CARTA AOS JUDEUS DE CONSTANTINOPLA (1489)
Monsenhor Léon Meurin, S.J. (†1895)
Fontes: (1) La Franc-Maçonnerie, Synagogue de Satan, p. 206–210. Paris: Victor Retaux et Fils, 1893. (2) https://samisdat.in/en/blog/letter-from-constantinople-1489 (3) https://uncatolicoperplejo.com/carta-de-constantinopla-de-1489/ (4) https://odysee.com/@TheTruthWillSetYouFree:a/TheConstantinopleLetterOf1489:4 (5) https://www.lelibrepenseur.org/marranisme-lettre-aux-juifs-de-constantinople-1489/ (6) https://www.heritage-history.com/index.php?c=read&author=nilus&book=protocols&story=fifteenth
Tradutor do texto: Elvira Mattoso.
Descrição: Extrato do livro do então arcebispo de Port-Louis, Léon Meurin (1825–1895), no qual é incluída a famosa “Carta de Constantinopla” de 1489, dirigida pelos judeus de Arles (França) aos de Constantinopla, e a devida “Carta Resposta”. Esses dois documentos foram descobertos por acaso na biblioteca de Salamanca (Espanha), entre os arquivos de Toledo. Eles só foram tornados públicos em 1583, graças ao nobre Julián de Médrano. Em 13 de janeiro de 1489, Chemor, rabino de Arles, na Provença, escreveu ao Grande Sinédrio, sediado em Constantinopla, pedindo conselhos, pois o povo de Arles estava ameaçando as sinagogas. Em 22 de dezembro de 1489 veio a resposta do Grande Sinédrio. Estas cartas foram reproduzidas quatro séculos depois, em 1889, na Revue des Études Juives (“Revista de Estudos Judaicos”), Paris, França, periódico financiado por Édouard James de Rothschild (1868–1949).
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Residência dos Chefes desconhecidos dos judeus e da Franco-Maçonaria
Em 29 de junho de 1869, festa de São Pedro, realizou-se em Leipzig um concílio judaico, muito provavelmente com vistas ao Concílio do Vaticano, convocado para 8 de dezembro do mesmo ano. Compareceram a essa reunião os grão-rabinos da Turquia, da Rússia, da Alemanha, da Inglaterra, da França, dos Países Baixos, da Bélgica, etc. Os judeus ortodoxos e os reformados constituíram duas facções que se equilibravam mutuamente. E eis a tese comum a uns e outros, tal como foi formulada: “O Sínodo reconhece que o desenvolvimento e a realização das idéias modernas constituem a mais segura garantia para o presente e para o futuro do judaísmo e de seus filhos”.[1]
Haveria, pois, uma solidariedade entre os judeus do Ocidente e os do Oriente, entre o grão-rabino da Turquia e os dos países cristãos? O Padre Emmanuel Chabauty no-lo ensinará:[2] “É historicamente incontestável que, desde sua dispersão até o século XI, os judeus tiveram um centro visível e conhecido de unidade e direção”.[3] Após a ruína de Jerusalém, esse centro encontrou-se durante muito tempo, ora em Jâmnia [Japhné], ora em Tiberíades; era representado pelos Patriarcas da Judéia, que gozavam de grande autoridade. “Eles decidiam os casos de consciência e os assuntos importantes da nação; dirigiam as sinagogas como chefes superiores; estabeleciam impostos; possuíam oficiais chamados ‘apóstolos’, que levavam suas ordens aos judeus das províncias mais remotas. Suas riquezas tornaram-se imensas. Esses patriarcas agiam de maneira ostensiva ou oculta, segundo as disposições dos imperadores romanos para com os judeus”.
Acima desses Patriarcas encontravam-se os Príncipes do Cativeiro, que residiram por muito tempo em Babilônia.[4]
“Os escritores judeus estabelecem uma grande diferença entre os Patriarcas da Judéia e os Príncipes do Exílio. Os primeiros, afirmam eles, não passavam de lugar-tenentes dos segundos. Os Príncipes do Cativeiro possuíam a qualidade e a autoridade absoluta de chefes supremos de toda a dispersão de Israel. Segundo a tradição dos Doutores, teriam sido instituídos para ocupar o lugar dos antigos Reis; e possuem o direito de exercer seu império sobre os judeus de todos os países do mundo.
“Os Califas do Oriente, alarmados com o seu poder, suscitaram contra eles terríveis perseguições e, a partir do século XI, a história deixa de fazer menção desses chefes de Israel. Teriam eles desaparecido completamente ou transferido para outro lugar a sede de seu poder? Esta segunda hipótese é, de longe, a mais verossímil, tendo em vista os documentos seguintes:
CARTA DOS JUDEUS DE ARLES AOS DE CONSTANTINOPLA
“Honoráveis judeus, saúde e graça. Deveis saber que o Rei da França, que novamente se tornou senhor do país da Provença, obrigou-nos, por proclamação pública, a nos tornarmos cristãos ou a abandonar seu território. E os de Arles, Aix e Marselha querem apoderar-se de nossos bens, ameaçam nossas vidas, arruínam nossas sinagogas e nos causam muitos transtornos, o que nos deixa incertos quanto ao que devemos fazer em relação à lei de Moisés. Eis por que vos rogamos que vos digneis sabiamente mandar-nos dizer o que devemos fazer. Chamor, Rabino dos judeus de Arles, em 13 Sabath de 1489.”
RESPOSTA DOS JUDEUS DE CONSTANTINOPLA AOS DE ARLES E DA PROVENÇA
“Bem-amados irmãos em Moisés, recebemos vossa carta, na qual nos dais a conhecer as aflições e os infortúnios que suportais. Sentimos por isso uma dor tão grande quanto a vossa.
“O parecer dos maiores Rabinos e Sátrapas de nossa lei é o seguinte:
“Dizeis que o rei da França vos obriga a vos tornardes cristãos: fazei-o, já que não podeis agir de outro modo; mas que a lei de Moisés se conserve em vosso coração.
“Dizeis que querem tomar vossos bens; fazei de vossos filhos comerciantes, para que, por meio do comércio, despojem os cristãos dos seus.
“Dizeis que atentam contra vossa vida: fazei de vossos filhos médicos e boticários, para que destruam a dos cristãos, sem receio de punição.
“Dizeis que destroem vossas sinagogas: fazei de vossos filhos cônegos e clérigos, para que destruam a Igreja deles.
“Dizeis que vos fazem outras vexações: fazei de vossos filhos advogados, notários e homens que ordinariamente se ocupem dos negócios públicos; e, por esse meio, dominareis os cristãos, conquistareis suas terras e vos vingareis deles.
“Não vos afasteis desta ordem que vos damos, porque vereis por experiência que, da condição de abatimento em que vos encontrais, chegareis ao cume do poder.
“V. S. S. V. E. F. Príncipe dos Judeus de Constantinopla, 21 de Casleu de 1489.”
O Padre Chabauty demonstrou perfeitamente a autenticidade e o alcance desses documentos. “Tratava-se”, diz ele, “de uma linha de ação política e social que os judeus espanhóis e provençais solicitavam e que, de fato, receberam. A partir daí, compreende-se perfeitamente por que, deixando de lado seus Doutores e Rabinos das regiões vizinhas e até mesmo os de seu próprio meio, eles recorreram a outro lugar, muito distante, a Constantinopla: porque — e isto nos deve ser evidente agora — nessa cidade residia seu Chefe supremo, não apenas religioso, mas também político; lá estava a cabeça da nação”.
A linha de ação que esse príncipe de Constantinopla traçava para os judeus provençais foi admiravelmente seguida até os nossos dias. O Padre Chabauty provou que os judeus obedecem hoje, como no passado, a um chefe oculto, porém único. Esse Chefe existe; possui o mesmo poder que na Idade Média e conduz a nação pelos mesmos caminhos.[5]
Podemos dizer que a aproximação que fizemos é conclusiva e que o Chefe desconhecido dos judeus é também o Chefe desconhecido da franco-maçonaria? Se não é conclusiva, é ao menos muito verossímil e apta a orientar aqueles que têm todo o interesse em descobrir os primeiros culpados da liga anticristã e antissocial.
Residência dos Chefes Supremos da Franco-Maçonaria
Adolphe Ricoux[6] teve a fortuna de pôr as mãos no “Recueil des Instructions” (“Coletânea de Instruções”) do Chefe dogmático dos franco-maçons. Ele traz dele um documento da mais alta importância, a carta encíclica do Chefe Dogmático ou Soberano Pontífice dos franco-maçons. “A franco-maçonaria universal”, diz o autor (p. 64), “possui como último vértice de sua organização internacional um Diretório supremo, cujos membros, em número de sete, são escolhidos alternadamente entre os Supremos Conselhos, Grandes Orientes e Grandes Lojas dos diversos países, e exercem suas funções por apenas seis meses. (…) A sede do Diretório Supremo fica em Berlim. Por outro lado, quatro chefes de Grandes Centros diretores estão instalados permanentemente ad vitam, dependem diretamente do Diretor Supremo e centralizam, para lhas transmitir, as comunicações importantes. Esses quatro grandes Centros diretores são: em Nápoles, para a Europa; em Calcutá, para a Ásia e a África; em Washington, para a América do Norte; e em Montevidéu, para a América do Sul. Por fim, além dos quatro grandes Centros diretores, há dois personagens, cada qual incumbido de uma missão especial: o Chefe de Ação Política, particularmente encarregado da vigilância do Vaticano, a fim de precipitar os acontecimentos contra o Papado, tão logo receba ordem para isso do Diretório Supremo; esse chefe de ação reside em Roma (atualmente é o irmão Lemmi); e o Grande Depositário das tradições sagradas, que é, de certo modo, o Grande Lama da seita, o Chefe Dogmático, o antipapa secreto, e que é conhecido pelos Chefes dos Supremos Conselhos, Grandes Lojas e Grandes Orientes sob o título de Soberano Pontífice da Franco-Maçonaria universal, residente em Charleston”. Era Albert Pike, que acaba de falecer. Diz-se que Albert Mackey é seu sucessor.
Os sete Membros do Diretório Supremo e os quatro Grandes Centros Diretores representam ainda o famoso número onze. São provavelmente o Presidente do Diretório Supremo, o Chefe de Ação Política (Imperador) e o Chefe Dogmático (Pontífice) que formam a Santa Trindade de que falamos. Com eles, o número místico sobe a treze.
[1] Auguste Rohling, Le Juif selon le Talmud, ed. francesa por A. Pontigny (Paris: Savine, 1889).
[2] Les Juifs, nos maîtres! (Paris: Palmé, 1882).
[3] Théodore Reinach o afirma em sua Histoire des Israélites.
[4] Adolphe Franck, La Kabbale (Paris: G. Carré, 1892), p. 270.
[5] Henri Desportes, Le Mystère du sang (Paris: Albert Savine, 1889), p. 335 e seguintes.
[6] L’existence des loges de femmes (Paris: Téqui, 1891).
