, normalmente, ordenado de maneira duvidosa — seja porque ele e/ou o bispo que o ordenou recebeu as Santas Ordens de acordo com os ritos dúbios de ordenação pós-Vaticano II. Hóstias consagradas em uma Missa de Indulto também podem ser colocadas no tabernáculo e distribuídas sacrilegamente nas mãos durante a celebração da Missa Nova.
Missas de Indulto e grupos como a FSSP neutralizam e comprometem a resistência ao Vaticano II e à Missa Nova. É precisamente por causa disso que eles receberam aprovação oficial. As diretrizes lançadas pelo Vaticano em 1991 exigem que os sacerdotes que celebram as Missas de Indulto preguem e ensinem a adesão às mudanças do Vaticano II, ao ponto de enfatizar “o reconhecimento deles acerca do valor doutrinário e jurídico da liturgia como revisada após o Concílio Vaticano II”. Um documento do Vaticano de 1999 exorta os sacerdotes da FSSP a concelebrar a Missa Nova com bispos diocesanos para “facilitar essa comunhão eclesial”.
Sacerdotes da FSSP e de indulto são, por definição, homens vendidos. A aprovação da hierarquia modernista compra o silêncio deles acerca dos erros do Vaticano II e dos males da Missa Nova, e eles se tornam (talvez involuntariamente) como o ramo anglo-católico (High Church) de uma igreja ecumênica mundial. Isso atende bem aos propósitos dos modernistas. A resistência à Missa Nova e a assistência à Missa Tridentina podem, dessa maneira, ser retratados como nada mais do que uma nostalgia, um gosto estético, antiquarismo, uma simples preferência ou um sentimento acolhedor, como pode ser visto na entrevista de 2004 com o Cardeal Castrillón Hoyos, chefe da comissão do Vaticano que regula as Missas de Indulto. Essas Missas, ele disse, são parte de “uma grande variedade de dons” na Igreja, na qual a Missa Tridentina e a Missa Nova “proclamam a mesma fé católica, com diferentes ênfases e expressões que são ambas legítimas, em total e recíproco respeito fraterno”. Junto com a Missa Nova, liturgias infantis, coroinhas mulheres e comunhão na mão, a Missa Tridentina acaba sendo retratada como meramente uma de várias opções no bufê pós-Vaticano II, no qual todos os pratos devem ser tratados como igualmente bons, e no qual a escolha não passa de uma questão de gosto pessoal.
CUMPRINDO O PRECEITO DOMINICAL
O clero modernista afirma às vezes que ir à Missa Tridentina em uma igreja não aprovada pela diocese não cumpre o preceito do domingo ou que é até mesmo um pecado. O que está implícito em tal alegação é a noção de que um católico está, de alguma forma, obrigado a ir à Missa Nova. Isso é completamente errado. A primeira obrigação do católico é honrar a Deus e salvar sua alma. Ninguém pode legitimamente obrigá-lo a assistir a uma missa que desonra a Deus através de sua irreverência e coloca em perigo a salvação de sua alma ao minar a fé católica. Quanto ao pecado, se você foi à Missa Nova por algum tempo, você provavelmente percebeu que o clero modernista eliminou a noção de ofensa a Deus. Se ir à Missa Tridentina é um pecado, provavelmente é o único no qual o clero pós-Vaticano II ainda acredita.
Ironicamente, os pronunciamentos desse clero acerca do preceito dominical são contraditados pelo próprio Código de Direito Canônico liberal que eles usam. O Código de 1983 diz que “satisfaz ao preceito de participar da Missa quem assiste à Missa em qualquer lugar onde é celebrada em rito católico” (Cânon 1248.1). Uma Missa que a Igreja celebrou por séculos, obviamente, não apresenta dificuldades para ser enquadrada como um rito católico.
Nossa situação atual é parecida com a dos ingleses católicos do século XVI. Quase todos os bispos e sacerdotes desse tempo tinham aderido a novas doutrinas — protestantismo — e tentaram impor uma nova Missa herética aos fiéis. Os católicos ignoraram as leis e os pronunciamentos dos inovadores que os mandavam cumprir o preceito dominical no que era, de fato, um culto não-católico. Em vez disso, os bons católicos buscaram sacerdotes fiéis que lhes proveriam a verdadeira Missa católica com uma sã doutrina. Assim também ocorre nos nossos dias. Nossas igrejas e catedrais estão ocupadas por um clero que promove uma doutrina falsa e uma forma de culto não-católica. Como os ingleses católicos do século XVI, nós não temos a obrigação de seguir as ordens de um clero que publicamente desertou da fé. Apesar disso, já que “temos tanto o direito quanto a obrigação por lei divina de buscar uma doutrina sã e um culto puro, nós não só podemos como devemos procurar sacerdotes católicos fiéis que possam prover o que precisamos para salvar nossas almas”.
UM CONVITE
Desde o Vaticano II, católicos de todo o mundo se uniram para preservar a Missa Tridentina e seus Sacramentos. Em algumas regiões, os católicos tradicionais adquiriram e mobiliaram igrejas esplêndidas para dar uma casa ao nosso Senhor e Mestre. Em outros lugares, porém, o Santo Sacrifício é oferecido em salas alugadas, assim como a Primeira Missa, a Última Ceia, que foi oferecida em um ambiente locado. Em qualquer dos casos, é a Missa o que importa, e é sobre a Missa, como diz São Leonardo, que o Sol se levanta e se põe.
Se o que dissemos até aqui fez crescer o seu desejo de assistir à Missa Tridentina, nós o convidamos a unir-se a nós na próxima vez em que a Missa for celebrada. O que dissemos até aqui é necessariamente apenas uma breve exposição da posição dos católicos que “permanecem constantes e conservam as tradições que aprenderam”. Por essa razão, nós o convidamos a investigar mais a fundo esse assunto através de livros tradicionais que apresentam uma explicação e defesa de nossa posição.
Finalmente, nós também o convidamos a rezar e a buscar a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e dos Santos. Que Deus lhe conceda a graça de ser fiel à única e verdadeira Fé até a morte.
LEITURAS ADICIONAIS
1. Anthony Cekada. Work of Human Hands: A Theological Critique of the Mass of Paul VI. Philothea Press, 2010. Artigos “Tradicionalistas, Infalibilidade e o Papa”; “Sacerdotes Tradicionais, Sacramentos Legítimos”; “Did Paul VI Illegally Promulgate the New Mass?” (2000).
2. Alfredo Cardinal Ottaviani, Antonio Cardinal Bacci & a Group of Roman Theologians. The Ottaviani Intervention: Short Critical Study of the New Order of Mass. TAN Books, 1992.
3. Donald Sanborn. Artigos “Resistance and Indefectibility” (1992); “O Sacrament Unholy” (2002).
Artigos, sermões, transmissão de missa e vídeos online:
- www.traditionalmass.org
- www.sgg.org
- www.sggresources.org
- https://www.youtube.com/user/WorkofHumanHands?feature=mhee
QUADRO COMPARATIVO: MISSA TRIDENTINA × MISSA NOVA
| Missa Tridentina | Missa Nova |
| Atmosfera de adoração e reverência: Atmosfera tranquila e sobrenatural. Ênfase em “levantar o coração e a mente para Deus”. Os membros da Igreja dirigem sua atenção para Deus, e não um para o outro. | Atmosfera social, de sala de aula, de entretenimento: Um constante sentar e levantar, barulho amplificado; atmosfera semelhante a de uma reunião pública. Ênfase na “instrução”. Socialização na igreja antes e depois da cerimônia, e aperto de mãos durante a celebração. |
| Profunda reverência para com a Presença Real: Dezesseis genuflexões. Apenas as mãos do sacerdote tocam a hóstia consagrada. A comunhão só é dada na língua. | Indiferença e irreverência diante da Presença Real: Apenas três genuflexões. Leigos (homens e mulheres) distribuem a Comunhão. A Comunhão é dada na mão, uma prática que os protestantes introduziram para negar a Presença Real de Cristo. |
| Fidelidade à doutrina católica: Pelo curso de um ano, são apresentados todos os aspectos da doutrina da fé. | Omissão sistemática das verdades de fé: As novas orações omitem sistematicamente referências ao Inferno, juízo final, castigo pelo pecado, mérito dos santos, única verdadeira Igreja, almas do Purgatório e milagres. |
| Antiguidade: A maior parte das orações de domingo e sua organização remontam, pelo menos, aos séculos III e IV d.C. O Cânon é essencialmente o mesmo desde Santo Ambrósio (+ 397). | Novidade: As antigas orações dominicais foram omitidas ou despojadas de doutrina e rearranjadas na década de sessenta. Apenas 17% das orações antigas permaneceram. Grande parte do Cânon antigo se tornou “opcional”. As palavras da consagração, as próprias palavras de Cristo, “Por vós e por muitos” foram alteradas. Três “cânones” substitutivos foram inventados e introduzidos na década de sessenta, e outros ainda foram criados depois. |
| Estabilidade: Tudo é regulado por leis específicas que visam a proteger a pureza do culto e da doutrina. | Mudança constante: Opções, opções e mais opções. Cada sacerdote e cada equipe litúrgica da paróquia pode escolher, descartar ou mesmo inventar textos para transmitir o que eles pensam que o povo deve crer. |
| O sacerdote é quem oferece o sacrifício: O Padre fica de frente para o tabernáculo, a cruz e o altar (simbolicamente, perante Deus). O sacerdote realiza todas as ações e recita todas as orações da Missa. | O sacerdote é um “presidente”, ator: O padre fica de frente para o povo, em vez de ficar simbolicamente “diante de Deus”. O sacerdote é posto de lado. Suas funções são dadas a leigos (homens e mulheres). |
